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	<title>Arquivos Pride and Prejudice &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>20 anos de Orgulho e Preconceito: A adaptação que fez Jane Austen brilhar no cinema</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Oct 2025 13:00:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Stephanie Cardoso Em um tempo em que as telonas eram dominadas por sagas adolescentes e efeitos mirabolantes, Orgulho e Preconceito (2005) chegou como quem não quer nada e conquistou tudo. Vinte anos depois, o filme dirigido por Joe Wright continua sendo uma das adaptações mais amadas da literatura – e um dos romances mais bonitos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/orgulho-e-preconceito-20-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "20 anos de Orgulho e Preconceito: A adaptação que fez Jane Austen brilhar no cinema"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_35837" aria-describedby="caption-attachment-35837" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-35837" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/1759143871982-800x450.jpg" alt="Cena do filme Orgulho e Preconceito (2005). Na imagem, os personagens Elizabeth Bennet e Mr. Darcy estão muito próximos, prestes a se beijar. Elizabeth, uma jovem branca de cabelos castanhos escuros presos, está com os olhos fechados, com as mãos tocando a mão de Darcy. Ela usa um casaco longo escuro. Darcy também tem a cabeça inclinada para frente e os olhos fechados, em um gesto de ternura. Ele veste um casaco escuro com gola alta. Ao fundo, há um campo verde sob um céu esbranquiçado ao entardecer, transmitindo um clima romântico e íntimo" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/1759143871982-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/1759143871982-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/1759143871982-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/1759143871982.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35837" class="wp-caption-text">O livro de Orgulho e Preconceito é base de inspiração para novos romances modernos (Foto: Universal Studios)</figcaption></figure>
<p><b>Stephanie Cardoso</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um tempo em que as telonas eram dominadas por sagas adolescentes e efeitos mirabolantes, </span><a href="https://www.vanityfair.com/hollywood/story/pride-and-prejudice-20th-anniversary-director-joe-wright-interview?srsltid=AfmBOor0WOci5wI-qUgZNfq6ECAtHzBQmKUaX8ApRKVHouJsk9CEr9hu"><i><span style="font-weight: 400;">Orgulho e Preconceito</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2005)</span></a><span style="font-weight: 400;"> chegou como quem não quer nada e conquistou tudo. Vinte anos depois, o filme dirigido por </span><a href="https://www.harpersbazaar.com/culture/film-tv/a64526182/pride-and-prejudice-joe-wright-20th-anniversary-interview/"><span style="font-weight: 400;">Joe Wright</span></a><span style="font-weight: 400;"> continua sendo uma das adaptações mais amadas da literatura – e um dos romances mais bonitos e sinceros já feitos no cinema (e não é um exagero).</span></p>
<p><span id="more-35836"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Baseado no livro homônimo de </span><a href="https://aventurasnahistoria.com.br/noticias/reportagem/jane-austen-curiosa-vida-da-escritora-de-orgulho-e-preconceito.phtml"><span style="font-weight: 400;">Jane Austen</span></a><span style="font-weight: 400;">, publicado em 1813, o longa-metragem poderia ter caído na armadilha das adaptações engessadas, com sotaques forçados e vestidos impecáveis demais. Mas Wright, em sua estreia no cinema, trouxe uma abordagem surpreendentemente íntima para uma história muitas vezes associada à rigidez dos salões aristocráticos. Aqui, os personagens riem alto, correm pelos campos, brigam em jantares, sujam as saias de barro e demonstram uma humanidade palpável. A direção busca menos a pompa e mais a verdade emocional, e é justamente por isso que o longa-metragem ainda permanece tão forte.</span></p>
<figure id="attachment_35838" aria-describedby="caption-attachment-35838" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-35838" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/1759143896070.png" alt="Cena do filme Orgulho e Preconceito (2005). Na imagem, vemos uma elegante sala de estar em tons dourados e claros, com vários personagens vestidos com roupas de época. Ao centro, uma mulher ruiva está sentada com um vestido verde e branco, com um pequeno cachorro marrom deitado aos seus pés. Atrás dela, dois homens em pé vestem roupas de época — casacos compridos e calças altas. À esquerda, uma mulher sentada observa a cena, enquanto à direita, um grupo de mulheres com vestidos coloridos e chapéus senta-se em um sofá comprido. A cena transmite formalidade e tensão social" width="800" height="516" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/1759143896070.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/1759143896070-768x495.