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	<title>Arquivos O Auto da Compadecida &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>25 anos de O Auto da Compadecida: humor, tradição e cultura nordestina</title>
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		<pubDate>Fri, 28 Nov 2025 13:00:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Sinara Martins Baseado na obra de Ariano Suassuna, O Auto da Compadecida é considerado um clássico do cinema nacional não à toa. Lançado em 2000, o filme une a cultura popular nordestina, a literatura de cordel e tradições religiosas para contar as aventuras de João Grilo e Chicó. Entre astúcias, trapalhadas e denúncias sociais, a &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/25-anos-de-o-auto-da-compadecida-humor-tradicao-e-cultura-nordestin/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "25 anos de O Auto da Compadecida: humor, tradição e cultura nordestina"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_35966" aria-describedby="caption-attachment-35966" style="width: 737px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-35966" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image3-1.jpg" alt="Obra de arte de estilo sacro representando uma cena celestial. No centro, a Virgem Maria aparece de pé, vestida com túnica vermelha e manto azul, irradiando luz dourada. Acima de sua cabeça, dois anjos seguram uma coroa dourada. Ao redor, há santos e figuras religiosas com auréolas douradas, entre eles homens e mulheres em posição de oração ou contemplação. Dois anjos de túnicas vermelhas, posicionados abaixo, empunham lanças contra figuras demoníacas monstruosas que surgem em meio às chamas, com dentes afiados e expressões agressivas. O fundo é azul, repleto de estrelas douradas, reforçando a atmosfera celestial e simbólica de vitória do bem sobre o mal." width="737" height="416" /><figcaption id="caption-attachment-35966" class="wp-caption-text">A narrativa aclamada alcança uma harmonia única entre a cultura popular e a riqueza da criação literária (Foto: Globo Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Sinara Martins</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Baseado na obra de Ariano Suassuna, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Auto da Compadecid</span></i><span style="font-weight: 400;">a é considerado um clássico do cinema nacional não à toa. Lançado em 2000, o filme une a cultura popular nordestina, a </span><a href="https://www.educacao.sp.gov.br/voce-conhece-a-literatura-de-cordel/"><span style="font-weight: 400;">literatura de cordel</span></a><span style="font-weight: 400;"> e tradições religiosas para contar as aventuras de João Grilo e Chicó. Entre astúcias, trapalhadas e denúncias sociais, a narrativa conquista o público ao mesmo tempo em que valoriza a identidade cultural do Nordeste, faz críticas e reafirma a força do imaginário popular brasileiro.</span></p>
<p><span id="more-35962"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama é dividida em três atos: a apresentação, o conflito e o julgamento. O roteiro equilibra a comédia e a emoção, que se junta com a essência do Nordeste. É o tipo de filme que grita ‘Brasil’. A desigualdade está nas falas e trejeitos dos personagens, tão inesquecíveis. Expressões populares, </span><a href="https://portal.unit.br/blog/noticias/fala-nordestina-e-preconceito-linguistico/"><span style="font-weight: 400;">sotaques</span></a><span style="font-weight: 400;"> marcados e gestos simples refletem a vida de quem precisa improvisar para driblar as injustiças sociais, tornando o humor também um retrato crítico das desigualdades do país.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como na </span><a href="https://www.todamateria.com.br/comedia-dell-arte/"><i><span style="font-weight: 400;">commedia dell’arte</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> – um tipo de teatro popular surgido na Itália no século XVI, em que os atores interpretavam personagens fixos e usavam muita improvisação, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Auto da Compadecida</span></i><span style="font-weight: 400;"> traz figuras do povo que enfrentam os poderosos com astúcia e humor. Ariano Suassuna adapta essa tradição ao sertão nordestino: João Grilo é o malandro esperto que se salva pela inteligência, enquanto Chicó é o sonhador medroso e ingênuo. Essa influência dá ritmo e leveza à obra, unindo o riso popular italiano ao humor criativo e tipicamente brasileiro.</span></p>
<figure id="attachment_35965" aria-describedby="caption-attachment-35965" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-35965" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-2-800x450.jpg" alt="Cena em ambiente árido do sertão, com chão de terra seca e vegetação esparsa ao fundo. Dois homens vestidos com roupas simples e gastas aparecem em primeiro plano. O da esquerda, João Grilo, sorri e segura um galho de madeira em forma de cruz acima da cabeça do companheiro. O da direita, Chicó, está ajoelhado, com expressão séria e olhar voltado para cima, também segurando um pedaço de madeira em formato de cruz. Atrás deles há uma carroça de madeira puxada por um animal, sugerindo um contexto rural e de pobreza." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-2-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-2.jpg 1280w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35965" class="wp-caption-text">Grande parte das cenas foi gravada em Cabaceiras (PB). Depois do sucesso do filme, a cidade virou praticamente um cenário fixo de produções brasileiras e ganhou fama nacional (Foto: Globo Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">João Grilo, interpretado de forma brilhante por </span><a href="https://www.adorocinema.com/personalidades/personalidade-28570/filmografia/"><span style="font-weight: 400;">Matheus Nachtergaele</span></a><span style="font-weight: 400;">, é sagaz e irresistivelmente carismático. Sua inteligência perspicaz o ajuda a superar situações complicadas e a enganar figuras poderosas, como o severo padre e o arrogante major. Já Chicó, vivido por </span><a href="https://extra.globo.com/tv-e-lazer/selton-mello-sobre-chico-de-auto-da-compadecida-papel-mais-popular-da-minha-vida-24174625.html#:~:text=%E2%80%9CUm%20trabalho%20que%20at%C3%A9%20hoje,antes%20e%20depois%20de%20Chic%C3%B3%E2%80%9D.&amp;text=%E2%80%94%20%C3%89%20algo%20t%C3%A3o%20poderoso%2C%20que,minha%20vida%20%E2%80%94%20declara%2Dse."><span style="font-weight: 400;">Selton Mello</span></a><span style="font-weight: 400;">, é covarde e sentimental, oferecendo alívio cômico em momentos de tensão. A química entre os dois protagonistas é vibrante e memorável. Esse contraste de personalidades enriquece a obra com leveza e dinamismo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais do que simples cenários, o filme traz uma representação autêntica do Nordeste. As paisagens áridas e as </span><a href="https://pointer.com.br/blog/a-historia-e-as-caracteristicas-da-arquitetura-nordestina/amp/"><span style="font-weight: 400;">casas humildes</span></a><span style="font-weight: 400;"> revelam tanto as dificuldades econômicas quanto a força e a beleza de um povo resistente. A fotografia, sempre cuidadosa, valoriza os detalhes culturais e transforma cada plano em uma imersão na vida sertaneja.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já o roteiro se destaca pela inteligência e pelo equilíbrio entre humor e crítica. Os diálogos espirituosos, que mesclam poesia com linguagem popular, dão ritmo à narrativa e aproximam o público da cultura regional. Situações absurdas e mal-entendidos garantem risadas, mas também abrem espaço para reflexões sobre</span><a href="https://vendoteatro.com/criticas/sobre-a-moral-e-os-bons-costumes-critica-de-o-auto-da-compadecida/2020/02/13/"><span style="font-weight: 400;"> moralidade</span></a><span style="font-weight: 400;">, justiça e religião, usando o riso como ferramenta para questionar preconceitos e hierarquias sociais.</span></p>
<figure id="attachment_35964" aria-describedby="caption-attachment-35964" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-35964" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-2.jpg" alt="Imagem de uma cena teatral com dois personagens em trajes elaborados. Um personagem, representada pela Compadecida, veste uma túnica azul com detalhes brancos e vermelhos, segurando o rosto do outro personagem. O segundo personagem, representado por Jesus, está vestido com uma túnica branca adornada com ouro e um coração vermelho no peito, usando uma coroa de espinhos. O fundo é amarelo com ornamentos arquitetônicos, sugerindo um ambiente de palco." width="750" height="375" /><figcaption id="caption-attachment-35964" class="wp-caption-text">A obra foi a primeira produção realizada integralmente pela Globo Filmes, desde a concepção da ideia até sua execução (Foto: Diocese de Crato)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O desfecho, por sua vez, surpreende pela carga simbólica. Fé, justiça e humanidade se encontram na figura da Compadecida, interpretada por Fernanda Montenegro, que representa misericórdia e equilíbrio diante das falhas humanas. A jornada de João Grilo e Chicó se encerra com valores de astúcia, solidariedade e compaixão, num final que mistura emoção, crítica social e </span><a href="https://pt.linkedin.com/pulse/n%C3%A3o-sei-s%C3%B3-que-foi-assim-um-breve-passeio-pela-obra-de-silva-7iynf"><span style="font-weight: 400;">comédia refinada</span></a><span style="font-weight: 400;"> – deixando no espectador a sensação de encantamento e reflexão duradoura.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Considerado um marco do </span><a href="https://infograficos.oglobo.globo.com/cultura/top10-filmes-brasileiros.html"><span style="font-weight: 400;">cinema brasileiro</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Auto da Compadecida</span></i><span style="font-weight: 400;"> permanece vivo no imaginário coletivo. Sua mistura de comédia, drama e fantasia consegue ser leve e profunda ao mesmo tempo, enquanto revela um retrato afetuoso e crítico do povo nordestino. Produzida como minissérie em 1998 na </span><i><span style="font-weight: 400;">Rede Globo</span></i><span style="font-weight: 400;">, a produção fez tanto sucesso que ganhou versão para o cinema, com 100 minutos a menos que a original. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2024, a obra ganhou uma continuação – </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-auto-da-compadecida-2-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Auto da Compadecida 2</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A estreia do novo filme confirma a força e o impacto duradouro da criação de Ariano Suassuna. Passados 25 anos do lançamento original, a história segue emocionante e necessária, ao tratar de temas universais como desigualdade, fé, justiça e sobrevivência, que continuam a dialogar intensamente com a sociedade brasileira.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="O Auto da Compadecida 2 | Trailer Oficial" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/ke4x5ywVhiw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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