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	<title>Arquivos Quarto &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Quarto: uma história no cárcere</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Jan 2017 22:23:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Danielle Cassita]]></category>
		<category><![CDATA[Quarto]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Danielle Cassita Quando se tem o mundo todo à disposição – e, se não, é possível chegar bem perto com o uso da internet -, fica difícil imaginar como seria nascer e viver apenas em um quarto. É essa a realidade de Jack, o protagonista do livro Quarto. A obra de Emma Donoghue conta a &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/quarto-uma-historia-no-carcere/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Quarto: uma história no cárcere"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="western"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-7168" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/Capa.jpg" alt="Quarto Capa" width="620" height="924" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/Capa.jpg 620w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/Capa-201x300.jpg 201w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /></p>
<p class="western"><strong>Danielle Cassita</strong></p>
<p class="western">Quando se tem o mundo todo à disposição – e, se não, é possível chegar bem perto com o uso da internet -, fica difícil imaginar como seria nascer e viver apenas em um quarto.<span id="more-7167"></span></p>
<p class="western" style="text-align: justify;">É essa a realidade de Jack, o protagonista do livro Quarto.</p>
<p class="western" style="text-align: justify;">A obra de Emma Donoghue conta a história de um garoto que nasceu no cárcere em que sua mãe é mantida desde os 19 anos de idade.</p>
<p class="western" style="text-align: justify;">Durante a primeira metade, o leitor é apresentado ao cotidiano dos dois, sempre pela narração de Jack. Eles brincam, fazem exercícios e outras atividades dentro do possível, já que a mãe do menino tem que improvisar com o que está ao alcance dos dois dentro do <i>Quarto</i>.</p>
<p class="western" style="text-align: justify;">A obra possui pequenos aspectos ortográficos interessantes para ajudar a contextualizar: o garoto constantemente se refere a diversos objetos do cômodo com letra maiúscula, como se fizesse questão de mostrar a importância daquilo para ele; outro ponto que vale a pena ser comentado são pequenos erros gramaticais e de pontuação, que demonstram a alfabetização da criança:</p>
<blockquote>
<p class="western" style="text-align: justify;">“<i>Eu estava meio agitado, aı́ a Mãe disse pra brincarmos de Orquestra, que é quando a gente circula batendo nas coisas pra ver que barulhos consegue arrancar. Tamborilei na Mesa e a Mãe fez toc toc nas pernas da Cama, depois puf puf nos travesseiros, e eu usei o garfo e a colher na Porta, plim plim, e os nossos dedos dos pés fizeram bum no Fogão, mas o meu favorito é pular no pedal da Lixeira, porque isso faz a tampa abrir com um pingue. Meu melhor instrumento é o Dlendlem, que é uma caixa de cereal onde eu colei todas as pernas e sapatos e casacos e cabeças diferentes e coloridas do catálogo velho, e depois estiquei três elásticos no meio. O Velho Nick não traz mais catálogos para escolhermos nossa roupa, a Mãe diz que ele está ficando mais mesquinho.”</i></p>
</blockquote>
<p class="western" style="text-align: justify;"><a name="OLE_LINK2"></a><a name="OLE_LINK1"></a> Porém, nem mesmo a linguagem ingênua ameniza diversas violências que ocorrem com a mãe de Jack.</p>
<p class="western" style="text-align: justify;">O menino dorme dentro de um armário, como uma forma de proteção encontrada por sua mãe. Assim, de noite, o sequestrador que eles chamam de Velho Nick entra no quarto e&#8230; Bem, Jack apenas <i>conta </i>cada rangido da cama antes de dormir, sem conseguir compreender o que está realmente acontecendo.</p>
<p class="western" style="text-align: justify;">Esta é uma cena recorrente no livro, assim como outras do tipo. A autora é habilidosa ao descrever abusos verbais e sexuais sob a ótica de uma criança, que não é totalmente poupada da realidade que a cerca e, ao mesmo tempo, também não a entende.</p>
<p class="western" style="text-align: justify;"><img decoding="async" class="alignnone size-large wp-image-7170" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/Emma-Donoghue-1024x576.png" alt="Emma Donoghue" width="840" height="473" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/Emma-Donoghue-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/Emma-Donoghue-300x169.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/Emma-Donoghue-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/Emma-Donoghue-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/Emma-Donoghue.png 1764w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /></p>
<p class="western" style="text-align: justify;">Emma Donoghue tem seu mérito por ter criado uma narrativa extremamente ágil e envolvente, que pede a curiosidade do leitor durante a maior parte das vezes; para ilustrar, estão presentes várias referências culturais tanto da música quanto da literatura – e uma delas é a fuga de Jack, totalmente inspirada no plano empregado por Edmond Dantés, personagem principal do romance Conde de Monte Cristo.</p>
<blockquote>
<p class="western" style="text-align: justify;">“— <i>Está bem, está bem. — Ela respirou alto. — Lembra do conde de Monte Cristo?</i></p>
<p class="western" style="text-align: justify;">— <i>Ele ficou trancado num calabouço numa ilha.</i></p>
<p class="western" style="text-align: justify;">— <i>É, mas você se lembra de como ele saiu? Ele fingiu que era o amigo morto, se escondeu na mortalha e os guardas o jogaram no mar, mas o conde não se afogou, livrou-se da mortalha e saiu nadando.”</i></p>
</blockquote>
<p class="western" style="text-align: justify;">A tensão e ansiedades geradas no leitor são intensas até poder, finalmente, respirar aliviado após o final da cena de fuga.</p>
<p class="western" style="text-align: justify;">Porém, quando os dois voltam para a vida comum que deveriam ter levado, a escrita perde ritmo considerável; os capítulos que retratam o novo cotidiano de Jack e sua mãe mostram um processo de adaptação: tratamentos em hospitais, primeiras saídas a locais públicos e até mesmo comportamentos que causam estranhamento, mas que eram aceitáveis quando estavam trancafiados no Quarto.</p>
<p class="western" style="text-align: justify;">Mesmo retratando a lenta recuperação física e, principalmente, psicológica, esta parte final do livro não desperta tanta curiosidade e interesse quanto as anteriores, seja pela ausência do clima de tensão, seja pela retomada de uma história que volta a ser rotineira.</p>
<figure id="attachment_7172" aria-describedby="caption-attachment-7172" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-7172 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/room-movie-image-brie-larson-1024x681.jpg" alt="Quarto de Jack " width="840" height="559" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/room-movie-image-brie-larson-1024x681.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/room-movie-image-brie-larson-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/room-movie-image-brie-larson-768x511.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/room-movie-image-brie-larson-1200x799.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/room-movie-image-brie-larson.jpg 2000w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-7172" class="wp-caption-text">O Quarto de Jack, a adaptação para os cinemas do livro, teve uma repercussão positiva, inclusive recebendo indicações no Oscar</figcaption></figure>
<p class="western" style="text-align: justify;">O desfecho apresentado também não é dos mais memoráveis: Jack e sua mãe passam a morar num apartamento próprio para pessoas em reabilitação e, após certo tempo, decidem voltar para o local onde foram aprisionados para se despedirem. Apesar do claro tom de recomeço para ambos os personagens, fica a sensação de há algo errado numa narrativa que teve tanta vida e agilidade e, então, diminui o ritmo.</p>
<p class="western" style="text-align: justify;" align="left">É possível que a autora quisesse criar um final que não fosse necessariamente feliz, mas cabível e, principalmente, que tivesse a acidez característica de uma realidade tão bruta.</p>
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