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	<title>Arquivos Seven &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos Seven &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>25 anos de Seven: senhoras e senhores, temos um homicídio</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Sep 2020 18:22:02 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitor Tenca A crença de que a Terra era quadrada caminhava lado a lado com a ciência em épocas passadas e, junto consigo, diversas teorias do que existia do outro lado eclodiram. Quem criou uma passagem um tanto quanto maluca foi Dante Alighieri em seu livro A Divina Comédia, que se baseava na ideia de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/seven-25-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "25 anos de Seven: senhoras e senhores, temos um homicídio"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_15629" aria-describedby="caption-attachment-15629" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-15629" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Se7en.jpg" alt="" width="700" height="400" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Se7en.jpg 700w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Se7en-300x171.jpg 300w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-15629" class="wp-caption-text">A grandiosa dupla do filme: Pitt e Freeman (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Vitor Tenca</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A crença de que a Terra era quadrada caminhava lado a lado com a ciência em épocas passadas e, junto consigo, diversas teorias do que existia do outro lado eclodiram. Quem criou uma passagem um tanto quanto maluca foi Dante Alighieri em seu livro </span><a href="https://super.abril.com.br/mundo-estranho/como-e-o-mapa-do-inferno/"><i><span style="font-weight: 400;">A Divina Comédia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que se baseava na ideia de que o inferno possuía níveis para cada pecado capital. Mas não é apenas nesse período que sua obra é utilizada como fonte de inspiração. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Se7en – Os Sete Crimes Capitais</span></i><span style="font-weight: 400;">, David Fincher esculpe seu antagonista mais diabólico para contrastar com seu caráter messiânico, quase saído do </span><a href="http://www.stelle.com.br/pt/purgatorio/intro.html"><i><span style="font-weight: 400;">Purgatório</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-15628"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O diretor, que vinha de climas “áridos” após a produção de </span><a href="http://www.adorocinema.com/personalidades/personalidade-15709/biografia/"><i><span style="font-weight: 400;">Alien 3</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, pretendia se consolidar no mundo do cinema e, merecidamente, conseguiu. </span><i><span style="font-weight: 400;">Seven </span></i><span style="font-weight: 400;">é até os dias de hoje um dos filmes mais lembrados da respeitada carreira de Fincher. No longa, acompanhamos a dupla de detetives composta pelo experiente William Somerset (Morgan Freeman) e o afamado David Mills (Brad Pitt), investigando um assassino em série que escolhe suas vítimas de acordo com os sete pecados capitais. Com isso, experienciamos uma mistura entre religião e psicopatia. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Somerset inicia o filme pelo final de sua carreira, deixando bem claro o desejo de se aposentar. O investigador demonstra constantemente o amargor pela onda de violência que toma a cidade, além de não se conformar com a apatia que passa a ser vista como modelo de exemplo para o cidadão comum. Mas o que passa despercebido por muitos é justamente esse conceito de consonância, já que vemos um detetive em constante transformação, contando com a genialidade da atuação de Morgan Freeman. </span><i><span style="font-weight: 400;">“O mundo é um bom lugar, pelo qual vale a pena lutar. Estou de acordo com a segunda parte”.</span></i></p>
<figure id="attachment_15630" aria-describedby="caption-attachment-15630" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-15630" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/MV5BMTQwMTgzMzMwNF5BMl5BanBnXkFtZTcwMzEzNzY3Mw@@._V1_.jpg" alt="" width="2048" height="1363" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/MV5BMTQwMTgzMzMwNF5BMl5BanBnXkFtZTcwMzEzNzY3Mw@@._V1_.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/MV5BMTQwMTgzMzMwNF5BMl5BanBnXkFtZTcwMzEzNzY3Mw@@._V1_-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/MV5BMTQwMTgzMzMwNF5BMl5BanBnXkFtZTcwMzEzNzY3Mw@@._V1_-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/MV5BMTQwMTgzMzMwNF5BMl5BanBnXkFtZTcwMzEzNzY3Mw@@._V1_-768x511.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/MV5BMTQwMTgzMzMwNF5BMl5BanBnXkFtZTcwMzEzNzY3Mw@@._V1_-1536x1022.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/MV5BMTQwMTgzMzMwNF5BMl5BanBnXkFtZTcwMzEzNzY3Mw@@._V1_-1200x799.