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35838" class="wp-caption-text">No início do filme, Elizabeth é vista lendo um livro chamado Primeiras Impressões, primeiro nome de Orgulho e Preconceito (Foto: Focus Films/Courtesy Everett Collection)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No centro da narrativa está </span><a href="https://youtu.be/DRNLLZQoX10?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">Keira Knightley</span></a><span style="font-weight: 400;">, que aos 20 anos assumiu o papel de Elizabeth Bennet com uma combinação rara de coragem e sutileza, aquela heroína pela qual torcemos desde o primeiro instante. Ao seu lado, o misterioso Mr. Darcy, interpretado por </span><a href="https://youtu.be/02n7Hac0a5Q?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">Matthew Macfadyen</span></a><span style="font-weight: 400;">, quebra o clichê do galã convencido. Reservado, um pouco desajeitado para demonstrar emoções e repleto de nuances, o que apenas amplia o magnetismo do personagem. A </span><a href="https://youtu.be/WeCBoYbixEk?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">cena</span></a><span style="font-weight: 400;"> em que ele revela seu amor (apesar de também insultar a sua família) sob a chuva – inexistente no livro original –, tornou-o um ícone, justamente por capturar com perfeição essa emoção contida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se a chuva marcou o ápice da confissão dele, a madrugada silenciosa marcou o </span><a href="https://youtu.be/YckaDT9KEI8?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">momento</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Elizabeth. Quando ela finalmente revela seus sentimentos durante aquele passeio ao nascer do sol, não há palavras grandiosas, apenas uma entrega serena, mas arrebatadora. Sem exageros nem discursos grandiosos, só sinceridade, leveza e um toque de nervosismo que torna tudo mais verdadeiro. A troca de olhares, o clima suave e a luz dourada do campo tornam a cena quase etérea. É nesse instante que ela, tão firme e crítica ao longo da história, permite-se ser vulnerável. E o impacto é imediato: o silêncio diz mais que qualquer declaração ensaiada, encerrando a jornada com a mesma delicadeza com que foi construída.</span></p>
<figure id="attachment_35839" aria-describedby="caption-attachment-35839" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-35839" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/1759143924849-800x450.jpg" alt="Cena do filme Orgulho e Preconceito (2005). Na imagem, seis mulheres caminham alegremente por uma estrada de terra no campo. Elas usam vestidos longos e coloridos de época, além de chapéus e luvas. Estão sorrindo, transmitindo uma atmosfera de leveza e amizade. Ao fundo, vemos campos abertos e colinas sob um céu nublado. A personagem Elizabeth Bennet, ao centro-direita, veste um vestido cinza e uma capa preta" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/1759143924849-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/1759143924849-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/1759143924849.jpg 970w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35839" class="wp-caption-text">A relação das irmãs e da matriarca Bennet são um dos pontos mais fortes e divertidos do filme (Foto: Universal Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O que torna </span><i><span style="font-weight: 400;">Pride and Prejudice</span></i><span style="font-weight: 400;"> (no original) ainda mais rico é a </span><a href="https://youtu.be/U7guBEL-ORU?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">família Bennet</span></a><span style="font-weight: 400;">, cheia de personalidades que contrastam e se completam. A Sra. Bennet (Brenda Blethyn), rouba várias cenas com seu jeito desesperado para casar as filhas. Ela é aquele tipo de mãe que não pensa duas vezes antes de transformar qualquer conversa em uma festa de nervos. Em uma cena, que é quase cômica, ela tenta controlar as filhas no baile, mostrando como o casamento era uma questão de sobrevivência para as mulheres da época. Apesar de sua excentricidade, a Sra. Bennet representa uma preocupação real daquele período: o medo de deixar as filhas vulneráveis num mundo onde </span><a href="https://youtu.be/o0vYtSf2iP8?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">segurança financeira</span></a><span style="font-weight: 400;"> era quase sinônimo de casamento bem arranjado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A irmã mais velha, Jane Bennet, interpretada por </span><a href="https://youtu.be/psjjEIrq654?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">Rosamund Pike</span></a><span style="font-weight: 400;">, é o oposto da mãe em temperamento: doce, calma e sempre vendo o melhor nas pessoas. A relação dela com Charles Bingley (Simon Woods), é o </span><a href="https://youtu.be/K_ZBhEcuSU0?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">romance</span></a><span style="font-weight: 400;"> mais suave da história, trazendo leveza ao drama das outras personagens. Jane é aquela irmã que, mesmo quietinha, ganha espaço na narrativa pela sua força tranquila, quase um equilíbrio para a energia de Lizzie.