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	<title>Arquivos Nicole Rüthers &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Persona Entrevista: Joscha Bongard</title>
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		<pubDate>Thu, 27 Nov 2025 13:00:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O diretor alemão comentou sobre o processo de criação de seu novo filme Babystar em sua primeira vez no Brasil Mariana Bezerra  Quando se pensa em um longa sobre família, é possível que venha à mente uma imagem romântica e afetuosa de pessoas com laços parentescos vivendo em harmonia, ou, pelo menos, lidando com conflitos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/persona-entrevista-joscha-bongard/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Persona Entrevista: Joscha Bongard"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">O diretor alemão comentou sobre o processo de criação de seu novo filme </span><i><span style="font-weight: 400;">Babystar </span></i><span style="font-weight: 400;">em sua primeira vez no Brasil</span></p>
<figure id="attachment_36491" aria-describedby="caption-attachment-36491" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-36491" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image4-5-800x450.jpg" alt="Card gráfico de entrevista em estilo editorial. No fundo, um padrão abstrato em tons de verde escuro e turquesa cria ondas fluidas que remetem a gravuras japonesas. À esquerda, aparece o logotipo em forma de olho e os textos “Persona Entrevista” e “49ª Mostra Internacional de Cinema – São Paulo Int’l Film Festival”. À direita, dentro de um enquadramento de bordas arredondadas, há o retrato de um homem branco de cabelos castanhos, que utiliza uma blusa branca e está segurando as mãos. Ele está sentado em uma poltrona vermelha e olha para frente." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image4-5-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image4-5-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image4-5-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image4-5-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image4-5-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image4-5.jpg 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36491" class="wp-caption-text">Joscha veio para o Brasil para a divulgação do seu novo filme, que concorreu na categoria de Novos Diretores na 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Arte: Arthur Caires)</figcaption></figure>
<p><b>Mariana Bezerra </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando se pensa em um longa sobre família, é possível que venha à mente uma imagem romântica e afetuosa de pessoas com laços parentescos vivendo em harmonia, ou, pelo menos, lidando com conflitos que consideramos inerentes à vivência humana. No entanto, Joscha Bongard resolveu falar sobre essa temática em </span><a href="https://personaunesp.com.br/babystar-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Babystar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2025) sob uma outra perspectiva.</span></p>
<p><span id="more-36483"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E se você tivesse nascido com pais influencers em uma realidade completamente exposta e voltada para o lucro? Quais outros dilemas podem surgir nesse cenário construído para atrair seguidores? Aqui, Joscha e Nicole Rüthers, co-roteirista, se aproveitaram da realidade na qual vivemos, em que as redes sociais, as câmeras e as </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/vert-fut-47625592"><span style="font-weight: 400;">‘vidas de aparências’</span></a><span style="font-weight: 400;"> tomaram um grande espaço para mergulhar em como isso poderia se manifestar em uma esfera mais íntima.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O estreante no universo dos longas ficcionais parecia extasiado com a experiência de trazer a produção para a América Latina pela primeira vez, e por conhecer o nosso país. Ele compartilhou com o Persona o processo de criação da obra, que estreou na </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/49a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;"> e já percorreu outros festivais e cidades como </span><a href="https://tiff.net/films/babystar"><span style="font-weight: 400;">Toronto</span></a><span style="font-weight: 400;">, Berlim e Zurique. Apesar da universalidade do tema, o cineasta comentou que as reações fora da Europa e, especificamente, no Brasil, pareceram mais intensas. “</span><b><i>É muito interessante sempre ir ao cinema e ouvir as reações das pessoas, e isso é a melhor experiência que você pode ter com um filmador, porque nós fazemos filmes para as pessoas, e quando elas gostam de se relacionar com o filme, é uma coisa linda</i></b><span style="font-weight: 400;">”, afirma o diretor. </span></p>
