<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	
	xmlns:georss="http://www.georss.org/georss"
	xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#"
	>

<channel>
	<title>Arquivos Patricia Clarkson &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<atom:link href="http://personaunesp.com.br/tag/patricia-clarkson/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/patricia-clarkson/</link>
	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
	<lastBuildDate>Tue, 25 Jan 2022 17:57:43 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9.4</generator>

<image>
	<url>http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/cropped-icon-certo-cristo-32x32.png</url>
	<title>Arquivos Patricia Clarkson &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/patricia-clarkson/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
<site xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">119746480</site>	<item>
		<title>Uma celebração dos 50 anos de Gillian Flynn e de suas mulheres perturbadoras</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/gillian-flynn-50-anos/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/gillian-flynn-50-anos/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Feb 2021 03:38:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Séries]]></category>
		<category><![CDATA[Televisão]]></category>
		<category><![CDATA[50 anos]]></category>
		<category><![CDATA[Amy Adams]]></category>
		<category><![CDATA[Amy Dunne]]></category>
		<category><![CDATA[Aniversário]]></category>
		<category><![CDATA[Anniversary]]></category>
		<category><![CDATA[Ben Affleck]]></category>
		<category><![CDATA[Birthday]]></category>
		<category><![CDATA[Carol Dalla Vecchia]]></category>
		<category><![CDATA[Charlize Theron]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Dark Places]]></category>
		<category><![CDATA[David Fincher]]></category>
		<category><![CDATA[Edgar Award]]></category>
		<category><![CDATA[Eliza Scanlen]]></category>
		<category><![CDATA[Garota Exemplar]]></category>
		<category><![CDATA[Gillian Flynn]]></category>
		<category><![CDATA[Gone Girl]]></category>
		<category><![CDATA[HBO]]></category>
		<category><![CDATA[Layla de Oliveira]]></category>
		<category><![CDATA[Lugares Escuros]]></category>
		<category><![CDATA[Nick Dunne]]></category>
		<category><![CDATA[O Adulto]]></category>
		<category><![CDATA[Objetos Cortantes]]></category>
		<category><![CDATA[Patricia Clarkson]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Rosamund Pike]]></category>
		<category><![CDATA[Série]]></category>
		<category><![CDATA[Sharp Objects]]></category>
		<category><![CDATA[The Grownup]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://personaunesp.com.br/?p=18595</guid>

					<description><![CDATA[<p>Carol Dalla Vecchia e Layla de Oliveira  “Eu estou falando de mulheres violentas, perversas. Mulheres sinistras. Não me diga que você não conhece algumas”. Com dificuldades de se enturmar por conta de sua timidez, a jovem Gillian Flynn encontrou uma fuga na leitura e na escrita, o que a levou a cursar Jornalismo na Universidade &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/gillian-flynn-50-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Uma celebração dos 50 anos de Gillian Flynn e de suas mulheres perturbadoras"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/gillian-flynn-50-anos/">Uma celebração dos 50 anos de Gillian Flynn e de suas mulheres perturbadoras</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_18596" aria-describedby="caption-attachment-18596" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-18596" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-1-2.jpg" alt="Foto em preto e branco da autora Gillian Flynn. Ela é uma mulher de 50 anos branca com cabelos castanhos na altura do ombro, usando um longo vestido branco sem mangas. Gillian Flynn está sentada em uma poltrona de vime, com as mãos entrelaçadas e algumas plantas no fundo. Olha diretamente para a câmera, e está sorrindo sem mostrar os dentes." width="1600" height="903" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-1-2.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-1-2-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-1-2-1024x578.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-1-2-768x433.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-1-2-1536x867.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-1-2-1200x677.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18596" class="wp-caption-text">&#8220;É uma fascinação minha: assassinato, traição, vingança, engano, loucura — todas as minhas coisas favoritas” (Foto: M. Spencer Green)</figcaption></figure>
<p><b>Carol Dalla Vecchia e Layla de Oliveira </b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“Eu estou falando de mulheres violentas, perversas. Mulheres sinistras. Não me diga que você não conhece algumas”. </span></i><span style="font-weight: 400;">Com dificuldades de se enturmar por conta de sua timidez, a jovem </span><a href="https://www.gillian-flynn.com/"><span style="font-weight: 400;">Gillian Flynn</span></a><span style="font-weight: 400;"> encontrou uma fuga na leitura e na escrita, o que a levou a cursar Jornalismo na Universidade do Kansas (KU). Uma vez formada, ela planejava se tornar repórter policial, no entanto, percebeu que era desajeitada para o ramo criminal por querer que toda história tivesse um começo, meio e fim. Assim, começou a trabalhar na </span><a href="https://ew.com/author/gillian-flynn/"><i><span style="font-weight: 400;">Entertainment Weekly</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, escrevendo críticas de cinema e TV por dez anos.</span></p>
<p><span id="more-18595"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dedicar-se à avaliação de obras ficcionais trouxe duas percepções para Flynn. A primeira é que mesmo sendo revigorante trabalhar com histórias novas todas as semanas, isso não supriu sua necessidade de</span><i><span style="font-weight: 400;"> “construir um mundo e viver nele por um tempo&#8221;.</span></i><span style="font-weight: 400;"> A segunda é que ao analisar tantos materiais, ela percebeu que eram </span><a href="https://time.com/5050757/gillian-flynn-on-women-speaking-out-sexual-harassment/"><span style="font-weight: 400;">todas narrativas sobre homens</span></a><span style="font-weight: 400;">, e que uma forma de mudar esse quadro era escrevendo seus próprios romances. Segundo ela, todos retratavam </span><i><span style="font-weight: 400;">“homens brutais, presos em ciclos de agressão. Eu queria escrever sobre a violência de mulheres. Então eu fiz”.</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Hoje, 24 de fevereiro, Gillian Flynn está completando 50 anos e duvidamos muito que exista arrependimento em relação às mudanças que fez em sua carreira: seus </span><a href="https://www.intrinseca.com.br/autor/147/"><span style="font-weight: 400;">livros</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/as-viuvas"><span style="font-weight: 400;">produtos audiovisuais</span></a><span style="font-weight: 400;"> conquistaram milhões de fãs ao redor do mundo. Um feito que merece ser comemorado nesse dia especial, nem que seja com texto para homenagear sua trajetória literária e justificar nossa reverência à autora. </span></p>
