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	<title>Arquivos Shakespeare &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Hamnet: A Vida Antes de Hamlet transforma o luto em experiência coletiva</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Mar 2026 13:00:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Mendes Lidar com o luto é uma tarefa inegavelmente complicada. A dor parece eterna e, mesmo quando diminui, deixa um rastro de sofrimento e memórias em cada vida que toca. Em muitos casos, recorrer à arte para expressar e aliviar o sentimento se mostra efetivo durante o processo de aceitação e vivência de cada &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/hamnet-a-vida-antes-de-hamlet-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Hamnet: A Vida Antes de Hamlet transforma o luto em experiência coletiva"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_37041" aria-describedby="caption-attachment-37041" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-37041" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed1-800x450.jpg" alt="Uma paisagem está no plano superior. Uma mulher de cabelos castanhos e usando um vestido vermelho está deitada em posição fetal no chão de uma floresta. Ao redor dela, há raízes expostas, folhas secas e vegetação. A paisagem está em tons terrosos." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed1-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed1.jpg 1600w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37041" class="wp-caption-text">“O coração dos nossos filhos bate. Eles sorriem, brincam. Nunca se esqueça por um instante que eles podem partir” (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Mendes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lidar com o </span><a href="https://www.psychologytoday.com/us/blog/the-ones-we-love/202407/grief-its-whats-on-tv"><span style="font-weight: 400;">luto</span></a><span style="font-weight: 400;"> é uma tarefa inegavelmente complicada. A dor parece eterna e, mesmo quando diminui, deixa um rastro de sofrimento e memórias em cada vida que toca. Em muitos casos, recorrer à </span><a href="https://cortel.com.br/o-luto-na-historia-da-arte/"><span style="font-weight: 400;">arte</span></a><span style="font-weight: 400;"> para expressar e aliviar o sentimento se mostra efetivo durante o processo de aceitação e vivência de cada fase. O pesar não tem a intenção de se encaixar. Ele chega como um fenômeno natural, sem previsão de fim. Ainda assim, o cotidiano não espera que a angústia passe ou que seja sentida para continuar. </span><i><span style="font-weight: 400;">Hamnet: A Vida Antes de Hamlet</span></i><span style="font-weight: 400;"> retrata o luto como um personagem que predomina e avassala toda a narrativa.</span></p>
<p><span id="more-37040"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inspirado no romance de </span><a href="https://www.theguardian.com/books/2020/mar/22/maggie-ofarrell-novel-hamnet-interview-the-agony-of-burying-your-child"><span style="font-weight: 400;">Maggie O’Farrell</span></a><span style="font-weight: 400;">, o drama acompanha Agnes (Jessie Buckley), uma curandeira, e William (Paul Mescal), um escritor frustrado que luta para pagar as dívidas da casa. Agnes é um espírito livre e, assim como as demais mulheres de sua família, é vista por muitos como uma </span><a href="https://revistagalileu.globo.com/sociedade/historia/noticia/2023/09/por-que-mulheres-eram-julgadas-bruxas-nos-seculos-16-e-17-estudo-explica.ghtml"><span style="font-weight: 400;">bruxa</span></a><span style="font-weight: 400;"> da floresta por sua relação peculiar com a natureza. Os jovens se conhecem e imediatamente são atraídos um pelo outro, resultando em um casamento e em uma gravidez quase imediata. Com o amor florescendo, Agnes incentiva William a ir para Londres trabalhar com a comunidade teatral. Contudo, apesar da felicidade aparente, o casal deve enfrentar uma tragédia que coloca seu vínculo em risco. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando </span><a href="https://super.abril.com.br/ciencia/o-mundo-no-tempo-das-pestes/"><span style="font-weight: 400;">pragas</span></a><span style="font-weight: 400;"> assolam a Europa do século XVI, o filho, Hamnet (Jacobi Jupe), de 11 anos, contrai uma delas e morre em agonia nos braços da mãe. Os cônjuges, mergulhados em um luto profundo, têm dificuldades para processar a perda e a vida depois de Hamnet. Com o escritor viajando, a curandeira precisa cuidar das filhas e da casa, enquanto tenta suportar a própria dor de ter visto o filho morrer em seus braços sem o poder de mudar o seu destino. Entre previsões de um futuro incerto e premonições simbólicas, tanto do marido em Londres quanto da esposa em Stratford, a cura e a inevitabilidade dos acontecimentos caminham juntas rumo a uma tragédia que marca a </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/as-verdades-e-mitos-da-vida-intima-de-shakespeare-revelados-no-filme-hamnet/"><span style="font-weight: 400;">história</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_37042" aria-describedby="caption-attachment-37042" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-37042" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed2-800x450.jpg" alt="Uma multidão vestida com roupas típicas do século XVI é vista pelo plano superior. Elas estão reunidas ao redor de um espaço de madeira. Todas esticam as mãos em direção a um homem, vestido de azul, no centro da imagem, em cima de uma estrutura de madeira. O homem também estica os braços em direção a multidão." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed2-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed2-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed2.jpg 1600w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37042" class="wp-caption-text">O drama acumula dezenas de prêmio e 8 indicações ao Oscar 2026, incluindo Melhor Filme e Melhor Roteiro (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar da relação direta com </span><i><span style="font-weight: 400;">Hamlet</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1623), famosa obra de </span><a href="https://youtu.be/HUHEPo_g0AQ?si=Kt4golAHCAFU-ukW"><span style="font-weight: 400;">Shakespeare</span></a><span style="font-weight: 400;">, é evidente que o protagonismo pertence à Agnes, baseada em </span><a href="https://www.shakespeare.org.uk/explore-shakespeare/shakespedia/william-shakespeare/william-shakespeares-family/anne-hathaway/"><span style="font-weight: 400;">Anne Hathaway</span></a><span style="font-weight: 400;">, esposa do dramaturgo. Sua trajetória tocante e sua personalidade única estabelecem uma conexão imediata com o espectador, destacando uma figura historicamente negligenciada e apagada. Trechos famosos do poeta são integrados à narrativa, mantendo a riqueza de detalhes e referências. Sob a direção de </span><a href="https://personaunesp.com.br/nomadland-critica/"><span style="font-weight: 400;">Chloé Zhao</span></a><span style="font-weight: 400;">, cineasta premiada, a obra reúne produtores altamente reconhecidos pela crítica como </span><a href="https://personaunesp.com.br/amor-sublime-amor-critica/"><span style="font-weight: 400;">Steven Spielberg</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://farofageek.com.br/filmes/1917-como-o-longa-de-sam-mendes-foi-filmado/"><span style="font-weight: 400;">Sam Mendes</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.screendaily.com/news/hamnet-producer-liza-marshall-to-join-screen-summit-building-on-the-uks-global-success/5209050.article"><span style="font-weight: 400;">Liza Marshall</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama explora as relações pessoais complexas e os desafios ao seguir sonhos em um </span><a href="https://youtu.be/5Khp_i66eP8?si=08Vz8KYjCIKirAnK"><span style="font-weight: 400;">contexto social</span></a><span style="font-weight: 400;"> limitante. Acompanhar Agnes, William e suas famílias a partir de uma abordagem íntima e natural é uma experiência tão intensa quanto a floresta que circunda a pequena vila onde vivem. Com as mudanças que atravessam a rotina do grupo, cada decisão reverbera intensamente. A </span><a href="https://glamour.globo.com/entretenimento/filmes-e-series/noticia/2025/08/gente-como-a-gente-uma-lista-de-filmes-sobre-pessoas-comuns-para-assistir.ghtml"><span style="font-weight: 400;">vida doméstica</span></a><span style="font-weight: 400;"> e o luto influenciam diretamente Will em suas produções artísticas, que, mais tarde, inspiram a criação da trágica peça Hamlet.</span></p>
