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	<title>Arquivos Retrospectiva &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Onda Nova &#8211; Gayvotas Futebol Clube é um hino ao desejo e a juventude</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Oct 2024 19:20:22 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Davi Marcelgo  O ano de 1983 foi marcado pela regulamentação do futebol feminino no Brasil, prática proibida desde 1941, na Era Vargas. Aquele ano também foi sublinhado por Onda Nova &#8211; Gayvotas Futebol Clube da dupla Ícaro Martins e José Antonio Garcia, filme produzido no polo cinematográfico Boca do Lixo e exibido pela primeira vez &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/onda-nova-gayvotas-futebol-clube-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Onda Nova &#8211; Gayvotas Futebol Clube é um hino ao desejo e a juventude"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34168" aria-describedby="caption-attachment-34168" style="width: 900px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-34168" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image1-4.png" alt=" Cena do filme Onda Nova - Gayvotas Futebol ClubeNa imagem, Marcelo e seu amante estão em um quarto, o quarto tem paredes brancas, chão de madeira, uma janela sem grades aberta, com vasos de planta. Nas paredes há um pôster com a logo do filme Star Wars: O Retorno de Jedi. Outras fotografias e pichações estão presentes. O ponto de vista é de um espelho, Marcelo aponta um revólver para o objeto. Ele veste uma saia curta, preta, de couro. Dá para ver seu pênis sair para fora, ele está sem camisa. Marcelo é um homem na faixa dos 20 anos, de pele clara e cabelos claros. No chão, o amante está deitado no colchão, olhando o espelho. O colchão está coberto com um lençol verde escuro. O amante também está pelado. Ele é um rapaz na faixa dos 20 anos, de pele clara e cabelos claros. " width="900" height="542" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image1-4.png 900w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image1-4-800x482.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image1-4-768x463.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34168" class="wp-caption-text">Com versão restaurada, pornochanchada brasileira faz parte da 48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Olympus Filme)</figcaption></figure>
<p><b>Davi Marcelgo </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ano de 1983 foi marcado pela regulamentação do futebol feminino no Brasil, prática proibida desde 1941, na </span><a href="https://jornal.usp.br/ciencias/ciencias-humanas/mulheres-passaram-40-anos-sem-poder-jogar-futebol-no-brasil/#:~:text=Ap%C3%B3s%20quatro%20d%C3%A9cadas%2C%20a%20regulamenta%C3%A7%C3%A3o,e%20a%20falta%20de%20patrocinadores."><span style="font-weight: 400;">Era Vargas</span></a><span style="font-weight: 400;">. Aquele ano também foi sublinhado por </span><i><span style="font-weight: 400;">Onda Nova &#8211; Gayvotas Futebol Clube</span></i><span style="font-weight: 400;"> da dupla Ícaro Martins e José Antonio Garcia, filme produzido no polo cinematográfico </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=qBEAjnL3zHs"><span style="font-weight: 400;">Boca do Lixo</span></a><span style="font-weight: 400;"> e exibido pela primeira vez na 7ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, há 41 anos. Em 2024, o filme ganhou restauração graças à </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/onda-nova-censurado-ditadura-mostra-sp"><span style="font-weight: 400;">seleção</span></a><span style="font-weight: 400;"> para o Festival de Locarno (Suíça) e à união do trabalho da Cinemateca Brasileira junto à Martins, à família de Garcia e outros artistas e colaboradores. Além disso, teve duas sessões na </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/48a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/">48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</a><span style="font-weight: 400;">, na seção Retrospectiva.</span></p>
<p><span id="more-34167"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Do gênero </span><a href="https://culturadoria.com.br/entenda-como-os-filmes-da-pornochanchada-marcaram-a-historia-do-cinema-nacional/"><span style="font-weight: 400;">pornochanchada</span></a><span style="font-weight: 400;">, o longa </span><a href="https://telaviva.com.br/16/07/2024/censurado-pela-ditadura-classico-onda-nova-sera-exibido-em-locarno-com-copia-restaurada/"><span style="font-weight: 400;">censurado</span></a><span style="font-weight: 400;"> pela Ditadura Militar é vibrante, seja nas cores ou nas histórias de cada personagem. Em 100 minutos, é possível amá-los, rir com eles e chorar. Mas estes sentimentos só podem ser sentidos porque os diretores dedicam inúmeras cenas – quase o filme todo para além do gramado – ao cotidiano e às relações amorosas do time e seus amantes. É difícil dar uma sinopse; seria uma história sobre emancipação feminina no futebol? Seria a descoberta da sexualidade? Ambos, mas sem dúvidas, se trata das peripécias de um grupo de amigos que se divertem e estão com os hormônios à flor da pele.