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-15630" class="wp-caption-text">A cena do crime &#8211; A Preguiça (Foto: New Line/newline.wireimage.com)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">David Mills, interpretado de forma enérgica pelo galã Brad Pitt, nos deixa com uma dúvida logo de início: porque ele se transferiu para um local tão desinteressante? Colocando na balança, o trajeto pelo qual chega a seu destino já não vale mais a pena, seja devido ao apartamento “vibrante” do casal &#8211; uma cena que serve como pausa para o espectador respirar &#8211; ou pela dedicação do agente na trama do assassino. Esse esforço rende uma relação quase que afetiva entre Mills e o responsável pelos crimes, seja por meio da inveja ou da ira.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A dupla cria um grande entrosamento com o passar dos minutos. A relação, que antes era insuportável, se torna complementar. Enquanto David chuta portas e quebra as leis, Somerset opta por uma abordagem mais metódica e virtuosa, funcionando de forma semelhante a um </span><i><span style="font-weight: 400;">ying yang</span></i><span style="font-weight: 400;">, tanto dentro quanto fora das cenas dos crimes</span><i><span style="font-weight: 400;">. </span></i><span style="font-weight: 400;">Mas, o que nem mesmo a química entre os dois consegue juntar, é a conclusão sobre o funcionamento da mente de um </span><a href="http://personaunesp.com.br/mindhunter-critica/"><span style="font-weight: 400;">assassino em série</span></a><span style="font-weight: 400;"> como esse: afinal, seria o vilão um doente mental ou um profissional de sua área?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A abertura mostra a sutileza que David Fincher possui para trabalhar com seus filmes. Utilizando uma série de </span><i><span style="font-weight: 400;">spoilers </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://canaltech.com.br/internet/Easter-Eggs-voce-sabe-o-que-sao/"><i><span style="font-weight: 400;">easter eggs</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">diversos escritos assustadores, páginas esquisitas, imagens aterrorizantes e menções religiosas aparecem. O espectador que vê aquela cena sente do desconforto à curiosidade, porém, fica sem saber que aquilo é uma menção clara a residência de </span><a href="https://educalingo.com/pt/dic-en/john-doe"><span style="font-weight: 400;">John Doe</span></a><span style="font-weight: 400;"> – o psicopata que acha que é algum tipo de enviado divino, o que combina com alguém da estirpe de Kevin Spacey. A fusão dessas duas qualidades cria o vilão perfeito para o mundo dos pecados capitais. </span></p>
<figure id="attachment_15631" aria-describedby="caption-attachment-15631" style="width: 1065px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-15631" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/58ace170942745ebae9f6691bb2cf683.jpeg" alt="" width="1065" height="716" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/58ace170942745ebae9f6691bb2cf683.jpeg 1065w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/58ace170942745ebae9f6691bb2cf683-300x202.jpeg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/58ace170942745ebae9f6691bb2cf683-1024x688.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/58ace170942745ebae9f6691bb2cf683-768x516.jpeg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-15631" class="wp-caption-text">Kevin Spacey: o grande vilão-messias (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O ambiente que Doe habita não é nada menos que mórbido. Marcado por uma grande cruz em </span><i><span style="font-weight: 400;">neon </span></i><span style="font-weight: 400;">vermelho, encontramos todos aqueles </span><i><span style="font-weight: 400;">spoilers </span></i><span style="font-weight: 400;">e até algo a mais, como a foto da dupla de detetives, retomando o momento que encontram um fotógrafo suspeito em cenas anteriores (o que mostra a vantagem que John possui sobre o par). No entanto, não apenas essa cena é tomada por um tom mais sombrio. Em todos os crimes cometidos somos impregnados por um clima fúnebre e mórbido, seja pela ambientação obscura ou pela forma bizarra como o homicídio aconteceu.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E, de forma geral, nos deparamos com uma atmosfera digna para o longa. É notável o aspecto grotesco, carregado e, até certo ponto, depressivo da cidade não identificada do universo dos crimes. Chega a ser criado no imaginário do espectador uma espécie de </span><a href="https://hqrock.com.br/2014/03/29/gotham-saiba-tudo-sobre-a-cidade-do-batman-historia-geografia-principais-bairros-e-localidades/"><span style="font-weight: 400;">Gotham City</span></a><span style="font-weight: 400;">, sem seu vigilante mascarado. Mas não somente o tempo chuvoso e clima nublado caracterizam as ruas desse local recôndito, como também as constantes sirenes, sejam de ambulâncias ou de viaturas – ou mesmo de ambas – que marcam esse ambiente denso que Fincher traduz com perfeição.