<figure id="attachment_18597" aria-describedby="caption-attachment-18597" style="width: 720px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-18597" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-2-2.jpg" alt="Foto da autora Gillian Flynn, uma mulher de 50 anos branca com cabelos castanhos na altura do ombro. A autora está com os cabelos cobertos de neve, usando óculos com armação marrom, fones de ouvido brancos, casaco preto e cachecol cinza. Ela está fazendo biquinho, ao lado de uma caveira de brinquedo, também coberta pela neve. Há algumas plantas no fundo." width="720" height="536" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-2-2.jpg 720w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-2-2-300x223.jpg 300w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-18597" class="wp-caption-text">Gillian Flynn consegue conciliar seu senso de humor com seu tom crítico e revolucionário (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Observar que apenas a brutalidade masculina era representada na ficção levou Flynn a refletir sobre sua própria formação como mulher. Em 2015, ela escreveu sobre o assunto para o </span><i><span style="font-weight: 400;">blog </span></i><span style="font-weight: 400;">da livraria </span><a href="https://www.powells.com/blog"><i><span style="font-weight: 400;">Powell’s Books</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, contando que desde cedo ela </span><a href="https://medium.com/@Powells/i-was-not-a-nice-little-girl-c2df01e0ae1"><i><span style="font-weight: 400;">“não era uma menininha legal”</span></i></a><span style="font-weight: 400;">; não porque era uma criança malévola, mas porque ela sempre se comportou de um modo que não é associado à feminilidade. De acordo com a própria autora, a mídia não relaciona às mulheres os discursos de hostilidade, sexualidade ou poder.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em seu texto para a </span><i><span style="font-weight: 400;">Powell&#8217;s,</span></i><span style="font-weight: 400;"> Gillian Flynn deixa claro que as falhas na representação de mulheres em âmbitos brutais gera uma divergência entre o que está explícito sobre a feminilidade e o que é subjetivo. </span><i><span style="font-weight: 400;">“A violência feminina é um tipo específico de ferocidade. É invasivo [&#8230;] Uma coisa muito mais temível de assistir do que dois caras se espancando”,</span></i><span style="font-weight: 400;"> reflete a autora, destacando que mulheres aprendem a se conter, e aparentar ternura, mesmo que seu íntimo seja cruel.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Flynn expõe essa maldade. Quando ela pensa nas mulheres de seus livros, ela pensa em uma foto de </span><a href="http://www.fredericksommer.org/"><span style="font-weight: 400;">Frederick Sommer</span></a><span style="font-weight: 400;"> chamada </span><i><span style="font-weight: 400;">Livia</span></i><span style="font-weight: 400;">: é o retrato de uma menina que tem </span><i><span style="font-weight: 400;">“todos os apetrechos da inocência”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Mas quando a autora observa o que está intrínseco em seu rosto, ela percebe a travessura, a perversidade. Essa garotinha lembra a Gillian Flynn de que </span><i><span style="font-weight: 400;">“meninas </span></i><i><span style="font-weight: 400;">— </span></i><i><span style="font-weight: 400;">e mulheres </span></i><i><span style="font-weight: 400;">—</span></i><i><span style="font-weight: 400;"> podem ser más”</span></i><span style="font-weight: 400;">. A capacidade de ver além do superficial é o que torna o trabalho de Flynn </span><a href="https://www.cbsnews.com/news/a-talk-with-gone-girl-author-gillian-flynn/"><span style="font-weight: 400;">interessante</span></a><span style="font-weight: 400;">: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Mulheres têm muitos problemas com agressão e raiva [&#8230;] elas expressam de maneira diferente dos homens. E eu [Flynn] senti que isso era algo que simplesmente parecia não ser falado”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ela falou, e por isso suas obras se tornaram uma revolução.</span></p>
<figure id="attachment_18598" aria-describedby="caption-attachment-18598" style="width: 1755px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-18598" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-3-1.jpg" alt="Foto em preto de branco do fotógrafo Frederick Sommer, intitulada Livia. A imagem apresenta uma menina branca, loira e de olhos claros, e possui no máximo sete anos. Seu cabelo está dividido em duas tranças, ela usa um vestido branco com orlas de renda, as mãos juntas em cima da barriga. Ela está encostada em uma parede de madeira descascada, e olha diretamente para a câmera." width="1755" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-3-1.jpg 1755w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-3-1-300x246.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-3-1-1024x840.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-3-1-768x630.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-3-1-1536x1260.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-3-1-1200x985.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18598" class="wp-caption-text"><i><span style="font-weight: 400;">“</span></i>Tranças loiras, vestido com orlas de renda. Mas seus olhos são surpreendentemente inteligentes, seus lábios teimosos, todo o seu rosto malicioso” (Foto: Frederick Sommer)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para tentar representar a verdade da violência feminina, ela se aventurou em seu primeiro romance, </span><a href="https://www.intrinseca.com.br/livro/461/"><i><span style="font-weight: 400;">Objetos Cortantes</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> (Sharp Objects)</span></i><span style="font-weight: 400;">, que foi publicado em 2006. Dentro dessa narrativa, Gillian Flynn explora uma família de mulheres nocivas, que dominam a sociedade de uma pequena cidade interiorana com sua soberania e falta de autocontrole. A criação de um cenário tão sórdido, comandado por figuras femininas, pode causar inquietação em pessoas desacostumadas a esse quadro. Entretanto, a autora explica que o</span><i><span style="font-weight: 400;"> “poder pode ser sangrento, seja um patriarcado ou um matriarcado. Só parece diferente. Mas isso não significa que será mais bonito só porque as mulheres estão no comando”.</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama acompanha Camille Preaker, uma jornalista recém saída de uma clínica de </span><a href="https://www.vulture.com/2018/08/sharp-objects-all-the-hidden-words-you-missed.html"><span style="font-weight: 400;">tratamento</span></a><span style="font-weight: 400;"> psiquiátrico, que volta para sua pequena cidade natal, Wind Gap, a fim de fazer a cobertura de crimes envolvendo duas meninas da região. Ao chegar lá, Camille encontra uma resistência forte da população em divulgar as atrocidades, por conta da brutalidade dos atos: ambas foram estranguladas, tiveram seus dentes arrancados e seus corpos foram abandonados sem nenhum apreço. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A personificação dessa resistência foi encontrada na própria mãe de Camille, Adora Crellin, uma figura muito influente dentro da sociedade local pelo mérito político-econômico de seus antepassados. Por sua posição social, aparência e modos impecáveis que encantam todos os </span><i><span style="font-weight: 400;">windgapianos,</span></i><span style="font-weight: 400;"> suas condutas são apresentadas como um modelo de decência a serem reproduzidos por todos os outros habitantes. Menos por Camille, que nunca se submeteu às exigências e desejos de sua mãe e por isso, sempre foi </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-sharp-objects-objetos-cortantes-de-gillian-flynn/#:~:text=O%20livro%20tem%20um%20forte,da%20m%C3%A3e%2C%20a%20pr%C3%B3pria%20cidade.&amp;text=Diferente%20dos%20comuns%20romances%20policiais,conflituosas%20em%20um%20ambiente%20soturno."><span style="font-weight: 400;">desmerecida</span></a><span style="font-weight: 400;">; ao contrário de sua irmã mais nova, Marian, que foi a preferida de Adora até morrer tragicamente aos 8 anos.</span></p>
