<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	
	xmlns:georss="http://www.georss.org/georss"
	xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#"
	>

<channel>
	<title>Arquivos Reino Unido &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<atom:link href="http://personaunesp.com.br/tag/reino-unido/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/reino-unido/</link>
	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
	<lastBuildDate>Fri, 10 Oct 2025 19:19:56 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9.4</generator>

<image>
	<url>http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/cropped-icon-certo-cristo-32x32.png</url>
	<title>Arquivos Reino Unido &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/reino-unido/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
<site xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">119746480</site>	<item>
		<title>50 anos de Wish You Were Here e a presença remanescente de Syd Barrett no lirismo do Pink Floyd</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/wish-you-were-here-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/wish-you-were-here-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Oct 2025 13:00:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[1975]]></category>
		<category><![CDATA[50 anos]]></category>
		<category><![CDATA[Álbum]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Aniversário]]></category>
		<category><![CDATA[Anos 70]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica de álbum]]></category>
		<category><![CDATA[Eduardo Dragoneti]]></category>
		<category><![CDATA[Pink Floyd]]></category>
		<category><![CDATA[Reino Unido]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Rock]]></category>
		<category><![CDATA[Roger Waters]]></category>
		<category><![CDATA[Syd Barrett]]></category>
		<category><![CDATA[Wish You Were Here]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=35872</guid>

					<description><![CDATA[<p>&#160; Eduardo Dragoneti Lançado em 12 de setembro de 1975, o álbum Wish You Were Here do Pink Floyd se tornou um marco, não só em sua discografia, mas na história do post-rock e da música conceitual. Surgido em um contexto de esgotamento criativo e crescente desilusão com a indústria fonográfica, o disco é, antes &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/wish-you-were-here-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "50 anos de Wish You Were Here e a presença remanescente de Syd Barrett no lirismo do Pink Floyd"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/wish-you-were-here-critica/">50 anos de Wish You Were Here e a presença remanescente de Syd Barrett no lirismo do Pink Floyd</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<figure id="attachment_35873" aria-describedby="caption-attachment-35873" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-35873 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/WYWH-1.jpg" alt="Capa do álbum Wish You Were Here do Pink Floyd. Na capa, ambientada no estacionamento dos estúdios da Warner Bros, um pátio de cimento com galpões bege nas laterais, dois homens de terno apertam as mãos enquanto um deles está em chamas." width="512" height="512" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/WYWH-1.jpg 512w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/WYWH-1-150x150.jpg 150w" sizes="(max-width: 512px) 85vw, 512px" /><figcaption id="caption-attachment-35873" class="wp-caption-text">A capa, criada pela Hipgnosis, simboliza a sensação de ‘ser queimado’ nos negócios, refletindo a visão da banda sobre a indústria musical da época (Foto: Hipgnosis)</figcaption></figure>
<p><b>Eduardo Dragoneti</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançado em 12 de setembro de 1975, o álbum </span><a href="https://entreacordes.blog/2020/09/12/45-anos-de-wish-you-were-here-um-dos-maiores-discos-conceituais-de-todos-os-tempos"><i><span style="font-weight: 400;">Wish You Were Here</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> do Pink Floyd se tornou um marco, não só em sua discografia, mas na história do </span><i><span style="font-weight: 400;">post-rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> e da música conceitual. Surgido em um contexto de esgotamento criativo e crescente desilusão com a indústria fonográfica, o disco é, antes de tudo, uma </span><a href="https://www.antena1.com.br/noticias/wish-you-were-here-a-triste-historia-que-rendeu-a"><span style="font-weight: 400;">homenagem profunda</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos integrantes da banda (David Gilmour, Roger Waters, Richard Wright e Nick Mason) ao ex-membro </span><a href="https://rollingstone.com.br/noticia/por-que-syd-barrett-saiu-do-pink-floyd"><span style="font-weight: 400;">Syd Barrett</span></a><span style="font-weight: 400;"> (1946-2006), cuja a ausência pairava sobre eles de forma incômoda após o artista sair do grupo.</span></p>
<p><span id="more-35872"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Barrett havia deixado o conjunto musical em abril de 1968, após episódios de instabilidade mental associados ao uso abusivo de LSDs e a um diagnóstico nunca confirmado de esquizofrenia. Apesar disso, sua influência e seu legado artístico ecoaram notavelmente nos trabalhos seguintes do </span><a href="https://whiplash.net/materias/news_680/371767-pinkfloyd.html"><span style="font-weight: 400;">Pink Floyd</span></a><span style="font-weight: 400;">, seja no próprio </span><i><span style="font-weight: 400;">Wish You Were Here</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou em álbuns posteriores, como em </span><a href="https://rollingstone.com.br/musica/pink-floyd-lanca-animals-2018-remix-ainda-atual-disco-precisava-de-nova-versao-review"><i><span style="font-weight: 400;">Animals</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e o aclamado </span><a href="https://pinkfloyd.com.br/another-brick-in-the-wall-a-musica-mais-famoso-do-pink-floyd"><i><span style="font-weight: 400;">The Wall</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Já em </span><a href="https://www.collectorsroom.com.br/2019/08/review-pink-floyd-momentary-lapse-of.html"><i><span style="font-weight: 400;">A Momentary Lapse of Reason</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, faixas como </span><i><span style="font-weight: 400;">Sorrow</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">One Slip</span></i><span style="font-weight: 400;"> falam sobre a fragilidade da mente e a perda de alguém próximo, temas que os fãs relacionam à história do ex-vocalista e guitarrista.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A faixa que abre e encerra o álbum, </span><a href="https://1023.clicrbs.com.br/blogda1023/2022/02/15/alem-da-letra-conheca-historia-da-musica-shine-crazy-diamond-pink-floyd"><i><span style="font-weight: 400;">Shine On You Crazy Diamond</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, é uma suíte em nove partes composta por Waters, Wright e Gilmour, dedicada a Barrett – o “</span><i><span style="font-weight: 400;">diamante louco</span></i><span style="font-weight: 400;">” a quem o título faz referência. Os primeiros 13 minutos e meio do disco introduzem de forma lenta, instrumental e muito bem elaborada a </span><a href="https://www.letras.mus.br/blog/shine-on-you-crazy-diamond-historia"><span style="font-weight: 400;">dor da perda</span></a><span style="font-weight: 400;">, diferente da causada pela morte, mas a de saber que um alguém querido está em algum lugar, que não é mais tão perto quanto antes (física e afetivamente).</span></p>
<figure id="attachment_35874" aria-describedby="caption-attachment-35874" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-35874" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/WYWH-2.jpg" alt="Syd Barrett, caminha por uma calçada por um bairro de Londres em uma foto em preto e branco. Ele veste terno e camisa escura, olhando diretamente para a câmera com expressão séria e um cigarro na mão esquerda. Ao fundo, há carros antigos estacionados e uma mulher carregando sacolas." width="512" height="288" /><figcaption id="caption-attachment-35874" class="wp-caption-text">Roger ‘Syd’ Barrett faleceu de câncer no pâncreas em 7 de julho de 2006 no Hospital Addenbrooke, em Cambridge. Ele não deixou esposa nem filhos (Foto: Mick Rock)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na mesma faixa, Waters escreve: &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">Você foi apanhado no fogo cruzado / Da infância e da fama / Soprado pela brisa de aço</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8221; – um retrato aguçado da trajetória de Barrett e de seu desaparecimento dentro de si mesmo. No encerramento da canção, o sintetizador de Wright emula as notas de </span><a href="https://whiplash.net/materias/news_701/356414-pinkfloyd.html"><i><span style="font-weight: 400;">See Emily Play</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, composição de Barrett que abre o primeiro disco da banda, </span><a href="https://www.rockinthehead.com/single-post/pink-floyd-resenha-do-%C3%A1lbum-the-piper-at-the-gates-of-dawn"><i><span style="font-weight: 400;">The Piper at the Gates of Dawn</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A escolha não foi à toa. Segundo os próprios integrantes do Pink Floyd, Emily é uma personagem que foi fruto de um sonho de Syd Barrett, possivelmente induzido por LSD. Ele dizia ter visto uma garota etérea brincando em um bosque, e que a imagem ficou em sua mente como uma pintura viva.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A mistura de fantasia e realidade, típica das composições de Syd nesse período, passou a ser vista como uma espécie de </span><a href="https://www.ecstaticintegration.org/p/the-rise-and-fall-of-the-acid-casualty"><span style="font-weight: 400;">prenúncio</span></a><span style="font-weight: 400;"> de seu colapso. Décadas depois, muitos fãs e críticos enxergam a música como uma despedida simbólica de uma mente criativa que estava se afastando da realidade, justificando a escolha de Wright como uma espécie de ‘adeus’ não-verbal ao amigo.</span></p>
<figure id="attachment_35875" aria-describedby="caption-attachment-35875" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-35875" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/WYWH-3.png" alt=" Fotografia em preto e branco mostrando os integrantes do Pink Floyd na sacada de um prédio. Da direita para a esquerda: Nick Mason apoiado na grade, Roger Waters usando um casaco de pele, Syd Barrett em destaque com blusa branca e cabelo desgrenhado, e Richard Wright inclinado para frente, segurando a barra do corrimão. Entre eles há luzes decorativas penduradas e, ao fundo, parte de uma escada lateral externa" width="512" height="344" /><figcaption id="caption-attachment-35875" class="wp-caption-text">Roger Waters é creditado como compositor em mais de 90 músicas do Pink Floyd (cerca de 60 como autor principal e mais de 30 em créditos compartilhados) e foi o líder e principal letrista da banda por grande parte da sua carreira, especialmente após a saída de Syd Barrett (Foto: Baron Wolman)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A certeza da saudade se concretiza na canção homônima do álbum. </span><a href="https://pinkfloyd.com.br/a-musica-mais-famosa-do-pink-floyd-e-wish-you-were-here"><i><span style="font-weight: 400;">Wish You Were Here</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> chega como um tiro no peito sem aviso prévio, como é de costume para canções do Pink Floyd. A faixa inicia com uma curta conversa gravada nos corredores do </span><a href="https://www.abbeyroad.com/news/the-dark-side-of-the-moon-studio-documents-3299"><i><span style="font-weight: 400;">Abbey Road Studios</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, interrompida rapidamente pelo famoso </span><i><span style="font-weight: 400;">riff </span></i><span style="font-weight: 400;">da música, impactando o ouvinte que nem tem tempo de compreender o diálogo. Ao fundo, um violão ‘falso’ soa abafado e distante, como se vindo de um rádio velho. Em seguida, o toque real de Gilmour entra em primeiro plano, limpo, criando um contraste sonoro que traduz exatamente o </span><a href="https://cafecomsociologia.com/analise-da-musica-wish-you-were-here-pink-floyd-ideologia/"><span style="font-weight: 400;">sentimento</span></a><span style="font-weight: 400;"> da canção: estar ao lado e, ao mesmo tempo, distante de alguém. As risadas e respirações no início parecem espontâneas, quase casuais, até que a melodia se impõe de maneira íntegra.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Segundo Roger Waters, compositor da música, </span><i><span style="font-weight: 400;">Wish You Were Here</span></i><span style="font-weight: 400;"> não fala apenas de Syd Barrett, mas de um sentimento mais amplo e existencial. Em suas palavras em entrevista ao documentário </span><a href="https://www.collectorsroom.com.br/2012/08/pink-floyd-critica-de-historia-de-wish.html#google_vignette"><i><span style="font-weight: 400;">Pink Floyd: The Story of “Wish You Were Here”</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2012): “</span><i><span style="font-weight: 400;">Você consegue se libertar o suficiente para experimentar a realidade da vida e como ela acontece diante de você? Porque, se não conseguir, você vai continuar parado na estaca zero até morrer. É disso que essa música trata.</span></i><span style="font-weight: 400;">” Já para David Gilmour: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Embora &#8216;Shine On&#8217; seja a que fala </span></i><a href="https://www.hfnews.com.br/news/entendendo-wish-you-were-here-um-dos-albuns-mais-controversos-do-pink-floyd"><i><span style="font-weight: 400;">especificamente sobre Syd</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, e Wish You Were Here tenha um escopo mais amplo… eu não consigo cantá-la sem pensar nele.</span></i><span style="font-weight: 400;">” Assim, a canção torna-se um lamento que é pessoal e universal ao mesmo tempo, a ausência de alguém que está presente demais para ser esquecido.</span></p>
<figure id="attachment_35876" aria-describedby="caption-attachment-35876" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-35876 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/WYWH-4.png" alt="Foto preto e branca: Roger Waters debruça sobre a mesa de som do Abbey Road Studios vestindo um suéter e atrás dele um garoto, também vestindo um suéter, come um picolé enquanto observa o equipamento." width="512" height="288" /><figcaption id="caption-attachment-35876" class="wp-caption-text">A banda demorou em torno de 6 meses,de janeiro a julho de 1975, para gravar todas as músicas do disco (Foto: Jill Furmanovsky)</figcaption></figure>
<p><a href="https://americansongwriter.com/the-meaning-behind-welcome-to-the-machine-by-pink-floyd"><i><span style="font-weight: 400;">Welcome to the Machine</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://consequence.net/2020/10/the-story-behind-pink-floyd-have-a-cigar"><i><span style="font-weight: 400;">Have a Cigar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> formam o núcleo mais </span><a href="https://open.spotify.com/episode/6XrX5iAT9N8K2dCJLppvIK?si=9dde9c576168444f&amp;nd=1&amp;dlsi=b8802c23183b4f86"><span style="font-weight: 400;">ácido</span></a><span style="font-weight: 400;"> do disco, funcionando como uma espécie de dupla crítica ao universo da indústria fonográfica. Se a primeira traduz a engrenagem impessoal do sistema, a segunda dá rosto e voz aos executivos bajuladores que movem essa mesma </span><a href="https://whiplash.net/materias/news_831/171296-pinkfloyd.html"><span style="font-weight: 400;">máquina</span></a><span style="font-weight: 400;">. Juntas, as duas canções revelam o olhar desencantado do Pink Floyd diante de um mercado que transforma sonhos em mercadoria, e deixam claro que o sucesso também podia ser uma prisão – ideia que, inevitavelmente, remete àquilo que afastou Syd Barrett do grupo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Welcome to the Machine</span></i><span style="font-weight: 400;">, a banda constrói um diálogo entre a Máquina –metáfora para o capitalismo e o próprio mercado musical – e um </span><a href="https://www.gazetadopovo.com.br/caderno-g/syd-barrett-o-lado-escuro-do-pink-floyd-9kg9efu40pijuafyahd36wksu"><span style="font-weight: 400;">jovem sonhador</span></a><span style="font-weight: 400;">, disposto a se entregar para alcançar reconhecimento. O suposto acolhimento é, na verdade, uma manipulação: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Com o que você sonhou? / Tudo bem, nós te dissemos com o que sonhar / Você sonhou com uma grande estrela</span></i><span style="font-weight: 400;">”. O </span><a href="https://revistacontinente.com.br/edicoes/267/o-lado-brilhante-do-pink-floyd"><span style="font-weight: 400;">sistema</span></a><span style="font-weight: 400;"> não apenas dita as regras, mas também escolhe seus desejos. A voz de Gilmour, carregada de pesar ao cantar: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Ele tocava uma guitarra bestial / Ele comia sempre no bar / Ele adorava dirigir seu Jaguar / Então, bem-vindo à máquina</span></i><span style="font-weight: 400;">”, expõe o sonhador agora como um personagem do passado, alguém que foi engolido pela engrenagem que o consagrou. Inevitavelmente o trecho foi associado à trajetória de Barrett.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já em </span><i><span style="font-weight: 400;">Have a Cigar</span></i><span style="font-weight: 400;">, a abstração dá lugar à caricatura de um executivo da indústria, ignorante e interesseiro, que os trata como produto e não como Arte. Com vocais de </span><a href="https://faroutmagazine.co.uk/lead-vocals-pink-floyd-song-have-a-cigar"><span style="font-weight: 400;">Roy Harper</span></a><span style="font-weight: 400;">, convidado para substituir Waters e Gilmour, insatisfeitos com suas próprias tentativas, a faixa carrega ironia do início ao fim. O </span><a href="https://mumblingabout.com/2019/07/16/oh-by-the-way-which-ones-pink"><span style="font-weight: 400;">famoso verso</span></a><span style="font-weight: 400;"> – “</span><i><span style="font-weight: 400;">A banda é fantástica, isso é o que eu realmente acho / Oh, por sinal, qual de vocês é o Pink?</span></i><span style="font-weight: 400;">” – expõe o desdém de quem só enxerga cifras e fama, sem nenhum interesse pelo grupo em si. A canção também é interpretada como uma exposição do preço que os integrantes pagaram para chegar a </span><a href="https://rollingstone.com.br/musica/a-pior-epoca-do-pink-floyd-segundo-david-gilmour"><span style="font-weight: 400;">ascensão astronômica</span></a><span style="font-weight: 400;">. O personagem executivo é a materialização de um sucesso sem alma, justamente o que afastou o ex-membro.</span></p>
