Pavement e o impulso para seguir em frente

screw the RIAA (não fui eu que botei isso aí mas concordo)

Nilo Vieira

Discutir música é um negócio complicado, seja pelo nível de abstração da arte ou pelo quão obsessivo (tradução: mala) você seja em relação ao assunto; “música é difícil de explicar porque ela é muito fácil de se entender”. Não sei se é uma citação real, mas faz sentido o suficiente: às vezes, exercícios solitários acerca da arte são mais proveitosos do que discussões coletivas. Se divertir com as próprias interpretações é um belo alimento pro ego e divertidíssimo, afinal. Continue lendo “Pavement e o impulso para seguir em frente”

Melhores discos de Junho/2017

Divine, em uma clássica cena de Pink Flamingos (1972)
Divine, em uma clássica cena de Pink Flamingos (1972)

Adriano Arrigo, Gabriel Leite Ferreira, Matheus Fernandes e Nilo Vieira

Em sintonia com as comemorações LGBTQ+, a curadoria de junho está bem mais colorida em relação ao mês anterior. Não que os álbuns sejam todos serelepes e upbeat – afinal, como a foto acima sugere, o niilismo também é cada dia mais universal -, mas a paleta está bastante diversificada. Temos opções de trilha para dançar loucamente e/ou para curtir com seu amorzinho no frio, como você pode conferir abaixo.

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Ziggy Stardust: há 45 anos, David Bowie entrava de vez para a história

Nilo Vieira

Bastante rústico e ainda obscuro ao grande público, o curta-metragem The Image (1967) é uma produção peculiar na carreira de David Bowie. Primeira aparição do camaleão no cinema, o filme dirigido por Michael Armstrong já mostrava o cantor no papel que marcaria sua trajetória: uma entidade fantástica – bem antes das fábulas de Major Tom no espaço sideral e indagações sobre a existência de vida em Marte. Continue lendo “Ziggy Stardust: há 45 anos, David Bowie entrava de vez para a história”

Melhores discos de Maio/2017

kid vinil

Adriano Arrigo, Gabriel Leite Ferreira, Matheus Fernandes e Nilo Vieira

O ícone grunge Chris Cornell cometeu suicídio, e dois dias depois o lendário Kid Vinil (fotografado acima) faleceu. A chuva veio forte em Bauru, e o céu escureceu. É, maio foi mesmo um mês cinzento, e isso se refletiu até nas capas de nossa seleção mensal. Felizmente, o conteúdo é variado e abrangente o suficiente pra ninguém se deixar abater com essa nuvem negra. Aqui vão as nossas escolhas:

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Slowdive no Balaclava Fest: das demoras que valem a pena

Jovens tímidos da década de 90: Scott, Nick, Rachel, Chris e Neil
Jovens tímidos da década de 90: Scott, Nick, Rachel, Chris e Neil

Nilo Vieira

Após a estreia com Just For a Day (1991), o Slowdive levou dois anos para colocar a obra-prima Souvlaki (1993) na praça. Para os parâmetros atuais não parece muito tempo, mas muita coisa aconteceu nesse meio tempo: o relacionamento entre os vocalistas Neil Halstead e Rachel Goswell acabou, os parceiros de gravadora My Bloody Valentine quase levaram a Creation Records à falência com Loveless (1991) e a imprensa já esnobava o shoegaze – enquanto o grunge atingia seu ápice na América do Norte, o britpop começava a ganhar força na terra da rainha. Os resultados vieram catastróficos, com avaliações agressivas (“Slowdive? More like slow death!”, “Eu odeio o Slowdive mais que Hitler” e afins) e shows praticamente vazios. Continue lendo “Slowdive no Balaclava Fest: das demoras que valem a pena”

Melhores discos de Abril/2017

gatodj2

Adriano Arrigo, Gabriel Leite, Matheus Fernandes e Nilo Vieira.

De volta do recesso com os dois pés no peito! Esprememos até a última gota, inclusive nos feriados, para trazer a seleção mais top possível. Ainda que a safra do mês anterior tenha sido mais empolgante, abril trouxe alguns dos discos mais aguardados no mainstream, além de pepitas underground. Cá vão nossos favoritos: Continue lendo “Melhores discos de Abril/2017”

DAMN: a era de Kendrick Lamar continua

 

kenny

Nilo Vieira

Em uma análise acerca de diferentes carreiras musicais elogiadas por crítica e público, algumas características em comum são encontradas. Reinvenção, consistência, alcance fora de seu nicho de origem, capacidade de extrapolar seu trabalho além do som. Poder de performances ao vivo, o modo como personas públicas se traduzem (ou se fragmentam) na arte, importância social e, claro, qualidade – um aspecto que é tão subjetivo como não é. Continue lendo “DAMN: a era de Kendrick Lamar continua”