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	<title>Arquivos Sessão Vitrine Petrobras &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Em A Hora da Estrela, Macabéa representa a busca da própria identidade</title>
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		<pubDate>Thu, 16 May 2024 18:15:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Machado Leal A Hora da Estrela, filme de 1985 baseado no livro homônimo escrito por Clarice Lispector, conta a história da datilógrafa Macabéa, que pouco da vida conhece, mas vive com o mínimo porque foi ensinada dessa maneira. Dirigido por Suzana Amaral, o longa-metragem ganhou uma nova versão remasterizada com o apoio da Sessão &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-hora-da-estrela-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em A Hora da Estrela, Macabéa representa a busca da própria identidade"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_33407" aria-describedby="caption-attachment-33407" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-33407" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image3-3.png" alt="Foto da atriz Marcélia Cartaxo, uma mulher branca de cabelos cacheados e castanhos. Ela está correndo e usa um vestido branco. A foto está em preto e branco." width="750" height="452" /><figcaption id="caption-attachment-33407" class="wp-caption-text">Marcélia Cartaxo dá vida à Macabéa, protagonista do livro e da adaptação cinematográfica de A Hora da Estrela (Foto: Sessão Vitrine Petrobras)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Machado Leal</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">A Hora da Estrela</span></i><span style="font-weight: 400;">, filme de 1985 baseado no livro homônimo escrito por Clarice Lispector, conta a história da datilógrafa Macabéa, que pouco da vida conhece, mas vive com o mínimo porque foi ensinada dessa maneira. Dirigido por </span><a href="https://jornal.usp.br/cultura/a-trajetoria-de-suzana-amaral-no-cinema-e-na-usp/"><span style="font-weight: 400;">Suzana Amaral</span></a><span style="font-weight: 400;">, o longa-metragem ganhou uma nova versão remasterizada com o apoio da Sessão Vitrine Petrobras como distribuidora e foi lançado nos cinemas em 2024, sendo a chance do público brasileiro conhecer ou revisitar uma das histórias nacionais mais emocionantes já feitas. </span></p>
<p><span id="more-33404"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama da narrativa escrita pela ucraniana é simples: a protagonista alagoana vai para o Rio de Janeiro trabalhar como datilógrafa, algo comum no século XX, visto que o trabalho daria chances de melhores condições de vida para a migrante. Após o falecimento da tia, Macabéa vai morar em uma espécie de pensão com outras três mulheres. Com 19 anos, um estômago ruim e uma alimentação que nada a favorece, a jovem apenas existe sem entender a tamanha dificuldade que a permeia. Nos cinemas, a personagem é vivida brilhantemente pela atriz </span><a href="https://www.nexojornal.com.br/entrevista/2024/05/10/marcelia-cartaxo-eu-estava-fresquinha-assim-como-macabea"><span style="font-weight: 400;">Marcélia Cartaxo</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esguia, desnutrida e curiosa são três das palavras que definem a protagonista e, infelizmente, a forma como a veem. Mesmo não tendo terminado a escola, Macabéa arruma um emprego como datilógrafa, que dá a ela algo menor do que um salário mínimo. No entanto, embora esteja cercada por inúmeros obstáculos, há algo que desperta chamas em seu coração, a </span><a href="https://memoria.abert.org.br/radio-relogio-voce-sabia/"><span style="font-weight: 400;">Rádio Relógio</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ao ouvir os ensinamentos da programação radiofônica, a alagoana aprende os significados daquilo que tanto a aflige: as palavras.</span></p>
<figure id="attachment_33405" aria-describedby="caption-attachment-33405" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-33405" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image1-2.png" alt="Foto da atriz Marcélia Cartaxo, uma mulher branca de cabelos cacheados e castanhos. Ela veste uma blusa bordada com as cores cinza e branco e utiliza uma presilha branca no lado esquerdo do cabelo. Ela está cabisbaixa e olha com tristeza para baixo." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image1-2.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image1-2-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image1-2-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image1-2-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image1-2-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image1-2-1200x675.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33405" class="wp-caption-text">A primeira edição de A Hora da Estrela foi publicada em 1977, mesmo ano da morte de Clarice Lispector (Foto: Sessão Vitrine Petrobras)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos pontos cruciais para o entendimento da história é a identificação do público com sua protagonista. Dessa forma, o trabalho de Cartaxo é fundamental para que o espectador entenda a nordestina e, assim, tenha empatia por ela. Macabéa não é exclusiva, nem apenas uma persona evocada por </span><a href="https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/verso/por-que-obras-de-clarice-lispector-continuam-sendo-adaptadas-para-o-cinema-e-seguem-relevantes-1.3511543"><span style="font-weight: 400;">Clarice Lispector</span></a><span style="font-weight: 400;">. A alagoana é como todo e qualquer ser humano que já se sentiu minimamente descartável e perdido no mundo. A vida, para ela, é normal. Entretanto, para aqueles que a acompanham nas telas do Cinema, a jovem possui um passado trágico, um presente cinza e um futuro assustador. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em certo ponto da trama, a protagonista conhece o operário Olimpo de Jesus (José Dumont), por quem ela prontamente se apaixona. Com anseio de viver e sentir algo diferente de sua vida monótona, a garota sente as primeiras faíscas do amor (não correspondido). No diálogo de Macabéa com o pretendente, há o desenvolvimento dela enquanto </span><a href="https://vermelho.org.br/coluna/a-estrela-e-a-invisibilidade-social/"><span style="font-weight: 400;">ser pensante</span></a><span style="font-weight: 400;">: à medida em que entende-se a ganância do metalúrgico, compreende-se a inocência da personagem, uma vez que, por não ter acesso a direitos básicos – como educação, saúde e alimentação – pouco do mundo ela conhece.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Virgem, fã de coca-cola e datilógrafa, Macabéa não tem tempo de se sentir triste. No sistema capitalista, pensar em sentimentos é um luxo que ela não se pode deixar levar, ainda mais aqueles que a mostrariam a situação deplorável em que a alagoana vive. Além de suas colegas de pensão, a jovem possui uma amiga no trabalho, a carioca Glória, vivida por </span><a href="https://tvhistoria.com.br/musa-anos-80-anima-festas-infantis-sobreviver/"><span style="font-weight: 400;">Tamara Taxman</span></a><span style="font-weight: 400;">, que é tudo o que ela não é: provocativa, desejada por homens e namoradeira. Viciada em superstições, a coadjuvante rouba o namorado da protagonista a fim de ter o homem que realmente ama. Após a atitude, a loira sugere que a personagem principal faça o mesmo para que sua vida mude.</span></p>
<figure id="attachment_33406" aria-describedby="caption-attachment-33406" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-33406" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image2-2.png" alt="Foto da atriz Fernanda Montenegro, uma mulher branca de cabelos cacheados, e a atriz Marcélia Cartaxo, uma mulher branca de cabelos cacheados e castanhos. Elas estão sentadas olhando para as cartas que estão na mesa." width="700" height="466" /><figcaption id="caption-attachment-33406" class="wp-caption-text">Com um trabalho de tirar o fôlego, Fernanda Montenegro é a coadjuvante perfeita para A Hora da Estrela (Foto: Sessão Vitrine Petrobras)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A partir da ida da datilógrafa à cartomante Madame Carlota, interpretada pela brilhante </span><a href="https://www.folhabv.com.br/variedades/conheca-cinco-filmes-que-marcaram-carreira-de-fernanda-montenegro/"><span style="font-weight: 400;">Fernanda Montenegro</span></a><span style="font-weight: 400;">, Macabéa entende a sua própria vida e existência. Nunca foi amada e muito menos desejada, mas aprendeu a viver assim, pois pensava que esse era o normal: não ser. Em uma interpretação caricata na dose certa, Montenegro traz mais uma carta de humor utilizada pelos escritos de Lispector e pelo roteiro adaptado de Alfredo Oroz e Suzana Amaral. Através da consulta, a alagoana confessa que tem medo de palavras, mas escuta atentamente todas as previsões feitas pela ex-prostituta. Assim, a percepção da protagonista de sua humanidade representa o ponto mais alto da narrativa</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por esse lado, o filme apresenta um dos diálogos mais importantes da história: a análise da vida trágica de Macabéa. A cena reúne tudo o que o público viu ao longo da trama e, com as atuações de Cartaxo e Montenegro, há um anseio por um futuro menos amargo para a protagonista. Após o término da sessão com a profissional, Macabéa se despreende do presente e do passado terrível e olha em direção ao futuro. Vívida por sensações novas e experiências que possam tirá-la do estado automático em que permaneceu por 19 anos, a recém descoberta de sua autonomia serve como a ‘cereja do bolo’ do desenvolvimento perfeito da personagem enquanto arco narrativo. Ancorada na maestria dos </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2018/12/10/cultura/1544426497_594113.html#:~:text=Clarice%20Lispector%20%C3%A9%20considerada%2C%20junto,a%20primeira%20pessoa%20na%20narrativa."><span style="font-weight: 400;">escritos</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Clarice Lispector, o longa-metragem dá um ‘gostinho de quero mais’, levando o espectador a consumir a obra original para entender ainda mais a datilógrafa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Baseando-se em um clássico nacional, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Hora da Estrela</span></i><span style="font-weight: 400;"> é competente ao adaptar uma das histórias mais cruas e delicadas escritas pela ucraniana. Ao mesmo tempo em que Macabéa tem a Rádio Relógio como sua melhor amiga, sempre aprendendo um termo novo e informações que não conhecia, a datilógrafa possui medo dessas próprias palavras. Traçando um paralelo com o amargor e doçura que é viver, o longa-metragem escancara os dilemas da vida humana: com medo de não ter sido ninguém, a protagonista foi e muito, assim como Clarice Lispector significou tanto para a </span><a href="https://www.portugues.com.br/literatura/clarice-lispector.html#:~:text=Clarice%20Lispector%20(1920%2D1977),as%20mais%20lidas%20no%20pa%C3%ADs."><span style="font-weight: 400;">Literatura brasileira</span></a><span style="font-weight: 400;">.  </span></p>
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