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O corriqueiro é mergulhado em um realismo que apoia e contrasta com o visual berrante. O sexo é natural, seja com homem ou mulher; não tem espaço para gemidos irreais ou qualquer outro estímulo da pornografia </span><a href="https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2018/08/30/curiosidades-sobre-porno-que-voce-nao-sabia.htm"><i><span style="font-weight: 400;">hard</span></i><i><span style="font-weight: 400;">core</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span><span style="font-weight: 400;">A experiência sensorial é guiada por dedos que passeiam por corpos, línguas que deslizam das costas para as nádegas e, principalmente, pelo vínculo entre público e personagens. É quase </span><a href="https://catracalivre.com.br/entretenimento/7-filmes-sucesso-jamais-seriam-tolerados-hoje-em-dia/"><span style="font-weight: 400;">inacreditável</span></a><span style="font-weight: 400;"> que uma produção da década de 1980 seja dotada de tanto afeto e compreensão de casais homoafetivos. Aliás, bem mais que um entendimento da existência desses pares, é o reconhecimento da trivialidade. </span></p>
<figure id="attachment_34169" aria-describedby="caption-attachment-34169" style="width: 900px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-34169" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-5.png" alt="Cena do filme Onda Nova - Gayvotas Futebol ClubeNa imagem, Rita e sua amiga fumam e conversam sentadas nos degraus de uma escada. Rita está do lado direito, ela segura o cigarro com a mão. Ela veste uma camisa branca de botões que está aberta. Ela usa um anel no dedo do meio e uma pulseira de corda, bem fina. Ela é uma mulher branca, na faixa dos vinte anos, de olhos e cabelos claros. Os cabelos são curtos, estilo chanel. A amiga está do lado esquerdo, ela está de perfil, olhando Rita. Ela veste uma jaqueta preta brilhante com detalhes na cor azul marinho nos ombros. Ela é uma mulher de pele clara, na faixa dos vinte anos, também de cabelos claros, mas longos. " width="900" height="542" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-5.png 900w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-5-800x482.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-5-768x463.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34169" class="wp-caption-text">Durante a sessão, Helena Garcia, filha de José Antonio, disse que Onda Nova faz parte do projeto Cinema Desejo (Foto: Olympus Filme)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No banco traseiro de um táxi, nua, antes de transar com sua namorada, uma das personagens diz que “</span><i><span style="font-weight: 400;">prefere sonhar</span></i><span style="font-weight: 400;">”. A frase, por fim, ilustra a dinâmica entre espectador e filme, afinal, Cinema também não é sonho? É vestir a carcaça de vidas que não são suas, que você gostaria de viver e, quem sabe, morrer sendo assim. O contraste das cores, das roupas futuristas e oitentistas, e dos penteados ousados em relação à narrativa real compõem essa visão onírica desses personagens. Eles ‘trepam’, tomam cerveja à tarde, ouvem </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-noite-que-mudou-o-pop-critica/"><span style="font-weight: 400;">Michael Jackson</span></a><span style="font-weight: 400;">, cantam </span><a href="https://personaunesp.com.br/rita-lee-uma-autobiografia-critica/"><span style="font-weight: 400;">Rita Lee</span></a><span style="font-weight: 400;">, frequentam bares à noite e são </span><i><span style="font-weight: 400;">sexy</span></i><span style="font-weight: 400;">. É uma utopia </span><i><span style="font-weight: 400;">gay</span></i><span style="font-weight: 400;">, ainda mais no contexto que se insere. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Embora haja uma antítese entre real e ficção, o visual e a forma contribuem para a história, porque, embora a maneira como o sexo é filmado seja ‘banal’, as personagens e o enredo são excêntricos; uma juventude invejável e uma resposta para a opressão da ditadura, que já estava enxergando seu fim. Filmar as relações carnais deste modo, é, sem dúvidas, seguir os códigos do gênero, sobretudo, escancarar para a onda conservadora que nada disso é condenável ou antinatural, mas humano. Helena (</span><a href="https://www.folhape.com.br/cultura/tania-alves-sera-a-homenageada-do-cine-pe-2024/334573/"><span style="font-weight: 400;">Tânia Alves</span></a><span style="font-weight: 400;">) canta que “</span><i><span style="font-weight: 400;">agora vale tudo</span></i><span style="font-weight: 