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	<title>Arquivos Remington Leith &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Os bastardos ainda resistem: cinco anos da distopia glam de The Bastards</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Sep 2025 17:54:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Marcela Jardim Lançado em maio de 2020, The Bastards é, até hoje, o trabalho mais ambicioso e conceitual do Palaye Royale. Com forte carga emocional, visual e política, o álbum surgiu como um grito em meio ao silêncio imposto pela pandemia, oferecendo uma jornada sonora que transita entre o niilismo adolescente e a necessidade de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/os-bastardos-ainda-resistem-cinco-anos-da-distopia-glam-de-the-bastards/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os bastardos ainda resistem: cinco anos da distopia glam de The Bastards"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_35772" aria-describedby="caption-attachment-35772" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-35772 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image1-8-800x800.png" alt="Capa do álbum The Bastards, dentro de um carro antigo de aparência clássica e escura, com janelas semiabertas e interior mal iluminado, transmitindo uma atmosfera dramática e cinematográfica. À esquerda, o vocalista Remington Leith aparece com expressão melancólica, usando um casaco preto com detalhes brancos, camisa branca e gravata preta fina. Ele apoia o braço na janela com uma longa luva vermelha de couro, criando um contraste visual intenso. Seus olhos estão maquiados com delineado borrado que escorre como lágrimas negras, acentuando o estilo gótico dramático. No centro, Sebastian Danzig, o guitarrista, veste um casaco vermelho com detalhes em preto e branco e um chapéu de cartola preta com fita dourada. Seu olhar é fixo e enigmático, com maquiagem escura ao redor dos olhos, evocando uma estética teatral sombria, semelhante a personagens de um cabaré vitoriano ou filme expressionista. À direita, Emerson Barrett, o baterista, completa a cena com uma expressão pensativa e distante. Ele veste um terno vermelho com a camisa aberta, exibindo tatuagens no peito, e um lenço estampado no pescoço. Seu visual mistura o glam rock com elementos andróginos e rebeldes, criando uma imagem que remete à cultura punk dos anos 70 com um toque moderno. As janelas do carro estão embaçadas e há marcas de dedos na lataria, sugerindo um clima de tensão ou fuga. Toda a composição da imagem transmite uma aura de rebeldia, teatralidade e melancolia, característica do universo visual de The Bastards." width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image1-8-800x800.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image1-8-150x150.png 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image1-8-768x768.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image1-8.png 1000w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35772" class="wp-caption-text">The Bastards é o segundo disco da banda, sucessor de Boom Boom Room (Foto: Sumerian Records)</figcaption></figure>
<p><b>Marcela Jardim</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançado em maio de 2020, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Bastards</span></i><span style="font-weight: 400;"> é, até hoje, o trabalho mais ambicioso e conceitual do </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/artist/0hAd6zwEgt9ILuMDY1prcI?si=qsQDYfTNSkuOyEF1ORxWiw"><span style="font-weight: 400;">Palaye Royale</span></a><span style="font-weight: 400;">. Com forte carga emocional, visual e política, o álbum surgiu como um grito em meio ao silêncio imposto pela pandemia, oferecendo uma jornada sonora que transita entre o niilismo adolescente e a necessidade de insurgência. Cinco anos depois, a obra permanece viva – tanto por sua estética barroca e intensa quanto pela coragem de tocar em feridas abertas, da saúde mental à crise social. É um disco de extremos: ora poético e vulnerável, ora explosivo e provocador, mas sempre com uma sinceridade que transcende o artifício.</span></p>
<p><span id="more-35771"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O título carrega consigo múltiplas camadas de significado, funcionando como uma síntese da identidade artística da banda e de seu público. A palavra </span><i><span style="font-weight: 400;">bastards </span></i><span style="font-weight: 400;">(bastardos) invoca a ideia de exclusão, rejeição e orfandade simbólica – representando todos aqueles que não se encaixam, que foram deixados de lado por sistemas falhos ou famílias desfeitas. Para </span><a href="https://blognroll.com.br/entrevistas/entrevista-palaye-royale/"><span style="font-weight: 400;">Remington Leith</span></a><span style="font-weight: 400;">, vocalista da banda, o projeto é sobre “</span><i><span style="font-weight: 400;">ser fiel a quem você é, mesmo quando o mundo inteiro te rejeita por isso</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Dentro do universo distópico criado pela banda, os bastardos são os protagonistas de uma revolução contra a opressão. Assim, o título não é apenas um rótulo provocativo: é um grito de pertencimento e resistência, um manifesto de/e para os desajustados.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe title="PALAYE ROYALE - Tonight Is The Night I Die (Official Music Video)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/pD5o3KzXgzg?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><i><span style="font-weight: 400;">The Bastards</span></i><span style="font-weight: 400;"> nasce dentro de uma mitologia própria: a </span><a href="https://palaye-royale.fandom.com/wiki/Obsidian"><span style="font-weight: 400;">ilha distópica de Obsidian</span></a><span style="font-weight: 400;">, criada pela banda para refletir os traumas e os conflitos do mundo real sob uma lente artística e exagerada. Essa metáfora serve como pano de fundo para as 15 faixas que, em conjunto, contam uma história de dor, revolta e resistência. O conceito é evidente desde a estética visual – cheia de máscaras, uniformes militares, flores negras e maquiagem borrada – até os próprios videoclipes, que funcionam como capítulos de um mesmo universo. O álbum marca também a consolidação da figura do Palaye Royale como banda multimídia: não apenas um grupo musical, mas um projeto visual, narrativo e performático.