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	<title>Arquivos Punpun &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Boa Noite Punpun Vol.1 e a Jornada de um Pássaro Infeliz</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Sep 2020 17:20:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Quadrinhos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Flora Vieira Boa Noite Punpun, escrito pelo mangaká Inio Asano, foi meu retorno aos mangás físicos, e liberou um gosto que até pouco tempo estava enterrado em mim — o de ler gibis. Dessa vez, um com uma história adulta e temas complexos e profundos, do gênero Slice Of Life , que também descobri ser &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/boa-noite-punpun-vol-1-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Boa Noite Punpun Vol.1 e a Jornada de um Pássaro Infeliz"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_15616" aria-describedby="caption-attachment-15616" style="width: 690px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-15616 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem-1-5.jpg" alt="" width="690" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem-1-5.jpg 690w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem-1-5-207x300.jpg 207w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-15616" class="wp-caption-text">A capa amarela do primeiro volume, publicado pela JBC aqui no Brasil (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><strong>Flora Vieira</strong></p>
<p><a href="https://blogbbm.com/manga/punpun/"><i><span style="font-weight: 400;">Boa Noite Punpun</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, escrito pelo mangaká </span><a href="https://livroecafe.com/2020/04/17/mangas-de-inio-asano/"><span style="font-weight: 400;">Inio Asano</span></a><span style="font-weight: 400;">, foi meu retorno aos mangás físicos, e liberou um gosto que até pouco tempo estava enterrado em mim — o de ler gibis. Dessa vez, um com uma história adulta e temas complexos e profundos, do gênero </span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Slice_of_life#Literatura"><i><span style="font-weight: 400;">Slice Of Life</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">, que também descobri ser um dos meus gêneros favoritos. O Volume Um acompanha Punpun Punyama, que, com onze anos, vive o começo de uma adolescência conturbada e solitária.</span></p>
<p><span id="more-15615"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um elemento dos mangás tão importante quanto o enredo é, sem dúvida nenhuma, a arte. E aqui, ela é muito bonita, e também bastante metafórica. Representada como pássaros, de traços simples e crus, a família Punyama se destaca entre o cenário extremamente realista e o nível de detalhes no traço dos personagens ao redor. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ela é metafórica porque essa escolha de estilo vai contra uma das características principais do protagonista: a de ser aparentemente ordinário, sem sonhos, objetivos ou individualidade que o diferencie dos outros. </span><span style="font-weight: 400;">A metáfora também se completa com o fato do personagem não ter balões de fala e ter seus pensamentos mediados por um narrador, que, quando precisa, apresenta as falas de Punpun entre aspas.</span></p>
<figure id="attachment_15617" aria-describedby="caption-attachment-15617" style="width: 697px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-15617" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem-2-1.png" alt="" width="697" height="390" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem-2-1.png 697w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem-2-1-300x168.png 300w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-15617" class="wp-caption-text">Da esquerda pra direita: Aiko, Punpun, Harumin, Koma, Shimi e Seki (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa característica é explorada logo no primeiro capítulo, que é uma preparação pra tudo que vem pela frente. Punpun, acostumado com a rotina de violência entre seus pais — que, em vez de ampararem o garoto, brigam e gritam entre si — está na escola, quando o professor pede aos alunos para que escrevam sobre seus sonhos e ele não tem a menor ideia sobre o que escrever. Mais tarde nesse dia, conversa com a aluna nova da escola, Aiko (por quem ele logo se apaixona), que diz, basicamente, que a humanidade vai acabar porque a terra vai ser destruída, e em busca de evitar a extinção, os seres humanos deveriam ir pro espaço. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Punpun decide, então, que seu sonho é se tornar um astronauta. Isso se repete em várias situações durante o mangá, como quando um de seus amigos leva um fora e ele, mesmo apaixonado por Aiko, promete junto ao grupo nunca mais se encontrar com meninas. Punpun é um <em>“maria vai com as outras”</em>, e visivelmente sofre por isso, porque tem medo de decepcionar as pessoas — principalmente Aiko — ao longo da história. A relação do protagonista com a família revela ainda outras coisas, retratadas com a delicadeza e sensibilidade que a história precisa, por tratar dos assuntos que trata. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O mangaká consegue mostrar, por meio dos diálogos (que são também crus, e ainda assim, muito reais e bem escritos), tanto como Punpun enxerga o mundo, quanto como as coisas são de verdade. Um exemplo, também do primeiro capítulo: Punpun se levanta, desce as escadas de sua casa, e vê sua mãe machucada no chão. A primeira reação do pai, que percebe o filho descendo as escadas, é lhe dizer <em>“Um ladrão entrou em casa!”</em>, quando, na verdade, quem lê sabe muito bem que não há ladrão algum, e que a mãe tinha acabado de sofrer violência doméstica. O pai, claro, mentiu pro garoto, que </span><a href="https://br.ign.com/manga/72559/feature/boa-noite-punpun-retrata-inocencia-da-infancia-e-amargor-do-crescimento"><span style="font-weight: 400;">não entendeu</span></a><span style="font-weight: 400;"> muito bem o que aconteceu ali. </span></p>
