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	<title>Arquivos Sober &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Em Melodrama, Lorde dança com a tristeza</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Jun 2017 22:49:44 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_8130" aria-describedby="caption-attachment-8130" style="width: 1200px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-8130 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/06/1.jpg" alt="lorde-2017" width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/06/1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/06/1-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/06/1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/06/1-1024x683.jpg 1024w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-8130" class="wp-caption-text">Lorde cresceu e está cheia de histórias tristes, eufóricas e coloridas pra contar: que Melodrama seja só a primeira de muitas outras (Foto: Universal Music New Zealand Limited)</figcaption></figure>
<p><strong>Leonardo Teixeira</strong></p>
<p>Na madrugada de seu aniversário de 20 anos, Lorde publicou uma carta aberta para seus fãs. Matando a jovem introvertida e quase <em>blasé</em> que surgiu em 2013 e pondo-a num <em>“mausoléu adolescente”</em>, Ella Marija Lani Yelich-O&#8217;Connor descrevia os últimos tempos como cruciais para a novíssima pessoa que o mundo estava prestes a conhecer.<em> “Pure Heroine foi o meu jeito de consagrar a nossa glória adolescente, iluminando-a para sempre para que essa parte de mim nunca morra, e esse álbum — bem, este é sobre o que vem depois”</em>.<span id="more-8129"></span></p>
<p>De fato, há muito de diferente na vida da neozelandesa desde o lançamento de seu primeiro álbum. Mudou-se para Nova York, terminou um namoro e, segundo ela, entrou na vida adulta. <a href="https://open.spotify.com/album/2B87zXm9bOWvAJdkJBTpzF"><em>Melodrama</em></a> é o retrato da artista que, sozinha num mundo novo que criou para si, cresceu, mas ainda tem muito que amadurecer.</p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/dMK_npDG12Q" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>De <a href="https://www.latimes.com/entertainment/music/la-xpm-2012-sep-26-la-et-ms-sea-change-at-10-becks-breakup-record-20120925-story.html">Beck</a> a <a href="https://www.eonline.com/news/1034601/inside-adele-s-fiercely-private-but-epically-dramatic-relationship-history">Adele</a>, passando por <a href="https://www.thesun.co.uk/tvandshowbiz/13709092/kanye-west-rewriting-long-delayed-album-kim-kardashian-split/">Kanye West</a>, a indústria já provou que veste muito bem a carapuça do sofrimento pós-término. Aqui, Lorde aproveita-se do terreno amigável — muito diferente da artista de anos atrás, que tinha a crítica à música <em>pop</em> radiofônica como um dos temas principais de suas composições — para desenrolar a narrativa de uma festa, conceito que funciona em diversos níveis, o coração partido sendo um deles.</p>
<p>Transferindo a avidez do desejo desesperado por novos começos para batidas <em>electropop</em>, <a href="https://open.spotify.com/track/6ie2Bw3xLj2JcGowOlcMhb?si=e2be6132011642a3"><em>Green Light</em></a> abre o álbum e representa a persona que sua compositora quer mostrar para o público: intensa e exagerada. Seguindo a fórmula usada por Robyn na confecção do impecável <a href="https://www.youtube.com/watch?v=83vhhEQIRy0"><em>Body Talk </em></a>(2011), a dor de cotovelo aqui ganha aspecto mais cru através do lirismo afiado de Lorde, que em seu segundo trabalho pega pesado em uma espécie de fusão temática entre euforia e solidão.</p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/3E8LF5CM3S0" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>Diferente do que presumiam os fãs menos otimistas, a assimilação feita das músicas presentes atualmente nas rádios não causa prejuízo nenhum. A capacidade que a intérprete de <a href="https://www.youtube.com/watch?v=nlcIKh6sBtc"><em>Royals</em></a> tem de evocar cores em sua mente a partir de sons (sinestesia) enriquece a sonoridade do álbum, enquanto a co-produção com Jack Antonoff (creditado no estouradíssimo <a href="https://open.spotify.com/album/1yGbNOtRIgdIiGHOEBaZWf"><em>1989</em></a>, de Taylor Swift) soma ao combo a efervescência e o frescor necessários.</p>
