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	<title>Arquivos Russell Crowe &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos Russell Crowe &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>25 anos de Gladiador: Quando o Cinema reviveu Roma e nos lembrou que até impérios podem sangrar</title>
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		<pubDate>Thu, 22 May 2025 23:58:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Marcos Henrique Sabe quando tomamos uma decisão que, à primeira vista, parecia extremamente difícil, mas que, depois de feita, começa a se mostrar a escolha óbvia e certa? Essa é a história de Ridley Scott com o roteiro de Gladiador (2000), filme que marcou a virada do século com o retorno do gênero épico aos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/gladiador-25-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "25 anos de Gladiador: Quando o Cinema reviveu Roma e nos lembrou que até impérios podem sangrar"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_35274" aria-describedby="caption-attachment-35274" style="width: 728px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-35274 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/05/movie-gladiator-wallpaper-preview.jpg" alt="Cena do filme Gladiador.Na imagem, o personagem Maximus aparece de costas, do lado direito da imagem, caminhando pelos campos dourados em direção à sua família, que o aguarda ao fundo da imagem. Ele veste sua armadura de gladiador e está nos Campos Elíseos, representando sua passagem para o pós-vida. Máximus é um homem adulto, de pele branca e cabelos pretos. " width="728" height="410" /><figcaption id="caption-attachment-35274" class="wp-caption-text">“O que fazemos em vida ecoa na eternidade” (Foto: Paramount Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Marcos Henrique</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sabe quando tomamos uma decisão que, à primeira vista, parecia extremamente difícil, mas que, depois de feita, começa a se mostrar a escolha óbvia e certa? Essa é a história de Ridley Scott com o </span><a href="https://www.curioteca.com.br/2022/05/20-curiosidades-sobre-o-filme-gladiador-2000.html#google_vignette"><span style="font-weight: 400;">roteiro de </span><i><span style="font-weight: 400;">Gladiador</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2000), filme que marcou a virada do século com o retorno do gênero épico aos cinemas e nos apresentou a poética e grandiosa jornada de Maximus Decimus Meridius (Russell Crowe).</span><span id="more-35272"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A princípio, o diretor não aprovou a ideia de dirigir a produção, pois estava focado em trabalhar nas sequências de outras franquias, como </span><a href="https://personaunesp.com.br/alien-romulus-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Alien</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/blade-runner-2049-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Blade Runner</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. No entanto, em uma visita a Roma, ao vislumbrar a arquitetura da cidade e as pinturas de gladiadores em combate, sua decisão tomou um rumo diferente. Após este contato profundo com a cultura greco-romana, Ridley Scott aceitou fazer o longa.</span></p>
<figure id="attachment_35275" aria-describedby="caption-attachment-35275" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-35275" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/05/on-the-set-of-gladiator-behind-the-scenes-2000-v0-mda1dlmqfg9a1.png" alt="Cena de bastidores do filme GladiadorNa imagem, Russell Crowe, caracterizado como Maximus com roupas sujas e ferimentos cenográficos no ombro, conversa e sorri com o diretor Ridley Scott nos bastidores do filme. Scott, um homem mais velho de barba branca e boné vermelho, gesticula com as mãos enquanto fala. A cena se passa em um set ao ar livre, com figurantes ao fundo. " width="640" height="359" /><figcaption id="caption-attachment-35275" class="wp-caption-text">Ridley Scott e Russell Crowe, embora discutissem constantemente nos bastidores, formaram uma das parcerias mais marcantes do Cinema (Foto: Variety)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">25 anos após o lançamento, ainda podemos nos emocionar com a história do escravo que desafiou um império. </span><i>Gladiador </i><span style="font-weight: 400;">nos