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	<title>Arquivos Paramount+ &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Eles não são um casal, mas são Companheiros de Viagem</title>
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		<pubDate>Wed, 12 Jun 2024 20:50:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Machado Leal Nos últimos anos, obras audiovisuais que conversam sobre temáticas queers e colocam as pessoas da comunidade como personagens principais têm ganhado espaço na indústria. Do amor puro em Heartstopper ao ‘besteirol’ sarcástico Bottoms, o público tem a possibilidade de acompanhar a comunidade LGBTQIAPN+ sob diversas perspectivas. Em Companheiros de Viagem, por exemplo, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/companheiros-de-viagem-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Eles não são um casal, mas são Companheiros de Viagem"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_33525" aria-describedby="caption-attachment-33525" style="width: 1566px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-33525" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image2-3.png" alt="Imagem da série Companheiros de Viagem. Na foto, os atores Jonathan Bailey e Matt Bomer estão nus e deitados em uma cama. Jonathan Bailey faz carícias no cabelo de Matt Bomer." width="1566" height="815" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image2-3.png 1566w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image2-3-800x416.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image2-3-1024x533.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image2-3-768x400.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image2-3-1536x799.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image2-3-1200x625.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33525" class="wp-caption-text">Matt Bomer e Jonathan Bailey possuem grandes chances de serem indicados ao Emmy 2024 (Foto: Paramount+)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Machado Leal</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos últimos anos, obras audiovisuais que conversam sobre temáticas </span><i><span style="font-weight: 400;">queers</span></i><span style="font-weight: 400;"> e colocam as pessoas da comunidade como personagens principais têm ganhado espaço na indústria. Do amor puro em </span><a href="https://personaunesp.com.br/heartstopper-2a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Heartstopper</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> ao ‘besteirol’ sarcástico </span><i><span style="font-weight: 400;">Bottoms</span></i><span style="font-weight: 400;">, o público tem a possibilidade de acompanhar a comunidade LGBTQIAPN+ sob diversas perspectivas. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Companheiros de Viagem</span></i><span style="font-weight: 400;">, por exemplo, há o retrato da época do </span><a href="https://www.politize.com.br/macarthismo-o-que-e/"><span style="font-weight: 400;">Macarthismo</span></a><span style="font-weight: 400;">, em que os políticos americanos perseguiam amplamente os comunistas e aqueles que não se viam como heterossexuais. Com Matt Bomer e Jonathan Bailey interpretando os protagonistas Hawkins e Tim, respectivamente, o amor de dois homens durante quatro décadas é o tema principal na narrativa adaptada pelo produtor Ron Nyswaner.</span></p>
<p><span id="more-33523"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na década de 1950, em um contexto de </span><a href="https://www.todamateria.com.br/guerra-fria/"><span style="font-weight: 400;">Guerra Fria</span></a><span style="font-weight: 400;">, as pessoas que trabalhavam na política estadunidense possuíam apenas um objetivo: combater o comunismo e tudo aquilo que, de alguma forma, é associado a ele. Baseado em fatos reais, </span><i><span style="font-weight: 400;">Fellow Travelers</span></i><span style="font-weight: 400;"> (no original) discute sobre o </span><a href="https://lojamundogeek.com.br/qual-e-o-susto-da-lavanda-em-outros-viajantes-a-verdadeira-historia-por-tras-das-demissoes-lgbtq-do-governo/"><span style="font-weight: 400;">Susto da Lavanda</span></a><span style="font-weight: 400;">, época em que o governo norte-americano demitiu trabalhadores considerados LGBTQIAPN+ por associar o movimento à luta socialista. Hawkins Fuller é um membro do Departamento do Estado e Tim Laughlin é um funcionário do Congresso; eles são apenas dois dos servidores públicos que escondem sua sexualidade para manter o emprego. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por mais que o tema político seja abordado constantemente na primeira metade da série, é o amor tórrido entre os dois protagonistas que serve como fio condutor da narrativa baseada no livro homônimo de </span><a href="https://www.estadao.com.br/cultura/thomas-mallon-faz-um-retrato-perspicaz-da-nova-york-de-1980-em-up-with-the-sun/"><span style="font-weight: 400;">Thomas Mallon</span></a><span style="font-weight: 400;">, lançado em 2007. Enquanto Fuller é um homem que esconde sua orientação sexual, Laughlin abraça a sexualidade, mesmo sendo tipicamente católico. A partir da interação deles no trabalho, temas como a rivalidade entre o capitalismo e comunismo, e a luta da comunidade </span><i><span style="font-weight: 400;">queer </span></i><span style="font-weight: 400;">estadunidense são vistos ao longo das décadas abordadas no programa televisivo.</span></p>
<figure id="attachment_33526" aria-describedby="caption-attachment-33526" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-33526" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image3-3.png" alt="Imagem da série Companheiros de Viagem. Na foto, os atores Jonathan Bailey e Matt Bomer estão em uma praia. Os dois estão utilizando uma camisa branca de botão e calças com tons acinzentados. Matt Bomer está tirando uma foto de Jonathan Bailey." width="1999" height="1300" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image3-3.png 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image3-3-800x520.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image3-3-1024x666.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image3-3-768x499.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image3-3-1536x999.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image3-3-1200x780.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33526" class="wp-caption-text">Jonathan Bailey venceu o Critics Choice Awards de 2024 na categoria de Melhor Ator Coadjuvante em Filme ou Minissérie (Foto: Paramount+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na maior parte do tempo, o relacionamento entre Hawkins e Tim é um fruto proibido: os dois não podem ser vistos juntos por conta da perseguição política da época. Por isso, o ex-veterano visita o congressista às escondidas, mantendo o amor entre quatro paredes. Em um primeiro momento, as cenas sexuais podem chocar por serem altamente explícitas. No entanto, o recurso não é usado para </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mes-do-orgulho-lgbtqia/"><span style="font-weight: 400;">sexualizar</span></a><span style="font-weight: 400;"> os atores. Muito pelo contrário, é através da conexão sexual da química entre os artistas que a relação dos protagonistas se desenvolve ao longo dos oito episódios da minissérie.</span></p>
<p><a href="https://revistaquem.globo.com/entretenimento/series-e-filmes/noticia/2024/05/jonathan-bailey-de-bridgerton-sera-protagonista-de-proximo-jurassic-world.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Jonathan Bailey</span></a><span style="font-weight: 400;">, por exemplo, entrega uma atuação magistral ao dar vida a um homem fiel à política norte-americana e comprometido com seus deveres. A pureza nos olhos do protagonista só consegue ser transmitida ao espectador devido à competência do ator. A religião, presente em sua vida, é imprescindível e, por isso, nos primeiros contatos do personagem com sua sexualidade, a culpa cristã permanece em seus pensamentos. Entretanto, aos poucos, o personagem entende que não há nada de errado em ser diferente. Por outro lado, Hawkins Fuller é o tipo de homem gay que prefere continuar no armário. Para ele, o sexo com outros homens é um passatempo. Até o momento em que ele conhece Skippy, apelido carinhoso dado ao jovem religioso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O romance ardente entre os dois só consegue carregar a trama de </span><i><span style="font-weight: 400;">Companheiros de Viagem</span></i><span style="font-weight: 400;"> devido ao trabalho de qualidade dos atores principais. Tanto Matt Bomer quanto Bailey interpretam personagens que, se não fossem vividos por artistas talentosos, não teriam suas nuances dissecadas. A série se utiliza de duas linhas temporais para abordar o relacionamento dos protagonistas e da vida </span><i><span style="font-weight: 400;">queer </span></i><span style="font-weight: 400;">nos Estados Unidos. A cada episódio, vemos duas décadas principais: 1950, retratando o início da relação deles, e 1980, período em que a </span><a href="https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/a/aids-hiv#:~:text=A%20aids%20%C3%A9%20a%20doen%C3%A7a,s%C3%A3o%20os%20linf%C3%B3citos%20T%20CD4%2B."><span style="font-weight: 400;">Aids</span></a><span style="font-weight: 400;"> era associada à comunidade LGBTQIAPN</span><span style="font-weight: 400;">+</span><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_33524" aria-describedby="caption-attachment-33524" style="width: 1480px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-33524" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image1-3.png" alt="Imagem da série Companheiros de Viagem. Na foto, os atores Jonathan Bailey e Matt Bomer estão em um bar e vestem roupas sociais. Matt Bomer está com a mão no rosto de Jonathan Bailey" width="1480" height="833" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image1-3.png 1480w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image1-3-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image1-3-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image1-3-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image1-3-1200x675.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33524" class="wp-caption-text">Com oito episódios, a trama de Fellow Travelers mescla a realidade histórica e o romance dos personagens fictícios (Foto: Paramount+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na década de 1980, Tim Laughlin desenvolveu Aids devido ao vírus HIV e está em seus últimos momentos. Enquanto isso, Fuller possui uma vida tipicamente norte-americana com uma esposa, filha e netos. Desde o primeiro episódio, é certo que o relacionamento entre os dois homens não dará certo. Porém, isso não impede o público de apreciar o belo roteiro de </span><i><span style="font-weight: 400;">Companheiros de Viagem</span></i><span style="font-weight: 400;">. O texto de Ron Nyswaner – conhecido por roteirizar obras com temática LGBTQIAPN+, como o clássico </span><i><span style="font-weight: 400;">Philadelphia</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1993) e o longa </span><a href="https://personaunesp.com.br/my-policeman-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">My Policeman</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2022) –, é rico em detalhes da política estadunidense, envolvendo o espectador em um </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller</span></i><span style="font-weight: 400;"> romântico.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma dos arcos narrativos mais interessantes da série é a vida dupla de Hawk Fuller e as decepções que o ex-soldado causa aos cônjuges. Para a sociedade, ele vive um relacionamento perfeito com a adorável Lucy Smith (</span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-148233/"><span style="font-weight: 400;">Allison Williams</span></a><span style="font-weight: 400;">), moça com quem se casa para não ser perseguido pelo estado. Às escondidas, ele e Skippy podem viver um sonho: a vivência </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">. O motivo pelo qual o romance entre eles sustenta </span><i><span style="font-weight: 400;">Fellow Travelers</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a lupa que envolve as características pessoais dos protagonistas. O conformismo de Fuller com a sexualidade guardada se entrelaça à paixão de Laughlin por ser gay e orgulhoso de ser quem é. A malícia do personagem de Matt Bomer se mistura em meio à inocência do jovem vivido por Jonathan Bailey.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro ponto adjetivo abordado na série é a diferença entre homens gays brancos e negros. Marcus Hooks (Jelani Alladin) é um homem preto, que possui questões com sua sexualidade devido às ações do senador </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/c14k1nr7y22o"><span style="font-weight: 400;">Joseph R. McCarthy</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Chris Bauer) contra a população LGBTQIAPN+. O repórter se envolve com a </span><i><span style="font-weight: 400;">drag queen</span></i><span style="font-weight: 400;"> Frankie Hines (Noah J. Ricketts) e, a partir do relacionamento com a performer, ele entende a importância de falar sobre sua orientação sexual enquanto afro-americano. No episódio </span><i><span style="font-weight: 400;">Noites Brancas</span></i><span style="font-weight: 400;">, o sétimo da minissérie, há a abordagem do assassinato de </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/o-triste-fim-do-primeiro-homem-abertamente-gay-ser-eleito-um-cargo-publico-na-california.phtml"><span style="font-weight: 400;">Harvey Milk</span></a><span style="font-weight: 400;">, político gay que se tornou um martir para a comunidade. O acontecimento, que é baseado em um fato real, é bem retratado e permite que o público conheça mais um pouco das figuras que morreram em nome da luta </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_33528" aria-describedby="caption-attachment-33528" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33528" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image5-1.png" alt="Imagem da série Companheiros de Viagem. Na foto, os atores Jonathan Bailey e Matt Bomer estão em uma praia. Os dois estão molhados e estão correndo pela areia. Eles vestem um shorts de banho." width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image5-1.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image5-1-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image5-1-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image5-1-768x512.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33528" class="wp-caption-text">A química entre os atores é o principal ponto positivo de Companheiros de Viagem (Foto: Paramount+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Há também momentos mais sombrios no que se relaciona à perseguição que a comunidade sofreu durante os anos mais severos do Macarthismo. Em um episódio, Hawk Fuller é submetido ao </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/o-poligrafo-e-um-detector-de-mentiras-confiavel.phtml"><span style="font-weight: 400;">polígrafo</span></a><span style="font-weight: 400;">, aparelho que detecta a veracidade de frases ditas por uma pessoa a partir da análise de comportamentos psicológicos. A tática era uma das formas de descobrir acerca da sexualidade dos funcionários do Estado. Para não ser descoberto, o ex-soldado treina seus pensamentos e respostas, reprimindo todo e qualquer sentimento gay que possui. A cena da tortura é uma das mais emocionantes da série e mostra o caminho árduo que as pessoas não heterossexuais percorriam nesse período da história norte-americana.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As décadas de 1960 e 1970 também ganharam pouco tempo de tela durante a segunda metade da série. No entanto, as tramas ocorridas em 1950 e 1980 são as principais e, por isso, os 20 anos que as separam apenas servem para mostrar que, aos poucos, a paixão tórrida dos personagens foi se dissolvendo com o tempo. Em ambas, o amor escondido entre os protagonistas dá lugar à </span><a href="https://amenteemaravilhosa.com.br/amizade-colorida/"><span style="font-weight: 400;">amizade colorida</span></a><span style="font-weight: 400;">.  Juntos, eles vivem um romance às escondidas mais uma vez. Em certo momento da trama, o ex-soldado se afasta da família após a morte de Jackson (Etienne Kellici), filho do relacionamento dele com Lucy Smith. Nesta parte, há mais uma camada dissecada do personagem: no álcool e nas drogas, ele pode viver a sua mentira. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De todas as narrativas, a da década de 1980 é a que possui o maior tom político-social. Aqui, a juventude </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;"> já não possui medo. Eles lutam diariamente contra a </span><a href="https://unaids.org.br/2021/07/nos-40-anos-da-pandemia-de-aids-paradas-do-orgulho-lgbt-de-sao-paulo-trazem-o-hiv-como-tema-para-acabar-com-o-estigma-e-a-discriminacao/"><span style="font-weight: 400;">estigmatização</span></a><span style="font-weight: 400;"> e em nome do reconhecimento da comunidade como seres humanos contemplados pelos direitos políticos. Leis, políticas públicas e aceitação são três dos objetivos daqueles que tomam à frente da luta LGBTQIAPN+ em </span><i><span style="font-weight: 400;">Companheiros de Viagem</span></i><span style="font-weight: 400;">. Os momentos finais de Tim Laughlin, ao lado de Hawkins Fuller, levam o espectador a pensar: ‘</span><i><span style="font-weight: 400;">o que eles teriam sido um para o outro se ficassem juntos?</span></i><span style="font-weight: 400;">’.</span></p>
<figure id="attachment_33527" aria-describedby="caption-attachment-33527" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33527" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image4-2.png" alt="Imagem da série Companheiros de Viagem. Na foto, os atores Jonathan Bailey e Matt Bomer estão sentados na areia da praia. Os dois estão utilizando uma camisa branca de botão e calças com tons acinzentados. Jonathan Bailey está usando óculos de sol e Mat Bomer está olhando para ele." width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image4-2.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image4-2-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image4-2-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image4-2-768x512.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33527" class="wp-caption-text">Fellow Travelers aborda o relacionamento de Hawkins Fuller e Tim Laughlin durante quatro décadas (Foto: Paramount+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos poderes mais especiais do audiovisual é a possibilidade do público  se enxergar na ficção. Entre temas mais pesados e vivências mais leves, a </span><a href="https://www.fundobrasil.org.br/blog/as-dificuldades-enfrentadas-pelas-pessoas-lgbtqia/#:~:text=Apesar%20de%20ter%20alcan%C3%A7ado%20muitas,justa%2C%20igualit%C3%A1ria%20e%20sem%20preconceitos."><span style="font-weight: 400;">vida </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">possui os mais diferentes retratos. Através deles, com histórias que aconteceram na vida real ou não, pessoas se identificam. Para alguns, séries e filmes são um mantra a ser seguido. Infelizmente, há diversos Hawkins Fuller e Tim Laughlin no mundo. Jovens que morreram por preconceito ou, até mesmo, pessoas que nunca puderam aproveitar a sua própria sexualidade. Se </span><i><span style="font-weight: 400;">Fellow Travelers</span></i><span style="font-weight: 400;"> tivesse mil universos, os personagens de Matt Bomer e Jonathan Bailey se apaixonariam um pelo outro todas as vezes. Eles não foram namorados e tampouco puderam assumir o amor que possuíam aos quatro cantos do mundo, mas se tornaram eternos companheiros de viagem.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Companheiros de Viagem Minissérie 2023 - TRAILER DUBLADO OFICIAL" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/t-gFkYDnZ8g?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Gatos, Fios Dentais e Amassos: Há 15 anos, Angus desaparecia pela primeira vez</title>
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		<pubDate>Fri, 08 Dec 2023 19:47:30 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ludmila Henrique A juventude é um tema indispensável no audiovisual. As inúmeras questões sobre esse momento singular de nossas vidas é, sem dúvidas, um prato cheio de possibilidades para os cineastas explorarem a sua criatividade e levantarem discussões pertinentes a respeito da adolescência, que muitas vezes são desconsideradas no mundo real. Há 15 anos, Gurinder &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/gatos-fios-dentais-e-amassos-15-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Gatos, Fios Dentais e Amassos: Há 15 anos, Angus desaparecia pela primeira vez"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32157" aria-describedby="caption-attachment-32157" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32157" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3-4.jpg" alt=" Cena do filme Gatos, Fios Dentais e Amassos. Da esquerda para a direita está Jas (Eleanor Tomlinson), uma jovem branca, de cabelo loiro preso em uma trança. Ao seu lado está Rosie Barnes (Georgia Henshaw), uma jovem branca, loira em uma tonalidade mais clara que a de Jas e com franja. No meio está Ellen (Manjeeven Grewal), uma jovem com ascendência indiana, de cabelo preto longo. Por fim, Georgia Nicolson (Georgia Groome), uma jovem branca, de cabelo castanho escuro e com franja. Todas estão vestindo o uniforme escolar, composto por uma saia xadrez, um casaco verde, um colete cinza, uma camiseta branca e uma gravata vermelha listrada. Elas estão ao ar livre, sentadas na grama." width="750" height="500" /><figcaption id="caption-attachment-32157" class="wp-caption-text">Se o inferno é uma garota adolescente, Georgia Nicolson está vivenciando seu próprio pesadelo (Foto: Paramount)</figcaption></figure>
<p><b>Ludmila Henrique</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A juventude é um tema indispensável no audiovisual. As inúmeras questões sobre esse momento singular de nossas vidas é, sem dúvidas, um prato cheio de possibilidades para os cineastas explorarem a sua criatividade e levantarem discussões pertinentes a respeito da adolescência, que muitas vezes são desconsideradas no mundo real. Há 15 anos, Gurinder Chadha, diretora renomada por suas adaptações contemporâneas de livros para filmes &#8211; como o longa-metragem </span><i><span style="font-weight: 400;">Noiva e Preconceito (2004)</span></i><span style="font-weight: 400;">, inspirado na literatura de Jane Austen -, retornava às telas do Cinema com o clássico</span><i><span style="font-weight: 400;"> cult</span></i> <a href="https://letterboxd.com/film/angus-thongs-and-perfect-snogging/"><i><span style="font-weight: 400;">Gatos, Fios Dentais e Amassos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2008)</span><span style="font-weight: 400;">, filme sobre o amadurecer de uma garota e que marcou uma nova geração de adolescentes. </span></p>
<p><span id="more-32154"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Adaptando os livros de Louise Rennison, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=eVkflcpw-yc"><i><span style="font-weight: 400;">Angus, Thongs and Perfect Snogging</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> narra a trajetória de Georgia Nicolson (Georgia Groome), uma jovem de 14 anos experienciando, ou melhor, suportando pela primeira vez, todas as emoções efervescentes que surgem na vida de mulheres durante a juventude. Sendo a única passando por esse momento dentro de casa, Georgia se sente incompreendida pelos familiares e encontra todo o apoio necessário no seu grupo de amigas, o </span><i><span style="font-weight: 400;">Ace Gang</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_32156" aria-describedby="caption-attachment-32156" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32156" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-4.jpg" alt="Cena do filme Gatos, Fios Dentais e Amassos. Da esquerda para a direita está Jas (Eleanor Tomlinson), uma jovem branca, de cabelo loiro preso em uma trança. Ela está vestindo uma blusa listrada rosa e cinza, um colar e uma jaqueta jeans azul. Ao seu lado está Georgia Nicolson (Georgia Groome), uma jovem branca, de cabelo castanho escuro e com franja. Ela está vestindo uma camiseta polo na cor magenta e uma jaqueta de algodão na cor cinza. Elas estão em uma loja de produtos orgânicos, em volta tem prateleiras com chás naturais, mesas e cadeiras para os clientes se servirem." width="1280" height="532" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-4.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-4-800x333.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-4-1024x426.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-4-768x319.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-4-1200x499.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32156" class="wp-caption-text">O filme é uma adaptação dos livros Gatos, Fios Dentais e Amassos e Ok, Estou Usando Calcinhas Gigantes (Foto: Paramount)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Georgia quer três coisas. Agir e ser respeitada como uma mulher adulta, realizar uma festa interessante para garantir status social dentro de sua escola e, por fim, conseguir um namorado bonitão. As coisas passam a ficar mais interessantes na vida de Nicolson quando ela se apaixona perdidamente por Robbie (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Ck2zVeH3eGQ"><span style="font-weight: 400;">Aaron Taylor-Johnson</span></a><span style="font-weight: 400;">), um dos novatos que chegaram de Londres para o seu colégio. Obviamente, ela vai elaborar um plano, envolvendo seu gato Angus, calcinhas fios dentais e bons beijos para conquistar o rapaz.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme é como um clássico bolo de chocolate: não é exatamente revolucionário e inovador, mas ainda é o favorito de muitos dentro do gênero </span><a href="https://www.cosmopolitan.com/entertainment/movies/g33624238/best-rom-com-movies-early-2000s-aughts/"><span style="font-weight: 400;">comédia romântica</span></a><span style="font-weight: 400;">. Apesar de Gurinder Chadha garantir um roteiro mais do mesmo, </span><i><span style="font-weight: 400;">Gatos, Fios Dentais e Amassos</span></i><span style="font-weight: 400;"> se distancia de outras dramédias clássicas dos anos 2000, por não se preocupar em parecer bobo ou até mesmo vergonhoso. A composição do longa-metragem é essencialmente brega e sabe transitar perfeitamente entre momentos cômicos e de amadurecimento da protagonista, colaborando para que cada situação constrangedora vivenciada pelos personagens fossem devidamente lembradas a longo prazo pelo público. </span></p>
