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	<title>Arquivos Silence Between Songs &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Dependência emocional e ansiedade são as correntes de locket, de Madison Beer</title>
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		<pubDate>Thu, 20 Aug 2026 13:00:07 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Marcela Jardim Madison Beer passou boa parte da última década ocupando um lugar ingrato no pop: visível o suficiente para gerar expectativas, mas sempre à sombra de um ‘potencial ainda não realizado’. Desde o início viral, ainda adolescente, sua trajetória foi marcada por tentativas de se desvincular da imagem de fenômeno da internet e se &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-locket/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Dependência emocional e ansiedade são as correntes de locket, de Madison Beer"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_37457" aria-describedby="caption-attachment-37457" style="width: 300px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-37457 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image1-4.png" alt="Capa do álbum locket de Madison Beer. A imagem mostra a cantora Madison Beer, uma mulher de pele branca e jovem. Ela aparece de perfil, com os olhos baixos e uma expressão melancólica. Seu cabelo escuro está preso em um penteado meio-preso, com mechas soltas emoldurando o rosto. Ela segura delicadamente um medalhão dourado em formato de coração contra o peito. O fundo apresenta uma parede azul clara e o topo de um sofá vintage bege." width="300" height="300" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image1-4.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image1-4-150x150.png 150w" sizes="(max-width: 300px) 85vw, 300px" /><figcaption id="caption-attachment-37457" class="wp-caption-text">locket é o quarto disco da cantora (Foto: Epic Records)</figcaption></figure>
<p><b>Marcela Jardim</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Madison Beer passou boa parte da última década ocupando um lugar ingrato no </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">: visível o suficiente para gerar expectativas, mas sempre à sombra de um ‘potencial ainda não realizado’. Desde o início viral, ainda adolescente, sua trajetória foi marcada por tentativas de se desvincular da imagem de fenômeno da internet e se afirmar como artista completa. </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/0Q0rJ81u7O4EFCpqkcwJJ2?si=GFHAZ7AFQVqmnlsBs-h19A"><i><span style="font-weight: 400;">Silence Between Songs</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2023) já indicava uma virada mais autoral e confessional; entretanto, ainda soava como um álbum de transição. Com </span><i><span style="font-weight: 400;">locket</span></i><span style="font-weight: 400;">, Beer finalmente parece entender que maturidade artística não é apenas cantar sobre dor, é organizá-la em uma narrativa coesa. O disco surge como um ponto de consolidação, em que a vulnerabilidade é uma forma de linguagem.</span></p>
<p><span id="more-37456"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa busca por uma estética própria aproxima a cantora de carreiras como as de </span><a href="https://personaunesp.com.br/midnight-sun-critica/"><span style="font-weight: 400;">Zara Larsson</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/mans-best-friend-reune-o-melhor-de-sabrina-carpenter-humor-acido-tensao-sexual-e-melancolia/"><span style="font-weight: 400;">Sabrina Carpenter</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ambas passaram anos orbitando </span><i><span style="font-weight: 400;">hits </span></i><span style="font-weight: 400;">esporádicos até compreenderem que sucesso duradouro nasce quando imagem, som e discurso se alinham. Zara encontrou força ao assumir um ritmo mais nostálgico e com </span><i><span style="font-weight: 400;">vibe </span></i><span style="font-weight: 400;">de verão. Já Carpenter deslanchou quando abraçou ironia, sensualidade e bagagem pessoal sem medo do julgamento. Madison, em </span><i><span style="font-weight: 400;">locket</span></i><span style="font-weight: 400;">, faz movimento semelhante ao entender que sua marca está no íntimo, no frágil e no desconfortável. A produção não tenta competir com tendências de </span><i><span style="font-weight: 400;">TikTok </span></i><span style="font-weight: 400;">ou refrões fáceis, ele constrói atmosfera. É o momento em que a artista para de perguntar quem deveria ser e começa a mostrar quem é.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe title="Madison Beer - yes baby (Official Music Video)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/iFmNWm60bjA?