<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	
	xmlns:georss="http://www.georss.org/georss"
	xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#"
	>

<channel>
	<title>Arquivos Perto do Coração Selvagem &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<atom:link href="http://personaunesp.com.br/tag/perto-do-coracao-selvagem/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://personaunesp.com.br/tag/perto-do-coracao-selvagem/</link>
	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
	<lastBuildDate>Fri, 03 Dec 2021 22:48:04 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=7.0.4</generator>

<image>
	<url>http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/cropped-icon-certo-cristo-32x32.png</url>
	<title>Arquivos Perto do Coração Selvagem &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<link>http://personaunesp.com.br/tag/perto-do-coracao-selvagem/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
<site xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">119746480</site>	<item>
		<title>A Paixão segundo G.H. é um passeio por nós mesmos</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/a-paixao-segundo-gh-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/a-paixao-segundo-gh-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 03 Dec 2021 22:36:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[1961]]></category>
		<category><![CDATA[A Hora da Estrela]]></category>
		<category><![CDATA[A Metamorfose]]></category>
		<category><![CDATA[A Paixão segundo G.H]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Clarice Lispector]]></category>
		<category><![CDATA[Clube do Livro]]></category>
		<category><![CDATA[Clube do Livro Outubro 2021]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Fleabag]]></category>
		<category><![CDATA[Laços de Família]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Nacional]]></category>
		<category><![CDATA[Livro]]></category>
		<category><![CDATA[Luiz Fernando Carvalho]]></category>
		<category><![CDATA[Maria Fernanda Cândido]]></category>
		<category><![CDATA[Perto do Coração Selvagem]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Romance]]></category>
		<category><![CDATA[Virginia Woolf]]></category>
		<category><![CDATA[Vitória Silva]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=25043</guid>

					<description><![CDATA[<p>Vitória Silva Nascida em 1920, Clarice Lispector é um dos nomes intocáveis da nossa Literatura. A ucraniana, batizada como Haya Pinkhasovna Lispector, chegou ao Brasil aos dois meses de idade, com seus pais de origem judaica que fugiram do país devido à perseguição durante a Guerra Civil Russa. Inicialmente residente em Maceió, em sua infância &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-paixao-segundo-gh-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Paixão segundo G.H. é um passeio por nós mesmos"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/a-paixao-segundo-gh-critica/">A Paixão segundo G.H. é um passeio por nós mesmos</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_25054" aria-describedby="caption-attachment-25054" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-25054" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/wp-gh-800x420.jpg" alt="A imagem é uma arte com fundo vermelho com a capa do livro A Paixão segundo G.H. ao centro e um selo escrito Clube do Livro Persona no canto direito inferior e o logo do Persona no canto esquerdo superior. A capa tem um fundo na cor creme com linhas de distorção, é possível ver no canto superior direito dunas de areia e edifícios que remetem à arquitetura árabe. Abaixo, está escrito Clarice Lispector em letra cursiva e na cor vermelha e o título do livro em caixa alta e na cor bege. No canto inferior esquerdo, abaixo do título, há o desenho de uma moça branca, com cabelos castanhos longos presos em um rabo de cavalo baixo; ela veste uma blusa azul clara de mangas compridas. " width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/wp-gh-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/wp-gh-768x404.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/wp-gh.jpg 1024w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25054" class="wp-caption-text">Com 165 páginas, A Paixão segundo G.H. foi a primeira leitura do Clube do Livro do Persona (Foto: Reprodução/Arte: Jho Brunhara)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitória Silva</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nascida em 1920, </span><a href="https://www.ebiografia.com/clarice_lispector/"><span style="font-weight: 400;">Clarice Lispector</span></a><span style="font-weight: 400;"> é um dos </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-55251307"><span style="font-weight: 400;">nomes intocáveis</span></a><span style="font-weight: 400;"> da nossa Literatura. A ucraniana, batizada como Haya Pinkhasovna Lispector, chegou ao Brasil aos dois meses de idade, com seus pais de origem judaica que fugiram do país devido à perseguição durante a Guerra Civil Russa. Inicialmente residente em Maceió, em sua infância e pré-adolescência, a autora passou por Recife e pelo Rio de Janeiro, e, por onde trilhava seu caminho, carregava consigo sua paixão pelos livros. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após ingressar na Faculdade Nacional de Direito, em 1941, trabalhou como redatora da Agência Nacional e, posteriormente, do jornal</span><i><span style="font-weight: 400;"> A Noite</span></i><span style="font-weight: 400;">, dando seus primeiros passos no universo da escrita. Não demorou muito para que mergulhasse de vez nele, e publicou seu primeiro romance em 1944, com o título</span> <a href="https://site.claricelispector.ims.com.br/livro/perto-do-coracao-selvagem/"><i><span style="font-weight: 400;">Perto do Coração Selvagem</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A obra estreante retrata uma perspectiva sobre o período da adolescência e, logo de cara, fez com que Clarice abrisse novos horizontes na Literatura nacional. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quebrando todo e qualquer paradigma literário da época, Lispector abandona noções de ordem cronológica e funde um lirismo único a sua forma de representar ações e emoções humanas, traços que se tornaram mais do que característicos de toda a sua carreira. Não à toa, a produção foi agraciada pelo Prêmio Graça Aranha, e, mais tarde, a autora colecionaria outros títulos de referência, como</span> <a href="https://site.claricelispector.ims.com.br/livro/lacos-de-familia/"><i><span style="font-weight: 400;">Laços de Família</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1960) e </span><a href="https://site.claricelispector.ims.com.br/livro/a-hora-da-estrela/"><i><span style="font-weight: 400;">A Hora da Estrela </span></i></a><span style="font-weight: 400;">(1977), em que este último ainda ganhou uma </span><a href="https://www.adorocinema.com/filmes/filme-15146/"><span style="font-weight: 400;">adaptação para as telonas</span></a><span style="font-weight: 400;">, em 1985.</span></p>
<p><span id="more-25043"></span></p>
<figure id="attachment_25044" aria-describedby="caption-attachment-25044" style="width: 800px" class="wp-caption alignleft"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-25044" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-2-800x523.jpg" alt="A imagem é uma foto em preto e branco da escritora Clarice Lispector. Nela, Clarice está sentada em um sofá com as pernas cruzadas e os braços abertos. Ao seu lado esquerdo, ela acaricia um cachorro, e no direito, segura um cigarro entre os dedos. Clarice era uma mulher branca, de cabelos curtos e lisos, ela veste um vestido com mangas compridas e usa um colar de pérolas em seu pescoço." width="800" height="523" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-2-800x523.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-2-768x502.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-2.jpg 1024w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25044" class="wp-caption-text">Clarice Lispector publicou 18 livros, entre romances, contos e crônicas (Foto: Arquivo Pessoal)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">A Paixão segundo G.H.</span></i><span style="font-weight: 400;"> nasce em 1961. Uma das produções menos chamativas de toda a sua obra, mas que, de forma subestimada, carrega uma das viagens mais acalentadoras que Clarice conseguiu nos deixar em vida. Ambientada num apartamento no Rio de Janeiro, a história segue a narradora-protagonista, e única personagem, caracterizada pelas iniciais presentes no livro (se é que pode-se afirmar que essas letras dizem respeito a ela). Pertencente à classe alta, após demitir sua empregada, ela decide organizar o quarto da mesma.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao exercer o que parece ser uma tarefa simples e comum, e mais do que rotineira para qualquer um, a protagonista desencadeia uma série de reflexões, enquanto também se depara com a insignificância que a funcionária tinha para ela até o momento. Sem demais componentes atuando, a narrativa é uma imersão no seu próprio pensar, em que a solidão da atividade desempenhada leva a um diálogo com si própria. A estrutura textual evidencia o fluxo de pensamento, com capítulos que não possuem títulos ou marcações numéricas, mas se iniciam com a mesma sentença que encerrou o anterior, ilustrando sublimemente a constância da reflexão humana. </span></p>