<figure id="attachment_18599" aria-describedby="caption-attachment-18599" style="width: 612px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18599" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-4-2.jpg" alt="Imagem do livro de estreia da autora, intitulado Objetos Cortantes. O livro possui uma capa preta, com riscos brancos espaçados simulando cortes, e os nomes tanto do livro quanto da autora estão coloridos em azul. O livro está em cima de uma mesa coberta por páginas, e ao seu lado estão duas facas pretas, três pinhas e duas velas brancas. Existem alguns potes com folhas secas ao redor." width="612" height="640" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-4-2.jpg 612w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-4-2-287x300.jpg 287w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-18599" class="wp-caption-text">“Quando a família é sua pior parte” (Foto: Leyanne)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois de oito anos longe da família, Camille encontra uma situação diferente da que deixou para trás: quando partiu, todos viviam o intenso luto de Marian, agora, a irmã foi substituída por Amma. Essa irmã desconhecida pela protagonista vive uma vida dupla: quando está dentro de casa é uma jovem adolescente que se comporta de acordo com os moldes de Adora, mas longe da visão dos pais vive como uma rebelde malvada e exigente sobre seus caprichos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Camille conhece os dois lados de Amma e elas constroem um laço de </span><a href="https://valkirias.com.br/objetos-cortantes-e-a-forma-peculiar-de-gillian-flynn-contar-historias/"><span style="font-weight: 400;">identificação</span></a><span style="font-weight: 400;"> muito forte. A irmã mais nova se inspira nas convicções fortes da irmã mais velha, enquanto a primogênita vê a representação de sua própria juventude inconsequente na caçula. Mas além de visitar suas memórias, instalar-se por um tempo na casa da família Crellin faz com que Camille descubra segredos macabros envolvendo seu passado, e até mesmo o presente. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O propósito de Gillian Flynn de revelar a barbaridade feminina é evidenciado na jornalista, pois ela é a única que consegue enxergar a malignidade de Adora, e uma das únicas pessoas que tem consciência da verdadeira personalidade de Amma enquanto ela está fora de casa. Preaker legitima a capacidade de mulheres fazerem coisas erradas </span><a href="https://www.vanityfair.com/hollywood/2018/06/gillian-flynn-isnt-going-to-write-the-kind-of-women-you-want"><span style="font-weight: 400;">por conta própria</span></a><span style="font-weight: 400;">, sem a influência de fatores externos, o que faz dela uma alegoria das convicções da autora.</span></p>
<figure id="attachment_18600" aria-describedby="caption-attachment-18600" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-18600" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-5-1.jpg" alt="Ilustração de Objetos Cortantes. No desenho, estão representadas Amma, branca, loira e de olhos verdes e Camille, branca, ruiva, de olhos azuis e ligeiramente mais alta que Amma. Ambas estão vestindo vestidos brancos e longos, que possuem manchas de sangue na bainha. Elas estão dentro de uma casa de bonecas, com paredes azuis escuras, e duas mãos gigantes se aproximam: as de Adora, que possui metade do rosto coberto pela casa de bonecas. Tudo o que se pode ver dela são as mãos, próximas de Amma e Camille, e um sorriso malicioso tingido de vermelho." width="650" height="910" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-5-1.jpg 500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-5-1-214x300.jpg 214w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-18600" class="wp-caption-text">“Problemas sempre começam muito antes de você realmente, realmente vê-los” (Foto: Tia Gilles)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Pensar que </span><i><span style="font-weight: 400;">Objetos Cortantes</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi o livro de estreia da autora causa muito fascínio pela maestria de sua escrita e de seu desenvolvimento de personagens e enredo. O </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller</span></i><span style="font-weight: 400;"> psicológico é gerado no leitor com capítulos angustiantes e uma reviravolta literalmente nas últimas páginas; torna-se improvável que uma pessoa acabe de ler o livro e não passe um tempo refletindo sobre a história. Ademais, a genialidade dessa trama foi adaptada para outras plataformas, sendo traduzida como uma </span><a href="https://www.hbo.com/sharp-objects"><span style="font-weight: 400;">minissérie</span></a><span style="font-weight: 400;"> pela </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO</span></i><span style="font-weight: 400;"> em 2018. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Camille Preaker ganhou vida através da talentosa </span><a href="https://personaunesp.com.br/animais-noturnos/"><span style="font-weight: 400;">Amy Adams</span></a><span style="font-weight: 400;">, que conseguiu </span><a href="https://personaunesp.com.br/sharp-objects-critica/"><span style="font-weight: 400;">expressar visualmente</span></a><span style="font-weight: 400;"> tudo aquilo que era íntimo da personagem e conseguiu comover o espectador. Mesmo que Preaker não seja uma “boa menina”, Adams nos leva a sentir empatia por sua alma torturada. Já Adora, o retrato sulista da fragilidade, foi vivida por Patricia Clarkson, enquanto o mérito de manifestar tanto a pureza quanto a indisciplina de Amma é todo de Eliza Scanlen. Ambas as atrizes nos surpreenderam durante o decorrer da série, oscilando entre momentos de mínima simpatia e desprezo total. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Gillian Flynn foi a produtora executiva e roteirista de três episódios do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3C6YVcwtSLY"><span style="font-weight: 400;">seriado</span></a><span style="font-weight: 400;">, o que garantiu uma admiração ainda maior por parte dos fãs e do público geral pelas suas habilidades de contar histórias. O resultado rendeu indicações a grandes prêmios como o </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/news/patricia-clarkson-wins-golden-globe-best-supporting-actress-sharp-objects-1173793"><i><span style="font-weight: 400;">Globo de Ouro</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, tanto para ela quanto para as atrizes envolvidas no projeto. </span></p>
<figure id="attachment_18601" aria-describedby="caption-attachment-18601" style="width: 1080px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18601" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-6.jpg" alt="Foto promocional da série da HBO, adaptação de Objetos Cortantes. A foto possui um filtro amarelado quase sujo. Amy Adams, que interpreta Camille, é uma mulher ruiva, de olhos claros, e está usando uma maquiagem escura nos olhos e roupa preta. Está encostada na parede, coberta por um papel verde estampado por flores. À sua frente está Adora, interpretada por Patricia Clarkson, na esquerda, cobrindo o lado correspondente do corpo de Amy. Ela é uma mulher branca e loira, e está vestida de branco, de costas para a câmera, mas olha diretamente para Eliza Scanlen a sua direita, uma jovem branca e com os cabelos loiros presos parcialmente em um laço branco. Eliza interpreta Amma, e está de costas, cabeça baixa na direção de Amy." width="1080" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-6.jpg 1080w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-6-300x300.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-6-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-6-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-6-768x768.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18601" class="wp-caption-text">Foto promocional da série de Objetos Cortantes, com as três protagonistas em foco (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Três anos depois de ter explorado o caos familiar de </span><i><span style="font-weight: 400;">Objetos Cortantes</span></i><span style="font-weight: 400;">, Gillian Flynn decidiu explorar uma mente fragmentada e as brechas que podem ser criadas após um trauma. Assim, em 2009 foi publicado </span><a href="https://www.intrinseca.com.br/livro/581/"><i><span style="font-weight: 400;">Lugares Escuros</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> (Dark Places)</span></i><span style="font-weight: 400;">, um romance que caminha entre os horríveis acontecimentos envolvendo a família Day. Em janeiro de 1985, Patty Day e duas de suas filhas, Michelle e Debby, foram assassinadas durante a noite, dentro de sua casa de fazenda.