<figure id="attachment_36485" aria-describedby="caption-attachment-36485" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36485" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-23-800x390.png" alt="Cena do filme Babystar: À esquerda, um homem de cabelo longo preso em um coque olha para uma tela. No centro, Luca, uma mulher branca e loira, de vestido vermelho amarrado ao pescoço, tira uma selfie com o celular, enquanto sua mãe, à direita, também branca e loira em um conjunto rosa, fotografa a cena com o celular. Todos estão sentados em uma mesa de jantar elegante, iluminada por luz amarela suave, com taças, guardanapos dobrados e cortinas de tons claros." width="800" height="390" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-23-800x390.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-23-1024x500.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-23-768x375.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-23-1536x750.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-23-1200x586.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-23.png 2000w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36485" class="wp-caption-text">A narrativa de Babystar é centrada na relação familiar dos influenciadores (Foto: Lise Lotte Films)</figcaption></figure>
<p><b>Por que vocês decidiram que a família seria o centro e não apenas parte dessa narrativa?</b></p>
<p><b>Joscha Bongard: </b><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu acho que é importante chegar ao cerne humano da história e encontrar coisas que muitas pessoas poderiam se conectar. Nós todos conhecemos famílias, porque todos crescemos em uma ou na ausência dela. Nós (eu e </span></i><a href="https://mubi.com/en/cast/nicole-ruthers"><i><span style="font-weight: 400;">Nicole</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">) queríamos mostrar essa dinâmica e queríamos que isso fosse o pano de fundo emocional dessa história</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span><i><span style="font-weight: 400;">.</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após a sessão do longa no Instituto Moreira Salles, Joscha cumprimentou a todos que se aproximavam para elogiar e comentar sobre o filme. Nem nesse momento, nem durante a entrevista, ele carregava a pompa de um diretor internacional em um festival de cinema, mas sim a gratidão de um </span><a href="https://personaunesp.com.br/persona-entrevista-lina-chamie/"><span style="font-weight: 400;">cineasta</span></a><span style="font-weight: 400;"> que parece estar se divertindo e aproveitando ao máximo essa jornada. </span></p>
<p><b>Há uma discussão muito forte no filme sobre a aparência dos personagens. No caso de Luca, a adolescente, ela chega a ser questionada sobre seu peso. Para as mulheres, a pressão estética se torna ainda maior. Como foi o processo de escrever sobre esses temas juntamente com uma mulher</b><span style="font-weight: 400;">?0</span></p>
<p><b>Joscha Bongard: </b><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Nós chegamos a pensar em escrever o personagem principal como um menino, mas as mulheres são ainda mais julgadas e sexualizadas, e também vendem mais online. Então, desde o início foi importante escrever com uma mulher, porque eu tenho as minhas experiências e pensei que fosse importante escrever com alguém, já que como um homem, eu não sei todas as coisas que as mulheres sabem</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span><i><span style="font-weight: 400;">.</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De fato, essa foi uma decisão acertada; entre os problemas com os quais a protagonista lida, muitos deles estão associados a sua </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-substancia-critica/"><span style="font-weight: 400;">imagem</span></a><span style="font-weight: 400;">, que é tão exposta e escancarada nas redes desde o início de sua vida. A partir dessa parceria entre a dupla, </span><i><span style="font-weight: 400;">Babystar</span></i><span style="font-weight: 400;"> constrói um retrato doloroso de assistir de uma jovem garota que está perdendo sua juventude e sacrificando a sua saúde mental pela atenção dos pais e sucesso nas redes sociais.</span></p>
<figure id="attachment_36484" aria-describedby="caption-attachment-36484" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36484" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-24-800x400.png" alt=" Lucas, uma menina branca de cabelos loiros aparece deitada de braços abertos em um chão vermelho. Ela veste uma camisa larga azul e amarela." width="800" height="400" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-24-800x400.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-24-1024x512.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-24-768x384.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-24.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36484" class="wp-caption-text">Luca (Maja Bons) encarna uma adolescente que cresceu em uma realidade de constante disputa da atenção dos pais com os seus seguidores (Foto: LIse Lotte Films)</figcaption></figure>
<p><b>Por que a personagem escolhida para confrontar esse sistema imposto por seus pais foi uma, especificamente, uma adolescente?</b></p>