conta a jornada de Maximus, o maior general de Roma e braço direito de </span><a href="https://estoicismopratico.com/blog/quem-foi-marco-aurelio-o-imperador-filosofo"><span style="font-weight: 400;">Marco Aurélio</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Richard Harris), o imperador da época. Ao longo das conquistas do império, o general se tornou uma figura extremamente importante e essencial para a glória da cidade, o que o tornou o sucessor perfeito para o trono. Porém, </span><a href="https://aventurasnahistoria.com.br/noticias/reportagem/historia-quem-foi-o-imperador-comodo-filho-de-marco-aurelio.phtml"><span style="font-weight: 400;">Cômodo</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Joaquin Phoenix), filho do imperador e herdeiro do trono, não aceita o desprezo do próprio pai e o assassina a sangue frio, assumindo o título de imperador e ordenando a execução de Maximus e sua família. Mas ele sobrevive e, após ver sua família morta, passa o resto de seus dias em busca de vingança.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">A direção de Ridley Scott, somado à fotografia de John Mathieson e o impecável design de produção liderado por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jE9Iajvm0vo"><span style="font-weight: 400;">Arthur Max</span></a><span style="font-weight: 400;">, remontam a Roma Antiga até nos mínimos detalhes, desde os figurinos ornamentados até a grandiosidade do Coliseu. Uma curiosidade interessante é a de que não foi permitido fazer as gravações na capital da Itália, onde o enredo se passa. Por isso, a produção decidiu explorar outras extensões do </span><a href="https://rotunnocidadania.com.br/blog/imperio-romano/"><span style="font-weight: 400;">Império Romano</span></a><span style="font-weight: 400;"> antes de sua queda. Um bom exemplo foi a réplica do anfiteatro erguida em Malta, feita de madeira compensada e gesso. A fotografia retrata uma Roma grandiosa e transmite, de forma assertiva, a aura do império tal como ele era imaginado. No entanto, em termos históricos, a narrativa não compactua com a realidade e se permite contar uma jornada original, com personagens que nem sequer existiram na vida real.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Historiadores de todo o mundo criticam o filme pela péssima precisão histórica. Entretanto, esquecem que </span><i><span style="font-weight: 400;">Gladiador</span></i><span style="font-weight: 400;"> é, acima de tudo, uma obra de ficção, sem compromisso com a realidade, o que não o diminui como Arte. Não se trata de um livro de história ou de um documentário sobre a Roma Antiga, mas de uma jornada de vingança, que busca envolver o público por meio de personagens fortemente inspirados em grandes figuras romanas. O protagonista, por exemplo, foi inspirado em </span><a href="https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/287178-gladiador-filme-iconico-anos-2000-baseado-historia-real.htm"><span style="font-weight: 400;">Narciso</span></a><span style="font-weight: 400;">, um atleta romano historicamente conhecido por ter matado o imperador Cômodo em 192 d.C.</span></p>
<figure id="attachment_35277" aria-describedby="caption-attachment-35277" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-35277" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/05/469263991_1083871893219296_7276898956452254921_n-800x568.jpg" alt=" Cena do filme Gladiador. Na imagem, o imperador Cômodo, interpretado por Joaquin Phoenix, encara o gladiador Maximus dentro da arena. Cômodo veste uma armadura negra ornamentada com detalhes dourados e pratas, com uma coroa de louros, enquanto Máximus usa uma armadura prateada danificada e está ferido. Ao fundo, guardas romanos armados com escudos observam a cena. Phoenix é um homem branco, jovem e de cabelos pretos. " width="800" height="568" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/05/469263991_1083871893219296_7276898956452254921_n-800x568.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/05/469263991_1083871893219296_7276898956452254921_n-1024x727.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/05/469263991_1083871893219296_7276898956452254921_n-768x545.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/05/469263991_1083871893219296_7276898956452254921_n.jpg 1080w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35277" class="wp-caption-text">Mais de 10.000 trajes foram criados pela equipe de figurino para vestir o elenco e os figurantes (Foto: Paramount Pictures)</figcaption></figure>
