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	<title>Arquivos Pedro Yoshimatu &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Os Fabelmans pensa no passado pela sensibilidade de seu próprio diretor</title>
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		<pubDate>Mon, 27 Feb 2023 21:55:42 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Pedro Yoshimatu O desafio de contar uma história é repleto de decisões difíceis, e o de contar a sua própria é um desafio ainda maior. Essa é, no entanto, é a tarefa de Steven Spielberg em seu novo filme, Os Fabelmans, uma semi-autobiografia que utiliza de elementos narrativos fictícios para refletir na própria relação do &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/os-fabelmans-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os Fabelmans pensa no passado pela sensibilidade de seu próprio diretor"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29985" aria-describedby="caption-attachment-29985" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-29985" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem1-800x450.jpeg" alt="Cena do filme Os Fabelmans. Gabriel LaBelle, que interpreta o jovem Sammy Fabelman, é um jovem branco com cabelos castanhos utilizando uma camisa xadrez e observando o visor de uma câmera. A cena ocorre durante o dia, com um cenário desértico ao fundo." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem1-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem1-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem1-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem1-1200x675.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem1.jpeg 1280w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29985" class="wp-caption-text">Os Fabelmans, a nova produção de Steven Spielberg, coloca a vida do cineasta no centro da trama (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Pedro Yoshimatu</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O desafio de contar uma história é repleto de decisões difíceis, e o de contar a sua própria é um desafio ainda maior. Essa é, no entanto, é a tarefa de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/steven-spielberg/"><span style="font-weight: 400;">Steven Spielberg</span></a><span style="font-weight: 400;"> em seu novo filme, </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Fabelmans</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma semi-autobiografia que utiliza de elementos narrativos fictícios para refletir na própria relação do diretor com a sua narrativa pessoal, sua família e sua paixão pelo Cinema.</span></p>
<p><span id="more-29984"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na obra, acompanhamos a história de Sammy Fabelman (Mateo Zoryan, durante a infância, e Gabriel LaBelle ao longo da trama), que se apaixona pela Sétima Arte após assistir uma exibição de </span><a href="https://cinemaemcena.com.br/critica/filme/6900/o-maior-espetaculo-da-terra"><i><span style="font-weight: 400;">O Maior Espetáculo da Terra</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, um drama épico de 1952 dirigido por Cecil B. DeMille. O protagonista, inicialmente receoso sobre a experiência, assiste o filme com seus pais e tenta replicar uma cena particularmente impactante com um trem em miniatura e a câmera da família. Sua mãe Mitzi (Michelle Williams), uma pianista e entusiasta das artes, entende logo de início a sensibilidade e a paixão de seu filho pelo Cinema. Seu pai Burt (Paul Dano), no entanto, é um pragmático engenheiro que tem dificuldade em considerar tais interesses como algo mais do que um hobby.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe class="youtube-player" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/3PlX5uD3LYI?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-BR&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent" allowfullscreen="true" style="border:0;" sandbox="allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox"></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa tensão entre paixão e pragmatismo é uma constante na vida familiar dos Fabelmans. Um elemento importante no desenvolvimento da narrativa é quando o tio de Sammy (Judd Hirsch), um antigo profissional dos circos e do cinema, visita a família e traz junto à sua excêntrica personalidade uma visão intrigante — ao mesmo tempo que problemática e marcada pela dor — do que é a </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/colunas/roberto-sadovski/2023/01/12/os-fabelmans-spielberg-revisita-suas-origens-em-carta-de-amor-ao-cinema.htm"><span style="font-weight: 400;">arte</span></a><span style="font-weight: 400;">, a paixão individual de cada um e como ter um chamado pode causar muita separação entre seus entes queridos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os eventos na vida pessoal de Sammy progridem e acompanhamos alguns eventos dramáticos no desenvolvimento da história: após uma viagem de acampamento, o patriarca da família pede a seu filho que produza um registro da excursão, com o intuito de elevar os ânimos de Mitzi após o falecimento de sua mãe. É durante a edição e montagem do filme que o protagonista percebe uma relação muito afetuosa entre sua mãe e o melhor amigo de seu pai, o engenheiro Bennie (Seth Rogen), que gera atritos entre os Fabelmans e eventualmente leva a um divórcio dos pais. Muitos desses eventos têm contrapartidas reais na </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2023/01/14/o-que-e-verdade-e-o-que-e-ficao-em-os-fabelmans.htm"><span style="font-weight: 400;">biografia de Spielberg</span></a><span style="font-weight: 400;">, que utiliza da narrativa como forma de compreender e dialogar com seu próprio passado.</span></p>
