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	<title>Arquivos Sibil Fox Rich &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Time: tudo pode mudar em vinte anos e nada pode mudar em duzentos deles</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Mar 2021 20:01:15 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Raquel Dutra “Não haverá, nos Estados Unidos ou em qualquer lugar sujeito à sua jurisdição, nem escravidão, nem trabalhos forçados”, diz a 13ª Emenda à Constituição dos Estados Unidos, que ‘aboliu’ a escravidão no país em 1865. Um dos maiores marcos da Terra da Liberdade, no entanto, guardou uma ressalva em seu texto, definindo logo &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/time-documentario-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Time: tudo pode mudar em vinte anos e nada pode mudar em duzentos deles"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_19356" aria-describedby="caption-attachment-19356" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-large wp-image-19356" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Time-1024x576.jpg" alt="Imagem do filme Time. A imagem apresenta um porta-retrato de uma familía repousado em uma mesa inclinado levemente para a diagonal. No porta retrato, na vertical, está a foto de parte da família. Ao centro da fotografia, está a mãe, Fox Rich, uma mulher negra de cabelos cacheados que usa um lenço no pescoço. Ao redor dela, atrás e em cima e na frente e embaixo, estão quatro filhos, todos entre 10 e 6 anos negros. Os que estão atrás dela são os mais velhos, e os que estão na frente são os mais novos. Todos sorriem e posam para a câmera. A moldura do porta-retrato é simples, sem decorações trabalhadas, e branca. A imagem está toda em preto e branco." width="840" height="473" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Time-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Time-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Time-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Time-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Time.jpg 1366w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19356" class="wp-caption-text">Time, filme realizado em parceria com o jornal The New York Times, debate os impactos do encarceramento em massa e pauta o abolicionismo penal na categoria de Melhor Documentário do Oscar 2021 (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Raquel Dutra</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Não haverá, nos Estados Unidos ou em qualquer lugar sujeito à sua jurisdição, nem escravidão, nem trabalhos forçados”</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><span style="font-weight: 400;">diz a 13ª Emenda à Constituição dos Estados Unidos, que ‘aboliu’ a escravidão no país em 1865. Um dos maiores marcos da </span><a href="https://outraspalavras.net/outrasmidias/estados-unidos-terra-da-liberdade/"><span style="font-weight: 400;">Terra da Liberdade</span></a><span style="font-weight: 400;">, no entanto, guardou uma ressalva em seu texto, definindo logo em seguida que</span><i><span style="font-weight: 400;"> “os devidamente condenados por um crime</span></i><span style="font-weight: 400;">” eram a sua exceção, criando em si mesma uma condição que permitia a prática do que acabava de extinguir. A conclusão da premissa da Emenda é literal e simples: quando você é condenado, você se torna um escravo do Estado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não à toa, o termo que se usa para definir a quem luta pelo fim do sistema carcarário vigente é o mesmo que se usava para se referir a quem lutava pelo fim da escravidão. </span><span style="font-weight: 400;">A longo prazo, o que o governo de Abraham Lincoln fez com o que deveria ser um avanço na garantia do direito à liberdade, à vida e à igualdade foi permitir o desencadear de um fenômeno social denominado por estudiosos como o </span><a href="https://quilomboinvisivel.com/2020/08/29/industria-carceraria-a-escravidao-no-capitalismo-moderno-parte-1-eua/"><span style="font-weight: 400;">sistema escravista moderno</span></a><span style="font-weight: 400;">. No país que abriga 5% da população mundial, está </span><a href="https://www.conjur.com.br/2011-jul-27/sistema-penitenciario-americano-pressionado-desrespeitar-direitos"><span style="font-weight: 400;">25% da população carcerária do planeta</span></a><span style="font-weight: 400;">. Assim, a cada quatro presidiários ao redor do mundo, um está encarcerado nos Estados Unidos. Como diz sua própria lei, essas são <a href="https://www.youtube.com/watch?v=wkjtAAUmjPY">as pessoas submetidas à escravidão no século 21</a>, e essa é a provocação de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kq6Hh07oLvs"><i><span style="font-weight: 400;">Time</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-19355"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O