<p><a href="https://personaunesp.com.br/o-exorcismo-critica/"><span style="font-weight: 400;">Russell Crowe</span></a><span style="font-weight: 400;">, no papel de Maximus, entrega um dos melhores trabalhos de sua carreira. O roteiro é ótimo ao nos fazer simpatizar com a causa do personagem, mas é Crowe quem nos conquista a cada olhar e fala. Fazia apenas quatro meses que o ator havia ganhado 40 kg para seu papel no filme “</span><i><span style="font-weight: 400;">O</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Informante” (1999)</span></i><span style="font-weight: 400;">. E foi preciso que ele perdesse todo esse peso para interpretar Maximus. Seu personagem é cheio de pérolas de sabedoria, incluindo frases de Marco Aurélio, que, além de imperador, foi um grande pensador romano.</span></p>
<p><a href="https://personaunesp.com.br/coringa-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">Joaquin Phoenix</span></a><span style="font-weight: 400;">, como Cômodo, é nojento e assustador. O ator encarna um personagem oposto ao protagonista, é possível notar pela própria </span><a href="https://signsalad.com/our-thoughts/what-is-semiotics/"><span style="font-weight: 400;">semiótica</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos figurinos: Maximus, no início do filme, usa vestes em tons avermelhados, enquanto Cômodo está sempre com cores mais frias, como o azul. O personagem é um retrato da ambição, inveja e ganância, remetendo a vários outros tiranos que o mundo já conheceu. O ator, como já fez muitas vezes em sua carreira, quase desistiu de seu papel no filme, mas Ridley Scott </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/gladiador-joaquin-phoenix-tentou-largar-filme-relembra-diretor/#:~:text=De%20acordo%20com%20o%20diretor,%2C%20'Isso%20%C3%A9%20extremamente%20anti%C3%A9tico."><span style="font-weight: 400;">não permitiu</span></a><span style="font-weight: 400;"> e o convenceu a continuar no projeto.</span></p>
<figure id="attachment_35278" aria-describedby="caption-attachment-35278" style="width: 468px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-35278" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/05/gladiator-4.jpg" alt=" Cena do filme Gladiador. Na imagem, Maximus está em uma arena romana, sob a luz intensa do sol. Ele está ao centro da imagem, gritando com expressão de fúria. Enquanto segura uma espada na mão direita e mantém o braço esquerdo estendido em desafio. Usa uma armadura de couro escura e está cercado pela grandiosidade da arena. " width="468" height="286" /><figcaption id="caption-attachment-35278" class="wp-caption-text">“Vocês não estão entretidos?!” (Foto: Paramount Pictures)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Gladiador</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem uma carga política relevante até os dias de hoje. A famosa estratégia do </span><a href="https://dicas.vestibulares.com.br/politica-do-pao-e-circo/"><span style="font-weight: 400;">“pão e circo”</span></a><span style="font-weight: 400;">, usada em Roma como forma de manipular as massas, é explorada na obra com um subtexto bem interessante. O circo ganha vida no Coliseu, com as batalhas entre gladiadores, onde os romanos esquecem os abusos do império ao se entreterem com o sangue derramado na arena. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A cidade sempre foi fascinada por essa brutalidade, isso se reflete não apenas em seu circo, mas também em sua própria </span><a href="https://www.historiadomundo.com.br/idade-antiga/imperio-romano.htm"><span style="font-weight: 400;">história</span></a><span style="font-weight: 400;">. Roma é fruto dessa violência, e é nisso que eles acreditam. O próprio Senado, embora lute pela queda do Império, entende que o verdadeiro coração pulsante da cidade nunca foi o mármore de seus palácios, mas sim a areia do Coliseu.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Maximus, guiado pelo ódio e pelo desejo de vingança, torna-se a principal atração deste espetáculo romano, sendo peça fundamental em estratégias políticas. No entanto, o general não se limita ao puro ódio, pois se lembra de um sonho, tão frágil que apenas poderia ser sussurrado. O sonho de uma Roma livre do império, uma </span><a href="https://www.scielo.br/j/topoi/a/NGKCsSP96cXgKmmfWSrDQpB/"><span style="font-weight: 400;">república</span></a><span style="font-weight: 400;"> próspera e justa. Esse era o ideal de Marco Aurélio, e cabia a Máximus, com os dias que lhe restavam, a missão de realizá-lo.</span></p>
