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	<title>Arquivos Oscar 2020 &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Há 5 anos, Era Uma Vez em&#8230; Hollywood nos envolvia em um sonho californiano</title>
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		<pubDate>Fri, 20 Sep 2024 17:00:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Bianca Costa Era Uma Vez em… Hollywood, a nona e mais recente obra de Quentin Tarantino, está completando cinco anos de estreia. Com dez indicações ao Oscar 2020, o longa ganhou as estatuetas douradas de Melhor Direção de Arte, assinada por Barbara Ling, e de Melhor Ator Coadjuvante para Brad Pitt. O filme é uma &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/era-uma-vez-em-hollywood-5-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Há 5 anos, Era Uma Vez em&#8230; Hollywood nos envolvia em um sonho californiano"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34034" aria-describedby="caption-attachment-34034" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-34034" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/imagem-1-800x524.jpg" alt="Cena de Era Uma Vez em… Hollywood. Brad Pitt segue Leonardo DiCaprio por sua garagem com dois carros ao fundo enquanto o personagem de DiCaprio gesticula com os braços abertos." width="800" height="524" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/imagem-1-800x524.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/imagem-1-1024x671.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/imagem-1-768x503.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/imagem-1.jpg 1070w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34034" class="wp-caption-text">Segundo <a href="https://oglobo.globo.com/cultura/filmes/brad-pitt-leonardo-dicaprio-falam-de-seus-papeis-em-era-uma-vez-em-hollywood-23687480?versao=amp">Brad Pitt</a>, Tarantino é &#8220;tão purista que não há imagens computadorizadas em suas obras” (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><strong>Bianca Costa</strong></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Era Uma Vez em… Hollywood</span></i><span style="font-weight: 400;">, a nona e mais recente obra de Quentin Tarantino, está completando cinco anos de estreia. Com dez indicações ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> 2020, o longa ganhou as estatuetas douradas de Melhor Direção de Arte, assinada por Barbara Ling, e de Melhor Ator Coadjuvante para Brad Pitt. O filme é uma envolvente viagem no tempo para uma idealizada e ensolarada Califórnia na década de 1960, onde o diretor utiliza calmamente o cotidiano para expressar seu amor pela Sétima Arte, retratando um cenário que respira Cinema.</span></p>
<p><span id="more-34033"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A narrativa passeia pelos pacatos dias do ator em declínio, Rick Dalton, e de seu dublê, Cliff Booth, vividos, respectivamente, pelos grandes nomes da atuação: Leonardo DiCaprio e Brad Pitt. A dupla quebra essa imagem de uma Hollywood que existia mais no imaginário do que na realidade ao viver diretamente os dramas da indústria, acompanhando os personagens por cenas soltas e desritmadas. O diretor brinca com a expectativa do público ao retratar os trágicos eventos do verão de 1969. Os </span><a href="https://aventurasnahistoria.com.br/amp/noticias/almanaque/o-crime-que-abalou-hollywood-5-fatos-sobre-o-brutal-assassinato-de-sharon-tate.phtml"><span style="font-weight: 400;">assassinatos</span></a><span style="font-weight: 400;"> brutais executados pela família Manson não só abalaram a cultura norte-americana como extinguiu, também, a atmosfera ensolarada e esperançosa de Los Angeles, marcada pelos ideais </span><i><span style="font-weight: 400;">hippies</span></i><span style="font-weight: 400;"> da época.</span></p>
<figure id="attachment_34035" aria-describedby="caption-attachment-34035" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-34035" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/imagem-2.jpg" alt="Cena de Era Uma Vez em… Hollywood. O personagem de Brad Pitt, homem branco e loiro que veste uma calça jeans, camiseta branca com detalhes vermelhos e uma camisa aberta amarela com detalhes florais e uma bota marrom, anda ao lado de um Cadillac creme, carro de 1966, com árvores ao fundo." width="768" height="512" /><figcaption id="caption-attachment-34035" class="wp-caption-text">Cliff Booth dirige um Karmann Ghia azul, mesmo veículo que Beatrix Kiddo em Kill Bill (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A dualidade retratada cria uma dança das cadeiras que Tarantino adora trazer em suas obras, alternando entre ficção e realidade, e utilizando a Arte para reescrever a história daqueles que foram injustiçados. Essa característica do diretor aparece também em </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/bastardos-inglorios"><i><span style="font-weight: 400;">Bastardos Inglórios</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2009), que reconta a história dos judeus no contexto da Segunda Guerra Mundial, e</span> <span style="font-weight: 400;">em</span> <a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/django-livre-critica"><i><span style="font-weight: 400;">Django Livre</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2012), onde a escravidão também tem direito a uma ‘revanche histórica’. Ambos contam com cenas regadas a muito sangue e apresentam uma violência exacerbada que beira o cômico – uma vingança </span><i><span style="font-weight: 400;">à la </span></i><span style="font-weight: 400;">Quentin Tarantino. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa pede por um contexto prévio sobre a noite do dia 9 de agosto de 1969 e o culto liderado por </span><a href="https://g1.globo.com/google/amp/mundo/noticia/2023/07/12/quem-foram-charles-manson-e-sua-familia-e-como-foi-a-serie-de-crimes-brutais-cometidos-por-eles.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Charles Manson</span></a><span style="font-weight: 400;">, responsável por assassinar a sangue frio Sharon Tate, grávida do diretor Roman Polanski, além de outros quatro amigos da atriz dentro de sua casa em Los Angeles. A seita da família Manson é retratada aos poucos em </span><i><span style="font-weight: 400;">Era Uma Vez em… Hollywood, </span></i><span style="font-weight: 400;">perseguindo lentamente a trama até cruzar as narrativas de Cliff com Pussycat</span> <span style="font-weight: 400;">(Margaret Qualley), que leva o coadjuvante até o </span><a href="https://aventurasnahistoria.com.br/amp/noticias/almanaque/o-que-aconteceu-com-o-polemico-rancho-spahn.phtml"><span style="font-weight: 400;">Rancho Spahn</span></a><span style="font-weight: 400;">, onde a família vivia no período. A longa e descompassada cena do rancho chega às telas de forma despretensiosa até alcançar uma tensão inesperada, angustiante e quase palpável pelo público.</span></p>
<figure id="attachment_34036" aria-describedby="caption-attachment-34036" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-34036" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/imagem-3-1-800x538.jpg" alt="Cena de Era Uma Vez em… Hollywood. A atriz Margot Robbie, mulher branca e loira dança sorridente com os braços para cima, centralizada ao centro de uma pista de dança iluminada e rodeada de outras pessoas, vestindo um conjunto amarelo e botas pretas." width="800" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/imagem-3-1-800x538.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/imagem-3-1-1024x689.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/imagem-3-1-768x517.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/imagem-3-1.jpg 1070w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34036" class="wp-caption-text">&#8220;Queria que vocês vissem muito de Sharon vivendo sua vida e não apenas seguindo uma história, queria ver ela vivendo, sendo quem é&#8221;, diz <a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/streaming/explicamos-o-controverso-papel-de-margot-robbie-em-era-uma-vez-em-hollywood/amp/">Tarantino</a> em entrevista (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Margot Robbie reviveu lindamente </span><a href="https://aventurasnahistoria.com.br/amp/noticias/reportagem/historia-quem-foi-sharon-tate-vida-morte.phtml"><span style="font-weight: 400;">Sharon Tate</span></a><span style="font-weight: 400;">, com uma pureza e inocência que transcende a tela e envolve o espectador pelas possibilidades que contornavam o futuro da artista em ascensão. A atriz soube como homenagear a estrela e seu bebê de forma melancólica e otimista ao mesmo tempo, comovendo o público com cenas sensíveis que contrastam com o cinismo e pessimismo de Dalton e Cliff. Tarantino, por sua vez, ensina novamente o verdadeiro poder da ficção ao reescrever a narrativa daqueles que jamais escaparam de um desfecho cruel, utilizando o Cinema para fugir de uma realidade injusta e brutal.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quem acompanha as produções do diretor sabe muito bem que as </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2021/08/09/de-briga-com-a-mae-a-ameaca-de-morte-tarantino-acumula-polemicas-e-tretas.amp.htm"><span style="font-weight: 400;">polêmicas</span></a><span style="font-weight: 400;"> sempre cercam suas obras, e em </span><i><span style="font-weight: 400;">Era Uma Vez em… Hollywood </span></i><span style="font-weight: 400;">não seria diferente. O diretor e roteirista foi criticado por uma cena em que o ator Mike Moh interpreta </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/era-uma-vez-em-hollywood-polemica-tarantino-bruce-lee-entenda#:~:text=Quentin%20Tarantino%20respondeu%20%C3%A0%20pol%C3%AAmica,ele%20falar%20coisas%20como%20essas."><span style="font-weight: 400;">Bruce Lee</span></a><span style="font-weight: 400;"> de uma forma estereotipada e escrachada, que ridiculariza a imagem do lutador e todos os seus feitos. Apesar da repercussão, o diretor não admite seu erro. Além disso, outra ‘bola fora’ foi não citar e problematizar em nenhum momento as inúmeras acusações contra Roman Polanski, marido de Sharon Tate, por abuso sexual.</span></p>