<figure id="attachment_32159" aria-describedby="caption-attachment-32159" style="width: 930px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32159" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image5-2.png" alt="Cena do filme Gatos, Fios Dentais e Amassos. Da esquerda para a direita está Robbie (Aaron Taylor-Johnson), um jovem branco, de cabelo liso castanho e olhos azuis. Ele está vestindo uma camiseta branca, um colete de tricô preto, uma jaqueta preta de couro e uma calça jeans. Ao seu lado está Georgia Nicolson (Georgia Groome), uma jovem branca, de cabelo castanho escuro e com franja. Ela está vestindo uma blusa branca, um moletom de zíper roxo e uma saia jeans amarrada com um cinto também na cor roxa. Eles estão ao ar livre, em um parque, com várias árvores e arbustos." width="930" height="389" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image5-2.png 930w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image5-2-800x335.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image5-2-768x321.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32159" class="wp-caption-text">“Hold my hand, you muppet” (Foto: Paramount)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Robbie, assim como boa parte dos galãs de filmes </span><i><span style="font-weight: 400;">teens</span></i><span style="font-weight: 400;">, tem um toque de doçura e de mistério. Novo na cidade, mora com seu irmão gêmeo Tom (Sean Bourke) e com a mãe, que apesar de ser mencionada diversas vezes, nunca apareceu em tela. O rapaz poderia tranquilamente agir como um garoto problema, que guardou o rancor do mundo por conta do divórcio dos pais, pela mudança repentina que esse acontecimento gerou e, claro, descontar todo esse ódio nas melodias de sua banda de </span><a href="https://www.masterclass.com/articles/alternative-rock-guide"><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> alternativo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ainda assim, segue um caminho totalmente contrário ao esperado. Na verdade, ele é uma figura surpreendentemente madura, protetiva com a família, e que gosta de gatinhos e de bebericar chás.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa pessoalidade ambígua de Robbie, de ser um cara profundo e muitíssimo </span><i><span style="font-weight: 400;">gentlemen</span></i><span style="font-weight: 400;">, configurou Aaron Taylor-Johnson como um dos deuses gregos em 2008, não apenas pela aparência angelical, mas também pelo seu talento como intérprete e que hoje é visível em grandes obras como </span><i><span style="font-weight: 400;">Anna Karenina</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2012) e </span><a href="https://personaunesp.com.br/tenet-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Tenet</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2020). Um aborrecimento do roteiro é que incorpora Robbie apenas para ocupar o lugar de interesse amoroso da protagonista, sendo que a trajetória do personagem é intrigante e poderia ser mais trabalhada pelos escritores. </span></p>
<figure id="attachment_32155" aria-describedby="caption-attachment-32155" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32155" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image1-4.jpg" alt="Cena do filme Gatos, Fios Dentais e Amassos. Da esquerda para a direita está Robbie (Aaron Taylor-Johnson), um jovem branco, de cabelo liso castanho e olhos azuis. Ele está vestindo uma camiseta listrada cinza e preta, um casaco azul escuro e uma calça jeans, ele está segundo um caderno de anotações em suas mãos. Ao seu lado está Georgia Nicolson (Georgia Groome), uma jovem branca, de cabelo castanho escuro e com franja. Ela está vestindo uma blusa e um casaco listrado nas cores cinza, preto e verde, ela também está vestindo uma calça jeans azul claro. Os dois estão sentados ao ar livre, na frente de uma praia." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image1-4.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image1-4-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32155" class="wp-caption-text">Ultraviolet atingiu a 41 posição nas paradas da Billboard Reino Unido (Foto: Paramount)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A trilha sonora é ditada sobretudo pelos The Stiff Dylans, grupo musical do Reino Unido originado para ser a banda de Robbie no longa-metragem. Pensada inicialmente para ser fictícia, eles atingiram um grande público com as canções </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kCOvld3nh7I"><i><span style="font-weight: 400;">Ultraviolet</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2008), música tema do filme, e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=aUVVRyjiVzo"><i><span style="font-weight: 400;">Ever Fallen in Love</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1978), cover dos </span><i><span style="font-weight: 400;">Buzzcocks</span></i><span style="font-weight: 400;"> que também foi sonorizada nas gravações. Embora o tão sonhado álbum dos </span><i><span style="font-weight: 400;">Stiff Dylans</span></i><span style="font-weight: 400;"> permaneceu apenas no papel, o refrão “</span><i><span style="font-weight: 400;">Queima quando estou ao seu lado, sua luz é ultravioleta</span></i><span style="font-weight: 400;">” sempre estará fixado no imaginário popular.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contrária a Robbie, Georgia Nicolson vive de urgências. Urgência em ser boa em todos os aspectos possíveis, na popularidade, na vida pessoal e amorosa. Nicolson é a típica </span><a href="https://www.cosmopolitan.com/uk/entertainment/a44610881/angus-thongs-and-perfect-snogging-15th-anniversary/"><span style="font-weight: 400;">adolescente</span></a><span style="font-weight: 400;"> que considera cada detalhe como importante e significativo. O problema dessa perfeição toda é que ela vem acompanhada de ações que a jovem considera interessante para as outras pessoas e não exatamente para ela mesma. Esse agir gera inúmeras adversidades ao longo do filme, não apenas na autoestima da garota, que configura o fato das pessoas não gostarem dela a algum ataque pessoal e não aos seus erros cometidos, mas também pela perda de confiança por parte de quem foi magoado por suas ações.</span></p>
<figure id="attachment_32158" aria-describedby="caption-attachment-32158" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32158" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image4-3.jpg" alt="Cena do filme Gatos, Fios Dentais e Amassos. Da esquerda para a direita está Georgia Nicolson (Georgia Groome), uma jovem branca, de cabelo castanho escuro e com franja. Ela está vestindo um vestido tomara que caia roxo. Ao seu lado está Robbie (Aaron Taylor-Johnson), um jovem branco, de cabelo liso castanho e olhos azuis. Ele está vestindo uma camiseta branca. Os dois estão se abraçando e olhando um para o outro. Eles estão em um ambiente fechado, com paredes escuras. " width="750" height="499" /><figcaption id="caption-attachment-32158" class="wp-caption-text">Georgia Nicolson correu para que Devi Vishwakumar pudesse voar (Foto: Paramount)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Georgia é quase uma versão inglesa de Devi Vishwakumar, do seriado da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/eu-nunca-2a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Eu Nunca</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2020). Além das personalidades fortes e imaginativas, o arco das personagens é quase idêntico, tirando o fato de que Georgia não está inserida em nenhum triângulo amoroso. Ambas também se aproximam pelas várias questões familiares enfrentadas por elas. Nicolson vivencia o medo constante do divórcio de seus pais, Connie (Karen Taylor) e Bob (Alan Davies), após a transferência de emprego de seu pai para a Nova Zelândia. Inicialmente, acreditava que poderia ser interessante não ter um deles por perto, mas a ausência de Bob favoreceu para os momentos de solidão e exclusão da garota fossem aos extremos, quando, na verdade, ela apenas precisava de um conselho paterno. </span></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=OjVL-Dd5SFA&amp;t=20s"><i><span style="font-weight: 400;">Gatos, Fios Dentais e Amassos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um filme colegial clássico, porém muito britânico. Embora bobo e descontraído, a trama é dominada pela nostalgia do início ao fim, transportando a lembrança de vivenciar novamente a época do primeiro amor, das revistas </span><i><span style="font-weight: 400;">teens</span></i><span style="font-weight: 400;"> e dos pôsteres de </span><i><span style="font-weight: 400;">boybands</span></i><span style="font-weight: 400;"> na parede. Há 15 anos, o longa-metragem, que hoje é um adolescente, capturava em tela os anseios da juventude com um humor bobo, brega e descontraído, assim como a nossa adolescência deveria ser.</span></p>
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		<title>O Conto da Aia não sabe a hora de se despedir</title>
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		<pubDate>Tue, 05 Dec 2023 20:03:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Giovanna Freisinger Na televisão, a regra é clara: quanto mais tempo no ar, mais dinheiro para a emissora. Há pelo menos duas temporadas, O Conto da Aia vem tentando encontrar maneiras de adiar ao máximo seu inevitável fim. A conclusão da quarta renovou os ares para o enredo, com June (Elisabeth Moss) finalmente escapando de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/the-handmaids-tale-5-temp-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Conto da Aia não sabe a hora de se despedir"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32079" aria-describedby="caption-attachment-32079" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32079" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image1-2.png" alt="Cena da série O Conto da Aia. Serena (Yvonne Strahovski), centralizada na tela dos ombros para cima. A personagem veste um traje todo preto, com um véu sobre o rosto.]" width="1999" height="1125" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image1-2.png 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image1-2-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image1-2-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image1-2-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image1-2-1536x864.png 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32079" class="wp-caption-text">A quinta temporada de O Conto da Aia deixa vários ganchos em aberto, para evitar que os fãs que restaram virem as costas antes da conclusão final (Foto: Paramount+)</figcaption></figure>
<p><b>Giovanna Freisinger</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na televisão, a regra é clara: quanto mais tempo no ar, mais dinheiro para a emissora. Há pelo menos duas temporadas, </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-handmaids-tale-4a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Conto da Aia</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> vem tentando encontrar maneiras de adiar ao máximo seu inevitável fim. A conclusão da quarta renovou os ares para o enredo, com June (</span><a href="https://personaunesp.com.br/o-homem-invisivel-critica/"><span style="font-weight: 400;">Elisabeth Moss</span></a><span style="font-weight: 400;">) finalmente escapando de Gilead e alcançando sua liberdade, mas, ao arrastar o desenrolar desse novo cenário durante toda a extensão da quinta, a história caiu em mais um ciclo repetitivo. A série, que antes prendia a atenção mesmo diante das sequências mais difíceis de digerir, agora não consegue manter o espectador interessado o suficiente para o próximo episódio. </span></p>
<p><span id="more-32078"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O lançamento de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Handmaid’s Tale</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi um divisor de águas para a emissora </span><i><span style="font-weight: 400;">Hulu </span></i><span style="font-weight: 400;">e um marco para a indústria. A produção era sempre mencionada entre os destaques da chamada nova era de ouro da televisão. Em 2017, seu ano de lançamento, ganhou oito dos treze troféus </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/emmy/"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">a que concorria, inclusive o de Melhor Série de Drama. Esse ano, a obra que costumava varrer a premiação foi indicada em apenas uma categoria: Melhor Atriz em Série de Drama, contemplando o trabalho de Elisabeth Moss. A atriz já recebeu outras sete nomeações e levou para casa dois prêmios, um pela mesma categoria desse ano e o de Melhor Série de Drama, já mencionado, enquanto produtora.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com a história baseada no </span><a href="https://youtu.be/7v-mfJMyBO0?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">romance</span></a><span style="font-weight: 400;"> de 1985 de mesmo nome escrita por </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2019/09/06/cultura/1567786560_937893.html"><span style="font-weight: 400;">Margaret Atwood</span></a><span style="font-weight: 400;"> (que explora uma distopia totalitária fundamentalista cristã, fundada sobre discursos não tão distantes da nossa realidade), a série foi um sucesso absoluto, em audiência e em recepção da crítica. Rapidamente se tornou um fenômeno cultural: as frases, os símbolos e as vestimentas ficcionais foram incorporados por </span><a href="https://www.handmaidsbrasil.com/2018/08/the-handmaids-tale-e-os-protestos-ao-redor-do-mundo-desde-que-foi-lancada.html"><span style="font-weight: 400;">movimentos sociais</span></a><span style="font-weight: 400;"> reais ao redor do mundo, para comunicar mensagens importantes em comum com a temática da obra.</span></p>
<figure id="attachment_32081" aria-describedby="caption-attachment-32081" style="width: 999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32081" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3-3.png" alt="Cena da série O Conto da Aia. June está de pé, centralizada na cena, no quintal da sua casa com o chão coberto de neve. A personagem está atrás de um cesto pegando fogo, com as chamas na altura do seu peito, queimando algo.]" width="999" height="576" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3-3.png 999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3-3-800x461.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3-3-768x443.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32081" class="wp-caption-text">Atwood gosta de enfatizar que não há nada no livro que já não tenha acontecido de verdade em algum momento da história, em algum lugar do mundo (Foto: Paramount+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre os grandes diferenciais de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Conto da Aia</span></i><span style="font-weight: 400;"> sempre esteve a </span><a href="https://youtu.be/hZoJgc6TA0s?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">fotografia provocativa</span></a><span style="font-weight: 400;">, do diretor Colin Watkinson, o que consolidou uma forte identidade visual para a obra. Nas paisagens da fria e dura Gilead, se destacam os </span><a href="https://roupadeficcao.wixsite.com/roupadeficcao/post/the-handmaid-s-tale"><span style="font-weight: 400;">uniformes</span></a><span style="font-weight: 400;"> coloridos que separam as castas &#8211; especialmente o vermelho sangue dos mantos das aias. As representações dos rituais e cerimônias traziam beleza ao perverso, com a coreografia da câmera, dos atores e do cenário em sincronia. A </span><a href="https://youtu.be/WkCu6-YPnS0?si=RIC0Hl8rAq3OgTi-"><span style="font-weight: 400;">semiótica</span></a><span style="font-weight: 400;"> não era só muito agradável aos olhos, mas foi também um mecanismo utilizado para elevar a história, capaz de transmitir sensações e imergir o espectador naquele universo cruel, com eventuais pistas de humanidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após a transição para Toronto, no entanto, o visual se perdeu, a ponto das cenas serem facilmente confundidas com qualquer outra série americana genérica de uma grande emissora. A direção manteve a qualidade e se destaca em momentos, mas às vezes tropeça em escolhas confusas que parecem uma tentativa desesperada de compensar o roteiro fraco e invocar algum drama. Três dos dez episódios, inclusive o final, </span><i><span style="font-weight: 400;">Segurança</span></i><span style="font-weight: 400;">, foram dirigidos por </span><a href="https://youtu.be/GRCMqjuRydw?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">Moss</span></a><span style="font-weight: 400;">, que se arriscou por trás das câmeras pela primeira vez na temporada anterior e demonstrou potencial.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A repetição dos mesmos conflitos e dinâmicas balança a catarse na frente dos olhos do público, mas nunca o deixa alcançá-la. A </span><a href="https://musicaecinema.com/o-conto-da-aia-quando-estreia-a-6a-temporada-de-the-handmaids-tale/"><span style="font-weight: 400;">sexta temporada</span></a><span style="font-weight: 400;"> já está confirmada como a última e, com isso, muitas questões em aberto precisarão ser solucionadas. Porém, nos distanciamos tanto da luta e do sangue dos primeiros episódios, que essas tão esperadas resoluções perderam a urgência.</span> <span style="font-weight: 400;">Quando a história ainda fazia sentido, cada capítulo ficava na mente por dias depois de assistido. Isso não acontece mais, as direções tomadas se tornaram banais e esquecíveis.</span></p>
<figure id="attachment_32080" aria-describedby="caption-attachment-32080" style="width: 1400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32080" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-3.png" alt="Cena da série O Conto da Aia. Close no rosto de June. A personagem olha de baixo para cima direto para a câmera, com as sobrancelhas franzidas em uma expressão de ódio.]" width="1400" height="787" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-3.png 1400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-3-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-3-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-3-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-3-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32080" class="wp-caption-text">A sexta temporada deve ir ao ar em 2025, um ano após o esperado inicialmente, em consequência das greves que tomaram Hollywood esse ano (Foto: Paramount+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, é difícil deixar a série ruim, por o material original ser tão bom &#8211; apesar de parecer não faltar esforços por parte da produção. Mesmo tendo perdido o foco, o roteiro do criador Bruce Miller incorpora novos elementos interessantes, agora fora do sistema de Gilead que já conhecemos, como o crescimento do sentimento de ódio aos imigrantes no Canadá e a formação de movimentos de apoio ao governo teocrático no país, nos lembrando como a distopia pode estar </span><a href="https://www.stylist.co.uk/books/handmaids-tale-true-story/130001"><span style="font-weight: 400;">mais próxima</span></a><span style="font-weight: 400;"> do que imaginamos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Também é muito interessante a maneira como a quinta temporada se aprofunda nos efeitos do trauma sobre as personagens e como ele se manifesta no dia a dia e em seus relacionamentos. June e as outras sobreviventes experienciam sentimentos conflitantes ao se verem diante de uma encruzilhada: buscar vingança ou seguir em frente e tentar retomar suas vidas. Os que ficaram, como Luke (</span><a href="https://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/series/ator-de-handmaids-tale-defende-que-opressao-da-gilead-nao-e-obra-de-ficcao-56496"><span style="font-weight: 400;">O-T Fagbenle</span></a><span style="font-weight: 400;">), têm que lidar com seu próprio trauma, enquanto se mantém consciente de que nunca será capaz de compreender o que a esposa passou e, portanto, como ela se sente e age. June Osborne continua sendo uma das personagens mais bem construídas da televisão, mesmo que, infelizmente, nem ela resista ao esgotamento do conteúdo. Está na hora de <i>O Conto da Aia </i>acabar com a tortura de June &#8211; e do seu público. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="The Handmaid&#039;s Tale |  Trailer Oficial | 18 de setembro | Paramount Plus Brasil" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/LDUoUr7HT5E?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Teto para Dois tem elenco perfeito, mas um roteiro ambíguo e estereotipado</title>
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		<pubDate>Mon, 27 Nov 2023 21:43:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Televisão]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Anna Clara Leandro Candido]]></category>
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		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Anna Clara Leandro Candido Há anos, o Cinema e a Televisão se alimentam da Literatura para produzir sucessos de audiência e público. Isso vai desde o clássico Orgulho e Preconceito às séries de filmes Harry Potter e Jogos Vorazes, entre outros. Esse também é o caso de Teto para Dois, livro da autora inglesa Beth &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/teto-para-dois-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Teto para Dois tem elenco perfeito, mas um roteiro ambíguo e estereotipado"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31963" aria-describedby="caption-attachment-31963" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31963" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Captura-de-tela-2023-11-27-182558-800x434.png" alt="Texto alternativo: Cena da série &quot;Teto Para Dois&quot; . Nela, podemos ver os personagens em um apartamento elegante e moderno, olhando um para o outro, enquanto a mulher branca na esquerda usando um vestido branco de bolinhas pretas e um homem negro de barba na direita usa um terno e gravata preta sob uma blusa branca com listras e segura flores." width="800" height="434" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Captura-de-tela-2023-11-27-182558-800x434.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Captura-de-tela-2023-11-27-182558-1024x556.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Captura-de-tela-2023-11-27-182558-768x417.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Captura-de-tela-2023-11-27-182558-1200x652.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Captura-de-tela-2023-11-27-182558.png 1405w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31963" class="wp-caption-text">O best-seller da autora Beth O’Leary foi adaptado para às telas pelo streaming Paramount+ (Foto: Paramount+)</figcaption></figure>
<p><b>Anna Clara Leandro Candido</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há anos, o Cinema e a Televisão se alimentam da Literatura para produzir sucessos de audiência e público. Isso vai desde o clássico </span><i><span style="font-weight: 400;">Orgulho e Preconceito</span></i><span style="font-weight: 400;"> às séries de filmes </span><a href="https://personaunesp.com.br/harry-potter-e-a-pedra-filosofal-20-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Harry Potter</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e</span> <a href="https://personaunesp.com.br/jogos-vorazes-10-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Jogos Vorazes</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, entre outros. Esse também é o caso de </span><i><span style="font-weight: 400;">Teto para Dois</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.intrinseca.com.br/livro/915/"><span style="font-weight: 400;">livro</span></a><span style="font-weight: 400;"> da autora inglesa Beth O’Leary, que recentemente foi adaptado em uma série original do </span><i><span style="font-weight: 400;">Paramount+</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-31962"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O romance acompanha a história de Tiffany (Jessica Brown Findlay) e Leon (Anthony Welsh), dois jovens adultos londrinos que, por motivos pessoais, passam a morar sob o mesmo teto e dividir a mesma cama, mas em horários diferentes. O velho clichê de só haver uma cama para dois desconhecidos — como os açucarados livros </span><a href="https://www.record.com.br/produto/de-ferias-com-voce/"><i><span style="font-weight: 400;">De Férias com Você</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Imperfeitos</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.editoraarqueiro.com.br/livros/uma-farsa-de-amor-na-espanha/"><i><span style="font-weight: 400;">Uma Farsa de Amor na Espanha</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> —</span></i><span style="font-weight: 400;"> é o pano de fundo para o desenvolvimento do improvável romance entre uma mulher extrovertida, animada e vítima de um antigo relacionamento abusivo, e um homem introvertido, tímido, com </span><a href="https://www.eusemfronteiras.com.br/sindrome-de-super-heroi/"><span style="font-weight: 400;">complexo de herói</span></a><span style="font-weight: 400;"> e problemas familiares.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Teto para Dois</span></i><span style="font-weight: 400;"> sofre das mesmas vantagens e desvantagens que qualquer obra literária passa ao ser adaptada para as telas. Ao passo que acerta na escalação dos atores, o  roteiro de </span><a href="https://www.instagram.com/roselewenstein/"><span style="font-weight: 400;">Rose Lewenstein</span></a><span style="font-weight: 400;"> altera certas cenas e funções dos personagens ao ponto de prejudicar a essência e composição da história. Os atores principais, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cizjoiU2y_E"><span style="font-weight: 400;">Brown Findlay</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hGS-gprhW_U"><span style="font-weight: 400;">Welsh</span></a><span style="font-weight: 400;">, são a encarnação completa dos protagonistas e coadjuvantes em tela: desde a caracterização até os pequenos revirar de olhos de Findlay e os suspiros exasperados de Welsh, todos os gestos transmitem a essência literária de Tiffany e Leon.</span></p>
