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	<title>Arquivos Pokémon &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Pokémon, de 1996, é a cultura pop japonesa encapsulada</title>
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		<pubDate>Thu, 28 Jul 2016 22:41:40 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Há 20 anos atrás, o primeiro game da série Pokémon fez a façanha de encapsular a cultura pop japonesa em um grande jogo portátil. Adriano Arrigo Os kaijus (“monstros estranhos”, na tradução literal) são monstros gigantescos que habitam o imaginário japonês.  Apesar de serem enormes e com cara (quando tinham cara) de poucos amigos, eram &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/pokemon-1996-cultura-pop-japonesa-encapsulada/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Pokémon, de 1996, é a cultura pop japonesa encapsulada"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Há 20 anos atrás, o primeiro game da série </em>Pokémon<em> fez a façanha de encapsular a cultura pop japonesa em um grande jogo portátil.</em></p>
<figure id="attachment_3409" aria-describedby="caption-attachment-3409" style="width: 300px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-3409" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/07/img1.png" alt="img1" width="300" height="301" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/07/img1.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/07/img1-150x150.png 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/07/img1-299x300.png 299w" sizes="(max-width: 300px) 85vw, 300px" /><figcaption id="caption-attachment-3409" class="wp-caption-text">Capa da versão Vermelha de Pokémon (1996), primeiro jogo da série.</figcaption></figure>
<p><strong>Adriano Arrigo</strong></p>
<p>Os <em>kaijus </em>(“monstros estranhos”, na tradução literal) são monstros gigantescos que habitam o imaginário japonês.  Apesar de serem enormes e com cara (quando tinham cara) de poucos amigos, eram queridos pelas crianças e, em especial, serviam de protetores do povo japonês contra ameaças externas.  Assim, os <em>kaijus </em>podem ser entendidos de duas maneiras: alguns são reflexos metafóricos da ganância humana, como o Hedorah, o monstro que surgiu da poluição emitida pelas indústrias; e, de outra forma, se comportam também como a personificação das forças naturais destrutivas que assolam o Japão desde sempre.</p>
<p><span id="more-3404"></span></p>
<p>Nos meados dos anos 50, os <em>kaijus</em> eram altamente populares devido aos filmes do lagartão radioativo mais querido de todos os tempos, o <em>sr.</em> Godzilla. A despeito dos seus significados quase místicos para o povo japonês, a saga também obteve sucesso graças a técnicas simples (homens vestidos de monstros em meio a maquetes) que possibilitavam a batalha de monstros gigantescos.</p>
<p>Graças a um design de produção invejável para época, Godzilla proporcionou a criação de monstros num nível de imaginação tipicamente japonesa: muitas cores, gosmas escorrendo, fusão entre animais e elementos naturais e, claro, uma anatomia própria e funcional.</p>
<figure id="attachment_3410" aria-describedby="caption-attachment-3410" style="width: 1250px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-3410" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/07/img2.jpg" alt="img2" width="1250" height="1751" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/07/img2.jpg 1250w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/07/img2-214x300.jpg 214w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/07/img2-768x1076.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/07/img2-731x1024.jpg 731w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/07/img2-1200x1681.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-3410" class="wp-caption-text">A estranha anatomia de um Hedorah, o monstro feita da poluição humana</figcaption></figure>
<p>Maior exemplo disso é o arqui-inimigo de Godzilla, o Destoroyah, um <em>daikaiju</em> (&#8220;grande monstro estranho&#8221;, do prefixo dai, que em japonês significa grande) nascido da mutação de um crustáceo da era pré-cambriana que lança raios de micro-oxigênio para destruir seus inimigos.</p>