<figure id="attachment_34037" aria-describedby="caption-attachment-34037" style="width: 715px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34037" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/imagem-4.jpg" alt="Cena de Era Uma Vez em… Hollywood. Bruce Lee (interpretado por Jason Scott Lee), homem de traços orientais vestindo uma regata branca e uma calça preta, faz movimentos de artes marciais enfrentando o personagem de Brad Pitt, homem branco que veste uma camisa branca de botões com uma calça preta e um colete preto." width="715" height="429" /><figcaption id="caption-attachment-34037" class="wp-caption-text">A China proibiu o lançamento do filme na data planejada em boicote à cena em que Bruce Lee luta com o personagem de Brad Pitt (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O conjunto de referências, a fotografia de Robert Richardson e a escolha da </span><a href="https://www.itapemafm.com.br/trilha-sonora-de-era-uma-vez-em-hollywood-e-uma-viagem-aos-anos-1960"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora</span></a><span style="font-weight: 400;">, feita pelo diretor do filme, contribuem para a experiência de um sonho hollywoodiano embriagado, vivenciado nos anos dourados. Uma época onde o corriqueiro ganha estrelato até que aconteça o hiperbólico desfecho do longa, fugindo da triste realidade do crime e fazendo com que os assassinos da família Manson tivessem um </span><a href="https://cinebuzz.com.br/amp/noticias/cinema/relembre-as-10-cenas-mais-sangrentas-de-quentin-tarantino.phtml"><span style="font-weight: 400;">sangrento fim</span></a><span style="font-weight: 400;">. O acontecimento guia o público até a doce ilusão de que o dia 15 de agosto de 1969 se manteve como um dia ordinário em Los Angeles, cidade onde os sonhos ainda se tornam realidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quentin Tarantino, que promete se </span><a href="https://rollingstone.com.br/amp/noticia/quentin-tarantino-confirma-aposentadoria-apos-seu-decimo-filme/"><span style="font-weight: 400;">aposentar</span></a><span style="font-weight: 400;"> após produzir a décima obra de sua carreira, entrega uma verdadeira declaração de amor ao Cinema em seu nono filme. Seguindo uma linha mais madura e, ao mesmo tempo, divertida, são 160 minutos de muita paixão pela Sétima Arte, mostrando seu poder de transportar o espectador para um século e uma realidade idealizada aos mínimos detalhes. </span><i><span style="font-weight: 400;">Once Upon a Time… in Hollywood</span></i><span style="font-weight: 400;"> (no original) se mantém relevante por ser uma experiência completa guiada pelo excepcional diretor. Com um elenco de grande peso, composto por nomes que souberam trabalhar os personagens perfeitamente, Tarantino mostra, mais uma vez, que o Cinema é uma ferramenta para segundas chances.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Era Uma Vez Em Hollywood | Trailer Final Dublado | 15 de agosto nos cinemas" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/Bbk_ZSh5BWQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Decadente, alarmante e polarizada: a Democracia em Vertigem de Petra Costa</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Sep 2019 23:15:48 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Raquel Dutra  Polêmico e contundente, o documentário Democracia em Vertigem chegou à sua terra natal pela Netflix no dia 19 de junho, depois de seu aclamado lançamento no Festival de Cinema Sundance de 2019. Mergulhado nas memórias pessoais e no passado político de sua diretora e roteirista, o filme relembra os contextos sociais e políticos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/democracia-em-vertigem-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Decadente, alarmante e polarizada: a Democracia em Vertigem de Petra Costa"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_21385" aria-describedby="caption-attachment-21385" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21385" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/demom.jpeg" alt="" width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/demom.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/demom-800x533.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/demom-1024x683.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/demom-768x512.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21385" class="wp-caption-text">O longa foi apontado pelo The New York Times como um dos melhores filmes do ano, e é o queridinho latino-americano para o Oscar 2020 (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><strong>Raquel Dutra </strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Polêmico e contundente, o documentário <em>Democracia em Vertigem</em> chegou à sua terra natal pela <em>Netflix</em> no dia 19 de junho, depois de seu aclamado lançamento no Festival de Cinema Sundance de 2019. Mergulhado nas memórias pessoais e no passado político de sua diretora e roteirista, o filme relembra os contextos sociais e políticos em que a figura de Luís Inácio Lula da Silva emergiu, passando pelas eleições ganhas por sua sucessora, Dilma Rousseff, e seu controverso processo de impeachment. O documentário também trata da presidência de Michel Temer, construindo um fio narrativo que busca entender a crise política do país, agravada pelos movimentos de 2013.</span></p>