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um personagem que não ganha o destaque merecido pela atuação é Gwyneth Paltrow, que personifica Tracy Mills, a esposa de David no universo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Seven</span></i><span style="font-weight: 400;">. Suas cenas, muitas vezes, servem como um desviar de olhares para toda a matança do filme, além de fornecer a esperança para um mundo melhor. Seu caráter alegre e positivo acaba influenciando até um desanimado Somerset para acreditar num futuro próspero. Contudo, isso contrasta com uma esposa que não quer ser um fardo para o marido, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1giVzxyoclE"><span style="font-weight: 400;">encabeçando</span></a><span style="font-weight: 400;">, em partes, o final do longa.</span></p>
<figure id="attachment_15636" aria-describedby="caption-attachment-15636" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-15636 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/MV5BMzY0MDg5MTU5OV5BMl5BanBnXkFtZTcwMDUzNTIwNA@@._V1_.jpg" alt="" width="2048" height="1376" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/MV5BMzY0MDg5MTU5OV5BMl5BanBnXkFtZTcwMDUzNTIwNA@@._V1_.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/MV5BMzY0MDg5MTU5OV5BMl5BanBnXkFtZTcwMDUzNTIwNA@@._V1_-300x202.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/MV5BMzY0MDg5MTU5OV5BMl5BanBnXkFtZTcwMDUzNTIwNA@@._V1_-1024x688.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/MV5BMzY0MDg5MTU5OV5BMl5BanBnXkFtZTcwMDUzNTIwNA@@._V1_-768x516.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/MV5BMzY0MDg5MTU5OV5BMl5BanBnXkFtZTcwMDUzNTIwNA@@._V1_-1536x1032.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/MV5BMzY0MDg5MTU5OV5BMl5BanBnXkFtZTcwMDUzNTIwNA@@._V1_-1200x806.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-15636" class="wp-caption-text">O carisma sereno de Paltrow encanta (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos fatores mais intrigantes da forma como a história se desenrola é que o espectador assiste o espetáculo com os mesmos olhos dos detetives. O filme faz questão de nos fornecer </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7qx9xwn2ybE"><span style="font-weight: 400;">apenas as informações necessárias</span></a><span style="font-weight: 400;"> para sabermos justamente o que os agentes sabem e, dessa forma, juntamos as peças dos crimes ao lado dos personagens. Um grande exemplo disso vem direto do pôster de divulgação, que é estampado com os rostos dos atores, mas não há créditos para Kevin Spacey, dessa forma não podemos pré-associar a imagem do assassino com ninguém.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem dúvida alguma, </span><i><span style="font-weight: 400;">Seven</span></i><span style="font-weight: 400;"> nos deixa com uma das cenas mais memoráveis da história do cinema até hoje. O </span><i><span style="font-weight: 400;">“</span></i><a href="https://ew.com/article/2015/09/22/seven-ending-20th-anniversary/"><i><span style="font-weight: 400;">what’s in the boooox</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">?”, </span></i><span style="font-weight: 400;">pronunciado por Brad Pitt, ficou no imaginário popular repleto de reproduções na cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">. Mas, não é apenas o fervor com que Mills se torna a ira que deixa essa passagem sensacional. Desde o plano de John Doe que o sagra vencedor &#8211; e cria o </span><a href="https://www.tenhomaisdiscosqueamigos.com/2020/04/23/segredos-do-cinema-plot-twist/"><i><span style="font-weight: 400;">plot twist</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> perfeito no mundo cinematográfico &#8211; até a explicação de Somerset que o assassino tinha tudo isso planejado, a cena fica marcada em todos que assistiram. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo após 25 anos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Seven</span></i><span style="font-weight: 400;"> ainda incomoda o espectador com sua religiosidade perturbada. O conceito que uma vez já incomodou a crítica como “mais um filme sangrento e sem fundamento”, agora mostra a sutileza de como fanatismo e desequilíbrio caminham lado a lado. Enquanto isso, também traz consigo a ideia de que a violência se arrasta para dentro de nosso dia a dia, mas igual Somerset diz: deveríamos tratá-la sem apatia. Com isso, o filme termina como começa: </span><i><span style="font-weight: 400;">“senhoras e senhores, temos um homicídio”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_15633" aria-describedby="caption-attachment-15633" style="width: 1400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-15633" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/seven-ending-box.jpg" alt="" width="1400" height="700" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/seven-ending-box.jpg 1400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/seven-ending-box-300x150.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/seven-ending-box-1024x512.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/seven-ending-box-768x384.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/seven-ending-box-1200x600.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-15633" class="wp-caption-text">Cuidado! FRÁGIL (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