<figure id="attachment_37043" aria-describedby="caption-attachment-37043" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-37043" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed3-800x428.jpg" alt="Uma multidão está concentrada diante de uma estrutura de madeira. No centro, uma mulher de cabelos castanhos e vestido vermelho estende a mão em direção a um homem fora de cena. Sua expressão revela concentração e envolvimento emocional. Ao redor, as pessoas observam com atenção. Seus rostos revelam sentimentos variados a respeito do homem. Todos utilizam roupas típicas do século XVI." width="800" height="428" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed3-800x428.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed3-1024x548.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed3-768x411.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed3-1200x643.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed3.jpg 1320w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37043" class="wp-caption-text">Para escrever Hamnet (2020), Maggie O’Farrell realizou pesquisas teóricas e práticas, incluindo plantar seu próprio jardim medicinal elizabetano (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O isolamento, a recusa em seguir adiante e o apego à própria dor surgem como respostas válidas e humanas. As explosões emocionais que surgem da repressão do pesar trazem um toque humano e sensível que permeia muito após o fim dos créditos. Nesse sentido, a escolha do elenco se mostra um dos grandes acertos do filme. </span><a href="https://www.elle.com/culture/movies-tv/a69225685/jessie-buckley-elle-women-in-hollywood-interview-2025/"><span style="font-weight: 400;">Jessie Buckley</span></a><span style="font-weight: 400;">, em especial, entrega uma atuação visceral e traduz com precisão a mistura de emoções que definem Agnes. A atriz irlandesa constrói uma personagem dolorosamente real e magnífica. </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-historia-do-som-paul-mescal-e-josh-oconnor-brilham-em-uma-ode-ao-amor-e-a-musica/"><span style="font-weight: 400;">Paul Mescal</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://time.com/7333783/jacobi-jupe-noah-jupe-hamnet-interview/"><span style="font-weight: 400;">Jacobi Jupe</span></a><span style="font-weight: 400;">, como William e Hamnet respectivamente, se destacam e compõem um elenco estável e coeso, que sustenta a narrativa emocional.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo da produção, os elementos históricos, lugares, doenças e culturas, adicionam um tom essencial de realismo. A ambientação de época e trágica se reflete nos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-p9qT4y0M_M"><span style="font-weight: 400;">figurinos</span></a><span style="font-weight: 400;"> assinados por Malgosia Turzanska, figurinista polonesa, que reforçam a ligação de Agnes com a floresta, a intelectualidade de Will e a polaridade entre o casal. O estilo de fotografia de Lukasz Zal, diretor de fotografia, evidencia a carga dramática por meio da </span><a href="https://42filmes.com.br/2025/10/10/iluminacao-no-audiovisual-o-que-a-luz-comunica-em-um-video/"><span style="font-weight: 400;">iluminação</span></a><span style="font-weight: 400;"> ambiente, que aconchega e aproxima o público. Tons naturais, poucas movimentações de câmera e a montagem de </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/oscar-2026-brasileiro-affonso-goncalves-nao-e-indicado-em-melhor-montagem/"><span style="font-weight: 400;">Affonso Gonçalves</span></a><span style="font-weight: 400;">, montador e editor de longas, contribuem para uma atmosfera estável e contemplativa.</span></p>
<figure id="attachment_37044" aria-describedby="caption-attachment-37044" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37044" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed4-800x450.jpg" alt="O ambiente é escuro e rústico, iluminado apenas por uma luz quente. Duas pessoas estão sentadas em uma mesa coberta por papéis e um copo. O homem apoia a cabeça na mesa, enquanto a mulher ao seu lado o abraça, com as mãos em seus cabelos. No fundo escuro, há estruturas de madeira e uma cama." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed4-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed4-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed4.