<figure id="attachment_35877" aria-describedby="caption-attachment-35877" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-35877" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/WYWH-5.jpg" alt="Foto polaroid: Syd Barrett, careca, obeso e sem sobrancelhas, vestindo uma camisa social branca e uma calça preta, posa de lado para a foto, encarando profundamente a câmera dentro do Abbey Road Studios." width="512" height="495" /><figcaption id="caption-attachment-35877" class="wp-caption-text">Os integrantes da banda demoraram em torno de 45 minutos para finalmente reconhecerem Syd Barrett, que, segundo Wright, ficou o tempo todo em silêncio e escovando constantemente os dentes no banheiro do estúdio (Foto: Nick Mason)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um dos episódios mais </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/o-som-e-a-furia/o-dia-em-que-um-dos-maiores-grupos-de-rock-viu-um-fantasma-no-estudio"><span style="font-weight: 400;">marcantes</span></a><span style="font-weight: 400;"> da história do Pink Floyd, Syd Barrett apareceu inesperadamente no </span><i><span style="font-weight: 400;">Abbey Road Studios </span></i><span style="font-weight: 400;">em 5 de junho de 1975, enquanto o grupo finalizava as gravações de </span><i><span style="font-weight: 400;">Shine On You Crazy Diamond (Pts. 6-9)</span></i><span style="font-weight: 400;">. Estava irreconhecível: obeso, com a cabeça raspada, sem sobrancelhas e o olhar distante. Seus antigos colegas demoraram a reconhecê-lo, e o encontro foi carregado de tristeza e </span><a href="https://www.portaltela.com/entretenimento/musica/2025/01/27/pink-floyd-e-a-surpreendente-aparicao-de-syd-barrett-durante-gravacao-historica"><span style="font-weight: 400;">simbolismo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Waters e Gilmour, em especial, ficaram profundamente abalados, caindo em lágrimas ao verem o amigo por muito tempo perdido. Gilmour relata no documentário que: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Foi uma grande perda. E imaginar o que ele teria feito&#8230; especular sobre isso, se você preferir&#8230; Ele poderia ter se tornado tão grandioso</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Ninguém sabe onde você está / O quão perto ou o quão longe / Brilhe, seu diamante louco”.</span></i><span style="font-weight: 400;"> A certeza de que, independente de onde Syd Barrett estivesse, o Pink Floyd só queria que ele brilhasse loucamente, como fez enquanto esteve na </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/ultima-reuniao-do-pink-floyd-com-formacao-classica-foi-ha-20-anos-relembre/"><span style="font-weight: 400;">banda</span></a><span style="font-weight: 400;">. Aqui, o álbum finaliza voltando a melancolia da qual foi iniciado, a sensação de que o recado foi passado, mas com a incerteza de que chegará ao </span><a href="https://rollingstone.com.br/noticia/flashback-ultima-entrevista-de-syd-barrett/"><span style="font-weight: 400;">destinatário</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Wish You Were Here</span></i><span style="font-weight: 400;"> é essencialmente um disco sobre ausência, seja a de Barrett, seja a de autenticidade no mercado musical ou seja a </span><a href="https://www.loudersound.com/features/how-wish-you-were-here-was-the-beginning-of-the-end-for-pink-floyd"><span style="font-weight: 400;">desconexão</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre os próprios membros do grupo. É também uma carta de amor a um amigo perdido, um lamento musical que, meio século depois, ainda ecoa com intensidade. O álbum é um lembrete de que algumas presenças continuam a se fazer sentir, mesmo que estejam absolutamente perdidas.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Wish You Were Here" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/0bCAjiUamIFqKJsekOYuRw?si=oQQGRO-bQRSWId731Ki2tQ&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/wish-you-were-here-critica/">50 anos de Wish You Were Here e a presença remanescente de Syd Barrett no lirismo do Pink Floyd</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/wish-you-were-here-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">35872</post-id>	</item>
		<item>
		<title>A terceira temporada de Heartstopper é um lembrete de que nunca estamos sozinhos</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/heartstopper-3a-temp-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/heartstopper-3a-temp-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Jan 2025 19:00:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Séries]]></category>
		<category><![CDATA[2024]]></category>
		<category><![CDATA[Adaptação]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Arthur Caires]]></category>
		<category><![CDATA[Corinna Brown]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Hayley Atwell’s]]></category>
		<category><![CDATA[Heartstopper]]></category>
		<category><![CDATA[Jenny Walser]]></category>
		<category><![CDATA[Joe Locke]]></category>
		<category><![CDATA[Kit Connor]]></category>
		<category><![CDATA[Kizzy Edgell]]></category>
		<category><![CDATA[LGBTQIAPN+]]></category>
		<category><![CDATA[Netflix]]></category>
		<category><![CDATA[Reino Unido]]></category>
		<category><![CDATA[William Gao]]></category>
		<category><![CDATA[Yasmin Finney]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=34740</guid>

					<description><![CDATA[<p>Arthur Caires A atmosfera positiva e idealizada de Heartstopper é uma marca registrada da série desde a sua estreia, gerando algumas críticas por parte do público. Embora certos momentos possam ser considerados caricatos, a produção tem como objetivo ser uma fuga da adolescência corrompida de obras como Euphoria, focando em ser quase como um ‘manual’ &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/heartstopper-3a-temp-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A terceira temporada de Heartstopper é um lembrete de que nunca estamos sozinhos"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/heartstopper-3a-temp-critica/">A terceira temporada de Heartstopper é um lembrete de que nunca estamos sozinhos</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34741" aria-describedby="caption-attachment-34741" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34741" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/heartstopper-imagem-1-800x400.jpg" alt="Cena de Heartstopper com dois adolescentes se encarando de forma carinhosa em um ambiente externo à noite. O menino da esquerda, chamado Nick, tem cabelo liso e veste um moletom cinza com capuz. Ele sorri de maneira suave enquanto olha para o menino da direita, chamado Charlie, que tem cabelo cacheado e veste um casaco verde claro. O fundo está escuro, com leves sombras de árvores e uma cerca." width="800" height="400" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/heartstopper-imagem-1-800x400.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/heartstopper-imagem-1-1024x512.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/heartstopper-imagem-1-768x384.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/heartstopper-imagem-1-1536x768.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/heartstopper-imagem-1-2048x1024.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/heartstopper-imagem-1-1200x600.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34741" class="wp-caption-text">Demorou três temporadas, mas finalmente Nick e Charlie disseram ‘eu te amo’ um para o outro (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><strong>Arthur Caires</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A atmosfera positiva e idealizada de </span><i><span style="font-weight: 400;">Heartstopper </span></i><span style="font-weight: 400;">é uma marca registrada da série desde a sua estreia, gerando algumas críticas por parte do público. Embora certos momentos possam ser considerados caricatos, a produção tem como objetivo ser uma fuga da adolescência corrompida de obras como </span><a href="https://personaunesp.com.br/euphoria-part-1-rue-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Euphoria</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">focando em ser quase como um ‘manual’ para a nova geração e um acalento para os mais velhos. Na terceira temporada, lançada em Outubro de 2024, o original Netflix segue com o tom adocicado, mas oferece um retrato mais realista e autêntico ao tratar de temas mais maduros.</span></p>
<p><span id="more-34740"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O distúrbio alimentar de Charlie Spring (Joe Locke) introduzido na </span><a href="https://personaunesp.com.br/heartstopper-2a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">segunda temporada</span></a><span style="font-weight: 400;"> é ampliado e dá o pontapé inicial para o tema que vai permear o novo ano: saúde mental. Além do protagonista, Nick Nelson (Kit Connor) também apresenta sinais de estresse, pois não sabe como ajudar seu namorado e não consegue se ver longe dele.</span></p>
<figure id="attachment_34742" aria-describedby="caption-attachment-34742" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34742" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/heartstopper-imagem-2.jpg" alt="Cena de Heartstopper com dois adolescentes sentados em uma cama, em um quarto. O menino da esquerda, chamado Charlie, tem cabelo cacheado e veste um cardigã rosa sobre uma camiseta listrada. Ele olha para o menino da direita, chamado Nick, que tem cabelo liso, veste um suéter verde e também olha para Charlie com expressão séria e carinhosa. O ambiente é iluminado por uma luz quente vinda de um abajur ao fundo." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/heartstopper-imagem-2.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/heartstopper-imagem-2-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34742" class="wp-caption-text">Nick e Charlie nunca estiveram tão unidos quanto nesta temporada (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Até a metade da temporada, acompanhamos a trajetória do casal descobrindo como lidar com este desafio. Nick tenta ao máximo convencer Charlie a procurar ajuda, que, por sua vez, nega que algo esteja errado. Tudo isso culmina no </span><a href="https://www.beateatingdisorders.org.uk/news/our-work-on-season-3-of-netflixs-heartstopper/"><span style="font-weight: 400;">cuidadosamente dirigido</span></a><span style="font-weight: 400;"> e roteirizado quarto episódio, intitulado </span><i><span style="font-weight: 400;">Jornada</span></i><span style="font-weight: 400;">, em que Locke e Connor entregam performances marcantes mostrando como seus personagens tiveram que lidar com essa situação. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para uma produção destinada ao público jovem, é muito importante que </span><i><span style="font-weight: 400;">Heartstopper </span></i><span style="font-weight: 400;">tenha esse papel de representação e conscientização. Desde as cenas de Charlie visitando centros de ajuda até o diálogo de Nick na praia com sua </span><a href="https://www.revistalofficiel.com.br/pop-culture/olivia-colman-explica-sua-ausencia-na-3a-temporada-de-heartstopper"><span style="font-weight: 400;">tia Diane</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Hayley Atwell’s), a série busca mostrar que não estamos sozinhos nesses momentos e que sempre há uma luz no fim do túnel.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A partir da metade final da temporada, a questão da saúde mental continua a ser abordada, mas fica em segundo plano. O </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=8iKgdWKQwi0"><span style="font-weight: 400;">novo arco</span></a><span style="font-weight: 400;"> foca em tratar de outras experiências da adolescência, como a ‘primeira vez’ e a escolha de uma faculdade. Além disso, abre-se mais espaço para o desenvolvimento dos personagens secundários e de discussões diferentes porém igualmente importantes.</span></p>
<figure id="attachment_34743" aria-describedby="caption-attachment-34743" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34743" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/heartstopper-imagem-3-800x400.jpg" alt="A imagem mostra um grupo de nove adolescentes posando juntos para uma foto em um ambiente ao ar livre, com uma girafa ao fundo. Eles estão sorrindo e parecem felizes, em um zoológico com árvores e construções ao fundo. O grupo é diverso, com diferentes estilos e roupas coloridas." width="800" height="400" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/heartstopper-imagem-3-800x400.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/heartstopper-imagem-3-1024x512.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/heartstopper-imagem-3-768x384.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/heartstopper-imagem-3.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34743" class="wp-caption-text">A diversidade de personagens de Heartstopper reflete na larga abrangência de temáticas diferentes (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A jornada de Elle Argent (Yasmin Finney) se destaca entre as histórias paralelas da série. Além de lidar com questões de </span><a href="https://g1.globo.com/df/distrito-federal/noticia/2023/12/22/saiba-o-que-e-disforia-de-genero-e-veja-relatos-de-pessoas-trans-que-diziam-nao-se-reconhecer-em-seus-proprios-corpos.ghtml"><span style="font-weight: 400;">disforia corporal</span></a><span style="font-weight: 400;">, a personagem precisa navegar pelo mundo </span><i><span style="font-weight: 400;">online</span></i><span style="font-weight: 400;">, onde ganha notoriedade como artista. Essa exposição inesperada a coloca em uma posição complexa, confrontando-a com as expectativas de ser uma representante ativa da comunidade trans. Ao mesmo tempo, a produção mostra a vida cotidiana de Elle e seus relacionamentos, como seu romance com Tao Xu (William Gao); humanizando sua experiência e oferecendo uma representação multifacetada e positiva de uma jovem trans.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de Elle, Tori Spring (Jenny Walser) deixa de fazer aparições repentinas e também ganha um maior destaque nesta temporada. A personagem, além de ser um pilar de apoio para Charlie, representa a irmã mais velha que, muitas vezes, assume responsabilidades além de sua idade. Ao explorar a jornada de Tori, a série oferece uma </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/3hlGuz3loYoLfI3bpwieWq?si=81fca70163624647"><span style="font-weight: 400;">representação autêntica</span></a><span style="font-weight: 400;"> da experiência de muitos jovens que se encontram em situações semelhantes, cuidando de familiares e amigos enquanto lidam com seus próprios desafios.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vale também mencionar outras narrativas que foram menos trabalhadas, mas que deram uma diversidade para os temas de </span><i><span style="font-weight: 400;">Heartstopper</span></i><span style="font-weight: 400;">. É o caso da pressão acadêmica sofrida por Tara Jones (Corinna Brown) ao se ver diante da escolha de uma faculdade e o progressivo entendimento de </span><a href="https://www.thepinknews.com/2024/10/08/heartstopper-alice-oseman-darcy-non-binary-interview-kizzy-edgell/"><span style="font-weight: 400;">Darcy Olsson</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Kizzy Edgell) como pessoa não-binária e a forma leve como isso é retratado.</span></p>