<p><span id="more-12694"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes mesmo do filme ser lançado e das críticas surgirem, Petra Costa, a diretora e roteirista do filme, já reconhecia o caráter personalista de sua produção. Inclusive, identifica isso como uma de suas características, ao </span><a href="https://www.instagram.com/p/ByqKdkeHZqR/"><span style="font-weight: 400;">falar sobre o lançamento</span></a><span style="font-weight: 400;"> do documentário no seu perfil do Instagram: “de algum modo, todos os meus filmes falam sobre traumas. (&#8230;) Em Democracia em Vertigem, [o trauma é] o futuro que imaginei pro meu país. A cura começa contando o que aconteceu.” Os registros íntimos de Costa e de sua família funcionam bem na maior parte do filme, como quando ela trata da ditadura militar do Brasil. Apesar das </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/poder/2019/07/petra-costa-adultera-foto-e-exclui-armas-em-cena-de-democracia-em-vertigem.shtml"><span style="font-weight: 400;">controvérsias</span></a><span style="font-weight: 400;">, as imagens são chocantes e Petra não hesita em dissecar toda a história por trás dos registros. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com o auxílio de uma belíssima trilha sonora que vai de músicas clássicas à samba, muitas emoções nos acompanham ao decorrer do filme, especialmente no trecho que retoma o dia da votação final do impeachment de Dilma no senado e seu discurso. Com uma edição inteligentíssima e vazamentos muito bem relembrados e inseridos na narrativa, Petra destrincha declarações de Lula nas eleições, cenas e falas de figuras como Aécio Neves, Temer e aliados. É interessante também quando <em>Democracia em Vertigem</em> suscita a discussão sobre arbitrariedade de Moro e Dallagnol e as ações da Lava-Jato. Hoje, essa questão se encontra em seu pico de efervescência, mas a produção do filme já a identificava anos atrás. </span></p>
<figure id="attachment_12696" aria-describedby="caption-attachment-12696" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-12696 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/Foto-2-1-1024x576.png" alt="" width="840" height="473" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/Foto-2-1.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/Foto-2-1-300x169.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/Foto-2-1-768x432.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-12696" class="wp-caption-text">Costa também fala um pouco sobre a ascensão da (extrema-) direita que se faz muito mais presente no nosso cenário político atual; o filme traz uma breve entrevista com Jair Bolsonaro, deputado federal pelo RJ na época (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de pessoal, a lente que busca interpretar a história tão recente do país é de um lugar muito privilegiado dentro da sociedade brasiliense. E assim como a diretora não esconde o lado militante esquerdista de sua família, ela também não esconde o conflitante lado empresário/executivo que carrega em sua árvore genealógica. Em um dado momento, ela abre para o espectador ainda mais a história dos seus antepassados e chega em um avô, que foi um dos fundadores da Construtora Andrade-Gutierrez, empresa envolvida em corrupção em obras públicas deflagradas pela Lava-Jato. De início, essa informação pode parecer irrelevante e exageradamente pessoal, e é aí que a pessoalidade de <em>Democracia em Vertigem</em>, fortalecida pela narração de Costa, pode incomodar ou não funcionar para alguns. Mas ela é importante para que entendamos o olhar pelo qual estamos assistindo toda essa história, bem como os motivos pelos quais a diretora faz o que faz no filme.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Que fique claro que isso não interfere em nenhum momento as posições que assumidas no documentário, muito pelo contrário. Petra Costa é realmente fiel até mesmo às suas decepções, seja com o Partido dos Trabalhadores, seja com as corrupções da sua família. Nesse momento, a criticada característica personalista de <em>Democracia em Vertigem</em> faz sentido como um todo. A vida da narradora do filme está totalmente imersa na política brasileira, tanto para o ‘bem’ quanto para o ‘mal’. E como nada nunca tem um lado apenas, essa abertura quase escancarada da sua vida particular – que nós não sabemos, mas pode ter lhe custado caro &#8211; comprova a sinceridade da diretora e justifica suas escolhas arriscadas de roteiro.</span></p>