<figure id="attachment_29986" aria-describedby="caption-attachment-29986" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-29986" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem2-800x533.jpg" alt="Cena do filme Os Fabelmans. Judd Hirsch, que interpreta o tio Boris, é um idoso branco com barbas e cabelos grisalhos, que observa seu sobrinho-neto Sammy com ambos sentados em uma mesa de jantar com toalha azul. Boris utiliza uma camisa social, com colete marrom e gravata, enquanto Sammy está de costas utilizando uma camisa marrom." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem2-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem2-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem2-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem2-1200x800.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem2.jpg 2048w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29986" class="wp-caption-text">Boris, o tio de Sammy, é visto como um mau agouro para a família (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa adentra em diversos debates interessantes da vida do diretor, como sua experiência com o </span><a href="https://exame.com/mundo/judeus-ainda-enfrentam-antissemitismo-diz-steven-spielberg/"><span style="font-weight: 400;">antissemitismo</span></a><span style="font-weight: 400;">, o desenvolver inicial de sua vida amorosa na adolescência e o papel do Cinema na sua personalidade e relações pessoais. Quando Sammy é convidado a dirigir um filme sobre uma excursão escolar para a praia, ele encontra seu protagonista em um dos seus principais </span><i><span style="font-weight: 400;">bullies</span></i><span style="font-weight: 400;">, o atleta Logan (Sam Rechner). Após a exibição da produção, Logan confronta Sammy sobre o motivo pelo qual ele havia sido retratado de maneira tão positiva quando atormentava o garoto de tantas formas; o jovem diretor hesita na resposta, dizendo que a decisão tornaria seu filme melhor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A sequência final de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Fabelmans — </span></i><span style="font-weight: 400;">título original da semi-autobiografia —  mostra um Sammy mais velho, em crise pelas dificuldades de se inserir no mercado cinematográfico. Ao ser convidado para uma entrevista de emprego, ele recebe a oportunidade de conhecer o lendário diretor </span><a href="https://www.austinfilm.org/2014/12/wheres-the-horizon-when-15-year-old-steven-spielberg-met-john-ford/"><span style="font-weight: 400;">John Ford</span></a><span style="font-weight: 400;"> (David Lynch), uma grande influência pessoal de Spielberg, que de fato o conhecera em sua juventude. Ford dá uma aula ao jovem utilizando duas pinturas em seu escritório, afirmando que uma cena pode ser interessante quando o horizonte se encontra acima ou abaixo da imagem, mas nunca ao centro. Toda a montagem, conduzida por </span><a href="https://www.thewrap.com/the-fabelmans-steven-spielberg-film-editors-interview/"><span style="font-weight: 400;">Michael Khan</span></a><span style="font-weight: 400;">, é uma experiência interessante de metalinguística, contrapondo o papel narrativo do diretor experiente com a própria linguagem do filme.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O estilo narrativo do novo longa de Steven Spielberg é muito compatível com a maneira como o diretor está acostumado a contar histórias, como nas </span><a href="https://personaunesp.com.br/oscar-2022-cerimonia-artigo/"><span style="font-weight: 400;">premiadas</span></a><span style="font-weight: 400;"> paixões de uma Nova Iorque repleta de gangues em </span><a href="https://personaunesp.com.br/amor-sublime-amor-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Amor, Sublime Amor</span></i></a><span style="font-weight: 400;">: um protagonista comum, de fácil  identificação com o público e que  perpassa e lida com  problemas sociais dentro de suas próprias limitações humanas. A tradução  desse estilo para uma narrativa de acontecimentos semi autobiográficos é o grande desafio em </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Fabelmans </span></i><span style="font-weight: 400;">que</span><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> aguardado por </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/movies/movie-features/steven-spielberg-paul-dano-michelle-williams-interview-the-fabelmans-1235253097/"><span style="font-weight: 400;">muitos anos</span></a><span style="font-weight: 400;">, é concluído com o sincero tom autoral marcante da </span><a href="https://www.central3.com.br/filmografando-a-carreira-de-steven-spielberg/"><span style="font-weight: 400;">filmografia</span></a><span style="font-weight: 400;"> do cineasta.</span></p>
<figure id="attachment_29987" aria-describedby="caption-attachment-29987" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-29987" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem3-800x430.jpeg" alt="Cena do filme Os Fabelmans. David Lynch, que interpreta o diretor John Ford, é um idoso branco que usa óculos com um tapa-olho sobreposto, e veste um casaco e um boné verdes. Ele está em seu escritório, acendendo um charuto com um fósforo." width="800" height="430" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem3-800x430.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem3-1024x551.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem3-768x413.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem3-1536x827.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem3-1200x646.