O Regresso: bonito de se ver, mas só uma vez

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Nilo Vieira

As expectativas para a estreia de “O Regresso” eram enormes: o diretor era ninguém menos que o grande vencedor do Oscar 2015 Alejandro Iñárritu, e o protagonista do longa-metragem, Leonardo DiCaprio, muito querido pelo público cinéfilo. Antes mesmo da estreia no circuito comercial dos Estados Unidos, o site Consequence of Sound elegeu a performance de DiCaprio no filme como a melhor de sua carreira e, em entrevista ao Financial Times, Iñárritu declarou que sua nova obra-prima merecia ser vista em templos e que não se encaixava em nenhum gênero cinematográfico – em especial, rejeitou a classificação de “O Regresso” como um faroeste revisionista. O hype estava formado, e com força total.

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Kendrick Lamar venceu

Kendrick Lamar se apresenta no Grammy
Kendrick Lamar se apresenta no Grammy

Nilo Vieira

O Grammy, assim como o seu primo cinematográfico, é uma premiação criada e controlada pelos mais ricos executivos da indústria cultural. Um evento que depende de, vende e reforça anualmente os mesmos padrões sonoros e estéticos que lhe são convenientes – e tome cantoras despejando vocalizações pomposas, cantores requentando músicas manjadas para homenagear artistas consagrados, dentre outros pedantismos -, impondo escolhas comercialmente viáveis como o crème de la crème artístico. Com o mínimo de apuro crítico, tamanho elitismo cultural é perceptível a olho nu, até porque não se trata de um fenômeno recente. Continue lendo “Kendrick Lamar venceu”

O tempo e espaço de David Bowie

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Bonitinho, mas ordinário: capa da estreia pouco chamativa de Bowie (Foto: Eve-Fraser Corp)

Nilo Vieira

Quem ouviu a estreia homônima de David Bowie em 1967 jamais poderia imaginar que o músico iria longe. As canções não eram ruins, mas absolutamente nada no disco – incluindo até elementos menores, como o penteado de Bowie e a fonte utilizada para escrever seu nome na capa – ia além dos padrões do rock sessentista inglês: levemente psicodélico, flertes com a música folk, bom mocismo serelepe. Tudo aquilo que vinha sendo feito na terra da rainha há anos, e de maneira mais refinada por grupos como Love e Beatles.

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