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	<title>Arquivos Soul &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Após 5 anos, It Was Good Until It Wasn’t nos mostra que o que é bom, de fato permanece</title>
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		<pubDate>Fri, 05 Dec 2025 13:00:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Victor Hugo Aguila Permitir ser vista em um contexto de isolamento é, definitivamente, um ato de coragem. Lançado em maio de 2020, durante a pandemia causada pela covid-19, It Was Good Until It Wasn’t abarca genuinamente as nuances e os desafios presentes entre o desejo e o afeto. Sendo o segundo álbum de estúdio da &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-it-was-good-until-it-wasnt/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Após 5 anos, It Was Good Until It Wasn’t nos mostra que o que é bom, de fato permanece"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36541" aria-describedby="caption-attachment-36541" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-36541" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2-2-800x800.jpg" alt="No centro da imagem, há uma mulher em cima de um banco de palha; ela está descalça e de costas, olhando sobre um muro de tijolos e está vestindo um short jeans e uma camiseta regata branca. A mulher possui cabelos pretos curtos, tatuagens nos braços e pernas, e está segurando uma mangueira de água na mão esquerda." width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2-2-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2-2-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2-2-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2-2.jpg 1000w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36541" class="wp-caption-text">O álbum estreou em segundo lugar na Billboard 200 dos Estados Unidos, sendo o segundo disco de Kehlani a ficar no Top 5 do país. (Foto: TSNMI / Atlantic)</figcaption></figure>
<p><b>Victor Hugo Aguila</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Permitir ser vista em um contexto de isolamento é, definitivamente, um ato de coragem. Lançado em maio de 2020, durante a pandemia causada pela covid-19, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=BIY_lEg8kBA"><i><span style="font-weight: 400;">It Was Good Until It Wasn’t</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> abarca genuinamente as nuances e os desafios presentes entre o desejo e o afeto. Sendo o segundo álbum de estúdio da </span><i><span style="font-weight: 400;">performer</span></i><span style="font-weight: 400;">, a lírica intimista e os instrumentais comoventes reafirmam a identidade de Kehlani enquanto uma das maiores expoentes do </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;"> estadunidense.</span></p>
<p><span id="more-36539"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo de 15 faixas e contando com colaborações de artistas como Jhené Aiko, </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-melhores-discos-de-2022/"><span style="font-weight: 400;">Megan Thee Stallion</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Lucky Daye, o disco se apoia em transmitir coerentemente um momento de incerteza sob a ótica de um relacionamento conturbado. Baseando-se na garantia de que, na verdade, nada é garantido, a cantora aborda as ansiedades que se manifestam em um campo de disputas entre o carnal e o sentimental. Sensual e autodestrutivo, a artista utiliza brilhantemente os recursos musicais como uma constante forma de provocação. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Logo no início, a personalidade do trabalho que vem a seguir é apresentada estrondosamente ao ouvinte. Com uma intensidade emocional muito bem marcada, a estadunidense traz um caráter confessional ao utilizar memórias afetivas para criar sua arte. Após o </span><a href="https://portalrapmais.com/kehlani-fala-sobre-traicao-de-yg-em-nova-musica-you-know-wassup/"><span style="font-weight: 400;">término</span></a><span style="font-weight: 400;"> com o rapper YG em fevereiro de 2020 e o lançamento da canção </span><i><span style="font-weight: 400;">Valentine&#8217;s Day (Shameful)</span></i><span style="font-weight: 400;">, a californiana ainda explora o tom melancólico, porém combinado a sensualidade que apenas a paixão pode proporcionar.</span></p>
<figure id="attachment_36542" aria-describedby="caption-attachment-36542" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36542" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-2-800x450.jpg" alt="No centro da imagem, há uma mulher com tatuagens no pescoço, ombro e braços. Ela está com a mão levantada na altura do rosto enquanto veste um espartilho com detalhes de pérolas, brincos grandes e cabelo curto. Ela também possui um adorno de penas na cabeça." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-2-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-2-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-2.jpg 1735w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36542" class="wp-caption-text">Sempre íntima da sua própria Arte, Kehlani afirmou ao Apple Music que “este álbum foi muitos álbuns antes de ser este”. (Foto: Mia Andre)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A partir do uso de elementos do </span><i><span style="font-weight: 400;">soul </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">hip-hop</span></i><span style="font-weight: 400;">, além do óbvio e glamuroso </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">It Was Good Until It Wasn’t</span></i><span style="font-weight: 400;">, cria uma identidade própria e atemporal, mas sem perder a possibilidade de reconhecer suas referências. Grandes nomes da década de 1990, como </span><a href="https://rollingstone.com.br/musica/20-anos-sem-aaliyah-tragica-morte-da-princesa-do-rb-flashback/"><span style="font-weight: 400;">Aaliyah</span></a><span style="font-weight: 400;"> e TLC, ganham uma face contemporânea e podem ser reconhecidos nostalgicamente enquanto fortes influências do álbum, ainda que mantendo sua fidelidade aos anos 90. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mantendo esse caráter romântico da época e sem eufemismos, Kehlani apresenta vulnerabilidade ao expor uma relação fadada ao fracasso, porém sem perder a vontade quase </span><a href="https://personaunesp.com.br/mans-best-friend-reune-o-melhor-de-sabrina-carpenter-humor-acido-tensao-sexual-e-melancolia/"><span style="font-weight: 400;">animalesca</span></a><span style="font-weight: 400;"> de possuir e ser possuída. Em tom de súplica, a vocalista abre mão de sua racionalidade ao se isolar, mesmo que sem intenção, e prejudica não apenas sua individualidade, como também a relação que tenta incessantemente manter viva. Como ela mesmo afirma na canção </span><i><span style="font-weight: 400;">Toxic</span></i><span style="font-weight: 400;">, “</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu me torno muito responsável quando estou sozinha</span></i><span style="font-weight: 400;">”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda que haja uma construção emocional ao longo do álbum, é possível reconhecer um dos pontos principais das composições: a liberdade sexual. Por meio de aspectos da astrologia como tabuleiro de sedução, a faixa </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=18wdpwAg9P0"><i><span style="font-weight: 400;">Water</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">transpira deliciosamente o apetite sexual como ramificação da confiança. Ao permitir se entregar para o outro, a compositora encontra emancipação no poder da escolha de deixar ser dominada emocionalmente. É o contraste de uma relação paradoxal, na qual a sensação de liberdade, muitas vezes, está presente no ato de se acorrentar a um momento de fantasia quase que interminável.</span></p>
<figure id="attachment_36540" aria-describedby="caption-attachment-36540" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36540" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-2-800x534.jpg" alt="No centro da imagem, há uma mulher vestindo uma blusa e usando luvas e botas de cano alto. Ela está sentada de lado no chão de um palco enquanto olha para o lado esquerdo da foto. Ao fundo da imagem, é possível ver microfones, um teclado e partes de uma bateria. A iluminação da imagem é predominantemente laranja e amarela. " width="800" height="534" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-2-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-2-768x513.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-2-1536x1025.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-2-1200x801.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-2.jpg 1999w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36540" class="wp-caption-text">A importância da sensualidade no trabalho de Kehlani ultrapassa a lírica e se encontra também na estética, tornando-a uma referência visual. (Foto: Isha Shah)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de ter a relação com o outro como tema central, a relação consigo mesma não fica em segundo plano. Ao mostrar outra face da mesma moeda, a estadunidense reconhece suas incoerências, principalmente ao se desfazer para construir outro alguém. É a parte </span><a href="https://personaunesp.com.br/sour-olivia-rodrigo-critica/"><span style="font-weight: 400;">azeda</span></a><span style="font-weight: 400;"> que se manifesta na busca por amar e ser amada. Através de um lugar de racionalidade, ao cantar “</span><i><span style="font-weight: 400;">‘Eu te odeio se transforma em ‘eu te amo’ no quarto</span></i><span style="font-weight: 400;">” em </span><i><span style="font-weight: 400;">F&amp;MU</span></i><span style="font-weight: 400;">, ela elabora suas incongruências deixando claro que reconhece a própria toxicidade e quem realmente é em um instante de carência, permitindo ter sua intimidade tocada apenas na casualidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em aspectos técnicos, é imprescindível destacar o casamento perfeito entre a voz áspera de Kehlani com a doçura melodiosa de Jhené Aiko na faixa </span><i><span style="font-weight: 400;">Change Your Life</span></i><span style="font-weight: 400;">. A vocalista de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=t3aHdZfJckg"><i><span style="font-weight: 400;">Triggered (freestyle)</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> compõe uma teia harmoniosa ao ser adicionada a canção, tornando o álbum ainda mais completo. Na lírica, ambas afirmam saber o seu valor ao se colocarem em um patamar influente para tentar conquistar aquele que deseja. A ânsia pelo controle sobre o outro transparece na canção através da urgência de explorar suas potencialidades, querendo torná-lo melhor, mas sem perder o que se já tem. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Intensa e visceral, Kehlani representa inteiramente o que significa sentir e ser muito. A sensação de entrar em contato com letras tão bem escritas é um fôlego, e a musicista representa com êxito a familiaridade em </span><a href="https://personaunesp.com.br/how-big-how-blue-how-beautiful-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">mergulhar</span></a><span style="font-weight: 400;"> de cabeça em alguém, sem se questionar o que pode haver no fundo. Ao analisar sua própria profundidade sob uma lente madura, ela destrincha o que é a intensidade e qual o seu papel em uma relação amorosa, desejando, em troca, apenas ser enxergada por ser quem realmente é.</span></p>
<figure id="attachment_36543" aria-describedby="caption-attachment-36543" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36543" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-2-800x533.png" alt="No centro da imagem, há uma mulher cantando enquanto segura o microfone. Ela está vestindo uma blusa e usando luvas que cobrem os braços, com o cabelo longo e ondulado solto. O fundo da imagem é predominantemente azul." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-2-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-2-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-2-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-2-1536x1024.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-2-1200x800.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-2.png 1999w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36543" class="wp-caption-text">O sentimento conflituoso de desejar somar, mas sem invadir, escorre pela lírica da artista (Foto: Isha Shah)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Analisando o disco em sua totalidade, os instrumentos utilizados emolduram perfeitamente a voz e a escrita, além de se destacar como um dos pontos fortes da produção. No </span><i><span style="font-weight: 400;">hit </span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=5dw5FWNmCi4"><i><span style="font-weight: 400;">Hate The Club</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, em parceria com Masego, o saxofone suave do jamaicano proporciona a sensação do pós-balada que ainda nem ocorreu: íntimo, sedutor e trágico. A faixa representa o embate que é ter que lembrar quem se era antes de alguém. Kehlani canta lindamente a dor que é deixar de fazer algo que deseja por medo de sentir e se coloca em uma espiral de abstinência, no qual tenta encontrar conforto na possibilidade de recaída e no prazer do vício. Continuamente, é questionado: ir dançar para te esquecer ou para tentar te encontrar? </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após tantos desencontros, Kehlani finaliza a </span><i><span style="font-weight: 400;">pièce de résistance</span></i><span style="font-weight: 400;"> da sua carreira com a coragem de enfrentar o luto de uma relação que não existe mais. Na tentativa de manter viva uma relação morta, a artista recai em consciência e percebe que, nesse momento, o único vínculo a ser salvo é o seu consigo mesma. Apesar da importância e facilidade que ela encontra ao falar sobre liberdade sexual, é necessário chegarmos ao final do projeto para que possamos ter contato com seu lado emocional completamente em estado de nudez. Respondendo diversos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=I5s8SgjZb8g"><span style="font-weight: 400;">questionamentos</span></a><span style="font-weight: 400;">, ela se permite ser vista e retoma para si o poder presente em ser vulnerável. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://www.billboard.com/pro/kehlani-good-until-it-wasnt-number-1-top-rb-albums-chart/"><span style="font-weight: 400;">triunfo</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">It Was Good Until It Wasn’t</span></i><span style="font-weight: 400;"> se apresenta não apenas por conta de suas composições originais e produção tocante, mas também por sua atemporalidade. Ao ecoar de maneira tão genuína sobre paixão, inseguranças e sexualidade – temas ainda extremamente relevantes no cenário cultural atual – Kehlani deixou novamente sua marca no mundo da música e continua se consagrando enquanto alguém destinada ao sucesso. Ainda que não esteja tão presente no </span><i><span style="font-weight: 400;">mainstream </span></i><span style="font-weight: 400;">atualmente, a confiança no potencial do seu trabalho faz dela uma voz forte no campo artístico. Se relacionando com a opinião do público, é compreensível e ganha ainda mais sentido o que ela afirmou para a Apple Music em 2020: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Não importa o que aconteça com este álbum, ele vai ser sempre o meu projeto favorito</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: It Was Good Until It Wasn&amp;apos;t" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/6ROLwnmW9pOioLned0DaP3?si=ecdWyf4TTQabfUUn2oIuWw&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>A melancolia e a esperança em Circles, de Mac Miller, completam cinco anos</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Jun 2025 15:06:23 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ana Beatriz Zamai O primeiro dos, até o momento, quatro álbuns póstumos de Mac Miller, foi lançado cinco anos atrás. Circles foi gravado em 2018, mesmo ano de lançamento de Swimming, quinto álbum do estúdio de Mac, e após a morte do rapper.  Contudo só foi divulgado em janeiro de 2020, quando a família pediu &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/circles-5-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A melancolia e a esperança em Circles, de Mac Miller, completam cinco anos"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_35336" aria-describedby="caption-attachment-35336" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35336" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-800x800.jpg" alt="Capa do álbum &quot;Circles&quot;, do cantor Mac Miller. São duas fotos sobrepostas, criando um efeito de movimento. Nas duas, o rapper aparece ao centro, usando uma blusa de frio preta, com a mão na cabeça. Em uma das fotos, Mac está de olhos fechados e com a cabeça tombada para o lado direito; na outra, com a cabeça parada ao centro e olhos abertos." width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35336" class="wp-caption-text">Circles, primeiro álbum póstumo de Mac Miller, completa 5 anos (Foto: Warner Records)</figcaption></figure>
<p><b><i>Ana Beatriz Zamai</i></b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O primeiro dos, até o momento, quatro álbuns póstumos de Mac Miller, foi lançado cinco anos atrás. </span><i><span style="font-weight: 400;">Circles</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi gravado em 2018, mesmo ano de lançamento de </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/5wtE5aLX5r7jOosmPhJhhk"><i><span style="font-weight: 400;">Swimming</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, quinto álbum do estúdio de Mac, e após a morte do </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper.</span></i><span style="font-weight: 400;">  Contudo só foi divulgado em janeiro de 2020, quando a família pediu para o produtor Jon Brion finalizar a obra. Se destacando como um dos poucos </span><i><span style="font-weight: 400;">rappers </span></i><span style="font-weight: 400;">brancos – </span><i><span style="font-weight: 400;">e bons</span></i><span style="font-weight: 400;"> – desse meio, Miller se afasta um pouco do </span><i><span style="font-weight: 400;">rap </span></i><span style="font-weight: 400;">para se misturar com o </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-35334"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Brion é um produtor e compositor americano, responsável por </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/3o5EnVZNJXtfPV8tCoagjI"><i><span style="font-weight: 400;">When The Pawn</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1998), de Fiona Apple e </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/5ll74bqtkcXlKE7wwkMq4g"><i><span style="font-weight: 400;">Late Registration</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2005) de Kanye West, além de sua parceria com o diretor Charlie Kaufman nas trilhas sonoras de </span><i><span style="font-weight: 400;">Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças </span></i><span style="font-weight: 400;">(2004) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Sinédoque </span></i><span style="font-weight: 400;">(2008). A própria família do </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper</span></i><span style="font-weight: 400;"> deu a informação, em um </span><a href="https://www.instagram.com/p/B7EIkpkpHpA/?img_index=1"><span style="font-weight: 400;">post no Instagram</span></a><span style="font-weight: 400;">, que o produtor finalizou o disco de Mac Miller se baseando no tempo que passaram juntos e nas conversas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Segundo Jon, o projeto inicial do artista era um trio de álbuns que se complementariam. O primeiro, </span><i><span style="font-weight: 400;">Swimming</span></i><span style="font-weight: 400;">, lançado em 2018, seria uma mistura de </span><i><span style="font-weight: 400;">song form</span></i><span style="font-weight: 400;"> – na tradução literal, forma da música, é a maneira que a obra é organizada, como refrões, pontes e versos – e </span><i><span style="font-weight: 400;">hip-hop</span></i><span style="font-weight: 400;">. O segundo, </span><i><span style="font-weight: 400;">Circles</span></i><span style="font-weight: 400;"> – nome que Miller já havia decidido anteriormente, seria apenas </span><i><span style="font-weight: 400;">song-based</span></i><span style="font-weight: 400;"> – algo que está relacionado ou construído a partir de canções – sem o conhecido </span><a href="https://www.redbull.com/br-pt/musica-hip-hop--guia-de--estilos"><i><span style="font-weight: 400;">frat rap</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> do cantor. O terceiro projeto, sem nome e músicas conhecidas por Jon ou pelo público, seria apenas de </span><i><span style="font-weight: 400;">hip-hop</span></i><span style="font-weight: 400;">. A ideia era fazer álbuns com dois estilos diferentes que se complementam, formando um círculo, com o conceito sendo nadando em círculos – </span><i><span style="font-weight: 400;">Swimming </span></i><span style="font-weight: 400;">in </span><i><span style="font-weight: 400;">Circles</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_35337" aria-describedby="caption-attachment-35337" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35337" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-3-800x533.png" alt="O cantor Mac Miller aparece ao centro da imagem, usando uma camisa de frio. Ao fundo, sua casa, onde aparece a porta, uma parte do telhado e algumas folhas. Mac está com o cabelo raspado, mas não totalmente, sorrindo, com barba. Sua tatuagem de, aparentemente, uma rosa, aparece no pescoço. " width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-3-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-3-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-3-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-3-1536x1024.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-3-1200x800.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-3.png 1581w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35337" class="wp-caption-text">Mac Miller faleceu em setembro de 2018, com 26 anos, por overdose acidental com mistura de opióide, cocaína e álcool (Foto: Clarke Tolton/Rolling Stones)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mac Miller já era um grande compositor e produtor por si só. O que Brion fez foi expandir criativamente e experimentalmente seu talento, criando uma nova fase na vida musical do </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper</span></i><span style="font-weight: 400;">. Esse novo período, que teve início ainda no registro anterior, foi marcado por músicas com letras mais sinceras, acompanhadas pelas batidas presentes no enorme </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/artist/57YJQe0ayvIaRZJ3PW5nFP"><span style="font-weight: 400;">currículo</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Brion: minimalistas, poéticas e nostálgicas, comuns nas trilhas cinematográficas do produtor. Alguns dos responsáveis por essas batidas foram dois aliados que Jon trouxe: o baterista Matt Chamberlain (Fiona Apple) e o baixista e guitarrista Wendy Melvoin (Prince).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma das exceções do álbum é a música </span><i><span style="font-weight: 400;">I Can See</span></i><span style="font-weight: 400;">, que tem um teor mais psicodélico e futurista, até mesmo no </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=rGxOUnlHpGI"><span style="font-weight: 400;">videoclipe</span></a><span style="font-weight: 400;">. O som combina com a letra, que além de versos que devaneiam, como “</span><i><span style="font-weight: 400;">E agora eu sei que, se viver é apenas um sonho, então nós também somos (apenas um sonho)</span></i><span style="font-weight: 400;">”, também é a faixa que Mac se mostra mais direto no pedido de socorro, em dizer que está se afundando: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Bom, eu preciso que alguém me salve, hmm/ Antes que eu me enlouqueça</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<figure id="attachment_35338" aria-describedby="caption-attachment-35338" style="width: 770px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-35338" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image2-3.png" alt="No canto esquerdo da imagem, uma mulher usando terno e cabelo curto liso amarelo neon. No outro canto, uma mulher de calça preta com o celular na mão. Ao centro, Mac Miller aparece com um moletom bege, cabelo raspado, mas não totalmente, com a mão cobrindo a boca. Suas tatuagens da mão e dedos aparecem. Ao seu lado esquerdo, Ariana Grande faz o mesmo gesto com as mãos. Ariana está de top branco, um casaco rosa transparente, uma choker rosa, um óculos de sol rosa na cabeça, e os cabelos loiros presos em um rabo de cavalo. " width="770" height="433" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image2-3.png 770w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image2-3-768x432.