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	<title>Arquivos Realidade cotidiana &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>O Pior de Mim: o palco como divã</title>
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		<pubDate>Thu, 26 May 2022 17:40:40 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Mateus Conte Na noite de 13 de maio, um Teatro Municipal lotado recebeu, em Botucatu, a atriz Maitê Proença em seu monólogo O Pior de Mim. Redigida pela própria atriz e dirigida por Rodrigo Portella, a obra aborda de forma áspera a vida e a carreira da ex-global, que por diversas vezes percorreu os palcos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-pior-de-mim-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Pior de Mim: o palco como divã"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27707" aria-describedby="caption-attachment-27707" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-27707 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-1.jpeg" alt="A imagem apresenta um fundo todo preto destacando a atriz Maitê Proença, uma mulher branca e loira, que veste um vestido preto com bolinhas brancas sobre uma blusinha branca e calça vermelha, enquanto sorri e abre os braços olhando para cima" width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-1.jpeg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-1-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-1-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-1-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-1-1536x864.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-1-2048x1152.jpeg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-1-1200x675.jpeg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27707" class="wp-caption-text">Maitê Proença transforma sua vida em texto e seu divã em peça (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Mateus Conte</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na noite de 13 de maio, um Teatro Municipal lotado recebeu, em Botucatu, a atriz Maitê Proença em seu monólogo </span><i><span style="font-weight: 400;">O Pior de Mim</span></i><span style="font-weight: 400;">. Redigida pela própria atriz e dirigida por Rodrigo Portella, a obra aborda de forma áspera a vida e a carreira da </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/maite-proenca-conta-como-soube-de-demissao-da-globo/"><span style="font-weight: 400;">ex-global</span></a><span style="font-weight: 400;">, que por diversas vezes percorreu os palcos do interior paulista com suas apresentações.</span></p>
<p><span id="more-27706"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Logo de início, a peça surpreende por sua sobriedade. O figurino aparenta vir diretamente do guarda-roupas da atriz, sendo os mesmos </span><i><span style="font-weight: 400;">looks</span></i><span style="font-weight: 400;"> que vemos nas atentas fotos da Revista </span><i><span style="font-weight: 400;">CARAS</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou nas páginas do finado </span><a href="http://ego.globo.com/famosos/noticia/2017/04/o-ego-se-despede-e-relembra-flagrantes-inesqueciveis-de-famosos.html"><i><span style="font-weight: 400;">Ego</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Seu objetivo é claro: trazer autenticidade aos relatos contados pela protagonista-autora, tornando sua imagem no palco o mais próximo possível da realidade cotidiana de Maitê.</span></p>
<figure id="attachment_27708" aria-describedby="caption-attachment-27708" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-27708 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-2.png" alt="A imagem apresenta a atriz Maitê Proença, uma mulher branca e loira, de olhos verdes, que olha para cima enquanto toca um pano preto, mas transparente, que a cobre totalmente" width="840" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-2.png 840w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-2-656x800.png 656w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-2-768x936.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27708" class="wp-caption-text">A interação de Maitê com o tecido transparente no fundo do cenário nos remete ao véu que cobre aquilo que preferimos manter às escuras (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A luz, por sua vez, também é simples: sem muita pompa, a direção sabe o que fazer com o mínimo, apostando em um enfoque básico durante as falas e trocas repentinas de cores em momentos mais impactantes da trama, servindo como marcador temporal para passagem de um bloco narrativo para outro. Mérito de </span><a href="https://gpslifetime.com.br/conteudo/entretenimento/arte/80/diretor-rodrigo-portella-desembarca-em-brasilia-para-bate-papo"><span style="font-weight: 400;">Portella</span></a><span style="font-weight: 400;">, que também coordena a iluminação do espetáculo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas não só de trivialidade vive </span><i><span style="font-weight: 400;">O Pior de Mim</span></i><span style="font-weight: 400;">. Em uma experiência rara no teatro </span><i><span style="font-weight: 400;">mainstream</span></i><span style="font-weight: 400;">, o próprio diretor entra em cena para filmar a protagonista. As imagens – em preto e branco, vale ressaltar – captadas pela câmera são exibidas automaticamente nas cortinas localizadas atrás do palco, em uma inovação narrativa recheada de significado: demonstra como a presença das lentes é constante na carreira da atriz, que </span><a href="http://teledramaturgia.com.br/dinheiro-vivo/"><span style="font-weight: 400;">estreou</span></a><span style="font-weight: 400;"> nas novelas em 1979.</span></p>