<figure id="attachment_31964" aria-describedby="caption-attachment-31964" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31964" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/leon-and-tiffany-episode-5-the-flatshare-800x393.webp" alt="Cena da série &quot;Teto Para Dois&quot;. Na esquerda temos o ator Anthony Welsh que interpreta Leon,  homem negro com barba e vestindo uma blusa de frio preta, está ao lado da atriz Jessica Brown Findlay que intepreta a personagem Tiffany, uma mulher branca de cabelos ondulados, usando uma blusa vermelha de mangas compridas" width="800" height="393" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/leon-and-tiffany-episode-5-the-flatshare-800x393.webp 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/leon-and-tiffany-episode-5-the-flatshare-1024x503.webp 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/leon-and-tiffany-episode-5-the-flatshare-768x377.webp 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/leon-and-tiffany-episode-5-the-flatshare-1200x590.webp 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/leon-and-tiffany-episode-5-the-flatshare.webp 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31964" class="wp-caption-text">Jessica Brown Findlay e Anthony Welsh vivem muitos momentos românticos em tela como Tiffany e Leon (Foto: Paramount+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O mesmo vale para os atores </span><a href="https://www.instagram.com/jonahhauerking/"><span style="font-weight: 400;">Jonah Hauer-King</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.instagram.com/luckyshanniiee/"><span style="font-weight: 400;">Shaniqua Okwok</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.instagram.com/georginapeggy/"><span style="font-weight: 400;">Gina Bramhill</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos papéis de Mo, Maia e Rachel, amigos de Tiffany, e </span><a href="https://www.instagram.com/sb_grant/"><span style="font-weight: 400;">Shaq B Grant</span></a><span style="font-weight: 400;">, como Richie, irmão de Leon. Cada um deles deu um </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;"> em suas respectivas interpretações e deixou um gostinho de quero mais na boca dos espectadores, justamente porque não receberam o tempo de tela ou desenvolvimento que mereciam.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse é o caso da personagem Rachel, que teve sua personalidade e valores distorcidos em prol de um enredo</span> <span style="font-weight: 400;">fraco e estereotipado. No livro, ela era uma amiga leal e companheira que, apesar de um pouco avoada, ajudou Tiffany a passar por diversos momentos difíceis. Já na série, foi transformada em uma mulher invejosa e mesquinha apenas para promover um intriga desnecessária com base na </span><a href="https://www.estadao.com.br/emais/moda-e-beleza/por-que-as-mulheres-competem-entre-si/"><span style="font-weight: 400;">rivalidade feminina</span></a><span style="font-weight: 400;">. Isso destruiu as boas mudanças na construção da personalidade de Rachel, ajudando a evidenciar o roteiro fraco da série que reescreveu uma personagem para adicionar um drama inoportuno ao desenvolvimento da obra.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outra afetada pela adaptação televisiva foi a pequena Holly. Enquanto, no livro, ela e Richie eram os conselheiros e indicadores das mudanças de Leon; na versão televisiva, a pequena foi usada como um tapa-buraco criado pelas más escolhas do roteirista </span><a href="https://www.instagram.com/roselewenstein/"><span style="font-weight: 400;">Rose Lewenstein</span></a><span style="font-weight: 400;">, como o fato de tirarem a iniciativa de achar o Sr. White do Leon e passar essa tarefa a menina. No fim, Holly também teve seu destino alterado com relação à trama original e acabou com um final vazio, desproporcional à importância que tinha na vida de Leon.</span></p>
<figure id="attachment_31965" aria-describedby="caption-attachment-31965" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31965" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Imagem-3-800x393.jpg" alt="Cena da série Teto para Dois. Nela, vemos Tiffany, uma mulher branca de cabelos ondulados, que está  atrás do microfone em um pódio com uma roupa de babados e bolinhas e dois homens e duas mulheres ao seu lado esquerdo, todos vestidos" width="800" height="393" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Imagem-3-800x393.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Imagem-3-1024x503.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Imagem-3-768x377.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Imagem-3-1200x590.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Imagem-3.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31965" class="wp-caption-text">Tiffany é uma personagem complexa que teve seu processo de cura injustiçado pelo roteiro e direção da série (Foto: Paramount+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No fim, o roteiro de</span><a href="https://www.instagram.com/roselewenstein/"><span style="font-weight: 400;"> Lewenstein</span></a><span style="font-weight: 400;"> e direção de Peter Cattaneo cometem o maior dos pecados com o livro de Beth O’Leary ao tratarem o processo de cura de uma mulher que acabou de terminar um namoro tóxico, tomado por anos de </span><i><span style="font-weight: 400;">gaslighting</span></i><span style="font-weight: 400;">, de maneira ambígua. </span><i><span style="font-weight: 400;">Teto para dois</span></i><span style="font-weight: 400;"> é e sempre foi um romance com enredo clichê, mas sua essência nunca se baseou apenas nisso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A complexidade dessa narrativa está na história de Tiffany, uma mulher que por anos nunca acreditou que poderia, por exemplo, pegar o metrô sozinha ou enxergar sua própria beleza por causa do </span><a href="https://zenklub.com.br/blog/transtornos/o-que-e-o-gaslighting/"><i><span style="font-weight: 400;">gaslighting</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> que seu ex-namorado Justin (</span><a href="https://www.instagram.com/bartedwards/"><span style="font-weight: 400;">Bart Edwards</span></a><span style="font-weight: 400;">) realizou durante sua relação. O livro é uma obra linda sobre o autoconhecimento, a cura e as dores de superar um trauma tão pessoal e perigoso como  um relacionamento amoroso abusivo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse tipo de agressão não é facilmente visível para a própria vítima, muito menos para a sociedade, e por isso não pode ser adaptada de uma forma ambígua como foi feito em </span><i><span style="font-weight: 400;">Teto para Dois.</span></i><span style="font-weight: 400;"> É visível que a intenção da roteirista e do diretor foi retratar como as pessoas ao redor da vítima podem interpretá-las mal e gerar certo afastamento, pois exilar a parceira e fazê-la ser erroneamente compreendida por seus amigos e familiares é uma das táticas de controle e de dominação que o agressor usa em um </span><a href="https://www.ip.usp.br/site/noticia/entenda-o-que-e-um-relacionamento-toxico-e-saiba-como-identificar-os-sinais-de-alerta/"><span style="font-weight: 400;">relacionamento tóxico</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_31966" aria-describedby="caption-attachment-31966" style="width: 720px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31966" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Imagem-4.jpg" alt="Cena da série Teto para Dois. Nela, vemos a personagem Tiffany com seu cabelo ondulado, cortado na altura do ombro, usando um Blaze xadrez preto e branco, blusa preta e acessórios, está olhando para o computador enquanto segura sua própria mão." width="720" height="480" /><figcaption id="caption-attachment-31966" class="wp-caption-text">Jessica Brown Findlay já atuou em outros títulos como Downton Abbey e Admirável Mundo Novo (Foto: Paramount+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, a imprecisão e relatividade com que o roteiro tratou a relação de Justin e Tiffany fez com que, em muitas cenas, ela fosse caracterizada com atitudes e escolhas de uma garota estereotipada como pegajosa, e não uma vítima de um abuso em recuperação. Não basta colocar cenas da personagem em um ataque de pânico ou — para indicar a </span><a href="https://amenteemaravilhosa.com.br/violencia-nos-relacionamentos-amorosos/"><span style="font-weight: 400;">superação da violência</span></a><span style="font-weight: 400;"> — fazendo uma escolha diferente do que faria antes, como uma forma de retratar as consequências desse tipo de abuso na vida e saúde da mulher. É preciso, tanto dentro e fora da trama, verbalizar, externalizar, ter conversas e explicações do que está acontecendo como uma forma de processar o trauma.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No livro, esse é o papel de Mo, que é psicólogo e o primeiro personagem a perceber a situação de Tiffany, acolhê-la e guiá-la da maneira correta. Contudo, não há essa pessoa e voz na série, o que cria brechas para interpretações equivocadas por parte do público que nunca teve contato com o romance, e, infelizmente, ainda não está completamente apto a entender as complexidades e consequências que um parceiro violento e suas </span><a href="https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2021/01/28/gaslighting-como-identificar-a-manipulacao-psicologica-em-relacionamentos.htm"><span style="font-weight: 400;">manipulações</span></a><span style="font-weight: 400;"> psicológicas causam na vida de uma mulher. No início do seriado, Tiffany fica embriagada e é levada para casa por Mo, mas em nenhum momento eles conversam sobre o que está acontecendo e, no decorrer da trama, ela não busca ajuda profissional, como acontece na obra original.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><span class="embed-youtube" style="text-align:center; display: block;"><iframe loading="lazy" class="youtube-player" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/p0K4W7YW0zI?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-BR&#038;autohide=2&#038;start=1&#038;wmode=transparent" allowfullscreen="true" style="border:0;" sandbox="allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox"></iframe></span></div>
<p><span style="font-weight: 400;">A série tem êxito em seu retrato da paixão entre dois personagens que despretensiosamente encontram um no outro a inspiração e força para superar seus piores momentos, além de contar com atores maravilhosos em suas interpretações, que realmente conseguiram tirar do papel todos os amados membros da obra de Beth O’Leary. No entanto, o restante não prova seu valor em enredo, roteiro e direção; nem como uma adaptação, nem como uma obra original.</span><i><span style="font-weight: 400;"> </span></i></p>
<p><a href="https://www.intrinseca.com.br/blog/2023/03/teto-para-dois-5-semelhancas-e-diferencas-entre-a-serie-e-o-livro/"><i><span style="font-weight: 400;">Teto para Dois</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é uma história que merecia mais: mais cuidado, mais tempo e mais investimento. Ainda assim, a produção carrega em si uma mensagem necessária para desenvolver a empatia e conscientização em uma sociedade ainda muito disfuncional na compreensão das complexidades de um relacionamento abusivo e suas consequências.</span></p>
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		<title>As Yellowjackets fazem seus sacrifícios</title>
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		<pubDate>Mon, 10 Jul 2023 18:46:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Oliveira F. Arruda Há como argumentar que não há sentimento mais antigo à humanidade do que a fome. Não apenas a sempre presente fome metafórica para expandir a experiência humana (poder, conhecimento, amor, etc), mas a fome que serve ao imperativo biológico máximo: sobrevivência. Todos nós nascemos com um espaço vazio na barriga, que &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/yellowjackets-2a-temporada-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "As Yellowjackets fazem seus sacrifícios"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31266" aria-describedby="caption-attachment-31266" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31266" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image7.png" alt="Cena da segunda temporada de Yellowjackets. Lottie (Courtney Eaton) olha para dentro de uma janela coberta por neve. A câmera está olhando para ela de dentro para fora. Lottie é uma adolescente de descendência indo-asiática, com pele marrom, cabelos longos e olhos marrons. Suas bochechas estão coradas pelo frio intenso, e ela tenta tirar neve da janela com sua mão direita. Sua expressão é de medo e consternação. Atrás dela, podemos ver uma paisagem florestal fora de foco, branca por conta da nevada. Do lado de dentro, podemos enxergar um fecho metálico do lado de dentro da janela, parecido com uma maçaneta." width="1600" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image7.png 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image7-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image7-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image7-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image7-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image7-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31266" class="wp-caption-text">“O Destino/Contra a sua vontade/Para o que der e vier/Vai esperar até/Você se entregar a ele” &#8211; Echo &amp; the Bunnymen, “<a href="https://www.letras.mus.br/echo-and-the-bunnymen/78936/">The Killing Moon</a>” (Foto: Showtime)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Oliveira F. Arruda</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há como argumentar que não há sentimento mais antigo à humanidade do que a </span><a href="https://www.michigandaily.com/arts/digging-into-the-heart-of-the-cannibal-romance/"><span style="font-weight: 400;">fome</span></a><span style="font-weight: 400;">. Não apenas a sempre presente fome metafórica para expandir a experiência humana (poder, conhecimento, amor, etc), mas a fome que serve ao imperativo biológico máximo: sobrevivência. Todos nós nascemos com um espaço vazio na barriga, que grita para ser preenchido que paradoxalmente nunca o será &#8211; pelo menos não por muito tempo. Neste exato momento, se você se concentrar, é possível olhar para dentro e sentir a besta arreganhando os dentes ou lambendo as patas, se preparando para a próxima caçada. Até que ponto você consegue deixar ela enjaulada?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na segunda temporada de </span><a href="https://personaunesp.com.br/yellowjackets-1a-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Yellowjackets</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, drama do </span><i><span style="font-weight: 400;">Showtime</span></i><span style="font-weight: 400;"> indicado ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/emmy/"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, nos reencontramos com o time de futebol feminino de Wiskayok High, dessa vez tendo que sobreviver ao brutal inverno canadense, com a falta de comida e tensões crescentes entre o grupo ameaçando enterrá-las sob a neve. Em um </span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Flashforward"><i><span style="font-weight: 400;">flashforward</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> para o momento de seu resgate, diversos repórteres se amontoam sobre elas, todos desejando serem os primeiros a perguntar o que todos querem saber: </span><i><span style="font-weight: 400;">como elas sobreviverem lá fora?</span></i><span style="font-weight: 400;"> Lottie (Courtney Eaton) é a única a oferecer uma resposta, na forma de um grito primal e sinistro que ecoa sobre a audiência antes de ser engolido pela abertura do seriado.</span></p>
<p><span id="more-31259"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://www.otempo.com.br/entretenimento/filmes-e-series/yellowjackets-as-tragedias-da-vida-real-que-inspiraram-a-serie-1.2841680"><span style="font-weight: 400;">canibalismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> sempre foi o grande segredo aberto de </span><i><span style="font-weight: 400;">Yellowjackets</span></i><span style="font-weight: 400;">. Desde que o episódio piloto fechou com uma ceia macabra entre figuras mascaradas, nós sabíamos que aquelas garotas iriam se tornar caçadoras de si mesmas. Ao fornecer primeiro o resultado da equação, o seriado derrama seu foco sobre as variáveis que o possibilitaram, em que o mistério não é o que vai ou não acontecer, mas o porquê de acontecer. Havia mesmo uma força sobrenatural influenciando os acontecimentos naquela floresta, ou apenas um grupo de garotas forçadas a se desprender da realidade para sobreviver? E, crucialmente, há alguma diferença entre um e outro?</span></p>
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<p><span style="font-weight: 400;">Fica óbvio relativamente cedo que </span><i><span style="font-weight: 400;">Yellowjackets </span></i><span style="font-weight: 400;">não voltou com a intenção de se provar. Enquanto a primeira temporada termina com um questionamento (“</span><i><span style="font-weight: 400;">Quem diabos é Lottie Matthews?</span></i><span style="font-weight: 400;">”), a segunda começa imediatamente com a resposta, na forma da introdução da versão adulta da personagem, interpretada pela neozelandesa Simone Kessell, que lidera uma “comunidade intencional” que, segundo a própria, definitivamente</span><i><span style="font-weight: 400;"> não </span></i><span style="font-weight: 400;">é um </span><a href="https://www.gamereactor.pt/o-numero-de-telefone-para-o-culto-de-lottie-em-yellowjackets-realmente-funciona-829093/"><span style="font-weight: 400;">culto</span></a><span style="font-weight: 400;">. Tanto lá quanto na floresta, a motivação de Lottie parece ser apenas a de querer ajudar aqueles ao seu redor a sobreviver. Ao invés da líder religiosa pagã que nos foi prometida, a personagem na nossa frente parece ser um livro aberto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A disposição a subverter nossas expectativas é inerente à </span><i><span style="font-weight: 400;">Yellowjackets</span></i><span style="font-weight: 400;">, que sempre soube surpreender usando seu arsenal duplamente versátil de atrizes. Na segunda temporada, essa disposição se torna uma faca de dois gumes, já que agora não estamos mais atrelados à versão introdutória dessas personagens e começamos a determinar melhor o arco prometido pela produção, que insiste em jogar com cautela quando esperamos que ela será ousada. O ritmo lento, a exibição semanal e a </span><a href="https://edition.cnn.com/2023/03/23/entertainment/yellowjackets-lost-season-2/index.html"><span style="font-weight: 400;">sede por respostas</span></a><span style="font-weight: 400;"> de seu público contribuem para uma temporada que por vezes frustra por parecer reter suas melhores cartas para sua conclusão. Não demora para percebermos que cada fim de capítulo termina com uma promessa para a semana seguinte, um padrão desleal de serialização que parece ir contra às tendências subversivas da série.</span></p>
<figure id="attachment_31261" aria-describedby="caption-attachment-31261" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31261" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image4-1.png" alt="Cena da segunda temporada de Yellowjackets. Várias meninas se reúnem ao redor de uma fonte de luz, em cenário nevado, formando uma meia lua enquanto olham para a luz vinda do canto inferior esquerdo da tela. Da direita para a esquerda vemos Van (Liv Hewson), Taissa (Jasmin Savoy-Brown), Natalie (Sophie Thatcher), Akilah (Keeya King), Lottie (Courtney Eaton), Shauna (Sophie Nélisse), Mari (Alexa Barajas), Misty (Samantha Hanratty) e Crystal (Nuha Jes Izman). Na parte de trás, no canto superior direito, vemos o treinador Scott (Steven Krueger) se apoiando contra a entrada da cabana, também observando. Dando um passo para a frente e se posicionando no centro do semicírculo, está Shauna, uma adolescente caucasiana pálida e grávida, usando várias camadas de materiais para se aquecer. O restante das adolescentes usam a mesma variação de roupas, misturando tecidos cobertos com uniformes do time." width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image4-1.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image4-1-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image4-1-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image4-1-768x512.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31261" class="wp-caption-text">O elenco jovem de Yellowjackets fica ainda maior graças a adição de alguns membros do time reserva que convenientemente ainda não haviam falado antes (Foto: Showtime)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na linha temporal de 1996, o inverno faz </span><a href="https://theface.com/culture/how-the-cast-of-yellowjackets-became-behind-the-scenes-besties-season-two"><span style="font-weight: 400;">as Yellowjackets</span></a><span style="font-weight: 400;"> a se abrigarem quase que exclusivamente na cabana abandonada, restringindo os movimentos físicos de suas personagens e criando um ecossistema inteiro dentro dos poucos cômodos que elas possuem para se proteger das nevascas que não param de cair. Se por um lado a temperatura do lado de fora está baixando, no interior da cabana os sentimentos estão entrando em ebulição. Cada sobrevivente tem que lidar com seus próprios problemas e, posicionada como uma intermediária entre o grupo e a floresta, Lottie se torna um ponto chave na estrutura social sendo lentamente estabelecida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No presente, as coisas estão mais fresquinhas, embora a ameaça do inverno paire sobre todas, ainda mais com o aparente ressurgimento de sua antiga colega. Shauna (</span><a href="https://personaunesp.com.br/the-last-of-us-1a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">Melanie Lynskey</span></a><span style="font-weight: 400;">) tenta reparar seus laços familiares enquanto se prepara para a possibilidade de seus pecados retornarem para atormentá-la. Taissa (Tawny Cypress), agora eleita senadora estadual, também vê seu núcleo familiar se desintegrando graças aos traumas do passado e procura por salvação no colo de Van (introduzindo Lauren Ambrose na versão adulta da personagem). Já Misty (</span><a href="https://personaunesp.com.br/wandinha-1a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">Christina Ricci</span></a><span style="font-weight: 400;">) se vê obcecada por preservar o laço entre suas ex-companheiras de time e desvendar o desaparecimento de sua “melhor amiga”, Natalie (Juliette Lewis), brevemente presa no complexo de Lottie.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar das diferenças, o grande trunfo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Yellowjackets </span></i><span style="font-weight: 400;">continua sendo a interposição entre os dois períodos e a maneira com que a edição e as interpretações duais tensionam a narrativa para diferentes direções. Todos os pares continuamente adicionam camadas às personagens que, mesmo 25 anos depois, não conseguem escapar dos ciclos de violência e da </span><a href="https://www.redalyc.org/journal/5766/576664910013/html/"><span style="font-weight: 400;">lógica sacrificial</span></a><span style="font-weight: 400;"> que marcaram seu tempo na floresta.</span></p>