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		<title>folklore: o melhor dos muitos mundos de Taylor Swift</title>
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		<pubDate>Wed, 19 Aug 2020 22:10:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Raquel Dutra Visuais rústicos e paisagens bucólicas fotografadas em preto e branco mas que ocasionalmente revelam verdes úmidos e marrons aconchegantes. Foi com essa serenidade que Taylor Swift surgiu nas redes sociais no dia 24 de julho para anunciar seu novo álbum, folklore, apenas 24 horas antes de seu lançamento.  Para um conhecedor dos trabalhos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/folklore-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "folklore: o melhor dos muitos mundos de Taylor Swift"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_14617" aria-describedby="caption-attachment-14617" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-14617" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/foto-1.jpg" alt="" width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/foto-1.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/foto-1-300x300.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/foto-1-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/foto-1-768x768.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-14617" class="wp-caption-text">“No isolamento, minha imaginação disparou e este álbum é o resultado, uma coleção de canções e histórias que fluíram como um fluxo de consciência. Pegar uma caneta foi minha maneira de escapar para a fantasia, história e memória” (Foto: Beth Garrabrant)</figcaption></figure>
<p><strong>Raquel Dutra</strong></p>
<p style="text-align: left;"><span style="font-weight: 400;">Visuais rústicos e paisagens bucólicas fotografadas em preto e branco mas que ocasionalmente revelam verdes úmidos e marrons aconchegantes. Foi com essa serenidade que Taylor Swift surgiu nas redes sociais no dia 24 de julho para </span><a href="https://www.instagram.com/p/CC-9usjDzUw/"><span style="font-weight: 400;">anunciar</span></a><span style="font-weight: 400;"> seu novo álbum, <em>folklore</em>, apenas 24 horas antes de seu lançamento. </span></p>
<p><span id="more-14616"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para um conhecedor dos trabalhos da artista, essas características podem soar levemente </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=RzhAS_GnJIc"><span style="font-weight: 400;">familiares</span></a><span style="font-weight: 400;">, assim como as batidas </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> que surgem timidamente na </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=KsZ6tROaVOQ"><span style="font-weight: 400;">primeira faixa</span></a><span style="font-weight: 400;"> do disco. Mas no primeiro verso da música em questão, </span><i><span style="font-weight: 400;">the 1</span></i><span style="font-weight: 400;">, Taylor afirma que está<em> “tentando algumas coisas novas”</em> e aos poucos vai demonstrando que, em seu novo álbum, nada é 100% novo</span>, nem 100% reciclado. Por isso, não é algo que soa totalmente desconhecido e, curiosamente, também não é mais do mesmo. <span style="font-weight: 400;">Na verdade, ele está em algum lugar no meio dessas duas características e, ao mesmo tempo e de alguma forma, também está longe de ambas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, uma coisa já é clara: o novo álbum de Taylor Swift é instigante. Ele não se entrega à dualidades superficiais e nem atende às expectativas de ser necessariamente “isso ou aquilo”. A dinâmica aqui é outra: fruto de uma profunda <a href="https://www.instagram.com/p/CDAsU8BDzLt/">liberdade criativa</a>, é brincando com esses limites e misturando essas noções que a artista desenvolve a forma e o conteúdo do disco. Seguindo com firmeza suas próprias determinações, ela viaja por um caminho sinuoso cercado por histórias, memórias,  referências e melodias para cumprir com maestria <a href="https://www.portalpopcyber.com/leia-o-prologo-traduzido-de-folklore-album-da-taylor-swift/">seus objetivos</a>. Isto é, registrar sua identidade, sua cultura, e assim, construir seu próprio <a href="https://dictionary.cambridge.org/pt/dicionario/ingles/folklore"><em>&#8216;folklore&#8217;</em></a>. </span></p>