<figure id="attachment_27709" aria-describedby="caption-attachment-27709" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-27709 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-3-1.png" alt="A imagem apresenta um fundo todo preto destacando a atriz Maitê Proença, uma mulher branca e loira, que veste um vestido preto com bolinhas brancas sobre uma blusinha branca e sapatos dourados, enquanto senta e olha sorrindo para a plateia" width="1024" height="683" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-3-1.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-3-1-800x534.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-3-1-768x512.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27709" class="wp-caption-text">As tragédias da vida de Maitê Proença propiciam uma rápida identificação com a plateia (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Tratando de artifícios pouco utilizados nas grandes </span><a href="https://personaunesp.com.br/quem-e-quem-teatro-critica/"><span style="font-weight: 400;">peças que vêm ao interior</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma logo chama a atenção dos espectadores: a não-linearidade da narrativa. Cada história se intercala com as outras, sem haver um ponto medular que as organize, trazendo a sensação de uma aparente confusão. Mas isso tem um porquê.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante a peça, Maitê assume que, durante quatro horas por semana, fez terapia pelo período de quatro anos. Não há dúvidas que essa experiência de autoconhecimento foi transportada para o roteiro, transformando o palco em um </span><a href="https://midiamax.uol.com.br/variedades/saude/2018/saiba-porque-o-teatro-terapia-ajuda-a-tratar-timidez-estresse-e-depressao"><span style="font-weight: 400;">divã psicanalítico</span></a><span style="font-weight: 400;">. A intertextualidade com uma sessão de terapia se reflete até mesmo na duração do espetáculo: a peça dura escassos cinquenta minutos, o que não foge do tempo médio de um encontro marcado com um psicólogo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esta psicanálise com a presença do público passa pelas mais trágicas histórias da vida da autora, o que tende a justificar os traumas e bloqueios mais profundos de sua mente ao longo da apresentação. Como nem tudo são espinhos, também há espaço para os </span><a href="https://f5.folha.uol.com.br/colunistas/renatokramer/2015/03/1596585-eu-nunca-fui-infeliz-diz-maite-proenca.shtml"><span style="font-weight: 400;">relatos de superação</span></a><span style="font-weight: 400;"> que Maitê passou para conseguir deixar todos esses obstáculos para trás.</span></p>
<figure id="attachment_27710" aria-describedby="caption-attachment-27710" style="width: 5497px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27710 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-4.png" alt="A imagem apresenta a atriz Maitê Proença, uma mulher branca e loira, que veste um pijama branco com listras azuis. Ela está sentada em um sofá cinza e podem-se ver um quadro indiano e um quadro de uma pequena árvore na parede do fundo" width="5497" height="3665" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-4.png 5497w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-4-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-4-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-4-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-4-1536x1024.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-4-2048x1365.png 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-4-1200x800.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27710" class="wp-caption-text">A peça iniciou sua temporada de forma on-line durante a pandemia de covid-19 (Foto: Dalton Valério)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O teatro não é apenas o que se apresenta no palco, mas também aquilo que  </span><a href="https://www.em.com.br/app/noticia/cultura/2019/11/10/interna_cultura,1099586/artistas-falam-das-razoes-e-dos-perrengues-de-interagir-com-a-plateia.shtml"><span style="font-weight: 400;">impacta na plateia</span></a><span style="font-weight: 400;">; ao vivo, ela acompanha ininterruptamente o espetáculo. Por isso, é impossível não perceber que, ainda que possam ser diferentes, sempre existem momentos nos quais o público se identifica com a atriz que está em cena.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um sentimento específico do público é, ao mesmo tempo, alimentado e escrachado pelo texto: o prazer em bisbilhotar os detalhes mais sórdidos da vida alheia, ainda mais quando se tratam de celebridades. Como diz a própria sinopse da peça, </span><i><span style="font-weight: 400;">“neste </span></i><a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0408200609.htm"><i><span style="font-weight: 400;">voyeurismo</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> desenfreado, nos comparamos, para melhor compreendermos a nós mesmos. Não é assim? Venha espiar, eu deixo”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Esta descrição acompanha o espetáculo desde sua primeira exibição, realizada de forma totalmente </span><i><span style="font-weight: 400;">on-line</span></i><span style="font-weight: 400;">, no pandêmico ano de 2020.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esta exposição das aflições vividas pela atriz, por trás das populares câmeras das inúmeras novelas que estrelou, evidencia o fato de que, antes de ser uma profissional, Maitê Proença é uma pessoa de carne, osso e sentimentos. Sentimentos, esses, que foram atingidos pela </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq0204200807.htm"><span style="font-weight: 400;">exploração massiva</span></a><span style="font-weight: 400;"> e impiedosa de sua vida privada por parte da imprensa e que, nesta peça </span><i><span style="font-weight: 400;">O Pior de Mim</span></i><span style="font-weight: 400;">, resolve escancarar para o mundo – mas, desta vez, a sua versão dos fatos. Maitê Proença, volte sempre!</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/o-pior-de-mim-critica/">O Pior de Mim: o palco como divã</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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