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35338" class="wp-caption-text">Muitos fãs acreditam que a voz feminina no fundo de I Can See é da artista Ariana Grande, namorada de Mac por alguns anos (Foto: Instagram/@arianagrande)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Foi em </span><i><span style="font-weight: 400;">Circles</span></i><span style="font-weight: 400;">, juntamente com </span><i><span style="font-weight: 400;">Swimming</span></i><span style="font-weight: 400;">, que Mac Miller conseguiu expressar seus sentimentos em relação à </span><a href="https://www.vulture.com/2018/09/mac-miller-interview.html"><span style="font-weight: 400;">depressão</span></a><span style="font-weight: 400;"> e sua dependência em drogas. A primeira ideia é pensar que, se o álbum tem essa temática, as músicas apresentam um teor depressivo e triste, mas não é o caso – não por completo. O artista demonstra ter crescido e aprendido suas lições, encontrando paz em se deixar mostrar quem é e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CMyUoCVYCME"><span style="font-weight: 400;">o que sente</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Blue World </span></i><span style="font-weight: 400;">é o exemplo perfeito para demonstrar essa evolução. Usando o </span><i><span style="font-weight: 400;">sample</span></i><span style="font-weight: 400;"> de “</span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/2iXNeaqJ1Ef3YZ3iEak8tU"><i><span style="font-weight: 400;">It´s a Blue World</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”, do quarteto The Four Freshmen, Mac intercala entre como se sente em relação às drogas e a depressão, como se o diabo (em referência às drogas) estivesse batendo em sua porta, e a esperança de que tudo vai dar certo. Em meio a uma batida mais agitada do que o restante e mais próximo do </span><i><span style="font-weight: 400;">hip hop</span></i><span style="font-weight: 400;">, Miller diz “</span><i><span style="font-weight: 400;">Esse mundo maluco me deixa louco</span></i><span style="font-weight: 400;">”, mas depois “</span><i><span style="font-weight: 400;">Nós nem estamos preocupados, apenas rimos, isso é maravilhoso/ Você sabe como é, não está quebrado, então não tente consertar/ Ei, um dia desses todos nós sobreviveremos, não tenha medo”</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Blue World" style="border-radius: 12px" width="100%" height="152" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/track/2hwOoMtWPtTSSn6WHV7Vp5?si=4ae444f3f4154313&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A revista digital </span><i><span style="font-weight: 400;">Pitchfork</span></i><span style="font-weight: 400;">, em sua </span><a href="https://pitchfork.com/reviews/albums/mac-miller-circles/"><span style="font-weight: 400;">crítica</span></a><span style="font-weight: 400;">, comentou que foi muito difícil categorizar </span><i><span style="font-weight: 400;">Circles</span></i><span style="font-weight: 400;">, pela quantidade de aspectos diferentes. Outras críticas descreveram o álbum como </span><i><span style="font-weight: 400;">hip-hop</span></i><span style="font-weight: 400;">, funk e </span><i><span style="font-weight: 400;">emo-rap</span></i><span style="font-weight: 400;">, com elementos de </span><i><span style="font-weight: 400;">soft rock</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">lo-fi</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">indie folk</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">synth-pop</span></i><span style="font-weight: 400;">. Porém não foi a partir de </span><i><span style="font-weight: 400;">Circles</span></i><span style="font-weight: 400;"> que o artista evoluiu seu estilo. Miller saiu de </span><i><span style="font-weight: 400;">K.I.D.S.</span></i><span style="font-weight: 400;">, em 2009, como um </span><a href="https://www.albumoftheyear.org/user/calbrandell/album/40489-kids-kickin-incredibly-dope-shit/"><span style="font-weight: 400;">rapaz imprudente</span></a><span style="font-weight: 400;"> conhecido pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">frat rap</span></i><span style="font-weight: 400;">, e avançou para álbuns cada vez mais sinceros e profundos, indo desde </span><i><span style="font-weight: 400;">Blue Slide Park</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Watching Movies With The Sound Off</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">GO:OD AM</span></i><span style="font-weight: 400;"> para </span><i><span style="font-weight: 400;">The Divine Feminine</span></i><span style="font-weight: 400;">, provavelmente sua obra mais completa e diversificada, </span><i><span style="font-weight: 400;">Swimming</span></i><span style="font-weight: 400;">, e, enfim, </span><i><span style="font-weight: 400;">Circles</span></i><span style="font-weight: 400;">, que passa pelo seu lado mais profundo, mostrando o que se pode ver como créditos finais. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O álbum conta com apenas um </span><i><span style="font-weight: 400;">feat</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Hand Me Downs</span></i><span style="font-weight: 400;">, na presença de Baro Sura. A voz rouca de Mac combina com a de </span><a href="https://genius.com/a/who-is-baro-the-melbourne-singer-rapper-featured-on-mac-miller-s-hand-me-downs"><span style="font-weight: 400;">Baro</span></a><span style="font-weight: 400;">, trazendo um bom equilíbrio e dando uma liberdade a Mac de mostrar seu </span><i><span style="font-weight: 400;">hip hop</span></i><span style="font-weight: 400;"> de novo, mesmo que intercalado com a poesia da música, e toda essa combinação transforma a música na melhor do álbum. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Hand Me Downs</span></i><span style="font-weight: 400;">, Miller demonstra que o que sente não é de hoje, mas que agora está piorando: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Desde que me lembro, tenho me mantido firme, mas estou me sentindo estranho</span></i><span style="font-weight: 400;">”. O videoclipe traz pedaços da gravação e produção, com Mac tocando os instrumentos presentes na música e que, assim como a canção, trazem conforto para o fã, que sente uma proximidade do cantor.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Mac Miller - Hand Me Downs" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/fYEXdCCpfVQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de Mac estar no ciclo do desespero à uma possível redenção, constantemente com o pensamento de que talvez morrer não seja tão ruim quanto viver, ele estende a mão ao ouvinte, como quem diz “</span><i><span style="font-weight: 400;">Não é porque eu estou assim, que você também precisa estar</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Esse suporte pode ser visto – e ouvido, em </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/2oiKD8bPHTYNyCfj2nafJL"><i><span style="font-weight: 400;">Hands</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que destoa do restante do álbum tanto na batida quanto na letra, por ter um teor positivo. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Por que você não acorda de seus pesadelos?/ Quando foi a última vez que você reservou um tempinho para si mesmo?/ Não há razão para ficar tão deprimido/ Porque carregar esse peso vai quebrar seus joelhos de vidro</span></i><span style="font-weight: 400;">”. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Circles</span></i><span style="font-weight: 400;"> pode ser considerado como uma carta de despedida de Mac Miller para os fãs, já que os outros álbuns póstumos lançados até o momento (“</span><i><span style="font-weight: 400;">Faces”</span></i><span style="font-weight: 400;">, “</span><i><span style="font-weight: 400;">I Love Life, Thank You” </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">“</span></i><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/2ANFIaCb53iam0MBkFFoxY"><i><span style="font-weight: 400;">Balloonerism</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">”</span></i><span style="font-weight: 400;">, o último tendo sido lançado no aniversário de </span><i><span style="font-weight: 400;">Circles</span></i><span style="font-weight: 400;">) foram gravados antes deste registro, só não haviam sido finalizados e divulgados. Mesmo que sem saber que seria sua última mensagem, Mac nos diz para aproveitar mais a vida, ir com calma e sem pressa, viver um dia de cada vez e depois pensamos no amanhã. Como diz em </span><i><span style="font-weight: 400;">Complicated</span></i><span style="font-weight: 400;">: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Algumas pessoas dizem que querem viver para sempre/ Isso é muito tempo, vou apenas viver o hoje. [&#8230;] Antes de começar a pensar no futuro/ Primeiro, posso viver o hoje?</span></i><span style="font-weight: 400;">”. </span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Circles" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/5sY6UIQ32GqwMLAfSNEaXb?utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>The Car segue a estrada do precursor, mas dessa vez, o Arctic Monkeys observa a lua de longe</title>
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		<pubDate>Mon, 11 Mar 2024 11:45:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Leandro Santhiago Desde seu álbum de estreia até o clássico indie AM, de 2013, o Arctic Monkeys havia se estabelecido como uma força gigantesca do rock mainstream, lotando estádios internacionalmente e lançando hits atrás de hits, como é o caso de Fluorescent Adolescent e R U Mine?. O quarteto de Sheffield, até então, cultivou a &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/the-car-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "The Car segue a estrada do precursor, mas dessa vez, o Arctic Monkeys observa a lua de longe"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32720" aria-describedby="caption-attachment-32720" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32720" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4-3.jpg" alt="" width="1999" height="1999" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4-3.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4-3-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4-3-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4-3-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4-3-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4-3-1536x1536.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4-3-1200x1200.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32720" class="wp-caption-text">The Car é um novo capítulo para a banda Arctic Monkeys, que mostra um lado introspectivo e reflexivo do grupo (Foto: Domino Records)</figcaption></figure>
<p><b>Leandro Santhiago</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde seu </span><a href="https://open.spotify.com/album/50Zz8CkIhATKUlQMbHO3k1?si=k05gN55IQVa76zJMPS8pig"><span style="font-weight: 400;">álbum de estreia</span></a><span style="font-weight: 400;"> até o clássico </span><i><span style="font-weight: 400;">indie</span></i> <a href="https://personaunesp.com.br/10-anos-depois-am-do-arctic-monkeys-ainda-e-iconicamente-sedutor/"><i><span style="font-weight: 400;">AM</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 2013, o Arctic Monkeys havia se estabelecido como uma força gigantesca do </span><i><span style="font-weight: 400;">rock mainstream</span></i><span style="font-weight: 400;">, lotando estádios internacionalmente e lançando </span><i><span style="font-weight: 400;">hits</span></i><span style="font-weight: 400;"> atrás de </span><i><span style="font-weight: 400;">hits</span></i><span style="font-weight: 400;">, como é o caso de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ma9I9VBKPiw"><i><span style="font-weight: 400;">Fluorescent Adolescent</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=VQH8ZTgna3Q"><i><span style="font-weight: 400;">R U Mine?</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O quarteto de Sheffield, até então, cultivou a fama de trazer ao público um som mais enérgico e potente, liderado pela instrumentação </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> clássica com a tríade de guitarras, baixo e bateria. No entanto, um piano dado de presente ao vocalista Alex Turner fez com que o grupo expandisse seu vocabulário musical e entrasse em uma nova etapa sonora.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A energia acumulada até o momento foi o combustível para a viagem até o espaço na qual vemos </span><a href="https://open.spotify.com/album/1jeMiSeSnNS0Oys375qegp?si=cZ1MRCOcQdSjtswZd0Ch0w"><i><span style="font-weight: 400;">Tranquility Base Hotel &amp; Casino</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, um passeio lunar regado pela sonoridade dispersa &#8211; ainda que coesa &#8211; emprestada da psicodelia das décadas de 1960 e 1970. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">The Car</span></i><span style="font-weight: 400;">, o sétimo disco da banda, a poeira levantada pela decolagem do som espacial de seu precursor assentou. Nesse último lançamento, o grupo traz canções mais reclinadas e relaxadas, quase como um descanso depois da viagem proporcionada pelo sexto disco, ainda que com um sabor melancólico e nostálgico de fundo.</span></p>
<p><span id="more-32716"></span></p>
<figure id="attachment_32717" aria-describedby="caption-attachment-32717" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32717" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-6.jpg" alt="" width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-6.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-6-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-6-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-6-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-6-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32717" class="wp-caption-text">There’d Better Be A Mirrorball marca nova era da banda e estabelece, como faixa inicial do disco, o clima leve e saudoso da obra (Foto: Domino Records)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">The Car</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi lançado em 21 de Outubro de 2022 e precedido de três </span><i><span style="font-weight: 400;">singles</span></i><span style="font-weight: 400;"> que ilustraram a sonoridade do projeto que estava por vir. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=FY5CAz6S9kE"><i><span style="font-weight: 400;">There’d Better Be A Mirrorball</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, um dos destaques da obra, foi o primeiro lançamento da banda desde o álbum ao vivo </span><a href="https://open.spotify.com/album/7Heaa0B4KOxdWhSICTR2wE?si=aW-3Hs9GSkC6xtoYugyYmg"><i><span style="font-weight: 400;">Live at the Royal Albert Hall</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em 2020, e conta com um videoclipe dirigido pelo próprio Alex Turner. Nessa faixa, fortes influências do </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> sinfônico trazem um certo contraste ao </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> espacial explorado em </span><i><span style="font-weight: 400;">Tranquility Base</span></i><span style="font-weight: 400;"> e, dessa vez, a letra mostra um Turner mais pessoal e introspectivo, abordando temas de um relacionamento que está chegando ao fim e de uma dificuldade em lidar com as próprias emoções.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para o projeto, o grupo conta com seu produtor de longa data </span><a href="https://faroutmagazine.co.uk/james-ford-explains-how-arctic-monkeys-album-the-car-was-intended-to-sound-bigger/"><span style="font-weight: 400;">James Ford</span></a><span style="font-weight: 400;">, que proporcionou arranjos sofisticados e luxuosos reminiscentes da década de 1960, mas não banais o suficiente para soarem datados. Aqui, é apresentada uma sonoridade mais palpável e definida — no entanto, ampla —, sem um uso intenso de efeitos e distorções, com a orquestra tendo um papel bem maior em relação aos trabalhos anteriores da banda. Violões dedilhados (presentes na </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=QmCvvlvK8d4"><span style="font-weight: 400;">faixa-título</span></a><span style="font-weight: 400;">, assim como em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=UL0OEb561W4"><i><span style="font-weight: 400;">Mr Schwartz</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), pianos elétricos e a bateria com um timbre mais seco também compõem a paleta geral do disco, junto com uma produção saborosa e firme.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A sonoridade se mantém ao decorrer do álbum, com exceção da espreitadora </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=KQsrIxyoJdE"><i><span style="font-weight: 400;">Sculptures Of Anything Goes</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, outra pérola, que foge completamente do arsenal sonoro presente no resto das canções, trazendo uma nova face não só para o disco, como também para o grupo em geral. A faixa conta com uma imersão total em um ambiente eletrônico e semi-industrial, repleto de sintetizadores e quase isento da habitual guitarra. Aqui é também presente uma letra que expressa os sentimentos de Turner em relação à reação divisiva do público às mudanças pelas quais a banda passou ao longo dos anos, tudo isso em palavras direcionadas ao próprio ouvinte. Essa estética inédita reforça a </span><a href="https://www.theguardian.com/music/2022/sep/30/arctic-monkeys-alex-turner-im-comfortable-with-the-idea-that-things-dont-have-to-be-a-pop-song"><span style="font-weight: 400;">audácia do grupo</span></a><span style="font-weight: 400;"> de se reinventar, ao mesmo tempo em que mantém uma identidade própria, além de se mostrar ciente das críticas e do quanto essa recepção mal importa (e mal deve importar) para a satisfação de um artista com a sua obra.</span></p>
<figure id="attachment_32718" aria-describedby="caption-attachment-32718" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32718" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-6.jpg" alt="" width="1999" height="1289" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-6.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-6-800x516.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-6-1024x660.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-6-768x495.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-6-1536x990.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-6-1200x774.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32718" class="wp-caption-text">Em The Car, a banda traça seu próprio caminho, sem comprometer a própria integridade artística (Foto: Zackery Michael)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É evidente que, nesse disco, o Arctic Monkeys propõe novamente um retorno às décadas de 1960 e 1970, assim como fizeram em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=PMHHjOi6H3s"><i><span style="font-weight: 400;">Tranquility Base</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> quatro anos antes. Enquanto que no álbum anterior eles prezaram pela adoção de um som psicodélico e reverberante, em </span><i><span style="font-weight: 400;">The Car</span></i><span style="font-weight: 400;"> a banda inglesa direcionou seu foco para uma abordagem predominantemente mais contida em termos melódicos e dinâmicos nas canções, vestindo fortes influências do </span><i><span style="font-weight: 400;">soul</span></i><span style="font-weight: 400;"> e do </span><i><span style="font-weight: 400;">funk</span></i><span style="font-weight: 400;">, por exemplo. No entanto, por mais que o grupo incorpore essa estética de corpo e alma, não traz muitas novidades em relação ao que já foi feito dentro do gênero: os arranjos se limitam a instrumentos e efeitos setentistas, além das músicas seguirem uma estrutura tradicional do estilo que a banda emula nesse projeto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, essa nova etapa sonora do quarteto funciona nos dias de hoje e mostra maturidade dentro da evolução ao longo dos anos. Em comparação a discos mais antigos do Arctic Monkeys, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Car</span></i><span style="font-weight: 400;"> apresenta maior sofisticação e sensibilidade nas composições e no ritmo da obra em si, deixando claro o quanto cada membro aperfeiçoou a musicalidade em seus instrumentos no decorrer da discografia da banda, com destaque à performance vocal e lírica de Turner. </span><a href="https://www.radiox.co.uk/artists/arctic-monkeys/reveal-the-meaning-of-lyrics-on-the-car-album/"><span style="font-weight: 400;">Nesse último álbum</span></a><span style="font-weight: 400;">, o vocalista preza — assim como em trabalhos anteriores — pelo forte uso de metáforas e referências específicas à cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">. Porém, aqui há uma ênfase maior em observações a respeito de seu próprio grupo e à sua trajetória em um tom reflexivo, casando com a estética instrumental das canções.</span></p>
<figure id="attachment_32719" aria-describedby="caption-attachment-32719" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32719" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3-5.jpg" alt="" width="2000" height="1270" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3-5.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3-5-800x508.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3-5-1024x650.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3-5-768x488.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3-5-1536x975.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3-5-1200x762.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32719" class="wp-caption-text">Além da voz de Turner, quem também brilha em The Car é a bateria de Matt Helders (Foto: Jo Hale/Redferns)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É comum para o Arctic Monkeys que suas músicas tomem uma nova forma e vitalidade quando tocadas ao vivo, no contexto de uma performance geralmente de grande porte, em que há uma troca efervescente de energia entre os músicos e o público. Por mais que isso seja o usual para as mais frenéticas do catálogo da banda — como a trovejante </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=z0DcAAFsGHU"><i><span style="font-weight: 400;">Brianstorm</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, tocada normalmente no início das apresentações —, esse fenômeno também se aplica à nova era do grupo. É o caso de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hrEBkuZNkMQ"><i><span style="font-weight: 400;">Body Paint</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, mais um destaque de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Car</span></i><span style="font-weight: 400;">, que quando performada em </span><i><span style="font-weight: 400;">shows</span></i><span style="font-weight: 400;"> recentes, decola até as alturas e ganha mais vida (e duração), mostrando que a banda ainda mantém o ímpeto e ânimo que os fãs sempre puderam presenciar quando fossem vê-los ao vivo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para quem acompanha o trabalho do grupo há muitos anos e está acostumado ao som mais enérgico e explosivo de álbuns como </span><a href="https://open.spotify.com/album/1XkGORuUX2QGOEIL4EbJKm?si=YMQ5-LpvTjGugCoDVqsvMg"><i><span style="font-weight: 400;">Favourite Worst Nightmare</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o novo disco pode parecer entediante e sem inspiração de início. Na verdade, a beleza aqui não está necessariamente em refrões grudentos ou momentos dignos de pirotecnia exorbitante nos </span><i><span style="font-weight: 400;">shows</span></i><span style="font-weight: 400;"> (ainda que ambos existam em doses menores nesse projeto), mas sim em uma expressão sincera e verdadeira com a própria identidade artística dos músicos, mesmo que isso signifique se distanciar daquilo que os levou até onde estão hoje. Desse jeito, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Car</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um álbum que retribui tempo investido nele, além de representar amadurecimento e uma etapa importante na estrada que a banda percorre há mais de 20 anos.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: The Car" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/2GROf0WKoP5Er2M9RXVNNs?si=wdeLJcYKQYuJo_duThGIAA&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>Os cinco anos de Black Panther: The Album e a narrativa sob o olhar norte-americano</title>
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		<pubDate>Mon, 18 Dec 2023 14:03:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Henrique Marinhos Black Panther: The Album, trilha sonora de Pantera Negra, é composto por 14 faixas e foi produzido pela Top Dawg Entertainment, mesma gravadora de Kendrick Lamar. A obra se consolidou como um dos aspectos mais elogiados do filme lançado cinco anos atrás, apresentando uma fusão de influências africanas e afro-americanas que resulta em &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/black-panther-the-album-aniversario/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os cinco anos de Black Panther: The Album e a narrativa sob o olhar norte-americano"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32310" aria-describedby="caption-attachment-32310" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32310" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/unnamed-3.png" alt="Capa do álbum Black Panther: The Album. Imagem quadrada de fundo preto. No canto inferior direito está escrito “Parental Advisory Explicit Content” ou “Aviso parental de conteúdo explícito”, em tradução literal. Acima está um colar prateado em que seus adereços são semelhantes a garras refletindo a luz" width="640" height="640" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/unnamed-3.png 640w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/unnamed-3-150x150.png 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32310" class="wp-caption-text">Na semana de lançamento, Black Panther: The Album debutou em 1° lugar na Billboard 200 (Foto: Top Dawg Entertainment)</figcaption></figure>