<figure id="attachment_35279" aria-describedby="caption-attachment-35279" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35279" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/05/derek-jaocobi-gladiator-673f71d92f5e1-800x600.jpg" alt="Cena do filme Gladiador.Na imagem, dois senadores romanos, Gracco e Falco, observam atentamente uma batalha na arena. Ambos usam túnicas brancas e acessórios dourados, como pulseiras e anéis. Gracco (à esquerda), de pele branca e cabelos grisalhos, transmite seriedade; Falco (à direita), um homem pardo de meia-idade com cabelos pretos, parece mais contido. Ao fundo, o Coliseu aparece cheio, sob a luz do dia. " width="800" height="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/05/derek-jaocobi-gladiator-673f71d92f5e1-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/05/derek-jaocobi-gladiator-673f71d92f5e1-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/05/derek-jaocobi-gladiator-673f71d92f5e1-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/05/derek-jaocobi-gladiator-673f71d92f5e1.jpg 1086w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35279" class="wp-caption-text">“O coração batendo de Roma não é o mármore do Senado, é a areia do Coliseu. Ele vai trazê-los a morte, e eles vão amá-lo por isso” (Foto: Paramount Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Por isso, a icônica cena em que o gladiador pergunta ao público se eles estão entretidos marca o momento em que o personagem entende a posição em que está e como pode usá-la para alertar Roma sobre sua distração. Uma cena curiosa, que parece flertar com a ideia de quebrar a quarta parede e nos fazer perguntar: será que o filme </span><i><span style="font-weight: 400;">Gladiador</span></i><span style="font-weight: 400;">, enquanto grande obra do entretenimento atual, também faz parte dessa política e tenta nos alertar de que o </span><a href="https://estuda.com/arte-ou-entretenimento-o-cinema-como-uma-ferramenta-cultural/#:~:text=Assim%2C%20podemos%20dizer%20perfeitamente%20que,%C3%A9%20oferecer%20lazer%20%C3%A0s%20pessoas."><span style="font-weight: 400;">Cinema</span></a><span style="font-weight: 400;">, principalmente </span><i><span style="font-weight: 400;">hollywoodiano</span></i><span style="font-weight: 400;">, pode ser um mecanismo de controle que nos distrai das questões importantes?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Hollywood vem, há quase 100 anos, dominando o </span><i><span style="font-weight: 400;">mainstream</span></i><span style="font-weight: 400;"> do audiovisual e ocupando todas as salas de cinema em diversos países. Muitas de suas produções seguem um padrão que parece buscar, acima de tudo, a maior bilheteria possível. Trata-se de um Cinema que, pouco a pouco, perde sua expressão e autenticidade, preso a objetivos puramente comerciais que sufocam </span><a href="https://www.em.com.br/emfoco/2025/03/08/cinema-independente-vs-hollywood-saiba-como-filmes-independentes-estao-conquistando-grandes-premios/"><span style="font-weight: 400;">produções independentes</span></a><span style="font-weight: 400;"> e controlam um público que, de sessão em sessão, busca cegamente por ‘entretenimento’. </span><i><span style="font-weight: 400;">Gladiador </span></i><span style="font-weight: 400;">faz parte do </span><i><span style="font-weight: 400;">mainstream</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Hollywood, mas o utiliza de forma inteligente, tal como Maximus usou a ferramenta de controle do império como arma de destruição do mesmo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fato é que o filme</span> <span style="font-weight: 400;">se consolidou como um marco na história do Cinema, conquistando cinco estatuetas no</span> <a href="https://www.oscars.org/oscars/ceremonies/2001/memorable-moments"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">: Melhor Filme, Melhor Figurino, Melhores Efeitos Visuais, Melhor Som e Melhor Ator para Russell Crowe. Além disso, gerou um movimento apelidado de “efeito </span><i><span style="font-weight: 400;">Gladiador”,</span></i><span style="font-weight: 400;"> que aumentou as vendas de livros sobre a Roma antiga e pavimentou o caminho para que filmes como </span><i><span style="font-weight: 400;">Tróia (2004), Rei Arthur (2004), 300 (2006)</span></i><span style="font-weight: 400;"> e outros épicos pudessem surgir. </span><i><span style="font-weight: 400;">Gladiador</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma obra grandiosa, emocionante e sensível, um épico cujos ensinamentos ainda ressoam e continuarão a ecoar pela eternidade.</span></p>