<figure id="attachment_34744" aria-describedby="caption-attachment-34744" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34744" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/heartstopper-imagem-4-800x450.jpg" alt="Cena de Heartstopper com dois adolescentes deitados em uma cama. O menino da esquerda, chamado Charlie, tem cabelo cacheado e está sem camisa. Ele olha para o menino da direita, chamado Nick, que tem cabelo liso, está sem camisa e também olha para Charlie, com a mão em seu rosto, com uma expressão feliz e afetuosa. O ambiente é iluminado por uma luz quente." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/heartstopper-imagem-4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/heartstopper-imagem-4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/heartstopper-imagem-4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/heartstopper-imagem-4-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/heartstopper-imagem-4.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34744" class="wp-caption-text">O cuidado e a intimidade da ‘primeira vez’ de Nick e Charlie é um dos destaques da temporada (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A última grande trama de Nick e Charlie da temporada se consistiu na ‘primeira vez’ dos dois. O tema foi motivo de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=xwu5Z4B1HOs"><span style="font-weight: 400;">críticas</span></a><span style="font-weight: 400;"> no ano anterior, pela suposta falta de relações sexuais entre os dois adolescentes. A mensagem que fica é que tudo acontece no momento certo, e a forma com que Locke e Connor representam essa cena não poderia ter sido feita de uma melhor maneira. A narrativa evita a sexualização excessiva e se concentra na importância do consentimento e da vulnerabilidade, oferecendo um retrato positivo e realista da sexualidade adolescente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O maior legado de </span><a href="https://personaunesp.com.br/heartstopper-1a-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Heartstopper</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">será a forma como a série conseguiu abordar diversos tópicos pertinentes da juventude e, principalmente, sobre a minoria LGBTQIAPN+ com cuidado e respeito, de maneira que todos sentissem o seu ‘quentinho’ característico. Na cena final da terceira temporada, os dois passam a noite inteira conversando deitados na cama. É como um lembrete de que as coisas podem ser simples e positivas, e que podemos encontrar uma ou várias pessoas que nos fazem sentir em casa.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Heartstopper: Temporada 3 | Trailer oficial | Netflix" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/Rid9NsZsQbE?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/heartstopper-3a-temp-critica/">A terceira temporada de Heartstopper é um lembrete de que nunca estamos sozinhos</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/heartstopper-3a-temp-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">34740</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Por trás da Estátua da Liberdade, O Brutalista encontra o verdadeiro Estados Unidos</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/o-brutalista-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/o-brutalista-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 Nov 2024 19:50:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[2024]]></category>
		<category><![CDATA[48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Adrien Brody]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Andy Neil]]></category>
		<category><![CDATA[Brady Corbet]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Felicity Jones]]></category>
		<category><![CDATA[Guilherme Moraes]]></category>
		<category><![CDATA[Guy Pearce]]></category>
		<category><![CDATA[Isaach de Bankolé]]></category>
		<category><![CDATA[Mostra Internacional de Cinema em São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[O Brutalista]]></category>
		<category><![CDATA[Oscar]]></category>
		<category><![CDATA[Oscar 2025]]></category>
		<category><![CDATA[Reino Unido]]></category>
		<category><![CDATA[Steve Single]]></category>
		<category><![CDATA[The Brutalist]]></category>
		<category><![CDATA[Universal Pictures]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=34342</guid>

					<description><![CDATA[<p>Aviso: o texto contém spoiler e aborda temas sensíveis. Guilherme Moraes Um dos longas mais aguardados da 48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, O Brutalista, que fez parte da seção Perspectiva Internacional, é o clássico filme que recebe indicações na temporada de premiações. O teor biográfico, as atuações sisudas, os movimentos de câmeras &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-brutalista-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Por trás da Estátua da Liberdade, O Brutalista encontra o verdadeiro Estados Unidos"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/o-brutalista-critica/">Por trás da Estátua da Liberdade, O Brutalista encontra o verdadeiro Estados Unidos</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em><b>Aviso</b><span style="font-weight: 400;">: o texto contém spoiler e aborda temas sensíveis.</span></em></p>
<figure id="attachment_34344" aria-describedby="caption-attachment-34344" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34344" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/imagem-1-800x451.png" alt="Cena do filme O Brutalista. O cenário é de um quarto transformado em um escritório. Um tom esverdeado toma conta da imagem. No centro está Erzsébet Tóth sentada com uma blusa com uma coloração amarelada por fora, e outra blusa florida por dentro. László está atrás de Erzsébet, colado a ela, com uma camisa de coloração esverdeada. Ambos estão com uma expressão de preocupação." width="800" height="451" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/imagem-1-800x451.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/imagem-1-768x433.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/imagem-1.png 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34344" class="wp-caption-text">O filme teve uma sessão na Mostra em SP antes mesmo de sair o trailer (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Moraes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos longas mais aguardados da </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/48a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Brutalista</span></i><span style="font-weight: 400;">, que fez parte da seção Perspectiva Internacional, é o clássico filme que recebe indicações na temporada de premiações. O teor biográfico, as atuações sisudas, os movimentos de câmeras sutis e uma trilha sonora pensada previamente para tomar a sala de cinema e criar algo mais sensorial são exemplos disso. No entanto, eles não foram usados de maneira vazia. Brady Corbet consegue aderir a todos os elementos que a Academia gosta para contar um épico sobre a desconstrução dos Estados Unidos como um país grandioso e  terra da liberdade.</span></p>
<p><span id="more-34342"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A abertura com um </span><i><span style="font-weight: 400;">handshake</span></i><span style="font-weight: 400;"> muito forte e um trabalho de som vigoroso, feito por Steve Single e Andy Neil ao estilo </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/artist/0YC192cP3KPCRWx8zr8MfZ"><span style="font-weight: 400;">Hans Zimmer</span></a><span style="font-weight: 400;">, com notas graves e poderosas, tornam o ambiente dentro do </span><i><span style="font-weight: 400;">container</span></i><span style="font-weight: 400;"> confuso, claustrofóbico e desesperador. Essa cena se contrapõe a um certo Cinema de ‘prestígio’ que virá posteriormente, com a utilização dos elementos cinematográficos de maneira mais sutil, como se escondesse a ‘podridão’ dos Estados Unidos; como se isso fosse algo sentido e não falado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde sua chegada à América, László Tóth (</span><a href="https://revistamonet.globo.com/celebridades/noticia/2024/10/a-resposta-de-adrien-brody-vencedor-do-oscar-de-melhor-ator-ao-ser-confundido-por-kim-kardashian-com-colega-quase-homonimo.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Adrien Brody</span></a><span style="font-weight: 400;">) precisa lidar com diversos problemas, como o desemprego, a falta de moradia, a fome e o preconceito. Assim como seu amigo Gordon (</span><a href="https://www.instagram.com/isaachdebankole/"><span style="font-weight: 400;">Isaach de Bankolé</span></a><span style="font-weight: 400;">), o protagonista é visto como parte da escória da sociedade. Enquanto László é rejeitado por ser judeu, o outro sofre por ser negro. Durante as quase quatro horas de duração do filme, poucas vezes esses pontos são expressados diretamente – tudo é sentido por meio da construção atmosférica.</span></p>
<figure id="attachment_34346" aria-describedby="caption-attachment-34346" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34346" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/imagem-2-1-800x295.png" alt="Cena do filme O Brutalista. Três homens estão na imagem. Ao fundo há um prédio comprido e cinza. Mais perto da câmera está um morro de terra preta. A direita está Gordon com uma camisa branca, uma blusa marrom, uma calça cinza surrada e uma boina cinza velha. A esquerda está Harrison de costas para a câmera, ele veste um sobretudo vermelho alaranjado e um chapéu marrom. Acima dos dois no morro de terra está László com uma pá, uma calça azul surrada e uma camisa verde escuro." width="800" height="295" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/imagem-2-1-800x295.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/imagem-2-1-1024x378.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/imagem-2-1-768x284.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/imagem-2-1-1536x567.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/imagem-2-1-1200x443.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/imagem-2-1.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34346" class="wp-caption-text">O nome do filme vem de um estilo arquitetônico que surgiu no pós Segunda Guerra, o brutalismo (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de parecer, a obra não é sobre um </span><a href="https://www.guiadasemana.com.br/cinema/galeria/filmes-com-verdadeiros-genios"><span style="font-weight: 400;">gênio</span></a><span style="font-weight: 400;"> de personalidade forte e que possui problemas com drogas. Essas características estão presentes em László, porém, elas não são o foco da trama. A questão de </span><a href="https://laart.art.br/blog/arquitetura-brutalista/"><i><span style="font-weight: 400;">O Brutalista</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">está muito mais em como essa figura será engolida pelo sistema e pelo racismo. O valor dele está em sua genialidade e nada mais; sua pessoa não é de interesse dos norte-americanos. Harrison Van Buren (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2tKQSp2sJ-g"><span style="font-weight: 400;">Guy Pearce</span></a><span style="font-weight: 400;">), um empresário que contrata o protagonista para construir um monumento, não liga se seu funcionário está drogado ou não, ou se eles ficarão sem trabalho, o que importa para ele é satisfazer seus desejos ególatras. É o gênio subjugado nessa falsa terra da liberdade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos momentos mais fortes do longa é a sequência em que Harrison abusa sexualmente de László como forma de estabelecer a hierarquia e demonstrar todo seu ódio e inveja. Quando Erzsébet Tóth (</span><a href="https://www.instagram.com/felicity.jones/"><span style="font-weight: 400;">Felicity Jones</span></a><span style="font-weight: 400;">) revela esse segredo para a família Van Buren nos instantes finais do filme, Brady Corbet traz de volta os mesmos elementos e sentimentos da cena de abertura. O </span><i><span style="font-weight: 400;">handshake</span></i><span style="font-weight: 400;">, a barulheira e a sensação de angústia e confusão estão de volta, pois a verdadeira face dos Estados Unidos está exposta. Talvez, o único problema do final seja o epílogo, que busca explicar didaticamente alguns pontos da obra, parecendo até um vídeo sobre </span><a href="https://canaltech.com.br/curiosidades/easter-eggs-voce-sabe-o-que-sao/"><i><span style="font-weight: 400;">easter eggs</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O Brutalista </span></i><span style="font-weight: 400;">possui características estéticas fáceis de serem encontradas nas listas dos indicados ao prêmio de Melhor Filme do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, como o fato de parecer uma biografia. Nesse sentido, ele lembra um pouco </span><a href="https://personaunesp.com.br/maestro-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Maestro</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2023)</span> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Vgf_d19hyx8"><i><span style="font-weight: 400;">Tár</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2022)</span><i><span style="font-weight: 400;">.</span></i><span style="font-weight: 400;"> No entanto, o que há de diferente é a maneira como a obra utiliza essas técnicas em favor de uma ideia de narrativa, indo além de usá-las apenas para simular uma autoralidade. Apesar de passar em branco, sem vitórias, na Mostra em SP, o longa de Brady Corbet conseguiu lotar as suas sessões e tem tudo para fazer sucesso na temporada de premiações.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="O Brutalista | Trailer Oficial HD | A24" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/TfoYKoHB5_A?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/o-brutalista-critica/">Por trás da Estátua da Liberdade, O Brutalista encontra o verdadeiro Estados Unidos</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/o-brutalista-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">34342</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Talvez você também seja um d’Os Maus Patriotas</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/os-maus-patriotas-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/os-maus-patriotas-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 Nov 2024 19:50:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Documentário]]></category>
		<category><![CDATA[2024]]></category>
		<category><![CDATA[48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Guilherme Machado Leal]]></category>
		<category><![CDATA[Jeremy Corbyn]]></category>
		<category><![CDATA[Ken Loach]]></category>
		<category><![CDATA[Mostra Internacional de Cinema em São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Os Maus Patriotas]]></category>
		<category><![CDATA[Reino Unido]]></category>
		<category><![CDATA[Sesc SP Digital]]></category>
		<category><![CDATA[The Bad Patriots]]></category>
		<category><![CDATA[Victor Fraga]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=34351</guid>

					<description><![CDATA[<p>Guilherme Machado Leal Em 2021, o cineasta Victor Fraga cutucou a ferida que marcou o cenário político desde o impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff e a prisão de Lula com a obra A Fantástica Fábrica de Golpes. Três anos depois, ele volta em Os Maus Patriotas, presente na 48ª Mostra Internacional de Cinema em São &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/os-maus-patriotas-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Talvez você também seja um d’Os Maus Patriotas"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/os-maus-patriotas-critica/">Talvez você também seja um d’Os Maus Patriotas</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34352" aria-describedby="caption-attachment-34352" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34352" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-8.png" alt="Imagem do documentário Maus Patriotas. Na foto, o político Jeremy Corbyn e o cineasta Ken Loach, dois homens brancos, estão sentados em um estúdio e dão entrevistas; O homem da esquerda usa uma camisa social azul, uma calça preta e o da direita usa uma blusa marrom com uma jaqueta preta." width="800" height="445" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-8.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-8-768x427.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34352" class="wp-caption-text">Victor Fraga, diretor do documentário, centraliza a narrativa em duas figuras britânicas: Jeremy Corbyn e Ken Loach (Foto: Sesc SP Digital)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Machado Leal</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2021, o cineasta </span><a href="https://tesouracomponta.com/victor-fraga-diretor-de-os-maus-patriotas-revela-proximidade-com-lideres-entrevistados-em-doc-da-48a-mostra/"><span style="font-weight: 400;">Victor Fraga</span></a><span style="font-weight: 400;"> cutucou a ferida que marcou o cenário político desde o </span><i><span style="font-weight: 400;">impeachment</span></i><span style="font-weight: 400;"> da ex-presidenta Dilma Rousseff e a prisão de Lula com a obra </span><i><span style="font-weight: 400;">A Fantástica Fábrica de Golpes</span></i><span style="font-weight: 400;">. Três anos depois, ele volta em </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Maus Patriotas</span></i><span style="font-weight: 400;">, presente na </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/48a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, para falar a respeito da relação dos veículos de comunicação com a esquerda britânica. O documentário, da seção Novos Diretores, utiliza duas figuras centrais para a história do Reino Unido: o diretor </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/em-cartaz/aos-86-lendario-cineasta-britanico-ken-loach-anuncia-aposentadoria"><span style="font-weight: 400;">Ken Loach</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2022/11/11/entrevista-jeremy-corbyn-destaca-importancia-de-lula-e-desafios-impostos-pela-extrema-direita"><span style="font-weight: 400;">Jeremy Corbyn</span></a><span style="font-weight: 400;">, ex-líder do Partido Trabalhista. </span></p>
<p><span id="more-34351"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os estudiosos são dois dos nomes que representam a luta dos ideais da esquerda no país europeu. Para falar com propriedade a respeito da repressão causada pela direita e pelas mídias tradicionais, a exemplo do </span><i><span style="font-weight: 400;">The Guardian</span></i><span style="font-weight: 400;"> e do </span><i><span style="font-weight: 400;">Daily Mail</span></i><span style="font-weight: 400;">, o britânico-brasileiro escolhe centralizar a discussão no diretor e no parlamentar, a fim de mostrar como os lados políticos antagônicos possuem privilégios diferentes no que se relaciona ao comando da Inglaterra. Acusados de </span><a href="https://g1.globo.com/mundo/noticia/2019/11/26/grande-rabino-do-reino-unido-denuncia-o-veneno-do-antissemitismo-no-partido-trabalhista.ghtml"><span style="font-weight: 400;">antissemitismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> e de serem ‘‘</span><i><span style="font-weight: 400;">comunistas</span></i><span style="font-weight: 400;">’’ desenfreados, os homens examinam como se deram as articulações que permitiram a hegemônia do conservadorismo. Corbyn, no entanto, em </span><a href="https://revistaopera.operamundi.uol.com.br/2024/11/05/jeremy-corbyn-meus-pontos-de-vista-nao-mudaram-minha-politica-nao-mudou/"><span style="font-weight: 400;">conversa</span></a><span style="font-weight: 400;"> com a revista </span><i><span style="font-weight: 400;">Opera</span></i><span style="font-weight: 400;">, afirmou que não considera ter sido chamado de antissemita. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com o uso de elementos não tão usuais em obras documentais, como uma narração exagerada que chega a ‘vilanizar’ os seus protagonistas, o diretor perde a seriedade da conversa ao tratar de maneira ficcional os acontecimentos. O artifício serve como uma reprodução de discursos baseados em falácias por aqueles que são contra a esquerda e contrastam com os momentos de explicações dos dois convidados. A partir da análise dos fatos mencionados na obra, o espectador pode conhecer mais a fundo algumas particularidades do </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/blogs/americo-martins/internacional/entenda-como-funcionam-as-eleicoes-no-reino-unido/"><span style="font-weight: 400;">sistema administrativo</span></a><span style="font-weight: 400;"> do país.</span></p>