<p><b>Henrique Marinhos</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Black Panther: The Album</span></i><span style="font-weight: 400;">, trilha sonora de </span><a href="https://personaunesp.com.br/pantera-negra-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Pantera Negra</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, é composto por 14 faixas e foi produzido pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Top Dawg Entertainment</span></i><span style="font-weight: 400;">, mesma gravadora de Kendrick Lamar. A obra se consolidou como um dos aspectos mais elogiados do filme lançado cinco anos atrás, apresentando uma fusão de influências africanas e afro-americanas que resulta em uma sonoridade autêntica e independente da produção audiovisual. </span></p>
<p><span id="more-32308"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O compositor Ludwig Göransson é quem assina a trilha e </span><a href="https://www.universalmusic.com.br/2018/01/05/musica-cinema-kendrick-lamar-e-anthony-tiffith-criam-trilha-sonora-original-de-pantera-negra/"><span style="font-weight: 400;">recebe seus prêmios</span></a><span style="font-weight: 400;">, destacando como a música tradicional africana, o </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> moderno e elementos orquestrais foram as fontes primárias de inspiração para as composições e para o projeto como um todo. Enriquecido também pela participação de artistas como Kendrick Lamar, </span><a href="https://personaunesp.com.br/ctrl-deluxe-critica/"><span style="font-weight: 400;">SZA</span></a><span style="font-weight: 400;">, Travis Scott e Anderson Paak.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><i><span style="font-weight: 400;">hip-hop</span></i><span style="font-weight: 400;"> do trabalho assume um papel proeminente no conjunto de faixas, assim como Lamar, o produtor e protagonista do disco. Ainda assim, felizmente, mantém espaço para a diversidade de gêneros que conversam entre si. Além do </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;">, há influências de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/rb/"><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">soul</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">funk</span></i><span style="font-weight: 400;">, mesmo que em frações do que poderia ser. </span><i><span style="font-weight: 400;">All The Stars</span></i><span style="font-weight: 400;">, destaque e </span><i><span style="font-weight: 400;">single</span></i><span style="font-weight: 400;"> do álbum que marca a colaboração de Kendrick Lamar e SZA, recebeu uma indicação ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Canção Original e um </span><a href="https://capricho.abril.com.br/entretenimento/kendrick-lamar-e-sza-sao-processados-pelo-clipe-de-all-the-stars/"><span style="font-weight: 400;">processo por plágio</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><span class="embed-youtube" style="text-align:center; display: block;"><iframe loading="lazy" class="youtube-player" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/JQbjS0_ZfJ0?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-BR&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent" allowfullscreen="true" style="border:0;" sandbox="allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox"></iframe></span></div>
<p><span style="font-weight: 400;">A trilha sonora é habilmente utilizada em diversas cenas do filme, amplificando as emoções e criando uma atmosfera única para passagens específicas – o que estranhamente não se traduz em toda obra audiovisual. </span><i><span style="font-weight: 400;">All The Stars</span></i><span style="font-weight: 400;"> acompanha uma luta no cassino em Busan, na Coreia do Sul, enquanto </span><i><span style="font-weight: 400;">Pray for Me</span></i><span style="font-weight: 400;"> preenche o fundo na invasão de Wakanda por Killmonger (Michael B. Jordan). </span><a href="https://youtu.be/QpOkxBeng2I"><i><span style="font-weight: 400;">Black Panther</span></i></a><span style="font-weight: 400;">:</span><i><span style="font-weight: 400;"> The Album</span></i><span style="font-weight: 400;"> intensifica as emoções no retorno de T&#8217;Challa (Chadwick Boseman) ao país após a morte de seu pai, mas, de certa forma, todas parecem desconexas de uma narrativa única.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar disso, é notável que Lamar não apenas produziu a </span><i><span style="font-weight: 400;">soundtrack</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas também se inspirou nos personagens e nas temáticas do longa. Em várias faixas, ele se </span><a href="https://www.theatlantic.com/entertainment/archive/2018/02/black-panther-soundtrack-kendrick-lamar-killmonger/553586/"><span style="font-weight: 400;">personifica</span></a><span style="font-weight: 400;"> como T’Challa e Killmonger, protagonistas e rivais da trama, explorando suas visões de mundo, conflitos e motivações. Ao menos, é o que ele tenta, o que nem todos os artistas convidados aparentam fazer, como no verso de</span><i><span style="font-weight: 400;"> PARAMEDIC!</span></i><span style="font-weight: 400;">: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu sou um assassino / Ninguém é perfeito / Mas todos tem seu valor / Nós não merecemos tudo que o céu e a Terra são</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<figure id="attachment_32309" aria-describedby="caption-attachment-32309" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-32309" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/unnamed-1-3-800x529.png" alt="Imagem do cantor Kendrick Lamar acima de um palco. Ao fundo estão holofotes desligados e uma parede sólida iluminada com um amarelo suave. Ao centro está o cantor Kendrick Lamar. Um homem negro de cabelo curto trançado e barba rala. Ele veste um corta vento preto e uma camiseta branca com botões por baixo. Em sua mão esquerda está seu microfone. A imagem capta de sua cintura até sua cabeça. Ele veste uma calça preta e seu outro braço está solto para baixo." width="800" height="529" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/unnamed-1-3-800x529.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/unnamed-1-3-768x508.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/unnamed-1-3.png 942w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32309" class="wp-caption-text">Michael B. Jordan elogiou Kendrick Lamar pelo apoio e desenvolvimento da trilha sonora, explicitando que sua mensagem e quem ele é refletem a essência do longa (Foto: Kevin Mazur)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo  que haja predominância de vários </span><a href="https://monkeybuzz.com.br/materias/black-panther-the-album-a-musica-inspirada-pelo-filme/"><span style="font-weight: 400;">artistas do continente africano</span></a><span style="font-weight: 400;">, como da África do Sul e da Nigéria, por exemplo, a mistura de elementos tradicionais africanos com batidas modernas soam sempre mais afro-americanas e ocidentais que as originárias. Em contrapartida a minoria de nomes consagrados do </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;"> e do </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;"> estadunidense, como 2 Chainz, Schoolboy Q, Vince Staples e The Weeknd.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse conjunto de fatores propõe a plena validade da discussão sobre autenticidade quando os Estados Unidos premiam a trilha sonora de um filme estadunidense sobre um herói africano criado por eles mesmos. O que reflete na predominância de seus elementos em detrimento dos africanos, que são fragmentados, seja por não serem tão cativantes ao público alvo ou até estereotipados, em tempo que boa parte das faixas poderia tranquilamente ser confundida com alguma de </span><a href="https://personaunesp.com.br/damn-kendrick-lamar/"><i><span style="font-weight: 400;">DAMN</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa observação suscita questionamentos sobre a </span><a href="https://www.brasildefatope.com.br/2018/05/25/mostra-de-cinema-africano-debate-a-invisibilidade-das-producoes-audiovisuais"><span style="font-weight: 400;">representação autêntica da cultura africana no Cinema</span></a><span style="font-weight: 400;">, além de pontuar o quão intrigante é o destaque do personagem de Michael B. Jordan como o antagonista Wakandiano – criado nos EUA – em defesa de sua cultura originária. Isso acontece em oposição ao herói da realeza, que segue uma trama não tão complexa e habitual de valores e narrativas culturais americanizada, mesmo sequer tendo conhecido a fundo o país de primeiro mundo pelo qual luta.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><span class="embed-youtube" style="text-align:center; display: block;"><iframe loading="lazy" class="youtube-player" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/XR7Ev14vUh8?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-BR&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent" allowfullscreen="true" style="border:0;" sandbox="allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox"></iframe></span></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Em suma, </span><a href="https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/diversao-e-arte/2018/02/13/interna_diversao_arte,659640/amp.shtml"><i><span style="font-weight: 400;">Black Panther: The Album</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é uma obra musical impressionante que combina influências africanas e afro-americanas, de forma agradável e se mostrando um álbum completo. No entanto, sua conexão com o filme e a representação da cultura no audiovisual levantam questões interessantes sobre autenticidade e identidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Toda a complexidade dos personagens personificados no conjunto musical, especialmente o antagonista interpretado por </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/cinema/pantera-negra-killmonger-nao-era-vilao-no-filme-diz-michael-b-jordan/"><span style="font-weight: 400;">Jordan</span></a><span style="font-weight: 400;">, destaca a dualidade entre as duas narrativas ideológicas. Mais uma vez, o disco consolida a reflexão, ainda que não proposital, de que a representação da cultura para além do entretenimento ainda tem um longo caminho a percorrer.</span></p>
<p><a href="http://iframe%20style=border-radius:12px%20src=https://open.spotify.com/embed/album/5sOSzueqgCiVpXNcpd6QpL?utm_source=generator%20width=100%%20height=352%20frameBorder=0%20allowfullscreen=%20allow=autoplay;%20clipboard-write;%20encrypted-media;%20fullscreen;%20picture-in-picture%20loading=lazy/iframe"><iframe loading="lazy" style="border-radius: 12px;" src="https://open.spotify.com/embed/album/5sOSzueqgCiVpXNcpd6QpL?utm_source=generator" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></a></p>
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		<title>A partir do afrofuturismo, Dirty Computer mantém seu impacto político intacto mesmo após 5 anos</title>
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		<pubDate>Thu, 06 Jul 2023 19:44:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Henrique Marinhos Baseado em uma história distópica que transforma aqueles que não se conformam em computadores sujos, Dirty Computer é o terceiro álbum de estúdio da cantora, compositora e atriz Janelle Monáe. Lançado em 2018, a obra-prima não se destaca apenas por sua sonoridade, mas também por sua narrativa visual e conceitual, unidas em um &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/dirty-computer-5-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A partir do afrofuturismo, Dirty Computer mantém seu impacto político intacto mesmo após 5 anos"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31246" aria-describedby="caption-attachment-31246" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31246" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image2-1.png" alt="Capa do álbum Dirty Computer. Nela está a cantora Janelle Monáe, uma mulher negra de cabelos curtos que veste uma burca feita de joias brilhantes interligadas por correntes. Apenas seus olhos não estão cobertos. A burca é de metal e vazada. Sua pele é iluminada por uma forte luz vermelha enquanto ao fundo está um círculo que se assemelha a um planeta com árvores ao redor de sua cabeça. Este é preenchido por um degradê que vai do vermelho ao amarelo. Ao fundo, tons de azul que se assemelham a nuvens e à esquerda o texto Janelle Monáe - Dirty Computer." width="1000" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image2-1.png 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image2-1-800x800.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image2-1-150x150.png 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image2-1-768x768.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31246" class="wp-caption-text">Dirty Computer foi anunciado com um trailer, exibido nas sessões do filme Pantera Negra (Foto: Bad Boy Records)</figcaption></figure>
<p><b>Henrique Marinhos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Baseado em uma história distópica que transforma aqueles que não se conformam em computadores sujos</span><i><span style="font-weight: 400;">, Dirty Computer</span></i><span style="font-weight: 400;"> é o terceiro álbum de estúdio da cantora, compositora e atriz Janelle Monáe. Lançado em 2018, a obra-prima não se destaca apenas por sua sonoridade, mas também por sua narrativa visual e conceitual, unidas em um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jdH2Sy-BlNE&amp;ab_channel=JanelleMon%C3%A1e"><span style="font-weight: 400;">audiovisual de 48 minutos</span></a><span style="font-weight: 400;"> emocionante.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde o lançamento de seu primeiro álbum, </span><a href="https://oneweekoneband.tumblr.com/post/160782539819/janelle-mon%C3%A1e-cindi-mayweather-and-the-other"><i><span style="font-weight: 400;">The ArchAndroid</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, em 2010, Monáe tem sido aclamada pela crítica e pelos fãs por sua originalidade e inovação na Música. Ela mistura elementos de </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">soul</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">funk</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;">, além de ser conhecida por suas performances energéticas e hipnotizantes, que cativam a audiência em seus </span><i><span style="font-weight: 400;">shows</span></i><span style="font-weight: 400;"> ao vivo. Hoje, ela pode comemorar a realização de um manifesto impactante que comemora cinco anos de existência.</span></p>
<p><span id="more-31245"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançado em 27 de Abril de 2018 pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Wondaland Arts Society</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Bad Boy Records</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Atlantic Records</span></i><span style="font-weight: 400;">, a obra é, além de tudo, uma continuação de seus primeiros álbuns de estúdio, </span><i><span style="font-weight: 400;">The ArchAndroid</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2010) e </span><i><span style="font-weight: 400;">The Electric Lady</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2013), e seu primeiro a não continuar a narrativa de </span><a href="https://digitalcollections.union.edu/s/home/item/5571#?cv="><span style="font-weight: 400;">Cindi Mayweather</span></a><span style="font-weight: 400;">, seu alter ego. O disco recebeu aclamação universal da crítica logo após o lançamento, foi incluído nos primeiros lugares das listas de </span><a href="https://www.rollingstone.com/music/music-lists/50-best-albums-2018-764071/mitski-be-the-cowboy-764127/#:~:text=AD-,13,-Janelle%20Monae%2C%20%E2%80%98Dirty"><span style="font-weight: 400;">Melhores Álbuns de 2018</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Janelle Monáe - Dirty Computer [Trailer]" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/A9k89DYdHKQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos cinco anos desde o lançamento, </span><i><span style="font-weight: 400;">Dirty Computer</span></i><span style="font-weight: 400;"> continua a inspirar e capacitar, promovendo a individualidade e a não conformidade em uma sociedade que molda padrões rígidos, opressores e vazios. Em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=PaYvlVR_BEc&amp;pp=ygUScHluayBqYW5lbGxlIG1vbmFl"><i><span style="font-weight: 400;">Pynk</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, um de seus clipes mais notáveis e </span><i><span style="font-weight: 400;">single</span></i><span style="font-weight: 400;"> do álbum, Monáe celebra a feminilidade e a sexualidade em um cenário rosa do início ao fim, com as roupas, cenários e adereços todos em diferentes tons &#8211; isso, além de uma coreografia divertida, intimista, corajosa e alegre. Por outro lado, em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mTjQq5rMlEY&amp;pp=ygULZGphbmdvIGphbmU%3D"><i><span style="font-weight: 400;">Django Jane</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ela reflete a força e a resiliência de maneira mais séria. Em um cenário futurista e tecnológico, as atrizes usam roupas militares e capacetes de combate, enquanto a cantora lidera o grupo com uma performance de </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;"> segura e intensa, que fez até Lady Gaga se levantar de seu acento em sua </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ssAuoqK7LYQ&amp;ab_channel=ETCanada"><span style="font-weight: 400;">performance</span></a><span style="font-weight: 400;"> no </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A integração dos clipes do disco é conduzida com maestria através de curtas narrativas que nos apresentam a personagem central da história, o computador </span><a href="https://dailyutahchronicle.com/2022/06/25/janelle-monae-dirty-computer-memory-librarian/"><span style="font-weight: 400;">Jane 57821</span></a><span style="font-weight: 400;">. O enredo é composto por diversas faixas que, de alguma forma, estão relacionadas às memórias que precisam ser apagadas. Através de </span><i><span style="font-weight: 400;">bugs</span></i><span style="font-weight: 400;"> e dúvidas humanas, somos apresentados aos questionamentos daqueles que deveriam executar a função de apagar essas memórias, mas que se veem confrontados com o conteúdo irreverente das músicas.</span></p>
<figure id="attachment_31247" aria-describedby="caption-attachment-31247" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31247" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image3.png" alt="Imagem do filme produzido a partir do álbum Dirty Computer. Na imagem, estão as atrizes Tessa Thompson e Janelle Monáe. Janelle está usando um vestido rosa enquanto Tessa está com sua cabeça saindo através dos babados em degradê do vestido. Ambas são mulheres negras, jovens com cabelos cacheados longos. Se assemelhando aos lábios de uma vagina. Ao redor está um deserto" width="1280" height="681" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image3.png 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image3-800x426.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image3-1024x545.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image3-768x409.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image3-1200x638.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31247" class="wp-caption-text">Após anos de especulação e participações em clipes, nunca se soube se Janelle Monáe e Tessa Thompson realmente tiveram um relacionamento amoroso (Foto: Bad Boy Records)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com o toque de Midas, além de sua carreira musical, a ativista multitalentosa também é conhecida por sua participação no filme </span><a href="https://personaunesp.com.br/moonlight-kendrick-lamar/"><i><span style="font-weight: 400;">Moonlight: Sob a Luz do Luar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que ganhou o </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Filme em 2017. Interpretando Teresa, uma mulher que acolhe e apoia o protagonista em uma realidade de violência, solidão e discriminação, assim como Cindi Mayweather e Jane 57821. Em adição a sua carreira na moda, como modelo para a </span><a href="https://youtu.be/pXgubkjXHVo"><i><span style="font-weight: 400;">CoverGirl</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e</span> <a href="https://youtu.be/WZkQioV2MQk"><i><span style="font-weight: 400;">Ralph Lauren</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a cantora atravessa as convenções sociais misturando elementos que definem moda masculina e feminina, em um visual que é ao mesmo tempo elegante e desafiador.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde o início, as criações de Janelle Monáe transparecem referências claras e bem exploradas. Visualmente, </span><i><span style="font-weight: 400;">Dirty Computer [Emotional Picture] </span></i><span style="font-weight: 400;">&#8211; como a artista nomeia seu álbum visual &#8211; segue uma sólida base </span><i><span style="font-weight: 400;">sci-fi</span></i><span style="font-weight: 400;">, com referências de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Twilight Zone</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/star-wars/"><i><span style="font-weight: 400;">Star Wars</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Matrix</span></i><span style="font-weight: 400;">. Sonoramente, </span><i><span style="font-weight: 400;">Make Me Feel</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma de suas composições mais emocionantes, que conta com a participação de um de seus maiores ídolos, </span><a href="https://www.independent.co.uk/arts-entertainment/music/news/janelle-monae-prince-new-music-make-me-feel-listen-a8230331.html"><span style="font-weight: 400;">Prince</span></a><span style="font-weight: 400;">, antes de seu falecimento em 2016. A faixa apresenta um som inspirado no </span><i><span style="font-weight: 400;">funk</span></i><span style="font-weight: 400;"> dos anos 1980, com guitarras elétricas e sintetizadores. Monáe constrói uma narrativa rica entre muitas outras inspirações, como </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/david-bowie/"><span style="font-weight: 400;">David Bowie</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/madonna/"><span style="font-weight: 400;">Madonna</span></a><span style="font-weight: 400;"> e James Brown.</span></p>