<figure id="attachment_31260" aria-describedby="caption-attachment-31260" style="width: 1296px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31260" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image3-2.png" alt="Cena da segunda temporada de Yellowjackets. Vemos a versão adulta de Natalie (Juliette Lewis) sentada ao lado de sua versão adulta (Sophie Thatcher), em poltronas vizinhas de um avião vazio. À direita, a versão jovem é uma adolescente caucasiana de cabelos longos e loiros. Ela usa uma jaqueta de couro preta por cima de uma camisa branca, olhando diretamente para sua versão adulta. Esta, à esquerda, é uma mulher caucasiana de cabelos pretos, na altura dos ombros, usando uma jaqueta de couro preta por cima de uma camisa branca. A enxergamos de perfil, também olhando diretamente para sua contraparte. As poltronas em que elas se sentam são azuis, com acabamentos brancos no encosto. Atrás delas, fora de foco, podemos ver as paredes do avião, com as janelas escuras." width="1296" height="730" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image3-2.png 1296w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image3-2-800x451.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image3-2-1024x577.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image3-2-768x433.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image3-2-1200x676.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31260" class="wp-caption-text">Dessa vez submetida como Melhor Atriz em Drama, Juliette Lewis vai lutar por uma indicação ao Emmy junto de Melanie Lynskey, Tawny Cypress e Sophie Nélisse (Foto: Showtime)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda como coadjuvantes, </span><a href="https://www.interviewmagazine.com/film/courtney-eaton-and-simone-kessell-have-a-meeting-of-the-lotties"><span style="font-weight: 400;">Eaton e Kessell</span></a><span style="font-weight: 400;"> fazem de Lottie uma das figuras mais intrigantes da série, central mesmo enquanto orbita outras narrativas. Juntas, elas pintam um quadro de empatia radical e quase psicótica, muito mais interessante e evocativo do que apenas uma vilã cultista seria capaz de oferecer. Após o rapto de Natalie ao final da temporada anterior, Lottie faz o possível para explicar a nobreza de seus atos e, mesmo quando parece óbvio que ela não está falando toda a verdade, fica difícil duvidar da sinceridade de suas motivações.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No passado, ela se encontra quase que acidentalmente na posição de líder do grupo, sendo a única capaz de se “comunicar” com a floresta e de receber suas dádivas. Seja essa comunhão verdadeira ou fruto da mente de Lottie, é algo que o restante das Yellowjackets abraça ou rejeita, causando uma cisão entre devotas e céticas que só vai ficando mais turva conforme a temporada avança. Linhas são traçadas na neve, mesmo que as meninas (e a própria audiência) não saibam enxergá-las ainda. O mistério acerca do que realmente há na floresta permanece uma incógnita, apesar da temporada ser fortemente marcada pelos </span><a href="https://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/series/yellowjackets-elenco-vomitou-apos-gravar-cena-grotesca-da-segunda-temporada-100012"><span style="font-weight: 400;">sacrifícios</span></a><span style="font-weight: 400;"> que o time precisa fazer para o quer que haja lá.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas </span><a href="https://screenrant.com/yellowjackets-supernatural-evidence-support-against/"><span style="font-weight: 400;">e se não houvesse nada lá</span></a><span style="font-weight: 400;">? E se, como elas repetem desde o início, tudo o que aconteceu foi que um bando de crianças ficaram presas numa situação impossível e tiveram de sobreviver da forma que podiam? E se os sacrifícios feitos foram apenas para elas mesmas? </span><i><span style="font-weight: 400;">Yellowjackets</span></i><span style="font-weight: 400;">, mais uma vez, não oferece uma resposta definitiva, mas um conjunto de signos para fornecer uma reflexão. Parte do gênio da narrativa está não só em como as linhas temporais se espelham, mas em como elas tematicamente se cruzam. Nenhuma dessas garotas realmente escapou daquela floresta nos 25 anos que se passaram desde a queda do avião. E boa parte delas gostaria de poder voltar para lá de algum jeito.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">Fizemos muitas pesquisas, como sempre fazemos, e percebemos que TEPT </span><span style="font-weight: 400;">[transtorno de estresse pós-traumático] </span><span style="font-weight: 400;">— é realmente quando algo te engatilha e os mesmos neurotransmissores, as mesmas sensações que você teve quando o evento aconteceu no passado, você as tem de novo. Não acontece com todos nós, mas acontece com essas personagens. E nós sentimos que reviver isso pode ser vívido. A última coisa que irei dizer é que, apesar do que elas passaram, apesar do quão angustiante e horrível foi, essas jovens mulheres — na verdade agora na fase da meia-idade — estranhamente ainda sentem saudades daquele tempo, porque havia uma liberdade extasiante e poética naquela loucura.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">— </span><a href="https://variety.com/2023/tv/news/yellowjackets-executive-producers-themes-trauma-ptsd-season-2-1235562988/"><span style="font-weight: 400;">Jonathan Lisco</span></a><span style="font-weight: 400;">, Produtor Executivo</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo após os eventos dramáticos da primeira temporada, Shauna continua sua sequência de escolhas duvidosas, que agora ameaçam não apenas sua própria segurança como também a de sua família, e sua relação fragilizada com sua filha, Callie (Sarah Desjardins), e seu marido, Jeff (Warren Kole), entra em primeiro plano. Apesar de estar à beira de mais um precipício, essa é a Shauna mais segura de si que vemos desde que o avião caiu. Melanie Lynskey reconhece </span><a href="https://www.correiodopovo.com.br/arteagenda/melanie-lynskey-fazer-algu%C3%A9m-complexo-e-sexy-%C3%A9-uma-loucura-1.1011761"><span style="font-weight: 400;">a complexidade narrativa</span></a><span style="font-weight: 400;"> da personagem, mas ancora sua interpretação com uma sentimentalidade doce e intoxicante.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A família Sadecki forma um núcleo inesperadamente meigo, ou tão meigo quanto possível nas atuais circunstâncias. Nele, o roteiro de </span><i><span style="font-weight: 400;">Yellowjackets</span></i><span style="font-weight: 400;"> se transforma numa tragicomédia de erros, explorando relacionamentos de sexualidade, intimidade e repulsa que repousam no fundo do ideal familiar americano. Na pele de Jeff, Kole expande o marido amável e meio sem noção que conhecemos no ano anterior, lidando com as curvas que sua esposa não cansa de lançar em sua vida. Sarah Desjardins </span><a href="https://mashable.com/article/yellowjackets-s2-callie-sarah-desjardins"><span style="font-weight: 400;">surpreende</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao habitar uma Callie muito mais inserida na vida secreta que seus pais aparentemente levam, ansiando por entender uma mãe que mantém seu próprio coração fechado à sete chaves, criando um dos pontos de tensão mais frequentes da trama.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contraparte jovem de Shauna, Sophie Nélisse é igualmente impressionante no quadro retroativo que a audiência monta sobre a personagem. Imersa no luto pela perda evitável de Jackie (</span><a href="https://personaunesp.com.br/arcane-critica/"><span style="font-weight: 400;">Ella Purnell</span></a><span style="font-weight: 400;">), ela se vê sem direção, tendo que redescobrir a pessoa que é no meio da selvageria que consome as Yellowjackets pouco a pouco. Sua gravidez inesperada também é outro dos fios condutores da temporada, atingindo seu auge no sexto episódio, </span><a href="https://youtu.be/xgKHEL4UIKk"><i><span style="font-weight: 400;">Qui</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, talvez o melhor do novo ano, em que a performance potente de Nélisse abre uma ferida profunda na narrativa que não será fechada tão cedo.</span></p>
<figure id="attachment_31263" aria-describedby="caption-attachment-31263" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31263" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image1-1.png" alt=" Cena da segunda temporada de Yellowjackets. Shauna (Melanie Lynskey) e Callie (Sarah Desjardins) conversam apoiadas no capô de um sedan vermelho. Shauna, à direita, é uma mulher caucasiana de meia idade, cabelos pretos até os ombros, usando uma jaqueta vermelha por cima de uma camisa azul e calças azuis-escuras. Callie, à esquerda, é uma adolescente caucasiana de cabelos castanhos-escuros longos, usando um casaco xadrez branco e rosa fechado com calças jeans. Shauna segura suas mãos, observando intensamente Callie, que por sua vez apoia suas mãos nas coxas, olhando temerosa para a mãe. As duas estão paradas no meio de uma estrada, durante o dia, e podemos ver alguns arbustos fora de foco no canto esquerdo da tela, enquanto a estrada continua pelo canto direito, também fora de foco." width="1600" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image1-1.png 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image1-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image1-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image1-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image1-1-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image1-1-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31263" class="wp-caption-text">Tal mãe, tal filha (Foto: Showtime)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de começar no encalço do ano anterior, demoram alguns episódios para que </span><i><span style="font-weight: 400;">Yellowjackets </span></i><span style="font-weight: 400;">encontre seu novo ritmo. Apesar de um começo forte com o capítulo </span><a href="https://youtu.be/vstlbtJ7cfg"><i><span style="font-weight: 400;">Friends, Romans, Countrymen</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (fazendo </span><a href="https://www.poetryfoundation.org/poems/56968/speech-friends-romans-countrymen-lend-me-your-ears"><span style="font-weight: 400;">referência</span></a><span style="font-weight: 400;"> à célebre passagem da tragédia de Shakespeare, </span><a href="https://www.culturaanimi.com.br/post/j%C3%BAlio-c%C3%A9sar-de-william-shakespeare"><i><span style="font-weight: 400;">Júlio César</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), a trama separa o caminho de suas personagens muito cedo e priva a audiência das dinâmicas tão bem formadas entre elas. A série usa essa separação como respiro, introduzindo mais alguns personagens secundários (em ambas as linhas temporais) para reforçar as narrativas individuais traçadas até então.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Acompanhando Misty no presente, conhecemos Walter (Elijah Wood), outro “detetive cidadão” cujo passatempo é desvendar mistérios reais e que toma interesse no caso do desaparecimento de Adam (Peter Gadiot). Juntos, o peculiar </span><i><span style="font-weight: 400;">duo</span></i><span style="font-weight: 400;"> vai traçando o caminho de Natalie até Lottie, e também vai ecoando a amizade inusitada que Misty (interpretada na adolescência por Samantha Hanratty) fez na floresta com Crystal (Nuha Jes Izman), uma sobrevivente do time reserva. Tanto Ricci quanto Hanratty claramente se divertem com a instabilidade de sua personagem, guiando-a numa direção de psicopatia que por vezes cai de cabeça no </span><a href="https://www.domestika.org/pt/blog/8006-como-camp-se-tornou-a-estetica-essencial-do-universo-queer"><i><span style="font-weight: 400;">camp</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, particularmente numa sequência alucinógena próxima ao fim da temporada, com direito à papagaios antropomorfizados e uma participação especial de John Cameron Mitchell.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As que mais sofrem com a falta de ritmo inicial são Taissa e Van, que são relegadas a algumas cenas por episódio dedicadas ao restabelecimento de sua relação (que só começa a ser explorada na linha do tempo atual a partir da segunda metade da temporada). Em 1996, o conflito das duas parte tanto da fé que Van deposita em Lottie quanto das escapadas noturnas que o </span><i><span style="font-weight: 400;">alter ego</span></i><span style="font-weight: 400;"> sonâmbulo de Taissa parece dedicado a continuar. Assim como Kessell, Lauren Ambrose se prova uma adição orgânica ao elenco da produção, </span><a href="https://www.canalbang.com.br/post/yellowjackets-temporada-2-lauren-ambrose-fala-como-van-mudou-ao-longo-dos-anos"><span style="font-weight: 400;">contracenando perfeitamente</span></a><span style="font-weight: 400;"> com os maneirismos estabelecidos por Liv Hewson na versão jovem da personagem.</span></p>
<p><figure id="attachment_31262" aria-describedby="caption-attachment-31262" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31262" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image5-1.png" alt="Cena da segunda temporada de Yellowjackets. Misty (Christina Ricci) e Walter (Elijah Wood) estão de pé em um estacionamento, olhando para frente. Misty é uma mulher caucasiana de cabelos loiros e encaracolados, usando um casaco amarelo fechado. Walter é um homem caucasiano de cabelos pretos e curtos, usando um colete marrom com listras por laranjas e brancas por cima de uma camiseta de manga longa cinza. Walter está com as mãos pressionadas em cada lado da cintura. Atrás deles, podemos ver uma floresta enevoada, com várias árvores e algumas rochas cobrindo o horizonte. Atrás de Walter, no canto direito, vemos a parte dianteira de um carro azul estacionado e, atrás dele, a janela de um carro verde." width="1600" height="903" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image5-1.png 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image5-1-800x452.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image5-1-1024x578.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image5-1-768x433.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image5-1-1536x867.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image5-1-1200x677.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31262" class="wp-caption-text">Christina Ricci e Elijah Wood voltam a dividir cenas 26 anos após ‘Tempestade de Gelo’ (1997), formando um dos pares mais peculiares de Yellowjackets até então [Foto: Showtime]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Entre as sobreviventes, Natalie é a que mais serve como ponto de conexão entre as duas linhas temporais. Enquanto Juliette Lewis constrói o relacionamento entre ela e Lottie no presente, Sophie Thatcher é a primeira a duvidar da influência da mesma sobre o restante do grupo na cabana. Embora aborde a construção da hierarquia selvagem que as meninas formaram (e que até certo ponto se mantém na versão adulta), </span><i><span style="font-weight: 400;">Yellowjackets</span></i><span style="font-weight: 400;"> não se interessa tanto pelas estruturas de poder em si, mas pelos processos que as mantêm. Se na temporada anterior foi estabelecido que a violência tem seu papel na ordem social, essa vai nos perguntar como tal violência é sancionada e, eventualmente, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=nBlP0rTvt54"><span style="font-weight: 400;">santificada</span></a><span style="font-weight: 400;">. O ritual de sacrifício permanece o mesmo, não importa quem use a máscara ou o distintivo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Natalie, ocupando o papel principal de provedora do grupo em 1996, vê sua utilidade esvaindo conforme a influência de Lottie ganha força e suas oferendas para a floresta obtêm resultados. Lottie parece apenas desejar pela sobrevivência das garotas, mas o sacerdócio formado ao redor dos rituais a transforma numa mártir viva, puxada para muitos lados sem saber para onde de fato irá. As figuras das duas vão se refletindo durante os nove capítulos, até chegarem no ponto de ruptura trágico em </span><a href="https://youtu.be/mBce3-GwVbQ"><i><span style="font-weight: 400;">Storytelling</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, episódio final da temporada. Reunidas sob um mesmo teto pela primeira vez em anos, cabe às cinco mulheres decidirem, apesar de suas ressalvas, quem será caça ou caçador, quem irá tomar e o que será tomado dessa vez. Ao final de tudo, quem será culpada pelos erros de todas?</span></p>
<figure id="attachment_31265" aria-describedby="caption-attachment-31265" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31265" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image6.png" alt="Cena da segunda temporada de Yellowjackets. Mascaradas, Lottie (Simone Kessell) e as outras sobreviventes se preparam para mais uma caçada. Lottie é uma mulher de descendência indo-asiática, parda, de cabelos escuros e longos, usando um robe de pelos dourados por cima de uma roupa escura. Ela segura uma faca grande com um cabo branco na mão direita e usa uma máscara branca por cima do rosto, deixando apenas seus olhos e boca visíveis. Atrás dela, enxergamos, fora de foco, da direita para a esquerda, Misty (Christina Ricci), Taissa (Tawny Cypress) e Van (Lauren Ambrose). Misty é uma mulher caucasiana de cabelos loiros e encaracolados, usando um casaco e calças roxas. Taissa é uma mulher negra de cabelos castanhos e longos, usando um casaco bege por cima de uma camisa escura e calças jeans rasgadas nos joelhos, segurando uma faca de cozinha na mão direita, junto ao peito. Van é uma mulher caucasiana de cabelos longos e ruivos, usando uma jaqueta vermelho-escura por cima de uma camisa verde e calças jeans azuis-escuras, segurando uma faca de cozinha na mão esquerda. Atrás delas, vemos uma floresta escura, iluminada por uma luz alaranjada vinda do canto esquerdo." width="1600" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image6.png 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image6-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image6-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image6-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image6-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image6-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31265" class="wp-caption-text">Como nos bons e velhos tempos (Foto: Showtime)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No início da temporada, estamos inclinados a enxergar Lottie como escolha clara para ocupar esse papel: querendo ou não foi ela quem primeiro escutou os sussurros da floresta e trilhou o caminho que as levaria para o canibalismo. Mas, quanto mais acompanhamos as escolhas do grupo, mais claro fica que ela foi a primeira a ser sacrificada: todas as Yellowjackets sacrificaram a menina, transformando-a em santa ou louca conforme a necessidade ditava, jogando culpa ou esperança sobre ela e esperando que </span><a href="https://www.denofgeek.com/tv/yellowjackets-why-lottie-is-a-reluctant-messiah/"><span style="font-weight: 400;">seu papel</span></a><span style="font-weight: 400;"> fosse cumprido. Mesmo depois de serem resgatadas, Lottie não tem direito nem ao seu próprio silêncio, sendo obrigada a regredir ao papel que ocupou durante os 19 meses em que elas passaram na floresta para fazer sentido de sua vida.</span></p>
<p><a href="https://www.instyle.com/lifestyle/yellowjackets-trauma-portrayal"><span style="font-weight: 400;">Regressão</span></a><span style="font-weight: 400;"> é a palavra da vez no segundo ano de </span><i><span style="font-weight: 400;">Yellowjackets</span></i><span style="font-weight: 400;">. Não vemos essas personagens superando seus traumas, muito menos seguindo em frente, e não necessariamente porque elas não são capazes, mas porque algo dentro delas anseia por voltar para aquela floresta. Por mais que elas resistam a ideia de que havia algo na floresta com elas, a possibilidade de que não há é ainda mais assustadora. Cada uma delas tem seus motivos para aceitar voltar às mentalidades daquela época, mas no fundo, cada uma tenta expiar a própria culpa em outra pessoa, em poder apontar um criminoso para ser castigado em seu lugar, para ocupar o papel que Lottie interpretou depois que foram resgatadas.</span></p>
<figure id="attachment_31264" aria-describedby="caption-attachment-31264" style="width: 980px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31264" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image2-3.png" alt="Cena da segunda temporada de Yellowjackets. Natalie (Sophie Thatcher) segura uma carta de baralho em sua mão direita, virada para frente, mostrando-a para as outras. Natalie é uma adolescente caucasiana de cabelos loiros e longos, com raiz preta. Ela usa uma jaqueta de couro preta por cima de roupas escuras, usando luvas sem dedos nas mãos. Ela tem uma expressão impassível no rosto. A carta que ela segura em sua mão é uma rainha de copas. Na frente dela, no canto esquerdo da tela, vemos as costas de outra personagem, fora de foco. Ela tem cabelos loiros e usa uma jaqueta amarela. Do lado esquerdo de Natalie, vemos o ombro esquerdo de outra personagem, coberto por um casaco esbranquiçado. Atrás das personagens, vemos o interior de uma cabana, as paredes de madeira escura, iluminadas pela luz de uma fogueira, e uma janela de vidro mostrando a neve que se acumula do outro lado." width="980" height="653" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image2-3.png 980w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image2-3-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image2-3-768x512.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31264" class="wp-caption-text">“Ela” escolhe (Foto: Showtime)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na religião da Grécia Antiga, </span><i><span style="font-weight: 400;">pharmakós </span></i><span style="font-weight: 400;">era o nome dado a um ritual feito em tempos difíceis de conflito ou escassez, na qual um sacrifício (</span><i><span style="font-weight: 400;">pharmakoi</span></i><span style="font-weight: 400;">) era selecionado (geralmente entre escravos, pessoas com deficiência ou criminosos) para ser espancado, exilado, ou até morto. Ele era visto como um rito de catarse social, um bode expiatório para sentimentos de agressão crescentes entre uma determinada população e, segundo alguns </span><a href="https://brill.com/view/journals/nu/69/5-6/article-p489_3.xml?ebody=full%20html-copy1"><span style="font-weight: 400;">teóricos contemporâneos</span></a><span style="font-weight: 400;">, um sinal de desconfiança não só entre seus membros, mas com os próprios deuses. Ao mesmo tempo que supre o impulso de violência, o ritual acaba reafirmando sua necessidade, dando continuidade a desconfiança social e espiritual, em um ciclo paradoxical.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É difícil qualificar os sacrifícios feitos pelas Yellowjackets na segunda temporada, porque ainda não temos como saber se os deuses são reais ou não, benevolentes ou maliciosos. Na resposta cruel da equação que ainda temos de resolver, essas mortes são desdobramentos da violência e da desconfiança que se instaurou naquela cabana no inverno de 1996, e as consequências que persistiram mais de duas décadas depois. Os rituais que elas firmaram para manter a ordem não são tão diferentes assim do que os gregos fizeram milhares de anos atrás, numa reafirmação </span><a href="https://estadodaarte.estadao.com.br/tragedia-grega-daniel-murata/"><span style="font-weight: 400;">trágica</span></a><span style="font-weight: 400;"> da condição humana e do impulso máximo de sobrevivência.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sob muitos aspectos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Yellowjackets </span></i><span style="font-weight: 400;">permanece a mesma série com a qual nós nos apaixonamos antes: o trabalho excepcional de caracterização, as atuações irretocáveis, os </span><a href="https://www.chippu.com.br/noticias/o-urso-radiohead-needle-drops-analise-let-down-ensaio-texto-critica-cinema-series"><i><span style="font-weight: 400;">needle drops</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> francamente </span><a href="https://open.spotify.com/playlist/37i9dQZF1DX9X1KhYXrhYB?si=d6c5105d64bb4d01"><span style="font-weight: 400;">geniais</span></a><span style="font-weight: 400;">, entre outros. Mas algo decididamente mudou. Quer parta com um saldo positivo ou não,  a segunda temporada da produção mostra que suas ambições são bem mais elevadas do que apenas surpreender. Assim como em sua narrativa, sacrifícios são feitos em nome não só da ambição, mas da sobrevivência, ainda que nem todos eles pareçam ter um efeito óbvio. Embora não seja nem de longe tão bem amarrada quanto o ano anterior, </span><i><span style="font-weight: 400;">Yellowjackets </span></i><span style="font-weight: 400;">permanece como lar de algumas das dinâmicas mais saborosas da televisão, e continua nos deixando com fome por mais.</span></p>
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		<title>O bom filho a sala torna?</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Mar 2023 19:31:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>95ª edição do Oscar pode acender a fagulha de um movimento de retorno já orquestrado Guilherme Veiga O início da história do Cinema, na exibição de A Chegada do Trem na Estação em 1895, foi caracterizado pela fuga do público da sala, em função da novidade daquela tecnologia aliada com a perspectiva de filmagem do &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/retorno-do-cinema-artigo/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O bom filho a sala torna?"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em><i><span style="font-weight: 400;">95ª edição do Oscar pode acender a fagulha de um movimento de retorno já orquestrado</span></i></em></p>
<figure id="attachment_30308" aria-describedby="caption-attachment-30308" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30308" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/artigoveiga_wordpress-800x420.jpg" alt="" width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/artigoveiga_wordpress-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/artigoveiga_wordpress-768x404.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/artigoveiga_wordpress.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30308" class="wp-caption-text">Nos mais de 120 anos do Cinema, o cenário provocado pelos últimos anos foi uma das poucas vezes que ele precisou se provar (Arte: Ana Clara Abatte)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Veiga</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O início da história do Cinema, na exibição de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ALAupKYhyLA&amp;ab_channel=EvertonSanches"><i><span style="font-weight: 400;">A Chegada do Trem na Estação</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em 1895, foi caracterizado pela fuga do público da sala, em função da novidade daquela tecnologia aliada com a perspectiva de filmagem do trem. A partir daí, iniciava-se uma jornada duradoura e, a princípio, inabalável. A Arte de fazer filmes superou as duas grandes guerras, inclusive servindo como </span><a href="https://www.dw.com/pt-br/regime-nazista-instrumentalizou-cinema-at%C3%A9-o-fim-da-segunda-guerra/a-53341467"><span style="font-weight: 400;">ferramenta de propaganda</span></a><span style="font-weight: 400;">, a grande depressão, a Guerra Fria, as ditaduras do século XX e até mesmo a </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-130462/"><span style="font-weight: 400;">greve de roteiristas</span></a><span style="font-weight: 400;"> de 2008. Sempre de portas abertas e salas lotadas.</span></p>
