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	<title>Arquivos Os Meneses &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Crônica da Casa Assassinada explicita os desejos reprimidos da aristocracia mineira</title>
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		<pubDate>Fri, 11 Jun 2021 12:30:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Isabella Siqueira Crônica da Casa Assassinada, lançado em 1959, assim como vários romances eternizados, contempla o fim da tradição familiar. Mas, ao contrário de clássicos como Os Buddenbrook e Cem Anos de Solidão, o romance não ficou marcado na literatura brasileira como deveria. A reedição pela Companhia das Letras é apenas o ponto de partida &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/cronica-da-casa-assassinada-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Crônica da Casa Assassinada explicita os desejos reprimidos da aristocracia mineira"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_21165" aria-describedby="caption-attachment-21165" style="width: 452px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-21165" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/9786559210312_gg.jpg" alt="Capa do livro Crônica da Casa Assassinada. Na imagem consta uma capa estampada por formas marrom e preto, com o nome do autor, Lúcio Cardoso, no canto superior. O título do romance está abaixo em uma caixa cortada preta, onde está escrito: Crônica da Casa Assassinada. Acima, está o logo da editora Companhia das Letras." width="452" height="650" /><figcaption id="caption-attachment-21165" class="wp-caption-text">Em abril, foi lançada a nova edição de Crônica da Casa Assassinada pela Companhia das Letras (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Isabella Siqueira</b></p>
<p><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=14767"><i><span style="font-weight: 400;">Crônica da Casa Assassinada</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, lançado em 1959, assim como vários romances eternizados, contempla o fim da tradição familiar. Mas, ao contrário de clássicos como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=E2ELUtPcEhQ&amp;ab_channel=tatianagfeltrin"><i><span style="font-weight: 400;">Os Buddenbrook</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/cem-anos-de-solidao/"><i><span style="font-weight: 400;">Cem Anos de Solidão</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o romance não ficou marcado na literatura brasileira como deveria. A reedição pela </span><a href="https://personaunesp.com.br/klara-e-o-sol-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é apenas o ponto de partida para a reparação que o autor merece. O crédito, muito merecido, de </span><a href="https://blog.estantevirtual.com.br/2021/04/07/classico-de-lucio-cardoso-ganha-nova-edicao-pela-companhia-das-letras/"><span style="font-weight: 400;">Lúcio Cardoso</span></a><span style="font-weight: 400;"> é visível pela maneira com que ele examina o interior da aristocracia mineira e sua decadência.</span></p>
<p><span id="more-21164"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A família retratada no livro, Os Meneses, </span><a href="https://www.em.com.br/app/noticia/pensar/2021/05/21/interna_pensar,1268694/cronica-da-casa-assassinada-ganha-nova-edicao.shtml"><span style="font-weight: 400;">existiu na vida real</span></a><span style="font-weight: 400;">, e é o exemplo perfeito para a maldição mais clássica da literatura. Inevitavelmente, o apogeu de um clã tradicional é sempre passageiro, e apesar da glória momentânea, é garantido que o fundo do poço é muito mais traiçoeiro. Em meio a cartas (enviadas ou não), confissões e relatos avulsos, </span><a href="https://www.revistaamalgama.com.br/10/2013/ler-lucio-cardoso/"><span style="font-weight: 400;">Cardoso</span></a><span style="font-weight: 400;"> trilha uma história sombria sobre indivíduos aprisionados pelo próprio sangue. Os capítulos são todos narrados em primeira pessoa, trazendo </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=OBlH8bFI8fg"><span style="font-weight: 400;">certa desconfiança</span></a><span style="font-weight: 400;"> quanto a cada versão apresentada, e noções distorcidas sobre cada personagem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A condenação à solidão é uma realidade auto imposta na Chácara, residência dos Meneses. O retrato de uma casa acabada e triste é clichê, mas efetivo. Conforme vão sendo contadas as histórias dos familiares, é possível entender o estado decadente dos cômodos e jardins, abandonados a Deus numa combinação perfeita com a miséria de seus moradores. Assim como o declínio da residência dos Buendía em Macondo e dos Buddenbrook no norte alemão, a mansão mineira localizada em Vila Velha sofreu com </span><span style="font-weight: 400;">o fim da oligarquia latifundiária.