<figure id="attachment_31248" aria-describedby="caption-attachment-31248" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31248" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image1-1.jpg" alt="Foto promocional da festa pós lançamento do álbum Dirty Computer. Nela está Janelle Monáe, uma mulher negra de baixa estatura que veste calça e camisa social com suspensórios quadriculados. Ao seu redor estão mais cinco mulheres negras com jaquetas de couro. O ambiente é iluminado e colorido. Com luzes refletidas de vários globos de luz. Os tons que prevalecem são o verde, rosa e amarelo. " width="2000" height="1333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image1-1.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image1-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image1-1-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image1-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image1-1-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image1-1-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31248" class="wp-caption-text">Além do álbum, em 2022 Monáe lançou o livro The Memory Librarian: And Other Stories of Dirty Computer, uma coleção de contos de ficção na mesma temática de Dirty Computer (Foto: Bad Boy Records)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Dirty Computer, </span></i><span style="font-weight: 400;">além de tudo, é uma declaração de amor próprio &#8211; em tempo que a artista se assumiu como pansexual em uma </span><a href="https://www.rollingstone.com/music/music-features/janelle-monae-frees-herself-629204/"><span style="font-weight: 400;">entrevista</span></a><span style="font-weight: 400;"> à revista </span><i><span style="font-weight: 400;">Rolling Stone</span></i><span style="font-weight: 400;"> em 2018 -, e também uma das expressões mais marcantes e revolucionárias do </span><a href="https://blognroll.com.br/primeiro-acorde-bia-viana/janelle-monae-primeiro-acorde/"><span style="font-weight: 400;">afrofuturismo</span></a><span style="font-weight: 400;">, um movimento cultural que usa o conceito da tecnologia para projetar um futuro do ponto de vista da comunidade negra. A artista também é uma das fundadoras do movimento </span><a href="https://www.femthefuture.org/"><i><span style="font-weight: 400;">Fem the Future</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que visa capacitar mulheres e minorias na indústria da Música e do entretenimento, e seu legado no mundo hoje pode ser visto para muito além de seu manifesto político de cinco anos atrás.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">Eu não sou o pesadelo da América / Eu sou a americana legal</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Com letras poderosas, narrativa visual marcante e sonoridade inovadora, o álbum celebra a individualidade, a diversidade e a resistência. Desde seu lançamento em 2018, </span><i><span style="font-weight: 400;">Dirty Computer </span></i><span style="font-weight: 400;">conquistou tanto sucesso e reconhecimento que se tornou um símbolo. Em celebração a diversidade, a criatividade e a rebeldia, a representação de ‘computadores sujos’, o disco é um </span><a href="https://valkirias.com.br/janelle-monae-e-resistencia-e-orgulho-em-dirty-computer/"><span style="font-weight: 400;">manifesto político</span></a><span style="font-weight: 400;"> e artístico que questiona o </span><i><span style="font-weight: 400;">status quo</span></i><span style="font-weight: 400;"> e propõe um futuro mais inclusivo e democrático. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, o trabalho dialoga com o presente, passado e indiscutivelmente com o futuro, apontando para um horizonte de esperança e emancipação. Em defesa ao nosso direito de existir e de expressar quem somos, a amar a nós mesmos e aos outros, mesmo que incomode. </span><i><span style="font-weight: 400;">Dirty Computer </span></i><span style="font-weight: 400;">comprova, mais uma vez, o poder da Arte como ferramenta de promoção de mudanças sociais e políticas, por uma artista que está à altura de uma responsabilidade tão grande.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Dirty Computer" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/2PjlaxlMunGOUvcRzlTbtE?si=5b0e8ab1e6824b43&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>Em Ctrl (Deluxe), SZA prova que é sempre possível melhorar</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Feb 2023 14:41:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Henrique Marinhos No meio de 2022, antes de lançar o então recente SOS, Solána Rowe comemorou os 5 anos de Ctrl, seu potente trabalho de estreia. Em meio às festividades, SZA impressionou novamente ao lançar, em 9 de junho, a versão deluxe do CD, provando que mesmo em obras aclamadas ainda há como melhorar. Relembrando &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/ctrl-deluxe-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Ctrl (Deluxe), SZA prova que é sempre possível melhorar"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><figure id="attachment_29673" aria-describedby="caption-attachment-29673" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29673 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/1200x1200bf-60.jpg" alt="Capa do álbum CTRL (Deluxe): Uma imagem da cantora SZA, uma mulher negra, jovem e de cabelos pretos, encaracolados e longos. Ela está sentada com sua mão esquerda no chão atrás e outra em seu joelho.Está vestindo um body branco por baixo de uma jaqueta branca. Também tênis e meias brancas curtas. Ao fundo vemos um gramado e vários computadores velhos em volta dela." width="1200" height="1200" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/1200x1200bf-60.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/1200x1200bf-60-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/1200x1200bf-60-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/1200x1200bf-60-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/1200x1200bf-60-768x768.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29673" class="wp-caption-text">Ctrl (Deluxe) foi lançado em comemoração ao 5° aniversário de seu debut [Foto: RCA Records]</figcaption></figure><b>Henrique Marinhos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No meio de 2022, antes de lançar o então recente </span><a href="https://portalpopline.com.br/sos-sza-billboard-200-quinta-semana/"><i><span style="font-weight: 400;">SOS</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Solána Rowe comemorou os </span><a href="https://personaunesp.com.br/ctrl-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">5 anos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Ctrl</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, seu potente trabalho de estreia. Em meio às festividades, SZA impressionou novamente ao lançar, em 9 de junho, a versão </span><i><span style="font-weight: 400;">deluxe</span></i><span style="font-weight: 400;"> do CD, provando que mesmo em obras aclamadas ainda há como melhorar. Relembrando um dos</span><a href="https://personaunesp.com.br/os-melhores-albuns-de-2017/"> <span style="font-weight: 400;">melhores álbuns de 2017</span></a><span style="font-weight: 400;">, sua nova versão é composta por mais sete faixas até então inéditas, trazendo uma completude ao álbum como se sempre estivessem ali, prolongando a melancólica experiência de </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;"> que deu tão certo meia década atrás.</span></p>
<p><span id="more-29672"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes de liberar </span><i><span style="font-weight: 400;">Ctrl</span></i><span style="font-weight: 400;">, seu mais íntimo e primeiro disco, após o lançamento do </span><i><span style="font-weight: 400;">EP Z </span></i><span style="font-weight: 400;">(2014), SZA se distanciou das produções autorais para focar em seu trabalho como compositora, sendo co-escritora de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0Kg9xRooTVk"><i><span style="font-weight: 400;">Feeling Myself</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, parceria entre Beyoncé e Nicki Minaj, além de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Ksr3fWBT7is"><i><span style="font-weight: 400;">Consideration</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, escrita para Rihanna em 2016. No ano seguinte ao seu </span><i><span style="font-weight: 400;">debut</span></i><span style="font-weight: 400;">, o álbum conquistou cinco indicações ao </span><a href="https://www.grammy.com/artists/sza/188686"><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, incluindo Melhor Álbum Urbano Contemporâneo e Melhor Artista Revelação. Pela faixa intitulada </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cMD63TwzB1o"><i><span style="font-weight: 400;">The Weekend</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span></a><span style="font-weight: 400;"> recebeu a indicação de Melhor Performance de </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;">, e por </span><i><span style="font-weight: 400;">Love Galore</span></i><span style="font-weight: 400;">, canção com Travis Scott, a indicação de Melhor Performance de </span><i><span style="font-weight: 400;">Rap/Sung</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">Supermodel</span></i><span style="font-weight: 400;">, faixa de abertura de </span><i><span style="font-weight: 400;">Ctrl</span></i><span style="font-weight: 400;">, rendeu a indicação de Melhor Canção de </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<blockquote class="twitter-tweet" data-width="550" data-dnt="true">
<p lang="en" dir="ltr">This is JUST a gift for camp ctrl .  Nothing more nothing less . if u family you get it . 5 yrs is a long time . Thank you for changing my life I love you . Happy anniversary <img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f90d.png" alt="🤍" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> <a href="https://twitter.com/hashtag/HAPPYCTRLANNIVERSARY?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#HAPPYCTRLANNIVERSARY</a></p>
<p>&mdash; SZA (@sza) <a href="https://twitter.com/sza/status/1534918702768037888?ref_src=twsrc%5Etfw">June 9, 2022</a></p></blockquote>
<p><script async src="https://platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Este é só um presente para o &#8216;camp&#8217; Ctrl. Nada mais nada menos. Se você é da família você entende. 5 anos é muito tempo. Obrigado por mudar minha vida. Amo vocês. Feliz aniversário <img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f90d.png" alt="🤍" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" />”</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_29678" aria-describedby="caption-attachment-29678" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-29678" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/SZA1-800x450.png" alt="Foto da Cantora SZA, uma mulher negra, jovem com cabelos amarelos, lisos e longos. Ela está cantando com um microfone em sua mão esquerda e estendendo sua mão direita aberta ao público. Ao fundo, um telão de um palco com estrelas verdes e vermelhas." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/SZA1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/SZA1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/SZA1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/SZA1-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/SZA1.png 1400w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29678" class="wp-caption-text">Em 2018, SZA ganhou um prêmio na Billboard Music Awards como Melhor Artista Feminina R&amp;B (Foto: Kevin Mazur)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É de um consenso absurdo a intimidade que </span><i><span style="font-weight: 400;">Ctrl</span></i><span style="font-weight: 400;"> traz, das canções mais longas aos interlúdios. SZA realizou um trabalho completo, como se abrisse seu diário e seu coração a nós. Trazendo </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">soul</span></i><span style="font-weight: 400;">, Música Eletrônica, </span><i><span style="font-weight: 400;">indie</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">hip-hop</span></i><span style="font-weight: 400;">, seu </span><i><span style="font-weight: 400;">debut</span></i><span style="font-weight: 400;"> não surpreende ao ter sido indicado a tantos prêmios, além de justificar plenamente sua permanência por</span><a href="https://www.billboard.com/artist/sza/chart-history/hsi/"> <span style="font-weight: 400;">270 semanas na </span><i><span style="font-weight: 400;">Billboard 200</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Em </span><a href="https://music.apple.com/us/station/essential-album-ctrl/ra.1626424822"><span style="font-weight: 400;">entrevista à </span><i><span style="font-weight: 400;">Apple Music</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ela relatou que realizou um sonho de infância ao escrever </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Tiixq9rT_J0"><i><span style="font-weight: 400;">Supermodel</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> junto a Pharrell Williams, e celebrou sua finalização. A faixa é uma carta direta a alguém que ela precisa, revelando toda sua necessidade e apego em versos que dizem: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Por que não consigo ficar sozinha comigo mesma?/Queria estar confortável só comigo/Mas preciso de você</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já a segunda canção do disco, intitulada </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hHXfCOjb3fk"><i><span style="font-weight: 400;">Love Galore</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, foi feita em parceria com Travis Scott, artista que SZA colaborou também em</span> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=IfCuarZqJzM"><i><span style="font-weight: 400;">Power is Power</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, canção que integra o álbum </span><i><span style="font-weight: 400;">For The Throne (Music Inspired by the HBO Series Game of Thrones)</span></i><span style="font-weight: 400;">. Na faixa de 2017, ela questiona seu amor sobre os motivos que o fazem recorrer a ela, já que possui outra mulher. Mas, além disso, suas letras conversam com a calma melodia e batidas clássicas do </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B </span></i><span style="font-weight: 400;">sobre a importância de amar tanto quanto conseguimos: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Love long as we got”. </span></i><span style="font-weight: 400;">Ao término, SZA finaliza com uma das várias interações que realiza com a mãe ao telefone</span><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">a alertando para falar por si mesma e não permitindo que a tomem como idiota.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="SZA, The Weeknd, Travis Scott - “Power Is Power” Lyric Video| Game Of Thrones (HBO)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/eTkxsPBTrnk?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Em</span><a href="https://www.theguardian.com/music/2017/jul/29/sza-record-company-took-my-hard-drive-beyonce-kendrick-lamar"> <span style="font-weight: 400;">entrevista ao </span><i><span style="font-weight: 400;">The Guardian</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a artista revelou que, devido a intimidade exposta nas letras de </span><i><span style="font-weight: 400;">Ctrl</span></i><span style="font-weight: 400;">, sua mãe provavelmente se sente mortificada, mas ainda assim a ama demais. Em comparação com o seu disco, ela completa com uma fala de sua mãe, referindo-se ao trabalho de Beyoncé: &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">Sinto-me nua ao ouvir o seu álbum. Sinto que há coisas que não se devem dizer ao mundo</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">. </span></i><span style="font-weight: 400;">Trata-se de um provável sentimento compartilhado com milhares de pessoas, e que, talvez, não expresse suas opiniões sobre o álbum da filha.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na produção, SZA demonstra uma aberta e dolorosa experiência na qual revela que </span><a href="https://valkirias.com.br/descontrole-de-sza-em-ctrl/"><span style="font-weight: 400;">nunca esteve no controle</span></a><span style="font-weight: 400;"> e que precisa disso de maneira geral. Seu trabalho não é específico, mas sim uma carta aberta a todas as suas relações interpessoais. A cantora relaciona, em muitos momentos, a rigidez de seus pais e o controle que tiveram sobre si, além de crescer em uma família estritamente religiosa. Solana acrescenta que os progenitores eram rigorosos, mas que ela simplesmente não se importava pois “</span><i><span style="font-weight: 400;">era descolada</span></i><span style="font-weight: 400;">”, se distanciando de seu pai e de suas origens muçulmanas ainda na adolescência.</span></p>
<p><figure id="attachment_29677" aria-describedby="caption-attachment-29677" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29677 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/SZA-2.png" alt="Imagem da cantora SZA, uma mulher negra, jovem de cabelos encaracolados e longos. Ao centro da imagem, a cantora está com a cabeça encostada ao ombro esquerdo segurando um microfone em sua mão direita. Está vestindo um top vermelho e azul com detalhes circulares e uma luva longa. Além de suspensórios que seguram sua calça. Ao seu lado estão duas mulheres negras, de cabelos presos em formato rabo de cavalo, estão vestidas de branco a altura do busto. Ao fundo várias plantas e luzes artificiais." width="1000" height="563" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/SZA-2.png 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/SZA-2-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/SZA-2-768x432.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29677" class="wp-caption-text">SZA é um acrônimo formado a partir das palavras Savior (salvador), Zigue-Zague (do conhecimento à sabedoria) e Alá, a partir do alfabeto supremo [Foto: SZA]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Na canção </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=dp45V_M4Akw"><i><span style="font-weight: 400;">Drew Barrymore</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a qual SZA revelou em </span><a href="https://www.usatoday.com/story/life/music/2017/08/25/sza-summer-breakout-star-ctrl-love-galore/596928001/"><span style="font-weight: 400;">entrevista ao </span><i><span style="font-weight: 400;">USA Today</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> que se tratava de uma referência a protagonista de </span><i><span style="font-weight: 400;">Santa Clarita Diet </span></i><span style="font-weight: 400;">(2017), há o escracho e a sensação de estar em uma festa desagradável na sua casa, repleta de pessoas que a deixam insegura. Como os papéis de Barrymore, a cantora vislumbra nessa garota mal interpretada e gentil que só quer ser amada. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Por que é tão difícil aceitar que a festa acabou?”</span></i><span style="font-weight: 400;">, canta SZA na letra.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Seguindo em</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Zg165-mZ7x8"> <i><span style="font-weight: 400;">Doves In the Wind</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, colaboração com Kendrick Lamar lançada horas antes do álbum ser disponibilizado, a combinação dos artistas prova seu peso e relevância. O sucesso se repetiu um ano depois, em 2018, com a faixa</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JQbjS0_ZfJ0"> <i><span style="font-weight: 400;">All the Stars</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que integrou a trilha sonora de </span><a href="https://personaunesp.com.br/pantera-negra-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Pantera Negra</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e alcançou dois certificados de platina nos Estados Unidos. Nesse terceiro </span><i><span style="font-weight: 400;">single</span></i><span style="font-weight: 400;">, a cantora rebate versos românticos com </span><a href="https://personaunesp.com.br/damn-kendrick-lamar/"><span style="font-weight: 400;">Kendrick</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a produção de seu clipe oficial, por Cam O’bi, a faz flutuar no surrealismo de lutas ao estilo </span><i><span style="font-weight: 400;">Mortal Kombat</span></i><span style="font-weight: 400;">, potencializando as relações conturbadas que ela mostra ao longo do projeto.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="SZA - Doves In The Wind (Official Video) ft. Kendrick Lamar" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/Zg165-mZ7x8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CAgzfcWAlTo"><i><span style="font-weight: 400;">Prom</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cMD63TwzB1o"><i><span style="font-weight: 400;">The Weekend</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, por sua vez, mostram a cantora ainda dedicada ao amor, suplicando paciência e prometendo melhorar, tentando entender suas dores e atitudes, e calorosamente aceitando as condições impostas a ela. Nos populares versos da 6ª canção do disco, cinco vezes certificada como platina nos Estados Unidos, SZA entoa: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Meu homem é meu homem/É seu homem/Ouvi dizer que é o homem dela também/Terça e Quarta, Quinta e Sexta/Eu apenas o mantenho satisfeito durante o fim de semana</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span><i><span style="font-weight: 400;">.</span></i></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Ctrl</span></i><span style="font-weight: 400;"> segue com a faixa </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=DpSWgZVIfi8"><i><span style="font-weight: 400;">Go Gina</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, se distanciando da premissa do resto do álbum &#8211; dessa vez por expor desejos e ambições que não necessariamente são verdadeiros. Admitindo culpa em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pcJo0tIWybY"><i><span style="font-weight: 400;">Garden (Say It Like That)</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, seu quinto e último </span><i><span style="font-weight: 400;">single</span></i><span style="font-weight: 400;"> que, novamente, inclui um diálogo ao fim. Em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=zVc-K1kKkVk"><i><span style="font-weight: 400;">Broken Clocks</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, SZA leva um dia de cada vez. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Que hoje seja melhor que ontem</span></i><span style="font-weight: 400;">”, canta</span><i><span style="font-weight: 400;">.</span></i></p>
<figure id="attachment_29674" aria-describedby="caption-attachment-29674" style="width: 872px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29674 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/SZA-3.png" alt="Uma imagem da cantora SZA, uma mulher negra, jovem e de cabelos pretos, encaracolados e longos. Ela está com duas mãos e um pé no chão de ponta cabeça. Seu sua outra perna está levantada acima de seu corpo.Está vestindo um body branco e sua jaqueta branca está jogada no chão. Em seus pés estão meias brancas. Ao fundo vemos um gramado e vários computadores velhos em volta dela. E o Sol refletindo na cantora." width="872" height="581" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/SZA-3.png 872w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/SZA-3-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/SZA-3-768x512.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29674" class="wp-caption-text">No colegial, SZA era ginasta e não tinha planos de se tornar cantora (Foto: RCA Records)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Voltando a ter si mesma como foco e pensando se talvez em outra dimensão as coisas fossem diferentes, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=xuo1J0rlNaU"><i><span style="font-weight: 400;">Anything</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">traz uma lição, cantada no verso “</span><i><span style="font-weight: 400;">Você sabe ao menos se eu estou viva?</span></i><span style="font-weight: 400;">”. </span><i><span style="font-weight: 400;">Wavy (Interlude) [feat. James Fauntleroy]</span></i><span style="font-weight: 400;">, o único interlúdio do álbum, mantém uma melodia animada, que contrasta com a brutal honestidade das letras: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Dê aquilo que você recebe/Perdoe tanto quanto você odeia/Ou dê o fora/Eu estive em um abrigo/Procurando uma saída</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span><i><span style="font-weight: 400;">.</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na sequência, SZA sonha em ser o tipo de garota que apresentariam aos pais e amigos: uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=K7i83Pl8_M0"><i><span style="font-weight: 400;">garota normal</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Finalizando a primeira versão de seu álbum com calmas melodias, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=5sc1YvgxlSg"><i><span style="font-weight: 400;">Pretty Little Birds</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> (feat. Isaiah Rashad)</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=VnZcB5oA4U4"><i><span style="font-weight: 400;">20 Something</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> se envolvem em versos sobre sua atual fase: uma mulher apaixonada, que como um “</span><i><span style="font-weight: 400;">lindo passarinho</span></i><span style="font-weight: 400;">” acerta a janela em algumas tentativas e deseja voar ao céu. Na canção, na verdade, SZA apresenta sua vulnerabilidade em uma das faixas mais sentimentais como compositora, considerando o falecimento de sua avó pouco tempo depois de seu lançamento. Novamente, finaliza com uma ligação entre ela e sua mãe.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao fim de sua primeira versão e com dificuldade de escolher entre 150 e 200 músicas, a artista só lançou </span><i><span style="font-weight: 400;">Ctrl</span></i><span style="font-weight: 400;"> porque sua gravadora tirou seu HD, já que era tão criteriosa: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Eu faço </span></i><span style="font-weight: 400;">freestyle</span><i><span style="font-weight: 400;"> em tudo, em todo processo. E eu escuto e penso, que merda é essa? E se algo estiver muito ruim eu não posso colocar meu dedo nisso, e eu penso, uau, isso é uma droga, então eu fico muito frustrada, e geralmente descarto a música</span></i><span style="font-weight: 400;">”, disse a cantora em </span><a href="https://genius.com/a/sza-reveals-that-she-only-finished-ctrl-because-her-label-took-her-hard-drive-away#:~:text=There%20was%20never%20a%20formal,my%20hard%20drive%20from%20me."><span style="font-weight: 400;">entrevista à </span><i><span style="font-weight: 400;">Genius</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<blockquote class="twitter-tweet" data-width="550" data-dnt="true">
<p lang="en" dir="ltr">Unreleased songs from 2017 to celebrate 5 .. me thinks .</p>
<p>&mdash; SZA (@sza) <a href="https://twitter.com/sza/status/1533955035381477376?ref_src=twsrc%5Etfw">June 6, 2022</a></p></blockquote>