<figure id="attachment_14623" aria-describedby="caption-attachment-14623" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-14623 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/foto-2.jpg" alt="" width="800" height="674" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/foto-2.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/foto-2-300x253.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/foto-2-768x647.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-14623" class="wp-caption-text">Can the <a href="https://www.youtube.com/watch?v=3tmd-ClpJxA">old Taylor come to the phone</a> now? (Foto: Beth Garrabrant)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Aqui, Taylor não se preocupa em se definir dentro de um único estilo nem tenta se encaixar em alguma caixinha. Mais uma vez, ela faz justamente o contrário e navega entre diversos gêneros e referências de outros artistas. </span><span style="font-weight: 400;">De início, um caminho como esse pode parecer arriscado, propício para a artista se perder e não estabelecer uma identidade coerente. Mas se tem uma coisa que uma das <a href="https://www1.folha.uol.com.br/webstories/cultura/2020/08/o-fenomeno-taylor-swift/">maiores artistas da indústria</a> não faz em seu oitavo álbum de estúdio é cometer erros de principiante. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de olhar para fora para identificar possíveis caminhos e referenciar outros trabalhos, ela também mergulha profundamente em si mesma. Assim, Taylor não procura identidade e originalidade em ambientes externos, mas as constrói a partir do que tem essencialmente dentro de si. E consciente do caminho que escolheu, inteligentemente também opta por não inventar demais fora da sua zona de conforto e aproveitar ao máximo seus pontos fortes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A mistura, que ainda contou com a majestosa participação de Aaron Dessner (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=5FQtSn_vak0">The National</a> e <a href="https://www.youtube.com/watch?v=abbcMEEENP4">Big Red Machine</a>) nas composições e produções de quase todas as músicas, resultou numa combinação única: um álbum que não é tão fechado no <em>folk</em>/<em>country</em> quanto imaginamos que seria quando foi anunciado; nem que permanece abrigando sua essência no <em>pop</em>, como podemos pensar ao ler o nome de <a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2017/06/1893338-lider-do-bleachers-jack-antonoff-vira-compositor-queridinho-das-estrelas.shtml">Jack Antonoff</a> nos créditos de algumas faixas ou ao ouvir a primeira música. E ainda bem, porque partir disso, com suavidade e consistência, Swift nos convida a ir além com <i>folklore</i>. Além até mesmo do que a própria fez e nos apresentou em seus últimos trabalhos, nas super definidas e contrastantes personas de <a href="http://personaunesp.com.br/lover-taylor-swift-critica/"><i>Lover</i></a> (2019) e <a href="http://valkirias.com.br/reputation-taylor-swift/"><i>reputation</i></a> (2017).</span></p>
<figure id="attachment_14624" aria-describedby="caption-attachment-14624" style="width: 1008px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-14624 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/foto-3.jpg" alt="" width="1008" height="1008" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/foto-3.jpg 1008w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/foto-3-300x300.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/foto-3-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/foto-3-768x768.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-14624" class="wp-caption-text">A versão deluxe do álbum, lançada no dia 17 de agosto, traz a faixa bônus &#8216;the lakes&#8217; (Foto: Beth Garrabrant)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Neste cenário, Taylor estabelece um porto seguro infalível: suas letras. Conhecedora da habilidade que tem nas mãos, ela sempre nos presenteou com <a href="https://www.letras.mus.br/taylor-swift/state-of-grace/traducao.html">composições extraordinárias</a>. Mas aqui, ela explora ainda mais sua escrita e volta no tempo para relembrar junto de nós detalhes da sua infância, como faz na melodiosa </span><i><span style="font-weight: 400;">seven</span></i><span style="font-weight: 400;">, e conta </span><a href="https://www.vagalume.com.br/news/2020/07/29/the-last-great-american-dynasty-conheca-a-historia-por-tras-da-pessoal-composicao-de-taylor-swift.html"><span style="font-weight: 400;">histórias</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 3ª pessoa, como faz na inteligente e divertida </span><i><span style="font-weight: 400;">the last great american dynasty.</span></i> <span style="font-weight: 400;">Ela também cria universos e dá vida à personagens, às vezes até  <a href="https://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2020/07/24/novo-album-de-taylor-swift-traz-triangulo-amoroso-escondido-entenda.htm">inter-relacionando as histórias</a>, como</span> é feito em <i>august</i>, <i>betty </i>e no primeiro <em>single</em> do álbum, <i>cardigan</i>.