<figure id="attachment_12697" aria-describedby="caption-attachment-12697" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-12697" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/Foto-3-1.jpg" alt="" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/Foto-3-1.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/Foto-3-1-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/Foto-3-1-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-12697" class="wp-caption-text">Sindicato dos Metalúrgicos do ABC no dia da prisão do ex-presidente Lula. Tanto para Petra quanto para a classe trabalhadora, o líder metalúrgico é uma das principais decepções retratadas no filme (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outra questão também é o que Petra Costa faz com seus privilégios sociais, e nisso ela acerta mais uma vez. A cineasta se empenha em acessar registros privilegiadíssimos, desses que ninguém imaginava que alguém pudesse ter guardado ou que alguém um dia fosse conseguir acessar. Para quem gosta de história, política e arte, <em>Democracia em Vertigem</em> é um presente. Um presente que envolve todo o background de Petra, sua coragem de dar a cara à tapa e todo seu esforço para construir seu fio narrativo da forma mais fiel aos seus sentimentos (traumas, como ela mesma diz) e mais rica para o espectador. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entretanto, o documentário decepcionará quem for ao seu encontro esperando uma autocrítica aprofundada da esquerda brasileira (eu, por exemplo), muito representada pelo Partido dos Trabalhadores nos últimos anos. Haja visto toda nossa situação atual, olhar para trás com criticidade sempre que possível é extremamente necessário. Isso é muito bem introduzido, mas não atende às expectativas provocadas ao deixar de construir uma análise mais trabalhada sobre os erros do PT e do ex-presidente Lula.</span></p>
<figure id="attachment_12698" aria-describedby="caption-attachment-12698" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-12698 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/Foto-4-1024x474.jpg" alt="" width="840" height="389" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/Foto-4-1024x474.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/Foto-4-300x139.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/Foto-4-768x355.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/Foto-4.jpg 1100w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-12698" class="wp-caption-text">Lula em seu último dia no palácio da alvorada; o registro é de Ricardo Stuckert, fotógrafo oficial do ex-presidente, que colaborou com Petra em muitos dos registros inéditos presentes no filme (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Também vai se decepcionar quem estiver esperando um fio narrativo imparcial, e diante dessa expectativa realmente não há o que ser feito. A imparcialidade (apesar de vendida como real) não existe nem no meio jornalístico, quem dirá na arte ou história. Costa (e qualquer outra pessoa que produza qualquer produto artístico) não tem obrigação alguma de se despir de suas opiniões, experiências e sentimentos para construir suas narrativas. A única responsabilidade do artista/comunicador é ser sincero em suas colocações e intenções, e isto a diretora de <em>Democracia em Vertigem</em> cumpre bem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sutilmente e para os minimamente desatentos, o filme pode passar a ideia que a democracia brasileira era exemplar, estável e bem estabelecida até a crise que começa no último mandato de Lula. Bom seria se nossa situação política fosse assim em algum momento, mas nunca foi. Como é trazido no próprio documentário (e aí surge um ponto de contradição), temos um país mal resolvido com seu passado, especialmente com a ditadura. Antes e depois dela nossa democracia nunca foi plenamente funcional e nosso jogo político nunca foi totalmente pensado no povo como uma democracia exemplar deve ser. Talvez, essa democracia irreal seja exatamente o &#8216;sonho efêmero&#8217; sobre o qual tanto é falado no filme.</span></p>
<figure id="attachment_12699" aria-describedby="caption-attachment-12699" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-12699 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/Foto-5-1024x768.png" alt="" width="840" height="630" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/Foto-5-1024x768.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/Foto-5-300x225.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/Foto-5-768x576.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/Foto-5.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-12699" class="wp-caption-text">Através da fotografia, entrevistas e registros íntimos, o filme constrói uma proximidade com as figuras públicas surpreendente, especialmente com Dilma Rousseff (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Às vezes, a vida imita a arte, e essa ideia fica subentendida com uma analogia genial à Shakespeare no final do documentário, raciocínio este que apenas um olhar muito sensível à nossa realidade poderia elaborar. Como consequência da articulação muito bem pensada de fatos e registros históricos e a narração próxima, é criado no espectador um sentimento que converge ao da diretora na conclusão do longa. Isto é, a sensação desesperadora da necessidade de encontrarmos soluções diante do momento que estamos vivendo no nosso país. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para encerrar citando Petra Costa mais uma vez, essa sensação pode ser resumida com uma das frases finais do documentário: &#8220;<em>Como lidar com a vertigem de ser lançado a um futuro que parece tão sombrio quanto seu passado mais obscuro?</em>&#8221; Seguiremos tentando descobrir, e <em>Democracia em Vertigem</em> nos ajudará nisso.</span></p>