<figure id="attachment_34353" aria-describedby="caption-attachment-34353" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-34353 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-8-800x448.png" alt="Imagem do documentário Os Maus Patriotas. Na foto, aparece o cineasta Ken Loach na realização de um longa do diretor. Além dele, há alguns membros da produção do filme. A foto possui uma cor vermelha, utilizada pelo diretor Victor Fraga em certos momentos do documentário." width="800" height="448" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-8-800x448.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-8-1024x573.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-8-768x430.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-8-1536x860.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-8-1200x672.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-8.png 1999w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34353" class="wp-caption-text">Entre a realidade e a ficção, Victor Fraga expõe as contradições dos veículos britânicos de comunicação (Foto: Sesc SP Digital)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, ao lado dos depoimentos de Loach e Corbyn, que são especialistas e casos vivos do julgamento da mídia por suas escolhas políticas, os recursos estilísticos do cineasta são sobrepostos ao assunto principal: como os veículos de comunicação passam a falsa impressão de que o país vive uma </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-50757468"><span style="font-weight: 400;">democracia</span></a><span style="font-weight: 400;"> de ideias. No momento em que aposta nas duas figuras que combatem a desinformação, Fraga abre margem para discutir questões vistas no mundo digital, como o ‘cancelamento’ de personalidades.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante os seus 71 minutos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Maus Patriotas</span></i><span style="font-weight: 400;"> faz um recorte de como a sociedade britânica possui inconsistências contraditórias nas mídias tradicionais. Em certo ponto, os convidados da obra reconhecem a falsa progressão dos jornais do Reino Unido, que, embora sejam mais abertos a questões de gênero, quando se trata de questões políticas, a abordagem é muito mais partidária. Assim, ao focalizar as lentes de sua história em dois nomes da </span><a href="https://g1.globo.com/politica/noticia/2024/07/07/direita-ou-extrema-direita-esquerda-ou-extrema-esquerda-entenda-as-diferencas-entre-correntes-politicas.ghtml"><span style="font-weight: 400;">esquerda</span></a><span style="font-weight: 400;">, o diretor dá voz àqueles que foram silenciados injustamente – ou que, ao menos no documentário, tiveram chances de se defender.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O título, na verdade, é uma ironia à maneira como Ken Loach e Jeremy Corbyn são vistos pela sociedade britânica. Ao longo do documentário, fica claro que os dois líderes são competentes em mostrar os contrastes que formam a base da estrutura político-social europeia. Ainda que tivesse um debate mais expressivo caso optasse por aprofundar mais a conversa, o cineasta brasileiro dá um pontapé na forma como as </span><a href="https://www.observatoriodaimprensa.com.br/imprensa-em-questao/a-midia-realmente-tem-o-poder-de-manipular-as-pessoas/"><span style="font-weight: 400;">mídias de comunicação</span></a><span style="font-weight: 400;"> têm poder sobre os seus leitores. Se ser um ‘mau patriota&#8217; é questionar tudo aquilo que nos é disseminado, então, aqueles que cutucam a ferida, examinam e dão soluções são, na verdade, os verdadeiros adoradores da pátria.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/os-maus-patriotas-critica/">Talvez você também seja um d’Os Maus Patriotas</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/os-maus-patriotas-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">34351</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Todo Tempo Que Temos é receita para filme conforto</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/todo-tempo-que-temos-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/todo-tempo-que-temos-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 Nov 2024 19:00:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[2024]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Andrew Garfield]]></category>
		<category><![CDATA[Benedict Cumberbatch]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Davi Marcelgo]]></category>
		<category><![CDATA[Florence Pugh]]></category>
		<category><![CDATA[Imagem Filmes]]></category>
		<category><![CDATA[John Crowley]]></category>
		<category><![CDATA[Nick Payne]]></category>
		<category><![CDATA[Reino Unido]]></category>
		<category><![CDATA[Todo Tempo Que Temos]]></category>
		<category><![CDATA[We Live in Time]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=34259</guid>

					<description><![CDATA[<p>Davi Marcelgo Ao assistir a um filme, a atividade é inconsciente. O cérebro vai interpretando através do olhar, dos ouvidos e das convenções e elementos em cena que são familiares. Uma pessoa andando sozinha em uma noite escura é sinal de que o assassino vem aí, já um parceiro novo em uma franquia de ação, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/todo-tempo-que-temos-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Todo Tempo Que Temos é receita para filme conforto"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/todo-tempo-que-temos-critica/">Todo Tempo Que Temos é receita para filme conforto</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34260" aria-describedby="caption-attachment-34260" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-34260 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-800x533.jpg" alt="Cena do filme Todo Tempo Que Temos. Na imagem, Tobias, Almut e a filha do casal estão juntos em um jardim. Eles estão enfileirados, a criança está no colo de Tobias, olhando para trás, o rosto dela não está visível. Atrás de Tobias, na direita, está Almut. Eles estão felizes, sorrindo. Ela é uma mulher na faixa dos 30 anos, de pele clara e cabelos loiros, lisos e compridos. Ela está vestindo uma camisa social de botões na cor branca com listras pretas na vertical. Tobias é um homem branco, na faixa dos 40 anos, de cabelos curtos na cor castanho claro. Ele usa um suéter azul marinho. A criança também possui pele clara, cabelos castanhos com um penteado de tranças nos dois lados da cabeça. Ela usa uma jaqueta jeans e calça moletom na cor verde escuro. Na mão direita ela segura um ursinho de pelúcia com o corpo branco e orelhas e rabo na cor preta. O jardim possui muitas árvores secas, grama verde e flores vermelhas. No canto esquerdo há um espaço para descanso, com sofá com almofadas e uma cadeira de madeira." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-1200x800.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1.jpg 1999w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34260" class="wp-caption-text">O longa é uma produção de Benedict Cumberbatch (Foto: Imagem Filmes)</figcaption></figure>
<p><strong>Davi Marcelgo</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao assistir a um filme, a atividade é inconsciente. O cérebro vai interpretando através do olhar, dos ouvidos e das convenções e elementos em cena que são familiares. Uma pessoa andando sozinha em uma noite escura é sinal de que o assassino vem aí, já um parceiro novo em uma franquia de ação, na certa, é um </span><a href="https://personaunesp.com.br/missao-impossivel-efeito-fallout-critica/"><span style="font-weight: 400;">agente duplo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Na Comédia romântica, clichês não faltam, mas são justamente eles que fazem tantas pessoas terem como </span><a href="https://www.revistabula.com/43121-7-comfort-movies-para-assistir-na-netflix-quando-tudo-der-errado/"><i><span style="font-weight: 400;">confort movie</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> 10 Coisas que Eu Odeio em Você</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1999), por exemplo. Nesse sentido, </span><i><span style="font-weight: 400;">Todo Tempo que Temos</span></i><span style="font-weight: 400;"> é o mais novo candidato para entrar na lista de filmes que assistimos quando precisamos. </span></p>
<p><span id="more-34259"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tobias (</span><a href="https://personaunesp.com.br/tick-tick-boom-critica/"><span style="font-weight: 400;">Andrew Garfield</span></a><span style="font-weight: 400;">) é um recém divorciado que, por obra do destino, conhece Almut (</span><a href="https://personaunesp.com.br/dont-worry-darling-critica/"><span style="font-weight: 400;">Florence Pugh</span></a><span style="font-weight: 400;">), uma talentosa cozinheira. Eles se apaixonam, vivem um amor de Cinema e formam uma família – o que poderia dar errado? Sempre tem algo para tremer a relação de um casal e o longa de John Crowley entende isso muito bem. É um filme que lida com os códigos do gênero de uma maneira bem sincera, sem vergonha ou disfarce. Tudo que um ‘dramalhão’ tem direito está aqui: um problema grave, situações exageradas, um segredo, cena de despedida e um marido tão perfeito que só existe em ficção mesmo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda que abuse, positivamente, dos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=8nmh2ot0hzs"><span style="font-weight: 400;">clichês</span></a><span style="font-weight: 400;">, a forma como a história é contada garante originalidade e coerência com a temática sobre ‘quanto tempo temos para aproveitar a vida?’. Indo e voltando para o passado e presente, às vezes, nem de forma linear, o filme se apresenta como uma espécie de livro de memórias sobre a história de duas pessoas, o que garante a construção de rimas visuais que atendem ao propósito de te fazer sentir.</span></p>
<figure id="attachment_34261" aria-describedby="caption-attachment-34261" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-34261 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-800x533.jpg" alt="Cena do filme Todo Tempo Que Temos. Na imagem, Tobias dirige um carrinho de bate-bate de parques de diversão. Ele está bem alegre, rindo, com uma das mãos no volante. O carrinho é na cor amarela e feito de metal. O cenário é de um parque de diversões, ao fundo, em desfoque, há luzes amarelas e outros brinquedos em vermelho. Tobias é um homem branco, na faixa dos 40 anos, de cabelos curtos na cor castanho claro. Ele está usando uma jaqueta verde escura." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-1200x800.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2.jpg 1999w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34261" class="wp-caption-text">Tanto Florence Pugh como Andrew Garfield já deram vida a personagens da Marvel: Yelena e Homem-Aranha, respectivamente (Foto: Imagem Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em determinadas sequências, Crowley abraça o piegas e o absurdo sem medo algum de ser rejeitado por uma antipatia com a breguice, postura de outros públicos não interessados na linguagem romântica. A direção utiliza de movimentos rápidos e música triste para invocar a atmosfera perfeita na geração de laços com personagens. Nesse vai e vem de cronologia, o roteiro de </span><a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/criticas/wanderlust-1a-temporada"><span style="font-weight: 400;">Nick Payne</span></a><span style="font-weight: 400;"> instiga o público a criar sua própria colcha de retalhos sobre a história.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A dupla de atores está encantadora. Seguindo à risca os protagonistas de uma comédia romântica: são opostos que se atraem. Andrew Garfield é uma ótima escalação de elenco; </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=icozbdXIywY"><span style="font-weight: 400;">carismático</span></a><span style="font-weight: 400;"> como já provou ser, dentro e fora dos </span><i><span style="font-weight: 400;">sets</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">se é para fazer o público se apaixonar por um protagonista, a bola foi direto para o gol. Por outro lado, Florence Pugh é o lado mais dramático do casal, seja por sua trama ou dando o tom certo ao texto – em cenas mais sensíveis ou explosivas, ela sai como destaque. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Todo Tempo Que Temos</span></i><span style="font-weight: 400;"> é tudo que o gênero tem de marcante. O longa não é rebuscado, porém tem exatamente o espírito que quer ter e sabe seu público-alvo. Brincando o tempo todo com os sentidos e a memória, provoca felicidade, riso, choro e ansiedade em um ótimo malabarismo com os elementos de romance. Se o casal Tobias e Almut aproveitaram todo o tempo que tiveram, o assunto é outro, mas o </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/isabela-boscov/brooklyn"><span style="font-weight: 400;">diretor</span></a><span style="font-weight: 400;"> com certeza aproveitou uma caixa de clichês ao seu bel-prazer.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Todo Tempo Que Temos | Trailer Oficial | Hoje Somente nos Cinemas" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/BHSk1DsZUks?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/todo-tempo-que-temos-critica/">Todo Tempo Que Temos é receita para filme conforto</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/todo-tempo-que-temos-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">34259</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Beckham: por trás de todo homem, nem sempre há uma Spice Girl</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/beckham-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/beckham-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 14 Sep 2024 14:26:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Séries]]></category>
		<category><![CDATA[2023]]></category>
		<category><![CDATA[A motivação de David]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Beckham]]></category>
		<category><![CDATA[Bolas de ouro]]></category>
		<category><![CDATA[Cobertura]]></category>
		<category><![CDATA[David Beckham]]></category>
		<category><![CDATA[Emmy]]></category>
		<category><![CDATA[Emmy 2024]]></category>
		<category><![CDATA[Fisher Stevens]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Composição Musical em Documentário ou Especial (Trilha Dramática Original)]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Direção em Documentário/Programa de Não-Ficção]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Fotografia em Programa de Não-Ficção]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Montagem em Programa de Não-Ficção]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Série Documental ou de Não-Ficção]]></category>
		<category><![CDATA[Nathalia Tetzner]]></category>
		<category><![CDATA[Netflix]]></category>
		<category><![CDATA[O chute]]></category>
		<category><![CDATA[Posh Spice]]></category>
		<category><![CDATA[Reino Unido]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Spice Girls]]></category>
		<category><![CDATA[Vermelho de Raiva]]></category>
		<category><![CDATA[Victoria Beckham]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=33986</guid>

					<description><![CDATA[<p>Nathalia Tetzner Há muito tempo, dizem que por trás de todo homem há uma mulher. Beckham, série documental sobre um dos maiores jogadores de futebol da história da Inglaterra – e uma das figuras mais propagadas em campanhas globais para marcas gigantescas –, coloca a prova esse ditado. Demonstrando, também, que a razão pelo insucesso &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/beckham-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Beckham: por trás de todo homem, nem sempre há uma Spice Girl"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/beckham-critica/">Beckham: por trás de todo homem, nem sempre há uma Spice Girl</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_33987" aria-describedby="caption-attachment-33987" style="width: 1078px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33987" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-6.png" alt="Fotografia de David e Victoria Beckham veiculada no documentário Beckham. Da esquerda para a direita na imagem, David e Victoria sorriem para a câmera que, por sua vez, os capturam a partir dos bustos. Ele é um homem branco de cabelos e olhos claros, enquanto ela é uma mulher branca de cabelos e olhos escuros. David veste um terno preto sobre uma camiseta azulada e uma gravata de estampa, já Victoria veste um vestido preto de manga longa. Ao fundo, o cenário é a vista de um camarote para um campo de futebol enorme, de grama bem verde." width="1078" height="599" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-6.png 1078w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-6-800x445.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-6-1024x569.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-6-768x427.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33987" class="wp-caption-text">Com o sucesso de Beckham, a Netflix já garantiu a produção de uma série documental sobre a Posh Spice (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Nathalia Tetzner</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há muito tempo, dizem que por trás de todo homem há uma mulher. </span><i><span style="font-weight: 400;">Beckham</span></i><span style="font-weight: 400;">, série documental sobre um dos maiores jogadores de futebol da história da Inglaterra – e uma das figuras mais propagadas em campanhas globais para marcas gigantescas –, coloca a prova esse ditado. Demonstrando, também, que a razão pelo insucesso de muitos seja, talvez, por não ter uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=gJLIiF15wjQ&amp;pp=ygUHd2FubmFiZQ%3D%3D"><span style="font-weight: 400;">Spice Girl</span></a><span style="font-weight: 400;"> como Victoria Beckham em suas trajetórias.</span></p>
