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	<title>Arquivos Ramones &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Ramones: nasce um monstro no Rainbow Theatre</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Apr 2019 22:05:05 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Abril]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Raul Felipe A maior banda de punk rock de todos os tempos. É dessa maneira que podemos definir os Ramones, os precursores do new wave no cenário musical. Os nova iorquinos do Queens, começaram a carreira no famoso CBGB em Manhanttan. O grupo formado por Joey Ramone, Jhonny Ramone, Dee Dee Ramone e Tommy Ramone estreou &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/ramones-its-alive-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Ramones: nasce um monstro no Rainbow Theatre"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_11801" aria-describedby="caption-attachment-11801" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-11801" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/04/imagem.-1.jpg" alt="" width="600" height="594" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/04/imagem.-1.jpg 600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/04/imagem.-1-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/04/imagem.-1-300x297.jpg 300w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-11801" class="wp-caption-text">Capa do álbum It’s Alive (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><strong>Raul Felipe</strong></p>
<p>A maior banda de punk rock de todos os tempos. <a href="http://personaunesp.com.br/40-anos-ramones-reacionarismo-revolucao/">É dessa maneira que podemos definir os Ramones, os precursores do new wave no cenário musical.</a> Os nova iorquinos do Queens, começaram a carreira no famoso CBGB em Manhanttan. O grupo formado por Joey Ramone, Jhonny Ramone, Dee Dee Ramone e Tommy Ramone estreou em 1976 com um álbum autointitulado, depois vieram <em>Leave Home</em> e o excelente <em>Rocket to Russia</em>.</p>
<p>Foi da junção desses três que surgiu <em>It’s Alive</em>, considerado um dos melhores álbuns ao vivo gravado por uma banda, <strong>lançado como disco em primeiro de abril de 1979</strong>. A turnê Rocket to Russia &#8211; que reunia as melhores músicas dos três álbuns lançados &#8211; estacionou em Londres, no Rainbow Theatre, para uma sequência de quatro shows.</p>
<p><span id="more-11799"></span></p>
<p>Porém, o concerto de 31 de dezembro de 1977 entrou para a história, onde a banda condensou 28 músicas em apenas 54 minutos para uma plateia insana que esperava a virada do ano. O teatro estava tomado por 3 mil ingleses que cantavam aos berros os sucessos do grupo. Foi no palco que  fizeram sucesso: tocando alto, rápido e simples. Para os fãs do gênero, o ano de 1977 em Londres só pode ser contado a partir desse show histórico.</p>
<figure id="attachment_11802" aria-describedby="caption-attachment-11802" style="width: 620px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-11802" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/04/imagem.2.jpg" alt="" width="620" height="372" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/04/imagem.2.jpg 620w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/04/imagem.2-300x180.jpg 300w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-11802" class="wp-caption-text">Os Ramones tocando no clube da Phase V em Nova Jersey, em abril de 1976, um de seus primeiros empreendimentos fora da cidade de Nova York. (Foto: Danny Fields/Reprodução)</figcaption></figure>
<p>O projeto teve a colaboração de Generation X, a banda que lançou Billy Idol para o mundo e os escoceses The Rezillos, conhecidos pelo hit “<a href="https://youtu.be/roZ_plpJGCM">Top Of The Pops</a>”. O nome do álbum fazia alusão ao filme de terror produzido por Larry Cohen ,“It’s Alive”, e lançado no Brasil com o título de “Nasce um monstro”.</p>
<p>O show começa com “Rockaway Beach”, que logo vira “Teenage Lobotomy” e incendeia o teatro de uma só vez. Com a banda aquecida vem o maior sucesso de todos os tempos. &#8220;É bom estar de volta à Inglaterra, e é bom ver todos vocês de novo&#8221;, diz Joey. <em>“Take it, Dee Dee”. </em>O baixista conta e a banda explode no hino infeccioso “Blitzkrieg Bop”.</p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe title="The Ramones - It&#039;s Alive (1977) - Blitzkrieg Bop" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/BbDekaqw3lQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<blockquote><p>Hey ho, let&#8217;s go<br />