<figure id="attachment_3411" aria-describedby="caption-attachment-3411" style="width: 1632px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-3411" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/07/img3.png" alt="img3" width="1632" height="332" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/07/img3.png 1632w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/07/img3-300x61.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/07/img3-768x156.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/07/img3-1024x208.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/07/img3-1200x244.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-3411" class="wp-caption-text">Destoroyah, o maior inimigo de Godzilla, guarda semelhanças com os pokémons Armaldo, Drapion e Scolipede</figcaption></figure>
<p>Na década de 70, o Destoroyah e seus tantos parceiros serviram de inspiração para uma pequena coleção de cartas denominadas <em>Pachimons. </em>Os <em>Pachimons </em>foram impressos num baralho desenvolvido por uma empresa de alimentos e contava com 53 monstros diferentes. Obviamente, tornou-se um sucesso no Japão.</p>
<figure id="attachment_3412" aria-describedby="caption-attachment-3412" style="width: 570px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-3412" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/07/img4.png" alt="img4" width="570" height="455" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/07/img4.png 570w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/07/img4-300x239.png 300w" sizes="auto, (max-width: 570px) 85vw, 570px" /><figcaption id="caption-attachment-3412" class="wp-caption-text">Alien Achiira, um monstro do espaço de 15 metros e 9 toneladas tem um biotipo muito parecido com o pokémon Sandshrew</figcaption></figure>
<p>Não podemos afirmar que Satoshi Tajiri, o criador dos pokémons, teve oportunidade de usar o baralho dos <em>Pachimon</em> para jogar, mas há de perceber que há uma estranha afeição entre os japoneses por monstros, independente do tamanho e formato.</p>
<p>Tajiri encapsulou suas ideias de monstro na década de 90 nos jogos da série <em>Pokémon</em>. Encapsulou  literalmente, pois a ideia do jogo é colocar 150 monstros diversos em pequenas capsulas, as <em>pokébolas.</em></p>
<p>O jogo foi vendido em duas versões diferentes, a Azul e a Vermelha, sendo que, certos pokémons somente apareciam em uma dessas versões.</p>
<p>Dessa forma, Pokémon já nasceu fadado ao sucesso: como o povo japonês, que cresceu com seu imaginário povoado com tantos <em>kaijus,</em> poderia resistir ao desafio de colecionar 150 criaturas diferentes em um jogo eletrônico?</p>
<p>Talvez a escolha de lançá-lo em um console (videogame) portátil tenha só aumentado o sucesso; o <em>Game Boy </em>que já era sucesso da já famosa Nintendo, na época estava passando por uma remodelagem que, por ironia, também teria em seu nome a palavra <em>pocket.</em></p>
<figure id="attachment_3413" aria-describedby="caption-attachment-3413" style="width: 576px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-3413" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/07/img5.jpg" alt="img5" width="576" height="432" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/07/img5.jpg 576w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/07/img5-300x225.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 576px) 85vw, 576px" /><figcaption id="caption-attachment-3413" class="wp-caption-text">O console Game Boy Pocket com o jogo Pokémon/Crédito: west_haven, Reedit</figcaption></figure>
<p>Então, em 1996, febre Pokémon se alastrou pelo Japão. Na trama do jogo, você viaja por um continente fictício chamado Kanto que, não por coincidência, também é o nome de uma região japonesa. Com referências diretas ao país de origem, o jogo ultrapassou a pequena tela cinzenta do <em>Game Boy</em> e tomou cores no mundo real. Em 1997, estava inaugurado o primeiro torneiro nacional de <em>Pokémon</em>, com direito a exibição na TV.</p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="【64マリオスタジアム】　ポケモンリーグ" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/jxJSe62I5JQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>Mas para aqueles que não queria traçar uma rota no mundo real, o jogo proporcionava desafios e possibilidades inimagináveis. Além de colecionar os monstros, o jogador poderia colocá-los para batalhar, tal qual os <em>kaijus</em> faziam. Para isso, era necessário uma pequena estratégia que segue uma engenharia muito simples baseada nos elementos naturais (água, fogo, ar, terra, etc),  em que, pela lógica, água apaga o fogo, logo pokémons de água têm vantagem sobre pokémons de fogo, e assim em diante. Não obstante, os três pokémons iniciais representavam os elementos naturais mais comuns, água, fogo e grama, respectivamente Squirtle, Charmander e Bulbasaur.</p>