tema já é conhecido nos debates provocados pelo Cinema. A estrutura de servidão que se fundamenta no sistema prisional dos Estados Unidos foi desenhada por </span><a href="https://www.netflix.com/br/title/80091741"><i><span style="font-weight: 400;">A 13ª Terceira Emenda</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">13th</span></i><span style="font-weight: 400;">, no original, de 2016) e alastrada pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">mainstream</span></i><span style="font-weight: 400;"> com o seu reconhecimento no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2017. Cinco anos depois e numa estrutura narrativa oposta e complementar à obra precursora, </span><i><span style="font-weight: 400;">Time</span></i><span style="font-weight: 400;"> volta a clamar por atenção e resolução para uma das situações mais urgentes da América através da Sétima Arte, mais uma vez com um reconhecimento considerável da elite cultural norte-americana.</span></p>
<figure id="attachment_19357" aria-describedby="caption-attachment-19357" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-19357 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/timee-scaled.jpg" alt="Imagem do filme Time. A fotografia é horizontal e em preto e branco, e registra a família Rich, foco da narrativa do documentário, se dirigindo à um evento. Eles estão caminhando pela rua. Ao fundo existe um prédio de tijolinhos e árvores secas. A família está caminhando junta em direção ao lado esquerdo da imagem, de perfil. Fox Rich, a mãe, está ao centro, vestindo um vestido branco e cabelos presos num rabo de cavalo. Os filhos vestem roupas formais, ternos e camisas sociais. " width="2560" height="1349" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/timee-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/timee-300x158.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/timee-1024x540.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/timee-768x405.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/timee-1536x809.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/timee-2048x1079.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/timee-1200x632.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19357" class="wp-caption-text">Dados do Departamento de Justiça dos EUA trazidos em A 13ª Emenda apontam que homens negros (6,5% da população do país) são 40% da população prisional, integrando um índice que atualmente tem mais pessoas negras sobre supervisão criminal do que escravos no meio do século 18 (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O diálogo com o documentário de <a href="https://institutodecinema.com.br/mais/conteudo/mulheres-no-cinema-ava-duvernay">Ava DuVernay </a></span><span style="font-weight: 400;">é direto e integra</span><span style="font-weight: 400;"> o raciocínio proposto pela cineasta em 2016. Enquanto </span><i><span style="font-weight: 400;">A 13ª Emenda</span></i><span style="font-weight: 400;"> retoma a história dos Estados Unidos para construir um debate completo, profissional, profundo e teórico &#8211; ótimo, inclusive, para quem quiser compreender a fundo a história dos direitos civis norte-americanos, tema comum em algumas das principais produções dessa temporada (como </span><a href="https://personaunesp.com.br/judas-e-o-messias-negro-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Judas e o Messias Negro</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=USi-ppCfxEA">Estados Unidos vs. Billie Holiday</a>, </span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=23qQ1GzV2fo"><i><span style="font-weight: 400;">Uma Noite em Miami…</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-7-de-chicago-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Os 7 de Chicago</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) -, </span><i><span style="font-weight: 400;">Time</span></i><span style="font-weight: 400;"> se volta para o micro, no retrato que a diretora <a href="https://www.imdb.com/name/nm3797834/">Garrett Bradley</a> captura de vidas atravessadas pela política do encarceramento em massa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aqui, estamos dentro da <a href="http://www.foxandrob.com/">família Richardson</a>, iniciada através daquele casal do Ensino Médio completamente apaixonado e sonhador que prioriza seu amor acima de tudo. Tão logo como eles juntam os sobrenomes e frutificam a árvore genealógica, surgem os desafios da vida que começam a tirar as coisas do eixo, mostrando que o </span><a href="https://personaunesp.com.br/nomadland-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">sonho americano</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não é pra todo mundo e transformando medidas desesperadas que normalmente seriam inimagináveis como uma &#8211; e talvez a única &#8211; opção. Então, numa tentativa de assalto a um banco, a matriarca Sibil Fox Rich e seu amado Robert Rich são pegos. Ela, pilotando o carro de fuga, é condenada a 3 anos e meio de detenção enquanto grávida de gêmeos. Ele, liderando a ação que não teve desdobramentos violentos, deve 60 anos severos à justiça, inicialmente sem direito à condicional ou redução de pena. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Só que essa situação não é contextualizada ao pé da letra nos primeiros minutos. O que se vê na abertura do documentário (<a href="https://www.amazon.com/Time-Fox-Rich/dp/B08J7DDGJY">disponível</a> no <em>Amazon Prime Video</em>) são gravações curtas, caseiras e íntimas de uma mulher apaixonada e desolada que registra os momentos de sua família para um dia mostrá-los à quem a formou junto dela, que não está presente. Até que ela acaricia e divide com a câmera o ventre que abriga dois bebês, solenemente apresentados como </span><a href="https://www.gramatica.net.br/origem-das-palavras/etimologia-de-justica/"><span style="font-weight: 400;">Justus</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://pt.duolingo.com/dictionary/English/freedom/cff21c2fe1e74e766d2e004682553e36"><span style="font-weight: 400;">Freedom</span></a><span style="font-weight: 400;">, e revela a condição de sua família. Ali, no detalhe, </span><i><span style="font-weight: 400;">Time</span></i><span style="font-weight: 400;"> revela a que veio, colocando-nos diante de uma história sobre um amor radical, uma urgência de justiça e uma promessa de liberdade.</span></p>
<figure id="attachment_19358" aria-describedby="caption-attachment-19358" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-19358 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/time-1.jpg" alt="Imagem do Filme Time. A imagem apresenta apenas o rosto de Fox Rich através de um espelho. Ela está se observando, com uma expressão alerta e séria. Ela é uma mulher negra, usa maquiagem no contorno dos olhos e seus cabelos estão alisados. No lado esquerdo da imagem, a moldura do espelho corta o reflexo de seu rosto. A imagem está em preto e branco." width="1600" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/time-1.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/time-1-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/time-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/time-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/time-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/time-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19358" class="wp-caption-text">“Nós pensamos na magnitude das pessoas que estão encarceradas mas não temos nenhum exemplo visual de como é isso. Estamos lidando com uma comunidade invisível. De certa forma, a única maneira de testemunharmos sua experiência é por meio das pessoas que estão de fora”, disse a diretora do filme em <a href="https://deadline.com/2021/01/time-documentary-garrett-bradley-interview-fox-rich-amazon-contenders-1234670492/">entrevista</a> (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O centro de tudo é <a href="https://www.instagram.com/foxandrob/">Fox Rich</a>, que conduz a narrativa, gerencia e mantém a família, luta pela liberdade de seu marido e é a principal colaboradora de </span><i><span style="font-weight: 400;">Time</span></i><span style="font-weight: 400;">, que de início, seria apenas um curta sobre a história de sua família. A ideia se transformou quando Rich apresentou à Bradley um</span><span style="font-weight: 400;"> material de 100 horas de vídeos caseiros que ela havia gravado nos últimos 18 anos como forma de dividir seus momentos com os filhos com o seu marido encarcerado.</span><span style="font-weight: 400;"> Reconhecendo a riqueza sentimental e subjetiva da história registrada dos Richardson, a jovem diretora mergulhou no passado e presente da família para debater os impactos do <a href="https://www.youtube.com/watch?v=-TU5iLbUcBw">encarceramento em massa</a> e pautar uma discussão sobre o <a href="https://www.youtube.com/watch?v=eMM0mETFyJ0">abolicionismo penal</a>.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O poder de </span><i><span style="font-weight: 400;">Time</span></i><span style="font-weight: 400;">, aliás, está exatamente na mistura borrada do tempo, livre de qualquer progressão linear. Primeiro, vê-se as crianças brincando em parque de diversões, depois, elas estão se formando na faculdade, depois, estão de volta à infância indo para o primeiro dia na escola, e depois, são adultos acompanhando o dia a dia agitado da mãe no negócio da família. Em qualquer um dos momentos, o pai não está. O </span><i><span style="font-weight: 400;">tempo</span></i><span style="font-weight: 400;"> é distorcido, incerto, sugado pelo buraco negro da ausência, intensificado pela dor da injustiça perversa e pela energia drenada para a resistência na luta pela liberdade, sempre acompanhado pela tremulação do arrependimento e pelos silêncios oferecidos à