Shoot em&#8217; in the back now<br />
What they want, I don&#8217;t know<br />
They&#8217;re all reved up and ready to go</p></blockquote>
<p>Os Ramones quase não davam tempo para o público aplaudir as faixas. Terminada Blitzkrieg Bop, a banda logo toca “Glad to See You Go” e em seguida passa para “Gimme Gimme Shock Treatment”. É incrível o modo como o grupo emenda mais 20 músicas nos próximos 45 minutos.</p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="The Ramones - It&#039;s Alive (1977) - Glad to see you go" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/5a-Ml5zpQHI?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<blockquote><p>You gotta go go go go goodbye glad to see you go go go go goodbye<br />
Now I know the score I don&#8217;t need you anymore don&#8217;t want<br />
You cause you&#8217;re a bore I need somebody good I need a miracle<br />
Should I take a chance on her? one bullet in the cylinder</p></blockquote>
<p>“Tudo estava dando certo para aquele show”, disse Monte Melnick, gerente de estrada da banda. “As luzes eram ótimas, o som era ótimo, tocavam as músicas terrivelmente, a platéia era incrível; tudo clicou. Para os quatro originais, esse foi o melhor show deles: Johnny, Joey, Dee Dee e Tommy.” A esta altura da carreira os Ramones contavam com três álbuns de estúdio e mais de 300 shows, algo que no final da banda em 1996 somaria algo em torno de 2.263 shows. Eram os deuses da América.</p>
<p>Porém nem tudo em Londres foi perfeito. A imprensa inglesa e o público inglês não acolheram a banda da maneira correta. “[Eles] nos trataram como palhaços&#8221;, escreveu Dee Dee sobre a mídia britânica da época em seu livro de memórias, Lobotomy. &#8220;O público inglês gostava de cuspir em nós&#8221;, disse Dee Dee. &#8220;É um insulto à banda&#8221;, acrescentou Johnny em sua autobiografia, <em>Commando</em>. Mas nada disso impediu que os nova iorquinos voltassem mais vezes em solo real.</p>
<figure id="attachment_11804" aria-describedby="caption-attachment-11804" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-11804" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/04/imagem.-3.jpg" alt="" width="600" height="596" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/04/imagem.-3.jpg 600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/04/imagem.-3-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/04/imagem.-3-300x298.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-11804" class="wp-caption-text">Ramones no Rainbow Theatre em 1977. (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p>O show se encaminha para o final. O quarteto vai tocando seus maiores sucessos como “Sheena Is a Punk Rocker,” “Commando” e “Pinhead. Sem perder o fôlego, a apresentação termina um pouco depois da meia noite com “We’re a Happy Family”.</p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="The Ramones - It&#039;s Alive (1977) - We&#039;re a happy family" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/k0poEl_n01I?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<blockquote><p>We&#8217;re a happy family, we&#8217;re a happy family<br />
We&#8217;re a happy family, me, mom and daddy<br />
We&#8217;re a happy family, we&#8217;re a happy family<br />
We&#8217;re a happy family, me, mom and daddy</p></blockquote>
<p>Alguns fatos curiosos sondam o lançamento do disco. Apesar de ser o quinto álbum da banda, It’s Alive é o quarto álbum cronologicamente feito pelo quarteto. Isso ocorreu pois em 1978 a banda lançou Road to Ruin. Além disso, esse é o único registro ao vivo da banda com sua formação original, isto é, com Tommy na bateria. O disco foi lançado em LP duplo na Inglaterra 1979, mas apenas em 1996 foi lançado em formato CD nos Estados Unidos.</p>
<p>Dentre os mais de 2.263 shows, este com toda a certeza, é o melhor show da carreira dos Ramones. Marcado pela data de véspera de ano novo e tocando para um público louco por punk, os Ramones entraram para a história da música com uma apresentação ao vivo impecável e sublime.</p>