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		<title>O Exorcismo se perde em várias ideias</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Sep 2024 17:58:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Moraes Em 1973, William Friedkin lançava O Exorcista, uma película de terror que logo se tornaria um clássico e mudaria o modo de se fazer filmes de demônio. No início da década de 2010, longas de terror psicológico começaram a fazer sucesso no Cinema pelas metáforas de medos sociais reais, como o racismo, a &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-exorcismo-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Exorcismo se perde em várias ideias"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34049" aria-describedby="caption-attachment-34049" style="width: 984px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34049" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-9.png" alt="Anthony, interpretado por Kurt Russell está sozinho no quadro. Ele está com as bochechas cortadas e veste uma roupa toda preta de padre. A tela é iluminada por uma cor esverdeada." width="984" height="621" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-9.png 984w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-9-800x505.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-9-768x485.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34049" class="wp-caption-text">“Este é um drama psicológico envolto na pele de um filme de terror” (Foto: Imagem Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Moraes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 1973, </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/william-friedkin-diretor-de-o-exorcista-morre-aos-87-anos/"><span style="font-weight: 400;">William Friedkin</span></a><span style="font-weight: 400;"> lançava </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9h8x3HdEkOY"><i><span style="font-weight: 400;">O Exorcista</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">uma película de terror que logo se tornaria um clássico e mudaria o modo de se fazer filmes de demônio. No início da década de 2010, longas de </span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Cultura/Cinema/noticia/2022/06/pos-horror-qual-o-futuro-do-subgenero-que-se-tornou-popular-no-cinema.html"><span style="font-weight: 400;">terror psicológico</span></a><span style="font-weight: 400;"> começaram a fazer sucesso no Cinema pelas metáforas de medos sociais reais, como o racismo, a misoginia e a depressão, os transformando em algo concreto, como um ser místico ou, até mesmo, assassinos. Esse é o caso de filmes como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=FE-u6RznkGQ"><i><span style="font-weight: 400;">A Bruxa</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2015)</span><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mDGV5UucTu8"><i><span style="font-weight: 400;">Corra!</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2017) e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-mRhup5hLTM"><i><span style="font-weight: 400;">O Babadook</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2014)</span><i><span style="font-weight: 400;">.</span></i><span style="font-weight: 400;"> Nesse sentido,</span><i><span style="font-weight: 400;"> O Exorcismo, </span></i><span style="font-weight: 400;">de </span><a href="https://www.terra.com.br/diversao/entre-telas/o-impeto-foi-a-eleicao-de-donald-trump-diretor-do-novo-terror-de-russell-crowe-revela-inspiracao-para-tirar-o-filme-do-papel,0f701f71932f22b466b92bf1e7bbc6e4zpjwo50c.html"><span style="font-weight: 400;">Joshua John Miller</span></a><span style="font-weight: 400;">, tenta emplacar uma narrativa sobre depressão, alcoolismo, abuso e paternidade, ao mesmo tempo que faz uma referência ao clássico, porém, a obra acaba se tornando enxuta em seu conteúdo e rasa em sua forma.</span></p>