<p>Nesse sentido, <em>Pokémon </em>empresta outro já famoso jogo tipicamente oriental, o <em>Janken, </em>que todos os ocidentais conheceram como pedra-papel-tesoura ou, ainda mais perto dos brasileiros, o <em>joquempô</em>. <em> </em>O famoso jogo tem origem no jogo <em>Sansukumi-ken</em>. Há três possibilidades: a lesma, o sapo e a cobra. Em Pokémon, temos uma tartaruga, uma lagarto e uma animal semente.</p>
<figure id="attachment_3414" aria-describedby="caption-attachment-3414" style="width: 1472px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-3414" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/07/img6.png" alt="img6" width="1472" height="370" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/07/img6.png 1472w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/07/img6-300x75.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/07/img6-768x193.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/07/img6-1024x257.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/07/img6-1200x302.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-3414" class="wp-caption-text">Ao lado esquerdo, os três pokémons iniciais. Já no lado direito, temos o jogo sansukumi-ken/Crédito: Nintendo, Game Freak</figcaption></figure>
<p>Assim, o “treinador pokémon” deve montar um time equilibrado de habilidades e tipos de pokémon, como todo RPG que se preze. Nisso, o game também toma a engenharia emprestada de jogos clássicos com a saga <em>Dragon Quest </em>(1986) e <em>Wizardy</em> (1981).</p>
<figure id="attachment_3415" aria-describedby="caption-attachment-3415" style="width: 1472px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-3415" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/07/img7.png" alt="img7" width="1472" height="370" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/07/img7.png 1472w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/07/img7-300x75.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/07/img7-768x193.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/07/img7-1024x257.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/07/img7-1200x302.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-3415" class="wp-caption-text">Da esquerda para a direta os jogos Dragon Quest, Wizardy e Pokémon. O sistema de batalha de Pokémon seguiu uma fórmula de sucesso que permanece até os dias atuais/ Créditos: Nintendo, Game Freak</figcaption></figure>
<p>Se não bastassem todos os desafios que o jogo propõem, há um vasto mapa para ser descoberto preenchidos por diversos tipos de textura gráficas que, somada a uma trilha sonora temática para cada lugar em que o jogador está, faz o jogador esquecer que <em>Pokémon</em> é um jogo feito para um console portátil tão limitado quanto o <em>Game Boy</em>. A ambientação criada com a junção desses elementos possibilita uma imersão total em sua pequena tela de 2.9 polegadas que, no limite de sua capacidade, é capaz de acompanhar o clima do jogo paralelamente ao humor do jogador.</p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Lavender Town (Original Japanese Version from Pokemon Red and Green)" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/-sOadAaGiq4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p style="text-align: center;"><em>Além de contém um cenário com cores frias, a cidade assombrada de Lavander exige um tema musical calmo e minimalista, porém com esporádicos ruídos e distorções ao fundo, como se houvessem fantasmas na trilha musical.</em></p>
<p>Fica difícil encontrar um jogo que misturou tantos elementos de uma forma tão divertida e econômica. Porém, em 20 anos de história, Pokémon se desdobrou em diversos enredos sob diversas plataformas, rendendo mais de 50 jogos diferentes, embora muito deles tenham divergido da proposta inicial do primeiro jogo da série.</p>
<p>Após 20 anos, temos hoje o recém-lançado <em>Pokémon Go</em> capaz de trazer ao nosso mundo pokémons reais, pelo menos através da tela do celular. Embora a época seja outra e <em>Pokémon Go</em> é o sonho consumado de diversos treinadores ao redor do mundo, <em>Pokémon</em>, de 1996, será sempre o clássico que maximizou a carga cultural japonesa em seus mínimos detalhes técnicos, históricos e folclóricos. No mais, foi a única chance até então que o mundo teve de experienciar genuinamente como o pequeno Tajiri coletava insetos em seu jardim, em alguém canto do Japão, e guardava-os em pequenas garrafas transparentes.</p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/pokemon-1996-cultura-pop-japonesa-encapsulada/">Pokémon, de 1996, é a cultura pop japonesa encapsulada</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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