<p><span id="more-30299"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se a pandemia da covid-19 alterou a forma como encaramos o mundo, com a Sétima Arte não foi diferente. Dessa vez, as pessoas não fugiram das salas, pois sequer entraram. Além das consequências econômicas &#8211; que aqui no Brasil, segundo o </span><a href="https://www.gov.br/ancine/pt-br/assuntos/atribuicoes-ancine/regulacao/cinema/sistema-controle-bilheteria"><span style="font-weight: 400;">Sistema de Controle de Bilheteria</span></a><span style="font-weight: 400;"> (SCB), representou uma </span><a href="https://www.gov.br/ancine/pt-br/assuntos/noticias/ancine-divulga-numeros-da-exibicao-em-2020-e-2021"><span style="font-weight: 400;">queda de 77,5%</span></a><span style="font-weight: 400;"> no faturamento dos espaços de projeção em 2020, comparando com o ano anterior &#8211; viu-se também a ascensão do </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;"> para além de uma ferramenta distribuidora. Mas essa veia de distribuição desses serviços foi ainda mais impulsionada com o período de isolamento, sendo uma válvula de escape das produtoras nesse período de incerteza. Com as plataformas </span><i><span style="font-weight: 400;">online</span></i><span style="font-weight: 400;"> nascendo da morte da </span><a href="https://www.startse.com/artigos/como-a-falencia-da-blockbuster-tornou-a-netflix-a-maior-empresa-de-midia-do-mundo/"><i><span style="font-weight: 400;">Blockbuster</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, pela primeira vez em tempos, surgiu a dúvida sobre a próxima vítima ser o Cinema como o conhecemos.</span></p>
<figure id="attachment_30300" aria-describedby="caption-attachment-30300" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30300 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-2-800x328.jpg" alt="Cena de Um Lugar Silencioso - Parte II. Nela, vemos a personagem Evelyn, interpretada por Emily Blunt, uma mulher branca de cabelos loiros e olhos azuis. Ela está em um carro, no banco do motorista e com o braço direito e a cabeça sobre o banco, no movimento de quem olha para o banco de trás. Ao fundo da imagem, que é o parabrisa do carro, podemos notar uma arquitetura típica de uma cidade pequena americana" width="800" height="328" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-2-800x328.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-2-1024x419.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-2-768x314.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-2-1536x629.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-2-1200x491.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-2.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30300" class="wp-caption-text"><a href="https://personaunesp.com.br/um-lugar-silencioso-parte-ii-critica/">Um Lugar Silencioso &#8211; Parte II</a> foi o primeiro filme a abandonar as salas no início da pandemia, em 2020, voltando às telas, ainda de forma experimental e cheio de incertezas, apenas na metade daquele ano (Foto: Paramount Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O cenário era caótico no mundo, e mais ainda no audiovisual. A conjunção dos astros resultou em uma tempestade perfeita para a Sétima Arte, que, mesmo antes do período de pandemônio, via o </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;"> calcando cada vez </span><a href="https://exame.com/casual/75-dos-brasileiros-usam-streamings-todos-os-dias/"><span style="font-weight: 400;">mais espaço</span></a><span style="font-weight: 400;">. Com a consolidação da </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/netflix/"><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, proliferou-se o número de plataformas vigentes, algumas até como derivadas dos próprios estúdios </span><i><span style="font-weight: 400;">hollywoodianos</span></i><span style="font-weight: 400;">, caso do </span><i><span style="font-weight: 400;">Paramount+</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney+</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO Max</span></i><span style="font-weight: 400;"> (empresa da </span><i><span style="font-weight: 400;">Warner</span></i><span style="font-weight: 400;">). Não só isso, viu-se também o aporte de grandes empresas de outras vertentes do mercado nesse segmento, caso da </span><i><span style="font-weight: 400;">Amazon</span></i><span style="font-weight: 400;">, com o </span><i><span style="font-weight: 400;">Prime Video</span></i><span style="font-weight: 400;">, e a </span><i><span style="font-weight: 400;">Apple</span></i><span style="font-weight: 400;">, com o </span><i><span style="font-weight: 400;">AppleTV+</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Isso atraiu atores, como no caso de Adam Sandler que está tendo e ainda terá seu rosto vinculado na </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> graças a um </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-152937/"><span style="font-weight: 400;">contrato multimilionário</span></a><span style="font-weight: 400;"> com a locadora vermelha. Ela também foi responsável por começar a movimentar o mercado de diretores &#8211; algo inédito até então &#8211; e teve como suas primeiras aquisições, a exclusividade de Alfonso Cuarón, que rendeu o brilhante </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-roma/"><i><span style="font-weight: 400;">Roma</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, e Martin Scorsese, responsável pela obra prima </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-irlandes-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Irlandês</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(hoje, os dois também tem parceria com a </span><i><span style="font-weight: 400;">Apple</span></i><span style="font-weight: 400;">). As duas colaborações resultaram em indicações ao </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;"> para o careca dourado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Scorsese inclusive, é um </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/martin-scorsese-critica-plataformas-de-streaming-arte-e-sistematicamente-desvalorizada/"><span style="font-weight: 400;">ferrenho defensor</span></a><span style="font-weight: 400;"> da experiência cinematográfica no espaço Cinema (vale lembrar que é dele a carta de amor </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/invencao-de-hugo-cabret-critica"><i><span style="font-weight: 400;">A Invenção de Hugo Cabret</span></i></a><span style="font-weight: 400;">). Em um primeiro momento, as telas se mostram, assim como o lendário diretor, relutantes. Tanto que, um filme original das plataformas, para concorrer ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, precisava estrear no </span><a href="https://jovemnerd.com.br/nerdbunker/oscar-volta-exigir-que-filmes-sejam-exibidos-no-cinema-para-concorrer/"><span style="font-weight: 400;">circuito comercial</span></a><span style="font-weight: 400;">. Isso demonstrava que, por mais ameaçado, o Cinema ainda se mantinha no topo da hierarquia audiovisual. Porém, os dois anos de pandemia foram responsáveis por virar o mundo ao contrário sem que ninguém reparasse.</span></p>
<figure id="attachment_30301" aria-describedby="caption-attachment-30301" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30301 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-3-800x533.jpg" alt="Cena do filme, Mank. Nela vemos a silhueta do personagem-título, interpretado por Gary Oldman, dá para notar que Mank é um homem de meia idade,de cabelos curtos e com barriga. Ele está de lado para a câmera, veste um terno e uma calça social, aparentemente pretos. Ele segura uma bengala sobre o ombro esquerdo. Mank é um filme de época, por isso, a imagem é em preto e branco, e a ambientação da casa onde o personagem está tem objetos antigos, como um abajur, um rádio e poltronas em couro. Há uma luz entrando pela porta e janela, evidenciando o branco da cena." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-3-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-3-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-3-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-3-1536x1024.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30301" class="wp-caption-text">O ápice do Tudum na premiação da Academia também convergiu com o ápice da pandemia: 2021; ao todo foram 35 indicações, com <a href="https://personaunesp.com.br/mank-critica/">Mank</a> &#8211; fruto do contrato de exclusividade com o diretor David Fincher (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">As salas físicas deixaram de ser unanimidade e receptáculo de uma forma de Arte, para agora desenvolver uma relação de competição sem ao menos desenvolver um produto próprio para competir. A própria Academia, </span><a href="https://personaunesp.com.br/oscar-2022-present-all-23-artigo/"><span style="font-weight: 400;">sinônimo de conservadorismo</span></a><span style="font-weight: 400;">, desenvolveu um </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;"> próprio para driblar o período pandêmico e a burocracia de enviar cópias aos votantes. Ainda no formato antigo da categoria de Melhor Filme, com seus oito indicados, filmes originais de plataformas começaram a figurar na principal disputa a partir de 2019 com </span><i><span style="font-weight: 400;">Roma</span></i><span style="font-weight: 400;">, que também integrou &#8211; e venceu &#8211; a categoria de Melhor Filme Internacional daquele ano.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse cenário é um legado bom da chegada das plataformas digitais</span> <span style="font-weight: 400;">na indústria. Com um mercado mais globalizado e tais serviços com frentes fora do eixo americanizado, a visibilidade da categoria internacional aumentou, muito também em função da renovação dos votantes. O reflexo pode ser visto na edição de 2023 do </span><a href="https://personaunesp.com.br/?s=oscar"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, com </span><a href="https://personaunesp.com.br/nada-de-novo-no-front-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Nada de Novo no Front</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">sendo altamente reconhecido e </span><a href="https://personaunesp.com.br/rrr-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">RRR</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">se tornando uma esnobada sentida pelo público.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><i><span style="font-weight: 400;">case </span></i><span style="font-weight: 400;">da indústria internacional esperava ser replicado na produção local americana. As expectativas ficaram ainda mais altas após </span><a href="https://personaunesp.com.br/no-ritmo-do-coracao-coda-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">No Ritmo do Coração</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> se tornar o primeiro filme de </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;"> a conquistar a estatueta mais importante da noite no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2022</span><i><span style="font-weight: 400;">.</span></i><span style="font-weight: 400;"> O longa apresentava sinais de um eventual domínio dos serviços, principalmente por ter sido adquirido em Sundance, festival em que os grandes estúdios disputam as obras exibidas e, mesmo com a alta demanda, caiu nas mãos de uma iniciante como a </span><i><span style="font-weight: 400;">AppleTV+</span></i><span style="font-weight: 400;">, demonstrando a força dessas plataformas para além do conteúdo próprio. Porém, as coisas saíram dos trilhos muito rápido.</span></p>
<figure id="attachment_30303" aria-describedby="caption-attachment-30303" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30303 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-4-800x450.jpg" alt="Cena do filme No Ritmo do Coração. Nela vemos a personagem Ruby, uma jovem ruiva. Ela apresenta algumas sardas na altura da bochecha e veste uma camisa xadrez flanelada nas cores vermelho, branco e preto. Ela está em uma caminhonete azul, e sobre a janela do banco do passageiro, que está aberta. Ela olha para trás. Ruby é surda, por isso faz um sinal com a mão direita, proveniente da Língua Americana de Sinais. Seu dedos mindinho, indicador e polegar estão levantados, enquanto o dedo do meio entrelaça com o indicador. O sinal forma as letras I, R, L e Y, que é a abreviação de “I Really Love You” traduzido para o português como “ Eu realmente amo você”." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-4-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-4.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30303" class="wp-caption-text">Como não podia ser diferente, o primeiro trunfo dos streamings foi um dos mais contestados das últimas edições  (Foto: AppleTV+)</figcaption></figure>
<p><b>Uma decolagem demorada e uma queda relâmpago</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar das recentes vitórias, é fato que o </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;"> nadou contra a maré para se estabelecer na indústria. O conservadorismo do entretenimento, em especial da Academia, sem dúvidas foi um dos maiores dificultadores. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=k3SetKgjSn8"><i><span style="font-weight: 400;">Beasts of No Nation</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">por exemplo, foi uma das primeiras esnobadas de produtos originais das plataformas ainda em 2016, e nesse início era deliberadamente desenvolvido todo um </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2019/03/05/cultura/1551772672_420794.html"><i><span style="font-weight: 400;">lobby</span></i><span style="font-weight: 400;"> contra</span></a> <i><span style="font-weight: 400;">Netflix </span></i><span style="font-weight: 400;">e derivados. Com a proliferação dessas produções, chegou em um ponto em que ficou impossível esquecê-los, mas mesmo assim, de alguma forma, eles ainda eram prejudicados pela associação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas é aí que entra um problema: os serviços digitais não sabem e não têm malícia para fazer campanha. A </span><i><span style="font-weight: 400;">Apple</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">por exemplo, não se arriscou e após a vitória decidiu apostar no irmão espiritual de </span><i><span style="font-weight: 400;">CODA</span></i><span style="font-weight: 400;">, resultando no esquecível </span><i><span style="font-weight: 400;">Cha Cha Real Smooth</span></i><span style="font-weight: 400;"> como seu filme da temporada. A </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">, mesmo com ótimos nomes no catálogo, focou erroneamente no tardio </span><a href="https://personaunesp.com.br/glass-onion-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Glass Onion</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O caso mais absurdo é o da </span><i><span style="font-weight: 400;">Amazon</span></i><span style="font-weight: 400;">. A empresa do calvo que quer ser astronauta tinha o ouro incontestado </span><a href="https://personaunesp.com.br/argentina-1985-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Argentina, 1985</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em mãos, mas moveu mundos e fundos para a campanha de </span><i><span style="font-weight: 400;">Treze Vidas</span></i><span style="font-weight: 400;">. “Qual?” você deve estar pensando. Exatamente.</span></p>
<figure id="attachment_30304" aria-describedby="caption-attachment-30304" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30304 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-5-800x450.jpeg" alt="Cena de Top Gun: Maverick. Nela, vemos o personagem Pete “Maverick”, interpretado por Tom Cruise, um homem branco de olhos azuis que apesar da meia idade, parece novo. Ele veste um uniforme da força aérea americana, nas cores preta e verde militar. Ele está na cabine de um caça, por isso veste também um capacete preto com riscos vermelhos e brancos e o nome “Maverick” no centro. Ele faz um joinha com as mãos. Ao fundo, uma cadeia de montanhas." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-5-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-5-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-5-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-5-1536x864.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-5-1200x675.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-5.jpeg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30304" class="wp-caption-text">36 anos depois do sucesso de bilheteria que iniciou a franquia, Top Gun: Maverick, além de ser a <a href="https://olhardigital.com.br/2022/06/17/cinema-e-streaming/top-gun-maverick-ja-e-o-filme-de-maior-bilheteria-da-carreira-de-tom-cruise/">maior arrecadação</a> da carreira de Tom Cruise, foi um dos responsáveis por fazer o cinema decolar novamente (Foto: Paramount Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, o que botou a pá de cal em um 2022 tenebroso nos </span><i><span style="font-weight: 400;">streamings</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi a volta dos cinemas com os dois pés na porta. Depois de muito ensaiar (e falhar) seu retorno, como assistimos na empreitada desastrosa de Nolan com </span><a href="https://personaunesp.com.br/tenet-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Tenet</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> ou no despercebido </span><i><span style="font-weight: 400;">Velozes e Furiosos 9</span></i><span style="font-weight: 400;">, a Sétima Arte parecia se tornar uma das sequelas da pandemia no pós-isolamento e provavelmente passaria a ser regida pelas plataformas de</span> <a href="https://www.linkedin.com/pulse/streaming-e-vod-video-on-demand-voc%C3%AA-sabe-diferen%C3%A7as-entre-seegerer/?originalSubdomain=pt"><i><span style="font-weight: 400;">VoD</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, o que aconteceu fugiu do roteiro imaginado. No berço de Hollywood, o crescimento de bilheteria em 2022, comparado a 2021, foi de 65%, tornando a América do Norte novamente o maior mercado consumidor de Cinema, com uma arrecadação de </span><a href="https://jovemnerd.com.br/nerdbunker/arrecadacao-bilheteria-nos-cinemas-2022/"><span style="font-weight: 400;">U$S 25 bilhões</span></a><span style="font-weight: 400;">. Já no Brasil, o agora ano de retomada representou um aumento de </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/retomada-do-cinema-no-brasil-publico-aumenta-485-no-1o-semestre-de-2022/#:~:text=R%C3%9ASSIA%20X%20UCR%C3%82NIA-,Retomada%20do%20cinema%20no%20Brasil%3A%20p%C3%BAblico%20aumenta%20485,no%201%C2%BA%20semestre%20de%202022&amp;text=Filmes%20de%20grandes%20est%C3%BAdios%20como,a%20retomada%20do%20cinema%20brasileiro."><span style="font-weight: 400;">485%</span></a><span style="font-weight: 400;"> no público somente no primeiro semestre, de acordo com a Ancine. A volta foi capitaneada por </span><a href="https://personaunesp.com.br/top-gun-maverick-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Top Gun: Maverick</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o retorno da </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/marvel/"><i><span style="font-weight: 400;">Marvel</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (apesar de suas críticas) às grandes telas e contou também com Steven Spielberg e James Cameron, pai e padrasto do </span><i><span style="font-weight: 400;">blockbuster</span></i><span style="font-weight: 400;">, respectivamente.</span></p>
<figure id="attachment_30305" aria-describedby="caption-attachment-30305" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30305 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-6-800x422.jpg" alt="Cena do filme Avatar: O Caminho da Água. Nela vemos os Navi’s, habitantes do planeta Pandora, onde se passa a história. Eles tem formato humanóide, porém são bem altos e esguios. Eles são azuis por inteiro, com algumas listras em tons azuis mais claros. Seu cabelo é uma espécie de dread e suas orelhas se assemelham a orelhas de elfo. Eles também tem rabo. Os dois Navi’s da imagem vestem uma espécie de poncho na cor marrom que cobre parte de seu corpo. Eles estão montados em uma criatura,uma espécie de pterodáctilo, também na cor azul, que está voando. Ao fundo, o céu com um pôr do sol, e o mar logo abaixo." width="800" height="422" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-6-800x422.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-6-768x405.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-6.jpg 1000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30305" class="wp-caption-text">Repetindo o fenômeno do título anterior, <a href="https://personaunesp.com.br/avatar-o-caminho-da-agua-critica/">Avatar: O Caminho da Água</a> só não tomou o reinado de Top Gun: Maverick de maior bilheteria de 2022 devido a curta janela de lançamento no final do ano (Foto: Disney)</figcaption></figure>
<p><b>O ciclo sem fim</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Claro que isso refletiria na maior premiação do Cinema. Quando o </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;"> começou a figurar na disputa de Melhor Filme no Oscar, em 2019, </span><i><span style="font-weight: 400;">Roma</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi o único representante dos serviços. Gradativamente, a aparição dessas produções foi aumentando, com </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-vencedores-do-oscar-2021/"><span style="font-weight: 400;">2021</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/oscar-2022-cerimonia-artigo/"><span style="font-weight: 400;">2022</span></a><span style="font-weight: 400;"> apresentando a maior cota, com três filmes cada edição. O que se esperava era que, para o ano de 2023, ainda como reflexo do final do isolamento, o número se mantivesse, ou se superasse. Porém, a principal categoria voltou ao patamar de 2019: apenas um indicado, mais uma vez pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> e com um filme internacional. Só que a nomeação desse ano é mais mérito próprio de </span><i><span style="font-weight: 400;">Nada de Novo no Front </span></i><span style="font-weight: 400;">(que nem tem tantos méritos, é só mais um filme de guerra) do que da </span><i><span style="font-weight: 400;">Tudum</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas é importante ressaltar que essa não é uma história de vilão contra mocinho. </span><a href="https://personaunesp.com.br/babilonia-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Babilônia</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> explicita que a indústria é um ninho nefasto de cobra engolindo cobra, e nessa narrativa toda não há distinção polarizada e muito menos bem contra o mal: o Cinema como produto é a vítima, o acusado e a testemunha. Outro aspecto que a obra de </span><a href="https://www.papelpop.com/2022/12/conheca-damien-chazelle-diretor-que-acumula-premios-no-cinema-e-esta-vindo-com-babilonia/"><span style="font-weight: 400;">Chazelle</span></a><span style="font-weight: 400;"> também nos mostrou é que essa não foi a primeira vez que a Sétima Arte foi posta contra a parede, e provavelmente não será a última. Portanto, ela sabe se moldar às adversidades que naturalmente criará à medida que for se desenvolvendo e também as que forem impostas à ela. E na lei do mais forte, mais uma vez o Cinema prova sua força conquistada em seus mais de 120 anos de história.</span></p>
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		<title>Lute por sua vida, Babilônia</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Mar 2023 22:28:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ana Júlia Trevisan Babilônia é sinônimo de grandeza. Uma das sete Maravilhas do Mundo Antigo, seus jardins também são os mais indecifráveis da história. Na alçada da Sétima Arte, Babilônia remete a um livro com suas páginas alimentadas por fofocas escandalizantes do Cinema nas décadas de 20 e 30, quando os roteiros ainda não imaginam &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/babilonia-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Lute por sua vida, Babilônia"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30087" aria-describedby="caption-attachment-30087" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30087" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1babilonia-800x534.jpg" alt="" width="800" height="534" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1babilonia-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1babilonia-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1babilonia-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1babilonia-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1babilonia-1200x800.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1babilonia.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30087" class="wp-caption-text">O filme tem como base a bíblia de fofocas dos primórdios da Sétima Arte: Hollywood Babylon (Foto: Paramount)</figcaption></figure>
<p><b>Ana Júlia Trevisan</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Babilônia é sinônimo de grandeza. Uma das sete </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/voce-sabia-que-os-jardins-suspensos-da-babilonia-na-verdade-ficavam-na-assiria.phtml"><span style="font-weight: 400;">Maravilhas do Mundo Antigo</span></a><span style="font-weight: 400;">, seus jardins também são os mais indecifráveis da história. Na alçada da Sétima Arte, </span><i><span style="font-weight: 400;">Babilônia</span></i><span style="font-weight: 400;"> remete a um livro com suas páginas alimentadas por fofocas escandalizantes do Cinema nas décadas de 20 e 30, quando os roteiros ainda não imaginam ser preenchidos por diálogos. Bebendo da fonte dessa obra, o diretor e roteirista Damien Chazelle concebe seu mais novo trabalho, </span><a href="https://cinemacomrapadura.com.br/noticias/616467/babylon-novo-filme-de-damien-chazelle-com-brad-pitt-e-margot-robbie-tem-primeiras-imagens-divulgadas/"><i><span style="font-weight: 400;">Babylon</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ambientado em uma Hollywood em movimento de transição e abastecida a sexo e drogas. </span></p>