400;">” e, realmente, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Onda Nova</span></i><span style="font-weight: 400;">, tudo vale e nada é julgado ou moralizado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao final de </span><i><span style="font-weight: 400;">Onda Nova &#8211; Gayvotas Futebol Clube </span></i><span style="font-weight: 400;">você vai querer fazer parte do time, jogar uma ‘pelada’, praticar adultério e conhecer muito mais dos amigos. Mas também vai lamentar, e muito, porque a pornochanchada teve uma vida curta e o vulgar desapareceu do Cinema popular, seja no Brasil ou no mundo. Atualmente, o sexo – quando tem – é curto, pragmático, sem tesão e as personagens LGBTQIAP+ são unidimensionais ou estereotipadas. A questão é que houve uma higiene nesse tipo de produção, claro que há motivos maiores como denúncia de abuso em </span><i><span style="font-weight: 400;">sets</span></i><span style="font-weight: 400;">, porém, majoritariamente tudo serve aos padrões de mercado. Felizmente, a história está sendo resgatada, é tempo de vestir o uniforme e hora de</span> <a href="https://papocultura.com.br/7-das-melhores-pornochanchadas/"><i><span style="font-weight: 400;">Gozar Outra Vez</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe title="ONDA NOVA | Trailer Oficial" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/LpRq9NLrSP0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>2020 Nunca Mais é o derivado mais óbvio de Black Mirror</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Dec 2020 16:12:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitor Evangelista Alguns anos atrás, quando as tramoias de Frank Underwood não chocavam tanto quanto as de Donald Trump, percebemos que a modernidade não deve nada aos roteiros de Hollywood. São muitos os fatores que colocam 2020 num radar dramático e narrativo para a ficção se esbaldar. No contexto da pandemia e das eleições norte-americanas, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/2020-nunca-mais-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "2020 Nunca Mais é o derivado mais óbvio de Black Mirror"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_17540" aria-describedby="caption-attachment-17540" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-17540 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/1-4.jpg" alt="Lisa Kudrow, uma mulher loira na faixa dos 50 anos, olha com desdém para a câmera. À sua frente vemos um microfone, e atrás dela a bandeira dos EUA" width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/1-4.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/1-4-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/1-4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/1-4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/1-4-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-17540" class="wp-caption-text">O filme encontra uma brecha divertida para prever 2021: mutações por conta da vacina e a posse da presidente Harris são dois pontos levantados por 2020 Nunca Mais (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitor Evangelista</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Alguns anos atrás, quando as tramoias de Frank Underwood não chocavam tanto quanto as de Donald Trump, percebemos que a modernidade não deve nada aos roteiros de Hollywood. São muitos os fatores que colocam 2020 num radar dramático e narrativo para a ficção se esbaldar. No contexto da pandemia e das eleições norte-americanas, Charlie Brooker e Annabel Jones decidiram que não liberariam uma temporada nova de </span><a href="https://personaunesp.com.br/bandersnatch-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Black Mirror</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">no momento, mas eles fizeram melhor: optaram por lançar um especial de comédia recapitulando o ano. Eis que surge </span><i><span style="font-weight: 400;">2020 Nunca Mais</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-17539"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É fato que a tradução do ‘especial de comédia da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix’ </span></i><span style="font-weight: 400;">reduz um pouco a carga de sua mensagem. No original, </span><a href="https://www.tecmundo.com.br/cultura-geek/208743-2020-nunca-mais-black-mirror-criadores-comentam-producao.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Death to 2020</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> exprime com mais exatidão o caráter emergencial e execrador do filme. O que, a princípio, já levanta a maior questão de todas: 2020 realmente demandava uma retrospectiva cômica tão cedo assim? Não existe resposta certa. O roteiro, escrito por muita gente, categoriza os acontecimentos do ano e segue numa linha do tempo simples, onde quem é acostumado à </span><i><span style="font-weight: 400;">Retrospectiva da</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Globo </span></i><span style="font-weight: 400;">pode estranhar o pessimismo dos entrevistados, mas, certamente, estará acostumado ao formato adotado.</span></p>
