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	<title>Arquivos O Escândalo &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>A Assistente: os verdadeiros bastidores de Hollywood</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Feb 2021 14:48:40 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Silva Em 2017, o mundo hollywoodiano virou do avesso. Denúncias de assédio sexual por parte de funcionários e funcionárias do meio artístico começaram a vir à tona para o grande público. A avalanche se desencadeou com as acusações sobre o magnata Harvey Weinstein, dono da grande produtora Miramax, e hoje condenado a 23 anos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-assistente-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Assistente: os verdadeiros bastidores de Hollywood"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_18449" aria-describedby="caption-attachment-18449" style="width: 1558px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-18449" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/The-Assistant-Movie-2020.jpg" alt=" A imagem é uma cena do filme A Assistente. Nela, está a atriz Julia Garner, que interpreta a personagem Jane. Jane é uma mulher branca, de olhos azuis, cabelos loiros e amarrados em um coque, ela veste uma blusa rosa de gola alta e mangas compridas e usa um relógio preto em seu pulso esquerdo. Na cena, Jane está no escritório do trabalho sentada em uma cadeira, é possível ver da sua cintura para cima. Ela está falando a um telefone branco com fio, segurando-o com sua mão direita, e está com o que parece ser um passaporte em sua mão esquerda. Ela olha fixamente para o lado direito, com um olhar de preocupação. " width="1558" height="867" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/The-Assistant-Movie-2020.jpg 1558w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/The-Assistant-Movie-2020-300x167.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/The-Assistant-Movie-2020-1024x570.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/The-Assistant-Movie-2020-768x427.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/The-Assistant-Movie-2020-1536x855.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/The-Assistant-Movie-2020-1200x668.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18449" class="wp-caption-text">Lançado em 2019, o filme se inspira em uma das denúncias que desatou os protestos do #MeToo (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitória Silva</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2017, o mundo hollywoodiano virou do avesso. Denúncias de assédio sexual por parte de funcionários e funcionárias do meio artístico começaram a vir à tona para o grande público. A avalanche se desencadeou com as acusações sobre o magnata Harvey Weinstein, dono da grande produtora </span><i><span style="font-weight: 400;">Miramax</span></i><span style="font-weight: 400;">, e hoje condenado a </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-51553491"><span style="font-weight: 400;">23 anos de prisão</span></a><span style="font-weight: 400;">. Com isso, outros escândalos emergiram para a superfície na crescente onda do movimento </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-44164417"><i><span style="font-weight: 400;">#MeToo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que acumula queixas de superiores até fora do meio cinematográfico.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não ia demorar muito para que esses protestos tomassem forma nas telonas. </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-escandalo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Escândalo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, lançado em 2019, foi um dos primeiros a cumprir a tarefa, ao tratar sobre casos de assédio causados por </span><a href="https://exame.com/mundo/colunista-da-fox-news-processa-chefe-por-assedio-sexual/"><span style="font-weight: 400;">Roger Ailes</span></a><span style="font-weight: 400;">, diretor da </span><i><span style="font-weight: 400;">Fox News</span></i><span style="font-weight: 400;">. Apesar de parecer promissor, o resultado acabou por ser uma prova nítida de que boas intenções não fazem um bom filme, muito menos justiça, se as pessoas erradas estiverem por trás das câmeras. Nesse caso, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Assistente</span></i><span style="font-weight: 400;"> merece muito mais levar os créditos do pioneirismo. </span></p>
<p><span id="more-18448"></span></p>