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Visualmente, </span><i><span style="font-weight: 400;">Orgulho e Preconceito</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um deslumbre. A </span><a href="https://youtu.be/5z-0VGxI1x8?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">fotografia</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Roman Osin aposta em luz natural e movimentos de câmera orgânicos, criando uma atmosfera quase etérea. A cena do baile com o plano-sequência que percorre o salão inteiro é um espetáculo de coreografia visual e se tornou obrigatória em qualquer aula de direção cinematográfica. A estética do filme virou referência para produções de época posteriores, da televisão ao cinema. Já os </span><a href="https://youtu.be/0bVXmS20Teg?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">figurinos</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Jacqueline Durran fogem do teatral, com roupas realistas, usadas pelas próprias personagens, o que deixa tudo mais real.  </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Pride &amp; Prejudice | Dancing With Mr. Darcy and Mr. Collins at the Netherfield Ball" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/RPjnatedrm8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://www.billboard.com/music/chart-beat/pride-prejudice-film-soundtrack-charts-20-year-vinyl-1236017371/"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Dario Marianelli, com foco no piano e nas cordas, acompanha os personagens com delicadeza e profundidade. Em vez de apenas preencher o silêncio, a música o potencializa,  revelando tudo o que os personagens estão tentando esconder. A dança entre Elizabeth e Darcy se transforma em um momento quase metafísico, um diálogo silencioso onde cada nota carrega um peso dramático. Não foi à toa que Marianelli recebeu a indicação ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> na categoria de Melhor Trilha Sonora Original pelo trabalho.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre as curiosidades de </span><a href="https://youtu.be/MSNfl2PUFPc?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">bastidores</span></a><span style="font-weight: 400;">, vale lembrar que Joe Wright optou por escalar atrizes e atores mais jovens para o núcleo principal, indo contra o padrão da época, que costumava envelhecer os personagens em adaptações de Austen. Ele também pediu à figurinista Jacqueline Durran que criasse roupas que os atores pudessem vestir sozinhos, para evitar a artificialidade de figurinos históricos. Essas escolhas contribuíram para uma sensação de espontaneidade que poucas adaptações conseguem alcançar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O final do filme também tem uma história curiosa. A versão exibida nos cinemas britânicos – e na maioria dos países (Brasil incluso!) – termina com o Sr. Bennet dando sua benção ao casamento da filha. Já nos Estados Unidos, o longa recebeu um final alternativo: uma cena extra com Lizzie e Darcy trocando carinhos e, finalmente, um beijo. Dependendo da edição que você viu, o desfecho pode ser bem diferente e essa mudança dividiu os fãs na época. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Pride &amp; Prejudice | Completely, Perfectly, Incandescently Happy" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/f4upyq5QztM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de ser um dos nomes mais importantes da literatura inglesa, Jane Austen já teve seus livros adaptados para diversas telas e com resultados bem variados. Títulos como </span><a href="https://personaunesp.com.br/emma-2020-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Emma</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Razão e Sensibilidade</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Persuasão</span></i><span style="font-weight: 400;"> ganharam versões tanto clássicas quanto modernas – sim, </span><a href="https://personaunesp.com.br/as-patricinhas-de-beverly-hills-25-anos-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">As Patricinhas de Beverly Hills</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é baseada em </span><i><span style="font-weight: 400;">Emma</span></i><span style="font-weight: 400;">. Mas nenhuma obra foi tão revisitada quanto </span><i><span style="font-weight: 400;">Orgulho e Preconceito</span></i><span style="font-weight: 400;">. Antes do longa de 2005, a adaptação mais famosa era a minissérie da </span><i><span style="font-weight: 400;">BBC </span></i><span style="font-weight: 400;">de 1995, estrelada por Jennifer Ehle e Colin Firth, que é até hoje um marco para os fãs mais puristas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Comparando as duas, a </span><a href="https://youtu.be/NZKmzkdXPoo?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">minissérie</span></a><span style="font-weight: 400;"> é como uma leitura mais fiel e detalhista do livro. Com quase seis horas de duração, ela recria praticamente tudo o que Austen escreveu, com diálogos textuais, ritmo mais lento e uma ambientação contida. Já a versão de 2005 é feita para ser sentida, não apenas compreendida. Ela condensa a trama, elimina subtramas e aposta em sensações – nos olhares, nos silêncios, nos gestos que falam mais alto do que as palavras. Enquanto a série é uma aula de fidelidade histórica, a produção de Joe Wright é uma experiência emocional e cinematográfica poderosa. E é justamente isso que o torna tão inesquecível. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Duas décadas depois, </span><i><span style="font-weight: 400;">Orgulho e Preconceito</span></i><span style="font-weight: 400;"> continua sendo aquele tipo de filme que você apresenta para alguém especial, assiste em uma tarde chuvosa com cobertor ou coloca na lista de </span><i><span style="font-weight: 400;">comfort movies</span></i><span style="font-weight: 400;"> ao lado de clássicos modernos. Ele provou que </span><a href="https://ew.com/most-romantic-period-movies-11760791"><span style="font-weight: 400;">romance de época</span></a><span style="font-weight: 400;"> pode ser inteligente, bonito, envolvente e, absolutamente, eterno. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Pride &amp; Prejudice (2005) Official Trailer" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/Ur_DIHs92NM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Há 15 anos, o clássico de Jane Austen estreava no cinema com orgulho, mas sem preconceito</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Nov 2020 14:22:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>“É estranho pensar que todas as grandes mulheres da ficção tenham sido, até o advento de Jane Austen, não só retratadas pelo outro sexo, mas apenas de acordo com sua relação com o outro sexo&#8221;.   (Virginia Woolf) Vanessa Marques Orgulho e Preconceito (2005), dirigido por Joe Wright, é a adaptação para o cinema da obra &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/orgulho-e-preconceito-15-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Há 15 anos, o clássico de Jane Austen estreava no cinema com orgulho, mas sem preconceito"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><i>“É estranho pensar que todas as grandes mulheres da ficção tenham sido, até o advento de Jane Austen, não só retratadas pelo outro sexo, mas apenas de acordo com sua relação com o outro sexo&#8221;. </i><i>  (Virginia Woolf)</i></p>
<figure id="attachment_16615" aria-describedby="caption-attachment-16615" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-16615 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/prideandprejudice_97.jpg" alt="Na foto vemos cinco mulheres numa sala, com a protagonista, Elizabeth Bennet, na frente " width="1600" height="1047" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/prideandprejudice_97.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/prideandprejudice_97-300x196.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/prideandprejudice_97-1024x670.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/prideandprejudice_97-768x503.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/prideandprejudice_97-1536x1005.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/prideandprejudice_97-1200x785.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16615" class="wp-caption-text">Da esquerda para a direita: Kitty, Sra. Bennet, Elizabeth, Lydia, Jane e Mary, ao fundo (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><strong>Vanessa Marques</strong></p>
<p><i>Orgulho e Preconceito</i> (2005), dirigido por Joe Wright, é a adaptação para o cinema da obra famosa de Jane Austen. Sob uma capa de aparente inocência, a trama retrata os costumes rígidos e patriarcais da aristocracia rural inglesa do século 19. Estrelado por Keira Knightley (Elizabeth Bennet) e Matthew Macfadyen (Darcy), o longa-metragem, que retornou ao catálogo da <i>Netflix</i> em seu ano de debutante, mergulha o espectador numa estética delicada e sensorial, fruto da tríade indicada ao <i>Oscar</i> — produção, direção de arte e trilha sonora.</p>
<p><span id="more-16611"></span></p>
<p>A família Bennet, composta de cinco irmãs e nenhum filho homem, vive o desprazer de não possuir um herdeiro legítimo, visto que a mulher, pela Lei do Morgadio, não desfrutava do direito à herança. Nesse sentido, o casamento era a única fonte de segurança financeira e estabilidade, de modo que a matriarca Sra. Bennet (Brenda Blethyn) aspira casar suas filhas com rapazes abastados. Assim, a notícia da fixação temporária de Charles Bingley (Simon Woods), homem de posses e solteiro, numa propriedade vizinha aos Bennet, traz certa agitação para a vida pacata da família.</p>
<p>Durante os bailes e demais protocolos sociais, a ingênua Jane Bennet  (Rosamund Pike) captura a afeição imediata do novo morador de Netherfield Park. Na companhia de Bingley, o Sr. Darcy, embora mais endinheirado que o amigo, demonstra uma natureza taciturna e reservada. A primeira aparição do protagonista dá-lhe uma feição excessivamente<i> blasé</i> e arrogante. Logo, a relação dele com Elizabeth, oriunda de uma condição menos privilegiada, nasce entre diversas turbulências, dentre os quais obstáculos internos (orgulhos) e externos (preconceitos sociais).</p>
