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	<title>Arquivos Sarcófago &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Brasil, um país de extremos</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Sep 2016 21:38:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Heavy Metal]]></category>
		<category><![CDATA[Nilo Vieira]]></category>
		<category><![CDATA[Sarcófago]]></category>
		<category><![CDATA[Sepultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nilo Vieira Não é novidade alguma afirmar que o Brasil é um país de contrastes. Em contraponto à beleza natural do país, a desigualdade social sempre se fez presente. Ao passo em que a miscigenação nos trouxe tanta riqueza cultural, os mais peçonhentos tipos de preconceitos nunca abandonaram nossa sociedade. O carisma do brasileiro sempre &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/brasil-pais-extremos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Brasil, um país de extremos"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Nilo Vieira</strong></p>
<p>Não é novidade alguma afirmar que o Brasil é um país de contrastes. Em contraponto à beleza natural do país, a desigualdade social sempre se fez presente. Ao passo em que a miscigenação nos trouxe tanta riqueza cultural, os mais peçonhentos tipos de preconceitos nunca abandonaram nossa sociedade. O carisma do brasileiro sempre encontrou no oportunismo dos tiranos um grande inimigo; e por aí vão os incontáveis arquétipos intrínsecos à nossa história. Apesar de alguns avanços notáveis, a Terra de Vera Cruz continua não sendo um país de todos e nem para todos.</p>
<p><span id="more-4532"></span></p>
<p>Quando o assunto é música, esse contraste toma proporções interessantes. Pode-se afirmar que é nesse ambiente que o famigerado “jeitinho brasileiro” se manifesta em sua forma plena (ou mesmo de modo em que não haja prejuízos para nenhuma pessoa): foi no mesmo estado do Rio de Janeiro, por exemplo, que os complexos ritmos da bossa nova e os batidões grudentos do funk carioca surgiram. Mesmo sob circunstâncias extremamente adversas, os artistas brasileiros sempre conseguiram encontrar um meio de se expressar e se fazerem ser ouvidos &#8211; o melhor exemplo está no período da ditadura militar (1964-1985), que rendeu a maior parte dos discos considerados como clássicos inestimáveis da música brasileira e álbuns bastante peculiares, mas que não receberam os mesmos louros.</p>
<figure id="attachment_4537" aria-describedby="caption-attachment-4537" style="width: 570px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-4537 aligncenter" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/09/sepultura12-1-1.jpg" alt="sepultura12-1-1" width="570" height="363" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/09/sepultura12-1-1.jpg 570w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/09/sepultura12-1-1-300x191.jpg 300w" sizes="(max-width: 570px) 85vw, 570px" /><figcaption id="caption-attachment-4537" class="wp-caption-text">Max &#8220;Possessed&#8221; Cavalera, Wagner &#8220;Antichrist&#8221; e Igor &#8220;Skullcrusher&#8221; Cavalera: o único Sepultura tr00 possível</figcaption></figure>
<p>É o caso do metal extremo surgido em Belo Horizonte, terra natal da maior banda do estilo, o Sepultura. Todavia, antes da banda ganhar o globo e lançar tendências, o grupo fundado pelos irmãos Cavalera já dava tons brasileiros ao que haviam ouvido de bandas como Death e Metallica: os dois primeiros lançamentos da banda (o ep <i>Bestial Devastation</i> e o álbum <i>Morbid Visions</i>, respectivamente de 85 e 86) traziam um som executado de maneira tão primitiva e sinistra que, até o dia de hoje, rotulações se mostram bastante complexas. Os instrumentos não eram top de linha, e essa podreira só aumentava com as gravações de baixo custo. Além disso, as letras eram, literalmente, um punhado de blasfêmias traduzidas para o inglês &#8211; tudo isso criado por pivetes revoltados, que haviam acabado de abandonar os estudos.</p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe title="Sepultura - Troops Of Doom (Live 1986)" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/pGIb-uXBZ9Y?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>Ao passo em que o Sepultura seria o maior nome metálico brasileiro mundo afora, foi justamente sua banda rival que se consagraria como a melhor representação do cenário <i>underground</i> de BH no pós-chumbo. O Sarcófago seria vanguardista já no aspecto estético, adotando o visual com <i>corpse paint</i> no rosto, <i>spikes</i> nos braços e fivelas de bala atravessando o tronco e na cintura &#8211; anos antes de bandas estrangeiras o fazerem e ganharem fama por tal. O som não ficava atrás; o álbum de estreia da banda, <i>I.N.R.I</i> (1987), era um híbrido de <i>thrash</i>, <i>black</i> e <i>death</i> metal com níveis de violência inéditos para a época, cujo choque é sentido até hoje: segundo o respeitado portal Metal Archives, <a href="http://www.metal-archives.com/lists/BR" target="_blank">o<i> black metal</i> é o subgênero com mais bandas nacionais registradas</a>, e não é exagero afirmar que nenhuma delas seria a mesma sem a existência do Sarcófago.</p>