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem3.jpeg 2048w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29987" class="wp-caption-text">David Lynch interpreta o mitológico John Ford, que serviu de mentor para Spielberg (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Recipiente do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/globo-de-ouro/"><span style="font-weight: 400;">Globo de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;"> para Melhor Filme de Drama, o longa utiliza dos aspectos autobiográficos de seu diretor para traçar uma narrativa cativante sobre equilíbrio entre ambições e relações pessoais, ao mesmo tempo que usa de sua base familiar para construir personagens muito interessantes e fascinantes. </span><a href="https://www.omelete.com.br/webstories/paul-dano-essencial/"><span style="font-weight: 400;">Paul Dano</span></a><span style="font-weight: 400;"> se destaca, retratando um Burt Fabelman apaixonado por sua família, mas conservador em seus modos, com uma dificuldade profunda de entender os desejos de sua esposa e de seus filhos. Além disso, Judd Hirsch e Michelle Williams também foram agraciados com nomeações na premiação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2023/"><span style="font-weight: 400;">Oscars 2023</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Fabelmans </span></i><span style="font-weight: 400;">foi indicado a sete categorias, incluindo a de Melhor Filme, mas também de Melhor Diretor, para Steven Spielberg, Melhor Roteiro Original, para Spielberg e Tony Kushner, Melhor Atriz, para Michelle Williams, Melhor Ator Coadjuvante, para Judd Hirsch, Melhor Trilha Sonora, para </span><a href="https://www.omelete.com.br/oscar/john-williams-recorde-idade"><span style="font-weight: 400;">John Williams</span></a><span style="font-weight: 400;">, e Melhor Design de Produção, para Rick Carter e Karen O’Hara. A história é um retrato complexo da relação de um autor com sua criação, sua personalidade, seus anseios e suas aspirações. O consagrado diretor utiliza de sua constatada experiência na arte de contar histórias para ser bem-sucedido, de maneira elegante, em um desafio muito pessoal: o de narrar a sua própria.</span></p>
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		<title>A face por trás de Confissões de uma máscara</title>
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		<pubDate>Fri, 08 Jul 2022 17:06:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Pedro Yoshimatu “Pressenti então que neste mundo há um tipo de desejo semelhante à dor pungente. ‘Quero me transformar nele’ foi a vontade que me sufocou ao olhar para aquele rapaz todo sujo: ‘Quero ser ele’”. Publicado no Japão em 1949 pelo aclamado autor Yukio Mishima, Confissões de uma máscara é um interessante retrato de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/confissoes-de-uma-mascara-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A face por trás de Confissões de uma máscara"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28125" aria-describedby="caption-attachment-28125" style="width: 666px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28125 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem1-666x1024.jpg" alt="Capa do livro Confissões de uma máscara, do autor Yukio Mishima, retratando um leque sobre um fundo azul com o título e o nome do autor ao centro" width="666" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem1-666x1024.jpg 666w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem1-521x800.jpg 521w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem1-768x1180.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem1-1000x1536.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem1-1333x2048.jpg 1333w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem1-1200x1844.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem1.jpg 1666w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28125" class="wp-caption-text">De maneira bastante intimista, Confissões de uma máscara explora temas de autoconhecimento e rejeição (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Pedro Yoshimatu</b></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Pressenti então que neste mundo há um tipo de desejo semelhante à dor pungente. ‘Quero me transformar nele’ foi a vontade que me sufocou ao olhar para aquele rapaz todo sujo: ‘Quero </span><span style="font-weight: 400;">ser </span><span style="font-weight: 400;">ele’”.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Publicado no Japão em 1949 pelo aclamado autor Yukio Mishima, </span><a href="https://www.amazon.com.br/Confiss%C3%B5es-uma-m%C3%A1scara-Yukio-Mishima/dp/8535904794"><i><span style="font-weight: 400;">Confissões de uma máscara</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um interessante retrato de muitas crises. A crise de seu protagonista, certamente &#8211; Koo-chan é um jovem em processo de descoberta da sua própria homossexualidade, em constante conflito com suas crenças pessoais sobre honra, valor próprio e masculinidade -, como também a crise de seu contexto histórico, marcado pela ideologia militarista do Japão Imperial e uma herança cultural em processo de transição e ressignificação. Mas é, principalmente, um livro sobre as crises de seu próprio autor, marcado pelo tom quase biográfico, uma sincera proximidade com o leitor na prosa e uma percepção bastante honesta sobre os dilemas enfrentados por um jovem LGBTQIA+ num período de grande repressão social.</span></p>
<p><span id="more-28124"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O livro segue a história de vida de seu protagonista, desde as particularidades de seu nascimento, passando pelas primeiras memórias de infância e experiências com a puberdade, até sua idade adulta. Nela, o personagem principal se vê em meio a um cenário politicamente tenso e socialmente conturbado, com o horror da guerra pairando sobre todos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa decisão narrativa dá à trama uma cadência natural, espelhando-se, muitas vezes, em episódios da própria </span><a href="https://www.fnac.pt/Yukio-Mishima/ia99849/biografia"><span style="font-weight: 400;">vida pessoal do autor</span></a><span style="font-weight: 400;">; Koo-chan, o protagonista, tem seu nome inspirado no diminutivo de “Kimitake”, o nome de nascimento por trás do pseudônimo Yukio Mishima. Os temas de descoberta de si mesmo enquanto LGBTQIA+ perpassam esses cenários mais históricos, mas também possuem profundidade no percurso humano do próprio protagonista.</span></p>
