Kendrick Lamar venceu

Kendrick Lamar se apresenta no Grammy
Kendrick Lamar se apresenta no Grammy

Nilo Vieira

O Grammy, assim como o seu primo cinematográfico, é uma premiação criada e controlada pelos mais ricos executivos da indústria cultural. Um evento que depende de, vende e reforça anualmente os mesmos padrões sonoros e estéticos que lhe são convenientes – e tome cantoras despejando vocalizações pomposas, cantores requentando músicas manjadas para homenagear artistas consagrados, dentre outros pedantismos -, impondo escolhas comercialmente viáveis como o crème de la crème artístico. Com o mínimo de apuro crítico, tamanho elitismo cultural é perceptível a olho nu, até porque não se trata de um fenômeno recente. Continue lendo “Kendrick Lamar venceu”

O tempo e espaço de David Bowie

1967 eve fraser

Bonitinho, mas ordinário: capa da estreia pouco chamativa de Bowie (Foto: Eve-Fraser Corp)

Nilo Vieira

Quem ouviu a estreia homônima de David Bowie em 1967 jamais poderia imaginar que o músico iria longe. As canções não eram ruins, mas absolutamente nada no disco – incluindo até elementos menores, como o penteado de Bowie e a fonte utilizada para escrever seu nome na capa – ia além dos padrões do rock sessentista inglês: levemente psicodélico, flertes com a música folk, bom mocismo serelepe. Tudo aquilo que vinha sendo feito na terra da rainha há anos, e de maneira mais refinada por grupos como Love e Beatles.

Continue lendo “O tempo e espaço de David Bowie”