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">O disco se apresenta como um álbum de término, mas escapa do óbvio ao transformar a separação em um relicário emocional – um espaço onde cada faixa guarda fragmentos de memória, padrões e feridas recorrentes. Logo na abertura, </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/7jTivrWVYkjTXUS9DnUOfK?si=02e0ffd7143b4b89"><i><span style="font-weight: 400;">locket theme</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">estabelece esse tom íntimo, quase etéreo, como se Madison convidasse o ouvinte a ‘abrir’ esse pingente simbólico e encarar o que foi guardado ali dentro. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse gesto inicial se desdobra em </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/01aNqddaggrPJYUIdRApRD?si=e77f2133f0634809"><i><span style="font-weight: 400;">bad enough</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, onde a artista mergulha na dependência afetiva com uma honestidade desconfortável – quando ela admite aceitar migalhas afetivas, há uma sensação implícita em vários trechos, como em: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Taken, but it&#8217;s holding me back and I feel kind of bad about that, but I don&#8217;t wanna be alone” </span></i><span style="font-weight: 400;">(“Estou comprometida, mas isso está me atrapalhando e me sinto meio mal por isso, mas não quero ficar sozinha”). A repetição emotiva presente na canção reforça justamente essa estagnação, já que em vez de dramatizar a toxicidade, a produção retrata a autossabotagem de forma íntima, mostrando como a carência sentimental faz relações insuficientes parecerem mais suportáveis do que a solidão. Isso sintetiza o conflito central da produção. Aqui, </span><a href="https://personaunesp.com.br/life-support-critica/"><span style="font-weight: 400;">Madison Beer</span></a><span style="font-weight: 400;"> não romantiza a dor; ela a disseca, expondo o apego ao que machuca como algo mais suportável do que o vazio de ir embora.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse olhar se aprofunda em </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/3jYZFB7ohoWPuZ5wLhZkuk?si=f9054cca83d94ba3"><i><span style="font-weight: 400;">healthy habits</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, onde a fragilidade emocional se conecta diretamente com ansiedade e autossabotagem. A canção ecoa a vulnerabilidade introspectiva que </span><a href="https://personaunesp.com.br/ha-5-anos-taylor-swift-transformava-isolamento-em-enredo-e-silencio-em-poesia-com-folklore/"><span style="font-weight: 400;">Taylor Swift</span></a><span style="font-weight: 400;"> apresenta em faixas como </span><i><span style="font-weight: 400;">The Archer </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">mirrorball</span></i><span style="font-weight: 400;">, especialmente quando Beer canta sobre o esforço constante de parecer bem enquanto tudo desmorona. Já em </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/13T1nG7nwaoF8EUUwAQnlp?si=1c81611f862e4274"><i><span style="font-weight: 400;">you’re still everything</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o álbum atinge um de seus pontos mais sufocantes: a perda total de identidade dentro de um relacionamento. A sensação de insuficiência permeia a faixa, como se a própria existência dependesse do outro, reforçando a ideia de que o fim não é apenas amoroso, mas também psicológico.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe title="Madison Beer - bad enough (Official Music Video)" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/07SeT_QSJ08?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Musicalmente, </span><i><span style="font-weight: 400;">locket</span></i><span style="font-weight: 400;"> funciona como um mosaico coeso de referências do </span><i><span style="font-weight: 400;">pop </span></i><span style="font-weight: 400;">contemporâneo sem perder identidade própria. Há ecos da delicadeza vocal de </span><a href="https://personaunesp.com.br/eternal-sunshine-critica/"><span style="font-weight: 400;">Ariana Grande</span></a><span style="font-weight: 400;"> nas harmonias suaves e nos vocais quase sussurrados, usados para transformar fragilidade em textura sonora. Já a influência de </span><a href="https://personaunesp.com.br/hit-me-hard-and-soft-critica/"><span style="font-weight: 400;">Billie Eilish</span></a><span style="font-weight: 400;"> aparece na atmosfera claustrofóbica: silêncios, graves abafados e distorções criam a sensação de ansiedade constante. A teatralidade sensível de </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-rise-and-fall-of-a-midwest-princess-critica/"><span style="font-weight: 400;">Chappell Roan</span></a><span style="font-weight: 400;"> surge nos contrastes entre contenção e explosão, intensificando o drama das relações retratadas. Em </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/4YMsS8OqXICdQXF5HNUxFq?si=ea3a332b15854926"><i><span style="font-weight: 400;">make you mine</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, tudo isso se encontra em uma produção sedutora que acompanha a obsessão inicial da narrativa, fazendo o álbum soar como um fluxo contínuo de pensamentos e emoções.