<figure id="attachment_16616" aria-describedby="caption-attachment-16616" style="width: 2324px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-16616 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/imagem-2-pp.jpg" alt="Na foto vemos oito persoangens numa sala clássica" width="2324" height="1500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/imagem-2-pp.jpg 2324w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/imagem-2-pp-300x194.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/imagem-2-pp-1024x661.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/imagem-2-pp-768x496.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/imagem-2-pp-1536x991.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/imagem-2-pp-2048x1322.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/imagem-2-pp-1200x775.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16616" class="wp-caption-text">O figurino do filme foi criado por Jacqueline Durran, que também assinou os figurinos de <em>Anna Karenina</em> (2012) e <em>Little Women</em> (2019) (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p>Keira Knightley, a mocinha de <i>Piratas do Caribe</i>, interpreta uma protagonista incisiva, perspicaz e contestadora. Elizabeth não partilha das ambições econômicas da progenitora quanto ao matrimônio. Na realidade, ela se prova uma jovem expansiva que não teme expor enfaticamente as suas ideias. Como comenta a esnobe Lady Catherine (Judi Dench), Elizabeth <i>&#8220;dá a própria opinião de forma decisiva para uma pessoa de tão pouca idade”.</i> Com efeito, quando o primo Collins (Tom Hollander) a pede em casamento, Lizzy recusa por enxergar a faceta caricata e pedante daquele homem. O fato de ele ser o único potencial candidato a herdeiro do Sr. Bennet (Donald Sutherland) pouco faz diferença. Ela triunfa ao impor a sua vontade, contrariando a regência patriarcal e a lógica comercial vigente nos acordos matrimoniais.</p>
<p>Embora o romance seja o fio condutor do título original, a autora era particularmente isenta de sentimentalismo. Em seus livros, Austen desenvolveu os casais por meio de diálogos rápidos e mordazes, em oposição ao romantismo exagerado que lhe foi contemporâneo. O <a href="https://youtu.be/NSL55lOwznU">realismo</a>, a ironia e o anti-sentimentalismo pouco são explorados no filme, que destaca a tensão entre os pares opostos, o despertar da paixão repentina e o melodrama. É construído um romance altamente idealizado, desprovido de apelo sexual, que não hesita em esbanjar olhares e declarações profundas de Darcy ao longo do enredo.</p>
<figure id="attachment_16617" aria-describedby="caption-attachment-16617" style="width: 1400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-16617 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/imagem-3-pp.jpg" alt="Na foto vemos ambos os protagonistas juntos ao amanhecer, Darcy e Elizabeth." width="1400" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/imagem-3-pp.jpg 1400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/imagem-3-pp-300x171.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/imagem-3-pp-1024x585.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/imagem-3-pp-768x439.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/imagem-3-pp-1200x686.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16617" class="wp-caption-text">O longa-metragem recebeu quatro indicações ao Oscar 2006 nas categorias Melhor Atriz, Melhor Direção de Arte, Melhor Figurino e Melhor Trilha Sonora (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p>O enfoque atribuído para a narrativa do casal, entretanto, leva ao equívoco comum de se pensar que a obra originária e sua criadora eram decididamente românticas. A escritora, que nunca se casou e introduziu críticas sociais em seus escritos, não era romântica. <a href="https://www.youtube.com/watch?v=SirbSITcT5A">Austen</a> criava personagens femininas complexas e satirizava as contradições e futilidades da aristocracia inglesa. O seu advento, conforme Virginia Woolf reiterou no ensaio <i>Um Teto Todo Seu</i> (1929), permitiu que a ficção universal finalmente conhecesse o protagonismo feminino representado pelas lentes de uma escritora. Austen, portanto, não escreveu um conto de fadas, na verdade, ironizou toda uma classe orgulhosa e decadente, que buscava sustento através de associações amorosas lucrativas.</p>
<p>Num século em que mulheres não produziam manuscritos e sequer recebiam educação fora do âmbito doméstico, Jane Austen publicou o primeiro livro anonimamente, somente com os dizeres<em> “por uma dama”</em>. Dessa maneira, a intelectual deixou <a href="https://medium.com/lado-m/jane-austen-e-o-feminismo-por-que-jane-pode-ser-chamada-de-feminista-4e8c6c108ec5">legado</a> em sua escrita, a partir da concepção de uma heroína espirituosa e avessa aos costumes tradicionais. Em suma, é preciso lembrar que <i>Orgulho e Preconceito</i> não é um romance água com açúcar, mas uma obra que representa o pioneirismo e o olhar crítico de uma mulher que perpassou o <i>status quo</i> de seu tempo.</p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/orgulho-e-preconceito-15-anos/">Há 15 anos, o clássico de Jane Austen estreava no cinema com orgulho, mas sem preconceito</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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