<figure id="attachment_17541" aria-describedby="caption-attachment-17541" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-17541 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/2-4.jpg" alt="Tracey Ullman interpreta uma versão da rainha Elizabeth, uma mulher branca e idosa, de cabelos brancos e vestido verde. Ela está sentada numa cadeira dourada e vermelha e olha para a câmera com cara de nada. Ao fundo, vemos abajures, cadeiras e janelas" width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/2-4.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/2-4-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/2-4-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/2-4-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/2-4-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/2-4-2048x1366.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/2-4-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-17541" class="wp-caption-text">Tracey Ullman interpreta uma irrisória versão da Rainha Elizabeth, rendendo uma porção de piadas previsíveis com The Crown (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">E, então, somos apresentados às figuras fictícias que nos guiarão ao longo dos 12 meses do ano. Samuel L. Jackson é um jornalista da paródia do </span><i><span style="font-weight: 400;">NYT</span></i><span style="font-weight: 400;"> e tem as referências </span><i><span style="font-weight: 400;">pop </span></i><span style="font-weight: 400;">mais afiadas do filme, chegando no auge criativo de Brooker e companhia quando compara o </span><i><span style="font-weight: 400;">status </span></i><span style="font-weight: 400;">de </span><i><span style="font-weight: 400;">popstar </span></i><span style="font-weight: 400;">de </span><a href="https://www.hypeness.com.br/2019/09/quem-e-greta-thunberg-e-qual-a-sua-importancia-para-o-futuro-da-humanidade/"><span style="font-weight: 400;">Greta Thunberg</span></a><span style="font-weight: 400;"> à </span><a href="https://www.purebreak.com.br/noticias/billie-eilish-o-estilo-diferente-da-cantora-e-um-diferencial-na-industria-da-musica/89923"><span style="font-weight: 400;">Billie Eilish</span></a><span style="font-weight: 400;">. Na verdade, </span><i><span style="font-weight: 400;">2020 Nunca Mais </span></i><span style="font-weight: 400;">pouco se esforça na hora de temperar seu texto com acidez e sarcasmo. Nesses tempos de notícias falsas, com presidentes pedindo para que supremacistas brancos deem um </span><a href="https://www.uol.com.br/universa/colunas/maria-carolina-trevisan/2020/10/02/trump-nao-condenou-supremacistas-brancos-e-mandou-recados-a-extremistas.htm"><span style="font-weight: 400;">passo para trás</span></a><span style="font-weight: 400;">, e outros ainda duvidando da </span><a href="https://istoe.com.br/bolsonaro-sobre-vacina-de-pfizer-se-voce-virar-um-jacare-e-problema-de-voce/"><span style="font-weight: 400;">eficácia da vacina</span></a><span style="font-weight: 400;">, a ficção não tira riso fácil de ninguém.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que já tinha sido colocado a teste quando Borat voltou 14 anos depois. Em 2006, o personagem de Sacha Baron Cohen conseguia fazer rir pelo absurdo e por revelar camadas nojentas de quem entrevistava. Agora, em 2020, acompanhado da formidável Maria Bakalova, Cohen </span><a href="https://www.correiodopovo.com.br/podcasts/cpop/a-sequ%C3%AAncia-de-borat-%C3%A9-t%C3%A3o-engra%C3%A7ada-quanto-o-primeiro-filme-1.511790"><span style="font-weight: 400;">não atira tão alto</span></a><span style="font-weight: 400;"> quanto no passado. Já virou rotina encontrar o abominável no canal de notícias ao invés da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">. Não à toa, a personagem de Diane Morgan, a cidadã comum, satiriza esse fato, chegando a interpretar a eleição de Joe Biden como o </span><a href="https://www.poder360.com.br/internacional/veja-a-repercussao-da-eleicao-de-biden-na-midia-estrangeira/"><span style="font-weight: 400;">final de temporada da América</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Eu me surpreendi quando o país continuou indo em frente”</span></i><span style="font-weight: 400;">, ela condecora em seu sotaque britânico. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Qualquer tirada sacana ou ridicularização da estupidez cai por terra, sem qualquer peso cômico ou mesmo de estranhamento. Hugh Grant interpreta um historiador que jura de pé junto que os </span><a href="https://personaunesp.com.br/game-of-thrones-season-finale-critica/"><span style="font-weight: 400;">Caminhantes Brancos</span></a><span style="font-weight: 400;"> fazem parte da História americana, e Cristin Milioti personifica sua própria versão da Karen, a Kathy. Os atores se estendem em longos diálogos, com cenas de reconstituição visual e muita noção do ridículo, mas nada se sustenta como peça de comédia ou mesmo como partes de um filme. O </span><i><span style="font-weight: 400;">Saturday Night Live </span></i><span style="font-weight: 400;">faz isso desde 1975 e mesmo eles tem ciência do quão complicado é concorrer com os </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wlRvck-qB24"><span style="font-weight: 400;">absurdos do mundo real</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure id="attachment_17542" aria-describedby="caption-attachment-17542" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-17542 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/3-4.jpg" alt="Vemos uma mulher ruiva sentada no sofá, ela usa suéter creme e segura o controle remoto na mão, olhando para a TV" width="1200" height="799" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/3-4.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/3-4-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/3-4-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/3-4-768x511.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-17542" class="wp-caption-text">A potente voz que narra os acontecimentos do filme é a de Laurence Fishburne (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Usando o roteiro copiado e colado da realidade, e sem necessidade de inventar </span><a href="https://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2018/09/09/uss-callister-de-black-mirror-ganha-o-emmy-de-melhor-filme-para-tv.htm"><span style="font-weight: 400;">firulas espaciais</span></a><span style="font-weight: 400;"> ou uma </span><a href="https://www.tenhomaisdiscosqueamigos.com/2019/05/27/miley-cyrus-black-mirror-realidade-mulheres/"><span style="font-weight: 400;">Miley Cyrus Alexa</span></a><span style="font-weight: 400;">, Charlie Brooker segue o caminho mais fácil que poderia seguir: ele envelopa as loucuras do ano num agasalho de sua marca maior, a do espelho preto. </span><i><span style="font-weight: 400;">2020 Nunca Mais</span></i><span style="font-weight: 400;"> em momento algum se identifica como algo derivado de </span><i><span style="font-weight: 400;">Black Mirror</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas tampouco se afasta desse guarda-chuva. Dessa vez, não tem vergonha na cara de tentar soar original ou escrever tramas cheias de ganchos e viradas, nem o mínimo esforço para sair do senso comum, e não há nada mais</span><i><span style="font-weight: 400;"> ‘Black Mirror’ </span></i><span style="font-weight: 400;">que isso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme leva na brincadeira os terrores do ano, mas encontra em maio seu momento mais poderoso e com vigor. Na hora de falar sobre George Floyd e o movimento </span><a href="https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2020/06/03/black-lives-matter-conheca-o-movimento-fundado-por-tres-mulheres.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Black Lives Matter</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a direção de Al Campbell e Alice Mathias é terna e resiliente, fazendo brilhar os personagens de Samuel L. Jackson e Leslie Jones (uma terapeuta que está de saco cheio), reiterando que as figuras negras de </span><i><span style="font-weight: 400;">2020 Nunca Mais</span></i><span style="font-weight: 400;"> são os únicos seres pensantes desse microuniverso. De resto, o elenco é estelar mas demasiado estressante. Kumail Nanjiani é irritante, Joe Keery é burro e Lisa Kudrow dá nos nervos. São estereótipos que assistimos e acompanhamos diariamente na mídia, e revê-los em suas versões banais é mais problemático do que benéfico.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Isso pois </span><i><span style="font-weight: 400;">2020 Nunca Mais </span></i><span style="font-weight: 400;">é uma piada interna. Seus 70 minutos esbanjam a babaquice de quem sabe que está certo e vê, por esse meio e formato, a maneira mais certeira de escrachar a outra parcela da população. Parcela essa que pode assistir ao especial e não enxergar para além do véu do sarcasmo, como muitas vezes vemos acontecer no mundo real. As </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/salasocial-53640392"><span style="font-weight: 400;">Karens</span></a><span style="font-weight: 400;"> abraçam esse princípio, e ser chamado de racista ou fascista não pesa os ouvidos que recebe as palavras. O filme é emergencial, apressado e empunha a má fé, rir de assuntos do gênero de forma tão imediata não é só errado, como também é deselegante. Mas, vejam o lado bom, pelo menos não teve </span><i><span style="font-weight: 400;">Black Mirror</span></i><span style="font-weight: 400;"> este ano.</span></p>
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