<p><span id="more-30085"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Literalmente iniciado com um grande elefante na sala, </span><i><span style="font-weight: 400;">Babilônia </span></i><span style="font-weight: 400;">prova que </span><a href="https://personaunesp.com.br/la-la-land-o-sabor-agridoce-da-nostalgia/"><span style="font-weight: 400;">Chazelle </span></a><span style="font-weight: 400;">domina as técnicas e, principalmente, a história do audiovisual. Acima da riqueza de recursos utilizados durante as três horas de segmentação, o diretor arma uma palestra como quem filma a enciclopédia do Cinema, fazendo um preciso recorte no período de passagem do </span><a href="https://www.todoestudo.com.br/artes/cinema-mudo"><span style="font-weight: 400;">Cinema Mudo</span></a><span style="font-weight: 400;"> para o Cinema Sonoro mediante figuras ficcionais que se assemelham a nomes da realidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ano é 1926 e, no alto de um colina </span><i><span style="font-weight: 400;">hollywoodiana</span></i><span style="font-weight: 400;">, em uma festa regada por entorpecentes e lotada de pessoas nuas, os personagens principais são apresentados. A selvageria do evento é apenas a porta de entrada para a apresentação das suas melhores peças. É em meio a peitos, cocaína e um bom </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;"> que o espectador se encanta pelo magnetismo de Nellie LaRoy, vivida por </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/margot-robbie/"><span style="font-weight: 400;">Margot Robbie</span></a><span style="font-weight: 400;">, pelo impacto do </span><a href="https://personaunesp.com.br/top-gun-elite-homoerotismo-artigo/"><span style="font-weight: 400;">galã Jack Conrad</span></a><span style="font-weight: 400;">, interpretado por Brad Pitt, e pela vontade de viver do protagonista Manny Torres, de Diego Calva. Para além deles, que roubam a cena, </span><i><span style="font-weight: 400;">Babilônia</span></i><span style="font-weight: 400;"> ainda conta com Lady Fay Zhu (Li Jun Li), uma artista de cabaré, a colunista de fofocas Elinor St. John (</span><a href="https://personaunesp.com.br/hacks-2-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">Jean Smart</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Sidney Palmer (Jovan Adepo), um talentoso trompetista negro.</span></p>
<figure id="attachment_30088" aria-describedby="caption-attachment-30088" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30088" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2babilonia-800x518.jpg" alt="" width="800" height="518" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2babilonia-800x518.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2babilonia-1024x662.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2babilonia-768x497.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2babilonia-1536x994.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2babilonia-1200x776.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2babilonia.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30088" class="wp-caption-text">Após Era uma Vez em&#8230; Hollywood, Brad Pitt e Margot Robbie se reencontram no afronte à cidade do Cinema (Foto: Paramount)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O trabalho anárquico de Chazelle faz com que o filme caminhe por uma linha tênue entre o sucesso e o desastre. Toda a extravagância dos </span><a href="https://www.megacurioso.com.br/artes-cultura/121068-6-curiosidades-sobre-os-jardins-suspensos-da-babilonia.htm"><span style="font-weight: 400;">Jardins Suspensos da Babilônia</span></a><span style="font-weight: 400;"> se converte na grandiosidade da produção, que atua como a própria droga sendo conduzida na corrente sanguínea: oscila entre a euforia e a melancolia, sem que seu usuário perceba a menor noção do tempo. Esse bacanal construído com alto orçamento é respeitável por tamanha audácia em filmar épicos biográficos, usados como materiais de estudo para qualquer amante de Cinema.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O impressionante resgate histórico ganha combustível através da freneticidade de seus protagonistas, que incham o roteiro ao caos. Caos esse com o propósito de refletir a ansiedade que consumia a </span><a href="https://segredosdomundo.r7.com/hollywood/"><span style="font-weight: 400;">cidade do </span><i><span style="font-weight: 400;">show business</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, transpassando toda a angústia em relação a sobrevivência do Cinema através da suntuosa exploração do sentimentalismo e da fala. Número assustador à primeira vista, as três horas de duração são atraentes quando envoltos em trama e arcos de personagens fortemente entrelaçados e classicamente estruturados, fugindo da simplicidade por meio da adrenalina.</span></p>
<figure id="attachment_30089" aria-describedby="caption-attachment-30089" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30089" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/3babilonia-800x328.jpg" alt="" width="800" height="328" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/3babilonia-800x328.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/3babilonia-1024x419.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/3babilonia-768x314.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/3babilonia-1536x629.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/3babilonia-1200x491.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/3babilonia.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30089" class="wp-caption-text">A personagem de Jean Smart é uma junção das personas de duas críticas de Cinema rivais da época (Foto: Paramount)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A dicotomia para designar as </span><a href="https://super.abril.com.br/cultura/a-historia-do-cinema/"><span style="font-weight: 400;">Eras cinematográficas</span></a><span style="font-weight: 400;"> trabalha em contraste entre o espontâneo e vibrante, e o rígido e frustrante. A ancoragem de </span><i><span style="font-weight: 400;">Babilônia</span></i><span style="font-weight: 400;">, que garante a excelência da produção, está nas cenas de Nellie LaRoy. A confiança da moça sobre seu estrelato faz com que sua performance ao lado de Ruth Adler (Olivia Hamilton, esposa de Damien Chazelle) dá o molde ideal à história exposta no longa. Ao mesmo tempo, o excesso de elementos faz com que Adler seja pouco aproveitada em grande parte do longa-metragem. O filme traz várias analogias com </span><a href="https://www.teoriacultural.com.br/post/cantando-na-chuva-um-magn%C3%ADfico-filme-musical-atemporal-e-art%C3%ADstico"><i><span style="font-weight: 400;">Cantando na Chuva</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Garganta Profunda</span></i><span style="font-weight: 400;"> e outros grandes clássicos que fazem parte desse período de transição, possuem seus montadores, seus </span><i><span style="font-weight: 400;">sexsymbols</span></i><span style="font-weight: 400;"> e são admirados pelo diretor. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A abordagem temática é descomplicada, facilitando ao espectador a compreensão dos termos técnicos. Existe crítica ativa às engrenagens da indústria que cerca a liberdade criativa de seus profissionais e a maneira como, de uma hora para outra, os atores são jogados ao ostracismo. É por meio de cenas chocantes ao público, dentro de uma estrutura narrativa esbanjando excesso nas cenas de humor e drama, que </span><i><span style="font-weight: 400;">Babylon</span></i><span style="font-weight: 400;"> retrata que a indústria apenas sobrevive entre sucessos e fracassos.</span></p>
<figure id="attachment_30090" aria-describedby="caption-attachment-30090" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30090" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/4babilonia-800x554.jpg" alt="" width="800" height="554" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/4babilonia-800x554.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/4babilonia-1024x709.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/4babilonia-768x532.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/4babilonia-1536x1063.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/4babilonia-1200x831.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/4babilonia.jpg 1560w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30090" class="wp-caption-text">Pouco aproveitado, Babylon traz em paralelo a historia do primeiro homem negro a ter sucesso em musicais (Foto: Paramount)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A problemática maior da produção de </span><i><span style="font-weight: 400;">Babilônia,</span></i><span style="font-weight: 400;"> e muito provavelmente o que jogou o filme nas catacumbas do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, está</span> <span style="font-weight: 400;">em sua montagem tão confusa quanto a opinião de quem o assiste. Afinal, como um filme que se estende por horas a fio a retratar o umbral de Hollywood pode terminar em tamanha esperança? Erro do diretor? Muito provavelmente não. </span><i><span style="font-weight: 400;">Babylon</span></i><span style="font-weight: 400;"> é consciente de suas disparidades. As danças entre talento e sorte, identidade e assimilação, criação de mitos apócrifos e verdades menos conhecidas</span> <span style="font-weight: 400;">faz parte de todo o balaio de gato que o próprio tenta abraçar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para além disso, Damien Chazelle é obcecado pela perfeição, como visto em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=iTgk3WbTErk&amp;ab_channel=SonyPicturesBrasil"><i><span style="font-weight: 400;">Whiplash</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, com suas cinco indicações ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2015, incluindo a de Melhor Filme, e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=zXvgkkNMi-4&amp;t=2s&amp;ab_channel=Telecine"><i><span style="font-weight: 400;">La La Land</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">que o tornou o mais novo diretor a ganhar o </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">de Melhor Direção. Seja encontrando um ritmo imaculado, voando no espaço ou fazendo sucesso em Hollywood, seus filmes apresentam personagens que estão dispostos a suportar tortura física e emocional para alcançar a linha de chegada, e </span><i><span style="font-weight: 400;">Babilônia</span></i><span style="font-weight: 400;"> não foge à regra, sendo claramente uma produção realizada para a temporada de premiações.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de não ter alcançado o panteão de categorias, a excentricidade de </span><i><span style="font-weight: 400;">Babylon </span></i><span style="font-weight: 400;">garantiu a nomeação ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">de Melhor Trilha Sonora Original, Melhor Direção de Arte e Melhor Figurino. E não é por menos, a trilha sonora sobrecarregada de Justin Hurwitz, o luxuoso </span><i><span style="font-weight: 400;">design </span></i><span style="font-weight: 400;">de produção de Florencia Martin e a cinematografia interminável de </span><a href="https://personaunesp.com.br/nao-olhe-para-cima-critica/"><span style="font-weight: 400;">Linus Sandgren</span></a><span style="font-weight: 400;"> contribuem para o teor exagerado da produção. Essas categorias técnicas também renderam duas estatuetas nesta temporada: Melhor Trilha Sonora Original, no Globo de Ouro, e Melhor Design de Produção, no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/critics-choice-awards/"><i><span style="font-weight: 400;">Critics Choice Awards</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_30086" aria-describedby="caption-attachment-30086" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30086" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/5babilonia-800x349.jpg" alt="" width="800" height="349" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/5babilonia-800x349.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/5babilonia-1024x446.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/5babilonia-768x335.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/5babilonia-1536x669.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/5babilonia-1200x523.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/5babilonia.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30086" class="wp-caption-text">Em uma sequência de cenas que poderiam ter sido descartadas no corte final, Daniel Radcliffe faz sua ponta em Babilônia (Foto: Paramount)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É difícil definir o agridoce deixado por </span><i><span style="font-weight: 400;">Babylon</span></i><span style="font-weight: 400;">. A doce carta de amor à Hollywood tem gosto amargo de um bilhete de suicidio e usa disso para ter a liberdade de ser imponente ao lado de suas peças deslumbrantes. A excelência está no calibre da trilha sonora, no conjunto de atores e no conhecimento inegável de Damien Chazelle. Mas </span><i><span style="font-weight: 400;">Babilônia</span></i><span style="font-weight: 400;"> deixa vazios que nenhuma manipulação é capaz de preencher. Feito para ser desdenhoso, o fim não foge da hipocrisia e apenas o futuro poderá dizer se essa obra é a montagem mais verdadeira do diretor ou o material mais falso da carreira de Chazelle.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Babilônia | Trailer Oficial | Paramount Pictures Brasil" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/binSx3SfsaM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>15 anos de Na Natureza Selvagem: a felicidade compartilhada com a totalidade do nada</title>
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		<pubDate>Wed, 19 Oct 2022 17:32:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Veiga Solidão. Substantivo feminino. Estado de quem está só, retirado do mundo ou de quem se sente desta forma mesmo estando rodeado por outras pessoas; isolamento. Solitude. Substantivo feminino. Condição de quem se isola propositalmente ou está em um momento de reflexão e de interiorização. Popularmente usada em oposição à solidão para indicar que &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/na-natureza-selvagem-15-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "15 anos de Na Natureza Selvagem: a felicidade compartilhada com a totalidade do nada"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28872" aria-describedby="caption-attachment-28872" style="width: 1363px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28872 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-1-e1666196420816.jpg" alt="Cena do filme Na Natureza Selvagem. Nela, Alexander Supertramp, um jovem branco de cabelos volumosos e barba, ambos castanhos, está sentado em uma cadeira na frente de um ônibus nas cores verde e branca. Ele veste uma camisa xadrez nas mesmas cores que o ônibus, porém com sujeira mais visível, calça bege e galocha preta. Ele segura um caderno azul aberto, o qual está olhando. Ao redor do ônibus, há plantas e flores na cor rosa." width="1363" height="565" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-1-e1666196420816.jpg 1363w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-1-e1666196420816-800x332.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-1-e1666196420816-1024x424.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-1-e1666196420816-768x318.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-1-e1666196420816-1200x497.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28872" class="wp-caption-text">A adaptação da história de Christopher McCandless por Sean Penn é carregada de significados (Foto: Paramount Vantage)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Veiga</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Solidão. Substantivo feminino. </span><span style="font-weight: 400;">Estado de quem está só, retirado do mundo ou de quem se sente desta forma mesmo estando rodeado por outras pessoas; isolamento. </span><a href="https://encenasaudemental.com/comportamento/insight/solitude-e-solidao-a-diferenciacao-do-estar-so/"><span style="font-weight: 400;">Solitude</span></a><span style="font-weight: 400;">. Substantivo feminino. Condição de quem se isola propositalmente ou está em um momento de reflexão e de interiorização.</span> <span style="font-weight: 400;">Popularmente usada em oposição à solidão para indicar que estar sozinho não implica obrigatoriamente estar em sofrimento. Associada à alegria de estar sozinho.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se tudo é algo, então nada é algo. A relação entre preenchimento e vazio sempre bailou mais junta do que se imagina. Por mais que esses dois extremos estejam bastante próximos, a jornada para percepção dessa curta distância é bem trabalhosa. É essa </span><i><span style="font-weight: 400;">via-crúcis</span></i><span style="font-weight: 400;"> que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XZG1FzyB8DI&amp;ab_channel=RottenTomatoesClassicTrailers"><i><span style="font-weight: 400;">Na Natureza Selvagem</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2007), filme que completa quinze anos em 19 de Outubro de 2022, busca percorrer.</span></p>
<p><span id="more-28871"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Baseado na obra homônima de </span><a href="https://personaunesp.com.br/em-nome-do-ceu-critica/"><span style="font-weight: 400;">Jon Krakauer</span></a><span style="font-weight: 400;">, que vem virando um queridinho dos roteiristas de Hollywood, o longa acompanha a verdadeira história da “morte” &#8211; social, por assim dizer &#8211; de Christopher McCandless, e o “nascimento e vida” de Alexander Supertramp. Na trama e na vida real, Chris largou sua vida promissora de jovem prodígio para buscar a completude no meio do nada. Aqui, Sean Penn, em sua espaçada carreira de diretor, dirige uma de suas melhores obras cinematográficas, garantindo duas indicações no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de 2008, além do Prêmio do Público de Melhor Longa Estrangeiro de Ficção na 31ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, em 2007.</span></p>
<figure id="attachment_28873" aria-describedby="caption-attachment-28873" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28873 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-2-e1666196626365-1024x406.jpg" alt="Cena do filme Na Natureza Selvagem, Nela, Alexander Supertramp está deitado no banco do ônibus, apontando a mão para cima e com a boca aberta, como se estivesse em seus últimos suspiros. Ele só aparece da altura dos ombros para cima e veste um caso verde, com pelagem bege ao redor da touca." width="840" height="333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-2-e1666196626365-1024x406.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-2-e1666196626365-800x318.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-2-e1666196626365-768x305.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-2-e1666196626365-1200x476.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-2-e1666196626365.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28873" class="wp-caption-text">A cena final é extremamente tocante e poética, mostrando uma competência tanto do ator principal quanto da escrita do roteiro (Foto: Paramount Vantage)</figcaption></figure>
<p><a href="https://darkside.blog.br/henry-david-thoreau-fui-para-o-bosque-porque-queria-viver-deliberadamente/"><span style="font-weight: 400;">Henry Thoreau</span></a><span style="font-weight: 400;">, um dos intelectuais que serve de estopim para o roteiro e referenciado diretamente ao longo da obra, defende o abandono das ilusões de uma vida repleta de coisas supérfluas para, daí sim, sabermos o que realmente é essencial. Seguindo radicalmente esse conceito, Supertramp enxerga a própria existência em sociedade como banal, e, assim como em </span><i><span style="font-weight: 400;">Walden </span></i><span style="font-weight: 400;">(1854), um dos livros mais célebres de Thoreau, busca a contemplação de sua vida rasgando o contrato social de John Locke, a fim de viver livremente sua própria natureza.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas seria muito simplista dizer que </span><i><span style="font-weight: 400;">Into the Wild</span></i><span style="font-weight: 400;"> é apenas uma nova roupagem desse conceito. Abraçando o gênero de </span><a href="https://www.teclasap.com.br/road-movie/"><i><span style="font-weight: 400;">road movie</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a obra, além da trajetória “do ponto a ao ponto b”, convida o espectador a embarcar em uma viagem reflexiva sobre o quanto estamos enraizados em nossas próprias ideias de sociedade. Isso começa com a percepção que temos de Supertramp no início, sendo muito fácil identificá-lo como um egoísta dissimulado &#8211; mesmo que, em partes, ele seja. Porém, nós e o próprio Supertramp estamos tão imersos nos ritos sociais que não é possível enxergá-lo como um desprezível desvio dessa constante, mas sim como um erro grotesco, que não se encaixa no padrão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Isso é muito bem colocado pelo roteiro no momento da construção do personagem de McCandless. Por ser adaptado de um livro que narra fatos, é esperado que a escrita tenha maior liberdade poética, tornando-se algo perceptível a partir do “nascimento” de Supertramp. Claro que a jornada até o Alasca é o pano de fundo, mas a história – que além da direção, tem o roteiro assinado por </span><a href="https://cineclick.uol.com.br/artistas/sean-penn"><span style="font-weight: 400;">Sean Penn</span></a> <span style="font-weight: 400;">– usa da jornada do andarilho para traçar um estudo sobre a inserção (ou não) do indivíduo no mundo contemporâneo, e faz isso de forma muito tocante.</span></p>
<figure id="attachment_28874" aria-describedby="caption-attachment-28874" style="width: 1018px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28874 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-3-e1666196728927.jpg" alt="Cena de Na Natureza Selvagem. Nela, Supertramp está em uma praia no nascer ou pôr do sol. Por conta do sol, só é possível ver sua silhueta centralizada. Ao fundo dele, no meio do mar, uma ilha e alguns pássaros à direita." width="1018" height="427" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-3-e1666196728927.jpg 1018w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-3-e1666196728927-800x336.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-3-e1666196728927-768x322.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28874" class="wp-caption-text">O longa sabe trabalhar o isolamento do ator principal em meio a imensidão do mundo (Foto: Paramount Vantage)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O Cinema, historicamente, aborda a solidão e a solitude. Claro que a solidão é muito mais prática de ser transmitida, devido a sua familiaridade e violência de impacto. Podemos tirar ótimos exemplos das telas, como </span><a href="https://personaunesp.com.br/taxi-driver-completa-40-anos-permanece-extremamente-atual/"><i><span style="font-weight: 400;">Taxi Driver</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1976),</span> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=C3NDz_7KP2g&amp;ab_channel=HDRetroTrailers"><i><span style="font-weight: 400;">Amores Expressos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1994) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Her </span></i><span style="font-weight: 400;">(2013). Já com a solitude, o trabalho é mais minucioso, pois é um conceito embaralhado dentro de nós mesmos. Ainda assim, é possível traçar paralelos, como a simples ida ao cinema em </span><a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/cinema-paradiso-serie"><i><span style="font-weight: 400;">Cinema Paradiso</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1988) ou o azar de ser esquecido em outro planeta em </span><a href="https://personaunesp.com.br/perdido-em-marte-o-azarao-no-oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Perdido em Marte</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2015).</span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: left;"><span style="font-weight: 400;">“Para chamar cada coisa pelo seu devido nome</span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="font-weight: 400;"> pelo seu devido nome”</span></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">E é aí que está o valor de </span><i><span style="font-weight: 400;">Na Natureza Selvagem</span></i><span style="font-weight: 400;">: ele não é um ótimo expoente de uma dessas vertentes, mas sim das duas ao mesmo tempo, e consegue destrinchar os meandros desse nebuloso meio termo. McCandless pensa que é descolado da sociedade que o cerca, mas não. Desde a burocracia para ser reconhecido como pessoa até os momentos que ele exala euforia ao estar completamente isolado e, por conta do seu inconsciente, grita para ser ouvido por ninguém; é nesse lugar que mora a linha tênue entre solidão e solitude.</span></p>