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A força do disco está na maneira como mescla introspecção e caos. A faixa de abertura, </span><i><span style="font-weight: 400;">Little Bastards</span></i><span style="font-weight: 400;">, é um hino de desobediência, com guitarras distorcidas e vocais rasgados de Remington Leith, servindo como porta de entrada para a narrativa fragmentada do disco. Já </span><a href="https://youtu.be/tMpUPFARZDg?si=w5fTZivYGv4GF3R7"><i><span style="font-weight: 400;">Massacre, The New American Dream</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é uma crítica feroz ao armamento e à cultura da violência nos Estados Unidos, lançada em meio aos protestos antirracistas de 2020. O videoclipe da música intercala cenas de protestos reais com imagens performáticas e perturbadoras, em que os integrantes da banda encarnam figuras de resistência desesperada. Cinco anos depois, a música segue dolorosamente atual, um lembrete da cicatriz aberta da política estadunidense.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe title="PALAYE ROYALE - Fucking With My Head (Official Music Video)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/1LwpcfuvhlM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre os gritos de revolta, o disco também se permite momentos de profunda vulnerabilidade. </span><a href="https://youtu.be/f5Nc4kiBaIs?si=JdHBl_9BDKkpfgs1"><i><span style="font-weight: 400;">Lonely</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> talvez seja o ponto mais emotivo da obra: uma balada melancólica sobre isolamento, depressão e ideação suicida. A música foi escrita a partir de experiências reais dos integrantes com transtornos mentais, e seu videoclipe – dirigido com sensibilidade crua – transforma esses sentimentos em imagens de escuridão interna, com Remington caminhando por cenários vazios e simbólicos. Essa honestidade emocional é um dos grandes trunfos do Palaye Royale: sua estética pode ser teatral, mas a dor é sempre real.</span></p>
<p><a href="https://youtu.be/KCmJSuhRhhw?si=S4Ixs-YfPXTryOcI"><i><span style="font-weight: 400;">Anxiety</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, outra faixa de destaque, mergulha no som caótico e fragmentado para traduzir o sentimento do próprio título. Com uma produção quase claustrofóbica, a música simula o colapso mental por meio de ritmos truncados e vocais que alternam entre o sussurro e o berro. A construção visual complementa a proposta ao retratar um pesadelo visual, onde os membros da banda são perseguidos por versões distorcidas de si mesmos. O resultado é angustiante e, ao mesmo tempo, hipnotizante – uma das melhores traduções visuais da experiência ansiosa já feita no </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> alternativo recente.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="PALAYE ROYALE - Nervous Breakdown (Official Music Video)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/In-q5PCUG3A?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas </span><i><span style="font-weight: 400;">The Bastards</span></i><span style="font-weight: 400;"> não vive só de dor. </span><a href="https://youtu.be/cjSobSYXo_8?si=hEw4aEubVHMp04ft"><i><span style="font-weight: 400;">Hang On To Yourself</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, com seu riff vibrante e pegada </span><i><span style="font-weight: 400;">glam punk</span></i><span style="font-weight: 400;">, é uma explosão de energia que convida à autossuperação. A música, que remete a </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-ziggy-stardust-bowie/"><span style="font-weight: 400;">David Bowie</span></a><span style="font-weight: 400;"> e ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-new-abnormal-critica/"><span style="font-weight: 400;">The Strokes</span></a><span style="font-weight: 400;"> em igual medida, ganhou um clipe dançante e psicodélico, em que os integrantes performam como se estivessem num cabaré demente. Já </span><i><span style="font-weight: 400;">Tonight Is The Night I Die</span></i><span style="font-weight: 400;"> vai ao extremo oposto: é uma canção soturna e quase cinematográfica, embalada por cordas e um vocal fantasmagórico. Sua letra, que toca no tema da morte com delicadeza mórbida, fecha o álbum com uma nota agridoce, um último suspiro antes do silêncio.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Visualmente, o trabalho também representa um marco. Palaye Royale sempre apostou na fusão entre Moda, Música e Arte performática, e em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=KGXwPPTF_nI&amp;list=PLH22-xSMERQo7yPe-PD8hFjxvuCfc_RM6"><i><span style="font-weight: 400;">The Bastards</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> isso atinge seu auge. Os videoclipes, dirigidos em parte pela própria banda, formam quase um curta-metragem distópico sobre juventude, trauma e revolução. Há algo de ‘emo à la </span><a href="https://personaunesp.com.br/batman-35-anos/"><span style="font-weight: 400;">Tim Burton</span></a><span style="font-weight: 400;">’ em toda a concepção visual, que mistura romantismo gótico com referências </span><i><span style="font-weight: 400;">punk</span></i><span style="font-weight: 400;"> e elementos teatrais do cabaré. Essa estética influenciaria não só outros projetos da banda, como também parte da cena alternativa dos anos seguintes, que passou a abraçar narrativas mais visuais e conceituais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Cinco anos depois, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Bastards</span></i><span style="font-weight: 400;"> permanece como uma cápsula emocional e estética da ruína contemporânea. O disco não apenas sobreviveu ao tempo, se fortaleceu com ele. Em uma época em que tantos projetos musicais se rendem ao efêmero, </span><a href="https://www.instagram.com/palayeroyale/"><span style="font-weight: 400;">Palaye Royale</span></a><span style="font-weight: 400;"> criou uma obra que exige envolvimento total – seja para compreendê-la, seja para senti-la. O trabalho é um universo à parte, onde a dor vira poesia, o delírio vira arte e a rebeldia encontra forma. Um grito que ainda ecoa.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: The Bastards" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/5b2m10WqNvZaD8eTEXGyfl?utm_source=oembed"></iframe></p>
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