<p><span id="more-33986"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O documentário coloca em evidência o papel da ‘Posh Spice’ na vida de David Beckham. Mais do que a sua âncora, ela também o guiou ao estrelato na indústria do entretenimento. Isso, sem nunca deixar os sonhos para trás pelo amor, ainda que tenha sacrificado a sua paz pelo bem-estar da família. Ao seu lado, o apoio dos pais dele e os conselhos do técnico mais vitorioso do esporte, Alex Ferguson, perdem </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pquPK2bDJAI&amp;pp=ygUPYmVja2hhbSBuZXRmbGl6"><span style="font-weight: 400;">protagonismo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Beckham</span></i><span style="font-weight: 400;">, qualquer empecilho é resolvido por ela.</span></p>
<figure id="attachment_33988" aria-describedby="caption-attachment-33988" style="width: 1074px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33988" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-7.png" alt="Fotografia de Alex Ferguson e David Beckham veiculada no documentário Beckham. Da esquerda para a direita na imagem, Ferguson e Beckham sorriem para a câmera que, por sua vez, os capturam a partir das cinturas. Ambos são homens brancos de cabelos e olhos claros. Alex Ferguson veste um uma camiseta branca, gravata de estampa vermelha e preta, e uma calça cinza de linho. David Beckham veste um terno preto sobre uma camiseta branca e uma gravata de estampa vermelha. Eles estão assinando um contrato em uma mesa repleta de papelada. Ao fundo, o cenário é uma sala de reuniões." width="1074" height="601" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-7.png 1074w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-7-800x448.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-7-1024x573.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-7-768x430.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33988" class="wp-caption-text">O técnico de futebol Alex Ferguson tem 50 títulos na carreira, marco que o coloca entre os maiores da história do esporte (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Inserido no </span><i><span style="font-weight: 400;">hall</span></i><span style="font-weight: 400;"> de talentos explorados pelo pai visionário desde os primeiros anos da infância, David Beckham esteve dividido entre a pressão constante e o acalento da mãe. Atrapalhando-se em campo quando a família não estava presente no estádio para assisti-lo, o seriado se distancia de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=HSC6htNW9co"><i><span style="font-weight: 400;">Neymar: O Caos Perfeito</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, outra produção da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">. Embora Beckham tenha seu próprio momento ‘</span><a href="https://www.metropoles.com/colunas/fabia-oliveira/neymar-vira-piada-nas-redes-sociais-apos-assumir-traicao"><span style="font-weight: 400;">errei, fui moleque</span></a><span style="font-weight: 400;">’, quando aborda as supostas traições à ‘Posh Spice’ em </span><i><span style="font-weight: 400;">Bolas de ouro</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao contrário do brasileiro, o atleta que defendeu o Manchester United e o Real Madrid teve pessoas que tentaram manter seus pés no chão. Alex Ferguson fez de tudo para que ele não desviasse a atenção para uma </span><i><span style="font-weight: 400;">popstar</span></i><span style="font-weight: 400;"> em ascensão mundial ou mudasse completamente a aparência por causa de patrocinadores. Contudo, o esforço foi em vão, já que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=G-n-PklEATo&amp;pp=ygUPYmVja2hhbSBuZXRmbGl6"><span style="font-weight: 400;">David Beckham</span></a><span style="font-weight: 400;"> é a razão por revolucionar, a partir da década de 2000, a forma que o mundo consome jogadores de futebol.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com a fusão das linhas que marcam o gramado do campo e as linhas-finas dos tablóides impressos, David e Victoria Beckham expõem o abuso da mídia britânica sem se fazerem apenas de </span><a href="https://www.newsweek.com/beckham-secures-award-win-evaded-harry-meghan-netflix-1950738"><span style="font-weight: 400;">vítimas</span></a><span style="font-weight: 400;">. Assim, mostram para </span><i><span style="font-weight: 400;">Harry &amp; Meghan</span></i><span style="font-weight: 400;"> como se arquiteta um documentário merecedor de cinco indicações ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/emmy-2024/"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy 2024</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Sendo </span><a href="https://revistamonet.globo.com/series/noticia/2024/09/documentario-de-david-beckham-vence-emmy-e-astro-recebe-premio-por-chamada-de-video-queria-estar-ai.ghtml"><span style="font-weight: 400;">vencedor</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Série Documental ou de Não-Ficção, categoria não televisionada na noite principal.</span></p>
<figure id="attachment_33989" aria-describedby="caption-attachment-33989" style="width: 1079px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33989" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-5.png" alt="Cena do documentário Beckham. Na imagem, David Beckham aparece olhando para algo atrás da câmera que, por sua vez, o captura a partir do busto. Beckham é um homem branco de cabelos e olhos claros. Ele veste uma camiseta de algodão branca de mangas longas e um relógio preto no pulso. Ele apoia um dos braços em uma mesa de madeira, em que também estão um candelabro e uma taça transparente. Ao fundo, desfocado, é possível notar que o cenário se trata da sala aconchegante da mansão da família Beckham. Raios de sol invadem a paisagem composta por uma lareira." width="1079" height="596" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-5.png 1079w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-5-800x442.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-5-1024x566.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-5-768x424.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33989" class="wp-caption-text">O seriado levou o prêmio de Melhor Série Documental ou de Não-Ficção no Emmy 2024 (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Através da câmera posicionada bem próxima dos entrevistados, capturando suas expressões faciais enquanto assistem aos momentos mais cruciais da vida do protagonista da narrativa, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=g8kN3-QP0lA"><span style="font-weight: 400;">Fisher Stevens</span></a><span style="font-weight: 400;"> realiza um trabalho comovente. Os episódios </span><i><span style="font-weight: 400;">O chute</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Vermelho de raiva</span></i><span style="font-weight: 400;"> são seu ápice no comando da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2UTpyq8fZWk"><span style="font-weight: 400;">direção</span></a><span style="font-weight: 400;">. Por outro lado, Stevens deixa a emoção escapar de suas mãos justamente no </span><i><span style="font-weight: 400;">grand finale</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">A motivação de David</span></i><span style="font-weight: 400;"> deixa um gosto amargo por não elaborar o clímax.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Abordando o assédio dos torcedores ingleses com uma sensibilidade essencial, </span><i><span style="font-weight: 400;">Beckham</span></i><span style="font-weight: 400;"> se esquiva apenas de polêmicas muito recentes, como a posição de embaixador da </span><a href="https://ge.globo.com/futebol/futebol-internacional/noticia/2022/09/01/beckham-e-duramente-criticado-por-promover-catar-em-comercial.ghtml#:~:text=O%20ex%2Djogador%20David%20Beckham,incr%C3%ADvel%20para%20passar%20uns%20dias."><span style="font-weight: 400;">Copa do Mundo FIFA</span></a><span style="font-weight: 400;"> de 2022, organizada no Catar, um país que desafia os direitos humanos. Mais do que uma jornada de superação de um ícone global, o seriado traz à tona a importância de uma mulher como Victoria Beckham, além de exibir como ambos orquestraram uma trajetória digna de série da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Série documental &quot;Beckham&quot; | Trailer oficial | Netflix" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/laHKrJpK5l4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/beckham-critica/">Beckham: por trás de todo homem, nem sempre há uma Spice Girl</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/beckham-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">33986</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Menos inteligente, A Fuga das Galinhas: A Ameaça dos Nuggets pisoteia em ovos</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/a-fuga-das-galinhas-a-ameaca-dos-nuggets-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/a-fuga-das-galinhas-a-ameaca-dos-nuggets-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Sep 2024 19:18:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[2023]]></category>
		<category><![CDATA[A Fuga das Galinhas]]></category>
		<category><![CDATA[A Fuga das Galinhas: A Ameaça dos Nuggets]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Bella Ramsey]]></category>
		<category><![CDATA[Charles Copping]]></category>
		<category><![CDATA[Davi Marcelgo]]></category>
		<category><![CDATA[David Bradley]]></category>
		<category><![CDATA[Estados Unidos]]></category>
		<category><![CDATA[Jane Horrocks]]></category>
		<category><![CDATA[John O'Farrell]]></category>
		<category><![CDATA[Julia Sawalha]]></category>
		<category><![CDATA[Karey Kirkpatrick]]></category>
		<category><![CDATA[Miranda Richardson]]></category>
		<category><![CDATA[Netflix]]></category>
		<category><![CDATA[Rachel Tunnard]]></category>
		<category><![CDATA[Reino Unido]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Sam Fell]]></category>
		<category><![CDATA[Stop-Motion]]></category>
		<category><![CDATA[Thandiwe Newton]]></category>
		<category><![CDATA[Zachary Levi]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=33939</guid>

					<description><![CDATA[<p>Aviso: o texto contém spoilers. Davi Marcelgo   Depois de uma odisseia que durou 23 anos, o criativo A Fuga das Galinhas (2000) ganhou uma sequência. O longo percurso para a continuação sair do papel foi resultado de muitos fatores: o fim da parceria entre Aardman Animations e Dreamworks em 2006, a pandemia da covid-19, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-fuga-das-galinhas-a-ameaca-dos-nuggets-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Menos inteligente, A Fuga das Galinhas: A Ameaça dos Nuggets pisoteia em ovos"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/a-fuga-das-galinhas-a-ameaca-dos-nuggets-critica/">Menos inteligente, A Fuga das Galinhas: A Ameaça dos Nuggets pisoteia em ovos</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><b><i>Aviso:</i><i><span style="font-weight: 400;"> o texto contém spoilers.</span></i></b></p>
<figure id="attachment_33940" aria-describedby="caption-attachment-33940" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33940" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-1.jpg" alt="Cena do filme A Fuga das Galinhas: A Ameaça dos NuggetsNa imagem, os personagens do filme estão reunidos comemorando o nascimento do pintinho Molly. Ginger e Rocky seguram Molly no colo. Ginger é uma galinha ruiva, tem olhos verdes, usa boina verde e lenço branco amarrado no pescoço. Rocky é um galo de cores laranja e vermelho escuro, ele tem olhos castanhos escuros e usa um lenço azul com bolinhas brancas amarrado no pescoço. Molly é um pintinho amarelo, com olhos azuis e crista roxa. Ela está sentada em uma casca de ovo. Ao redor deles, tem mais 3 galinhas e um galo. O galo é Fowler, ele é mais velho, tem sobrancelhas grossas e coloração azul e branca. Ele segura um bastão dourado e tem um lenço branco amarrado no pescoço. Na sua direita, está Babs, ela está uma galinha de cor bege, com crista azul penteada para baixo como uma franja. Ela está tricotando crochê vermelho e usa um colar de pérolas rosa. Na esquerda de Rocky, estão Bunty e Mac. Mac é uma galinha branca, usa óculos e lenço xadrez na cor amarela amarrado no pescoço. Bunty é uma galinha na cor vinho e usa um colar de bolinhas azuis. Ao fundo, há uma vila, com árvores, gramas e casas de palha. " width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-1.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33940" class="wp-caption-text">O elenco principal tem novos dubladores: Zachary Levi e Thandiwe Newton dão vida a Rocky e Ginger (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Davi Marcelgo </b><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois de uma odisseia que durou 23 anos, o criativo </span><i><span style="font-weight: 400;">A Fuga das Galinhas</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2000) ganhou uma sequência. O longo percurso para a continuação sair do papel foi resultado de muitos fatores: o </span><a href="https://canaltech.com.br/cinema/fuga-das-galinhas-2-por-que-o-novo-filme-demorou-mais-de-20-anos-273269/"><span style="font-weight: 400;">fim da parceria</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre </span><i><span style="font-weight: 400;">Aardman</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Animations </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Dreamworks</span></i><span style="font-weight: 400;"> em 2006, a pandemia da covid-19, a troca de elenco devido às </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/mel-gibson-usa-expressoes-racistas-contra-ex-namorada-2984800"><span style="font-weight: 400;">polêmicas envolvendo racismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> por parte de Mel Gibson – dublador do personagem Rocky em 2000 –, além do custo e da necessidade de uma equipe maior para a produção. Sem um grande estúdio por trás, a história das aves ficou sem um novo voo por mais de duas décadas. Em 2020, a </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix </span></i><span style="font-weight: 400;">anunciou a continuação, </span><a href="https://youtu.be/oxYQb-WxPPk?si=umjWc6gXWF2cBP8Q"><i><span style="font-weight: 400;">A Fuga das Galinhas: A Ameaça dos Nuggets</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Mas será que ela mantém a qualidade do primeiro filme? </span></p>
<p><span id="more-33939"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A resposta é: nem tanto. A animação em </span><a href="https://youtu.be/nD_xcLLmM08?si=_F2IfM4sLC40IWk_"><i><span style="font-weight: 400;">stop motion</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">continua linda, cheia de detalhes e com todos os atributos que sintetizam o cuidado dos profissionais e animadores. No comando do diretor </span><a href="https://isabelaboscov.com/2006/12/13/por-agua-abaixo/"><span style="font-weight: 400;">Sam Fell</span></a><span style="font-weight: 400;">, a diferença mais gritante são as cores, mais vivas e festivas, que conseguem captar muito bem o espírito de liberdade e da utopia celebrada pelas galinhas remanescentes que escaparam da fazenda da Sra. Tweedy (Miranda Richardson). Tal estética se opõe à Fotografia do filme antecessor, rodado por Nick Park e Peter Lord, que é escura, com aspecto sujo e ‘melequento’, sem nenhum tipo de entusiasmo. Afinal, as descendentes dos dinossauros sobreviveram de um espaço sanguinário.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na trama de </span><i><span style="font-weight: 400;">Ameaça dos Nuggets</span></i><span style="font-weight: 400;">, Ginger (Thandiwe Newton) e Rocky (</span><a href="http://personaunesp.com.br/shazam-critica/"><span style="font-weight: 400;">Zachary Levi</span></a><span style="font-weight: 400;">) desfrutam da independência e da família, porém, a filha do casal, Molly (</span><a href="https://personaunesp.com.br/the-last-of-us-1a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">Bella Ramsey</span></a><span style="font-weight: 400;">), começa a idealizar um mundo melhor para além da ilha em que vivem. No entanto, eles mal sabem que uma antiga inimiga ainda comanda a região. Os problemas do longa começam quando Molly é levada para a fábrica de </span><i><span style="font-weight: 400;">nuggets</span></i><span style="font-weight: 400;"> da Sra. Tweedy. A textura bucólica se torna metálica, de acordo com o espaço em cena. Contudo, para além do campo, as cores ainda continuam muito salteadas e todo pânico por ter a morte ao lado se esvai junto com a fumaça de ‘franguinho’ na panela. As cores, do diretor de Fotografia Charles Copping, não comunicam de forma coerente. </span></p>