<p><span id="more-34048"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em princípio, o filme fala sobre as gravações de um longa-metragem de terror, em que o ator que interpreta o padre </span><a href="https://aventurasnahistoria.com.br/noticias/indica/de-mortes-misteriosas-acidentes-7-curiosidades-macabras-do-filme-o-exorcista.phtml"><span style="font-weight: 400;">morre no </span><i><span style="font-weight: 400;">set</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de filmagens, com isso, o diretor passa a procurar um outro ator para interpretar o personagem. Anthony Miller (</span><a href="https://revistamonet.globo.com/filmes/noticia/2024/08/a-conexao-familiar-entre-o-ultimo-filme-de-russell-crowe-e-o-classico-o-exorcista.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Russell Crowe</span></a><span style="font-weight: 400;">), um pai pouco presente e ‘ex-bebum’, decide fazer um teste para o papel; paralelamente a isso, ele tenta se reaproximar da filha, em uma busca de redenção e de ajustar a sua vida. No entanto, o protagonista acaba sendo possuído pelo demônio que matou o primeiro intérprete e, assim, acaba revivendo seus antigos traumas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra se assume como um </span><a href="https://marciosallem.substack.com/p/o-exorcismo?r=37904w&amp;utm_campaign=post&amp;utm_medium=web&amp;triedRedirect=true"><span style="font-weight: 400;">drama psicológico</span></a><span style="font-weight: 400;"> de maneira </span><a href="https://www.planocritico.com/entenda-melhor-cinema-e-metalinguagem/#google_vignette"><span style="font-weight: 400;">metalinguística</span></a><span style="font-weight: 400;">, falando sobre o filme dentro do filme e, dessa forma, tenta esconder as suas fragilidades, principalmente quando se trata de trabalhar com o medo e a tensão típicos do gênero de terror. Nesse sentido, falta criatividade para Joshua John Miller. Ele até consegue trabalhar bem com os cenários, como a casa do Anthony sendo muito fechada, escura e claustrofóbica – as escadas conseguem imprimir um estado de alerta no espectador –, mas a montagem das cenas sugere sempre um drama relacionado ao trauma do personagem, e essa tentativa não consegue equilibrar o terror tradicional com o psicológico, tornando os dois rasos.</span></p>
<figure id="attachment_34051" aria-describedby="caption-attachment-34051" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34051" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-6.jpg" alt="No centro está o personagem Anthony de lado para a câmera. Ele está olhando para o lado e com o rosto todo cortado e suas roupas manchadas de sangue." width="1999" height="1333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-6.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-6-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-6-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-6-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-6-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-6-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34051" class="wp-caption-text">Russell Crowe já havia feito um filme de terror em 2023 chamado O Exorcismo do Papa (Foto: Imagem Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa exibe traços da obra original de William Friedkin: a trama focada na possessão e na relação pai e filha – em </span><i><span style="font-weight: 400;">O Exorcista, </span></i><span style="font-weight: 400;">era mãe e filha –; a construção da casa cenográfica; a iluminação esverdeada e azulada nas cenas do exorcismo; a maquiagem sobre o rosto transfigurado naquele que foi possuído. Essas características se tornaram típicas depois do clássico de 1973 e, aqui, são utilizadas como referência e uma tentativa de emular o horror que a personagem da Regan gerava. Porém, não conseguem alçar a mesma potência, pois, enquanto </span><i><span style="font-weight: 400;">O Exorcista</span></i><span style="font-weight: 400;"> e, também, o </span><i><span style="font-weight: 400;">remake</span></i> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=HnAK3tA3Czg"><i><span style="font-weight: 400;">O Exorcista &#8211; O Devoto</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, escolhem uma criança para ser a ‘endemoniada’, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Exorcismo </span></i><span style="font-weight: 400;">escolhe o pai problemático, o que causa menos empatia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esses