<p><script async src="https://platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">&#8220;Músicas inéditas de 2017 para celebrar 5&#8230; eu acho&#8221;</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">A versão </span><i><span style="font-weight: 400;">Deluxe</span></i><span style="font-weight: 400;"> do álbum tem como primeira faixa adicional uma versão alternativa da faixa </span><i><span style="font-weight: 400;">Love Galore</span></i><span style="font-weight: 400;">, intitulada </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=5YOEzmyM-Zs"><i><span style="font-weight: 400;">Love Galore (Alt Version)</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Basicamente, a cantora substitui os </span><a href="https://genius.com/Sza-love-galore-lyrics"><span style="font-weight: 400;">versos de Travis</span></a><span style="font-weight: 400;"> na canção original por outros versos autorais, mas ainda mantém sua voz em algumas partes da faixa. A substituição das linhas principais é abrupta, principalmente aos acostumados com a faixa original, mas de maneira alguma escapam da música em si, tanto em melodia quanto em sua letra. Vez que a visão que Travis encenava mostravam a partir de seu ponto de vista sexual sobre sua relação, enquanto os </span><a href="https://genius.com/Sza-love-galore-alt-version-lyrics"><span style="font-weight: 400;">versos de SZA</span></a><span style="font-weight: 400;"> admitem que ela realmente o induziu e por isso o deixou seu ego inflar o deixando sair com os amigos. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Mas você fica excitado e eu amo isso/Então eu deixo você segurar um pouco/Saia com seus amigos, eleve seu ego</span></i><span style="font-weight: 400;">’’.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em seguida com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9njAvx-2y4c"><i><span style="font-weight: 400;">2AM</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a cantora atribui totalmente o significado de sentimentos de madrugada aos versos e a desesperadora calma da melodia, explicitando a falta que seu parceiro faz na cama, toda a complexidade e pensamentos avulsos que facilmente se transformam em mensagens apagadas pela manhã. Confissões que logo deixarão de fazer sentido, mas que às 2 da manhã nos dominam completamente: “</span><i><span style="font-weight: 400;">por que você  nunca vem me ver?</span></i><span style="font-weight: 400;">”. A faixa também conta com uma segunda parte em outro ritmo, que a exonera da culpa de precisar dele e seguem em uma animada melodia de </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;"> que o questiona se ele a vê e precisa dela da mesma forma.</span></p>
<figure id="attachment_29679" aria-describedby="caption-attachment-29679" style="width: 1242px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29679 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/nd4fh3mjyhi51.webp" alt="Uma imagem da cantora SZA, uma mulher negra, jovem e de cabelos verdes, lisos e longos. Ela está agaichada, com uma das mão em sua boca enquanto olha para baixo e apoia seu cotovelo em sua perna esquerda. Ela esta vestindo um tênis branco, calça preta e uma camiseta branca. Em sua mão direita, está apoiando um quadro no chão que contém o certificado de platina de seu álbum CTRL. A capa acima e um disco de vinil em platina abaixo." width="1242" height="1240" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/nd4fh3mjyhi51.webp 1242w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/nd4fh3mjyhi51-800x800.webp 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/nd4fh3mjyhi51-1024x1022.webp 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/nd4fh3mjyhi51-150x150.webp 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/nd4fh3mjyhi51-768x767.webp 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/nd4fh3mjyhi51-1200x1198.webp 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29679" class="wp-caption-text">Ctrl, além de uma tecla, significa controle, e é o que SZA admite não ter em seu álbum, seguindo uma trajetória de amadurecimento ao lidar com isso (Foto: SZA/RCA Records)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda que não tenham </span><i><span style="font-weight: 400;">“Interlude</span></i><span style="font-weight: 400;">” no nome, como em </span><i><span style="font-weight: 400;">Wavy (Interlude) [feat. James Fauntleroy]</span></i><span style="font-weight: 400;">, as faixas seguintes são as mais curtas entre as novas adicionadas. Em</span> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=n4AlxTiXzcY"><i><span style="font-weight: 400;">Miles</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 1:09 minutos, a cantora reflete novamente a decorrência do tempo sem sua vida, como fez em </span><a href="https://genius.com/Sza-broken-clocks-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">Broken Clocks</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, mas, dessa vez, associa sua maturidade ao passar do tempo. Ele não para, mas ela ainda tem medo de seguir em frente e continuar como ele, e gostaria de ser mais madura em relação a isso. A faixa é calma e introduz a próxima canção de maneira majestosa e paciente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=aR5J2FYvoJ8&amp;list=OLAK5uy_lTHqDo9OkbFL4bK4mT7zl8KMgHETl-0VI&amp;index=18"><i><span style="font-weight: 400;">Percolator</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, outra faixa de curta duração, as coisas são diferentes de </span><i><span style="font-weight: 400;">Miles</span></i><span style="font-weight: 400;">. Com um tom parecido com </span><i><span style="font-weight: 400;">Wavy</span></i><span style="font-weight: 400;">, a canção segue ritmos mais agitados com os desejos de aproveitar o tempo com seu parceiro, com SZA ainda expressando que quer manter seu emocional seguro, não levando as coisas rápido demais mas mantendo a esperança. É notável que as letras do álbum começam a focar mais nas perspectivas, desejos e reflexões da artista, em vez de suas agonias e problemas. Com o tempo (ao decorrer do CD), sua sutil maturidade se desenvolve gradualmente, e, como também na vida real, pode regredir em algum momento.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="SZA - wavy (in bloom live)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/phBBCzWhPFM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Tratando da regressão, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6XS1O6PW0EA"><i><span style="font-weight: 400;">Tread Carefully</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> começa com suas novas decisões e atitudes, aceitando novamente que as coisas estão fora de seu controle enquanto progridem. Com novas urgências e prioridades, SZA aponta os estranhamentos de seu parceiro quanto ao cenário que tinham se acostumado, e, mantendo o ritmo, logo volta ao que era anteriormente. Antes que possamos perceber, seus </span><a href="https://genius.com/22033803/Sza-tread-carefully/Im-makin-bad-decisions-how-im-livin-and-i-like-it"><span style="font-weight: 400;">versos</span></a><span style="font-weight: 400;"> seguem de “</span><i><span style="font-weight: 400;">Tenho diferentes urgências agora/Com medo de ver minha vida ir pelo ralo/Não posso deixar que esteja você no meu caminho, então eu ando com cuidado</span></i><span style="font-weight: 400;"> [&#8230;]”, para</span> <span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">estou vivendo e eu gosto disso/Estamos presos no sentimento/Nunca tendo ninguém</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">SZA admite que mesmo que as coisas mudem, tudo bem que haja recaídas; de certa forma, são inevitáveis, atestando novamente que </span><a href="https://monkeybuzz.com.br/resenhas/albuns/sza-ctrl/#:~:text=O%20controle%2C%20por%20fim%2C%20do%20t%C3%ADtulo%20do%20disco%2C%20vem%20das%20pr%C3%B3prias%20inseguran%C3%A7as%20da%20cantora%2C%20e%20seus%20versos%20funcionam%20como%20um%20basta%20para%20situa%C3%A7%C3%B5es%20repetitivas%20e%20comuns%3A%20ter%20autocontrole%20para%20n%C3%A3o%20se%20prender%20aos%20erros%20do%20passados."><span style="font-weight: 400;">a busca por controle é interminável</span></a><span style="font-weight: 400;">. Mas, ao amadurecer, ainda que os problemas estejam fora de suas mãos, as mudanças que carregamos nos permitem lidar melhor, e, ao fim, aproveitar mais a vida.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="SZA Enlists RZA To Announce &#039;CTRL&#039; Album" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/n1s4gZ9rrSM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Nela, tudo aquilo que se complica, que passa de uma amizade e, em algum momento, simplesmente fica estranho e desconfortável, é retratado. Seus versos dizem o que queremos dizer, mas que talvez não tenhamos coragem: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Vamos deixar estranho/Acho que estamos prontos pra isso/Sei que eu estou pronta/Ainda podemos nos amar?</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Tudo que SZA expressou emplaca naquilo que é o não dito. O desconfortável. É isso que torna </span><a href="https://www.okayplayer.com/music/sza-ctrl-album-breakdown.html"><span style="font-weight: 400;">o disco</span></a> <span style="font-weight: 400;">uma das obras mais pessoais e aclamadas do </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;">. Assim como sua mãe, nos sentimos incomodados com tudo que é falado, mas, ainda assim, há uma sensação boa. A sinceridade de </span><i><span style="font-weight: 400;">Ctrl</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">(Deluxe) </span></i><span style="font-weight: 400;">é libertadora.</span></p>
<figure id="attachment_29676" aria-describedby="caption-attachment-29676" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29676 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/SZA-5.jpg" alt="Uma imagem da cantora SZA, uma mulher negra, jovem e de cabelos pretos, encaracolados e longos, com duas tranças a frente. Ela está sorrindo. Em seu rosto estão duas lágrimas douradas abaixo do seu olho esquerdo e em sua cabeça adereços que se assemelham a coroas angelicais e estrelas douradas. Ao fundo estão vários fotógrafos com câmeras apontadas para a cantora." width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/SZA-5.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/SZA-5-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/SZA-5-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/SZA-5-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29676" class="wp-caption-text">Após mais de 5 anos de espera, seus fãs criaram várias versões não oficiais do próximo trabalho da cantora, como os próximos álbuns sendo Alt e Del, como o atalho Ctrl + Alt + Del (Foto: Dia Dipasupil)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Por fim, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pxosvQJXyho"><i><span style="font-weight: 400;">Jodie</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> encerra o álbum reafirmando a passagem de tempo que é a vida, com uma analogia à queima de um cigarro que um dia chega ao fim. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Dias ao vento/Árvores ao vento/Queime e passe</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span><i><span style="font-weight: 400;">. </span></i><span style="font-weight: 400;">Injusta, a vida a faz questionar: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Por que eu?</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Sentimentos que talvez todos já tenhamos sentido, além da sensação de preferir estar presa do que começar mais uma semana, quando, na verdade, já estaria realmente presa em alguma rotina. Ao término, SZA também fala sobre não precisar de um namorado e ser bonita demais para isso. Ainda que se refira a outra pessoa, a mensagem se dirige à própria cantora e aos pensamentos racionais que tem. Mas, nem sempre consegue &#8211; ou conseguimos &#8211; segui-los.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Ctrl</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">(Deluxe) </span></i><span style="font-weight: 400;">representa uma das fases que SZA passou &#8211; agora marcada por seu segundo álbum, </span><i><span style="font-weight: 400;">SOS</span></i><span style="font-weight: 400;"> -, e que todos passamos ao longo da vida. É sobre amadurecimento, reconhecimento do controle que não temos e aceitação, com regressões, aprendizados, lições e desejos. Representando uma trajetória que não podemos nos livrar: a síntese da própria vida. </span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Ctrl (Deluxe)" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/6FKP2O0oOvZlDkF0gyTjiJ?utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>FEELS: o mar de sentimentos do Soul Cinematográfico</title>
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		<pubDate>Thu, 20 Oct 2022 17:00:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Isabela D’Avila Quando Prince te convida para comer donuts, mesmo que seja às quatro da manhã em uma cidade totalmente desconhecida, você vai. Essa foi a primeira das  muitas outras experiências inesperadas vividas por Snoh Aalegra com o artista, que decidiu por espontânea vontade orientar a cantora, depois de se apaixonar por sua voz. Assim &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/feels-5-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "FEELS: o mar de sentimentos do Soul Cinematográfico"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28830" aria-describedby="caption-attachment-28830" style="width: 538px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28830" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/FEELS-CAPA.jpg" alt="Capa do álbum de FEELS, é um design gráfico de uma mulher astronauta, que parece estar flutuando pelo espaço. Ela leva sua mão direita ao capacete. O desenho de um arco-íris atravessa o desenho na diagonal desde o canto inferior esquerdo ao canto superior direito" width="538" height="537" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/FEELS-CAPA.jpg 538w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/FEELS-CAPA-150x150.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 538px) 85vw, 538px" /><figcaption id="caption-attachment-28830" class="wp-caption-text">FEELS, primeiro álbum da cantora Snoh Aalegra, foi lançado em outubro de 2017 (Foto: Joseph McDermott)</figcaption></figure>
<p><b>Isabela D’Avila</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando Prince te convida para comer donuts, mesmo que seja às quatro da manhã em uma cidade totalmente desconhecida, você vai. Essa foi a primeira das  </span><a href="https://www.harpersbazaar.com/culture/art-books-music/a29134062/snoh-aalegra-interview/"><span style="font-weight: 400;">muitas outras experiências inesperadas</span></a><span style="font-weight: 400;"> vividas por Snoh Aalegra com o artista, que decidiu por espontânea vontade orientar a cantora, depois de se apaixonar por sua voz. Assim como ele, talvez depois de ler esse texto e ouvir algumas músicas de Aalegra, você também se apaixone por uma das vozes mais envolventes da cena do </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;"> atual. </span></p>
<p><span id="more-28829"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Seu nome de nascimento é </span><span style="font-weight: 400;">Shahrzad Fooladi, ou</span> <span style="font-weight: 400;">Snoh Sheri Nowrozi. Apesar das músicas em inglês, as canções receberam influências de diversas culturas, já que Snoh nasceu na Suécia, mas foi criada por seus pais persas que vieram do sul do Irã. A cantora começou a escrever aos 9 anos e ainda aos 13 assinou um acordo de desenvolvimento artístico com a </span><i><span style="font-weight: 400;">Sony Music</span></i><span style="font-weight: 400;"> Suécia. Mas foi só em 2014, quando já tinha seus 26 anos, que sua carreira mudou de patamar. Isso não só porque ela estreou seu novo nome artístico, Snoh Aalegra, mas porque teve a oportunidade &#8211; ou a benção &#8211; de ser descoberta e </span><a href="https://metro.co.uk/2019/12/26/snoh-aalegra-recalls-random-4am-emails-prince-doughnut-dates-crazy-time-11962650/"><span style="font-weight: 400;">orientada</span></a><span style="font-weight: 400;"> pelo cantor Prince, </span><span style="font-weight: 400;">até o ano de 2016, quando infelizmente faleceu. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de seu mentor e sua maior referência, </span><a href="https://www.billboard.com/music/music-news/snoh-aalegra-is-traveling-a-path-thats-all-her-own-9487303/"><span style="font-weight: 400;">Aalegra diz sempre ter se inspirado</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos cantores que cresceu ouvindo desde os anos 70 até os anos 90, como Stevie Wonder, Michael Jackson, Whitney Houston, James Brown e Lauryn Hill. Apesar de serem sua inspiração, ela relata usar suas próprias experiências de vida nas letras das canções. Após alguns </span><i><span style="font-weight: 400;">EP</span></i><span style="font-weight: 400;">s e </span><i><span style="font-weight: 400;">singles</span></i><span style="font-weight: 400;">, Snoh finalmente lançou seu álbum de estreia, o inesquecível </span><i><span style="font-weight: 400;">FEELS</span></i><span style="font-weight: 400;">, que em 2022 completa 5 anos. </span></p>
<figure id="attachment_28831" aria-describedby="caption-attachment-28831" style="width: 417px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28831" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Snoh.jpg" alt="Na imagem em preto e branco, vemos a cantora Snoh Aalegra apoiada em uma bancada, com seu braço esquerdo. Seu braço direito apoia na bancada com o cotovelo e a mão vai à cabeça. Ela olha para a câmera com seu lado direito. Ela está com uma blusa branca que cobre todo o seu braço e pescoço. Usa argolas pequenas e grossas e está com anéis nos dedos." width="417" height="490" /><figcaption id="caption-attachment-28831" class="wp-caption-text">A cantora de R&amp;B Snoh Aalegra traz referências em suas músicas de suas raízes suecas e persas (Foto: Jack McKain)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com músicas entre o </span><i><span style="font-weight: 400;">Soul</span></i><span style="font-weight: 400;"> e o </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;">, ou, como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mAJK7Fxycs4"><span style="font-weight: 400;">são definidas pela própria cantora, </span><i><span style="font-weight: 400;">Soul</span></i><span style="font-weight: 400;"> Cinematográfico ou </span><i><span style="font-weight: 400;">Soul</span></i><span style="font-weight: 400;"> Romântico</span></a><span style="font-weight: 400;">, o álbum traz a melancolia e o romance tradicional das músicas de Snoh e caracteriza a diversidade cultural e linguística que ela vive. Exemplo disso é a aparição do cantor sueco Timbuktu na música </span><i><span style="font-weight: 400;">Like I Used Too</span></i><span style="font-weight: 400;"> e alguns visuais do projeto feitos em ambientes persas. Os vídeos das canções também são complementados com situações em que aparecem conversas em línguas diferentes do inglês, como no clipe de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hJrEuqIgKUk"><i><span style="font-weight: 400;">Nothing Burns Like The Cold</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O nome </span><i><span style="font-weight: 400;">FEELS</span></i><span style="font-weight: 400;"> representa bem o álbum e a cantora. Apesar de sons melancólicos, muitas sensações são atingidas ao longo das faixas, já que cada uma provoca um sentimento diferente. Isso se dá não só pela emoção que o </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;"> traz para as histórias, mas pela voz aconchegante de Snoh, que definitivamente se destaca em relação a outros artistas do mesmo estilo. O título também representa bem a própria artista, porque ela mesma </span><a href="https://www.highsnobiety.com/p/snoh-aalegra-interview-2/"><span style="font-weight: 400;">afirma ser uma pessoa muito emocional</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; e culpa seu signo de Virgem por isso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Algo único que Snoh e seus produtores realizam no projeto é usar sons clássicos do </span><i><span style="font-weight: 400;">Pop</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Jazz</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Blues</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas </span><a href="https://scandinaviansoul.com/snoh-aalegra-feels/"><span style="font-weight: 400;">de forma reinventada</span></a><span style="font-weight: 400;"> para um novo público, mais jovem e moderno. A canção </span><i><span style="font-weight: 400;">Fool For You</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um exemplo disso, por ter uma batida nova, mas ter marcas clássicas do</span><i><span style="font-weight: 400;"> Soul</span></i><span style="font-weight: 400;">. A faixa contém toda a emoção que o ritmo sempre traz para as histórias: nesse caso, sobre o envolvimento da cantora em um amor, que visivelmente a levará a um final catastrófico,  que mesmo assim a faz permanecer para viver aquilo: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu me conheço, mas eu finjo/Eu saio e volto novamente/Eu sou um tolo por você</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Snoh Aalegra - Fool For You | A COLORS SHOW" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/ElINqEyx7GM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">O projeto conta com participações dos </span><i><span style="font-weight: 400;">rappers</span></i> <a href="https://open.spotify.com/album/0pVhqkfdTywxdrHc3RCo7u?si=Duz4uj3bQeCof2D4mede3w"><span style="font-weight: 400;">Vince Staples</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://open.spotify.com/track/5Vvu6MkyvNVdbsD5oV49Aw?si=3349498e54cd42a0"><span style="font-weight: 400;">Vic Mensa</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://open.spotify.com/track/5tz69p7tJuGPeMGwNTxYuV?si=5c4750e6820543e3"><span style="font-weight: 400;">Logic</span></a><span style="font-weight: 400;">, trazendo a clássica e tão amada colaboração </span><i><span style="font-weight: 400;">Rap</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B, que</span></i><span style="font-weight: 400;"> inclusive faz falta em muitos álbuns atuais. Após a introdução com </span><a href="https://open.spotify.com/track/7DfDdFCdn3WZYupiGProcq?si=5a4110f36dc94dd4"><i><span style="font-weight: 400;">All I Have &#8211; Intro</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Snoh traz uma batida clássica de </span><i><span style="font-weight: 400;">Hip hop</span></i><span style="font-weight: 400;"> com </span><a href="https://open.spotify.com/track/3vSQzBw0eKr2xmFml65Y7F?si=7c3fa042bc754dc7"><i><span style="font-weight: 400;">Sometimes</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, dizendo um pouco sobre como está confusa com sua própria vida: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Às vezes eu decido onde devo estar/E às vezes a vida, simplesmente acontece pra mim</span></i><span style="font-weight: 400;">”. A música é a primeira colaboração do álbum, feita com o </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper</span></i><span style="font-weight: 400;"> Logic.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos </span><i><span style="font-weight: 400;">singles</span></i><span style="font-weight: 400;"> do projeto, </span><a href="https://open.spotify.com/track/1MSNfqOWHPcxzXz2Kw2W0o?si=58a71aeac23042a3"><i><span style="font-weight: 400;">Nothing Burns Like The Cold</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, com a participação de Vince Staples, é o que amarra todas as outras músicas do álbum, e mais caracteriza o estilo de Snoh. Com seus vocais penetrantes e um </span><i><span style="font-weight: 400;">mashup </span></i><span style="font-weight: 400;">suave de duas canções do </span><a href="https://open.spotify.com/artist/6liAMWkVf5LH7YR9yfFy1Y?si=NPofskiBQaC-jTGzGFE6og"><i><span style="font-weight: 400;">Portishead</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, trazendo instrumentos de cordas, bateria, baixo e até arranhões de toca-discos que vêm e vão, ela conseguiu gerar a serenidade de um clássico </span><i><span style="font-weight: 400;">Jazz</span></i><span style="font-weight: 400;">, com fortes </span><a href="https://riotmag.co/single-review-nothing-burns-like-cold-snoh-aalegra"><span style="font-weight: 400;">influências do </span><i><span style="font-weight: 400;">Hip hop</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A cantora entrega um início marcante e amarra o ouvinte até o meio da faixa quando Vince entra deixando a canção mais emocionante. Os dois cantam sobre uma relação que dá totalmente errado, e que ambos já têm consciência disso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aalegra não apresenta melodias apenas melancólicas ao longo do CD. Ela também entra no </span><i><span style="font-weight: 400;">Pop-soul</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><a href="https://open.spotify.com/track/3G6SFvnNUR1M3Tbqsih4D2?si=b46bfca1e227474a"><i><span style="font-weight: 400;">You Keep Me Waiting</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, por exemplo, traz um som mais animado, apesar da letra contar sobre o desgosto de estar em um relacionamento em que seu parceiro ama muito menos do que você, e entrega só o pior para a relação. Mesmo assim, talvez pela idealização desse homem, ela permanece esperando por ele: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Você me faz esperar com o pior de você/E você chama isso de amor/Você não me dá nada, mas eu ainda não consigo me fartar/E eu chamo isso de amor</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<figure id="attachment_28834" aria-describedby="caption-attachment-28834" style="width: 798px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28834" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Snoh-show.JPG_RF257635.TMP2_-2.jpg" alt="Em um palco com luzes azuis e fumaça, a cantora Snoh Aalegra está de pé ao centro. A imagem mostra todo o seu corpo, menos seus pés. Ela usa um conjunto claro e brilhoso que cobre suas pernas e seus braços. O casaco está aberto, mostrando assim o top da cantora, sua barriga, seu colo e pescoço. Seus cabelos estão presos e ela usa brincos brancos grandes. Sua mão direita segura o microfone, em direção à sua boca, que está fechada. Seu braço esquerdo está abaixado. Atrás da cantora, no palco, também podemos ver duas mesas pequenas e altas com objetos em cima." width="798" height="447" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Snoh-show.JPG_RF257635.TMP2_-2.jpg 798w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Snoh-show.JPG_RF257635.TMP2_-2-768x430.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28834" class="wp-caption-text">Inspirada por Prince, Stevie Wonder e Lauryn Hill, a cantora Snoh Aalegra tem um som de R&amp;B único que tem sido apelidado de Soul cinematográfico (Foto: German Vizcarra)</figcaption></figure>