<p><b>Joscha Bongard: </b><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Se você está crescendo nessa família que é quase um culto, você não sabe realmente como seria ter uma vida normal. Se ela fosse mais nova, ela não pensaria tanto sobre esse sistema. Nós pensamos em duas possibilidades para o final; por um lado, é uma garota de 16 anos. Nós queríamos que ela saísse desse mundo e, para isso, ela precisaria ter uma determinada idade</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span><i><span style="font-weight: 400;">.</span></i></p>
<p><b>A relação entre Luca e seus pais é muito delicada. O que vocês pensaram ao construir esses personagens: eles tinham noção sobre o quão destrutiva era a dinâmica entre eles?</b></p>
<p><b>Joscha Bongard</b><i><span style="font-weight: 400;">: </span></i><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Nós sempre tentamos não mostrá-los como vilões, mas todo mundo que leu o roteiro os odiaram. Eu os amo. Você tem que amar os seus personagens. A vida deles os fez quem eles são. Claro que eles estão fazendo algo incorreto tirando vantagem da própria filha, mas acho que todo mundo tenta criar algo positivo e eu realmente penso que eles acreditam que criaram algo incrível. Eles conhecem uma vida anterior, porque antes não tinham muito dinheiro</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span><i><span style="font-weight: 400;">. </span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante a história, percebe-se que a questão </span><a href="https://istoedinheiro.com.br/a-responsabilidade-dos-influenciadores-por-tras-das-redes-sociais"><span style="font-weight: 400;">financeira</span></a><span style="font-weight: 400;"> era algo essencial para os pais de Luca, não apenas em se tratando de luxo ou ostentação. Os personagens fazem menções à vida antes do trabalho da internet e ressaltam como a filha nasceu em uma realidade privilegiada. </span></p>
<p><b>Anteriormente, você trabalhou com criadores de conteúdo do Youtube. Teve algo nessa experiência que o alarmou e o inspirou a fazer Babystar?</b></p>
<p><b>Joscha Bongard:</b><span style="font-weight: 400;"> “</span><i><span style="font-weight: 400;">O que me chamou atenção foi que todos eles eram muito novos e que todos eles tiveram um ótimo sustento disso (do trabalho com Youtube). É muito bom que as pessoas tenham essa chance de ascender socialmente e ganhar mais dinheiro do que poderiam normalmente. Mas, por outro lado, ser influenciador é um trabalho 24 horas por dia, 7 dias da semana. Tudo o que você vê e vive, tem que virar conteúdo. Eu penso que essa experiência foi essencial para Babystar e para Porninfluencer</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span><i><span style="font-weight: 400;">. </span></i></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Babystar</span></i><span style="font-weight: 400;"> veio a calhar muito bem no contexto sócio-político brasileiro, uma vez que o ano de 2025 foi marcado pela discussão da adultização de crianças e adolescentes nas redes sociais, o que abriu espaço para reflexão a respeito da exposição desses jovens, de maneira geral, nas mídias. Nesse sentido, o longa parece cada vez mais próximo da realidade. Até porque, como explica </span><a href="https://mubi.com/en/cast/joscha-bongard"><span style="font-weight: 400;">Bongard</span></a><span style="font-weight: 400;">, a obra surgiu a partir das cenas reais que observou.</span></p>
<figure id="attachment_36486" aria-describedby="caption-attachment-36486" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36486" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-11-800x678.jpg" alt="Joscha Bongard, um homem branco de cabelo escuro veste uma camisa preta. Ao seu lado, está uma mulher branca de cabelo escuro segurando um microfone. Eles estão em uma sala de cinema e ao fundo aparece a tela com a ilustração e logo da 49ª edição da Mostra." width="800" height="678" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-11-800x678.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-11-1024x868.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-11-768x651.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-11-1536x1302.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-11-1200x1018.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-11.jpg 1999w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36486" class="wp-caption-text">Joscha Bongard no início da sessão de Babystar no Instituto Moreira Salles ( Foto: Mariana Bezerra)</figcaption></figure>
<p><b>Você percebeu diferentes reações ao filme nos lugares em que percorreu com esse filme?</b><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><b>Joscha Bongard: </b><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu diria que a reação no Brasil foi incrível, e muitas pessoas gostaram. Claro, há sempre pessoas que podem não se relacionar com o filme. Diferentes pessoas têm diferentes visões, mas eu diria que, interessantemente, as reações europeias não são tão fortes do que fora da Europa, talvez porque nós usamos as redes sociais de maneiras diferentes do que nos EUA, ou no </span></i><a href="https://piaui.folha.uol.com.br/igualdades-redes-sociais-vicio-celular/"><i><span style="font-weight: 400;">Brasil</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, ou no Canadá</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span><i><span style="font-weight: 400;">.</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após a última sessão de </span><i><span style="font-weight: 400;">Babystar</span></i><span style="font-weight: 400;"> no festival, o diretor estava do lado de fora da sala interagindo com o público e perguntou “</span><i><span style="font-weight: 400;">As pessoas riram? Cada sessão é muito diferente</span></i><span style="font-weight: 400;">”. É um questionamento interessante, uma vez que a produção é carregada de situações que apelam para o ridículo e se tornam extremamente constrangedoras, que a transformam em uma sátira. Ainda assim, esses elementos não são necessariamente óbvios e são percebidos de formas diferentes por cada espectador. </span></p>