<p>Além disso, os temas difíceis são oportunidades perfeitas para Lorde apresentar nuances inéditas de sua voz, indo além do minimalismo do álbum anterior. A raiva causada pela condescendência e pelo abandono, a sensação de sentir-se pequeno em relação às pessoas por quem nos permitimos ser vulneráveis, a desonestidade emocional característica da geração atual e o otimismo por tempos melhores são expressos com o exagero necessário, rendendo momentos como <a href="https://open.spotify.com/track/6Kkt27YmFyIFrcX3QXFi2o?si=80840ba109f2470d"><em>Liability</em></a> e <a href="https://open.spotify.com/track/193Dm5SqYy3hTSbuzxbwKc?si=23b092f0cef545a6"><em>Writer In The Dark</em></a>, que rememoram a grandiosidade vocal de <a href="https://www.youtube.com/watch?v=UXzx--YefD8">Kate Bush</a> e <a href="https://www.youtube.com/watch?v=aUEoic7ro_o">ANOHNI</a> (vocalista da banda de <em>artpop</em> Antony and the Johnsons).</p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://www.youtube.com/embed/86s_1hpX4Yc" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>Ao elevar o peso dramático de suas letras e sonoridade a níveis estratosféricos, a cantora deixa claro que esses sentimentos, ainda que tão intensos, são temporários. O exagero aqui serve como limitação temática, uma forma de explicitar a efemeridade da fossa e da juventude. Tendo conhecido as cores da vida adulta, Lorde quer mesmo é ser melodramática enquanto pode.</p>
<p>Foi essa permissão, inclusive, que possibilitou o engavetamento da persona apática e madura demais para a própria idade apresentada em <a href="https://open.spotify.com/album/6rnzvZhe3PA57xKcKLRtJ6"><em>Pure Heroine</em></a>. A artista teve que passar por situações comuns a muita gente, como um coração partido e sair da casa dos pais, para entender que ela não era tão “diferentona” quanto pensava.</p>
<p>Pintada pelo americano <a href="https://www.newyorker.com/culture/persons-of-interest/the-artist-sam-mckinniss-on-capturing-lorde-in-the-twilight">Sam McKinniss</a>, a capa de <em>Melodrama</em> é a perfeita representação do lugar em que a artista se encontra atualmente, representando Ella sob a luz de um dia que começa, depois de uma noite de festa. A cantora parece estar feliz sendo quem é atualmente, sentindo-se pertencente às imaturidades da época em que sua vida se encontra.</p>
<figure id="attachment_8131" aria-describedby="caption-attachment-8131" style="width: 840px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-8131 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/06/Capa-1024x1024.jpg" alt="lorde-melodrama" width="840" height="840" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/06/Capa-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/06/Capa-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/06/Capa-300x300.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/06/Capa-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/06/Capa.jpg 1080w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-8131" class="wp-caption-text">Poxa, crush!: óleo sobre tela pintado pelo artista queer nova-iorquino Sam McKinn (Foto: Universal Musical New Zealand Limited)</figcaption></figure>
<p><a href="https://open.spotify.com/track/1qXjolYMICsnISl8xZAbA2?si=5d9b1fd139924d93"><em>Perfect Places</em></a>, canção de fechamento, remonta esse sentimento, encerrando o álbum sob um clima melancólico e exaltando a juventude e a autodescoberta. De certa forma, a “glória adolescente” continua presente na obra da artista, ainda que a idealização da mocidade e incentivo aos excessos presentes na faixa vão de encontro com as reflexões espinhosas de <em>hits</em> anteriores, como <a href="https://www.youtube.com/watch?v=D8Ymd-OCucs"><em>Tennis Court</em></a>.</p>
<p>Ao expandir o olhar e permitir que uma vasta paleta de cores fosse incorporada em seu trabalho, Lorde nos deu a oportunidade de conhecer uma personalidade multifacetada, intensa e humana que, apesar dos percalços, vem carregada de entusiasmo pelo futuro.</p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/4JeJPyNnsB3tqnHR7RL5v5" width="300" height="380" frameborder="0"></iframe></p>
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