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A caçula da família, Libby, tinha apenas sete anos e conseguiu fugir do massacre. Quando a encontraram na manhã seguinte, ela testemunhou sobre o que tinha ocorrido e seu depoimento apontou seu irmão mais velho, Ben, como o culpado pelo crime. Assim, a mídia foi à loucura com o desenrolar das acusações: os holofotes mostravam Ben como um jovem de quinze anos problemático e adorador de Satanás, e Libby como uma pequena vitoriosa que precisava de ajuda para superar seu trauma. Desse modo, milhares de pessoas se comoveram e enviaram doações em dinheiro para a menina.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O livro alterna pontos de vista entre capítulos que se passam no dia dos assassinatos e </span><a href="https://www.estantedelivros.com/2014/03/lugares-escuros.html"><span style="font-weight: 400;">vinte e quatro anos depois</span></a><span style="font-weight: 400;">. No tempo presente, Libby é uma adulta emocionalmente instável e esse dinheiro das doações que a sustentou por tantos anos, está acabando. Como não se sente capaz de arranjar um trabalho, ela recorre à proposta de um grupo de fanáticos por soluções de crimes reais. Convencidos de que Ben é </span><a href="http://www.casosacasoselivros.com/2015/08/lugares-escuros-gillian-flynn.html"><span style="font-weight: 400;">inocente</span></a><span style="font-weight: 400;">, eles pagam Libby para que ela vá atrás de pontas soltas dessa história, revivendo suas memórias e contatando os membros ainda vivos de sua família. </span></p>
<figure id="attachment_18602" aria-describedby="caption-attachment-18602" style="width: 620px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18602" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-7.jpg" alt="Foto do e-book de Lugares Escuros. Dentro de um iPad branco, a capa do livro é preta com ramos de trigo brancos, e possui o nome do livro e da autora escritos em verde. Está posicionado em cima de um edredom branco, junto de um óculos de armação preta, uma vela branca e, mais ao canto, um caderno." width="620" height="620" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-7.jpg 620w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-7-300x300.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-7-150x150.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-18602" class="wp-caption-text">“Classifiquei essas lembranças como se fossem um lugar particularmente perigoso: um lugar escuro” (Foto: Carla Paredes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto em </span><i><span style="font-weight: 400;">Objetos Cortantes</span></i><span style="font-weight: 400;"> Flynn tem como temática o uso da delicadeza para amenizar a selvageria, aqui ela é escancarada. O uso do presente misturado com </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Patty e Ben no dia fatídico dos assassinatos exemplifica o grotesco e o desespero da impassibilidade e da raiva. Além dos recursos de tempo, a autora também dá uma aula sobre </span><a href="https://www.domestika.org/pt/blog/3896-o-que-e-escrita-criativa"><span style="font-weight: 400;">escrita criativa</span></a><span style="font-weight: 400;">, colocando em prática o conceito conhecido como </span><a href="https://blog.reedsy.com/show-dont-tell/"><i><span style="font-weight: 400;">show, don’t tell</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (“</span><i><span style="font-weight: 400;">mostre, não fale”</span></i><span style="font-weight: 400;">).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao invés de simplesmente contar como são seus personagens, entregando sua personalidade logo de cara, Flynn mostra detalhes sórdidos das cenas. Criando ambientes assustadores, ela descreve ações que nos mostram mais sobre caráter dos envolvidos do que suas falas ou o discurso do narrador. Um claro exemplo dessa dinâmica é a cleptomania de Libby: em nenhum momento a autora relaciona essa palavra à protagonista, mas o leitor reconhece sua compulsão através de seus atos retratados.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, </span><i><span style="font-weight: 400;">Lugares Escuros</span></i><span style="font-weight: 400;"> se torna vívido na mente do leitor e todas as características indelicadas e grosseiras, que pareciam suaves no primeiro romance da autora, ganham muita força com episódios que podem ser considerados nojentos por aqueles com estômago mais fraco. Gillian Flynn usa esse poder de impacto para despejar certas críticas principalmente à formação moral do ser humano. Todos os indivíduos mostrados na narrativa viveram circunstâncias de grande perturbação em sua infância que não foram lidadas da maneira correta.</span></p>
<figure id="attachment_18603" aria-describedby="caption-attachment-18603" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18603" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-8.jpg" alt="Foto tirada de cima do livro Lugares Escuros, aberto em duas páginas pretas. Na página da esquerda, está escrito o nome da autora Gillian Flynn, enquanto na folha da direita, está impresso o nome do livro, ambos em letras brancas. O livro está apoiado em uma mesa, estampada por capas de outros livros em preto e branco." width="1600" height="1066" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-8.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-8-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-8-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-8-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-8-1536x1023.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-8-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18603" class="wp-caption-text">&#8220;Eu tenho a maldade dentro de mim, tão real quanto um órgão&#8221; (Foto: Ivi Campos)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A total negligência e o excesso de cuidado são dois opostos muito bem trabalhados. Além de mostrar crianças que estão passando por essas situações delicadas, a autora também apresenta as suas consequências na vida adulta. Ninguém é considerado uma pessoa “equilibrada” nesse livro, e muito se deve à criação que tiveram. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fora as críticas mais explícitas, Flynn deixa dicas sutis de sua opinião sobre assuntos como a </span><a href="http://www.observatoriodaimprensa.com.br/tv-em-questao/as-raizes-da-espetacularizacao-da-noticia/"><span style="font-weight: 400;">espetacularização</span></a><span style="font-weight: 400;"> de crimes reais na mídia. A cobertura do massacre dos Day apontou Ben como culpado desde o começo, quando a única relação dele com o crime eram palavras satânicas pintadas nas paredes da casa e seu gosto por </span><i><span style="font-weight: 400;">heavy metal</span></i><span style="font-weight: 400;">. As questões mais minuciosas do caso eram ignoradas em troca de imagens da pequena Libby comemorando seu aniversário mesmo depois de tanta perturbação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa </span><a href="https://personaunesp.com.br/ted-bundy-filme-critica/"><span style="font-weight: 400;">banalização</span></a><span style="font-weight: 400;"> transforma o assassinato em um jogo. Quando Libby é procurada para falar sobre a suposta inocência de Ben, ela conhece vários grupos de pessoas que se reúnem para solucionar </span><a href="https://jovemnerd.com.br/direto-do-bunker/o-que-e-o-true-crime-e-como-ele-tem-aparecido-cada-vez-mais-na-cultura-pop/"><span style="font-weight: 400;">crimes reais</span></a><span style="font-weight: 400;"> como se fossem mais um episódio de </span><a href="https://mixdeseries.com.br/csi-uma-serie-de-investigacao-que-merece-ser-lembrada/"><i><span style="font-weight: 400;">C.S.I.</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e não um caso sério da polícia. Eles se denominam </span><i><span style="font-weight: 400;">Kill Club</span></i><span style="font-weight: 400;">, e alguns associados até fazem </span><i><span style="font-weight: 400;">cosplay</span></i><span style="font-weight: 400;"> dos assassinos e vítimas. </span></p>