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37044" class="wp-caption-text">A obra foi filmada em vilas e locais históricos da Inglaterra para trazer o olhar temporal proposto (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O enredo familiar é intensificado pela trilha sonora de </span><a href="https://rollingstone.com.br/noticia/como-max-richter-fez-milhares-de-pessoas-dormirem-nos-shows-dele-mas-adorou-cada-minuto-disso-entrevista/"><span style="font-weight: 400;">Max Richter</span></a><span style="font-weight: 400;">, compositor alemão, utilizada de forma estratégica e em sintonia com a fotografia. Juntos, constroem um </span><a href="https://estadodaarte.estadao.com.br/cinema/desafio-narrativa-adrian-martin/"><span style="font-weight: 400;">ritmo calmo</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas não monótono, permitindo que o espectador tenha tempo para se conectar e sentir sem barreiras e expectativas. Ao moldarem o ritmo da narrativa, criam uma experiência que desacelera o olhar, amplia a escuta e potencializa o impacto. Mesmo sem grandes reviravoltas, a obra se destaca por trabalhar a profundidade e complexidade intrínseca ao ser humano.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Transformar o luto em uma </span><a href="https://alemdaperda.com.br/luto-coletivo/"><span style="font-weight: 400;">experiência coletiva</span></a><span style="font-weight: 400;"> é uma forma de honrar e imortalizar a memória de quem partiu. A narrativa reforça que aceitar a dor como parte de si é um ato puro de amor e de coragem. Lembrar dos momentos vividos, sem se aprisionar à incansável angústia, oferece o descanso necessário à alma, não significando esquecimento. Seguir em frente não é um ato de traição, mesmo que possa parecer. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Hamnet: A Vida Antes de Hamlet</span></i><span style="font-weight: 400;">, a arte surge tanto como salvação quanto de ruína para Agnes e Will. Como um suspiro profundo de alívio, o drama transforma a agonia em criação e reafirma a arte como gesto de sobrevivência, memória e liberdade.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Hamnet: A Vida Antes de Hamlet  | Trailer 1 (Universal Pictures) – HD" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/Uj_kEvM-OtM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Macbeth: ambição, sangue e fúria</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Apr 2016 22:10:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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		<category><![CDATA[Eli Vagner]]></category>
		<category><![CDATA[Shakespeare]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Eli Vagner Rodrigues “A vida é uma história, contada por um idiota, cheia de som e fúria, sem sentido algum.” Macbeth, Cena V do Ato V. A “peça amaldiçoada” de Shakespeare, lançada nos cinemas em 2015, chega ao Netflix como uma opção para quem deseja revisitar a tragédia mais sangrenta do bardo de Stratford-upon-Avon.   &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/macbeth-ambicao-sangue-furia/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Macbeth: ambição, sangue e fúria"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-1833" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/04/macbeth_cinegrafando.jpg" alt="Macbeth_cinegrafando" width="1382" height="777" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/04/macbeth_cinegrafando.jpg 1382w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/04/macbeth_cinegrafando-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/04/macbeth_cinegrafando-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/04/macbeth_cinegrafando-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/04/macbeth_cinegrafando-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /></p>
<p><strong>Eli Vagner Rodrigues</strong></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“A vida é uma história, contada por um idiota, cheia de som e fúria, sem sentido algum.” </span></i><span style="font-weight: 400;">Macbeth, Cena V do Ato V.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A “peça amaldiçoada” de Shakespeare, lançada nos cinemas em 2015, chega ao Netflix como uma opção para quem deseja revisitar a tragédia mais sangrenta do bardo de Stratford-upon-Avon.  </span></p>