quem espera anos por respostas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E quando o nosso entendimento ameaça cair em algo romantizado, estagnado numa admiração ao poder e à força do amor e adorador de um arco de redenção, </span><i><span style="font-weight: 400;">Time</span></i><span style="font-weight: 400;"> calibra sua mensagem na voz firme e desperta de sua principal figura através dos termos &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">pessoas pobres</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8220;, &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">pessoas de cor</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8221; e “</span><i><span style="font-weight: 400;">pessoas brancas</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Logo, Fox (e às vezes sua mãe implacável) dá nome aos bois com a expressão </span><i><span style="font-weight: 400;">“sistema moderno de escravidão</span></i><span style="font-weight: 400;">” no meio de suas narrações em <em>off</em> ou nas palestras que ela ministra enquanto ativista abolicionista, assistidas majoritariamente por outras mulheres negras e pelas lentes observativas de </span>Zac Manuel, Justin Zweifach e Nisa East. Com p<span style="font-weight: 400;">lena consciência de seus atos e das consequências deles para todos ao seu redor, ela também entende muito bem o seu contexto, dominado por estruturas de poder que fizeram dela e sua família uma demonstração do <a href="https://www.geledes.org.br/e-essa-cara-de-pobre-minha-filha-e-pra-te-olhar-melhor/">classismo</a> e <a href="https://www.geledes.org.br/racismo-institucional-o-ato-silencioso-que-distingue-as-racas/">racismo institucional</a>.</span></p>
<figure id="attachment_19359" aria-describedby="caption-attachment-19359" style="width: 1353px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19359 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/time-documentary-documentario-oscar2021.png" alt="Imagem do filme Time. A fotografia mostra Sibil Fox Rich e Robert Rich jovens dentro de um carro. Sibil é uma mulher negra, seus cabelos estão presos com uma presilha, ela usa uma camiseta branca e brincos de argola e se vira de lado para beijar Robert, seu esposo. Ele, um homem negro de cabelos raspados, usa uma camiseta escura, e retribui o beijo de Sibil, olhando para a câmera, que está posicionada na altura do para-brisa do carro. A foto é em preto e branco." width="1353" height="773" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/time-documentary-documentario-oscar2021.png 1353w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/time-documentary-documentario-oscar2021-300x171.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/time-documentary-documentario-oscar2021-1024x585.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/time-documentary-documentario-oscar2021-768x439.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/time-documentary-documentario-oscar2021-1200x686.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19359" class="wp-caption-text">O simbolismo da história é tremendo: Robert Rich ficou detido numa prisão de segurança máxima no estado de Louisiana, a maior dos EUA, conhecida popularmente como “Angola”, em referência ao país de origem de muitos dos escravos que trabalharam na região (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com uma temática densa nas mãos, a direção de Garrett Bradley &#8211; premiada no Festival de Cinema de </span><i><span style="font-weight: 400;">Sundance</span></i><span style="font-weight: 400;">, onde também concorreu ao Grande Prêmio do Júri antes de passar pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">Critics Choice Documentary Awards, Independent Spirit Awards</span></i><span style="font-weight: 400;"> até chegar na <a href="https://www.termometrooscar.com/melhor-documentaacuterio.html">seleção diversificada</a> dos Melhores Documentários do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2021</span></a> <span style="font-weight: 400;">&#8211; vai pelo caminho oposto ao da criminalização para alcançar uma linguagem poderosa de humanização. </span><i><span style="font-weight: 400;">Time</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma obra de escuta &#8211; tanto pelo verbal quanto pelo não-verbal, tanto para quem o fez quanto para quem o acompanha. Tocar nesse assunto é incitar polêmicas e opiniões inflamadas e</span><span style="font-weight: 400;"> todo filme demonstra saber disso. Então, ele conta com a abertura de quem o assiste, que esteja disposto a ir até ele </span><span style="font-weight: 400;">sem preconceitos, permitindo-se desmontar e bagunçar suas noções morais para <a href="https://www.aosfatos.org/noticias/cinco-fatos-sobre-o-sistema-prisional-brasileiro/">enxergar e compreender uma realidade</a> que <a href="https://www.justificando.com/2019/05/30/entendendo-o-basico-para-opinar-sobre-a-crise-no-sistema-penitenciario-brasileiro/">não é distante de nós</a> como pode parecer.