</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apresentando a história de um triângulo amoroso adolescente &#8211; parte de sua <a href="https://www.vagalume.com.br/taylor-swift/you-belong-with-me-traducao.html">matéria-prima de sempre</a> -, estas três últimas faixas são exemplos do que a artista faz quando alguma canção ameaça cair na mesmice. Além de explorar as perspectivas individuais dos seus personagens, ela também muda um pouco seu estilo de escrita. É assim que a compositora escreve os versos soltos e ousados de <em>cardigan</em>, canção que também poderia facilmente ter nascido das mãos de</span><span style="font-weight: 400;"> </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JRWox-i6aAk"><span style="font-weight: 400;">Lana Del Rey</span></a><span style="font-weight: 400;">.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outra saída que Taylor encontra junto de seus produtores é incrementar nos outros elementos que constituem as canções, principalmente os instrumentais. Com suavidade, pianos, violinos, violas, gaitas, guitarras e arranjos vocais trabalhados abraçam as músicas, graciosamente dando o rumo exato que elas precisavam. E além de agregar mais riqueza ao álbum, é através desse suporte instrumental que a artista também consegue explorar suas raízes <em>country, </em>dosando o que conhece do gênero em faixas como <em>betty.</em></span> Arranjos eletrônicos e modulações de voz &#8211; costumeiramente fundamentais no <a href="https://www.youtube.com/watch?v=e-ORhEE9VVg"><em>pop</em> de Swift</a> &#8211; são ainda mais delicados e pontuais, como ouvimos em <em>august.</em> Assim, o precioso e aconchegante caráter acústico de <em>folklore</em> é preservado.</p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" class="youtube-player" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/K-a8s8OLBSE?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-BR&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent" allowfullscreen="true" style="border:0;" sandbox="allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox"></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">As narrativas são construídas por viagens que Swift faz pelo tempo, sem linearidades e dominadas pelo gosto agridoce da nostalgia. Mas ocasionalmente, mesmo ainda relembrando o passado, nos refrescamos &#8211; ainda emocionados &#8211; voltando ao presente. </span><span style="font-weight: 400;">É o que acontece em faixas como a impecável </span><i><span style="font-weight: 400;">exile</span></i><span style="font-weight: 400;">, resultado da colaboração de Swift com a banda </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=95FyXUHv8hk"><span style="font-weight: 400;">Bon Iver</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A letra é de Taylor e Justin Vernon, vocalista da banda com quem a cantora também divide o protagonismo dos vocais, e apresenta uma epifania desencadeada no momento em que o eu lírico olha para um antigo amor. Embebida em melodias de um piano pesado e contracantos atmosféricos, </span><span style="font-weight: 400;">a canção soa como uma irmã mais dramática e robusta do delicioso hino <em>folk</em> de 2006, <em><a href="https://www.youtube.com/watch?v=k8mtXwtapX4">Falling Slowly</a></em>. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E falando das referências e letras de <em>folklore</em>, a ultra-metafórica </span><i><span style="font-weight: 400;">my tears</span></i><span style="font-weight: 400;"><em> ricochet </em>é a que mais intriga e chama a nossa atenção.</span><span style="font-weight: 400;"> Numa interpretação literal, a faixa compara o término de um namoro a um enterro numa</span><span style="font-weight: 400;"> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=vJk6cpNCnNM">intensidade</a> <em>à la</em></span> <a href="http://personaunesp.com.br/critica-lorde-melodrama/">Melodrama de Lorde</a>, e pode ser difícil de engolir, soando exagerada demais até mesmo para os amores de Taylor Swift. Aí,<span style="font-weight: 400;"> </span><a href="https://medium.com/@anavitali/folklore-e-as-met%C3%A1foras-de-taylor-swift-dec1bf25dbb6"><span style="font-weight: 400;">explicações e teorias</span></a> surgem: possivelmente, a partir de uma analogia, a faixa <span style="font-weight: 400;">trata sobre o que a artista <a href="https://www.youtube.com/watch?v=oy9uejgO0D8&amp;list=LLezcUBibdrvOuP0FOreFxeg&amp;index=96">viveu nos últimos anos com sua ex-gravadora</a>, relacionando-se também com outras canções. </span></p>