<p><span id="more-1825"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Macbeth do diretor Justin Kurzel (Assassins Creed (2016), Snowtown (2011), The Turning (2013)), roteiro de Jacob Koskoff e Michael Lesslie, é mais uma adaptação para o cinema da peça inspirada nas “</span><i><span style="font-weight: 400;">Crônicas da Inglaterra, Escócia e Irlanda”.</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Chamada de “The Scottish Play” no mundo treatral anglófono, por causa de uma superstição que desaconselhava a pronunciar o nome da obra em voz alta, Macbeth é uma das peças recordistas em número de adaptações para cinema e TV, perdendo apenas para Hamlet. Kurzel apresenta o que, tecnicamente, é uma obrigação do cinema, a saber, a possibilidade de recriar obras de arte com imagens, cenografia e tratamento técnico superiores às produções anteriores. A versão de Kurzel tem méritos cenográficos, de locação, de figurino e sonorização que proporcionam uma experiência atualizada, satisfatória, o que é pouco pela expectativa que este tipo de produção cria. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma peça clássica sempre impõe limitações criativas, mas alguns diretores conseguiram imprimir identidade artística própria em suas adaptações. A obra de Kurzel não peca tecnicamente, mas também não excede em adaptações, outro perigo que, na maioria das vezes leva a recriações equivocadas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Certamente o aspecto que atraiu a atenção do público e da crítica nesta nova versão foi o protagonismo do ator Michael Fassbender. No entanto, Fassbender não vai além de um Macbeth objetivo e previsível em sua atuação. As possibilidades dramáticas que se acentuam na segunda parte da tragédia, com os componentes da culpa, da loucura e da desesperada afirmação do poder pela violência, não são exploradas pelo ator como poderiam. A atuação da coadjuvante Marion Cotlard (Lady Macbeth) também fica aquém de personagem tão importante para a “escola da dramaturgia feminina”. O resultado é somente mais um Macbeth. O filme não apresenta uma característica marcante como um traço de originalidade de diretor ou dos atores, características que destacam, por exemplo, as versões de Roman Polanski e Orson Welles.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As inúmeras filmagens de Macbeth ao longo da história do cinema mostram grandes momentos e fracassos anunciados. Dentre as mais famosas destacam-se “Trono Manchado de Sangue” de Akira Kurosawa que adapta a peça de Shakespeare para o contexto do Japão medieval. A, já citada, adaptação de Roman Polanski de 1971, conta com as ótimas atuações de John Finch e Francesca Annis e figura como uma das melhores filmagens da obra.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A versão de Orson Welles foi cercada problemas. </span><span style="font-weight: 400;">O diretor concordou em filmar </span><i><span style="font-weight: 400;">Macbeth</span></i><span style="font-weight: 400;"> em três semanas ao custo de 700 000 dólares. O controverso diretor e ator se comprometeria ainda a arcar com custos adicionais de seu próprio bolso. Welles fez diversas adaptações mas o resultado, mesmo com baixo orçamento, não é uma tragédia, apesar do fracasso comercial.</span></p>
<figure id="attachment_1832" aria-describedby="caption-attachment-1832" style="width: 590px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" size-full wp-image-1832 aligncenter" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/04/macbeth.jpg" alt="macbeth" width="590" height="295" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/04/macbeth.jpg 590w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/04/macbeth-300x150.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 590px) 85vw, 590px" /><figcaption id="caption-attachment-1832" class="wp-caption-text">Orson Welles como Macbeth</figcaption></figure>
<p>Uma montagem que merece menção foi a realizada pela ”The Royal Shakespeare  Company” e traz Ian Mckeelen, hoje mais conhecido pelo papel de Gandalf em “O senhor dos Anéis”, e Judi Dench como Lady Macbeth. A experiência desta geração privilegiada de atores ingleses, Ian Mckeelen, Peter O’toole e Sir Lawrence Olivier com as montagens de várias peças de Shakespeare é memorável e se tornou referência para as novas produções.</p>