<figure id="attachment_28875" aria-describedby="caption-attachment-28875" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28875 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-4.jpg" alt="Cena de Na Natureza Selvagem. Nela vemos Supertramp ao lado de Ron, um senhor idoso branco e de cabelos brancos. Supertramp veste uma camisa branca, short preto e tênis cinza. Ron Veste uma polo azul claro, uma calça azul escura e meias e tênis pretos. Ambos estão sentados em uma montanha de pedras olhando para frente. Ao lado direito de Supertramp, sua mochila está bege e azul está caída para o lado." width="2048" height="1366" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-4.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-4-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-4-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-4-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-4-1536x1025.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-4-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28875" class="wp-caption-text">A relação entre Supertramp e Ron é de longe uma das mais emocionantes da obra (Foto: Paramount Vantage)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, é inegável que a solitude de Supertramp preenche toda a obra de cabo a rabo, graças à primorosa atuação de </span><a href="https://www.instagram.com/emilehirsch/"><span style="font-weight: 400;">Emile Hirsch</span></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">Speed Racer</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Reis de Dogtown</span></i><span style="font-weight: 400;">). Por isso, a escrita é muito inteligente ao explorar a solidão e suas infinitas formas de dor através dos personagens secundários, com as também brilhantes atuações de, entre outros, Vince Vaughn (</span><i><span style="font-weight: 400;">Os Estagiários</span></i><span style="font-weight: 400;">), </span><a href="https://personaunesp.com.br/spencer-critica/"><span style="font-weight: 400;">Kristen Stewart</span></a><span style="font-weight: 400;"> pré-</span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-144402/"><i><span style="font-weight: 400;">Crepúsculo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, William Hurt (</span><i><span style="font-weight: 400;">O Beijo da Mulher Aranha</span></i><span style="font-weight: 400;">) e a tocante relação com Hal Holbrook (</span><i><span style="font-weight: 400;">Todos os Homens do Presidente</span></i><span style="font-weight: 400;">) no papel de Ron Franz.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais do que um filme sobre a auto-descoberta, </span><i><span style="font-weight: 400;">Na Natureza Selvagem </span></i><span style="font-weight: 400;">esconde a discussão sobre o auto-perdão e como este é importante para tal descoberta. Cada pessoa com quem Supertramp cruza, até o memorável </span><a href="https://gooutside.com.br/a-historia-do-onibus-de-na-natureza-selvagem/"><span style="font-weight: 400;">ônibus 142</span></a><span style="font-weight: 400;">, desperta esse sentimento no protagonista, em diferentes aspectos, como relacionamento, trabalho, traumas e amor familiar. A produção peca um pouco ao escancarar tanto essa virada de chave que McCandless dá nos outros personagens &#8211; salvo alguns momentos que isso é benéfico, como no diálogo com Ron -, deixando a mudança de percepção de Supertramp cozinhando na subjetividade para conseguir encaixá-la no excelente final da obra.</span></p>
<figure id="attachment_28876" aria-describedby="caption-attachment-28876" style="width: 500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28876" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-5.gif" alt="Gif do filme Na Natureza Selvagem. Nele, Supertramp está com uma camisa xadrez verde e amarela e uma camisa verde por baixo. Ele abre os braços para sentir a brisa enquanto a câmera rodopia pelo cenário, que é composto por uma cadeia de montanhas que estão em processo de degelo." width="500" height="208" /><figcaption id="caption-attachment-28876" class="wp-caption-text">A fotografia do longa entrega um Estados Unidos de paisagens incríveis (Foto: Paramount Vantage)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Direção e roteiros afiados, ou um elenco impecável, não são capazes de garantir a sustentação de uma boa obra. É nessa hora que brilham alguns aspectos técnicos do longa, a começar pela sua fotografia. Embora Sean Penn tenha trazido um caráter contemplativo e carregado de filosofia para o texto, foi com Eric Gautier, experiente com </span><i><span style="font-weight: 400;">road movies</span></i><span style="font-weight: 400;"> pela jornada de Che Guevara em </span><a href="https://cinemaemcena.com.br/critica/filme/6834/diarios-de-motocicleta"><i><span style="font-weight: 400;">Diários de Motocicleta</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2004), que a escrita conseguiu ser traduzida para o gênero. A mudança entre os planos abertos nas locações, que transmitem um Estados Unidos diferente do habitual, e os planos extremamente fechados nas personas, quase que uma quebra da quarta parede simulada, mostram a ambiguidade que a história carrega.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro aspecto é a brilhante contribuição de Eddie Vedder para a trilha sonora do longa, que por si só merecia um texto à parte. Mesmo indo totalmente ao oposto do que apresenta no </span><a href="https://personaunesp.com.br/pearl-jam-ten-30-anos/"><span style="font-weight: 400;">Pearl Jam</span></a><span style="font-weight: 400;">, com o icônico dedilhado do violão, que mesmo sem assistir a obra é provável que você conheça, Vedder entrega uma das obras mais singelas e concisas de toda sua discografia. As músicas conversam totalmente com a ideia do filme e amplificam a mensagem da produção. A trilha, digna de </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, não garfou o careca dourado e levou somente o Globo de Ouro de Melhor Canção Original daquele ano para as mãos de Vedder.</span></p>
<figure id="attachment_28877" aria-describedby="caption-attachment-28877" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28877 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-6.jpg" alt="Cena do filme Na Natureza Selvagem. Nela, vemos um livro em inglês. Entre o espaço de um parágrafo para o outro, uma caneta preta escreve de letras maiúsculas a palavra &quot;Happiness&quot;. A imagem é legendada com o texto em cor branca, escrito “happiness only real when shared.”" width="1280" height="624" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-6.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-6-800x390.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-6-1024x499.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-6-768x374.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-6-1200x585.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28877" class="wp-caption-text">“A felicidade só é real quando compartilhada” (Foto: Paramount Vantage)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa é muito consciente ao enriquecer filosoficamente a história de Supertramp, sem correr o perigo de ser o principal difusor da imprudente decisão do andarilho. Claro que ele, de certa forma, espalha essa ideia; é inevitável, e com a obra tornando o ato algo mais </span><i><span style="font-weight: 400;">mainstream</span></i><span style="font-weight: 400;">, pessoas se </span><a href="https://www.uol.com.br/nossa/viagem/noticias/2015/03/17/trilha-no-alasca-segue-os-passos-do-livro-e-filme-na-natureza-selvagem.htm"><span style="font-weight: 400;">inspiraram a partir dele</span></a><span style="font-weight: 400;">. A questão é que o filme tem muito mais material além disso, e o problema está longe de residir no conteúdo da mensagem, mas sim em como ele é recepcionado pelos diferentes tipos de público.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aos 15 anos, ao assistir pela primeira vez, </span><i><span style="font-weight: 400;">Na Natureza Selvagem</span></i><span style="font-weight: 400;"> se tornou um dos meus favoritos, pois as concepções sobre a mensagem chegavam em alguém tão idealista e dissimulado quanto Supertramp. Revendo a obra, 15 anos depois de seu lançamento, tal visão mudou, pela única razão de que a ótica da vida também mudou. Nietzsche, outro autor que o longa chega a citar, tinha o conceito de </span><a href="https://razaoinadequada.com/2013/04/03/nietzsche-amor-fati/"><i><span style="font-weight: 400;">amor fati</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, amor ao fado (destino), ao pé da letra, cujo significado é aceitar as coisas que chegam até sua efêmera vida – o final já está decretado. E se parte da jornada é o fim, apenas aproveitar a vista seria muito clichê, então, por que não adaptar o olhar para saber quando contemplá-la, nos mais diferentes sentidos da palavra contemplar? Por que não identificar e chamar cada coisa pelo seu devido nome?</span></p>
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		<title>Sorria aposta em uma narrativa sensível sobre trauma</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Oct 2022 22:34:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitor Evangelista É como se a fita amaldiçoada da Samara de O Chamado (2002) sofresse uma transfusão sanguínea da IST mortal que assola Corrente do Mal (It Follows, 2015). Não há maneira simples de descrever o sorriso mortal que intitula a estreia em longas do cineasta Parker Finn. Na simples e direta trama de Sorria &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/sorria-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Sorria aposta em uma narrativa sensível sobre trauma"</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28862" aria-describedby="caption-attachment-28862" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28862 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/1.jpg" alt="Cena do filme Sorria, mostra uma jovem branca parada e olhando para a câmera, sorrindo de maneira assustadora. Ela usa blusa verde e camisa xadrez em tons terrosos. " width="1200" height="676" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/1-800x451.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/1-1024x577.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/1-768x433.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28862" class="wp-caption-text">A princípio, o filme tinha planos de ser despejado diretamente no streaming, mas ótimas reações em sessões teste fizeram a distribuidora mudar sua estratégia e planejar um lançamento nos cinemas (Foto: Paramount)</figcaption></figure>
<p><b>Vitor Evangelista</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É como se a fita amaldiçoada da Samara de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CpXJnqg0N_Y"><i><span style="font-weight: 400;">O Chamado</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2002) sofresse uma transfusão sanguínea da IST mortal que assola </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1E9QMsOnoN8"><i><span style="font-weight: 400;">Corrente do Mal</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">It Follows</span></i><span style="font-weight: 400;">, 2015). Não há maneira simples de descrever o sorriso mortal que intitula a estreia em longas do cineasta Parker Finn. Na simples e direta trama de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=F_BZre3NPMM"><i><span style="font-weight: 400;">Sorria</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">Smile</span></i><span style="font-weight: 400;">), uma psicóloga testemunha um suicídio e vê a própria vida se tornar um labirinto nefasto, em que só há saída na morte.</span></p>
<p><span id="more-28861"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A psicóloga é a doutora Rose Cotter, interpretada com garra por uma alucinada Sosie Bacon (de </span><a href="https://personaunesp.com.br/mare-of-easttown-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Mare of Easttown</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">13 Reasons Why</span></i><span style="font-weight: 400;">). Em um dia aparentemente comum no hospital onde trabalha longas horas, a mulher é chamada para atender Laura Weaver (Caitlin Stasey) em pânico, dias após ela mesmo ter presenciado a morte de um professor na faculdade. Os sintomas parecem ser alucinógenos: a garota não para de ver sorrisos por aí. O problema, no entanto, é que eles não simbolizam simpatia ou boa educação.</span></p>
<figure id="attachment_28864" aria-describedby="caption-attachment-28864" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28864 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/2.jpeg" alt="Cena do filme Sorria, mostra uma mulher branca encostada na parede, com expressão de medo no rosto, a boca aberta e os olhos lacrimejando, sendo iluminada por uma luz laranja." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/2.jpeg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/2-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/2-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/2-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/2-1200x675.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28864" class="wp-caption-text">Bingo da família Bacon no Cinema de horror em 2022: enquanto Sosie deu a vida em Sorria, o papai Kevin protagonizou o insosso <a href="https://www.youtube.com/watch?v=HtQk6sANmKs">They/Them</a> (Foto: Paramount)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Seja no rosto de um transeunte qualquer, ou na feição de um parente há muito tempo falecido, o sorriso carrega o terror da morte e, depois de revelar tudo isso a uma desacreditada doutora, Weaver abre a garganta com o caco de vidro do vaso que acabou de quebrar. A cena, traumática pela mutilação e pelo sangue que logo tinge de vermelho o chão límpido do consultório, se impregna na mente de Rose. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem chão, Bacon injeta a turbidez que o evento acomete em sua personagem, que não demora muito a enxergar os tais sorrisos, sussurrando maldições e perturbando sua psique. Nessa toada, o roteiro e a direção de Finn, que adapta para o formato de longa o seu curta </span><a href="https://www.imdb.com/title/tt11650610/"><i><span style="font-weight: 400;">Laura Hasn&#8217;t Slept</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, vão cavando o medo e o trauma da protagonista, em especial quando se refere ao suicídio da mãe, que aconteceu quando ela não passava de uma garotinha. </span></p>
<p><figure id="attachment_28865" aria-describedby="caption-attachment-28865" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28865 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/3.jpg" alt="Cena do filme Sorria, mostra uma mulher branca sorrindo de maneira assustadora. Ela usa roupas brancas e olha em direção à câmera." width="1200" height="595" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/3.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/3-800x397.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/3-1024x508.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/3-768x381.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28865" class="wp-caption-text">Na pele de dois doutores que tentam ajudar a protagonista, o filme escala os sempre ótimos Kal Penn (The Big Bang Theory) e Robin Weigert (Big Little Lies) [Foto: Paramount]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Explorando suas dinâmicas familiares nada saudáveis com a irmã Holly (Gillian Zinser) e com o noivo Trevor (Jessie T. Usher, o A-Train de </span><a href="http://personaunesp.com.br/the-boys-2a-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Boys</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), </span><i><span style="font-weight: 400;">Sorria</span></i><span style="font-weight: 400;"> não economiza nos sustos e no mistério de ambientes mal iluminados e portas batendo ao vento. De fato, o trabalho por trás das câmeras eleva a simplicidade do material base, com especial menção para o </span><i><span style="font-weight: 400;">design </span></i><span style="font-weight: 400;">de som e da direção de fotografia, responsabilidade de Charlie Sarroff (</span><i><span style="font-weight: 400;">Relíquia Macabra</span></i><span style="font-weight: 400;">).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que se inicia com um jogo de gato e rato entre a personagem principal e a entidade sorridente logo se transmuta na busca por respostas. Com a ajuda de Joel (Kyle Gallner, de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=beToTslH17s"><i><span style="font-weight: 400;">Pânico</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), o ex-namorado policial que orbita sua vida, Rose descobre a figura de Robert Talley (Rob Morgan, de </span><a href="https://personaunesp.com.br/stranger-things-4-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Stranger Things</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), um presidiário que pode ajudá-la a se livrar dessa doentia partida de pega-pega. Quando decide focar sua narrativa na possível origem do mal, </span><i><span style="font-weight: 400;">Sorria </span></i><span style="font-weight: 400;">parece considerar a possibilidade de se jogar sem medo em mitologias, para além do ar mundano que assola a produção.</span></p>
<figure id="attachment_28866" aria-describedby="caption-attachment-28866" style="width: 1400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28866 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/4.jpg" alt="Cena do filme Sorria, mostra uma mulher dentro do carro, olhando de lado pela janela do motorista. Lá fora, vemos outra mulher, vestindo uma blusa rosa e com a cabeça caindo do pescoço, como um pêndulo, sorrindo de maneira assustadora." width="1400" height="759" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/4.jpg 1400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/4-800x434.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/4-1024x555.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/4-768x416.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/4-1200x651.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28866" class="wp-caption-text">Sorria abusa criativamente na hora de bolar seus sustos e jumpscares, com destaque para as cenas do computador e da janela do carro (Foto: Paramount)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas essa decisão se esvai e Parker Finn recua a grandeza de sua estreia, atendo-se a uma micro-batalha entre o passado e o presente. Acontece que a decisão de envelopar o trauma e o luto nessa embalagem medonha (e com um </span><a href="https://twitter.com/siteptbr/status/1575292687913295878"><i><span style="font-weight: 400;">marketing </span></i><span style="font-weight: 400;">para lá de criativo</span></a><span style="font-weight: 400;">) é a jogada mais acertada do diretor. Afinal, discutir temas inerentes ao homem no gênero mais barato de todos é costume desde os tempos de </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/nosferatu-robert-eggers"><span style="font-weight: 400;">vampiros alemães</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Exemplos atuais não faltam, e compartilhando a temática da ausência materna, </span><i><span style="font-weight: 400;">Sorria </span></i><span style="font-weight: 400;">vai além da sobriedade do já mencionado </span><a href="http://personaunesp.com.br/relic-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Relíquia Macabra</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, sem nunca abrir mão de doses cavalares e calculadas de humor como escape da tensão, fazendo valer seu lançamento nas salas de cinema e todo o escopo que um filme distribuído pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Paramount </span></i><span style="font-weight: 400;">detém. O sorriso que amaldiçoa o mundo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Smile </span></i><span style="font-weight: 400;">nasce do medo surgido na pandemia, como </span><a href="https://www.omelete.com.br/terror/sorria-terror-entrevista"><span style="font-weight: 400;">revelou o cineasta</span></a><span style="font-weight: 400;">. Afinal, o enclausuramento mental é a oficina do diabo, com qualquer identidade que ele queira tomar: de um paciente barbudo a uma figura distorcida e desengonçada que se recusa a entrar em combustão.</span></p>
<figure id="attachment_28867" aria-describedby="caption-attachment-28867" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28867 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/5.jpeg" alt="Cena do filme Sorria, mostra uma mulher branca sentada, olhando para a câmera e sorrindo de maneira assustadora. Ao seu lado, vemos uma criança com as mãos nas orelhas, com medo. " width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/5.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/5-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/5-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/5-768x432.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28867" class="wp-caption-text">Surfando na onda de prequelas, não seria surpreendente uma nova investida no universo de Sorria, quem sabe explorando a maldição que assolou o Brasil alguns anos atrás, ou mesmo a raíz de todo esse mal (Foto: Paramount)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde seu uso como símbolo embrionário na Arte grega, o sorriso possui essa equiparação automática à felicidade e ao gozo. Ao escolher não apenas nomear seu terror como medo, morte e luto com a alcunha, mas também colocar seus atores para performar o ato das maneiras mais disformes possíveis, Parker Finn acende uma estrela em sua mente cineasta (e ainda presta homenagem ao imortal </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/movies/movie-news/the-man-who-laughs-smile-scary-1235228650/"><i><span style="font-weight: 400;">O Homem que Ri</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, pioneiro em fazer gargalhar de medo). Nada estranho ao </span><a href="https://www.imdb.com/name/nm6475689/?ref_=tt_ov_wr"><span style="font-weight: 400;">seu currículo</span></a><span style="font-weight: 400;">, que apresenta dois curtas-metragens com a mesma pegada desconfortável de ambientes comuns invadidos pelo mal invisível. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas de nada adiantaria uma direção confiante, roteiro conciso, e </span><i><span style="font-weight: 400;">design </span></i><span style="font-weight: 400;">de produção arrojado sem uma performance principal à altura. E o trabalho de </span><a href="https://cinepop.com.br/sosie-bacon-e-elenco-do-terror-sorria-revelam-por-que-o-filme-e-aterrorizante-exclusivo-364271/"><span style="font-weight: 400;">Sosie Bacon</span></a><span style="font-weight: 400;">, filha de Kevin Bacon e Kyra Sedgwick que alcança o primeiro papel de peso nas telonas, se destaca em um ano recheado de jovens atrizes se esgoelando no Cinema de horror, do trabalho fenomenal de Mia Goth em </span><a href="https://personaunesp.com.br/x-ti-west-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">X</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=L5PW5r3pEOg"><i><span style="font-weight: 400;">Pearl</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, até o quinteto que domina </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cTzGKsZjBOY"><i><span style="font-weight: 400;">Bodies Bodies Bodies</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na pele da doutora Cotter, Bacon retém o medo na altura da cabeça, com expressões faciais amedrontadoras por si só, além de um senso reativo de primeira. Quando vê a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=BcDK7lkzzsU"><span style="font-weight: 400;">pequena flexão nos lábios</span></a><span style="font-weight: 400;"> que logo resultará em um sorriso sinistro, a atriz faz metamorfose com os músculos do rosto, descola os olhos da face, fecha a boca em desespero e o transmite para quem assiste, junto da temível sensação de impotência. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Sorria</span></i><span style="font-weight: 400;">, não há como fugir do inevitável.</span></p>
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		<title>Família, sangue, vingança e meio século de tradição reunidos em O Poderoso Chefão</title>
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		<pubDate>Mon, 17 Oct 2022 14:38:22 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Gomes Santana “Por que você veio até mim antes de ir à Polícia prestar queixas?”, disse o grande padrinho, Don Vito Corleone, no início de O Poderoso Chefão. Aclamado pela crítica, vencedor de três Oscars e dono da mais alta charmosidade cinematográfica, o filme de Francis Ford Coppola celebra cinco décadas. Você conhece aquela &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-poderoso-chefao-50-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Família, sangue, vingança e meio século de tradição reunidos em O Poderoso Chefão"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28850" aria-describedby="caption-attachment-28850" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28850" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Casamento-Connie.png" alt="Cena do filme O Poderoso Chefão - Família Corleone reunida para a foto oficial do casamento de Connie. A imagem exibe os principais membros da família Corleone. Vemos Don Vito centralizado com um smoking preto ao lado de sua esposa, Carmela Corleone (Morgana King). Do lado direito estão: Sonny (o mais velho), Sandra (esposa de Sonny), as filhas gêmeas de Sonny e Sandra à frente, Michael e sua namorada Kay. Ao lado esquerdo estão: Carmela, Connie Corleone (noiva) e seu marido Carlo Rizzi, Freddo e Tom Hagen. Todos os homens da família Corleone estão trajados de smoking preto, exceto Michael e o noivo Rizzi. Michael está com um terno oficial militar verde e Carlo aparece com uma gravata preta. Todas as crianças estão à frente de seus respectivos pais." width="512" height="258" /><figcaption id="caption-attachment-28850" class="wp-caption-text">Coppola não poderia ser mais assertivo ao trazer o casamento de Connie Corleone como cartão de visita para apresentar o núcleo das personagens e, ao mesmo tempo, a dicotomia entre família e negócios (Foto: Paramount Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Gomes Santana</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Por que você veio até mim antes de ir à Polícia prestar queixas?</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">disse o grande padrinho, Don Vito Corleone, no início de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Poderoso Chefão</span></i><span style="font-weight: 400;">. Aclamado pela crítica, vencedor de três </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscars </span></i><span style="font-weight: 400;">e dono da mais alta charmosidade cinematográfica, o filme de Francis Ford Coppola celebra cinco décadas. Você conhece aquela expressão “</span><i><span style="font-weight: 400;">old but gold</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">ou “velho, mas brilhante”? Se encaixa perfeitamente para resumir essa fantástica ascensão de um império americano à moda italiana. Este texto traz como tema central as nuances e razões que fazem da obra algo </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-poderoso-chefao-ainda-uma-oferta-irrecusavel/"><span style="font-weight: 400;">irrecusável</span></a><span style="font-weight: 400;">, à frente de seu tempo e </span><a href="https://theseventies.berkeley.edu/godfather/2018/06/06/a-family-in-celebration-and-in-transition-the-godfathers-opening-wedding-scene/"><span style="font-weight: 400;">referência na arte</span></a><span style="font-weight: 400;"> de expor a máfia nas telonas.</span></p>