<figure id="attachment_18604" aria-describedby="caption-attachment-18604" style="width: 450px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-18604" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-9.jpg" alt="Foto em preto e branco de Lizzie Borden, uma mulher branca com cabelos e olhos claros. Seus cabelos estão presos em um coque, e ela usa uma roupa branca rendada de gola alta. Seus olhos estão fixados em algum ponto fora do campo da foto, de forma incômoda." width="450" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-9.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-9-150x150.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 450px) 85vw, 450px" /><figcaption id="caption-attachment-18604" class="wp-caption-text">“Lizzie Borden pegou um machado, e deu quarenta golpes em sua mãe, quando viu o que havia feito, deu quarenta e um em seu pai” (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma das críticas a esse assunto está muito bem escondida logo no </span><a href="https://www.shmoop.com/study-guides/literature/dark-places/analysis/epigraph"><span style="font-weight: 400;">epígrafe</span></a><span style="font-weight: 400;"> do livro: é uma cantiga de roda fictícia na qual as pessoas cantariam sobre o massacre dos Day como se fosse uma lenda folclórica e não uma verdade. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Os Day eram um clã que poderia viver à beça/Mas Ben Day perdeu a cabeça/O poder de Satanás o garoto queria/E matou a família em meio a uma gritaria./Da pequena Michelle torceu o pescocinho/Depois de Debby fez picadinho/A mãe, Patty, guardou para o final/E, sem piedade, em sua cabeça deu um tiro fatal./A bebê Libby conseguiu viva permanecer/Mas passar por aquilo de modo algum é viver.”</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos Estados Unidos já existem algumas canções assim, como é o caso de </span><i><span style="font-weight: 400;">“</span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Rj_BIsVQdqs"><i><span style="font-weight: 400;">Lizzie Borden took an axe</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">”</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma cântico tradicional que banalizou uma assassina que foi injustamente inocentada porque a </span><a href="https://www.history.com/this-day-in-history/lizzie-borden-took-an-axe#:~:text=Her%20story%20is%20still%20remembered,gave%20her%20father%20forty%2Done"><span style="font-weight: 400;">mídia</span></a><span style="font-weight: 400;"> retratou que </span><i><span style="font-weight: 400;">“uma jovem cristã de aparência dócil não seria capaz de cometer um crime tão horrendo”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Os jornais da realidade inocentaram Lizzie, e a televisão do universo ficcional de Flynn sentenciou Ben à prisão perpétua.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No ano de 2015, foi feita uma adaptação cinematográfica da obra estrelada por </span><a href="https://abcnews.go.com/GMA/video/charlize-theron-gillian-flynn-dark-places-32944044"><span style="font-weight: 400;">Charlize Theron</span></a><span style="font-weight: 400;"> no papel de Libby, e também contava com nomes como Christina Hendricks, Nicholas Hoult e Chloë Grace Moretz. Apesar do elenco bastante reconhecido e da história envolvente, isso </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/lugares-escuros-critica"><span style="font-weight: 400;">não foi o suficiente</span></a><span style="font-weight: 400;"> para cativar a audiência; talvez seja o pouco envolvimento de Flynn no filme, causando uma pobreza na transferência das plataformas, mas o fato é que o filme de </span><i><span style="font-weight: 400;">Lugares Escuros</span></i><span style="font-weight: 400;">, dirigido por </span><a href="http://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-124392/"><span style="font-weight: 400;">Giles Paquet-Brenner</span></a><span style="font-weight: 400;">, não chega nem próximo do aprofundamento das temáticas apresentadas, deixando apenas um indício do que a narrativa realmente é. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" class="youtube-player" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/l6Wy_8Xkp9s?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-BR&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent" allowfullscreen="true" style="border:0;" sandbox="allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox"></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2012, foi publicado o terceiro romance de Flynn, tornando-se um grande sucesso com a crítica e com o público, e é considerado seu </span><a href="https://edtl.fcsh.unl.pt/encyclopedia/magnum-opus/"><i><span style="font-weight: 400;">Magnum Opus</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span><a href="https://www.intrinseca.com.br/livro/287/"><i><span style="font-weight: 400;">Garota Exemplar</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> (Gone Girl) </span></i><span style="font-weight: 400;">possui como plano de fundo o casal Amy e Nick Dunne, que moram às margens do Rio Mississipi, em North Carthage. No dia do aniversário de cinco anos do casamento, ao invés de Nick ser recebido em casa pela esposa, ele encontra uma cena terrível: porta escancarada, móveis virados, indícios de uma briga e nenhum sinal de Amy. Com a consequente ação da polícia, ele acaba se tornando o principal suspeito do crime, e seus comportamentos e falas singulares acabam o desfavorecendo mais ainda. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas será que Nick cometeria um assassinato? Tanto ele quanto a esposa escondem segredos, e isso é um fato incontestável; mas ao salientar o lado primoroso de Amy, e expor a postura de Nick de sempre esconder seus sentimentos negativos para agradar a todos, é difícil não escolher um lado, e o diário de Amy, com todas as suas anotações sobre o relacionamento, parecem justificar perfeitamente a preferência. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A investigação para encontrar Amy começa, e a comoção do público por ela é multiplicada pela sua fama: ela é a inspiração para a série de livros </span><i><span style="font-weight: 400;">Amy Exemplar</span></i><span style="font-weight: 400;">, escrita por seus pais para ajudar uma nação de progenitores desesperados em saber como educar seus filhos da melhor maneira possível. De maneira muito similar a </span><i><span style="font-weight: 400;">Lugares Escuros</span></i><span style="font-weight: 400;">, a infância é um ponto crucial da história; tanto Libby quanto Amy foram condicionadas a viver de certa maneira enquanto eram crianças, e usam essas circunstâncias para justificar seu comportamento quando mais velhas.</span></p>