<p><a href="https://open.spotify.com/track/6MT6xMcntgOoylWCaOL8lm?si=f1f8ab76753f48fa"><i><span style="font-weight: 400;">Worse</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um dos destaques do álbum. Com estilo lento e pausado, a artista canta para um certo desconhecido e pede para que ele possa compartilhar um pouco de sua sabedoria. Snoh entoa o que o homem permanecia repetindo: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Aproveite seu tempo, só vai piorar/Aqui está o problema da vida, ela só vai piorar</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Mas ela não entende e permanece perguntado o porquê, recebendo apenas uma explicação: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Você sempre vai encontrar uma maneira/Para partir seu coração</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span> <span style="font-weight: 400;">Em uma entrevista para a </span><a href="https://www.highsnobiety.com/p/snoh-aalegra-interview-2/"><i><span style="font-weight: 400;">Highsnobiety</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a musicista revelou que, na verdade, esse homem é seu tio, que sempre teve uma visão um pouco amarga da vida e a dizia: &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">Oh, você está machucada agora? Só vai ficar pior</span></i><span style="font-weight: 400;">”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://open.spotify.com/track/3GTpHuThSwghiUEvVQCwsz?si=86275ad43ffe48d8"><i><span style="font-weight: 400;">Time</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Snoh expõe seus sentimentos com a perda de seu pai. Em uma música ‘voz e piano’, ela canta sobre como gostaria de ter dado mais valor ao tempo com ele, porque ele era o que realmente importava. Para a </span><a href="http://www.thefader.com/2017/03/19/snoh-aalegra-drake-more-life-do-not-disturb-interview"><i><span style="font-weight: 400;">FADER</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Snoh conta que não passou muito tempo com ele durante a juventude por conta do divórcio de seus pais.</span><span style="font-weight: 400;"> A música foi sampleada por Drake, na última música do álbum </span><i><span style="font-weight: 400;">More Life</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Do Not Disturb</span></i><span style="font-weight: 400;">, em que o artista usa para colocar para fora muitos pensamentos. Por fazer parte disso, </span><a href="http://www.thefader.com/2017/03/19/snoh-aalegra-drake-more-life-do-not-disturb-interview"><span style="font-weight: 400;">Snoh demonstra se sentir especial</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="(FULL INTERVIEW) Snoh Aalegra Talks Drake, Vince Staples &amp; Making  &#039;FEELS&#039; | MTV News" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/mAJK7Fxycs4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">De forma geral, a voz aconchegante de Snoh e a composição das faixas te levam a uma experiência intensa, que primeiro fazem sua mente viajar a algum lugar distante, até que você entenda aquilo que está sendo cantado, se identifique, e a dor se instale. </span><a href="https://hypebeast.com/2018/10/snoh-aalegra-debut-album-feels"><i><span style="font-weight: 400;">FEELS</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é um álbum que te mergulha, ou até te afoga, nos sentimentos de Aalegra. Ela entrega tanto de si mesma nas letras, sem se preocupar em abrir suas dores com os ouvintes e mostrar a confusão de sua mente. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tudo que a artista canta é baseado em suas </span><a href="https://www.billboard.com/music/rb-hip-hop/snoh-aalegra-interview-new-album-feels-prince-no-id-8014782/"><span style="font-weight: 400;">experiências reais</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ela escreve sobre todos os sentimentos de arrependimento gerados pela perda de alguém, sobre sentir-se perdido na vida e mal compreendido pelas pessoas, mas principalmente sobre relacionamentos imperfeitos e sobre se entregar a alguém que não faz o mesmo por você. Ela expõe todas as inseguranças que isso gerou na sua mente e, apesar de reconhecer todas elas, Snoh parece ainda não ter conseguido se livrar, e demonstra continuar vivendo nesse ciclo de insegurança e dependência, que faz parte da forma de amor que ela conheceu ao longo de sua vida. </span></p>
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		<title>Nós somos os escolhidos de Jon Batiste</title>
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		<pubDate>Thu, 28 Apr 2022 14:57:42 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Enrico Souto Nem Olivia Rodrigo, nem Billie Eilish, nem Lil Nas X e nem Justin Bieber. A noite de 3 de abril de 2022 foi de Jon Batiste. Nesta nossa realidade bizarra em que o artista mais indicado de uma premiação é considerado azarão, o jazzista de Louisiana embaraçou todas as apostas ao se consagrar &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/jon-batiste-we-are-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Nós somos os escolhidos de Jon Batiste"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27467" aria-describedby="caption-attachment-27467" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27467" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/IMAGEM-1.webp" alt="Capa do CD WE ARE, de Jon Batiste. Imagem quadrada e colorida com fundo vermelho. Mostra Jon Batiste, um homem negro, de cabelos curtos e cavanhaque, vestindo um sobretudo vermelho e amerelo. Ele está de pé, olhando para frente. No canto inferior direito, escrito em inglês em uma fonte pequena, lê-se “dedicado aos sonhadores, profetas, contadores de histórias e verdades que se recusam a nos deixar cair totalmente na loucura”" width="1000" height="1000" /><figcaption id="caption-attachment-27467" class="wp-caption-text">Depois de anos de <a href="https://g1.globo.com/musica/grammy/2017/noticia/adele-quebra-grammy-apos-elogiar-beyonce-e-fas-comparam-atitude-com-filme-meninas-malvadas.ghtml">esnobadas absurdas</a>, a justiça foi feita: com o fascinante projeto WE ARE, Jon Batiste é o 11º artista negro a conquistar o Grammy de Álbum do Ano em 64 anos (Foto: Verve Records)</figcaption></figure>
<p><b>Enrico Souto</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nem </span><a href="https://personaunesp.com.br/sour-olivia-rodrigo-critica/"><span style="font-weight: 400;">Olivia Rodrigo</span></a><span style="font-weight: 400;">, nem </span><a href="https://personaunesp.com.br/happier-than-ever-critica/"><span style="font-weight: 400;">Billie Eilish</span></a><span style="font-weight: 400;">, nem </span><a href="https://personaunesp.com.br/montero-lil-nas-x-critica/"><span style="font-weight: 400;">Lil Nas X</span></a><span style="font-weight: 400;"> e nem </span><a href="https://personaunesp.com.br/justin-bieber-justice-critica/"><span style="font-weight: 400;">Justin Bieber</span></a><span style="font-weight: 400;">. A </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/noticia/2022/04/04/grammy-2022-silk-sonic-jon-batiste-e-olivia-rodrigo-sao-os-grandes-vencedores.ghtml"><span style="font-weight: 400;">noite</span></a><span style="font-weight: 400;"> de 3 de abril de 2022 foi de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/jon-batiste/"><span style="font-weight: 400;">Jon Batiste</span></a><span style="font-weight: 400;">. Nesta nossa realidade bizarra em que o artista mais indicado de uma premiação é considerado azarão, o </span><i><span style="font-weight: 400;">jazzista </span></i><span style="font-weight: 400;">de Louisiana embaraçou todas as apostas ao se consagrar como o maior vencedor do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/grammy-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Grammy </span></i><span style="font-weight: 400;">2022</span></a><span style="font-weight: 400;">, saindo da cerimônia com 5 dos 11 gramofones que concorria, incluindo o cobiçado Álbum do Ano, categoria mais importante do evento. O trabalho contemplado foi </span><a href="https://open.spotify.com/album/6kHFkPvL2X3rZPuS3CEMUE?si=7HUGaeWzTaKa3JEIk3PCnQ"><i><span style="font-weight: 400;">WE ARE</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, seu aclamado oitavo álbum de estúdio. E, apesar de competir com grandes nomes, não há outra conclusão ao mergulhar no projeto: o prêmio só poderia ser dele.</span></p>
<p><span id="more-27466"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aquele dia também marcou não apenas a primeira vez que Jon Batiste ganhou um </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy </span></i><span style="font-weight: 400;">em toda a sua notável carreira, como também a primeira vez que um </span><a href="https://midianinja.org/news/grammy-2022-conheca-os-artistas-negros-vencedores-da-premiacao/"><span style="font-weight: 400;">artista negro</span></a><span style="font-weight: 400;"> levou o prêmio de Álbum do Ano em absurdos 14 anos. No entanto, apesar de ter se tornado foco dos holofotes ao assinar as composições e arranjos de </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://personaunesp.com.br/soul-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Soul</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, animação da Pixar vencedora do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> em 2021 – que também lhe proporcionou um gramofone neste ano –, sua contribuição à Música é bem mais longa. Jon é um dos principais expoentes da carente cena do </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;"> contemporâneo, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=txdUE10OopA"><span style="font-weight: 400;">motivado</span></a><span style="font-weight: 400;"> por sua família, que já tinha longa tradição no gênero, e por vozes como Duke Ellington e Nina Simone. Além disso, lidera a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=AaqPpTY3jyg"><span style="font-weight: 400;">Stay Human</span></a><span style="font-weight: 400;">, banda que desde 2015 é residente no programa americano </span><i><span style="font-weight: 400;">The Late Show with Stephen Colbert</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_27468" aria-describedby="caption-attachment-27468" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27468" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/IMAGEM-2.webp" alt="Fotografia retirada durante cerimônia do Grammy 2022. Imagem retangular e colorida. Mostra Jon Batiste, um homem negro de barba feita e cabelos curtos, vestindo uma camisa preta com lantejoulas pratas, em frente a um painel branco posando para uma foto enquanto sorri. Nos braços, ele segura cinco troféus no formato de gramofones." width="1200" height="812" /><figcaption id="caption-attachment-27468" class="wp-caption-text">O último homem negro a levar o prêmio máximo da noite do Grammy foi Herbie Hancock na cerimônia de 2008; já a última mulher foi Lauryn Hill em 1999 (Foto: Patrick T. Fallon)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A Música de Jon Batiste está longe de um simples </span><i><span style="font-weight: 400;">throwback</span></i><span style="font-weight: 400;"> saudosista a um gênero que há muito tempo perdeu espaço nas rádios. É uma busca por modernizar o </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;"> e ressignificá-lo para nossas sensibilidades contemporâneas, levando a essência do improviso, da não-linearidade e da autoestima para um novo contexto, em que tais virtudes mostram-se </span><a href="https://www.npr.org/2021/07/05/1012207034/jon-batiste-on-sharing-joy-in-a-painful-year-i-want-to-reaffirm-peoples-humanity"><span style="font-weight: 400;">cada vez mais necessárias</span></a><span style="font-weight: 400;">. Essa descrição poderia muito bem definir </span><i><span style="font-weight: 400;">WE ARE</span></i><span style="font-weight: 400;">, que de certa forma, torna mais palatável a sonoridade do </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;"> para nossos ouvidos de 2022, através da mescla com elementos musicais do </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;">, em um esforço inverso ao que fazia Kendrick Lamar em 2015 com seu apoteótico </span><a href="https://personaunesp.com.br/kendrick-lamar-venceu/"><i><span style="font-weight: 400;">To Pimp a Butterfly</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo com sua caracterização musical complexa, o álbum foi levado às </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=j5a42MwoYsw"><span style="font-weight: 400;">categorias de </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> do </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i><span style="font-weight: 400;">. Porém, não é exagero algum dizer que </span><i><span style="font-weight: 400;">WE ARE</span></i><span style="font-weight: 400;"> é </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;"> em seu mais puro estado. Não só as marcas registradas de seus antigos trabalhos se mantém – das harmonias do seu majestoso piano ao seu timbre de voz vigoroso e áspero – como também a imprevisibilidade sonora proporciona uma experiência única e inesperada a cada canção, ainda que todas sempre carreguem a mesma identidade artística inconfundível de Jon.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Então, ao passo que faixas como </span><a href="https://genius.com/Jon-batiste-tell-the-truth-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">TELL THE TRUTH</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://genius.com/Jon-batiste-cry-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">CRY</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">abraçam completamente a estética retrô e a raíz musical do </span><i><span style="font-weight: 400;">blues</span></i><span style="font-weight: 400;">, ou </span><a href="https://genius.com/Jon-batiste-i-need-you-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">I NEED YOU</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://genius.com/Jon-batiste-freedom-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">FREEDOM</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> se apresentam como músicas </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> apimentadas por arranjos de </span><i><span style="font-weight: 400;">soul</span></i><span style="font-weight: 400;">, em contraste com os </span><i><span style="font-weight: 400;">808’s</span></i><span style="font-weight: 400;"> e baterias sintéticas que infestam suas melodias, </span><a href="https://genius.com/Jon-batiste-boy-hood-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">BOY HOOD</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> e </span></i><a href="https://genius.com/Jon-batiste-whatchutalkinbout-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">WHATCHUTALKINBOUT</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> exploram a veia </span><i><span style="font-weight: 400;">hip-hop</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Jon. Na segunda, o cantor entrega suas rimas com muita agilidade em cima de um frenético instrumental de </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_ZTYgq4EoRo"><span style="font-weight: 400;">fortemente inspirado</span></a><span style="font-weight: 400;"> por Kendrick, ainda sendo surpreendida por uma trilha em </span><i><span style="font-weight: 400;">16-bit </span></i><span style="font-weight: 400;">na sua segunda metade – o que, de alguma forma, continua coerente com a proposta do disco.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Jon Batiste - I NEED YOU" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/AXT00sWwuTQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Desse modo, Jon Batiste constrói uma sonoridade moderna, ao mesmo tempo que universal e atemporal – e isso vai além da simples experimentação musical. Para ele, unir diferentes facetas da música negra é colocar em contato gerações distintas e, assim, reconectar-se com sua ancestralidade. Jon entende que, para uma cultura que é diariamente apagada, não se pode esquecer suas origens. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Sempre me esforcei para mostrar que os gêneros estão todos ligados, assim como as pessoas em todas as nossas linhagens estão ligadas”</span></i><span style="font-weight: 400;">, foi o que ele afirmou, </span><a href="https://noticias.plu7.com/115415/internacional/jon-batiste-em-suas-11-indicacoes-para-o-grammy-im-so-over-the-moon/"><span style="font-weight: 400;">em entrevista</span></a><span style="font-weight: 400;"> após as nomeações do </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i><span style="font-weight: 400;">. E esse posicionamento aponta para outro aspecto importante na obra do cantor: seu vínculo com a militância e o ativismo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Formado politicamente no berço graças a seu avô, que era presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Nova Orleans, esse aspecto da vida de Jon Batiste sempre esteve atrelado à Música. Principalmente em 2020, quando fervilhavam os protestos do movimento </span><a href="https://brasil.elpais.com/internacional/2020-09-07/black-lives-matter-o-rumo-incerto-do-grande-movimento-antirracista.html"><i><span style="font-weight: 400;">Black Lives Matter</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> após o </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-57236428"><span style="font-weight: 400;">assassinato</span></a><span style="font-weight: 400;"> de George Floyd, onde o cantor foi uma peça ativa e engajada. E não somente, trouxe a música para dentro das manifestações, utilizando-a como instrumento político de mobilização e conscientização. </span><a href="https://genius.com/Jon-batiste-we-are-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">WE ARE</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que mais tarde se tornaria faixa-título do projeto, foi composta nesse cenário e, mais tarde, nomeou uma série de </span><a href="https://www.nytimes.com/2020/06/24/arts/music/jon-batiste-jazz-protests.html"><span style="font-weight: 400;">protestos musicais</span></a><span style="font-weight: 400;"> que ele organizou em junho daquele ano.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Posto isso, começam a se desvendar alguns dos principais temas do nomeado disco do ano. Jon Batiste entende como ninguém o poder transformativo da Música em elevar as angústias da vida e ressignificá-las em regozijo e liberdade. A faixa-título, especialmente, encapsula uma essência coletiva pujante, incorporando elementos de gospel em típicas melodias de </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;">, onde o coro é quem </span><a href="https://www.nytimes.com/roomfordebate/2014/06/25/has-capitalism-become-incompatible-with-christianity/too-many-black-churches-preach-the-gospel-of-greed"><span style="font-weight: 400;">toma conta</span></a><span style="font-weight: 400;">. A participação da família de Jon e da banda de marcha de sua antiga escola reforça ainda mais esse ímpeto, juntamente a uma letra que enaltece o poder popular e a capacidade das massas de mudar o mundo. No pico do refrão, o pianista refere-se diretamente aos seus ouvintes e atesta: </span><a href="https://genius.com/22716773"><i><span style="font-weight: 400;">“Nós somos os escolhidos”</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Apenas nós, juntos, podemos transformar a sociedade em que vivemos.</span></p>
<figure id="attachment_27469" aria-describedby="caption-attachment-27469" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27469" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/IMAGEM-3-5.jpg" alt="Fotografia retirada durante um concerto de protesto de Jon Batiste. Imagem retangular e colorida. Mostra Jon Batiste, um homem negro, de cabelos curtos, vestindo uma camiseta branca e calça bege, tocando um piano colorido em uma praça à céu aberto, em frente a uma multidão de outras pessoas. Ele se curva sobre o piano, enquanto um microfone preso a um pedestal encontra-se acima da sua cabeça." width="2048" height="1365" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/IMAGEM-3-5.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/IMAGEM-3-5-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/IMAGEM-3-5-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/IMAGEM-3-5-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/IMAGEM-3-5-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/IMAGEM-3-5-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27469" class="wp-caption-text">Durante o ano de 2020, Batiste recuperou a música negra de seu apagamento étnico e provou de uma vez por todas: jazz é música de protesto (Foto: Hiroko Masuike)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">WE ARE</span></i><span style="font-weight: 400;">, como produto de seu próprio tempo, é uma obra naturalmente relevante. A narrativa de todas as faixas, em algum aspecto, aborda o ativismo e o nosso papel no mundo enquanto </span><a href="https://www.pordentrodaafrica.com/direitos-humanos-2/o-papel-do-ativismo-e-dar-voz-as-pessoas-invisiveis-diz"><span style="font-weight: 400;">agentes da mudança</span></a><span style="font-weight: 400;">. Mas o que torna sua mensagem de fato ímpar é como Jon Batiste nunca se compromete com respostas. Ele se insere no centro desse cenário, se une a nós e coloca-se como porta-voz de sua geração, sem nunca apagar as nuances e sobretons que atravessam a subjetividade individual de cada um – inclusive dele mesmo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se </span><i><span style="font-weight: 400;">CRY</span></i><span style="font-weight: 400;"> – faixa que ganhou dois </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammys</span></i><span style="font-weight: 400;"> nas categorias de </span><i><span style="font-weight: 400;">American Roots</span></i><span style="font-weight: 400;"> – manifesta um eu-lírico desolado, que não consegue ver soluções para os problemas do mundo, assumindo que os culpados por todas essas mazelas jamais serão responsabilizados e tudo o que nos resta é o choro; </span><i><span style="font-weight: 400;">I NEED YOU</span></i><span style="font-weight: 400;">, em oposição direta, encontra no amor e na presença do outro a </span><a href="https://www.vulture.com/article/jon-batiste-interview-grammy-nominations.html"><span style="font-weight: 400;">motivação</span></a><span style="font-weight: 400;"> para continuar de pé dia após dia. Jon Batiste coloca as duas condições em contraste, mas sem nunca cair em um maniqueísmo banal, entendendo o valor da esperança, sem ignorar a função da tristeza como um sentimento válido e parte do processo de superação. Afinal, apenas se alcança a luz após passar pela escuridão.</span></p>