<p><b>E como você vem lidando com o uso das redes sociais ultimamente?</b></p>
<p><b>Joscha Bongard: </b><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Esse é um grande dilema, porque também dependo de promover o filme nas redes sociais. Mas, nos últimos anos tenho tentado ficar menos online, ler mais e focar mais em outras coisas. É claro que as redes sociais sempre foram algo muito importante na minha vida; conheci tantas pessoas nelas. No fim, apesar de achar que estamos em um momento muito ruim em relação a essas mídias, sempre há uma parte positiva. Sempre vai haver prós e contras</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8220;.</span></p>
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		<title>Babystar convida a rir do absurdo e implora para que ele não seja o novo normal</title>
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		<pubDate>Tue, 11 Nov 2025 13:00:21 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Mariana Bezerra  Babystar é um filme alemão independente, que estreou no Festival Internacional de Cinema de Toronto, em 2025. No Brasil, ele foi exibido, pela primeira vez, na 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo como integrante competitiva na categoria Novos Diretores. O longa de Joscha Bongard mergulha no universo das redes sociais e &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/babystar-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Babystar convida a rir do absurdo e implora para que ele não seja o novo normal"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><figure id="attachment_36254" aria-describedby="caption-attachment-36254" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36254" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Image-10-800x390.jpeg" alt="Cena do filme Babystar: À esquerda, um homem de cabelo longo preso em um coque olha para uma tela. No centro, Luca, uma mulher branca e loira, de vestido vermelho amarrado ao pescoço, tira uma selfie com o celular, enquanto sua mãe, à direita, também branca e loira em um conjunto rosa, fotografa a cena com o celular. Todos estão sentados em uma mesa de jantar elegante, iluminada por luz amarela suave, com taças, guardanapos dobrados e cortinas de tons claros." width="800" height="390" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Image-10-800x390.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Image-10-1024x500.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Image-10-768x375.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Image-10-1536x750.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Image-10-1200x586.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Image-10.jpeg 2000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36254" class="wp-caption-text">”Eu penso que o problema [nas redes sociais] é que todos pensam ser a pessoa mais importante do mundo”- Joscha Bongard para o Persona (Foto: Lise Lotte Films)</figcaption></figure><b>Mariana Bezerra </b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Babystar </span></i><span style="font-weight: 400;">é um filme alemão independente, que estreou no Festival Internacional de Cinema de Toronto, em 2025. No Brasil, ele foi exibido, pela primeira vez, na </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/49a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;"> como integrante competitiva na categoria Novos Diretores. O longa de Joscha Bongard mergulha no universo das redes sociais e dos </span><i><span style="font-weight: 400;">influencers </span></i><span style="font-weight: 400;">para construir a narrativa sobre uma família cuja vida íntima é completamente exposta, sem qualquer indício de privacidade. Com um orçamento extremamente limitado, Bongard mantém a câmera centralizada na casa desse núcleo familiar, que parece mais um estúdio do que um lar. Nela, os laços genuínos estão em guerra constante com o desejo e a necessidade de performar.</span></p>