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse curso encontra um ponto de virada em </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/6vDVu9IM9s8L8XMQ1c1Yti?si=b3952da0cc584eab"><i><span style="font-weight: 400;">bittersweet</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, onde Beer começa a ensaiar um rompimento emocional. O sentimento agridoce da faixa – algo como </span><i><span style="font-weight: 400;">“Now that it&#8217;s over, you&#8217;ll blame it all on me. I know I should be bitter, but baby, right now I&#8217;m bittersweet”</span></i><span style="font-weight: 400;"> (“Agora que acabou, você vai colocar toda a culpa em mim. Eu sei que deveria estar amargurada, mas, meu bem, agora estou agridoce”) – traduz o conflito entre alívio e luto. Em </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/7zyYU4vIzdgs4wNTOpwKfA?si=eae1c9aee1ed40bd"><i><span style="font-weight: 400;">complexity</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, essa virada se transforma em autoanálise: a artista reconhece padrões, questiona suas escolhas e aponta para a necessidade de amor próprio antes de qualquer nova relação. Ainda assim, não há soluções fáceis.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Madison Beer - bittersweet (Official Music Video)" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/YcpMVsvK8pk?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">O encerramento com </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/1DzjKKWbPIOo2afjAufLNi?si=ea5f23db811c464f"><i><span style="font-weight: 400;">nothing at all</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> mantém essa coerência ao recusar um final redentor. A música abraça o vazio do pós-término, sugerindo um silêncio carregado de incerteza –</span><i><span style="font-weight: 400;"> “I&#8217;m comfortable, I&#8217;m okay, I&#8217;m not that miserable. I&#8217;m somewhere in the middle of it all. I honestly just don&#8217;t wanna spend my energy, fixing all these broken things” </span></i><span style="font-weight: 400;">(“Estou confortável, estou bem, não estou tão infeliz assim. Estou mais ou menos no meio disso tudo. Sinceramente, só não quero gastar minha energia consertando todas essas coisas quebradas”) sintetiza o medo, a letargia sentimental e a inevitabilidade do fim.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além da construção sonora, </span><a href="https://rollingstone.com.br/musica/madison-beer-esta-pronta-para-voltar-ao-pop/"><span style="font-weight: 400;">a obra também se expande visualmente</span></a><span style="font-weight: 400;">. O videoclipe de </span><i><span style="font-weight: 400;">make you mine</span></i><span style="font-weight: 400;"> mistura a estética colegial com elementos de </span><i><span style="font-weight: 400;">slasher </span></i><span style="font-weight: 400;">para transformar a paixão obsessiva em algo quase ameaçador: os corredores, os enquadramentos escuros e a atmosfera de perseguição sugerem que o romance já nasce contaminado pela dependência emocional. A sedução deixa de parecer inocente e passa a carregar tensão constante, como se o perigo estivesse escondido dentro da própria idealização amorosa. Já </span><i><span style="font-weight: 400;">bittersweet</span></i><span style="font-weight: 400;"> aposta em alegorias e sátiras midiáticas para representar o desgaste do relacionamento. O excesso visual, a artificialidade das cenas e o tom performático reforçam a ideia de que o amor também pode virar espetáculo – algo consumido, encenado e romantizado até perder autenticidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No fim, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=8v_JMG_NMHM"><i><span style="font-weight: 400;">locket</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não busca oferecer catarse ou superação imediata. Madison Beer transforma carência afetiva, ansiedade e autossabotagem em eixo narrativo, criando um álbum que entende a paixão tóxica não como exceção dramática, mas como um ciclo silencioso de apego, medo e desgaste psicológico. Ao unir produção atmosférica, letras confessionais e uma identidade visual cuidadosamente construída, a artista consolida sua fase mais madura até aqui. Mais do que reinventar o </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">, Beer encontra força justamente na honestidade emocional – fazendo da obra um retrato íntimo de tudo aquilo que permanece preso mesmo depois do fim.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: locket" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/766kQKYQvONQk339t5payy?si=sfVqE2QuTkCejO2V177mUQ&amp;utm_source=oembed"></iframe></p>
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