<figure id="attachment_25045" aria-describedby="caption-attachment-25045" style="width: 768px" class="wp-caption alignleft"><img decoding="async" class="size-full wp-image-25045" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-3.jpg" alt="A imagem é uma cena do filme A paixão segundo G.H.. Nela, é possível ver o reflexo da atriz Maria Fernanda Cândido em um espelho em formato redondo. Ela está virada de perfil e com as palmas das mãos levantadas próximas ao seu queixo. Maria é uma mulher branca, com cabelos castanhos presos em um coque alto bagunçado. Ela veste uma blusa branca de mangas compridas e usa brinco em sua orelha. " width="768" height="512" /><figcaption id="caption-attachment-25045" class="wp-caption-text">Em 2020, a obra foi adaptada para o Cinema, com direção de Luiz Fernando Carvalho e protagonizada por Maria Fernanda Cândido (Foto: Paris Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de não trazer nenhum personagem dialogável, se precisássemos eleger uma espécie de antagonista em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Paixão segundo G.H.,</span></i><span style="font-weight: 400;"> com certeza, seria a barata. Ao arrumar o armário do quarto, a protagonista se depara com o inseto, e, no comum ato de esmagá-la, aprofunda-se ainda mais em uma viagem que transcende o tempo e o espaço de sua memória.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Meu ciclo era completo: o que eu vivia no presente já se condicionava para que eu pudesse posteriormente me entender. Um olho vigiava a minha vida. A esse olho ora provavelmente eu chamava de verdade, ora de moral, ora de lei humana, ora de Deus, ora de mim. Eu vivia mais dentro de um espelho. Dois minutos depois de nascer eu já havia perdido as minhas origens.”</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">O monólogo interior gerado pela autora ecoa questionamentos psicológicos da personagem, ao passo que dialoga com obras da também genial </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2018/01/25/cultura/1516835051_025456.html"><span style="font-weight: 400;">Virginia Woolf</span></a><span style="font-weight: 400;"> e nos faz pensar se Lispector não seria capaz de ter escrito </span><a href="https://personaunesp.com.br/fleabag-2a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Fleabag</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">nos dias atuais. Sempre se apoiando muito em metáforas, a ucraniana ainda domina as palavras com a maior leveza e facilidade possíveis, conduzindo-as de maneira a traduzir sentimentos dos mais banais, mas que acendem uma luz na mente de quem lê: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Detalhadamente não sendo, eu me provava que — que eu era”</span></i><span style="font-weight: 400;">; </span><i><span style="font-weight: 400;">“Solidão é ter apenas o destino humano. E solidão é não precisar”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_25046" aria-describedby="caption-attachment-25046" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-25046" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-4-800x450.jpg" alt="A imagem é uma foto da escritora Clarice Lispector. Nela, Clarice está sentada de lado em frente a uma estante de livros. Clarice era uma mulher branca, de cabelos castanhos claros, curtos e lisos. Ela veste um vestido vermelho de mangas compridas com detalhes pretos espalhados, e usa braceletes nos dois pulsos. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-4.jpg 976w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25046" class="wp-caption-text">“Amor é quando não se dá nome à identidade das coisas?” (Foto: Editora Rocco/Divulgação)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Perdida em seus próprios pensamentos, volta e meia a protagonista retorna para a realidade e seu conflito em relação à barata. O clímax de <em>A Paixão segundo G.H.</em> se dá de forma um tanto inesperada, quando, ao inseto expelir um líquido branco, a narradora decide engoli-lo, entrando em total estado de epifania. Ingerir um dos bichos mais asquerosos presentes na superfície terrestre causa uma autorevelação, em um ato perfeitamente simbólico. A mesma figura da barata também é subentendidamente retratada em </span><a href="https://www.culturagenial.com/livro-a-metamorfose-de-franz-kafka/"><i><span style="font-weight: 400;">A Metamorfose</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1915), de Franz Kafka, que aborda sobre a perda da dignidade humana e caminha de mãos dadas com o presente romance, tendo até seu título ressoado nas entrelinhas. </span><i><span style="font-weight: 400;">“É uma metamorfose em que eu perco tudo o que eu tinha, e o que eu tinha era eu — só tenho o que eu sou”.</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem um desfecho necessário para uma obra que percorre o mais íntimo do ser humano sem nem precisar sair das paredes de um apartamento, a protagonista não alcança uma devida conclusão. </span><i><span style="font-weight: 400;">A Paixão segundo G.H.</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem como ponto de chegada o mesmo de sua partida, com questionamentos sem resposta para essa personagem sem rosto e sem nome, na forma mais poética que alguém poderia pensar para retratar a essência daqueles de </span><i><span style="font-weight: 400;">alma já formada</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ainda bem que tivemos uma Clarice Lispector para fazer isso. </span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/a-paixao-segundo-gh-critica/">A Paixão segundo G.H. é um passeio por nós mesmos</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/a-paixao-segundo-gh-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">25043</post-id>	</item>
	</channel>
</rss>