<figure id="attachment_28126" aria-describedby="caption-attachment-28126" style="width: 632px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28126 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem2-632x1024.jpg" alt="Yukio Mishima segurando um microfone enquanto discursa em um palanque, em frente a um quadro negro, com uma expressão austera" width="632" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem2-632x1024.jpg 632w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem2-494x800.jpg 494w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem2-768x1244.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem2-948x1536.jpg 948w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem2.jpg 1000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28126" class="wp-caption-text">Mishima teve muito participação enquanto figura pública na política japonesa, muitas vezes de maneira controversa (Foto: Shinchosha/Japan Forward)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É interessante pensar em como a </span><a href="https://revistas2.uepg.br/index.php/uniletras/article/view/5260"><span style="font-weight: 400;">temática e o estilo narrativo de Mishima</span></a><span style="font-weight: 400;"> se articulam. Uma questão levantada desde o início do livro é o físico do protagonista, considerado longe do modelo tido como adequado ao seu redor. Num contexto em que a masculinidade é vista como algo austero, rígido e militarizado, Koo-chan encontra grandes dificuldades em se perceber como reflexo desse ideal inalcançável. Em contrapartida, Koo-chan venera as imagens pertencentes ao tipo de masculinidade que lhe é imposto; suas primeiras experiências de atração sexual são de contemplação quase platônica de homens com corpos esbeltos e que demonstram se encaixar nesse rígido modelo de beleza e autoaceitação. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um paradoxo instigante é proposto durante a sua infância: Koo-chan idealiza e se sente atraído pela imagem de um cavaleiro ocidental, vestido em uma resplandecente armadura e demonstrando, com grande ênfase, todos os </span><a href="https://www.scielo.br/j/pcp/a/7ftQZzgJTGcvJmzWDv7gD5d/?lang=pt"><span style="font-weight: 400;">valores masculinos</span></a><span style="font-weight: 400;"> repassados pela sociedade em seu entorno. Tal atração é posta em cheque quando uma de suas babás revela que o cavaleiro é, na verdade, Joana d’Arc, e a ideia de que uma mulher poderia utilizar vestes consideradas masculinas e desempenhar valores idealizados enoja e confunde o protagonista.</span></p>
<figure id="attachment_28127" aria-describedby="caption-attachment-28127" style="width: 720px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28127 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem3.jpg" alt="O autor Yukio Mishima sorri sem camisa sentado em um balcão, enquanto veste uma calça branca e revela o seu porte físico" width="720" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem3.jpg 720w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem3-640x800.jpg 640w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28127" class="wp-caption-text">O autor trabalhou, em seus textos e em sua vida pessoal, a questão do físico e o esforço para se adequar a um padrão (Foto: Getty Images)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 1970, Yukio Mishima cometeu suicídio, após uma tentativa de golpe no governo estabelecido depois da Segunda Guerra Mundial. O método escolhido é reflexo de seu percurso em vida: o autor optou por cometer </span><a href="https://super.abril.com.br/mundo-estranho/como-era-um-ritual-de-seppuku-em-que-o-samurai-se-matava/"><i><span style="font-weight: 400;">seppuku</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o ritual tradicional de suicídio do código de honra dos samurais. Mishima foi um grande crítico de uma ocidentalização do Japão, e um fervente crítico de ideologias estrangeiras se expandindo em seu país natal. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, seu contexto social é o da intensa ressignificação da identidade nacional, e nesse sentido o autor se apega a elementos fundacionais da cultura japonesa como âncoras culturais (sobretudo a tradição xintoísta, a sacralização do Imperador enquanto figura política e a valorização de ideias militares tradicionais). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com tradução de Jaqueline Nabeta, </span><i><span style="font-weight: 400;">Confissões de uma máscara</span></i><span style="font-weight: 400;"> permite ao leitor interessado observar mais de perto os detalhes de uma mente literária imersa em muitos conflitos, assim como seus dispositivos para administrar as crises internas e externas. Mais do que uma leitura recomendada para todos os interessados em </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/lgbtqia/"><span style="font-weight: 400;">questões LGBTQIA+</span></a><span style="font-weight: 400;">, o livro debate sobre os conflitos inerentes a processos de transição, e aponta com maestria para a </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/literatura-japonesa/"><span style="font-weight: 400;">Literatura japonesa</span></a><span style="font-weight: 400;"> do século XX.</span></p>
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