<figure id="attachment_18605" aria-describedby="caption-attachment-18605" style="width: 850px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18605" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-10.jpg" alt="Foto do livro Garota Exemplar. O livro possui capa preta, fios emaranhados brancos, e o nome da autora e do livro estão escritos em rosa. Ele está em cima de um lençol branco." width="850" height="528" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-10.jpg 850w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-10-300x186.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-10-768x477.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18605" class="wp-caption-text">“Há uma responsabilidade injusta que vem do fato de ser filha única — você cresce sabendo que não tem o direito de desapontar, não tem nem o direito de morrer. Não há um substituto por perto; é você” (Foto: Debb Cabral)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, elas divergem em como lidar com a pressão. Enquanto Libby foi profundamente marcada por seus traumas e roubada de uma experiência de vida normal, Amy nunca teve motivações para o descontrole: uma garota linda, rica, inteligente e fácil de se relacionar, possuindo admiradores e simpatizantes por todo lugar que passava. Ela é, inclusive, a mais diversa dentre as protagonistas de Gillian Flynn, pois é a única que apresenta uma história </span><a href="https://www.npr.org/2012/06/05/154288241/the-marriage-is-the-real-mystery-in-gone-girl"><span style="font-weight: 400;">dentro de um relacionamento</span></a><span style="font-weight: 400;">, em oposição às outras, que tinham problemas de conexão física e emocional.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas isso não torna o </span><a href="https://www.cbsnews.com/news/gone-girl-author-gillian-flynn-explores-the-dark-side-of-marriage/"><span style="font-weight: 400;">casamento</span></a><span style="font-weight: 400;"> algo fácil. Apesar dos eventuais altos e baixos da relação, as adversidades encontradas por Nick e Amy são inimagináveis, e o desfecho dessa catástrofe é ainda mais inesperado. A disposição dos acontecimentos é gradual, possibilitando o desenvolvimento de emoções nos leitores, que têm a sensação de estarem descobrindo o enredo junto das personagens, como se fossem, eles mesmos, detetives solucionando o caso. Desse modo, criam-se também diversos </span><i><span style="font-weight: 400;">plot twists</span></i><span style="font-weight: 400;"> ao longo da história, causando inconformidade e interesse no público.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além do sucesso literário, em 2014 </span><a href="https://www.indiewire.com/2014/10/david-fincher-reveals-gone-girl-secrets-and-whose-side-hes-really-on-q-a-190680/"><span style="font-weight: 400;">David Fincher</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Gillian Flynn trabalharam juntos no longa-metragem, que levou a história de </span><i><span style="font-weight: 400;">Garota Exemplar </span></i><span style="font-weight: 400;">ao máximo. Nele, </span><a href="https://www.minhavisaodocinema.com.br/2015/02/oscar-2015-garota-exemplar-2014-de.html"><span style="font-weight: 400;">Rosamund Pike</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Ben Affleck interpretam o casal Dunne com tanta propriedade que é fácil acreditar que aquilo não passa de uma documentação do sumiço da bela Amy, enquanto o pobre Nick não sabe como agir diante da notoriedade do caso. O ajuste no </span><a href="https://youtu.be/CF3lFPW4E1o"><span style="font-weight: 400;">roteiro</span></a><span style="font-weight: 400;"> do filme foi genial, já que Flynn mantém a narrativa cativante do original em um </span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Film_noir"><i><span style="font-weight: 400;">noir</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">moderno premiado, garantindo uma indicação na categoria de Melhor Atriz ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar.</span></i></p>
<figure id="attachment_18606" aria-describedby="caption-attachment-18606" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-18606" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/GIF-1-2.gif" alt="Gif de uma cena do filme Garota Exemplar. Nele, Amy é interpretada por Rosamund Pike, uma mulher branca e loira, que está deitada e olha para a câmera, como se alguém a chamasse. Há também uma mão fazendo carinho nos seus cabelos. " width="650" height="274" /><figcaption id="caption-attachment-18606" class="wp-caption-text">“Suponho que estas questões pairam sobre cada casamento: O que você está pensando? Como você se está sentindo? Quem é você? O que fizemos um ao outro? O que vamos fazer?” (GIF: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O mais recente trabalho literário de Flynn é o conto </span><a href="https://www.intrinseca.com.br/livro/648/"><i><span style="font-weight: 400;">O Adulto</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> (The Grownup)</span></i><span style="font-weight: 400;">, lançado em 2014 na antologia </span><a href="http://www.editoraarqueiro.com.br/livros/principe-de-westeros-e-outras-historias-o/"><i><span style="font-weight: 400;">Rogue</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de </span><a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/hbo-roadmarks-george-r-r-martin-game-of-thrones"><span style="font-weight: 400;">George R. R. Martin</span></a><span style="font-weight: 400;">, e publicado independentemente no ano seguinte. Flynn utiliza os gêneros de terror psicológico e </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller</span></i><span style="font-weight: 400;">, regulares em seus outros livros, juntamente com um nunca explorado por ela antes: </span><a href="https://www.nytimes.com/2016/05/22/books/review/emma-thompson-reads-the-turn-of-the-screw-by-henry-james.html"><span style="font-weight: 400;">histórias de fantasma.</span></a><span style="font-weight: 400;"> A narrativa acompanha uma jovem que utiliza a mentira para ganhar a vida, trabalhando como vidente e oferecendo serviços de leitura de aura para as suas clientes, geralmente compostas por donas de casa ricas e frustradas com suas vidas monótonas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma delas é Susan Burke, uma mulher recém-chegada na cidade que relata problemas em sua casa principalmente com seu enteado adolescente. A protagonista rapidamente identifica uma chance de aproveitar-se da ingenuidade de Susan, porém ela não esperava que ao visitar a </span><a href="https://valkirias.com.br/a-assombracao-da-casa-da-colina-o-terror-psicologico-de-shirley-jackson/"><span style="font-weight: 400;">mansão</span></a><span style="font-weight: 400;"> da família Burke, encontraria cenas bizarras e acontecimentos misteriosos, típicos das </span><a href="http://leitorcompulsivo.com.br/2019/11/06/resenha-a-volta-do-parafuso-henry-james/#:~:text=Com%20um%20enredo%20e%20narrativa,muito%20subentendido%20e%20nas%20entrelinhas."><span style="font-weight: 400;">histórias de que tanto gosta</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ela, então, se sente compelida a entender e desvendar os segredos que envolvem o local e a família, sem imaginar o que pode estar por trás de tantos eventos sinistros. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sendo uma obra de leitura rápida, Flynn deixou muitos fãs órfãos e com saudade de sua escrita. Mas isso não significa um desapontamento, até porque esta mulher é fisicamente e mentalmente incapaz de escrever algo mediano. Em menos de 100 páginas, a imersão causada pela história chega a tornar cada momento tenso palpável, a ponto de fazer o leitor questionar a lógica e as temáticas já utilizadas pela autora, que nunca havia trabalhado com o sobrenatural antes em seus escritos. </span></p>