<p><strong>A obra</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Macbeth é a mais curta peça de Shakespeare, seu enredo é bastante simples, mas alguns detalhes escondem pontos chaves para sua interpretação. Ao findar heroica batalha, Macbeth recebe de três bruxas a predição de que seria rei e seu companheiro Banquo não teria a mesma sorte mas geraria reis. Imediatamente arrebatado pelo vaticínio envia a sua mulher a notícia. O rei, reconhecendo a vitória de Macbeth nomeia-o Barão de Glamis e anuncia que irá até sua propriedade comemorar a nomeação. Inicia-se a trama do casal para matar o rei para assumir o poder supremo. Lady Macbeth incita o marido relutante em consumar o assassinato. Em sua ânsia de poder questiona a masculinidade do marido afim de convencê-lo. Cometido o crime e simulada a culpa dos guardas do rei, Macbeth assume o trono. Inicia-se a segunda parte da obra. Nesta fase afloram a culpa e a loucura do casal. Macbeth tem alucinações e se entrega à uma luta violenta pela manutenção do poder, sua mulher enlouquece e, aparentemente, suicida-se. A loucura assassina do tirano se concentra na linha sucessória de seus oponentes. Ao final é vencido por Macduff e tem sua cabeça decepada.</span></p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-1834" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/04/macbeth_fassbender.jpg" alt="macbeth_fassbender" width="2026" height="3000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/04/macbeth_fassbender.jpg 2026w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/04/macbeth_fassbender-203x300.jpg 203w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/04/macbeth_fassbender-768x1137.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/04/macbeth_fassbender-692x1024.jpg 692w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/04/macbeth_fassbender-1200x1777.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que faz de Macbeth, uma grande obra da literatura e do teatro é a síntese de elementos essenciais a um texto clássico. Em Macbeth os anseios humanos mais básicos, e suas respectivas frustrações, estão presentes. A relação sempre dúbia com o sobrenatural, a dúvida sobre o lado sombrio das predições e dos oráculos, a ânsia pelo poder e a usurpação violenta como elementos da política, a culpa como mecanismo da loucura e do delírio. Estes elementos colocam Macbeth ao lado de Rei Lear, Hamlet e Otelo como as maiores tragédias do teatro. Em Macbeth, mesmo as relações de poder mais elementares são expostas em sua crueza mais realista. As relações de poder, perpassam as formas e os objetos do desejo humano. Em Macbeth dois núcleos temáticos se desenvolvem, a trama sobre o poder e a justiça, sua legitimidade diante da usurpação do trono e uma trama interna, característica da psicologia de um casamento, um tecido de influência, desejo e loucura do casal assassino. Shakespeare explora, na mesma trama, as duas esferas das relações de poder, o público e o privado.   </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No núcleo da intimidade, a influência de Lady Macbeth sobre a consumação do ato de traição é fundamental na peça. Lady Macbeth exige o ato do assassinato do rei como um feito de coragem de seu marido, em sua ânsia não considera a transgressão do ato. O problema ético envolvido no regicídio é secundário em relação ao desejo. </span></p>
<p style="text-align: center;"><i><span style="font-weight: 400;">Venham espíritos </span></i></p>
<p style="text-align: center;"><i><span style="font-weight: 400;">Que instilam os pensamentos assassinos, </span></i></p>
<p style="text-align: center;"><i><span style="font-weight: 400;">dessexuai-me, </span></i></p>
<p style="text-align: center;"><i><span style="font-weight: 400;">Cumulem-me da cabeça aos pés </span></i></p>
<p style="text-align: center;"><i><span style="font-weight: 400;">Com a mais horrível crueldade! </span></i></p>
<p style="text-align: center;"><i><span style="font-weight: 400;">Possuam os meus seios </span></i></p>
<p style="text-align: center;"><i><span style="font-weight: 400;">E façam amargo o meu leite</span></i></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-weight: 400;">(Ato I, Cena V)</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois do ato consumado, Lady Macbeth não suporta as consequências, mas até alcançar seu desejo atua como um demônio a tentar Macbeth, imagem que alguns críticos associam ao mito do pecado original e a figura de Eva, interpretação tão inatual quanto dispensável. A ideia de ter o marido na mais alta posição de poder cega totalmente a futura rainha para o aspecto moral. Macbeth é hesitante, Lady Macbeth é pura determinação.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A controversa figura de Lady Macbeth e sua complexidade dramática foi objeto de célebres estudos dos quais se destacam os de Freud, Harold Bloom e A. C. Bradley.