<figure id="attachment_18450" aria-describedby="caption-attachment-18450" style="width: 862px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-18450" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem2.jpg" alt=" A imagem é uma cena do filme A Assistente. Nela, está a atriz Julia Garner, que interpreta a personagem Jane. Jane é uma mulher branca, de olhos azuis, cabelos loiros e amarrados em um coque, ela veste uma blusa rosa de gola alta e mangas compridas e usa um relógio preto em seu pulso esquerdo. Na cena, Jane está no escritório do trabalho sentada em uma cadeira, é possível ver do seu peito para cima. Ela está com o queixo apoiado em sua mão esquerda. Atrás de Jane, ao seu lado esquerdo, está um dos seus colegas de escritório, um homem branco, de cabelos castanhos escuros, que usa óculos, uma calça jeans e uma camisa azul de manga comprida. Ao lado direito, está outro colega de escritório, um homem branco, de cabelos castanhos, barba, e que veste uma blusa verde-musgo de manga comprida e uma calça jeans. Todos os personagens estão olhando o que parece ser a tela de um computador." width="862" height="575" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem2.jpg 862w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem2-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem2-768x512.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18450" class="wp-caption-text">O movimento ganhou um braço independente em terras brasileiras, o <a href="https://metoobrasil.org.br/">#MeTooBrasil</a> (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Escrita e dirigida por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=qFhB9UY7lDU"><span style="font-weight: 400;">Kitty Green</span></a><span style="font-weight: 400;">, a produção se centra na rotina de Jane, uma aspirante à produtora de cinema, que trabalha como assistente em uma grande empresa do ramo. Mas essa narrativa não surge às claras logo de início. Acompanhamos cada passo de seu longo dia de trabalho, em que ela é a primeira a chegar e a última a sair, com a curiosidade em entender para onde esse caminho irá nos levar. As ligações, os agendamentos e os roteiros que ela imprime são algumas peças do quebra-cabeça que vão se juntando ao longo dos agonizantes minutos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O conflito principal da trama também não é entregue de bandeja, e, para quem esteve por fora dos últimos acontecimentos do mundo midiático, talvez nada tenha feito sentido até agora. Entre os afazeres de nossa protagonista, há diversos encobrimentos sobre alguns atos do seu chefe, que, bem nas entrelinhas, é possível entender bem sobre o que se trata. Um chefe que não possui rosto, sendo apenas um fantasma sobre a narrativa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa impessoalidade sobre o filme é o acerto principal de Kitty Green. Não identificamos quem é o poderoso magnata que se esconde no escritório, e nem é preciso. Os homens que cometem atos indecentes com seus empregados não possuem nome nem endereço na vida real. Basta muito poder nas mãos e uma mentalidade advinda de anos de construção de uma cultura patriarcal repulsiva. Deixar esse espaço em aberto mostra o quanto é uma situação aplicável para qualquer lugar e qualquer pessoa, seja Weinstein, Ailes ou </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/kevin-spacey-e-acusado-de-assedio-sexual-por-homens-da-equipe-de-house-of-cards-diz-tv.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Kevin Spacey</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure id="attachment_18451" aria-describedby="caption-attachment-18451" style="width: 2400px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-18451" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/r2_g_r709.195416_R.jpg" alt=" A imagem é uma cena do filme A Assistente. Nela, está a atriz Julia Garner, que interpreta a personagem Jane, e a atriz Kristine Froseth, que interpreta Sienna. Ambas estão sentadas no banco de trás de um carro, uma olhando para a outra. Jane é uma mulher branca, de olhos azuis, cabelos loiros e amarrados em um coque, ela veste um casaco cinza, um cachecol bege e calça preta. Sienna é uma mulher branca, de olhos azuis e cabelos castanhos claros, longos e lisos, ela veste um agasalho verde e uma calça jeans clara." width="2400" height="1200" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/r2_g_r709.195416_R.jpg 2400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/r2_g_r709.195416_R-300x150.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/r2_g_r709.195416_R-1024x512.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/r2_g_r709.195416_R-768x384.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/r2_g_r709.195416_R-1536x768.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/r2_g_r709.195416_R-2048x1024.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/r2_g_r709.195416_R-1200x600.