<figure id="attachment_14625" aria-describedby="caption-attachment-14625" style="width: 2500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-14625 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/foto-4.jpg" alt="" width="2500" height="1498" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/foto-4.jpg 2500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/foto-4-300x180.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/foto-4-1024x614.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/foto-4-768x460.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/foto-4-1536x920.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/foto-4-2048x1227.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/foto-4-1200x719.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-14625" class="wp-caption-text">&#8216;Hell was the journey but it brought me heaven&#8217; (Foto: Beth Garrabrant)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Se algumas intenções de <em>folklore</em> ficam subentendidas, outras Taylor entrega de primeira, e como ela alertou no <a href="https://www.instagram.com/p/CDAsU8BDzLt/">encarte do álbum </a>&#8211; e exatamente como um folclore deve ser -, nem tudo seria especulação e história ficcional. Ela </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=u9raS7-NisU"><span style="font-weight: 400;">continua</span></a><span style="font-weight: 400;"> cantando sobre seus processos internos, que dessa vez parecem se abrigar na séria e imponente </span><i><span style="font-weight: 400;">mad woman,</span></i><span style="font-weight: 400;"> e abordar de forma mais explícita a situação delicada que </span><span style="font-weight: 400;">viveu com sua ex-gravadora</span><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com a voz pesada, Taylor relata: “<em>Estou dando meu tempo, dando meu tempo/Porque você tirou tudo de mim/Vendo você ascender, vendo você ascender/Sobre pessoas como eu</em></span><i><span style="font-weight: 400;">”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Sem rodeios, dá o recado: “<em>Eles dizem: siga em frente, mas você sabe que eu não vou</em></span><i><span style="font-weight: 400;">” </span></i><span style="font-weight: 400;">e se permite</span><span style="font-weight: 400;"> verbalizar com gosto um </span><i><span style="font-weight: 400;">“Vai se foder, para sempre”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesta mesma faixa, Swift também encontra espaço para</span><span style="font-weight: 400;"> retratar situações e criticar esteriótipos sexistas </span><a href="https://azmina.com.br/especiais/quando-a-loucura-e-filha-do-machismo/"><span style="font-weight: 400;">recorrentes na sua/nossa existência enquanto mulher</span></a> &#8211; que, fazendo um recorte, recaem com ainda mais peso sobre as <a href="https://www.geledes.org.br/sapphire-mulher-negra-raivosa-reconhecendo-estereotipos-racistas-internacionais-parte-ix/">mulheres negras</a><span style="font-weight: 400;">. </span><span style="font-weight: 400;">Afinal, quem de nós nunca ouviu algo parecido com “<em>Ninguém gosta de uma mulher louca/Que pena que ela enlouqueceu</em></span><i><span style="font-weight: 400;">” </span></i><span style="font-weight: 400;">ao se impor com um pouco mais de veemência?</span><span style="font-weight: 400;"> E diante disso, numa tentativa de legitimar seus próprios sentimentos e defender a racionalidade de suas reações, respondeu, às vezes mentalmente, com um</span><i><span style="font-weight: 400;"> “Você fez ela ficar assim</span></i><span style="font-weight: 400;">”?</span></p>
<figure id="attachment_14626" aria-describedby="caption-attachment-14626" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-14626 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/foto-3.png" alt="" width="1000" height="583" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/foto-3.png 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/foto-3-300x175.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/foto-3-768x448.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-14626" class="wp-caption-text">Colecionando <a href="https://oglobo.globo.com/cultura/taylor-swift-coleciona-recordes-com-folklore-disco-mais-vendido-do-ano-24566440">recordes</a> no Spotify, Billboard e até mesmo no Guiness Book, folklore já é o disco mais vendido do ano (Foto: Beth Garrabrant)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os temas que Taylor aborda e a forma como ela aborda são o que fazem <em>folklore </em>ser tudo o que é. Eles pedem profundidade, e Swift se dispõe construí-la, criando mais um aspecto fantástico no disco: a verossimilhança, que se manifesta especialmente nos retratos sinceros que faz das muitas reações e comportamentos que podemos apresentar diante do amor. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em canções íntimas, que nos aproximam e abraçam nossas vulnerabilidades, complexidades e contradições, nos identificamos. Seja com a persona um pouco insegura quando apaixonada que é apresentada na charmosa </span><i><span style="font-weight: 400;">mirrorball</span></i><span style="font-weight: 400;">, com a saudosista e romântica que canta </span><i><span style="font-weight: 400;">invisible string</span></i><span style="font-weight: 400;">, ou ainda com a personagem racional, autoconsciente mas ainda disposta a vivenciar a completude do amor que é retratada em </span><i><span style="font-weight: 400;">peace</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Você pode se enxergar também no eu lírico da envolvente </span><i><span style="font-weight: 400;">this is me trying, </span></i><span style="font-weight: 400;">que busca perdão e recuperação. Ou na melindrosa, nervosa e arrependida </span><i><span style="font-weight: 400;">illicit affairs</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ou na personagem intensa mesmo conformada que canta junto ao piano de </span><i><span style="font-weight: 400;">hoax</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ou com mais de uma ao mesmo tempo. Ou até mesmo com todas elas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Isso porque não há superficialidades preguiçosas nos amores do <em>folklore</em> de Taylor Swift. Com um realismo suave e gentil, eles nos lembram que mesmo as relações mais maduras ainda são complexas, acompanhadas de arrependimentos, desencontros, </span>tentativas e decepções. As mais saudáveis também são permeadas por (quebra de) expectativas, perdões, esperanças e, às vezes, até mesmo pontos finais &#8211; exatamente como é na vida real.</p>
<figure id="attachment_14627" aria-describedby="caption-attachment-14627" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-14627 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/foto-5.jpg" alt="" width="750" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/foto-5.jpg 750w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/foto-5-300x200.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-14627" class="wp-caption-text">Fluxo de consciência, epifanias, intimismo, diversas possibilidades de interpretação, sentimentos multifacetados retratados de forma profunda e sincera&#8230; <span style="font-weight: 400;"> Essas características são familiares na literatura brasileira. Será que Taylor andou lendo nossa </span><a href="http://esteticaliteraria.blogspot.com/2009/01/clarice-lispector-estilo.html"><span style="font-weight: 400;">Clarice Lispector</span></a><span style="font-weight: 400;">? (Foto: Reprodução)</span></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Tamanha identidade e profundidade que</span><i><span style="font-weight: 400;"> folklore</span></i><span style="font-weight: 400;"> apresenta é</span><span style="font-weight: 400;"> resultado de uma alquimia. Entre as 16 faixas, encontramos um pouco de cada aspecto da experiência que a artista adquiriu nos últimos anos: o amadurecimento ainda apaixonado de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=acQXa5ArHIk"><i><span style="font-weight: 400;">Lover</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, pinceladas da ousadia de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=iAv1Y1YIwm8"><i><span style="font-weight: 400;">reputation</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, composições e produções tão boas quanto as de </span><em><a href="https://www.youtube.com/watch?v=IdneKLhsWOQ"><span style="font-weight: 400;">1989</span></a></em><span style="font-weight: 400;">, e uma sonoridade que refina o que existe de melhor em </span><em><a href="https://www.youtube.com/watch?v=QuijXg8wm28"><span style="font-weight: 400;">RED</span></a></em><span style="font-weight: 400;">. </span>E à isso se deve a sensação curiosa de familiaridade que o álbum traz, mesmo em meio a <span style="font-weight: 400;">novas posturas, intenções, territórios e aspectos que a artista nos apresenta. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É por essas construções também que </span>nos envolvemos e nos emocionamos, ainda que às vezes não tenhamos vivenciado pessoalmente aquilo que está sendo retratado na canção. Também identificamos sentimentos, que sequer repararíamos que tínhamos ou que não saberíamos descrever. Mas Taylor sabe, e aponta gentilmente.</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda brincando com opostos, é mais ou menos assim a experiência com o </span><i><span style="font-weight: 400;">folklore</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Taylor Swift: mesmo com o frio na barriga vindo da imprevisibilidade do crescimento, do autoconhecimento, da descoberta de um novo lugar, novas pessoas e novos sentimentos, sentimos uma ponta acolhedora de paz e conforto. Sabemos que estamos acompanhados por alguém que reconhece nossas complexidades e, talvez o mais importante: nos sentimos em casa.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: folklore (deluxe version)" width="300" height="380" allowtransparency="true" frameborder="0" allow="encrypted-media" src="https://open.spotify.com/embed/album/1pzvBxYgT6OVwJLtHkrdQK?si=w9p1UDO8SRmKXvb1v4RfRA"></iframe></p>
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