<figure id="attachment_15618" aria-describedby="caption-attachment-15618" style="width: 805px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-15618" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem-3-8.jpg" alt="" width="805" height="1200" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem-3-8.jpg 805w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem-3-8-201x300.jpg 201w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem-3-8-687x1024.jpg 687w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem-3-8-768x1145.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-15618" class="wp-caption-text">O advogado da família, à esquerda, e Yuchi, à direita, no primeiro quadrinho (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro ponto importante do mangá é a representação dos adultos. Eles agem de forma estranha ao mesmo tempo que são desenhados com feições esquisitas, como se estivessem próximos de um ataque de nervos. O mangá, com elementos assim, procura discutir temas não só, mas ligados principalmente à cultura japonesa, como a padronização do indivíduo e a necessidade de adequação – que representam fortes pressões da sociedade e restringem as vivências dos japoneses, ao mesmo tempo que são um dos grandes motivos para o alto índice de suicídio do país. Punpun, mesmo sem entender, já se vê confrontado com todas essas expectativas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além do protagonista, o mangá não poupa esforços ao desenvolver alguns dos outros personagens da história. Alguns exemplos são o tio do garoto, Yuchi, e Aiko, sua paixão. Yuichi é o oposto dos outros adultos representados na obra, com postura imatura e acomodada diante de suas responsabilidades, enquanto é o único que eu vi se preocupar com o sobrinho. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao contrário do que sua postura parece revelar, ele também é retratado como vítima das pressões sociais japonesas, exibindo comportamento agressivo e pessimista para com a realidade. </span><span style="font-weight: 400;">Aiko, por outro lado, ainda é só uma criança, e tem um desejo enorme de escapar – talvez por isso a obsessão com o espaço, no começo da história – e acaba por depositar essas expectativas em Punpun, coisa que influencia muito na relação dos dois.</span></p>
<figure id="attachment_15619" aria-describedby="caption-attachment-15619" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-15619" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/oyasumi-punpun-trecobox_tztn.jpg" alt="" width="1000" height="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/oyasumi-punpun-trecobox_tztn.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/oyasumi-punpun-trecobox_tztn-300x180.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/oyasumi-punpun-trecobox_tztn-768x461.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-15619" class="wp-caption-text">Punpun e seus amigos dando as mãos, uma das páginas duplas do mangá (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar da construção dramática, o mangá também acerta nos momentos de comédia. As expressões do protagonista e suas reações puras e inocentes, enquanto se descobre na adolescência, incluem boa parte desses momentos, e também evitam que a leitura fique maçante, tediosa ou muito cansativa. </span><span style="font-weight: 400;">A habilidade de aprofundar os assuntos igualmente na comédia vale a pena ser mencionada. Ao mesmo tempo em que eu ria, me colocava no lugar do protagonista e entendia a dimensão que ele dá para coisas, por vezes naturais, por vezes absurdas, que acontecem com ele ao longo da história.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Boa Noite Punpun</span></i><span style="font-weight: 400;"> trata de temas como solidão, amadurecimento e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_tol7edMbDE"><span style="font-weight: 400;">negligência emocional</span></a><span style="font-weight: 400;"> com muita consciência e realidade, por meio de uma arte muito única que várias vezes me fez querer parar e observar os detalhes de cada quadrinho, com destaque para os desenhos que ocupam páginas duplas (e são sensacionais). Vale a pena aqui elogiar também a tradução do mangá, feita pela <em>JBC</em>, que ficou bem fluída e adaptada, respeitando abreviações e marcas de oralidade típicas do Brasil, valorizando a localização para o país, e acrescentando bastante na experiência. A jornada desse pássaro, mesmo assim, está só no começo.</span></p>
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