<figure id="attachment_27470" aria-describedby="caption-attachment-27470" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27470" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/IMAGEM-4.webp" alt="Fotografia retirada durante apresentação do cantor Jon Batiste no Grammy 2022. Imagem retangular e colorida. Mostra Jon Batiste, um homem negro de barba feita e cabelos curtos, que veste um terno prateado e sapatos pretos, segurando um microfone sobre a boca enquanto canta eufórico, com os olhos fechados, e curva suas costas para trás. Ao lado dele, outros três dançarinos vestindo ternos azuis fazem poses. Ao fundo, uma banda vestindo roupas rosas toca uma música." width="2000" height="1333" /><figcaption id="caption-attachment-27470" class="wp-caption-text">Jon Batiste levou as cores e o entusiasmo de FREEDOM para dentro do Grammy 2022, em uma performance contagiante que agitou uma cerimônia que, até aquele momento, permanecia morna (Foto: Matt Winkelmeyer)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O que não quer dizer que </span><i><span style="font-weight: 400;">WE ARE</span></i><span style="font-weight: 400;"> não trate de temas pessoais de Jon Batiste. Na verdade, grande parte do disco traça o processo de amadurecimento do artista e como sua autopercepção o ajudou a encontrar seu lugar dentro de sua comunidade. Não por acaso, as faixas </span><i><span style="font-weight: 400;">BOY HOOD </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://genius.com/Jon-batiste-adulthood-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">ADULTHOOD</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> se sucedem na </span><i><span style="font-weight: 400;">tracklist</span></i><span style="font-weight: 400;">. Com auxílio da inigualável voz de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pp2mRJ6-Q9k"><span style="font-weight: 400;">PJ Morton</span></a><span style="font-weight: 400;">, acompanhamos desde as pequenas alegrias da infância simples e inocente de Nova Orleans, até o frio na barriga da transição para a vida adulta, quando ele se mudou para Nova Iorque sozinho, com 17 anos, para estudar Música em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=PoTKFjj2Ghs"><span style="font-weight: 400;">Juilliard</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por todo esse trecho do álbum, permeiam as mesmas questões: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Quem sou eu?</span></i><span style="font-weight: 400;">”, </span><i><span style="font-weight: 400;">“em que espaço eu pertenço?</span></i><span style="font-weight: 400;">” Por fim, Jon Batiste encontra o respaldo e suporte que precisava observando o passado: seja nos conselhos do seu pai, que ecoam com muito carinho pelas nostálgicas memórias de </span><i><span style="font-weight: 400;">TELL THE TRUTH</span></i><span style="font-weight: 400;">, seja no tributo aos diversos criadores negros que moldaram sua personalidade e hoje são grandes inspirações para sua obra em </span><a href="https://genius.com/Jon-batiste-show-me-the-way-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">SHOW ME THE WAY</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Jon compreende que, para que pudesse trilhar livremente seu caminho, muitos pavimentaram a estrada antes. </span><i><span style="font-weight: 400;">WE ARE</span></i><span style="font-weight: 400;"> guarda um imenso respeito por todas essas figuras, tanto familiares quanto culturais, e confessa recorrer a elas ao encarar o céu: </span><i><span style="font-weight: 400;">“quando olho para as estrelas, sei exatamente quem nós somos”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Independente do peso das pautas que rodeiam a produção do disco, ou dos temas delicados que ele não deixa de discorrer, </span><i><span style="font-weight: 400;">WE ARE</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um projeto otimista e colorido, em todos os sentidos. Jon Batiste se diverte como nunca, brincando com vocais e harmonias como se estivesse em uma montanha-russa viva. No clipe de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3YHVC1DcHmo"><i><span style="font-weight: 400;">FREEDOM</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> – que desbancou o favorito </span><a href="https://personaunesp.com.br/montero-lil-nas-x-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">MONTERO</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> no prêmio de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6swmTBVI83k"><span style="font-weight: 400;">Melhor Videoclipe</span></a><span style="font-weight: 400;"> –, Batiste leva o conceito de liberdade para o domínio do corpo e traz a dança enquanto símbolo máximo da autonomia como resistência. Isso, é claro, ao mesmo tempo que veste figurinos cintilantes e remexe junto a todos os moradores de um subúrbio.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Jon Batiste - FREEDOM" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/3YHVC1DcHmo?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Entretanto, isto é importante dizer, o videoclipe dirigido por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=C6MOKXm8x50"><span style="font-weight: 400;">Alan Ferguson</span></a><span style="font-weight: 400;"> faz questão de mostrar que já existia cor naquele universo. O papel de Jon naquele momento é catalisar esse sentimento puro de alegria através da sua Música. Ao contrário de uma posição messiânica, sua obra se empodera pelo espírito coletivo inerente à humanidade, </span><a href="https://www.npr.org/2021/07/05/1012207034/jon-batiste-on-sharing-joy-in-a-painful-year-i-want-to-reaffirm-peoples-humanity"><span style="font-weight: 400;">levando esperança</span></a><span style="font-weight: 400;"> para um ano doloroso e lúgubre, onde praticamente não havia espaço para a êxtase. O que Jon Batiste constata em </span><a href="https://genius.com/Jon-batiste-sing-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">SING</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> – a síntese emocional perfeita para o fechamento do projeto – é que, em um mundo onde somos oprimidos, não só física mas também mentalmente, explorados à exaustão até que não tenhamos tempo nem para cuidar de nós mesmos, nosso coro em uníssono é a resposta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E é por isso que este é o álbum mais importante de 2021, com ou sem </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i><span style="font-weight: 400;">. A vitória de Jon Batiste, sem sombra de dúvidas, visa amplificar o acesso de grupos minoritários às categorias principais. É uma ação afirmativa deliberada da Academia, que, todavia, continua sendo composta pelos mesmos homens brancos, que apagaram a influência cultural dos mesmos criadores negros no passado. Entra ano, sai ano, os artistas mais disruptivos da Música continuam </span><a href="https://gauchazh.clicrbs.com.br/cultura-e-lazer/musica/noticia/2021/03/esnobado-pelo-grammy-the-weeknd-faz-historia-na-musica-pop-ckm3ueh3a00430198ujh23l2c.html"><span style="font-weight: 400;">fazendo história</span></a><span style="font-weight: 400;">, enquanto ignorados por uma premiação que permanece </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JlniLFuzjf8"><span style="font-weight: 400;">irrelevante como sempre</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">WE ARE</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um trabalho formidável e pivotal para os nossos tempos, e acreditar que somente uma réplica em ouro de um gramofone poderia legitimá-lo é um crime imperdoável.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: WE ARE" style="border-radius: 12px" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/album/6kHFkPvL2X3rZPuS3CEMUE?si=Fdrdh4F5TFCEjVWLquTW5Q&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>Summer of Soul… ou, Quando o Sonho se Tornou Possível</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Mar 2022 17:25:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Bruno Andrade O ano é 1969. Seria mais um verão qualquer, não fosse as mais de 300 mil pessoas reunidas em seis finais de semana consecutivos nos Estados Unidos, envoltas por música, dança e fortes discursos indignados que sucederam o assassinato de Martin Luther King Jr. (após uma sequência de homícidios políticos com motivações racistas, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/summer-of-soul-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Summer of Soul… ou, Quando o Sonho se Tornou Possível"</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><figure id="attachment_26765" aria-describedby="caption-attachment-26765" style="width: 1425px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26765 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul-...ou-Quando-a-Revolucao-Nao-Pode-Ser-Televisionada-5.jpg" alt="Cena do filme Summer of Soul. Na fotografia retangular colorida, vemos centenas de pessoas negras vestindo roupas populares nos anos 1960, que são camisetas listradas, blusas com golas grandes e óculos redondos. As três mulheres negras que estão à frente da fotografia possuem cabelos crespos e grandes, de cor preta, e vestem respectivamente uma camisa preta com uma blusa azul sobre os ombros; uma camiseta listrada; e uma blusa de couro marrom com detalhes em cor branca." width="1425" height="1079" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul-...ou-Quando-a-Revolucao-Nao-Pode-Ser-Televisionada-5.jpg 1425w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul-...ou-Quando-a-Revolucao-Nao-Pode-Ser-Televisionada-5-800x606.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul-...ou-Quando-a-Revolucao-Nao-Pode-Ser-Televisionada-5-1024x775.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul-...ou-Quando-a-Revolucao-Nao-Pode-Ser-Televisionada-5-768x582.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul-...ou-Quando-a-Revolucao-Nao-Pode-Ser-Televisionada-5-1200x909.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26765" class="wp-caption-text">Vencedor do BAFTA de Melhor Documentário, Summer of Soul (&#8230;Or, When the Revolution Could Not Be Televised) é o favorito na mesma categoria do Oscar 2022 [Foto: Hulu]</figcaption></figure><b>Bruno Andrade</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ano é 1969. Seria mais um verão qualquer, não fosse as mais de 300 mil pessoas reunidas em seis finais de semana consecutivos nos Estados Unidos, envoltas por música, dança e fortes discursos indignados que sucederam o assassinato de Martin Luther King Jr. (após uma sequência de homícidios políticos com motivações racistas, de Malcolm X à posterior morte de Bobby Kennedy – e tantos outros). Mas ao contrário do que se possa imaginar, não se trata do famigerado festival de Woodstock, pois esse, apesar de dominar a cultura popular, aconteceu em somente quatro dias (15 à 18 de agosto de 1969). A 160 km dali, no antigo bairro periférico do Harlem, estava acontecendo uma revolução não televisionada. Indicado ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2022</span></a><span style="font-weight: 400;"> na categoria de Melhor Documentário, </span><a href="https://aodisseia.com/summer-of-soul-critica-mostra-sp/"><i><span style="font-weight: 400;">Summer of Soul</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> (…ou, Quando a Revolução Não Pôde Ser Televisionada) </span></i><span style="font-weight: 400;">traz à tona os registros do Festival Cultural do Harlem, um marco histórico na Música que se seguiu esquecido; até agora.</span></p>
<p><span id="more-26764"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As filmagens – inéditas por mais de 50 anos – foram recuperadas pelo músico e diretor estreante </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9Kxn1QCqRQU"><span style="font-weight: 400;">Ahmir “Questlove” Thompson</span></a><span style="font-weight: 400;">, e revelam um importante momento cultural estadunidense, guiado por nomes como B.B. King, </span><span style="font-weight: 400;">Mahalia Jackson e </span><span style="font-weight: 400;">Nina Simone. As ebulições sociais e sócio-políticas que se infiltraram na sociedade à época são jogadas na tela em cada discurso incisivo que os artistas trazem – seja através dos registros do Harlem Cultural Festival, seja pelas falas “contemporâneas” que ex-participantes relatam. Havia algo importante na existência de um evento do tipo naquele momento da História, e todos ali pareciam ter consciência disso; talvez por essa razão </span><i><span style="font-weight: 400;">Summer of Soul </span></i><span style="font-weight: 400;">permaneça contundente e avassalador: é um registro esquecido de uma revolta segmentada através da arte.</span></p>
<figure id="attachment_26766" aria-describedby="caption-attachment-26766" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26766 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/image.jpg" alt="Foto retangular colorida do diretor Ahmir Questlove. Na imagem, vemos Questlove sorrindo ao centro, olhando diretamente para a câmera, e ao fundo um poster do filme Summer of Soul. Questlove é um homem negro, possui cabelos pretos e crespos, barba de cor preta, utiliza um óculos de grau com hastes pretas e veste jaqueta em cor laranja com detalhes brancos. Ele está usando um colar de cor cinza e uma camiseta de cor verde." width="1500" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/image.jpg 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/image-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/image-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/image-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/image-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26766" class="wp-caption-text">Summer of Soul é a estreia promissora de Questlove na direção de longa-metragens, que veio acompanhada de uma série de premiações relevantes (Foto: Todd Williamson)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O documentário, em si, não inventa muita firula. Trata-se de uma sobreposição de imagens de época em contraponto a entrevistas recentes. Na abertura – uma sequência genial –, vemos Stevie Wonder em um </span><i><span style="font-weight: 400;">solo </span></i><span style="font-weight: 400;">magistral de bateria. Esse trecho logo no começo não parece ter sido escolhido a mero acaso, pois Questlove é também baterista, e lidera a banda </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ojC0mg2hJCc"><span style="font-weight: 400;">The Roots</span></a><span style="font-weight: 400;">, que integra o programa </span><i><span style="font-weight: 400;">The Tonight Show Starring Jimmy Fallon</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> A montagem primorosa, a cargo de Joshua L. Pearson, também merece destaque, dado que cria lentamente em seus 118 minutos de duração as tensões sociais as quais o festival estava inserido. A junção de conteúdo e técnica impecável de edição rendeu ao filme duas indicações ao </span><a href="https://www.bafta.org/film/awards/2022-nominations-winners"><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">como Melhor Montagem e Melhor Documentário – categoria em que venceu –, e uma série de vitórias nos principais festivais de Cinema, incluindo o de</span><a href="https://cinemacomrapadura.com.br/noticias/594350/summer-of-soul-documentario-premiado-em-sundance-e-adquirido-pela-searchlight/"><i><span style="font-weight: 400;"> Sundance</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e o </span><a href="https://pitchfork.com/news/questloves-summer-of-soul-wins-best-documentary-at-2022-independent-spirit-awards/"><i><span style="font-weight: 400;">Independent Spirit Awards</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O longa também concorre no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/grammy/"><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> 2022 na categoria Melhor Filme Musical.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Summer of Soul </span></i><span style="font-weight: 400;">ganha ainda mais fôlego ao se desenvolver entre os bastidores do Festival Cultural do Harlem. Diferente do que costuma ocorrer em filmes do gênero, o foco não está somente nos </span><i><span style="font-weight: 400;">shows </span></i><span style="font-weight: 400;">e na reação do público, mas também em seus entremeios e ligações externas, nos políticos envolvidos, na relação conturbada com a polícia (com medo de reações policiais violentas, os organizadores do evento contrataram os </span><a href="https://personaunesp.com.br/judas-e-o-messias-negro-critica/"><span style="font-weight: 400;">Panteras Negras</span></a><span style="font-weight: 400;"> para fazerem a segurança do festival) e todo o contexto repressivo que foi permitido esquecer em meio aos </span><i><span style="font-weight: 400;">solos </span></i><span style="font-weight: 400;">catatônicos das guitarras amplificadas, dos pianos melódicos e dos tambores que rugiam raivosamente.</span></p>
<figure id="attachment_26767" aria-describedby="caption-attachment-26767" style="width: 1400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26767 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul-02.jpg" alt="Cena do filme Summer of Soul. Na imagem retangular colorida vemos o palco do Festival Cultural do Harlem, com instrumentos e dezenove músicos espalhados ao longo dele. A imagem está distante e não conseguimos visualizar o rosto de cada um, mas todos eles são negros. Ao fundo, vemos o papel de parede do evento, escrito Festival em fonte de cor branca em meio a diversas formas geométricas coloridas." width="1400" height="786" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul-02.jpg 1400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul-02-800x449.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul-02-1024x575.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul-02-768x431.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul-02-1200x674.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26767" class="wp-caption-text">O documentário se desdobra nos eventos históricos sempre através da Música; por essa razão, não cai em clichês (Foto: Hulu)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 1969, o “Homem Estadunidense” também foi à Lua, mas ele era branco, e não pretendia considerar a população negra em sua viagem interestelar. Uma das cenas mais marcantes do longa é durante a fala de Roger Parris, na qual ele diz que a comunidade do Harlem não estava interessada em ir à Lua, </span><i><span style="font-weight: 400;">“estava preocupada na realidade”</span></i><span style="font-weight: 400;">, e o real era cruel o suficiente para se negar o direito a sair da Terra. Como se não bastasse as complicações de todos os tipos que vinham externamente – principalmente por forças políticas –, outro inimigo dominou o bairro: a heroína. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O final dos anos 1960, especificamente, foi um período duro, no qual a epidemia da droga ceifou a vida de vários jovens, cujos possíveis motivos do vício estavam ligados justamente à realidade abissal que a população negra havia sido jogada em decorrência do racismo, como sugere um entrevistado em uma das cenas. Foi também um momento chave na Guerra do Vietnã, onde o governo estadunidense enviou </span><a href="https://personaunesp.com.br/destacamento-blood-critica/"><span style="font-weight: 400;">jovens negros</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao </span><i><span style="font-weight: 400;">front </span></i><span style="font-weight: 400;">em números muito maiores do que jovens brancos, e muitos daqueles que se negaram a ir foram caçados e mortos pela polícia. Por esses motivos, como o próprio documentário deixa no ar, Tony Lawrence idealizou o Harlem Cultural Festival para evitar que a cidade queimasse em meio às revoltas e protestos – totalmente legítimos.</span></p>
<figure id="attachment_26769" aria-describedby="caption-attachment-26769" style="width: 2400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26769 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul_Nina_Simone.jpg" alt="Cena do filme Summer of Soul. Na foto retangular colorida, vemos a cantora e musicista Nina Simone, sentada em um piano de cor marrom. Ela é uma negra, veste um vestido de cor amarela com detalhes pretos, utiliza dois brincos grandes, cujo tamanho é similar ao de uma bola de tênis, e está com a cabeça inclinada para a direita, em direção ao público que assiste ao seu show." width="2400" height="1800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul_Nina_Simone.jpg 2400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul_Nina_Simone-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul_Nina_Simone-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul_Nina_Simone-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul_Nina_Simone-1536x1152.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul_Nina_Simone-2048x1536.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul_Nina_Simone-1200x900.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26769" class="wp-caption-text">“Essa é a parte triste do apagamento; antes do nosso filme, você quase não conheceu nada sobre isso. Houve apenas rumores de que talvez isso tenha acontecido”, disse Questlove em entrevista a Variety (Foto: Hulu)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O subtítulo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Summer of Soul </span></i><span style="font-weight: 400;">remete a canção </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=vwSRqaZGsPw"><i><span style="font-weight: 400;">Revolution Will Not Be Televised</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, do músico e poeta Gil Scott-Heron – considerado uma das fontes de inspiração para o surgimento do </span><i><span style="font-weight: 400;">rap </span></i><span style="font-weight: 400;">–, sustentado como um dos hinos de ativistas negros no final dos anos 1960. Ao longo do documentário, </span><span style="font-weight: 400;">os entrevistados explicam como a palavra “</span><i><span style="font-weight: 400;">Black</span></i><span style="font-weight: 400;">” mudou de um termo pejorativo para um lugar de autodeterminação e orgulho, valores que foram ainda mais impulsionados – e incentivados – no festival. </span><span style="font-weight: 400;">Algo que Questlove explorou muito bem foi o desenrolar de um novo mundo para a população negra que começava a ser consolidado, e os discursos dos artistas no evento giravam em torno de um mesmo tema: tenha orgulho de ser quem você é. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Próximo ao fim, Nina Simone surge cantando </span><i><span style="font-weight: 400;">“somos negros, somos lindos”</span></i><span style="font-weight: 400;">, reafirmando a essência do festival e sua importância histórica. Pela primeira vez, após um período intenso de crimes hediondos contra a comunidade, havia um evento que celebrava, enfim, a existência dessa mesma comunidade. Aquele era um período de mudanças sociais profundas, e embora fossem julgadas como inatingíveis e utópicas por uma parcela da população, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=fz_7luovxPc"><span style="font-weight: 400;">sonhar ainda era possível</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Summer of Soul (...ou, Quando a Revolução Não Pôde Ser Televisionada) | Trailer Oficial" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/7A_A9IqC3Co?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Gold-Diggers Sound: Leon Bridges tem o poder de parar o tempo</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Mar 2022 12:08:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Enrico Souto “Nós não paramos, mas o tempo sim”. Há uma conduta inusitada nessa afirmação, não? Bem, é assim que Leon Bridges escolhe abrir Motorbike, o segundo single do seu terceiro álbum de estúdio, Gold-Diggers Sound. É comum que o tempo seja entendido, tanto na Arte quanto no inconsciente coletivo, como uma entidade intocável, totalmente &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/leon-bridges-gold-diggers-sound-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Gold-Diggers Sound: Leon Bridges tem o poder de parar o tempo"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26244" aria-describedby="caption-attachment-26244" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26244" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-1-1-1-800x800.jpg" alt="" width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-1-1-1.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-1-1-1-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-1-1-1-768x768.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26244" class="wp-caption-text">Gold-Diggers Sound, terceiro álbum de estúdio de Leon Bridges e figura marcada nas categorias de R&amp;B do Grammy 2022, ainda recebeu versão Deluxe com uma faixa extra (Foto: LisaSawyer63/Columbia Records)</figcaption></figure>
<p><b>Enrico Souto</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“Nós não paramos, mas o tempo sim”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Há uma conduta inusitada nessa afirmação, não? Bem, é assim que Leon Bridges escolhe abrir </span><a href="https://genius.com/Leon-bridges-motorbike-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">Motorbike</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o segundo </span><i><span style="font-weight: 400;">single</span></i><span style="font-weight: 400;"> do seu terceiro álbum de estúdio, </span><i><span style="font-weight: 400;">Gold-Diggers Sound</span></i><span style="font-weight: 400;">. É comum que o </span><a href="http://www.iea.usp.br/noticias/o-tempo-na-arte"><span style="font-weight: 400;">tempo</span></a><span style="font-weight: 400;"> seja entendido, tanto na Arte quanto no inconsciente coletivo, como uma entidade intocável, totalmente fora da nossa compreensão e controle, que existe independente da nossa capacidade de percebê-lo, e que é efêmero por definição. Ou seja, que se vai apaticamente, e quem não o acompanha é fatalmente suprimido. </span></p>