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para Freud, Lady Macbeth, ao se “dessexuar” em função de seus intentos homicidas, esquece-se que a sua feminilidade teria um papel-chave na perpetuação de sua linhagem, o “de preservar a finalidade de sua ambição, lançada através de um crime” escreve Freud em “</span><i><span style="font-weight: 400;">Alguns Tipos de Caráter Encontrados no Trabalho Psicanalítico</span></i><span style="font-weight: 400;">.” Obras Completas (Vol. XIV, pp.349-377). Rio de Janeiro: Imago. (Originalmente publicado em 1916).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Neste estudo Freud sustenta que da mesma forma em que as pessoas ficam neuróticas devido à frustração de seus desejos libidinais, existem casos de pessoas que adoecem quando um desejo muito ansiado se realiza. A intervenção da repressão moral, de um superego regulador, frustra a fruição do objeto alcançado. Em Lady Macbeth, como também em seu marido, a loucura e o delírio tomam conta da consciência após a transgressão fatal. A mulher, (esta é uma interpretação de Freud), volta a sua origem de fragilidade e sucumbe ao suicídio, o homem afirma sua loucura na violência desmedida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma abordagem histórico-literária ajuda esclarecer alguns aspectos envolvidos na interpretação de Freud. A peça teria sido escrita por encomenda para o rei Jaime I, que unificou as coroas da Escócia e Inglaterra, justamente devido à infertilidade da rainha Elisabeth. A ascensão de Jaime I foi como uma demonstração da maldição da esterilidade e das bênçãos da geração contínua e a ação de Macbeth baseia-se nesse mesmo contraste.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A questão da fertilidade se torna fundamental para a interpretação freudiana. A ação violenta, não esperada de uma natureza feminina, seria gerada por sua esterilidade, outra condição não-natural. É preciso notar que Shakespeare mobiliza concepções de masculinidade e feminilidade, assim como de resto, de moral e honra, diferentes do que concebemos hoje.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A punição pela transgressão moral seria a própria esterilidade que torna sem sentido a ambição motivadora do ato do assassinato do rei. O poder não pode ser perpetuado pelo casal regicida, uma vez que eles não têm filhos e a mulher se “assexuou” por exigência de seu espírito assassino. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">  <img loading="lazy" decoding="async" class=" size-full wp-image-1831 aligncenter" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/04/macbethbanner.jpg" alt="Macbethbanner" width="800" height="400" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/04/macbethbanner.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/04/macbethbanner-300x150.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/04/macbethbanner-768x384.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ato de transgressão institui a ilegitimidade do poder. E é em torno deste tema que gira a segunda parte da peça. Um poder ilegítimo não se sustenta. Um poder originado na violência, terá um futuro violento. Macbeth usurpou o trono, seu ato fundamental instala um estado de </span><i><span style="font-weight: 400;">Hybris</span></i><span style="font-weight: 400;">. Esta condição seria provocada por tudo aquilo que, nos atos humanos passa da medida (moral, costume, cultura), caracterizando um descomedimento, um excesso do que é permitido aos humanos. Essa transgressão nasce de uma confiança excessiva, um orgulho exagerado, uma presunção, uma arrogância ou insolência contra os deuses e a sociedade. Toda esta soberba nasce dos desejos. A arrogância de um homem, para os gregos, acaba sempre sendo punida. A </span><i><span style="font-weight: 400;">Hybris</span></i><span style="font-weight: 400;"> representa, ainda, um desprezo pelos direitos dos outros e principalmente à falta de controle sobre os próprios impulsos. A situação é provocada por um sentimento violento inspirado pelas paixões humanas. O que aqui se denomina como paixões humanas é determinado, em última instância, pela ação dos desejos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao final, a obra aponta para o fato de que toda a ética está fundamentada no cálculo do que se deseja. O ensinamento trágico é evidentemente moral e afirma uma concepção fundamental de todo código de conduta civilizatório: algumas coisas que, inevitavelmente desejamos, devemos temer executá-las. Em Macbeth, Shakespeare não foge a esta lógica e aponta claramente para o maior perigo que assombra o homem, seu próprio desejo. </span></p>
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