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Do lado de fora, isolada daquele quadro harmonioso, pensei comigo mesma que eles tinham toda a aparência de uma família feliz. Aparência apenas, porque em todos eles havia um elemento destrutor que os corroía.”</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">A vida doméstica dos Meneses é regida por sentimentos de dor e ódio, familiares que se detestam, evitam a presença e palavras afiadas uns dos outros. O próprio destino que criou um clã abastado, foi culpado pela existência de seres tão miseráveis. Os herdeiros restantes, Valdo e Demétrio, não tentam elevar o status de glória e solidez que um dia tiveram, visto que já não sabem administrar uma propriedade desse porte. Contudo, a existência simplória de todos muda com a chegada da carioca Nina, moça jovem, bela e espontânea.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tal como </span><a href="https://www.bonslivrosparaler.com.br/livros/resenhas/anna-karienina/1403#:~:text=Enfim%2C%20em%20%E2%80%9CAnna%20Karenina%E2%80%9D,hist%C3%B3ria%20que%20atravessa%20o%20tempo."><span style="font-weight: 400;">Anna Karenina</span></a><span style="font-weight: 400;">, Nina é uma personagem descrita por sua beleza e juventude que é brutalmente castigada por seu criador. Ao mesmo tempo que atrai homens com um simples olhar, recebe desconfiança e culpa. Enganada por Valdo pela promessa de uma vida abastada, ela chega a Vila Velha para se deparar com a solidão. A personagem não hesita em se entregar aos prazeres da vida, tendo casos amorosos, e inclusive se envolvendo com o próprio filho. Revela em cartas a fuga de seu casamento com Valdo, tendo sido acusada de adultério e levada ao exílio, voltando 15 anos depois. Os momentos finais da personagem são cruéis, visto que ela padece de um câncer doloroso que extenua a agonia de sua morte.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama é explorada sob pontos de vista distintos. Além dos familiares, o médico, padre e o farmacêutico registram a visão externa da família, sendo também testemunhas do passado rico do clã. Ana, esposa de Demétrio, é dona de valores regionais conservadores e nutre uma obsessão pela cunhada, mostrando-se como uma vilã rancorosa. Assim, se destaca a dualidade que permeia o romance, de um lado o regionalismo mineiro dos Meneses, de outro a vulgaridade urbana do Rio de Janeiro explícita em Nina.</span></p>
<figure id="attachment_21166" aria-describedby="caption-attachment-21166" style="width: 350px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-21166" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/indice.jpeg" alt="Foto do autor Lúcio Cardoso. A fotografia possui um aspecto antigo, em bege e marrom claro. O autor é um homem branco de meia idade com cabelos e olhos castanhos, ele veste uma camisa preta e olha para o lado, suas mãos estão na altura dos joelhos. A sala possui paredes brancas, uma pequena estante com livros e pinturas na cama onde Lúcio Cardoso está sentado." width="350" height="251" /><figcaption id="caption-attachment-21166" class="wp-caption-text">“Se Deus existe – e sei, sinto que existe – está comigo. Não é possível participar de tantas formas de vida, delas estando tão ausente. E morro de tudo o que vivo: sinto que a existência, em certos momentos, é quase um sacrilégio”, escreveu Lúcio Cardoso em seu diário (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Lúcio Cardoso opta por explorar intimamente a condição humana dos personagens. Ademais, o autor reúne recursos sociais da época para complementar a história, considerando que a sociedade da trama é formada por uma pequena vila mineira do século XX. O medo do desenvolvimento urbano, o fim dos grandes casarões e o apego ao saudosismo regional são fatores que inflamam a fragmentação dos Meneses. Já no âmbito privado, o autor pontua os tabus que alcançam o clã, como homossexualidade, incesto e suicídio. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O retrato dos personagens contradiz a visão externa que a família exibe para os habitantes de Vila Velha, a riqueza e tradição dos Meneses é apenas um mito. Timóteo, um dos herdeiros, é um homossexual assumido que vive em reclusão sendo apresentado como doente para preservar a dignidade da família, que tenta esconder suas excentricidades, ele usa roupas velhas e joias de mulher. O personagem encontra amizade e afeto apenas em sua cunhada, Nina, com quem planeja uma vingança contra o clã.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">André, narrador do primeiro capítulo, é protagonista do arco mais chocante da trama. Desamparado e perdido com relação ao passado de seus pais, o jovem embarca num </span><a href="http://www.psicopatologiafundamental.org.br/uploads/files/VII%20CONGRESSO/ANAIS/posters/P1.pdf"><span style="font-weight: 400;">caso incestuoso</span></a><span style="font-weight: 400;"> com sua mãe. Incompreendido pelo pai, por quem não nutre nenhum afeto, ele é deixado aos cuidados de Betty, a governanta da casa. A verdade sobre sua origem é revelada no final da obra, Cardoso inverte a história estabelecida nas últimas páginas, onde castiga o leitor por quaisquer juízos de valores errôneos criados.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“E sendo assim, desgraçada também a potência que nos inventou, pois inventou também ao mesmo tempo a ânsia inútil, o furor do escravo, e a perpétua vigília por trás desse cárcere de que só escapamos pelo esforço da demência, do mistério ou da confusão.”</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Como dito no próprio título, o personagem principal é a própria Chácara, reflexo das falhas do clã Meneses. Os jardins sem vida e objetos de luxo são lembranças inúteis de um passado rico, janelas fechadas e um quartos escuros são o lar dos fantasmas vivos que habitam o local. A descrição de cada diálogo e cena é acompanhada pela aparência melancólica e decadente do cenário.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro ambiente conhecido do leito é o Pavilhão, que abriga os amores e casos de Nina, além do único momento de verdadeira felicidade que a personagem conheceu junto a Valdo. Mas, ao mesmo tempo, é um espaço que exala morte e desespero, onde ocorreu o suicídio de Alberto, amante da carioca, um fator decisivo para o rancor de Ana, secretamente apaixonada pelo jovem jardineiro.</span></p>
<p><a href="https://www.jornalopcao.com.br/opcao-cultural/destarte/lucio-cardoso-em-busca-do-arcanjo-rebelde-110100/"><span style="font-weight: 400;">Lúcio Cardoso</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi (tardiamente, vale ressaltar) trazido de volta pela editora </span><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras</span></i><span style="font-weight: 400;">. O escritor, que estreou em 1934 com o romance </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq0204200516.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Maleita</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, não é tão citado em comparação aos grandes nomes da segunda fase do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YlqUollEjyo"><span style="font-weight: 400;">Modernismo brasileiro</span></a><span style="font-weight: 400;">, como Clarice Lispector e Graciliano Ramos. Amor juvenil de Lispector, ele fez parte da ramificação modernista chamada de </span><a href="https://www.sescsp.org.br/online/artigo/104_QUEM+FOI+LUCIO+CARDOSO"><span style="font-weight: 400;">Literatura Intimista</span></a><span style="font-weight: 400;">, os autores desse grupo centravam suas obras nos conflitos do indivíduo, contrariando as críticas sociais e ares progressistas, marcados em grandes romances como </span><i><span style="font-weight: 400;">Vidas Secas</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Capitães da Areia</span></i><span style="font-weight: 400;">. Em sua obra-prima, Cardoso não hesita em expor a família burguesa como animais donos de desejos reprimidos e almas solitárias.</span></p>