<p><span id="more-26240"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">À vista disso, a frase gera estranhamento pelo modo com que Bridges rejeita essa ideia de tempo e inverte a lógica vigente. Dessa vez, o tempo se transforma em um elemento mais próximo, reconhecível e sujeito à perspectiva de quem o enxerga, ao passo que a propriedade do </span><a href="https://www.scielo.br/j/epsic/a/jg3hvqrzY7zRFHfztRKsGTx/?lang=pt"><span style="font-weight: 400;">movimento</span></a><span style="font-weight: 400;">, do dinamismo e da mudança é transferida ao indivíduo, agora brindado por autonomia e em consonância com sua realidade. Leitura intrigante, de fato. Entretanto, o que ele quer dizer com isso?</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Leon Bridges - Motorbike (Official Video)" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/Y9OMJ0HvPbk?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">O trabalho de Bridges sempre esteve atrelado ao tempo. O texano decidiu se lançar na indústria em 2015 com o disco </span><a href="https://open.spotify.com/album/21KIagsx1ZvYcv0sVkEAWv?si=GDCGVAe1QC6Z4h_X4OZdmg"><i><span style="font-weight: 400;">Coming Home</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Seu título alude à retomada de sua ancestralidade, a partir das raízes musicais do </span><i><span style="font-weight: 400;">soul</span></i><span style="font-weight: 400;"> e do </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;">. Porém, </span><a href="https://www.theguardian.com/music/2015/feb/22/leon-bridges-vintage-soul-one-to-watch"><span style="font-weight: 400;">sua afeição</span></a><span style="font-weight: 400;"> aos gêneros era tamanha que ele decidiu recriá-los com a maior precisão possível e, consequentemente, pouco se via de uma assinatura própria do artista. Realmente havia um conceito pujante que brotava ali, mas é indiscutível que o álbum estava muito mais próximo de uma experimentação que de uma obra lapidada, e Leon Bridges ainda buscava sua identidade naquele cenário. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Anos depois, em 2018, seu trabalho começava a gerar frutos com o </span><i><span style="font-weight: 400;">LP</span></i> <a href="https://open.spotify.com/album/7J9fifadXb0PPSBWXctbi8?si=48Qi62XNQDeL-EE_rKXVYg"><i><span style="font-weight: 400;">Good Thing</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, em uma musicalidade mais refrescante. Em um claro registro de </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;">, se aproximando com maior firmeza do </span><a href="http://musicainstantanea.com.br/10-discos-para-gostar-de-synthpop/"><i><span style="font-weight: 400;">synth-pop</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">neo-soul</span></i><span style="font-weight: 400;"> noventistas, Bridges se demonstrava suscetível à sonoridades contemporâneas, ainda que mantendo em voga a estética retrô que o consolidou antes. Infelizmente, o disco não foi tão </span><a href="https://pitchfork.com/reviews/albums/leon-bridges-good-thing/"><span style="font-weight: 400;">bem recebido</span></a><span style="font-weight: 400;"> pelo público e crítica na época, porém o cantor já parecia constituir uma voz mais singular e consolidada.</span></p>
<p><figure id="attachment_26245" aria-describedby="caption-attachment-26245" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26245 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-2-800x450.jpeg" alt=" [Texto alternativo: Fotografia retirada da capa de Coming Home, de Leon Bridges. Imagem retangular com o fundo vermelho. Nela, está Leon Bridges, um homem negro, de cabelos crespos e curtos, barba feita, usando uma camisa estampada, um suéter escuro por cime e uma calça social. O vemos somente da cintura para cima, e ele levanta os dois braços na altura da cintura, com ambas as suas mão borradas, dando a sensação de movimento. Além disso, a figura de Leon Bridges é colorida em preto-e-branco, contrastando com o vermelho vibrante da parede atrás dele." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-2-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-2-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-2-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-2.jpeg 1056w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26245" class="wp-caption-text">Estreando com um projeto criativo, mas pouco ousado, Leon Bridges demorou a encontrar sua identidade na Música (Foto: LisaSawyer63/Columbia Records)</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Agora, com </span><i><span style="font-weight: 400;">Gold-Diggers Sound</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi um pouco diferente. O terceiro álbum de estúdio de </span><a href="https://www.npr.org/2021/08/06/1025456535/leon-bridges-an-introvert-is-resigned-to-fame"><span style="font-weight: 400;">Leon Bridges</span></a><span style="font-weight: 400;"> é um trabalho que fora constituído em dois anos, em um </span><a href="https://www.thecurrent.org/feature/2021/08/13/interview-leon-bridges-on-golddiggers-sound"><span style="font-weight: 400;">longo processo</span></a><span style="font-weight: 400;"> de estudo e criação, em parceria com os produtores Ricky Reed e Mercereau, junto do talento de outros grandes músicos, como Terrace Martin e Robert Glasper. O resultado desse exercício é uma evolução natural dos dois projetos anteriores: oferecendo a revisita nostálgica à Música dos anos 60, assim como </span><i><span style="font-weight: 400;">Coming Home</span></i><span style="font-weight: 400;">, porém derivando de uma direção mais consciente e madura, misturando o </span><i><span style="font-weight: 400;">vintage</span></i><span style="font-weight: 400;"> e o moderno de maneira orgânica e prestigiosa, tal qual </span><i><span style="font-weight: 400;">Good Thing</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Devido a isso, diversas canções do novo registro propõem uma sobreposição de melodias acústicas, puxadas diretamente de suas inspirações no </span><i><span style="font-weight: 400;">blues</span></i><span style="font-weight: 400;">, com uma produção carregada de elementos eletrônicos. As suaves guitarras de </span><a href="https://genius.com/Leon-bridges-magnolias-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">Magnolias</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://genius.com/Leon-bridges-sho-nuff-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">Sho Nuff</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que são logo acometidas por </span><i><span style="font-weight: 400;">beats</span></i><span style="font-weight: 400;"> sequenciados, característicos do </span><i><span style="font-weight: 400;">trap</span></i><span style="font-weight: 400;"> e do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/rb/"><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;"> moderno</span></a><span style="font-weight: 400;">, são um exemplo emblemático disso. Bridges desafia a expectativa de seus fãs, criando uma sonoridade ímpar e imprevisível, fora de sua zona de conforto.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Leon Bridges - Steam (Official Video)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/c7IxY6CTiVA?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Há uma característica crucial em como Leon situa seu projeto. O título, </span><i><span style="font-weight: 400;">Gold-Diggers Sound</span></i><span style="font-weight: 400;">, leva consigo o nome do </span><a href="https://gold-diggers.com/"><span style="font-weight: 400;">estúdio-bar-hotel</span></a><span style="font-weight: 400;"> em que foi gravado. Localizado em Los Angeles, o artista vencedor do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/grammy-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> passou a morar no </span><i><span style="font-weight: 400;">Gold-Diggers</span></i><span style="font-weight: 400;"> durante todo o período de composição e gravação do álbum, e não saiu até que terminasse. À vista disso, ele atrela sua música diretamente ao local no qual foi concebida, constituindo uma conexão material e territorial com o espaço e tempo em que está inserido.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Todas as músicas respiram uma espécie de ímpeto por sossego e ócio. Mesmo aquelas mais digitalizadas levam consigo a proximidade de se estar assistindo um </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;"> ao vivo em um bar de esquina, sentado em uma mesa redonda ao lado de amigos e de um bom copo de cerveja. Bridges convida o ouvinte para essa viagem imersiva, ao mesmo tempo que despojada, levando-nos a um universo consolador e nostálgico – inclusive de um momento </span><a href="https://falauniversidades.com.br/industria-musical-se-desdobra-em-meio-a-pandemia/"><span style="font-weight: 400;">pré-pandêmico</span></a><span style="font-weight: 400;">, quando ainda podíamos vivenciar encontros corriqueiros sem medo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Logo, ao tentar incorporar essas sensações, </span><i><span style="font-weight: 400;">Gold-Diggers Sound</span></i><span style="font-weight: 400;"> se torna o projeto mais contagiante do cantor e, sem dúvidas, onde ele mais permite entreter-se. Desde faixas radiantes de teor celebratório como </span><i><span style="font-weight: 400;">Motorbike</span></i><span style="font-weight: 400;">, até canções românticas com conotação mais sensual e diligente como </span><a href="https://genius.com/Leon-bridges-steam-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">Steam</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://genius.com/Leon-bridges-details-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">Details</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ao ouví-las é possível imaginar o sorriso estampado no rosto de Leon enquanto declama seus versos. </span></p>
<figure id="attachment_26246" aria-describedby="caption-attachment-26246" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26246 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-3-800x533.jpg" alt="Fotografia retirada em performance de Leon Bridges da música “Sweeter”, no estúdio Gold-Diggers. Imagem retangular e colorida. Nela, vemos Leon Bridges, um homem negro, de cabelos crespos e curtos, barba envolvendo toda a área de sua bochecha e queixo, vestindo uma jaqueta jeans e camisa branca. Ele levanta um microfone até a sua boca com a mão direita, e canta com os olhos fechados e a boca entreaberta. Sua mão esquerda é erguida na altura do microfone e gesticula. O fundo da imagem é cinza e desfocado, e podemos ver a figura borrada de um homem negro, vestindo uma camisa preta, em frente a uma mesa de som." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-3-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-3-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-3-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-3-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-3-1200x800.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-3.jpg 1966w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26246" class="wp-caption-text">Junto ao álbum, Leon Bridges também lançou performances de algumas faixas gravadas diretamente do <a href="https://www.youtube.com/watch?v=ViQuEDyxKCA">Gold-Diggers</a>, reforçando a busca por uma ambientação sonora próxima da experiência ao vivo (Foto: Leon Bridges/<a href="https://www.youtube.com/watch?v=uQOABLDwegA">Youtube</a>)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">De qualquer forma, apesar dessa leveza, </span><i><span style="font-weight: 400;">Gold-Diggers Sound</span></i><span style="font-weight: 400;"> também se mune de lamúrias. </span><a href="https://genius.com/Leon-bridges-blue-mesas-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">Blue Mesas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que encerra o álbum, evoca um tópico que desponta na surdina de quase toda a </span><i><span style="font-weight: 400;">tracklist</span></i><span style="font-weight: 400;">: uma demanda por validação interpessoal, que então leva a um sufocante estado de solidão. Estado esse que não necessariamente implica em isolamento, como Bridges </span><a href="https://www.instagram.com/p/CRWSfF2i61S/"><span style="font-weight: 400;">aponta</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao questionar de que modo é possível ele se sentir só </span><i><span style="font-weight: 400;">“ainda que rodeado por aqueles que conhece”</span></i><span style="font-weight: 400;">. A faixa também coloca em questão a masculinidade tóxica, que impede homens de expressarem seus sentimentos, quando ele, mesmo admitindo que há uma dor bem no fundo da sua alma, insiste em negar ajuda.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No caso de Leon, essa exigência compulsória em performar austeridade ganha </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=sfKg2bD8vjE"><span style="font-weight: 400;">outro fardo</span></a><span style="font-weight: 400;"> por seu lugar enquanto </span><a href="https://theindigenist.files.wordpress.com/2014/08/we-real-cool_black-men-masculinity-by-bell-hooks.pdf"><span style="font-weight: 400;">homem negro</span></a><span style="font-weight: 400;">. E o efeito final disso acaba sendo inverso, porque quanto mais persiste em não demonstrar emoções, mais elas são depositadas em um elemento externo, provocando, dessa forma, relações de dependência. Essa figura masculina estilhaçada é, enfim, humanizada em </span><a href="https://genius.com/Leon-bridges-why-dont-you-touch-me-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">Why Don’t You Touch Me</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, onde o artista assume um eu-lírico que, em decorrência de suas atitudes possessivas, viu gradualmente o amor de sua namorada findar. Então, em desespero, ele implora para que ela retorne aos seus braços. Talvez porque ele realmente a ame, sim, mas também – e Bridges faz questão de não esconder isso – por uma carência de atenção que ele mesmo nutre.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Leon Bridges - Why Don&#039;t You Touch Me: Part 1 (Official Video)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/TqgMx3eWdYg?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Embora ocasiões isoladas de pura melancolia se façam presentes, </span><i><span style="font-weight: 400;">Gold-Diggers Sound</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem outra maneira, </span><a href="https://ratedrnb.com/2021/07/how-leon-bridges-found-his-gold-diggers-sound-on-new-album-interview/"><span style="font-weight: 400;">mais particular</span></a><span style="font-weight: 400;">, de expressar suas fragilidades. Da mesma forma que, musicalmente, o retrô sempre caminha junto com o moderno, Leon Bridges consegue criar, em sua mensagem, um equilíbrio ideal entre as angústias e júbilos, de tal modo que elas passam a naturalmente coexistir no mesmo espaço, e não há nenhuma incompatibilidade nisso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E é isso que a faixa </span><a href="https://genius.com/Leon-bridges-dont-worry-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">Don’t Worry</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> alcança com muito esmero. Compartilhando semelhanças com </span><i><span style="font-weight: 400;">Why Don’t You Touch Me</span></i><span style="font-weight: 400;">, Bridges e a vocalista </span><a href="https://open.spotify.com/album/6YPjAMPVTJrGRAHXbhMgnO?si=Qkb_bfWcTnW8qiZLzkz_vw"><span style="font-weight: 400;">Ink</span></a><span style="font-weight: 400;"> interpretam um diálogo entre duas metades de um relacionamento tóxico que foi desfeito, enquanto meditam sobre as experiências que tiveram juntos. O curioso aqui é como a faixa aborda uma temática lúgubre em paralelo com vocais entusiasmados e um instrumental ardente de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/country/"><i><span style="font-weight: 400;">country</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que não ignora o peso do terreno espinhoso que atravessa, ao mesmo tempo que nunca deixa a escuridão tomar conta. </span></p>
<figure id="attachment_26247" aria-describedby="caption-attachment-26247" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26247" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-4-800x400.jpg" alt="Fotografia retirada da divulgação do single Sweeter, do cantor Leon Bridges. Imagem retangular com o fundo vermelho. Nela, vemos de perfil, do ombro para cima, Leon Bridges: um homem negro, cabelos crespos e curpos e barba aparada. Ele não usa camiseta, e tem um buquê de rosas encostado sobre o peito." width="800" height="400" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-4-800x400.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-4-1024x512.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-4-768x384.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-4-1536x768.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-4-2048x1024.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-4-1200x600.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26247" class="wp-caption-text">Leon Bridges já havia sido indicado ao Grammy por seus dois projetos anteriores, sendo finalmente premiado em 2019, durante a era Good Thing (Foto: LisaSawyer63/Columbia Records)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro exemplo paradigmático desse esforço em procurar otimismo nos piores cenários é </span><a href="https://genius.com/Leon-bridges-and-robert-glasper-born-again-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">Born Again</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, indicada ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/grammy-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2022</span></a><span style="font-weight: 400;"> em Melhor Performance Tradicional de </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;">. Estabelecendo firmemente os parâmetros do disco logo na abertura, ela mostra um Bridges confuso e perdido nos próprios pensamentos, que encontra o escape de seus conflitos ao fechar os olhos, limpar a mente, e deparar-se ali com os amores e afagos de um amado alguém, que não mais está presente. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Eu encontro paz no vale da sua verdade”</span></i><span style="font-weight: 400;">, atesta, e descobre, no limbo das suas memórias, o combustível que precisa para nascer de novo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A melodia cordial das trompas que imbuem a faixa, produzida pelo glorioso </span><i><span style="font-weight: 400;">jazzista </span></i><a href="https://www.passionweiss.com/2021/10/21/we-get-more-and-more-inside-the-stage-an-interview-with-robert-glasper/"><span style="font-weight: 400;">Robert Glasper</span></a><span style="font-weight: 400;">, é preenchida pela voz áspera e afável de Leon Bridges, recitando uma letra sobre o luto e as dores que são evocadas com a perda, porém, principalmente, sobre os afetos que ainda ficam e que levamos eternamente conosco. E o </span><a href="https://drauziovarella.uol.com.br/psiquiatria/quando-o-luto-exige-ajuda-profissional/"><span style="font-weight: 400;">luto</span></a><span style="font-weight: 400;">, de fato, não é um tema incomum em </span><i><span style="font-weight: 400;">Gold-Diggers Sound</span></i><span style="font-weight: 400;">. O primeiro </span><i><span style="font-weight: 400;">single</span></i><span style="font-weight: 400;"> do disco, </span><i><span style="font-weight: 400;">Sweeter</span></i><span style="font-weight: 400;">, foi lançado na segunda metade de 2020, em resposta ao assassinato atroz de </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-57236428"><span style="font-weight: 400;">George Floyd</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a </span><a href="https://pt.euronews.com/2020/09/06/os-100-dias-de-protesto-do-movimento-black-lives-matter-"><span style="font-weight: 400;">onda de protestos</span></a><span style="font-weight: 400;"> da </span><i><span style="font-weight: 400;">Black Lives Matter</span></i><span style="font-weight: 400;"> daquele ano. No entanto, diferente de outras canções que abordaram muito bem a pauta, como a fervorosa </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_VDGysJGNoI"><i><span style="font-weight: 400;">The Bigger Picture</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de </span><a href="https://personaunesp.com.br/j-cole-the-off-season-critica/"><span style="font-weight: 400;">Lil Baby</span></a><span style="font-weight: 400;">, o tom não é de revolta, e sim de lamentação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A inserção da bateria sintética aos acordes de piano do multi-instrumentista </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Cvk75TGmjYM"><span style="font-weight: 400;">Terrace Martin</span></a><span style="font-weight: 400;"> estabelecem um caráter melancólico à música, amplificado ainda mais pelas palavras desoladoras do vocalista. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Esperando por uma vida mais doce/ Em vez disso, sou apenas uma história que se repete”</span></i><span style="font-weight: 400;">, ele declara, em nome de todos os jovens negros mortos pela polícia. E é esse tom que rege os quase 3 minutos da faixa. Leon Bridges está longe de tentar provocar um levante. Na verdade, sua revolta parte de outro lugar. Ele usa desse palanque para, única e somente, desabafar e expor, com toda a sinceridade do mundo, sua frustração. Trata-se de uma manifestação do puro e simples cansaço, e é diante disso que se apresenta sua potência. Depois de tanto sufoco – como alguém que nunca teve direito ao choro, e que esteve em silêncio por tempo demais – Bridges possibilita suas emoções florescerem e transforma o desabafo em alívio.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Leon Bridges - Sweeter (Official Video) ft. Terrace Martin" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/35AWgksymtA?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Liricamente, esse é o melhor momento para Leon Bridges. Afiado como nunca, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Gold-Diggers Sound</span></i><span style="font-weight: 400;"> ele incorpora inúmeras personas diferentes – possivelmente fragmentos isolados de si – e, com todas elas, a superficialidade jamais é o suficiente. Mergulhamos no âmago de cada uma, investigando suas nuances e contradições, e formando, no interior de suas 11 faixas, o mais veraz e humano dos retratos. Sempre alçando sua vulnerabilidade, inclusive sobre arquétipos </span><a href="https://www.geledes.org.br/homem-negro-sente-dor%E2%80%8A-%E2%80%8Amasculinidade-negra-emocoes-e-o-cuidado-de-si/"><span style="font-weight: 400;">socialmente enrijecidos</span></a><span style="font-weight: 400;">, o cantor sustenta sua presença na categoria de Melhor Álbum de </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;"> no </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2022 com uma obra única no nosso tempo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E então voltamos ao tempo. Qual o interesse de Leon em pará-lo? A proposta dele no novo registro, podemos dizer, é explorar as faces da Música enquanto </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9480NiKC2i4"><span style="font-weight: 400;">símbolo de seu período</span></a><span style="font-weight: 400;">: retirando sonoridades remotas de seu espaço-comum e inserindo-as em um ambiente inabitual, à medida que também move as novas tendências para fora de sua zona de conforto, colocando o passado e o presente para caminharem juntos e construindo, a partir disso, praticamente um novo gênero – descolado do tempo e, simultaneamente, ciente de seu contexto material.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas, retomemos a frase </span><i><span style="font-weight: 400;">“Nós não paramos, mas o tempo sim”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Para além de como o tempo é referido, Leon Bridges destaca nossa condição de mutabilidade. A imagem do humano é destituída da posição de estática, inerte, para assim dotá-la de vida. E, por fim, é isso que sintetiza </span><i><span style="font-weight: 400;">Gold-Diggers Sound</span></i><span style="font-weight: 400;">. Essencialmente, Leon Bridges narra </span><a href="https://personaunesp.com.br/euphoria-part-1-rue-critica/"><span style="font-weight: 400;">arcos de redenção</span></a><span style="font-weight: 400;">, partindo sempre da perspectiva de quem é desumanizado, subalternizado, e de pessoas que não são </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-56164314"><span style="font-weight: 400;">permitidas ao erro</span></a><span style="font-weight: 400;">. Através do lúdico e do íntimo, Bridges busca devolvê-las à posição de humanidade e propor uma visão emancipatória e otimista para o futuro. Nunca é cedo para mudar. Nós não somos nossas falhas. A redenção é possível. O perdão é uma alternativa. E é somente parando o tempo que podemos olhar para dentro.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Gold-Diggers Sound" style="border-radius: 12px" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/album/6pKaUDUnQiZgWLPZJqwkzn?si=ev7LLZ7ER_GpDfeER5DdZA&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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