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		<title>40 anos de Ramones: Reacionarismo e revolução</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Nov 2016 00:31:30 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Leite Ferreira 1976. Seis anos sem os Beatles. O rock’n’roll havia alçado voos mais altos na era da psicodelia; o próximo passo foi a sofisticação do rock progressivo de Pink Floyd e Yes, que já soava redundante. Mesmo os expoentes com proposta mais direta apresentavam sinais de desgaste: o reinado do Led Zeppelin estava &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/40-anos-ramones-reacionarismo-revolucao/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "40 anos de Ramones: Reacionarismo e revolução"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_6277" aria-describedby="caption-attachment-6277" style="width: 600px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-6277 aligncenter" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/11/img-1024574-ramones-ramones-1976-600x600.jpg" alt="img-1024574-ramones-ramones-1976-600x600" width="600" height="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/11/img-1024574-ramones-ramones-1976-600x600.jpg 600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/11/img-1024574-ramones-ramones-1976-600x600-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/11/img-1024574-ramones-ramones-1976-600x600-300x300.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-6277" class="wp-caption-text">Da esquerda para a direita: Johnny, Tommy, Joey e Dee Dee. Guarde esses nomes!</figcaption></figure>
<p><strong>Gabriel Leite Ferreira</strong></p>
<p>1976. Seis anos sem os Beatles. O rock’n’roll havia alçado voos mais altos na era da psicodelia; o próximo passo foi a sofisticação do rock progressivo de Pink Floyd e Yes, que já soava redundante. Mesmo os expoentes com proposta mais direta apresentavam sinais de desgaste: o reinado do Led Zeppelin estava nos momentos derradeiros e a fase clássica do Black Sabbath findava com a saída do vocalista Ozzy Osbourne. Os <em>rockstars</em>, figuras com uma aura própria, entravam em decadência pelos excessos tanto musicais quanto pessoais. O Verão do Amor enfim tornara-se inverno. Ninguém esperava que a resposta a essa crise de identidade viesse na forma de quatro nova-iorquino maltrapilhos de semblante apático encostados a um muro.</p>
<p><span id="more-6264"></span></p>
<p>Os Ramones surgiram em um momento de ressaca no até então efervescente underground norte americano. As bandas que faziam a cabeça da juventude por representar a antítese do mainstream da época, como The Stooges, MC5 e New York Dolls, não sobreviveram ao estilo de vida caótico e deixaram um vazio, um buraco a ser tapado por suas crias. Ouvir discos conceituais estava fora de questão. Nesse sentido, a estreia dos Ramones foi revolucionária ao apostar suas fichas em um reacionarismo estético sonoro e visual com ressalvas. E assim se fez o punk rock.</p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/xI4EDSw3K3A?feature=oembed" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></div>
<p style="text-align: center;">           <em>Menos é mais: registro de um dos primeiros shows dos Ramones no CBGB</em></p>
<p>Opa – punk rock e reacionarismo? A princípio, sim. A ideia de Joey, Johnny, Dee Dee e Tommy era essencialmente reacionária: despir o rock’n’roll dos trajes pomposos rotos e focar no espírito original dos primórdios. Menos Pink Floyd, mais Beatles. O aceno ao pop rock inocente dos anos 60, com os apelidos fáceis, o sobrenome em comum e as composições grudentas, foi revolucionário pela forma quase tosca com que o quarteto de Queens abordava essas referências do passado. Joey fazia a melhor impressão de rockstar que podia com seus vocais afetados, Johnny limitava os riffs a uma combinação de três ou quatro acordes distorcidos, Dee Dee e Tommy acompanhavam os colegas de perto, mas sem inventar muito.</p>
<p>O visual do grupo andava de mãos dadas com essa sonoridade básica. Aqueles quatro caras trajando jaquetas de couro, calças rasgadas e tênis surrados – meio que uma versão mais radical da rebeldia sem causa de James Dean – não se pareciam com os típicos rockstars setentistas. Não havia o molde do apelo imagético que a indústria cultural sempre impôs aos artistas modernos; os Ramones eram o que eram. Mesmo seus mestres surgiram já com uma aura de grandiosidade embrionária alimentada pelos empresários e pela mídia: o MC5 era a guerrilha revolucionária sessentista personificada, Iggy Pop um Jim Morrison ainda mais selvagem. Em contrapartida, os colegas do bairro de classe média Queens vinham diretamente das ruas para o show business. A revolução foi geral e é sentida até hoje.</p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/TYh1lRR1m6Y?feature=oembed" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></div>