<figure id="attachment_33941" aria-describedby="caption-attachment-33941" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33941" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2.jpg" alt="Cena do filme A Fuga das Galinhas: A Ameaça dos NuggetsNa cena, Molly está andando com expressão de zangada, enquanto Rocky e Ginger estão atrás com expressão de chateados. Ginger é uma galinha ruiva, usa boina verde e lenço branco amarrado no pescoço. Rocky é um galo de cores laranja e vermelho escuro, ele tem olhos castanhos escuros e usa um lenço azul com bolinhas brancas amarrado no pescoço. Molly é uma galinha ainda criança, de cor amarela, boina verde, lenço roxo com um detalhe em vermelho, olhos azuis e crista vermelha e roxa. Ao fundo, há uma vila, com árvores, flores, gramas e casas de palha. " width="1999" height="1099" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-800x440.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-1024x563.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-768x422.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-1536x844.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-1200x660.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33941" class="wp-caption-text">A vila das galinhas demorou em torno de dois anos para ser construída (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A fábrica, embora seja maior e tenha um modelo de produção em larga escala, não consegue transmitir a mesma ameaça da pequena granja da animação de 2000. Além das cores, há outros dois motivos, sendo eles o humor e a decupagem. As ‘piadinhas’ continuam visuais, muitas vezes, partindo do corpo dos bonecos de ‘massinha’, porém, grande parte dos personagens são bem ‘bobinhos’ e infantilizados, lembrando </span><a href="http://personaunesp.com.br/shaun-o-carneiro-o-filme-a-fazenda-contra-ataca-critica/"><span style="font-weight: 400;">Shaun, o carneiro</span></a><span style="font-weight: 400;">, também da </span><i><span style="font-weight: 400;">Aardman</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A animação ser infantil não é um pecado, mas a técnica não é exclusiva para crianças e, olhando em retrocesso, a direção da dupla de criadores e o texto possuíam um humor mais inteligente e ácido. Exemplo desse tom é a cena cuja comicidade é um detalhe; Babs (</span><a href="https://cinema10.com.br/personalidades/jane-horrocks"><span style="font-weight: 400;">Jane Horrocks</span></a><span style="font-weight: 400;">) costura uma corda de forca com tricô. Para mais, há a descrença da Sra. Tweeny na capacidade das galinhas planejarem um complô, registrada na fala: “S</span><i><span style="font-weight: 400;">ão as criaturas mais burras do planeta. Elas não pensam, não tramam e não estão organizadas</span></i><span style="font-weight: 400;">”. O quadro seguinte imediatamente mostra Ginger pedindo por ordem. Tal contradição e uma galinha pensando em morte são risíveis. </span></p>
<figure id="attachment_33942" aria-describedby="caption-attachment-33942" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33942" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3.jpg" alt="Cena do filme A Fuga das Galinhas: A Ameaça dos NuggetsNa imagem, Rocky está com a expressão de convencido, parado numa hélice de sistema de ventilação. Ele é um galo de cores laranja e vermelho escuro, ele tem olhos castanhos escuros e usa um lenço azul com bolinhas brancas amarrado no pescoço. Do lado direito, estão 2 ratos. Um deles é mais magro, está sorrindo e olhando para Rocky enquanto encosta dois fios vermelhos, produzindo faísca. Ele tem cor cinza, focinho comprido, veste uma roupa verde e usa boina. O outro, está olhando para os fios com expressão de assustado. Ele também tem cor cinza e focinho comprido e usa um terno amarelo com a gravata feita de zíper. A ventilação tem 3 hélices e é prateada. " width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33942" class="wp-caption-text">O filme foi direto para o streaming e não teve exibições nos cinemas (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O segundo motivo é a decupagem de cena; a forma como </span><a href="https://youtu.be/K7gdWIY9R4s?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">Park</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Lord evocam uma sensação de perigo e desilusão usando sombras e a percepção dos sentidos humanos não presentes na sequência. Como exemplo, a cena em que, após a Sra. Tweedy </span><a href="https://youtu.be/TTRVSnvtrEk?si=FpIQ2BfK6hOzxYcq"><span style="font-weight: 400;">escolher</span></a><span style="font-weight: 400;"> qual galinha vai matar, ela coloca luvas na cor vermelha. O som é um estalo forte do elástico no punho somado ao corvejo de corvos. Então, a porta se abre e, a partir do campo de visão na altura de uma galinha, vemos um machado enfincado num tronco. Ginger está acompanhando tudo de longe, incapaz de fazer algo e com a expressão de medo. A vilã empunha a arma e só enxergamos as sombras. A morte é confirmada pelo som do machado. A cena finaliza com pássaros brandos sobrevoando a granja. Depois, a câmera passeia pela mesa de jantar: ali, há restos de um frango assado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Machado, luva vermelha, pássaros voando, todos os objetos em cena são abstraídos dos seus sentidos literais e ressignificados através das simbologias de liberdade, prisão e morte de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Fuga das Galinhas.</span></i><span style="font-weight: 400;"> Nick Park e Peter Lord querem que você tenha asas e um bico. A </span><a href="https://youtu.be/fwgH_RM0QuM?si=Vv1KIGYke1ta21xl"><span style="font-weight: 400;">icônica cena</span></a><span style="font-weight: 400;"> em que Ginger e Rocky invadem a máquina de tortas lembra o inferno. Ela é toda ‘melequenta’, cheia de fogo e com um ar de impossibilidade de escapar, além de ter sido filmada com muita frenesia, movimento e caos. Já a direção de Fell não consegue por um minuto sequer nos colocar em uma grelha de churrasco. Tudo é muito ‘limpinho’: sem estímulos e grandes inspirações.</span></p>
<figure id="attachment_33944" aria-describedby="caption-attachment-33944" style="width: 1324px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33944" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image5.jpg" alt="Cena do filme A Fuga das GalinhasNa imagem, Ginger e outras galinhas encaram a câmera com tristeza enquanto chove. Ginger é uma galinha ruiva, tem olhos verdes, usa boina verde e lenço branco amarrado no pescoço. As outras galinhas estão ao fundo, desfocadas. O cenário é de uma granja. " width="1324" height="714" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image5.jpg 1324w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image5-800x431.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image5-1024x552.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image5-768x414.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image5-1200x647.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33944" class="wp-caption-text">Custando 45 milhões de dólares, o primeiro stop motion da Dreamworks lucrou 220 milhões de dólares e causou mudanças no Oscar (Foto: Aardman Animations)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme de 2023 pelo menos entende a </span><a href="https://canaltech.com.br/cinema/a-fuga-das-galinhas-e-mesmo-um-filme-comunista-273451/"><span style="font-weight: 400;">alegoria marxista</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a de campos de concentração pretendida pela história das penosas, continuando essas ideias. Molly foge da vila porque acha que a grama do outro lado é mais verde. Ginger a proíbe de sair, mas esconde todo o passado cruel que viveu. A necessidade de avisar as novas gerações sobre opressores e formas de extermínio é uma temática e tanto. Porém, o enredo, roteirizado por Karey Kirkpatrick, John O&#8217;Farrell e Rachel Tunnard, verbaliza outra resposta: a protagonista perdoa a filha por achar que ela tem o mesmo espírito de liberdade. Dessa forma, resumiram uma narrativa política em uma condição determinista fajuta. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Até a escolha do retorno da antagonista teria mais força sem essa linha de diálogo. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Fuga das Galinhas</span></i><span style="font-weight: 400;">, a origem do nome das tortas é exposta no seguinte diálogo: “</span><i><span style="font-weight: 400;">a torta de galinhas feita em casa pela senhora Tweedy</span></i><span style="font-weight: 400;">” e justificado pelo argumento  “</span><i><span style="font-weight: 400;">toque feminino, o público se sente mais confortável</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Criando uma alegoria com a manipulação que empresas e sistemas fazem com as </span><a href="https://youtu.be/F98LqQt0Rd8?si=76p-TG7QG3yVUY-A"><span style="font-weight: 400;">massas</span></a><span style="font-weight: 400;">. Disfarçam todo sangue derramado com propagandas felizes e acolhedoras.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na sequência, que apresenta a mesma inimiga, mas, dessa vez, em outra roupagem, com maquiagem, roupas chiques e um novo corte de cabelo, é infeliz a falta de tato ou até limitações coagidas pela produção (dificilmente saberemos) em não criar paralelos sobre ressurgimento de ideais nazi-fascistas, grupos extremistas que não utilizam nomes e discursos </span><a href="https://youtu.be/2tMuOxFSmpQ?si=A8M7tO8AK2n5P0BO"><span style="font-weight: 400;">racistas</span></a><span style="font-weight: 400;"> ou homofóbicos explícitos para não soarem malignos – ainda que continuem sendo –, ou organizações disfarçadas de salvadoras da família, com políticos trajados em túnicas cristãs. As ideias estão todas ali e, infelizmente, o filme não faz um exercício maior sobre elas, criando cenas de arrepiar e sentir nojo. Não é exagero pedir isso do filme ou de uma animação, porque seu antecessor sabia muito bem o que estava fazendo. </span></p>
<figure id="attachment_33943" aria-describedby="caption-attachment-33943" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33943" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image4.jpg" alt="Cena do filme A Fuga das Galinhas: A Ameaça dos NuggetsNa imagem, estão as personagens Senhora Tweedy e Ginger. Tweedy está em uma escada de vidro e Ginger está escondida embaixo com expressão assustada. Ela é uma galinha ruiva, usa boina verde e lenço branco amarrado no pescoço. A senhora Tweedy é uma mulher adulta, branca. Seus cabelos são pretos e estão presos para cima com uma tiara. Ela veste uma roupa roxa, luvas, calça escura e luvas vermelhas. " width="1999" height="1106" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image4.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image4-800x443.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image4-1024x567.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image4-768x425.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image4-1536x850.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image4-1200x664.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33943" class="wp-caption-text">A cena da escada de vidro foi uma das mais difíceis de fazer (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro ponto interessante das escolhas narrativas do longa original é o galo idoso Fowler (a voz de Benjamin Whitrow foi substituída pela de </span><a href="https://personaunesp.com.br/pinoquio-guillermo-del-toro-critica/"><span style="font-weight: 400;">David Bradley</span></a><span style="font-weight: 400;">), que é responsável por pilotar o avião de fuga, ajudando a ‘galinhada’ a escapar do sítio. O roteiro defende que a revolução só pode acontecer com todo mundo. Independente da faixa etária, todos são importantes. Entretanto, em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Ameaça dos Nuggets</span></i><span style="font-weight: 400;">, o personagem é reduzido à inutilidade, ou seja, tem zero impacto na trama e é visto pelos outros personagens como um peso morto. A coincidência é que Julia Sawalha, dubladora original de Ginger, declarou em suas redes sociais que não voltaria para a sequência, pois sua voz estaria “</span><a href="https://www.techtudo.com.br/noticias/2023/12/a-fuga-das-galinhas-e-feito-de-massinha-7-curiosidades-sobre-a-sequencia-streaming.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">velha demais</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”. Ela afirmou também que não foi chamada para testes de elenco. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O primeiro filme é uma </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/em-cartaz/como-a-fuga-das-galinhas-mudou-a-historia-do-oscar-para-sempre"><span style="font-weight: 400;">obra-prima</span></a><span style="font-weight: 400;"> das animações, tem uma unidade de ideias e linguagem bem alinhadas. Tudo está em tela por um motivo. </span><i><span style="font-weight: 400;">A Fuga das Galinhas: A Ameaça dos Nuggets </span></i><span style="font-weight: 400;">não consegue alcançar a magnitude do seu antecessor, embora continue charmoso e divertido. Personagens são descartados, algumas escolhas são questionáveis e a animação fica mais quadrada, nos moldes da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">. Sam Fell acaba fazendo apenas omelete sem tempero, mesmo com tantos ovos bons, que poderiam fazer bolos, tortas e, quem sabe, uma revolução. </span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/a-fuga-das-galinhas-a-ameaca-dos-nuggets-critica/">Menos inteligente, A Fuga das Galinhas: A Ameaça dos Nuggets pisoteia em ovos</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/a-fuga-das-galinhas-a-ameaca-dos-nuggets-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">33939</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Bebê Rena é o retrato de uma sociedade corrompida pela obsessão</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/bebe-rena-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/bebe-rena-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Sep 2024 19:43:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Séries]]></category>
		<category><![CDATA[2024]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Baby Reindeer]]></category>
		<category><![CDATA[Bebê Rena]]></category>
		<category><![CDATA[Cobertura]]></category>
		<category><![CDATA[Emmy]]></category>
		<category><![CDATA[Emmy 2024]]></category>
		<category><![CDATA[Jessica Gunning]]></category>
		<category><![CDATA[Josephine Bornebusch]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Ator Coadjuvante em Série Limitada ou Antologia ou Telefilme]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Ator em Série Limitada ou Antologia ou Telefilme]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Atriz Coadjuvante em Série Limitada ou Antologia ou Telefilme]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Direção de Elenco em Série Limitada ou Antologia ou Telefilme]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Direção em Série Limitada ou Antologia ou Telefilme]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Figurino Contemporâneo em Série Limitada ou Antologia ou Telefilme]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Montagem em Série Limitada ou Antologia ou Telefilme]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Roteiro em Série Limitada ou Antologia ou Telefilme]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Série Limitada ou Antologia]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Supervisão Musical]]></category>
		<category><![CDATA[Nathalia Tetzner]]></category>
		<category><![CDATA[Nava Mau]]></category>
		<category><![CDATA[Netflix]]></category>
		<category><![CDATA[Reino Unido]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Richard Gadd]]></category>
		<category><![CDATA[Tom Goodman-Hill]]></category>
		<category><![CDATA[Tudum]]></category>
		<category><![CDATA[Weronika Tofilska]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=33925</guid>

					<description><![CDATA[<p>Nathalia Tetzner Em 2024, a mensagem “Enviado do meu Iphone” – que, normalmente, acompanha os e-mails dos usuários de dispositivos da ‘marca da maçã’ – passou a aterrorizar as pessoas. O motivo é a minissérie britânica Bebê Rena, sucesso da Netflix que disputa 11 categorias no Emmy 2024. A trama, inspirada no caso verídico de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/bebe-rena-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Bebê Rena é o retrato de uma sociedade corrompida pela obsessão"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/bebe-rena-critica/">Bebê Rena é o retrato de uma sociedade corrompida pela obsessão</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_33927" aria-describedby="caption-attachment-33927" style="width: 931px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33927" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-2.png" alt="Cena da série Bebê Rena. Na imagem, Donny, interpretado por Richard Gadd, um homem branco de cabelos e olhos claros, está sentado em um sofá olhando para algo que está atrás da câmera. Ele é um humorista, por isso, veste um terno xadrez todo colorido que se assemelha aos trajes de um palhaço de circo. Ao fundo, o cenário desfocado se trata de uma sala de madeira com sofás vermelhos e iluminação quente." width="931" height="608" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-2.png 931w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-2-800x522.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-2-768x502.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33927" class="wp-caption-text">Bebê Rena estreou no streaming com pouca audiência até viralizar duas semanas depois (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Nathalia Tetzner</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2024, a mensagem “</span><a href="https://youtu.be/BP3hV6ca-KQ?si=ProwEWNRtxM7OwdC"><i><span style="font-weight: 400;">Enviado do meu Iphone</span></i></a><span style="font-weight: 400;">” – que, normalmente, acompanha os </span><i><span style="font-weight: 400;">e-mails</span></i><span style="font-weight: 400;"> dos usuários de dispositivos da ‘marca da maçã’ – passou a aterrorizar as pessoas. O motivo é a minissérie britânica </span><a href="https://jornal.usp.br/radio-usp/bebe-rena-muito-alem-dos-simplismos/"><i><span style="font-weight: 400;">Bebê Rena</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, sucesso da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> que disputa 11 categorias no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/emmy-2024/"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2024</span></a><span style="font-weight: 400;">. A trama, inspirada no caso verídico de </span><i><span style="font-weight: 400;">stalking</span></i><span style="font-weight: 400;"> ocorrido com o ator Richard Gadd, esbarra em temas extremamente sensíveis e coloca em discussão o modo como a obsessão corrompeu a nossa sociedade, principalmente com o avanço da tecnologia e a consequente deturpação do limite que separa o real do virtual.</span></p>