<figure id="attachment_18607" aria-describedby="caption-attachment-18607" style="width: 1650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18607" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-11.jpg" alt="Imagem da capa original em inglês de O Adulto. No centro da imagem há a ilustração de um olho com a íris amarela, e uma pupila preta que possui o formato ambíguo de uma casa ou de uma caveira. No fundo, tem riscos radiais cinza, que parecem sair do centro do olho, em direção às extremidades da imagem. O nome do livro em inglês, The Grownup, está escrito em letras pretas com sombreamento amarelo, e está em cima da ilustração; o nome da autora segue a mesma formatação, porém posicionada em baixo." width="1650" height="1650" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-11.jpg 1650w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-11-300x300.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-11-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-11-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-11-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-11-1536x1536.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-11-1200x1200.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18607" class="wp-caption-text">“Era uma simples transação comercial: você fazia com que uma pessoa se sentisse bem, e ela lhe dava dinheiro” (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Vencedor de um </span><a href="http://www.theedgars.com"><i><span style="font-weight: 400;">Edgar Award</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o conto é a única obra não adaptada da autora, mas possui os direitos comprados pela </span><a href="https://deadline.com/2016/02/gillian-flynn-gone-girl-the-grownup-universal-mike-deluca-1201702017/"><i><span style="font-weight: 400;">Universal</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Aí entra a ambiguidade: querer muito ver essa história nas telas por sermos grandes fãs, ou manter a qualidade da história curta, que seria complicada de ser transformada em um filme. Mas desde que Gillian Flynn esteja envolvida, tudo o que ela faz será considerado uma obra-prima.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Faz quase sete anos que um novo livro não é lançado, e isso considerando a publicação de meras 65 páginas de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Adulto. </span></i><span style="font-weight: 400;">Mas as boas novas </span><a href="https://www.bustle.com/p/gone-girl-author-gillian-flynn-is-writing-a-new-book-heres-what-we-know-so-far-8369910"><span style="font-weight: 400;">estão chegando</span></a><span style="font-weight: 400;">, e de acordo com Gillian, seu novo romance chegará ainda em 2021, tratando-se de uma </span><a href="http://www.revistaestante.fnac.pt/hogarth-shakespeare/"><span style="font-weight: 400;">reescritura do clássico de Shakespeare</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Hamlet</span></i><span style="font-weight: 400;">. O contrato do projeto foi assinado em </span><a href="http://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2014/05/autora-de-garota-exemplar-assina-contrato-para-reescrever-hamlet.html"><span style="font-weight: 400;">2014</span></a><span style="font-weight: 400;">, e no ano passado ela resolveu nos dar algumas migalhas, dizendo que Brett, seu marido, leu a primeira página, e </span><i><span style="font-weight: 400;">“é uma primeira página espetacular. Provavelmente a melhor que já escrevi”</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto o </span><i><span style="font-weight: 400;">Hamlet </span></i><span style="font-weight: 400;">de Flynn não chega a nós, temos de nos contentar com suas quatro obras publicadas e os </span><a href="https://www.omelete.com.br/amazon-prime-video/criticas/utopia-1a-temporada-critica"><span style="font-weight: 400;">roteiros de séries</span></a><span style="font-weight: 400;"> e filmes. Mas isso não é de todo ruim, pois com um material de tanta qualidade e com temáticas tão inquietantes, a última coisa que você pode sentir com Gillian Flynn é tédio. Nesse caso, deixamos a nossa admiração para a aniversariante que conquistou um espaço no meio literário para que sua voz, e a de muitas outras mulheres que não foram meninas boazinhas, fossem ouvidas. Parabéns, Flynn, pela trajetória inspiradora e por revolucionar os discursos literários. Esperamos que os próximos cinquenta anos tragam ainda mais narrativas perturbadoras. E pare de jogar <em>Ms. Pac-Man</em> no </span><a href="https://www.gillian-flynn.com/aboutgillianflynn"><span style="font-weight: 400;">porão.</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/gillian-flynn-50-anos/">Uma celebração dos 50 anos de Gillian Flynn e de suas mulheres perturbadoras</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/gillian-flynn-50-anos/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">18595</post-id>	</item>
		<item>
		<title>A raiva que adoece em Sharp Objects</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/sharp-objects-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/sharp-objects-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Aug 2018 23:10:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Séries]]></category>
		<category><![CDATA[Televisão]]></category>
		<category><![CDATA[2018]]></category>
		<category><![CDATA[Abuso]]></category>
		<category><![CDATA[Alcoolismo]]></category>
		<category><![CDATA[Amy Adams]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Chris Messina]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Depressão]]></category>
		<category><![CDATA[Eliza Scanlen]]></category>
		<category><![CDATA[Gillian Flynn]]></category>
		<category><![CDATA[HBO]]></category>
		<category><![CDATA[Jean-Marc Vallée]]></category>
		<category><![CDATA[Lulu Wilson]]></category>
		<category><![CDATA[Marti Noxon]]></category>
		<category><![CDATA[Matt Craven]]></category>
		<category><![CDATA[Minissérie]]></category>
		<category><![CDATA[Objetos Cortantes]]></category>
		<category><![CDATA[Patricia Clarkson]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Sharp Objects]]></category>
		<category><![CDATA[Sophia Lillis]]></category>
		<category><![CDATA[Sydney Sweeney]]></category>
		<category><![CDATA[TV]]></category>
		<category><![CDATA[Vitor Evangelista]]></category>
		<category><![CDATA[Wind Gap]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://personaunesp.com.br/?p=10655</guid>

					<description><![CDATA[<p>Vitor Evangelista Estrelada por Amy Adams, a minissérie da HBO adentra o passado da jornalista Camille Preaker, que retorna a sua cidade natal para noticiar a morte de duas jovens garotas. Carregada de ressentimento, a produção caminha a passos lentos e cores quentes para mapear as relações familiares problemáticas de sua protagonista. Camille é uma &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/sharp-objects-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A raiva que adoece em Sharp Objects"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/sharp-objects-critica/">A raiva que adoece em Sharp Objects</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_10656" aria-describedby="caption-attachment-10656" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-10656" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/IMAGEM-1-1024x576.jpg" alt="" width="840" height="473" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/IMAGEM-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/IMAGEM-1-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/IMAGEM-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/IMAGEM-1-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/IMAGEM-1.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-10656" class="wp-caption-text"><em>A parede florida da residência dos Crellin evoca a alma cuidadosa de Adora, semelhante a Mãe Natureza (Foto: Reprodução)</em></figcaption></figure>
<p><strong>Vitor Evangelista</strong></p>
<p>Estrelada por Amy Adams, a minissérie da <em>HBO</em> adentra o passado da jornalista Camille Preaker, que retorna a sua cidade natal para noticiar a morte de duas jovens garotas. Carregada de ressentimento, a produção caminha a passos lentos e cores quentes para mapear as relações familiares problemáticas de sua protagonista. <span style="font-weight: 400;">Camille é uma mulher marcada por abusos. A começar pela distante relação que construiu com a mãe Adora (Patricia Clarkson, sublime), a perda de sua irmã caçula ainda na infância, os anos marcados pela automutilação e alcoolismo, a personagem de Amy Adams tem problemas em encarar o passado e, principalmente, deixá-lo ir. </span></p>