<figure id="attachment_4545" aria-describedby="caption-attachment-4545" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-4545" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/09/inri-55563d1c5ebd8.jpg" alt="inri-55563d1c5ebd8" width="1000" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/09/inri-55563d1c5ebd8.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/09/inri-55563d1c5ebd8-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/09/inri-55563d1c5ebd8-300x300.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/09/inri-55563d1c5ebd8-768x768.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-4545" class="wp-caption-text">Peça esse disco para sua mãe no natal</figcaption></figure>
<p>No documentário <i>Ruído das Minas</i>, M. Joker (baterista do segundo disco do grupo) afirma que D.D. Crazy, seu antecessor nas baquetas, foi um dos primeiros a executar a técnica do <i>blast beat </i>&#8211; ou “metranca”, como ficou conhecida em solo brasileiro. Não apenas isso é uma verdade, como sua abordagem no instrumento seria seminal para o surgimento de uma ramificação ainda mais obscura do heavy metal: o <i>war metal</i> (sim, isso existe!). Nesse mesmo estilo, aliás, outra banda mineira também causaria bastante controvérsia, já no nome: o Holocausto, com um disco singelamente intitulado <i>Campo de Extermínio</i>. Embora menos marcante que seus conterrâneos, merecem destaque não só pela imagética fortíssima de guerra (que, como de praxe, rendeu e ainda gera polêmicas, com o grupo frequentemente tendo de reafirmar que se trata apenas de uma narrativa descritiva para chocar e alertar as pessoas, e não uma exaltação aos horrendos princípios nazistas), como pela opção de cantar em português &#8211; embora, do mesmo modo que com o Sepultura e o Sarcófago, dificilmente você irá compreender as letras sem o encarte em mãos.</p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Olho Seco &amp; Brigada do Ódio (Split LP) (1985)" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/YH8mV-7kABg?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>Fora do estado de Minas Gerais, três outros registros merecem menção. O primeiro e talvez mais obscuro deles é o split <i>Botas, fuzis, capacetes / Brigada do ódio </i>(1985), cujo lado B (assinado pela banda de mesmo nome) é composto exclusivamente de canções de curtíssima duração e absurdamente barulhentas, elevando o punk paulistano a outro patamar de agressividade, já adiantando o que mais tarde seria rotulado como <em>grindcore</em> e <i>noisecore</i>. Ainda no estado de São Paulo, o Vulcano, formado em 1980, é considerado como a primeira banda extrema de toda a América latina, e seu <i>Bloody Vengeance</i> (1986) é tido como um dos álbuns de <i>thrash</i> mais primitivamente pesados daquela década. Já o Stress, oriundo de Belém do Pará, é defendido pelos mais fervorosos como a primeira banda de thrash metal da história, visto que sua estreia homônima saiu um ano antes de <i>Kill ‘Em All </i>(1983), do Metallica, considerado como o pontapé inicial do gênero &#8211; pessoalmente, acredito que o som do Stress esteja mais próximo aos moldes do Judas Priest, mas a discussão é bastante válida.</p>
<p>Apesar do culto de nicho ainda permanecer, tais álbuns ainda recebem muito pouca atenção, tendo sua relevância histórica praticamente anulada graças à uma imprensa muitas vezes elitista e preconceituosa &#8211; vale ressaltar que o supracitado Ruído das Minas é uma exceção, e mesmo assim, passa longe de ter o poder que devia. O argumento de que o heavy metal não é um gênero legitimamente brasileiro não só não convence, como também preocupa: nessa mesma estirpe reducionista, se permitem afirmações como a de que a bossa nova é mera ramificação do <i>cool jazz</i> norte-americano e o funk carioca apenas uma cópia do <i>miami bass</i>, o que é obviamente uma mentira descabida.</p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Ruido Das Minas (ORIGINAL HQ) Brazilian Heavy Metal 80&#039;, OverDose, Sarcofago, Mutilator, Kamikaze..." width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/8EEGZUz2jI0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>Há sempre de se relembrar o contexto social das obras em questão: para os dias de hoje, o Sarcófago dos primórdios pode soar tosco e infantil, mas a banda surgiu como um grito de protesto contra a sociedade conservadora (militar e religiosamente) da época, com tudo sendo feito na raça &#8211; é justamente no fato da banda não ser fluente em inglês e nem ter músicos de técnica invejável que a urgência de seu trabalho reside; e por isso mesmo, em uma época onde se encontra uma escola de inglês a cada esquina, que as mil cópias atuais soam caricatas e até desonestas.</p>
<p>No fim das contas, a situação não deixa de ser sintomática. Do mesmo jeito que músicos “malditos” como Tom Zé, o Sepultura precisou antes fazer sucesso em outros continentes para então despertar interesse na crítica brasileira; talvez seja apenas questão de alguns anos para o mesmo se repetir com as outras bandas deste texto, mas parece improvável. Mais de quinhentos anos depois, o Brasil continua sendo um país de cultura riquíssima, mas de extrema polarização.</p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/1ar4Z56FydAxYg7FuWYgOu" width="300" height="380" frameborder="0" allowtransparency="true"></iframe></p>
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