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		<title>Parasita e os monstros que alimentamos</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Aug 2019 16:43:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitor Evangelista  O Cinema sul-coreano fez barulho ao ganhar o prêmio máximo de Cannes alguns meses atrás. Parasita, obra prima do diretor Bong Joon-Ho, quebra a barreira da língua e orquestra um espetáculo de tirar o fôlego. As nuances violentas de uma família pobre e sua simbiose à classe rica são idealizadas num longa que &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/parasita-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Parasita e os monstros que alimentamos"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_12682" aria-describedby="caption-attachment-12682" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-12682" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/imagem-um.jpeg" alt="" width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/imagem-um.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/imagem-um-300x169.jpeg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/imagem-um-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/imagem-um-1024x576.jpeg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-12682" class="wp-caption-text"><em>A Coreia do Sul escolheu Parasita como seu representante ao Oscar 2020 (Foto: Neon)</em></figcaption></figure>
<p><strong>Vitor Evangelista </strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://www.filmedinether.com/features/interview-bong-joon-ho-talks-parasite-and-his-brand-of-genre-filmmaking/"><span style="font-weight: 400;">Cinema sul-coreano</span></a><span style="font-weight: 400;"> fez barulho ao ganhar o prêmio máximo de </span><a href="http://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-148349/"><i><span style="font-weight: 400;">Cannes</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> alguns meses atrás. <em>Parasita</em>, obra prima do diretor Bong Joon-Ho, quebra a barreira da língua e orquestra um espetáculo de tirar o fôlego. As nuances violentas de uma família pobre e sua simbiose à classe rica são idealizadas num longa que não se cansa de passar a perna em seu espectador.</span></p>
<p><span id="more-12681"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Bong Joon-Ho sempre foi proeminente no mercado asiático de Cinema. Porém, chegou forte ao Ocidente quando dirigiu <em>Expresso do Amanhã</em> (2013) e <em>Okja</em> (2017), este segundo para a </span><em><a href="https://www.screendaily.com/features/bong-joon-ho-talks-parasite-it-deals-with-polarisation/5139556.article"><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></a></em><span style="font-weight: 400;">. Passado o </span><i><span style="font-weight: 400;">buzz hollywoodiano</span></i><span style="font-weight: 400;"> e munido das trocas culturais e artísticas de lá, Joon-Ho retorna a sua língua-mãe para replicar um exercício cinematográfico de segurar o fôlego.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><em>Parasita</em> nunca se acomoda num só gênero. Como seu diretor e roteirista bem </span><a href="https://www.highonfilms.com/cannes-interview-bong-joon-ho-on-parasite/"><span style="font-weight: 400;">definiu</span></a><span style="font-weight: 400;">, o filme é um ‘drama humano’. Mas, humilde, ele omite toda a megalomania que imprime na criação de sua história. O filme vencedor da </span><i><span style="font-weight: 400;">Palma de Ouro</span></i><span style="font-weight: 400;"> passa pela comédia e pelo horror, há momentos de melodrama e de dor, até. Tudo isso sem quaisquer equívocos, o filme respira tranquilo, consciente de onde quer chegar e como alcançar esse objetivo.</span></p>
<figure id="attachment_12683" aria-describedby="caption-attachment-12683" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-12683" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/cannes.jpg" alt="" width="700" height="523" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/cannes.jpg 700w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/cannes-300x224.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-12683" class="wp-caption-text"><em>Bong Joon-Ho, feliz, com sua Palma de Ouro (Foto: Festival de Cannes)</em></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quanto menos se souber sobre a trama de <em>Parasita</em>, melhor. A surpresa é carro-chefe nas mais de duas horas do longa. A premissa é simples, duas famílias (uma pobre e outra rica) se envolvem, existem conflitos sociais e ideológicos. O diretor não é sútil ao construir as partes e contrapartes de suas personagens. Entretanto, isso não levanta problema algum. As interações são gratificantes ao fugir do óbvio moldado no Cinema do Ocidente (principalmente norte-americano).