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme faz isso através de uma montagem e roteirização atenta, calma e compassiva, e de uma fotografia que procura pelos olhos de seus personagens, olha devagar e observa todos os detalhes. Nessa direção, cria-se também </span><span style="font-weight: 400;">um contraste estético inteligentíssimo: os registros antigos de Rich são repletos de texturas, mas as imagens do presente são chapadas, um tanto esmaecidas e etéreas, casadas na ausência de cor preenchida pelos tons de preto e branco. Ao contrário do que se esperaria de uma obra que retrata o passar do tempo, <i>Time</i> não deixa suas marcas visíveis objetivamente, forçando-nos a ouvir e observar com atenção. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa é a forma que </span><em><span style="font-weight: 400;">Time </span></em><span style="font-weight: 400;">encontra para dizer que</span><span style="font-weight: 400;"> não busca explicações, justificativas ou dicotomias morais. O filme não sangra a ferida do arrependimento, não espetaculariza, não alarma nem discute a legitimidade do crime ou da punição. O apontamento desses aspectos fica de fora da tela, exaustivamente julgados pela sociedade que, em contrapartida, não parecem ser importantes nem mesmo para a própria justiça, que aparelhada e viciada, tem uma outra finalidade no lugar de ser de fato justa. O que ocorre é um gesto de devolver o olhar humano para pessoas que só são vistas atrás das grades, quando não como apenas números, destacando sua existência para além de estereótipos e retratos rasos.</span></p>
<figure id="attachment_19363" aria-describedby="caption-attachment-19363" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19363" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/cineclube-1024x676.png" alt="Imagem do filme Time. A fotografia mostra um homem, negro e de cabelos curtos usando uma camisa, de costas e segurando um bebê. A imagem está em preto e branco." width="1200" height="792" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/cineclube-1024x676.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/cineclube-300x198.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/cineclube-768x507.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/cineclube-1200x792.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/cineclube.png 1513w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19363" class="wp-caption-text">“Uma justiça tardia é uma justiça negada” (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A delicadeza de </span><i><span style="font-weight: 400;">Time</span></i><span style="font-weight: 400;">, entretanto, não o faz ser algo menos firme, preciso ou seguro, vide a forma como ele escolhe suas palavras e nomeia seus objetos: a vivência da família fala sobre um sistema organizado, não só de uma ação dentre muitas outras <a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-36429539">sintomáticas de uma sociedade desigual</a>. A intenção da diretora (que também assina a produção junto de </span>Kellen Quinn e Lauren Domino) segue sua identidade de<span style="font-weight: 400;"> investigar em suas obras as tramas que compõem o tecido social norte-americano: entender as dinâmicas por trás do sistema prisional, que comprometem muito além da vida de quem é preso, e alertar para os seus efeitos de marginalização de populações específicas e propagação de estruturas de poder.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao fim, surge o óbvio: muito se reflete sobre o tempo em <em>Time</em>. Uma família que tem uma relação tão complexa com ele apresenta visões otimistas e pessimistas, esperançosas e revoltadas, age diante dele de muitas formas diferentes. “</span><i><span style="font-weight: 400;">O tempo é o que você faz dele</span></i><span style="font-weight: 400;">”, conclui um dos filhos em um dado momento, antes da luta de duas décadas encontrar sua resolução. Para eles, tempo é vida, tempo é resistir, tempo é esperança e também decepção. E a vida não acaba, a luta não acaba, o amor não acaba, o tempo não acaba. Dentre todos os devaneios filosóficos que podem surgir da sutileza do filme, a </span><span style="font-weight: 400;">reflexão sobre o tempo entre os 20 anos mais severos da história da família Richardson se transforma em algo dialógico à toda a história dos últimos 200 anos na América: iniciados com uma promessa de liberdade e inseridos num tempo que muda vidas em anos, dias e até minutos, mas que também é parte de um sistema que não mudou em dois séculos.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="TIME – Official Trailer | Prime Video" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/kq6Hh07oLvs?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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