<p><span id="more-28849"></span></p>
<h5><b>Impossível não amar!</b></h5>
<p><span style="font-weight: 400;">Utilizada como referência artística em diversos âmbitos da </span><a href="https://periodicos.ufpb.br/ojs2/index.php/tematica/article/view/21504/11875"><span style="font-weight: 400;">cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, está para nascer um filme que tenha tanto reconhecimento do grande público. Se você mora no Brasil e nunca viu pelo menos uma pizzaria, barbearia, tabacaria ou qualquer outro estabelecimento com o nome inspirado nesse clássico das telonas, você vive no país errado. Diante disso, não confie em nenhuma classificação que coloque </span><i><span style="font-weight: 400;">O Poderoso Chefão </span></i><span style="font-weight: 400;">abaixo do ‘top 3’ de ‘Melhores Filmes de Todos os Tempos’. Digo isso por três óbvias razões: enredo, produção audiovisual e construção cênica. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A começar pelo enredo, que por si só já é irrecusável, as propostas de cena e as planificações de filmagem fazem da trama única e enigmática. O fervor dramático é mesclado com cores quentes e trilhas sonoras épicas. As </span><a href="https://viagemeturismo.abril.com.br/coluna/piacere-italia/cenarios-de-o-poderoso-chefao-nos-arredores-de-taormina/"><span style="font-weight: 400;">composições de cenário</span></a><span style="font-weight: 400;"> revivem os tempos do pós-Guerra e trazem consigo o ‘sonho americano’ de todo imigrante que busca crescer na América. Mas para que tudo isso fosse possível, era necessário escalar um elenco de peso que fizesse jus aos retratos que ali foram propostos.</span></p>
<figure id="attachment_28851" aria-describedby="caption-attachment-28851" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28851 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Coppola.jpg" alt="Cena do filme O Poderoso Chefão - Um retrato de três figuras marcantes deste filme. À esquerda temos Francis Ford Coppola, diretor e co-roteirista de The Godfather. Ao centro, Richard Conte (intérprete de Emilio Barzini) e por fim, o grande Marlon Brando (Don Vito Corleone). Nesse retrato, Coppola está direcionando seu braço em contato com Brando enquanto seus olhos estão atentos para um ângulo horizontal. Conte observa ao centro, enquanto Brando tem sua atenção voltada para Coppola, esperando uma reação do diretor." width="1024" height="683" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Coppola.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Coppola-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Coppola-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28851" class="wp-caption-text">Uma das maiores virtudes de O Poderoso Chefão é conseguir passar ricas emoções sobre o tema da convivência familiar (Foto: Paramount Pictures)</figcaption></figure>
<h5><b>O fardo de ter um elenco dos sonhos </b></h5>
<p><span style="font-weight: 400;">Figurinha carimbada de </span><i><span style="font-weight: 400;">Hollywood</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://cm-ob.pt/story-rise"><span style="font-weight: 400;">Marlon Brando</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi escalado para atuar no filme que seria o mais emblemático de sua carreira. Àquela altura de sua fama, o ator estava sendo ‘jogado a escanteio’ para outros projetos, sem o merecido respaldo da crítica. Além disso, somente através de </span><i><span style="font-weight: 400;">O</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Poderoso Chefão </span></i><span style="font-weight: 400;">que Brando conseguiu desvincular qualquer rumor que o colocasse como um profissional limitado, que ainda gozava de um brilho ultrapassado nos tempos de sua adolescência. Don Vito, assim como Rocky (Sylvester Stallone), é um dos poucos </span><a href="https://www.revistabula.com/37897-os-100-personagens-mais-marcantes-da-historia-do-cinema-2/"><span style="font-weight: 400;">personagens do Cinema</span></a><span style="font-weight: 400;"> em que encontramos assimilação imediata com seu intérprete. Não tem como enxergar em Marlon Brando outro personagem senão Don Vito.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, se engana quem pensa que o ator topou de imediato protagonizar o papel de Vito Corleone. A convite de Coppola, o profissional teve árduas discussões com o jovem diretor até acertar os acordos comerciais da produção. Ao que tudo indica, Marlon teve que abdicar de cerca de </span><a href="https://operamundi.uol.com.br/hoje-na-historia/10756/hoje-na-historia-1973-marlon-brando-se-recusa-a-receber-oscar-por-o-poderoso-chefao#:~:text=Francis%20Ford%20Coppola%2C%20o%20jovem,havia%20exigido%20uma%20d%C3%A9cada%20antes"><span style="font-weight: 400;">250 mil dólares</span></a><span style="font-weight: 400;"> de seu cachê pessoal. Enquanto o </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/historia-a-insana-vida-sexual-de-marlon-brando.phtml?fbclid=IwAR1oXV67KdwH7dxoCwSypmGMCKFAptE79bsvMJ22WAqE0ccAAK1OuHRbeH8"><span style="font-weight: 400;">garanhão</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos anos 1950 era veterano de sucesso, Al Pacino, por outro lado, ainda estava longe de ser uma estrela </span><i><span style="font-weight: 400;">hollywoodiana</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De origem pobre e envolvido em diversos problemas de relacionamento, </span><a href="https://www.terra.com.br/diversao/tv/al-pacino-revela-a-complexidade-de-seus-personagens,c6c52d9aa7cd3b0ce61aabb9eab0eb32sxsfz8zp.html"><span style="font-weight: 400;">Al Pacino</span></a><span style="font-weight: 400;"> fugiu de casa aos 19 anos para bancar a escolha pela atuação. Sim, é como se o ator tivesse sido predestinado a seguir carreira artística, afinal sobrava talento. Após ganhar o prêmio </span><a href="https://www.obieawards.com/events/1960s/year-68/"><i><span style="font-weight: 400;">Obie Award</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Ator</span></a><span style="font-weight: 400;"> pela peça </span><i><span style="font-weight: 400;">The Indian Wants the Bronx, </span></i><span style="font-weight: 400;">os holofotes vieram para que, em 1971, surgisse o convite para atuar pela primeira vez no Cinema em </span><i><span style="font-weight: 400;">O Poderoso Chefão </span></i><span style="font-weight: 400;">como Michael Corleone, também a pedido de Coppola.</span></p>
<figure id="attachment_28853" aria-describedby="caption-attachment-28853" style="width: 1050px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28853" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Michael.png" alt="Cena do filme O Poderoso Chefão - Um retrato de Al Pacino ajustando seu figurino e se preparando para a cena dentro do restaurante Louis, localizado no Bronx (NY). A imagem está centrada em Al Pacino, que está de terno, sentado à mesa redonda do restaurante. Em pé aparece um senhor que possivelmente é um assessor técnico de gravação do filme. O senhor em pé está ajustando a gola de Al Pacino. Ele é um senhor branco, de estatura média, calvo, que aparenta ter entre 45 a 50 anos de idade. Enquanto que Al Pacino é um homem branco, de cabelo escovado e liso preto. Ao fundo da imagem percebemos que há pessoas (figurantes) sendo atendidas(os) por um garçom do restaurante." width="1050" height="699" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Michael.png 1050w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Michael-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Michael-1024x682.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Michael-768x511.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28853" class="wp-caption-text">O desacreditado Pacino teve que mostrar o melhor de Michael Corleone na gloriosa cena do restaurante Louis, indiscutivelmente uma das melhores do filme (Foto: Paramount Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Já imaginou arriscar um papel tão importante nas mãos de um pupilo estreante? E não é que deu certo? É claro que ter o experiente Marlon Brando na equipe também ajudou, mas a atuação de Al Pacino deu de dez à zero em qualquer suspeita sobre suas qualidades cênicas. Em uma entrevista durante o </span><a href="https://www.thedigitalfix.com/the-godfather/al-pacino-almost-fired-but-one-scene-saved-him"><span style="font-weight: 400;">Tribeca Film Festival</span></a><span style="font-weight: 400;">, Robert De Niro confirmou que estava sendo sondado para o papel de Michael, no entanto, confirmou que não haveria ator melhor para executá-lo senão Pacino. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nas </span><a href="https://comozed.com/onde-foi-filmada-a-cena-do-batismo-em-o-poderoso-chef%C3%A3o"><span style="font-weight: 400;">cenas do hospital e do batizado</span></a><span style="font-weight: 400;"> de seu enteado, Michael Francis Rizzi (filho de Connie), percebe-se a absurda transformação de Michael de um personagem tímido e confuso, no início, para alguém frio, calculista e inabalável. Num ritmo frenético, a trama expõe como o destino está ligado às escolhas da vida que, apesar de serem imprevisíveis, podem ser irreversíveis. Da mesma forma, pode-se concluir que a caracterização de Al Pacino como um dos protagonistas da família Corleone também reflete na trajetória de um profissional misterioso, porém preparado para executar um personagem desafiador, assim como a carreira e vida pessoal do intérprete.</span></p>
<figure id="attachment_28852" aria-describedby="caption-attachment-28852" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28852" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Michael-Corleone.png" alt="Cena do filme O Poderoso Chefão - A cena ‘em close’ do ator Al Pacino, um homem branco que aparenta ter 30 anos de idade, centralizado em primeiro plano. Ele tem cabelo escovado e liso para trás. Seus olhos são pretos e sua expressão facial é séria. Seu personagem, Michael Corleone, usa um terno cinza escuro e uma gravata zebra (listrada em preto e branco). Atrás de Michael é possivél enxergar um coral infantil de crianças brancas e sérias olhando na mesma direção que Michael (possivelmente para o padre que coordena o batismo)." width="512" height="288" /><figcaption id="caption-attachment-28852" class="wp-caption-text">Na icônica cena do batismo, a frieza do olhar de Michael Corleone esbanja excentricidade na talentosa atuação de Al Pacino (Foto: Paramount Pictures)</figcaption></figure>
<h5><b>Uma história impecável</b></h5>
<p><a href="https://www.estilogangster.com.br/conheca-as-5-familias-mafiosas-de-nova-york/"><span style="font-weight: 400;">Cinco famílias mafiosas</span></a><span style="font-weight: 400;"> detinham o domínio político, militar e econômico na cidade de Nova York dos anos 1950. Porém, apenas uma conseguira conciliar ambição, poder e respeito em suas atitudes: os Corleone. Liderado por seu patriarca siciliano, Don Vito, um homem que administrava seus negócios segundo seus próprios valores éticos e morais, o clã era sinônimo de prestígio e popularidade nas comunidades nova-iorquinas. Construir um império baseado na confiança de terceiros não foi tarefa fácil, mas derrubá-lo através do asssassinato de seu líder seria impensável, devido à rede de alianças firmada entre as cinco famílias &#8211; Corleone, Tattaglia, Barzini, Cuneo e Stracci &#8211; e o governo </span><i><span style="font-weight: 400;">yankee </span></i><span style="font-weight: 400;">que os sustentava.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar dessa política clientelista, a regra número um dos Corleone é zelar pelos seus e manter os casais sempre unidos. Como toda estrutura patriarcal, sobretudo daquela época, o legado é passado para o primogênito que, inevitavelmente, será o futuro Don Corleone. Só que nem sempre o mais velho é o mais preparado. Este é o caso de Sonny (</span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2022/07/07/james-caan-ator-de-o-poderoso-chefao-morre-aos-82-anos.ghtml"><span style="font-weight: 400;">James Caan</span></a><span style="font-weight: 400;">), o filho mais intenso e explosivo dos quatro sucessores de Vito. Mulherengo, esquentado e super emocional, Sonny age por impulsos para defender a honra da família e, consequentemente, isso o leva a um destino desastroso, longe de assumir a liderança.</span></p>
<figure id="attachment_28854" aria-describedby="caption-attachment-28854" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28854" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Sonny.jpg" alt="Cena do filme O Poderoso Chefão. Sonny (James Caan) aparece dando um tapa em Carlo Rizzi (Gianni Russo). Na imagem, Carlo se escora em uma parede na qual aparece a propaganda de um cigarro Camel, típico dos anos 1950. Ambos são homens brancos de cabelos ondulados e volumosos. Sonny está vestido com terno completamente azul, enquanto Carlo está com um sobretudo laranja manchado de sangue." width="2048" height="1460" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Sonny.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Sonny-800x570.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Sonny-1024x730.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Sonny-768x548.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Sonny-1536x1095.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Sonny-1200x855.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28854" class="wp-caption-text">Vai, confessa, você também torceu para o Sonny dar um ‘corretivo’ em Carlo nessa cena (Foto: Paramount Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É curioso notar como Vito coordena seus negócios através de um código de conduta que tenta desvincular suas atividades ilícitas ao crime. A palavra ‘máfia’ sequer é mencionada pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">capo</span></i><span style="font-weight: 400;"> (em italiano, o termo é designado para se referir ao cabeça, líder, chefe). Na visão dele, cassinos e apostas são vícios ligados ao prazer, mas que não são destrutivos como as drogas. Essa recusa em se envolver no narcotráfico, junto aos Tattaglia e Barzini na clássica reunião com </span><a href="https://godfather.fandom.com/wiki/Virgil_Sollozzo"><span style="font-weight: 400;">Sollozzo</span></a><span style="font-weight: 400;">, foi justamente o que desencadeou a guerra entre as cinco famílias.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O conflito tem início com um ataque brutal a Vito Corleone, que sofre um atentado à bala e permanece fragilizado no hospital. A partir desse momento, entra em cena o caçula, Michael, um militar aspirante que não possui ligação com os </span><a href="https://melhoreseunegocio.blogspot.com/2016/06/o-poderoso-chefao-10-ensinamentos-para.html"><span style="font-weight: 400;">negócios da família</span></a><span style="font-weight: 400;">. As reviravoltas acontecem e, no final, somos surpreendidos com a rendição dos tiranos e a ascensão de uma nova era. Qual caminho é viável para se manter no poder? A linha tênue entre justiça e vingança realmente existe? Indagações profundas que são lançadas ao espectador que, possivelmente, esteja chocado com as escolhas do sucessor de Don Vito.</span></p>
<figure id="attachment_28856" aria-describedby="caption-attachment-28856" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28856" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Don-Vito.png" alt="Cena do filme O Poderoso Chefão - Vito aparece sentado em seu escritório recebendo conselhos de seu filho, advogado e consierge Tom Hagen em primeiro plano. Don Corleone é um senhor de idade, branco e italiano, na casa de seus 70 anos e usa um smoking que carrega uma pequena rosa em seu bolso direito do blazer. Apesar de estar de lado para a câmera, Hagen é um homem branco, calvo que aparece se curvando para cochichar no ouvido de Don Vito, no lado esquerdo da imagem." width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Don-Vito.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Don-Vito-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Don-Vito-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Don-Vito-768x432.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28856" class="wp-caption-text">O homem das ofertas irrecusáveis também precisa escutar conselhos de seu concierge (Foto: Paramount Pictures)</figcaption></figure>
<h5><b>Qualquer semelhança não é mera coincidência</b></h5>
<p><span style="font-weight: 400;">Enaltecer </span><i><span style="font-weight: 400;">O Poderoso Chefão </span></i><span style="font-weight: 400;">hoje em dia</span> <span style="font-weight: 400;">é moleza perante a difícil coragem que Allan Rudy e Coppola tiveram, ainda nos anos 1960, em insistir numa obra polêmica, autêntica, irreverente e perigosa como o </span><a href="https://stringfixer.com/pt/The_Godfather_(novel)"><span style="font-weight: 400;">livro homônimo</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Mario Puzo, que deu origem ao enredo. Isso porque, na conjuntura de sua época, seria bem mais convincente investir em ficções que não tivessem vínculo com facções da vida real. Naquele tempo, a </span><i><span style="font-weight: 400;">Paramount Pictures</span></i><span style="font-weight: 400;">, gigantesca produtora </span><i><span style="font-weight: 400;">hollywoodiana</span></i><span style="font-weight: 400;">, já angariava milhões de dólares com </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-por-um-punhado-de-dolares/"><span style="font-weight: 400;">roteiros clichês de </span><i><span style="font-weight: 400;">western</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e não pretendia se arriscar em conflitar com a grande massa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fato é que, para a nossa sorte, existia em paralelo o interesse de dois gênios escritores e roteiristas, Rudy e Puzo, em retratar no Cinema aquilo que era um tabu na sociedade: os mafiosos. Apesar de serem excelentes escritores, ambos jamais haviam trabalhado à frente de um </span><a href="https://www.bol.uol.com.br/fotos/2017/03/15/45-curiosidades-de-o-poderoso-chefao-classico-do-cinema-que-faz-45-anos.htm?mode=list&amp;foto=5"><span style="font-weight: 400;">projeto tão gigantesco</span></a><span style="font-weight: 400;">, sobretudo, sequer haviam escrito e produzido para </span><i><span style="font-weight: 400;">Hollywood</span></i><span style="font-weight: 400;">. Porém, era inegável o empenho e força de vontade em levar para a Sétima Arte uma história que se aproximasse mais do povo.</span></p>
<figure id="attachment_28857" aria-describedby="caption-attachment-28857" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28857" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/The-Offer.jpg" alt="Cena do filme O Poderoso Chefão. Os atores Patrick Gallo e Dan Fogler estão juntos interpretando, respectivamente, Mário Puzzo e Francis Ford Coppola. Esta imagem retrata a cena na qual ambas as personagens do seriado ‘The Offer’ aparecem sentadas em um sofá discutindo o planejamento do filme The Godfather. Puzzo é um senhor gordo italiano, na casa de seus 50 anos de idade, e está fumando um charuto. Coppola também é gordo,branco e, diferente de Puzzo, possui uma barba densa e preta. Ambos usam óculos e têm cabelo comprido liso." width="1200" height="628" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/The-Offer.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/The-Offer-800x419.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/The-Offer-1024x536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/The-Offer-768x402.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28857" class="wp-caption-text">A série <a href="https://personaunesp.com.br/the-offer-critica/">The Offer</a>, original do Paramount+, resgata as memórias dos bastidores do filme e todos os obstáculos que foram travados para que The Godfather pudesse entrar em cartaz (Foto: Paramount+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O jeito de agir, se comportar e relacionar, e muitos outros </span><a href="https://theseventies.berkeley.edu/godfather/2018/06/06/a-family-in-celebration-and-in-transition-the-godfathers-opening-wedding-scene/"><span style="font-weight: 400;">elementos sociais</span></a><span style="font-weight: 400;"> presentes na família de Don Vito Corleone assustavam e incomodavam os verdadeiros chefões do crime organizado. O compromisso com a verossimilhança era tanto que o filme sofreu ameaças e boicotes por parte das comunidades italianas. Nem isso impediu o triunfo do clássico </span><i><span style="font-weight: 400;">O Poderoso Chefão</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há boatos de que a mera apresentação do romance escrito por Mario Puzo também desagradou a classe artística. Em especial, músicos ítalo-americanos que se apresentavam em restaurantes e cassinos badalados dos anos 1960. Sim, ele mesmo: </span><a href="https://www.revistabula.com/1600-o-drama-de-frank-sinatra-nas-maos-de-don-corleone/"><span style="font-weight: 400;">Frank Sinatra</span></a><span style="font-weight: 400;">. Segundo relatos de Puzo, Sinatra teria ido contra o livro por pensar que o personagem Johnny Fontane era inspirado em sua autobiografia. Além de temer que as pessoas o associassem ao cantor decadente da obra, o astro do </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz </span></i><span style="font-weight: 400;">argumentava que </span><i><span style="font-weight: 400;">O Poderoso Chefão </span></i><span style="font-weight: 400;">prejudicava a imagem da comunidade italiana.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes de produzir um filme, no momento de seleção de elenco, é natural que se escolha atores que melhor se encaixem no perfil estereotipado do roteiro de gravação. Mas e quando, sem querer, se descobre que a vida pessoal dos atores casa perfeitamente com o propósito das personagens? Foi o que aconteceu com o ator </span><a href="https://cinemaclassico.com/listas/curiosidades-al-pacino/"><span style="font-weight: 400;">Alfredo James Pacino</span></a><span style="font-weight: 400;">, também conhecido como Al Pacino. Nascido e criado no Bronx, Pacino era neto de imigrantes italianos, naturais de Corleone, província siciliana que também é retratada no filme de Coppola.</span></p>
<figure id="attachment_28855" aria-describedby="caption-attachment-28855" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28855" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/J.-Fontane.png" alt="Cena do filme O Poderoso Chefão - Vito aparece dando conselhos a Johnny Fontane em primeiro plano e Sonny aparece ofuscado atrás de seu pai em segundo plano. Johnny é um rapaz branco, com cabelo escovado para trás, típico dos cantores dos anos 1950. Fontane está de costas para a foto. Vito está com a testa franzida e aparece com uma expressão facial de preocupação. Don Corleone e seu filho Sonny estão vestidos de smoking para o casamento de Connie. Vito carrega uma rosa no paletó." width="512" height="288" /><figcaption id="caption-attachment-28855" class="wp-caption-text">Johnny Fontane é um ator que se vê em decadência pela desmotivação do ramo artístico e uma crise de autoestima, e adivinhem a quem ele recorre (Foto: Paramount Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Além dos elementos técnicos essenciais de filmagem, outra característica marcante se dá pela quebra de clichês presentes nas obras contemporâneas ao seu lançamento. </span><a href="https://ofilmaco.com.br/tres-homens-em-conflito-sabe-dosar-os-cliches-do-genero-western-com-momentos-epicos/"><span style="font-weight: 400;">Clint Eastwood</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/colunas/roberto-sadovski/2020/06/12/e-o-vento-levou-apagar-filmes-da-historia-nao-vai-apagar-o-racismo.htm"><span style="font-weight: 400;">Clark Gable</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://brasil.elpais.com/cultura/2020-10-31/sean-connery-o-ator-que-se-consagrou-como-james-bond-mas-nao-ficou-refem-do-personagem.html"><span style="font-weight: 400;">Sean Connery</span></a><span style="font-weight: 400;"> são fantásticos, mas alimentavam fantasias previsíveis. Assassinar o protagonista e frustrar a jornada desses heróis estava fora de cogitação. Para falar a verdade, até hoje é raro encontrar narrativas que saibam romper com as expectativas do público positivamente, quem dirá permanecer durante meio século como modelo de dramaturgia.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em meio a isso tudo, está mais do que provado ser impossível não amar este icônico trabalho que, não à toa, foi indicado e ganhou </span><a href="https://www.imdb.com/list/ls002206094/"><span style="font-weight: 400;">diversos prêmios</span></a><span style="font-weight: 400;"> da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. </span><i><span style="font-weight: 400;">O Poderoso Chefão </span></i><span style="font-weight: 400;">coleciona, ao todo, 17 prêmios, das 25 vezes em que foi indicado. Talvez o descrédito do público que queria boicotá-lo tenha sido o combustível necessário para fazer do filme o melhor de todos os tempos. Depois de receber, merecidamente, o </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">de Melhor Filme em 1972, o seu nobre reconhecimento mundial o fez pioneiro na arte de encenar a máfia nas telonas.</span></p>
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