<p>A estreia homônima, que completou 40 anos no mês de abril, é a gênese de praticamente tudo ligado ao underground – e, em menor grau, ao mainstream – dos anos 70 em diante. O fato de uma banda com abordagem calcada na falta de técnica mais apurada dos envolvidos ter conseguido se manter relevante por três décadas subverte os pressupostos adornianos de que os veículos culturais são estritamente baseados no conformismo e na superioridade do artista em relação ao seu público. Os Ramones mostraram que a técnica é detalhe, mero artifício de dominação da indústria cultural, e com isso redefiniram o conceito de rockstar: do deus da guitarra ao garoto tocando no quarto. Para usar um exemplo clássico: se Kurt Cobain decidiu montar uma banda sem ao menos dominar totalmente seu instrumento, foi porque os Ramones existiram.</p>
<p>Os shows curtíssimos e barulhentos dos quatro caras maltrapilhos eram atração principal no CBGB, o ícone maior da contracultura norteamericana, desde 1974 e precisavam ser documentados. As sessões de gravação da antológica estreia levaram exatamente uma semana, algo sem precedentes à época, e foi o suficiente para sacramentar a banda como símbolo do então incipiente movimento punk.</p>
<p>Bastou à praga chegar à Inglaterra, berço do estereótipo da estética punk – roupas rasgadas, moicanos, objetos pontiagudos como acessório etc. – e a forma de expressão a princípio inofensiva dos Ramones foi transformada em um monstro midiático. Nos dois casos a ideia tinha contornos revolucionários, mas a banda de Nova York nunca se preocupou em chocar (curiosidade: todos os membros da formação clássica, especialmente o guitarrista Johnny, eram conservadores). Talvez esteja aí a razão da carreira duradoura dos primeiros; o Sex Pistols, maior expoente do punk inglês, sobreviveu aos trancos e barrancos por três anos. Isso não diminui a relevância das bandas da terra da Rainha, absolutamente, mas serve como reflexão.</p>
<figure id="attachment_6284" aria-describedby="caption-attachment-6284" style="width: 500px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-6284 aligncenter" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/11/ramones-2.jpg" alt="ramones-2" width="500" height="432" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/11/ramones-2.jpg 500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/11/ramones-2-300x259.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 500px) 85vw, 500px" /><figcaption id="caption-attachment-6284" class="wp-caption-text">&#8220;Fora Dilma&#8221;: revolução, só musical</figcaption></figure>
<p>O auge criativo da primeira geração de punks foi breve. Já na virada dos anos 70 para os anos 80 as bandas do CBGB – Television, Dead Boys, Talking Heads, Blondie, Patti Smith e, claro, os Ramones – tomaram rumos distintos, assim como os grupos ingleses. Novamente, a ressaca, curada novamente por novos grupos que representaram uma evolução do punk tradicional. O hardcore punk tirou a contestação aos padrões do plano das ideias: saíram as gravadoras corporativas, os empresários e os shows profissionais; entraram os selos independentes e a autogestão. Em um passado recente, ainda, o pop punk retomou a inocência dos primórdios e foi comercialmente bem sucedido nisso. Dois momentos opostos, uma só raiz.</p>
<p>É devido a essa influência atemporal que ainda faz sentido relembrar os míseros 30 minutos da estreia do quarteto do Queens. Mas só a influência não basta. E as músicas? As catorze músicas do disco são todas peças absolutamente originais e cativantes que refletem a fase mais transicional da vida: a adolescência. Impossível não ser cativado pelo hino à rebelião juvenil de “Blitzkrieg Bop” – a ingênua alusão à tática nazista só aumenta o charme da faixa –, o conto suburbano de “Judy is a Punk”, a <em>love song</em> versão Ramones que é “I Wanna Be Your Boyfriend”, o retrato mais banal o possível do tédio em “Now I Wanna Sniff Some Glue” ou a cômica homenagem aos antigos programas policiais em “Havana Affair”. A produção minimalista, reflexo do curto processo de gravação, mantém o conjunto da obra simples, honesto e atemporal.</p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/K6GAGdBiJF0?feature=oembed" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></div>
<p>Ao longo da prolífica carreira, a família Ramone também passou por transições, conflitos e crises. Nos álbuns posteriores à estreia, a dicotomia entre o pop e o anticomercial se instalou para não abandonar nunca mais o grupo. No fim das contas, eles praticamente se igualaram ao que combatiam: rockstars envoltos em uma aura própria. Mas uma aura de contestação e transgressão que ecoa nos porões do rock’n’roll há 40 anos, e não parece cessar tão cedo.</p>
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