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Bong Joon-Ho não tem receio de caminhar rápido com seu roteiro ágil e cheio de tiradas cômicas. O texto, junto a isso, constrói uma crescente de tensão. Sensação essa que demora a se concretizar por completo, visto o empenho do filme em ser mais do que as convenções ditam. </span><span style="font-weight: 400;"><em>Parasita</em> é um filme sobre famílias, laços de sangue e sobre o dia-a-dia. Nossa rotina é repleta de pequenos fragmentos de emoção, viradas repentinas. E o filme respeita isso em toda sua cor e forma. A escolha de focar suas lentes dentro de uma enorme e luxuosa casa cria um universo próprio aos olhos de quem assiste e de quem vive os dramas dentro do longa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O diretor, ao mesmo tempo que diminui sua escala narrativa, abre o leque de possibilidades para retratar as facetas da psique humana. E a realização dessa tarefa é o que eleva tanto o grau de qualidade de <em>Parasita</em>. É muito raro encontrar produções que se preocupem tanto com momentos íntimos, com rimas visuais e com um subtexto que carregue pensamentos e constatações extra filme.</span></p>
<figure id="attachment_12684" aria-describedby="caption-attachment-12684" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-12684" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/olhos.jpg" alt="" width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/olhos.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/olhos-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/olhos-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/olhos-1024x576.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-12684" class="wp-caption-text"><em>Parasita foi idealizado como uma peça de teatro, mas o diretor percebeu que só o Cinema conseguiria construir sua mensagem (Foto: Neon)</em></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O elenco é primordial no exercício de crença que a produção cria. A família pobre é encabeçada pelo patriarca Ki-taek (o poderoso Song Kang-Ho). O personagem cria um cinismo brilhante, que varia entre a raiva e um sentimento de rancor. A mãe Chong-sook (Hyae Jin Chang) carrega a frustração e o medo. E os filhos são um retrato traiçoeiro e ácido do ponto inicial de Parasita.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em contra aspecto, os Park, a família rica, são rimas da iluminação. O pai (Lee Sun Gyun), multimilionário, mal passa tempo com os filhos. Mas, quando os encontros acontecem, o filme enche a tela da luz do sol que invade a sala com portas de vidro. A mãe é ingênua, doce, e a performance de Cho Yeo Jeong sustenta tudo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O diretor ainda investe em criar dinâmicas individuais entre seus personagens. Essa escolhe enriquece o miolo de <em>Parasita</em> e ainda auxilia na construção da personalidade de cada um deles. Também é fator importante no terceiro ato, onde o filme brinca com a expectativa de quem assiste, deixando todos os elementos do filme à beira de uma longa escadaria.</span></p>
<figure id="attachment_12685" aria-describedby="caption-attachment-12685" style="width: 2732px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-12685" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/capitalismo.jpg" alt="" width="2732" height="1821" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/capitalismo.jpg 2732w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/capitalismo-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/capitalismo-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/capitalismo-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/capitalismo-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-12685" class="wp-caption-text"><em>Para o diretor, a mensagem de Parasita é simples: ‘não há escapatória para o capitalismo’ (Foto: Neon)</em></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No resumo da ópera, <em>Parasita</em> engana. Bong Joon-Ho já dirigiu </span><i><span style="font-weight: 400;">The Host</span></i><span style="font-weight: 400;">, em 2006, um filme de criaturas, sobrenatural e de terror. Agora, em 2019, mais maduro, o diretor desvenda a nós os monstros que criamos, aqueles domesticados. Esse parasita é inteligente e astuto ao construir isso sem nunca verbalizar. Sempre nas entrelinhas; os paralelos sociais, as longas descidas nos degraus. Os comentários silenciosos. Todos alimentam a criatura. </span><span style="font-weight: 400;">E não há nada a se fazer quando ela </span><a href="https://www.noted.co.nz/culture/culture-movies/parasite-director-bong-joon-ho-on-the-success-of-his-subversive-tragicomedy"><span style="font-weight: 400;">acorda</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
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