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18451" class="wp-caption-text">A Assistente recebeu três indicações para o <a href="https://www.omelete.com.br/filmes/spirit-awards-2021-indicados">Spirit Awards 2021</a>, o Oscar do Cinema Independente: Melhor Atriz, Melhor Roteiro de Estreia e Melhor Direção de Fotografia (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O papel de Jane é simbólico em diversos aspectos. Sua inocência é representada desde sua blusa rosa e sua caneca colorida, em meio a um ambiente cinza e perverso. A angústia é clara no </span><a href="https://deadline.com/2021/01/the-assistant-julia-garner-kitty-green-interview-contenders-1234679018/"><span style="font-weight: 400;">olhar de Julia Garner</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao observar cada detalhe da rotina que a cerca, as situações que acoberta sem ter conhecimento, os comentários machistas entre funcionários e as atitudes daqueles que normalizam a situação criminosa que os envolve. Ela acaba por ser uma vítima indireta das pequenas agressões que a rodeiam naquele ambiente. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A condução da narrativa é um exemplo perfeito sobre como denunciar assuntos delicados com objetividade e sem ferir suas vítimas. O filme não foca em nenhum momento em </span><a href="https://www.indiewire.com/video/assistant-kitty-green-interview-metoo-male-predator-1202207482/"><span style="font-weight: 400;">mostrar detalhes nefandos</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos abusos sexuais que acontecem por trás da porta, deixando a vista mais do que o suficiente para que se possa entender e sentir a situação. O protagonismo da assistente é uma representação daqueles que se veem impunes em meio a situações de assédio, e dos que sofrem ao observar a crueldade de atos sem ter certeza completa sobre eles. </span></p>
<figure id="attachment_18452" aria-describedby="caption-attachment-18452" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18452" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/FD7A3512-scaled-1.jpg" alt="A imagem é uma cena do filme A Assistente. Nela, está a atriz Julia Garner, que interpreta a personagem Jane. Jane é uma mulher branca, de olhos azuis, cabelos loiros e amarrados em um coque, ela veste um casaco cinza, um cachecol bege e calça preta. Na cena, ela está em um elevador segurando várias pastas em seus braços, com o olhar voltado para baixo. " width="2560" height="1789" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/FD7A3512-scaled-1.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/FD7A3512-scaled-1-300x210.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/FD7A3512-scaled-1-1024x716.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/FD7A3512-scaled-1-768x537.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/FD7A3512-scaled-1-1536x1073.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/FD7A3512-scaled-1-2048x1431.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/FD7A3512-scaled-1-1200x839.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18452" class="wp-caption-text">Vencedora de dois Emmys por <a href="https://personaunesp.com.br/ozark-critica/">Ozark,</a> Julia Garner é uma das atrizes cotadas para interpretar a cantora Madonna <a href="https://www.papelpop.com/2021/01/florence-pugh-e-julia-garner-se-destacam-na-disputa-para-estrelar-cinebiografia-de-madonna-diz-tabloide/">nos cinemas</a> (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A ficha demora para cair de vez, mas ela cai. O clímax do filme se dá quando Jane resolve tentar fazer uma queixa em relação aos acontecimentos que tem observado, e vemos aí a cena mais dilacerante da produção. A sutileza com que ela é acolhida para falar sobre os problemas, e a reação agressiva que recebe na mesma intensidade, que completa o bingo dos questionamentos às denúncias de abuso sexual:</span><i><span style="font-weight: 400;"> “você está com inveja”</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span><i><span style="font-weight: 400;"> “vai destruir sua carreira”</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">“não se preocupe, você nem faz o tipo dele”</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">A Assistente</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um filme cruel até o último minuto. </span><a href="https://personaunesp.com.br/i-know-this-much-is-true-critica/"><span style="font-weight: 400;">Quebrando os paradigmas</span></a><span style="font-weight: 400;"> de final feliz que estamos tão acostumados, não há nenhum arco de justiça ou empoderamento. Kitty Green nos agride com a realidade na sua forma mais pura e fria: a falta de apoio e a descrença sobre as vítimas de assédio. E traz uma resposta para um questionamento de muito tempo, sobre como Hollywood conseguiu esconder escândalos sexuais por tantos anos. Não foi muito difícil.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O final da trama deixa o destino de Jane em aberto, sobre qual seria sua decisão diante de uma <em>escolha de Sofia</em>. A narrativa se fecha restando uma ponta de ansiedade e curiosidade, e também a certeza de que qualquer um dos caminhos escolhidos seria igualmente destruidor. O futuro da assistente não precisa ser mostrado, pois já o vemos se repetir inúmeras vezes todos os dias.</span></p>