<p><span id="more-33925"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vivemos em um universo volátil. A cada dia que passa, novas oportunidades e evoluções florescem frente a nós. No começo da década de 2020, em especial, a inteligência artificial generativa deu ‘pano para manga’ no tópico do questionamento da realidade e das </span><a href="https://youtu.be/Lio_UWu3BOI?si=EeC2oX39buQJZMmO"><span style="font-weight: 400;">fronteiras éticas</span></a><span style="font-weight: 400;"> da relação entre homem e robô. Com isso, para além da banalização do termo ‘hiperfoco’ pelas redes sociais, é fácil ficarmos obcecados por qualquer coisa e, até mesmo, por pessoas – desde aquelas que conhecemos até as que nunca encontramos nem nos nossos sonhos mais fantasiosos, porém, que estão ali, há um </span><i><span style="font-weight: 400;">click </span></i><span style="font-weight: 400;">de nós.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, há quem desafie as leis dos direitos fundamentais e, por motivos psíquicos ou de má índole, interfira no cotidiano e nas relações dos seres humanos. Essa é a premissa de </span><i><span style="font-weight: 400;">Bebê Rena</span></i><span style="font-weight: 400;">, um retrato tão </span><a href="https://youtu.be/uXI-BsI8Qk8?si=jluUDhl0WgZImTjs"><span style="font-weight: 400;">desconfortável</span></a><span style="font-weight: 400;"> que obriga a audiência a assistir todos os sete episódios o mais rápido possível, a fim de acabar logo com o sofrimento de acompanhar a trajetória de um alvo de </span><i><span style="font-weight: 400;">stalking</span></i><span style="font-weight: 400;">. Com altos e baixos dignos de um seriado de </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;"> – há momentos de dramatização excessiva –, a produção original do ‘</span><i><span style="font-weight: 400;">Tudum</span></i><span style="font-weight: 400;">’ faz valer a indicação de Melhor Série Limitada ou Antologia pela premiação mais tradicional da Televisão estadunidense. </span></p>
<figure id="attachment_33928" aria-describedby="caption-attachment-33928" style="width: 1092px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33928" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-1.png" alt="Cena da série Bebê Rena. Na imagem, Martha, interpretada por Jessica Gunning, uma mulher branca de cabelos e olhos claros, está sentada em uma lanchonete com Donny que, por sua vez, está de costas para a câmera, que os captura a partir do busto. Martha está com um olhar de expectativa e, ao fundo, é possível perceber silhuetas desfocadas dos demais clientes do local." width="1092" height="606" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-1.png 1092w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-1-800x444.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-1-1024x568.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-1-768x426.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33928" class="wp-caption-text">Na ‘vida real’, Richard Gadd recebeu 41.071 emails, 744 tweets, 46 mensagens no Facebook, 106 páginas de cartas e 350 horas de mensagens de voz de sua stalker (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A relação de Donny (</span><a href="https://youtu.be/AatuUqAtgl8?si=Ggu9AtCvqCeh-qZ6"><span style="font-weight: 400;">Richard Gadd</span></a><span style="font-weight: 400;">) com sua </span><i><span style="font-weight: 400;">stalker</span></i><span style="font-weight: 400;"> ultrapassa tempo e espaço. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Baby Reindeer</span></i><span style="font-weight: 400;"> (no original), Martha (Jessica Gunning), não coincidentemente  tem muitas horas livres e mora na mesma cidade de sua vítima. O roteiro, escrito pelo próprio Gadd, faz um trabalho praticamente inédito em relação a abordagem do ‘</span><i><span style="font-weight: 400;">stalking</span></i><span style="font-weight: 400;">’; termo popularizado pelas produções hollywoodianas e criminalizado pela Lei brasileira 14.132/21, sendo definido como a perseguição e ameaça à liberdade comportamental da vítima em ir e vir. Assim, o humorista mostra as nuances da condição humana em um texto que não recai no maneirismo da vilã e do ‘mocinho’.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Justamente por não limitar o enredo a uma dualidade de perspectivas, a obra disputa a estatueta do </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Roteiro em Série Limitada ou Antologia ou Telefilme. Com chances de vitória significativas, os diálogos e linhas de raciocínio, ambos bem elaborados, são explorados pela visão invasiva e nem um pouco contemplativa de Weronika Tofilska e Josephine Bornebusch, que se dividem no comando dos capítulos. O modo nada delicado que elas </span><a href="https://youtu.be/bUIaO38Z1s8?si=z91RtlPJdJ87pYmw"><span style="font-weight: 400;">adentram</span></a><span style="font-weight: 400;"> o mundo de Donny e o cercam com o enquadramento fechado, quando Martha se aproxima dele, também garantiu a nomeação de Tofilska e Bornebusch como Melhor Direção em Série Limitada ou Antologia ou Telefilme.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Stalking, na Televisão, tende a ser muito sexualizado. Tem um ar místico. É alguém em um beco escuro. É alguém que é muito sexy, muito normal, mas depois fica estranho aos poucos. Mas a perseguição é uma doença mental. Eu realmente queria mostrar as camadas disso de uma forma humana que eu nunca tinha visto em uma produção”.</span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="font-weight: 400;">&#8211; Richard Gadd em entrevista ao Tudum, da Netflix.</span></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Já no campo das atuações, o elenco entrega uma performance impecável, capaz de despertar empatia e repulsa nos momentos certos. Cientes de que interpretam personagens redondas, os atores se alternam entre expressões faciais e corporais completamente diferentes, seguindo o ritmo da descoberta das fases distintas da vida do protagonista. Richard Gadd revive nas telas o que podem ser considerados os piores momentos de sua vida com uma coragem invejável, que o coloca no páreo pelo título de Melhor Ator em Série Limitada ou Antologia ou Telefilme. Ao seu lado, </span><a href="https://youtu.be/dPFbMQFlD5I?si=nv8GFfuUSblbjsOZ"><span style="font-weight: 400;">Jessica Gunning</span></a><span style="font-weight: 400;"> se entrega para viver Martha, deixando para o telespectador uma entrega à Arte de mestre.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No papel de uma </span><i><span style="font-weight: 400;">stalker</span></i><span style="font-weight: 400;"> sem escrúpulos, Gunning não mede esforços para destruir qualquer relação íntima do protagonista de </span><i><span style="font-weight: 400;">Bebê Rena</span></i><span style="font-weight: 400;">. Nesse caso, Teri (</span><a href="https://revistaforum.com.br/lgbt/2024/7/18/nava-mau-da-beb-rena-primeira-mulher-trans-ser-indicada-ao-emmy-162370.html"><span style="font-weight: 400;">Nava Mau</span></a><span style="font-weight: 400;">), interesse amoroso de Donny, é uma pedra em seu sapato. Os encontros entre as duas são tensos e extasiantes, deixando nítido que as atrizes realmente merecem as vagas em Melhor Atriz Coadjuvante em Série Limitada ou Antologia ou Telefilme. Não menos genial, Tom Goodman-Hill – indicado como Melhor Ator Coadjuvante em Série Limitada ou Antologia ou Telefilme – interpreta Darrien, um indivíduo desprezível, que funciona no roteiro como a personificação da maldade intrínseca à farsa da fama e status, um ideal que a indústria do entretenimento mundial sempre vendeu aos jovens artistas.</span></p>
<figure id="attachment_33926" aria-describedby="caption-attachment-33926" style="width: 1085px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33926" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-1.png" alt="Cena da série Bebê Rena. Na imagem, Donny, interpretado por Richard Gadd, um homem branco de cabelos e olhos claros, e Teri, interpretada por Nava Mau, uma mulher mexicana de cabelos e olhos escuros, estão encostados no vagão de um metrô. Eles se entreolham sorrindo enquanto a câmera os captura a partir dos ombros. Ao fundo, o cenário desfocado revela silhuetas de passageiros." width="1085" height="608" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-1.png 1085w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-1-800x448.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-1-1024x574.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-1-768x430.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33926" class="wp-caption-text">A atriz Nava Mau, que interpreta Teri, é a primeira mulher trans a ser indicada como Melhor Atriz Coadjuvante em Série Limitada ou Antologia ou Telefilme na história do Emmy (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda que a obra apresente algumas falhas de concepção, que justifiquem o fato de não agradar a todos os públicos, ela tenta vencer a superficialidade do meio em que se reproduz. Isso, por si, é um esforço notável e digno de reconhecimento. Apresentando os mesmos ‘erros’ que seu </span><a href="https://youtu.be/KRoD0pX-AUM?si=pXCvFFC8oW87hyLk"><span style="font-weight: 400;">protagonista</span></a><span style="font-weight: 400;">, como a representação um tanto quanto clichê das mulheres trans e a exposição pouco cuidadosa de temas sensíveis, </span><i><span style="font-weight: 400;">Bebê Rena</span></i><span style="font-weight: 400;"> consegue abrir a discussão sobre questões fundamentais que percorrem a sociedade atual, entre elas, a urgência da obsessão, fator que nos corrompe como nunca antes. Afinal, pouco tempo após a viralização da produção nas redes sociais, a mídia logo voltou a atenção à mulher que inspirou Martha; uma prova do quanto estamos longe de compreendermos coletivamente o perigo do </span><i><span style="font-weight: 400;">stalking</span></i><span style="font-weight: 400;">, embora a minissérie tenha contribuído para colocar em xeque o imaginário popular, acostumado com abordagens levianas do tema.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Baby Reindeer | Official Trailer | Netflix" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/eafm1gB6SCM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/bebe-rena-critica/">Bebê Rena é o retrato de uma sociedade corrompida pela obsessão</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/bebe-rena-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">33925</post-id>	</item>
		<item>
		<title>A Noite que Mudou o Pop: um encontro imperfeito, mas emocionante</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/a-noite-que-mudou-o-pop-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/a-noite-que-mudou-o-pop-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 30 Aug 2024 17:32:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Documentário]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[2024]]></category>
		<category><![CDATA[A Noite que Mudou o Pop]]></category>
		<category><![CDATA[American Music Awards]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Bao Nguyen]]></category>
		<category><![CDATA[Bob Dylan]]></category>
		<category><![CDATA[Bruce Springsteen]]></category>
		<category><![CDATA[Cobertura]]></category>
		<category><![CDATA[Cyndi Lauper]]></category>
		<category><![CDATA[Diana Ross]]></category>
		<category><![CDATA[Emmy]]></category>
		<category><![CDATA[Emmy 2024]]></category>
		<category><![CDATA[Estados Unidos]]></category>
		<category><![CDATA[Harry Belafonte]]></category>
		<category><![CDATA[Lionel Richie]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Direção em Documentário ou Programa de Não-Ficção]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Documentário ou Especial de Não-Ficção]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Edição de Som em Reality ou Programa de Não-Ficção]]></category>
		<category><![CDATA[Michael Jackson]]></category>
		<category><![CDATA[Michael Omartian]]></category>
		<category><![CDATA[Nathalia Tetzner]]></category>
		<category><![CDATA[Netflix]]></category>
		<category><![CDATA[Prince]]></category>
		<category><![CDATA[Quincy Jones]]></category>
		<category><![CDATA[Reino Unido]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Stevie Wonder]]></category>
		<category><![CDATA[The Greatest Night In Pop]]></category>
		<category><![CDATA[Tina Turner]]></category>
		<category><![CDATA[USA For Africa]]></category>
		<category><![CDATA[Waylon Jennings]]></category>
		<category><![CDATA[We Are The World]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=33849</guid>

					<description><![CDATA[<p>Nathalia Tetzner O cenário é o estúdio de uma clássica gravadora em Los Angeles. No ambiente, as espumas nas paredes evidenciam o cantarolar de uma voz familiar e icônica; Michael Jackson ensaia We Are The World sozinho, enquanto Lionel Richie orquestra, nos bastidores do American Music Awards, o que pode ser considerado o mais importante &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-noite-que-mudou-o-pop-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Noite que Mudou o Pop: um encontro imperfeito, mas emocionante"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/a-noite-que-mudou-o-pop-critica/">A Noite que Mudou o Pop: um encontro imperfeito, mas emocionante</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_33851" aria-describedby="caption-attachment-33851" style="width: 980px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33851" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image2-4.png" alt="Cena de A Noite que Mudou o Pop. Na imagem, parte dos 45 artistas convocados para cantar aparecem posicionados em um estúdio de gravação. Em frente a todos eles está Quincy Jones, um homem negro, produtor da música We Are The World. Ele veste roupas casuais e usa um fone de ouvido. O cenário é composto por tons amarronzados, espumas nas paredes e um telão ao fundo dos cantores." width="980" height="655" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image2-4.png 980w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image2-4-800x535.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image2-4-768x513.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33851" class="wp-caption-text">O documentário estreou em primeiro lugar na lista de produções mais assistidas da Netflix (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Nathalia Tetzner</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O cenário é o estúdio de uma clássica gravadora em Los Angeles. No ambiente, as espumas nas paredes evidenciam o cantarolar de uma voz familiar e icônica; Michael Jackson ensaia </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=s3wNuru4U0I"><i>We Are The World</i></a></span><span style="font-weight: 400;"> sozinho, enquanto Lionel Richie orquestra, nos bastidores do </span><span style="font-weight: 400;"><i>American Music Awards</i></span><span style="font-weight: 400;">, o que pode ser considerado o mais importante encontro da história da Música. Seguindo o embalo de tantas vozes que marcaram gerações, </span><span style="font-weight: 400;"><i>A Noite que Mudou o Pop</i></span><span style="font-weight: 400;"> emociona, ainda que seja um documentário tão imperfeito quanto a tentativa de unir timbres diferentes em uma só faixa e atenuar egos inflados em prol de uma causa humanitária: a fome no continente africano.</span></p>
<p><span id="more-33849"></span><br />
<span style="font-weight: 400;">Através das lentes de Bao Nguyen – diretor veterano de documentários, como a biografia de Bruce Lee, </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JSTy5EMrQA8"><i>Be Water</i></a></span><span style="font-weight: 400;"> (2020) –, o público assiste à registros e depoimentos inéditos do encontro entre as 45 maiores estrelas da década de 1980, enquanto contempla Lionel Richie se reencontrar com as memórias de uma noite inesquecível. O intérprete de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=gIbw0OkC9po"><i>Say You, Say Me</i></a></span><span style="font-weight: 400;"> age como um ‘fanfarrão’ e aproveita de sua aura de apresentador nato para tentar transformar o filme em algo apoteótico. Por vezes, a narração soa exagerada e redundante, porém, é difícil julgá-lo por isso, afinal, qualquer mero mortal também passaria uma eternidade se gabando caso fosse o responsável por tamanha façanha.</span></p>