filmes tem uma relação de </span><a href="https://screenrant.com/the-exorcist-crucifix-scene-worse-book-disturbing/"><span style="font-weight: 400;">automutilação e profanação</span></a><span style="font-weight: 400;"> com corpo possuído, pois o demônio não oferece perigo apenas àqueles que estão rondando o personagem, mas também e, principalmente, à pele que ele tomou. É nesse sentido que a escolha por Anthony como “</span><i><span style="font-weight: 400;">casca</span></i><span style="font-weight: 400;">” enfraquece o horror, pois causa menos agonia ver um corpo de um homem adulto, “</span><i><span style="font-weight: 400;">impuro</span></i><span style="font-weight: 400;">”, sendo rondado pela morte. No entanto, aí reside algo de interessante, pois o corpo do protagonista se torna o melhor “</span><i><span style="font-weight: 400;">receptáculo</span></i><span style="font-weight: 400;">” para o monstro, visto que existem traumas e pecados que o tornam fraco perante ele.</span></p>
<figure id="attachment_34050" aria-describedby="caption-attachment-34050" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34050" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-10.png" alt="A personagem Blake Holloway, interpretada por Chloe Bailey, está sozinha no quadro. Ela apresenta alguns cortes no rosto, bem parecido com o rosto de Regan, na obra O exorcista. A tela é iluminada por uma cor esverdeada." width="800" height="445" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-10.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-10-768x427.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34050" class="wp-caption-text">A personagem Blake Holloway é uma atriz que simula uma possessão, muito parecida com Regan, de O Exorcista (Foto: Imagem Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=bWyi3ShHxzM"><span style="font-weight: 400;">cena final</span></a><span style="font-weight: 400;">, a iluminação esverdeada e azulada, junto com a maquiagem que apodrece o corpo, elevam a sensação de nojo e horror. Isso acontece na obra original, porém, nesse filme, a impressão que passa é de que todas essas técnicas foram usadas achando que, por si só, já bastassem, sem um uso específico e criativo, tornando a cena do exorcismo muito estéril. Assim como em toda cena que buscava implementar uma tensão, essa também contém cortes a todo momento para relembrar o trauma de abuso que o Anthony sofreu e, nessa última cena, fica mais evidente a fragilidade dessa ideia, pois há um contraste muito grande do cenário frio e esverdeado, do presente, com o quente e vermelho, do passado, causando uma certa estranheza.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Até mesmo as </span><a href="https://filmesefilmes.com/Publicacao.aspx?id=519803"><span style="font-weight: 400;">questões dramáticas</span></a><span style="font-weight: 400;"> do protagonista são mal exploradas, porque </span><i><span style="font-weight: 400;">The Exorcism</span></i><span style="font-weight: 400;"> (no original) é tão atulhado de informações que eles nem sabem o que trabalhar. A fita até instiga o espectador a pensar que tudo é uma consequência, ou seja, os problemas com a filha são resultado da relação problemática com a sua ex-mulher, que são efeito da ‘bebedeira’ e depressão que, por sua vez, são frutos do abuso quando era criança. Todavia, nenhuma dessas problemáticas são realmente aprofundadas, todas são exploradas de maneira intercalada durante o longa, reaparecendo de maneira burocrática, como toda cena com a filha parece lidar  com paternidade, porém sendo esquecido em todos os outros momentos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É de se esperar que, uma película com </span><a href="https://cinepop.com.br/neve-campbell-e-confirmada-em-panico-7-que-tera-direcao-de-kevin-williamson-477573/"><span style="font-weight: 400;">Kevin Williamson</span></a><span style="font-weight: 400;"> na produção e Russell Crowe como protagonista, seja recheada de boas ideias e sonhe alto, mas a execução de tudo isso foi mal feita, seja por falta de criatividade, por ser enxuta demais ou, até mesmo, pela falta de tempo, pois é uma obra curta para os padrões atuais. De maneira geral, é um filme que busca ser interessante e profundo, no entanto, gera o efeito contrário, se tornando, na verdade, raso em sua confecção.</span></p>
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