<figure id="attachment_18453" aria-describedby="caption-attachment-18453" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-18453 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/A-Assistente-Amazon-Prime-Video-filme-critica.jpg" alt="A imagem é a foto do cartaz do filme A Assistente. Nela, está a atriz Julia Garner, que interpreta a personagem Jane. Jane é uma mulher branca, de olhos azuis, cabelos loiros e amarrados em um coque, ela veste uma blusa rosa de gola alta e mangas compridas. Na imagem, Jane está virada de perfil para o lado esquerdo, ela segura várias folhas de papel, em seu braço esquerdo, e está folheando com a mão direita. Ao fundo, é possível ver fotos de várias mulheres, que aparentam ser atrizes." width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/A-Assistente-Amazon-Prime-Video-filme-critica.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/A-Assistente-Amazon-Prime-Video-filme-critica-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/A-Assistente-Amazon-Prime-Video-filme-critica-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/A-Assistente-Amazon-Prime-Video-filme-critica-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18453" class="wp-caption-text">O movimento #MeToo teve e ainda tem suas conquistas, mais de 200 homens já <a href="https://oglobo.globo.com/sociedade/levantamento-mostra-que-movimento-metoo-tirou-201-homens-do-poder-23183032">foram demitidos</a> após acusações públicas de assédio sexual (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">A Assistente</span></i><span style="font-weight: 400;"> cutuca as feridas que Hollywood insiste em tentar cicatrizar. A falsa vitória dos protestos em prol das vítimas, enquanto </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/oscar-2020-diretoras-esnobadas#13"><span style="font-weight: 400;">mal consegue reconhecer</span></a><span style="font-weight: 400;"> o esforço de mulheres no meio profissional e manter uma indústria saudável e segura. De nada adiantam as denúncias e manifestações bem sucedidas se abusadores continuarem sendo aplaudidos, ou até mesmo </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2020/02/28/cultura/1582925639_379411.html"><span style="font-weight: 400;">premiados</span></a><span style="font-weight: 400;">, como se as consequências de seus atos fosse um mero deslize. </span></p>
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		<title>O Escândalo é o que acontece quando homens contam nossa história</title>
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		<pubDate>Mon, 24 Feb 2020 20:25:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ana Laura Ferreira Desde a Ilíada, com os épicos poemas escritos por Homero, a história é contada pelos vitorioso e aponta apenas uma versão dos fatos. Até hoje essa estrutura se mantém, fazendo com que os “vitoriosos” da hierarquia social falem por aqueles que foram silenciados. O Escândalo (Bombshell) segue essa mesma linha narrativa ao &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-escandalo-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Escândalo é o que acontece quando homens contam nossa história"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_13583" aria-describedby="caption-attachment-13583" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-13583" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/02/001.jpg" alt="" width="1024" height="795" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/02/001.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/02/001-300x233.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/02/001-768x596.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-13583" class="wp-caption-text">(Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><strong>Ana Laura Ferreira</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde a </span><i><span style="font-weight: 400;">Ilíada</span></i><span style="font-weight: 400;">, com os épicos poemas escritos por Homero, a história é contada pelos vitorioso e aponta apenas uma versão dos fatos. Até hoje essa estrutura se mantém, fazendo com que os </span><i><span style="font-weight: 400;">“vitoriosos”</span></i><span style="font-weight: 400;"> da hierarquia social falem por aqueles que foram silenciados. </span><i><span style="font-weight: 400;">O Escândalo</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">(Bombshell)</span></i><span style="font-weight: 400;"> segue essa mesma linha narrativa ao pautar o assédio sexual sofrido pelas jornalistas da </span><i><span style="font-weight: 400;">FOX News</span></i><span style="font-weight: 400;"> sob a visão, roteiro e direção de homens, que jamais entenderam a situação das vítimas por completo.</span></p>