<figure id="attachment_33850" aria-describedby="caption-attachment-33850" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33850" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image1.jpg" alt="Cena de A Noite que Mudou o Pop. Da esquerda para a direita na imagem, Cyndi Lauper e Bruce Springsteen estão sentados no estúdio de gravação. Lauper, uma mulher branca de cabelos loiros e coloridos, veste uma camiseta branca e muitos acessórios enquanto segura um papel com os versos de We Are The World. Já Springsteen, um homem branco de cabelos escuros, veste jaqueta de couro preta sobre uma blusa azul enquanto olha para a cantora. Ao fundo, o cenário apresenta tons amarronzados." width="1024" height="576" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image1.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image1-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33850" class="wp-caption-text">Cyndi Lauper quase desistiu de participar do projeto porque seu namorado na época duvidou do sucesso da canção (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O contexto dessa missão quase impossível é explorado por </span><span style="font-weight: 400;"><i>The Greatest Night In Pop</i></span><span style="font-weight: 400;"> (no original), que faz questão de relembrar cada passo e demonstrar como ela atravessou o </span><span style="font-weight: 400;"><i>AMA’s</i></span><span style="font-weight: 400;">, tradicional premiação da indústria musical estadunidense. Richie, que estava celebrando um ótimo ano na carreira, precisava coordenar aqueles astros sentados na plateia para o estúdio de gravação. Todos foram inicialmente convidados por Harry Belafonte, músico e ativista idealizador da iniciativa que se assemelhava ao </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=j3fSknbR7Y4"><i>Band Aid</i></a></span><span style="font-weight: 400;">; união dos artistas britânicos e irlandeses. Ao seu lado, Quincy Jones é referenciado, no longa, como a peça fundamental para extrair o melhor do supergrupo </span><span style="font-weight: 400;"><i>USA For Africa.</i></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante o documentário, o telespectador acaba se identificando com um ou outro artista e, até mesmo, se surpreendendo com a postura de outros. No campo dos que conquistam a audiência, a irreverência de Cyndi Lauper, o estilo de vocalização único de Bruce Springsteen – alerta: </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EPhWR4d3FJQ"><i>Born In The USA</i></a></span><span style="font-weight: 400;"> gruda mais na mente do que </span><span style="font-weight: 400;"><i>We Are The World</i></span><span style="font-weight: 400;"> –, o sorriso genuíno de Diana Ross e a timidez de Bob Dylan preenchem a tela. Por outro lado, a falta de paciência de Waylon Jennings com um Stevie Wonder muito animado, e a ausência de Prince, que venceu vários prêmios da noite em categorias que </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/michael-jackson-thriller-resenha/">Michael Jackson</a></span><span style="font-weight: 400;"> também concorria, somaram-se como pontos desagradáveis de acompanhar.</span></p>
<figure id="attachment_33852" aria-describedby="caption-attachment-33852" style="width: 1118px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33852" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image3.jpg" alt="Cena de A Noite que Mudou o Pop. Da esquerda para a direita na imagem, Michael Jackson e Lionel Richie estão sentados no estúdio de gravação. Jackson, um homem negro de cabelos escuros, veste roupas escuras enquanto segura um papel com os versos de We Are The World. Já Richie, um homem negro de cabelos escuros, veste jaqueta de couro preta sobre uma blusa branca enquanto folheia o mesmo papel. Ao fundo, o cenário apresenta tons amarronzados." width="1118" height="708" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image3.jpg 1118w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image3-800x507.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image3-1024x648.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image3-768x486.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33852" class="wp-caption-text">We Are The World foi escrita por Michael Jackson e Lionel Richie, e produzida por Quincy Jones e Michael Omartian (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Indicada em três categorias do </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/tag/emmy-2024/"><i>Emmy</i></a></span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/tag/emmy-2024/"> 2024</a></span><span style="font-weight: 400;">, a produção da </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/tag/netflix/"><i>Netflix</i></a></span><span style="font-weight: 400;"> é uma concorrente forte pela estatueta de Melhor Documentário ou Especial de Não-Ficção e Melhor Edição de Som em Reality ou Programa de Não-Ficção, assinada por Richard Gallagher. O diretor, Bao Nguyen, ainda enfrenta nomes consolidados pelo prêmio de Melhor Direção em Documentário ou Programa de Não-Ficção. </span><span style="font-weight: 400;"><i>A Noite que Mudou o Pop</i></span><span style="font-weight: 400;"> mira na </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/euphories-critica/">nostalgia</a></span><span style="font-weight: 400;"> de tempos que não voltam mais e acaba, consequentemente, celebrando Lionel Richie como um dos grandes nomes da época. Embora tenha altos e baixos, exatamente como a faixa que arrecadou 60 milhões de dólares em fundos para a África, a emoção deixa a última e boa impressão.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="The Greatest Night in Pop | Official Trailer | Netflix" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/MD3oU1gowu4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/a-noite-que-mudou-o-pop-critica/">A Noite que Mudou o Pop: um encontro imperfeito, mas emocionante</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/a-noite-que-mudou-o-pop-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">33849</post-id>	</item>
		<item>
		<title>A câmera de Delicada Atração como testemunha de desejo e medo</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/delicada-atracao-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/delicada-atracao-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 Jun 2024 19:32:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[1996]]></category>
		<category><![CDATA[Aids]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Beautiful Thing]]></category>
		<category><![CDATA[Davi Marcelgo]]></category>
		<category><![CDATA[Delicada Atração]]></category>
		<category><![CDATA[Film4 Productions]]></category>
		<category><![CDATA[Glen Berry]]></category>
		<category><![CDATA[Hettie MacDonald]]></category>
		<category><![CDATA[HIV]]></category>
		<category><![CDATA[Jonathan Harvey]]></category>
		<category><![CDATA[LGBTQIA]]></category>
		<category><![CDATA[Linda Henry]]></category>
		<category><![CDATA[Mês do Orgulho LGBTQIA+]]></category>
		<category><![CDATA[plongée]]></category>
		<category><![CDATA[Reino Unido]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Scott Neal]]></category>
		<category><![CDATA[Tameka Empson]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=33580</guid>

					<description><![CDATA[<p>Davi Marcelgo Os apartamentos de um subúrbio londrino são palco de opressão e violência. Dentro das paredes de um quarto azul, habita a tranquilidade e doçura de um romance púbere entre dois garotos: Ste (Scott Neal) e Jamie (Glen Berry). No mundo confortável de ambos, dedos passeiam através da pele e a câmera do longa &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/delicada-atracao-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A câmera de Delicada Atração como testemunha de desejo e medo"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/delicada-atracao-critica/">A câmera de Delicada Atração como testemunha de desejo e medo</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_33582" aria-describedby="caption-attachment-33582" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33582" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image2-3.jpg" alt="Cena do filme Delicada AtraçãoNa imagem, o personagem Jamie faz massagens nas costas de Ste, que está deitado de bruços na cama. Jamie é um garoto branco na faixa dos 18 anos, de pele clara e cabelos loiros. Ele veste uma camiseta amarela com estampa vermelha. Ste é um garoto branco na faixa dos 18 anos com o cabelo curto e liso, na cor escura. Ele veste uma camiseta branca e uma samba canção azul e cinza. O quarto é todo azul, paredes, cortinas e lençol de cama. Nas paredes há várias fotos coladas. 
" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image2-3.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image2-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image2-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image2-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image2-3-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image2-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33582" class="wp-caption-text">O filme foi inspiração para o músico Johnny Hooker compor a canção Flutua (Foto: Film4 Productions)</figcaption></figure>
<p><b>Davi Marcelgo</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os apartamentos de um subúrbio londrino são palco de opressão e violência. Dentro das paredes de um quarto azul, habita a tranquilidade e doçura de um romance púbere entre dois garotos: Ste (Scott Neal) e Jamie (Glen Berry). No mundo confortável de ambos, dedos passeiam através da pele e a câmera do longa de estreia da diretora Hettie MacDonald (</span><a href="https://personaunesp.com.br/normal-people-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Normal People</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) revela muito mais do que palavras conseguem. </span><i><span style="font-weight: 400;">Delicada Atração</span></i><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">Beautiful Thing</span></i><span style="font-weight: 400;">, no original) é um retrato cru de vivências homoafetivas, mas que não abandona o otimismo. </span></p>
<p><span id="more-33580"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ste é agredido constantemente pelo pai e o irmão, até que Sandra Gangel (</span><a href="https://www.mirror.co.uk/tv/tv-news/what-happened-shirley-eastenders-linda-32008064"><span style="font-weight: 400;">Linda Henry</span></a><span style="font-weight: 400;">), mãe de Jamie, sensibiliza-se com a situação e acolhe o garoto em sua casa. O resultado é a aproximação de Jamie e o amigo, que começam um romance e desfrutam da juventude gay em Londres. A cineasta consegue transmitir emoções antagônicas pela lente da filmadora com a maestria que poucos iniciantes – e até veteranos –, realizaram em suas obras debutantes. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os enquadramentos de MacDonald são precisos para oprimir as personagens, seja com planos </span><a href="https://cinemacao.com/2020/03/25/be-a-ba-cinematografico-o-que-e-plongee-e-contra-plongee/"><i><span style="font-weight: 400;">plongée</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em Ste ou que impedem a visão do rosto de seu pai, filmando apenas o corpo, potencializando a presença física e afastando a conexão do público com o agressor. Mas esses também transmitem ansiedade e desejo. Ao estar com Jamie, a câmera altera sua postura e cria uma narrativa visual em uma escalada de plano médio, primeiro plano e detalhe cada vez que o clima entre os dois personagens fica mais quente. Já quando os deixam separados em quadros diferentes para juntá-los em um único, os enquadramentos narram o distanciamento e aproximação. </span></p>
<figure id="attachment_33581" aria-describedby="caption-attachment-33581" style="width: 1075px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33581" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image1-5.png" alt="Cena do filme Delicada AtraçãoNa cena, o personagem Ste está comendo bife queimado com seu pai e irmão. Ele está sentado numa cadeira no canto esquerdo. O pai e o irmão estão sentados no centro, num sofá. Na frente deles há uma mesa baixa de madeira, há garrafas e pratos nela. Ste é um garoto branco na faixa dos 18 anos com o cabelo curto e liso, na cor escura. Ele veste uma camisa na cor vermelha. O pai, que está do lado direito, é um homem de pele clara, na faixa dos 40 anos. Possui cabelos lisos na cor escura. Ele veste uma regata branca, calça cinza e tem tatuagens nos braços. Do lado esquerdo, o irmão veste uma camisa de botão na cor azul clara e calça azul escuro. Ele também é um rapaz branco, na faixa dos 20 anos, de cabelos lisos escuros. O pai encara Ste com expressão de zangado e mãos sob a perna. O irmão está sentado no sofá com a comida no talher, mas sem levar à boca. O ambiente é uma sala com aspecto velho e sujo, parede verde, tapete escuro no chão e quadros e cruz pendurados. 
" width="1075" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image1-5.png 1075w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image1-5-800x536.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image1-5-1024x686.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image1-5-768x514.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33581" class="wp-caption-text">O ator Scott Neal teve uma participação regular na série policial The Bill (Foto: Film4 Productions)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O azul vivo do quarto de Jamie contrasta com as cores sóbrias do apartamento de Ste, que possui imagens de Jesus Cristo, símbolo geralmente usado por fiéis a fim de propagar </span><a href="https://g1.globo.com/df/distrito-federal/noticia/2023/02/22/distrital-denuncia-falas-homofobicas-em-evento-de-igreja-evangelica-em-brasilia-homossexual-tem-reserva-no-inferno.ghtml"><span style="font-weight: 400;">ódio</span></a><span style="font-weight: 400;"> à pessoas LGBTQIA+. A cor ligada ao masculino é quente, confortável e banha a primeira noite de amor desses meninos. Com a câmera, a diretora fecha a visão nos corpos: dedos e costas, e lábios e rostos. As escolhas de enquadramentos, ângulos, planos, cenografia, tudo narra a história de opressão e amor envolvendo os dois. Em várias cenas, a câmera e diálogos conseguem trazer o convívio dos dois sentimentos como uma experiência de vida </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No lugar de cenas e diálogos quentes, o roteiro de </span><a href="https://www.adorocinema.com/personalidades/personalidade-102846/filmografia/"><span style="font-weight: 400;">Jonathan Harvey</span></a><span style="font-weight: 400;"> utiliza uma linguagem ambígua. Ste não quer virar-se para Jamie para não mostrar que está excitado pelo amigo e usa como desculpa as dores causadas pelas agressões do pai. Neste trecho, fica subentendido as vulnerabilidades de Ste; admitir os  sentimentos que tem por Jamie é confirmar o lugar de fraqueza, de “</span><i><span style="font-weight: 400;">marica</span></i><span style="font-weight: 400;">” que o pai e o irmão sempre o colocaram. É ficar em ‘pé de igualdade’ com um garoto que também é vítima de violência – Jamie sofre bullying na escola –, além de passar a se enxergar como um rapaz que ama outros rapazes. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">-Posso te tocar?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">-Estou um pouco dolorido. </span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="font-weight: 400;">&#8211; Delicada Atração (1996)</span></p>
</blockquote>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Delicada Atração</span></i><span style="font-weight: 400;"> é otimista em relação aos corpos LGBTQIA+ e às pessoas marginalizadas. Produzido no contexto da epidemia de HIV com o </span><a href="https://unaids.org.br/2021/07/nos-40-anos-da-pandemia-de-aids-paradas-do-orgulho-lgbt-de-sao-paulo-trazem-o-hiv-como-tema-para-acabar-com-o-estigma-e-a-discriminacao/"><span style="font-weight: 400;">estigma</span></a><span style="font-weight: 400;"> sobre homens gays, o filme frisa que o destino desses personagens não é ficar doente ou morrer. Para os jovens da comunidade, ver dois garotos se amando dentro de casa, tendo um romance e contato físico íntimo e doce, foi e é incrível.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme termina com o casal dançando ‘coladinho’, à luz do dia, com a mãe e Leah (</span><a href="https://sg.news.yahoo.com/eastenders-star-tameka-empson-always-103000439.html"><span style="font-weight: 400;">Tameka Empson</span></a><span style="font-weight: 400;">) se juntando ao baile. Ainda que termine nessa bela utopia gay, celebrando o amor entre dois garotos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Delicada Atração</span></i><span style="font-weight: 400;"> não nega a presença do preconceito; alguns figurantes encaram os dois e não participam da dança. No entanto, ainda é um jeito otimista de finalizar um longa da década de 1990, com todas as sinas de morte e vida trágica decorrente da Aids rondando o imaginário popular. É, até mesmo, um paralelo com as tantas histórias de amores </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;"> que só podem ser vividos em lugares noturnos e velados. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Hettie MacDonald ressalta a presença da cultura de bares e </span><i><span style="font-weight: 400;">drag queens</span></i><span style="font-weight: 400;"> na vida LGBTQIA+. Os meninos que foram ao </span><i><span style="font-weight: 400;">pub</span></i><span style="font-weight: 400;"> na metade do longa, vão continuar indo. O filme não promove uma visão </span><a href="https://personaunesp.com.br/com-amor-simon-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">higienizada</span></a><span style="font-weight: 400;"> da dinâmica de casais homoafetivos </span><span style="font-weight: 400;">, que, hoje, impera em Hollywood; em </span><i><span style="font-weight: 400;">Delicada Atração</span></i><span style="font-weight: 400;">, bebidas e sexo fazem parte da vivência. Acima disso, o contato com pessoas semelhantes, que compartilham experiências e formas de amar não heteronormativas, assim como a permanência nesses espaços criado pela e para a comunidade LGBTQIA+, é importante para o amadurecimento de um indivíduo </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">, até mais do que uma aceitação da sociedade hétero. </span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/delicada-atracao-critica/">A câmera de Delicada Atração como testemunha de desejo e medo</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/delicada-atracao-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">33580</post-id>	</item>
	</channel>
</rss>