<p><span id="more-10655"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A produção de Gillian Flynn (<em>Garota Exemplar</em>) adapta seu primeiro livro, lançado lá em 2006, quando o assunto de mulheres problemáticas e com as psiques estudadas e trabalhadas ainda não entrara em voga. A autora já chegou a dizer <a href="https://www.rollingstone.com/tv/tv-features/sharp-objects-finale-recap-gillian-flynn-hbo-713667/">que essa é sua criação que mais lhe causa raiva</a>, tanto pela índole das personagens por ela idealizadas quanto pela força negativa da história aqui contada. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sob o olhar astuto e imersivo de Jean-Marc Vallée (<em><a href="http://personaunesp.com.br/as-melhores-series-de-2017/">Big Little Lies</a></em>, obra-prima), <em>Sharp Objects</em> dança no limiar de um pós-horror e <em>thriller</em> psicológico mesclado ao relato sujo de uma história de abuso e desafeto. Todas as personagens em cena guardam ressentimento. Todas gostariam de não estar ali. </span><span style="font-weight: 400;">Transitando pela infância de Camille por <em>flashs</em> pontuais e impactantes, a jovem interpretada por Sophie Lilils (de<em> It – A Coisa</em>) cimenta muito bem o arcabouço problemático e ferido que a persona de Adams transmite, já na vida adulta.</span></p>
<figure id="attachment_10657" aria-describedby="caption-attachment-10657" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-10657" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/Imagem-2-1024x577.jpg" alt="" width="840" height="473" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/Imagem-2-1024x577.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/Imagem-2-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/Imagem-2-768x433.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/Imagem-2-1200x676.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/Imagem-2.jpg 1296w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-10657" class="wp-caption-text"><em>O nome dos episódios fazem referência as palavras que Camille eternizou em seu corpo, com seus objetos cortantes (Foto: Reprodução)</em></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Junto de Adams, no <em>hall</em> das mulheres desagradáveis postas em tela, temos Adora e Amma Crellin. Patricia Clarkson constrói sua Adora internalizando todo o rancor e o desgosto que a personagem sente pela primogênita. Uma mulher silenciosa, ardilosa e que faz de tudo para manter intacta a reputação da cidade de Wind Gap, no Missouri.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Amma é a personagem mais interessante do seriado. A atuação de Eliza Scanlen patina entre duas personalidades que a garota oculta, sempre um passo a frente dos outros. Amma representa o meio da linha entre Camille e Adora. Enquanto sua meia-irmã tenta se desvencilhar das raízes da cidadezinha do interior e sua mãe ergue a bandeira do passado, a adolescente busca, ao longo dos oito capítulos, um lugar para se prostrar nisso tudo.</span></p>
<p><figure id="attachment_10658" aria-describedby="caption-attachment-10658" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-10658" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/IMAGEM-3-1-1024x576.jpg" alt="" width="840" height="473" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/IMAGEM-3-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/IMAGEM-3-1-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/IMAGEM-3-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/IMAGEM-3-1.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-10658" class="wp-caption-text"><em>O enredo da série dialoga com o filme Trama Fantasma (2017), representando uma forma de amor que não reconhece limites [Foto: Reprodução]</em></figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Recheado de silêncios harmoniosos, <em>Sharp Objects</em> faz de sua trilha sonora uma protagonista a parte. Sempre num clima anestesiante, a música da produção alude a tudo que os criadores querem explicitar ali. O barulho é tão problemático quanto a ausência dele. Camille sempre ouvir músicas para fugir da realidade crua de Wind Gap casa perfeitamente com o silêncio ensurdecedor que Adora reina em sua casa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outra protagonista oculta em meio as atuações marcantes é a cidade que toma lugar a trama. Conhecida pelo mercado do abatedouro de porcos e pelo clima quente, Wind Gap cresce ao passo que a história progride. Há aqui um ar misterioso, fantástico, quase folclórico, que incomoda, deixa o espectador na ponta da cadeira, esperando o pior. Sempre tomando as atenções para si, a cidade elucida as ações de seus residentes. Todos são daquele modo pelo simples fato de ser. Não há qualquer escapatória.</span></p>
<figure id="attachment_10659" aria-describedby="caption-attachment-10659" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-10659" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/imagem-4-1024x683.jpg" alt="" width="840" height="560" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/imagem-4-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/imagem-4-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/imagem-4-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/imagem-4-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-10659" class="wp-caption-text"><em>Vickery e Willis se frustram sempre um passo atrás do culpado pelas mortes de Ann e Natalie (Foto: Reprodução)</em></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Completando a parcela de personagens deslocados e desconfortáveis, a minissérie apresenta o delegado Bill Vickery (Matt Craven), aparentemente o único policial da cidadezinha, responsável pela investigação da morte das meninas Ann e Natalie. Outro homem da lei que aqui figura é Richard Willis (Chris Messina), vindo do Kansas, que auxilia nas investigações, tem boas cenas junto da protagonista.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É importante ressaltar aqui que o foco do seriado não é a resolução dos casos ou qualquer retrato que demande explicações e motivos. <em>Sharp Objects</em> trabalha sim esses temas, mas toda sua carga criativa se concentra na ascensão e queda de suas mulheres protagonistas. As trocas dúbias de palavras fortes, o envenenamento de suas almas.</span></p>
<figure id="attachment_10660" aria-describedby="caption-attachment-10660" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-10660" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/imagem-5-1024x683.jpg" alt="" width="840" height="560" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/imagem-5-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/imagem-5-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/imagem-5-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/imagem-5-1200x800.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/imagem-5.jpg 1500w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-10660" class="wp-caption-text"><em>Sharp Objects chegará ao Emmy 2019 com forças, principalmente nas categorias de atuação e direção (Foto: Reprodução)</em></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os objetos cortantes do título são tão materiais quanto são figurativos, todo diálogo entre mãe e filha machuca até mais que a agulha que Camille leva a tiracolo. O <em>show</em> é pesado e sabe estudar as suas mulheres, deixando aqui um retrato semelhante ao que David Fincher fez em <em>Garota Exemplar</em>, de 2014. Quando dadas as devidas atenções, as mulheres são tão perigosas quanto os homens. </span><span style="font-weight: 400;"><em>Sharp Objects</em> cumpre mais do que promete e finaliza sua trajetória na Televisão sem muitos porquês. Não se esqueça das cenas pós-créditos.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/sharp-objects-critica/">A raiva que adoece em Sharp Objects</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/sharp-objects-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">10655</post-id>	</item>
	</channel>
</rss>