<p><span id="more-13581"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao decorrer do filme acompanhamos três importantes jornalistas do veículo, que é o principal canal de notícias dos Estados Unidos, e suas lutas internas e externas para enfrentar o assediador e diretor chefe da empresa, Roger Ailes (</span><span style="font-weight: 400;">John Lithgow</span><span style="font-weight: 400;">). São elas a âncora Megyn Kelly (Charlize Theron), a apresentadora Gretchen Carlson (Nicole Kidman) e a aspirante ao estrelato Kayla Pospisil (Margot Robbie), a única personagem fictícia relevante a trama. Com um primeiro ato longo e detalhista, demoramos a ser introduzidos devidamente no assunto principal do filme. Entretanto, esse extenso </span><i><span style="font-weight: 400;">background</span></i><span style="font-weight: 400;"> nos ajuda a entender a hierarquia profissional e moral exercida na empresa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Utilizando-se de recursos como a quebra da quarta parede, somos prontamente incluídos naquele cenário caótico. É reservada ao espectador a visão quase que de um estagiário, que está autorizado apenas a observar. O estilo de filmagem documental contribui para criarmos esse sentimento de inclusão, entretanto a câmera exageradamente tremida cansa ao decorrer do filme e traz, também, certa artificialidade. Outro recurso cinematográfico muito usado na trama é o chamado </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=93FAAdkv3bk"><i><span style="font-weight: 400;">Deus Ex-machina</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Ligado, nesse caso, a passagem abrupta do tempo, ela age como um facilitador dentro da história, cortando-a em capítulos fechados.</span></p>
<figure id="attachment_13584" aria-describedby="caption-attachment-13584" style="width: 860px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-13584" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/02/imagem-2.jpg" alt="" width="860" height="559" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/02/imagem-2.jpg 860w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/02/imagem-2-300x195.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/02/imagem-2-768x499.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-13584" class="wp-caption-text">Além dos casos de assédio, o filme também aborda questões políticas e preconceitos enraizados na cultura americana (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de trazer qualidades técnicas pouco avançadas, o grande pesar de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Escândalo</span></i><span style="font-weight: 400;"> é seu olhar </span><a href="https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2018/12/03/machismo-sexismo-e-misoginia-quais-sao-as-diferencas.htm"><span style="font-weight: 400;">machista e misógino</span></a><span style="font-weight: 400;"> sobre o caso. Dirigido por </span><span style="font-weight: 400;">Jay Roach</span><span style="font-weight: 400;"> &#8211; de </span><i><span style="font-weight: 400;">Austin Powers (1997) </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Borat (2006)</span></i><span style="font-weight: 400;"> &#8211; e roteirizado por Charles Randolph &#8211; de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Grande Aposta (2015)</span></i><span style="font-weight: 400;"> &#8211; o longa coloca suas principais funções nas mãos de homens, os quais nunca conseguiram entender, em sua completude, os medos, traumas e aflições que permeiam o assédio sexual. Essa visão robótica e masculinizada dos fatos torna o filme pouco imersivo nos sofrimentos das vítimas, abrandando a gravidade da situação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A câmera, com planos fechados e detalhes, chega a ser conivente aos abusos feitos por Ailes, ao sexualixar suas personagens de forma a criar justificativas ao ocorrido. Uma cena em especial causa no mínimo indignação ao espectador pela duvidosa escolha de planos. Protagonizada por Margot, a direção prefere filmar suas pernas e sua calcinha durante o momento do assédio à seu rosto que transparece tremenda agonia. Em outra cena a personagem de Robbie contesta Charlize Theron por suas ações, culpabilizando a jornalista pelos atos de Roger em uma construção caricata e machista, que responsabiliza as vítimas e encobre os abusadores.