<figure id="attachment_21167" aria-describedby="caption-attachment-21167" style="width: 500px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-21167" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/a-casa-assassinada.jpg" alt="Cena do filme A Casa Assassinada. A foto está em preto e branco, nela estão os atores Carlos Kroeber no papel de Timóteo e Norma Bengell como Nina. Timóteo é um homem branco de meia idade com cabelos castanhos e seus olhos estão fechados, ele usa um vestido estampado e maquiagem nos olhos, ele também usa pulseiras e brincos, está com as mãos cruzadas sobre o corpo de Nina. A personagem feminina é uma mulher branca que está deitada e morta, ela possui cabelos loiros e veste um vestido preto. Atrás dos personagens, existem homens de ternos cujas cabeças estão cortadas pela imagem." width="500" height="334" /><figcaption id="caption-attachment-21167" class="wp-caption-text">Cena da adaptação cinematográfica dos anos 70; o longa é estrelado por Norma Bengell como Nina, e Carlos Kroeber como Timóteo (Foto: Planiscope Planificações e Produções)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Cardoso foi muito influenciado por </span><a href="https://estadodaarte.estadao.com.br/pecado-e-santidade-na-alma-em-ruinas/"><span style="font-weight: 400;">autores católicos</span></a><span style="font-weight: 400;"> e levanta </span><a href="https://vermelho.org.br/2012/01/12/cronica-da-casa-assassinada-um-romance-regionalista-sem-historia/"><span style="font-weight: 400;">questionamentos religiosos</span></a><span style="font-weight: 400;"> na obra, principalmente, nas partes narradas por Padre Justino ou em confissões enviadas ao personagem. Outro tema comum ao catolicismo é abordado quando sugere que o pecado é realizado por aqueles que não aproveitam a vida, e que buscam a perfeição como norma suprema. Assim, os Meneses, seres isentos de erros que vivem com a máxima dignidade, são tão pecadores quanto Nina, que aceita uma vida pecaminosa e plena.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história do romance foi transportada para o cinema nos anos 70. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kXMg3NQt-Lo&amp;ab_channel=Jo%C3%A3oCarlosRodrigues"><i><span style="font-weight: 400;">A Casa Assassinada</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> um filme dirigido por Paulo César Saraceni em 1971, esteve presente inclusive no primeiro Festival de Gramado, e também no Festival de Brasília. O longa teve sua </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=f-32Zjd7cDQ"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora</span></a><span style="font-weight: 400;"> feita por Tom Jobim. Além da produção, existe um projeto para uma </span><a href="https://glamurama.uol.com.br/jose-luiz-villamarim-vai-dirigir-versao-do-classico-cronica-da-casa-assassinada-de-lucio-cardoso-para-o-cinema/"><span style="font-weight: 400;">nova versão</span></a><span style="font-weight: 400;"> no cinema, cuja direção ficará a cargo de José Luiz Villamarim (</span><i><span style="font-weight: 400;">Nada Será Como Antes</span></i><span style="font-weight: 400;">). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra-prima começa pelo final, a morte de Nina e o afastamento de André encerram a narrativa dos Meneses, presos eternamente num conto aristocrático trágico. Meias confissões e relatos envoltos de culpa ajudam a situar a névoa que abraça não só os familiares, mas toda a pacata Vila Velha. O autor é ousado ao afrontar os costumes </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/04/lucio-cardoso-levantou-um-punhal-contra-minas-gerais-em-obra-prima.shtml"><span style="font-weight: 400;">regionalistas mineiros</span></a><span style="font-weight: 400;">, expondo sem dó a corrosão moral da oligarquia brasileira. A falta de reconhecimento do romance é injustificável, mil reedições de </span><i><span style="font-weight: 400;">Crônica da Casa Assassinada</span></i><span style="font-weight: 400;"> não são suficientes para reparar o período em que Lúcio Cardoso permaneceu desvalorizado na literatura nacional.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/cronica-da-casa-assassinada-critica/">Crônica da Casa Assassinada explicita os desejos reprimidos da aristocracia mineira</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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