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como um </span><a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Oscar_bait"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar Bait</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> moderno, o roteiro se distancia do drama &#8211; que seria o gênero natural para tratar o assunto &#8211; e pende para um lado cômico e satírico que prejudica seu desenvolvimento ao quebrar o estilo narrativo. Essa abordagem prejudica também a expansão das personagens dentro do universo criado. Por ser baseado em fatos reais é aceitável que o filme se contenha para manter a veracidade, porém em </span><i><span style="font-weight: 400;">O Escândalo</span></i><span style="font-weight: 400;"> o roteirista tinha em Kayla sua </span><i><span style="font-weight: 400;">“carta na manga”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Por se tratar de uma persona ficcional, seu espaço na narrativa poderia ter sido usado para expandir em maior potência o assunto e os assédios, entretanto, ela é reduzida a um personagem genérico e pouco expressivo, dados os traumas sofridos.</span></p>
<figure id="attachment_13585" aria-describedby="caption-attachment-13585" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-13585" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/02/imagem-3.gif" alt="" width="512" height="237" /><figcaption id="caption-attachment-13585" class="wp-caption-text">Mesmo condenado pelos assédios, Roger Ailes recebeu uma indenização maior que as vítimas e se mantém como uma figura respeitada no telejornalismo (Gif: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, o longa também conta com pontos positivos, sendo o principal deles sua </span><a href="https://www.huffpostbrasil.com/entry/charlize-theron-maquiagem_br_5e318c1ec5b680b21f09a2cc?guccounter=1&amp;guce_referrer=aHR0cHM6Ly93d3cuZ29vZ2xlLmNvbS8&amp;guce_referrer_sig=AQAAADTM5aHPSXiYRFmbJnm5JwomUUVA-AXMLSlbDtq9IB0OXgbZz6kMYPnNOK2PifErm7QgzkuCumu0UMpI1YeQ8b-t4ke-QbFPCjPDGpZKZB3Ea-Lj9wB9NHt894jPUpxU7o8orUQFxioX7aa7KzL713kVq5Nm3IynCdwHABXKSnKM"><span style="font-weight: 400;">primorosa maquiagem</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ao transformar Charlize em uma cópia exata da real Megyn Kelly, o filme faturou os prêmios </span><i><span style="font-weight: 400;">Critic&#8217;s Choice Awards</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Bafta </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">. Concorrendo em outras categorias, Theron foi indicada a Melhor Atriz e Margot Robbie a Melhor Atriz Coadjuvante no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar 2020</span></i><span style="font-weight: 400;">. Outro ponto positivo é atribuído ao roteiro, que aborda as opressões vividas dentro do império </span><i><span style="font-weight: 400;">Fox News</span></i><span style="font-weight: 400;"> e a imposição sofrida pela equipe para apoiar Roger Ailes e invalidar as vítimas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de abordar um tema que deve ser debatido e trazer uma história que deve ser contada, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Escândalo</span></i><span style="font-weight: 400;"> se restringe a uma visão pouco crítica dos fatos. Diferente da minissérie</span> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=lAnJJHrq0Ws"><i><span style="font-weight: 400;">The Loudest Voice</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> (2019)</span></i><span style="font-weight: 400;">, que aborda o mesmo ocorrido, mas de maneira mais profunda, o filme se perde ao tentar ser politicamente correto e cai em contradições, culpabilizando suas heroínas. Extremamente problemático, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Escândalo</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um filme que deve ser assistido por todos para que possam tomar consciência que certas história devem ser contadas por suas minorias, e para que entendamos que a visão masculina dos fatos é apenas um recorte mal feito e seletivo do que lhes interessa.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Megyn Kelly Presents: A Response to &quot;Bombshell&quot; - Full Discussion" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/MmSz7HqkI9s?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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