<p><span id="more-36253"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Todo o enredo que constrói essa relação da família e simultaneamente a sua relação com seus seguidores, parece absurdo. No entanto, ele escancara bastidores dos conteúdos que os usuários consomem todos os dias. Há também uma combinação precisa entre roteiro (Joscha Bongard e Nicole </span><span style="font-weight: 400;">Rüthers</span><span style="font-weight: 400;">) e edição (Emma Holzapfel e Wolfgang Purkhauser),</span> <span style="font-weight: 400;">que satirizam a rotina exposta nas redes sociais. Nelas, vemos </span><a href="https://forbes.com.br/forbessaude/2025/07/como-o-vicio-em-videos-curtos-esta-reprogramando-seu-cerebro/"><span style="font-weight: 400;">vídeos curtos</span></a><span style="font-weight: 400;">, dinâmicos e perfeitamente editados que transformam atos corriqueiros, como uma simples troca de roupa em uma coreografia. </span><span style="font-weight: 400;">No filme, o público tem contato com o momento em que câmera é posicionada no ambiente e fica perceptível que ela se comporta como uma intrusa, que ganhou espaço demais e que interrompe atividades cotidianas e o que poderiam ser momentos genuínos de conexão entre familiares. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A relação entre os pais e a adolescente se confunde com a de dois chefes e com uma funcionária, uma vez que a menina já nasceu nessa condição de influenciadora. Nesse sentido, a parceria de roteiro entre o diretor e </span><a href="https://mubi.com/pt/cast/nicole-ruthers"><span style="font-weight: 400;">Nicole Rüthers</span></a><span style="font-weight: 400;"> explora muito bem a noção financeira por trás dessa dinâmica. Enquanto seus pais viveram a realidade sem privilégios de patrocínios e de publicidade, Luca nasceu em uma realidade materialista, repleta de mordomias, contudo, que tem um custo. Ainda sobre a co-autoria, Bongard comentou, em entrevista ao Persona, que era essencial que Luca fosse uma mulher criada também por uma mulher, para que o longa pudesse mergulhar com segurança em temas como </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-substancia-critica/"><span style="font-weight: 400;">padrões de beleza</span></a><span style="font-weight: 400;"> e os atravessamentos de gênero na era digital.</span></p>
<figure id="attachment_36255" aria-describedby="caption-attachment-36255" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36255" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Image-07-11-25-at-17.57-800x431.jpeg" alt="Cena do filme mostra, uma adolescente branca de cabelo loiro segurado por uma faixa preta enquanto usa uma máscara transparente na pele, que está avermelhada. Seu olhar é melancólico e desanimado. Ao fundo, tons azulados são evidentes em meio as cortinas. " width="800" height="431" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Image-07-11-25-at-17.57-800x431.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Image-07-11-25-at-17.57-1024x552.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Image-07-11-25-at-17.57-768x414.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Image-07-11-25-at-17.57-1200x646.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Image-07-11-25-at-17.57.jpeg 1476w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36255" class="wp-caption-text">Em Babystar, todo sacrifício vale a pena quando se trata de likes (Foto: Lise Lotte Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Pela perspectiva do roteiro e direção, o curso dessa história é naturalmente conturbado. No entanto, a desarmonia só é identificada na família quando os pais de Luca decidem ter outro filho e a menina se sente preterida, tanto pelo futuro irmão quanto pelo engajamento que ele vai gerar. A partir disso, a adolescente se revolta e a trilha sonora (Jonas Vogler) contribui para transmitir a carga sombria desse ambiente, por vezes com um efeito grave, que surge diversas vezes quando a câmera mostra a entrada da casa, e outras com os sons das relações sexuais dos pais que ecoam pela casa, personificando uma declaração de guerra à </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-adolescencia/"><span style="font-weight: 400;">adolescente</span></a><span style="font-weight: 400;">. Esse e outros aspectos constroem o início da indignação e revolta da jovem, o que se tornam nítidas por meio do olhar expressivo e da performance extremamente sensível de Maja, que interpreta a jovem Luca.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando a jovem recebe a notícia de que é uma</span><i><span style="font-weight: 400;"> “ex- filha única”</span></i><span style="font-weight: 400;"> – momento mediado por câmeras – o conflito se escala rapidamente. A reação instantânea da garota rende uma das melhores cenas, com ela se levantando da mesa do restaurante de alta classe, caminhando até o centro do salão e desamarrando seu vestido, se despindo completamente. Diante desse nítido caos psicológico enfrentado pela garota, a solução que o pai encontra é admitir que aquele ato de desespero é, também, uma performance. O homem aplaude o absurdo e apenas quando percebe que estava só em sua neurose, derruba o </span><a href="https://personaunesp.com.br/rede-de-odio-critica/"><span style="font-weight: 400;">celular</span></a><span style="font-weight: 400;"> de uma mulher que gravava sua filha. Aqui, a risada é garantida com uma sátira alcançada em seu primor.</span></p>
<figure id="attachment_36256" aria-describedby="caption-attachment-36256" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36256" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Image-11-800x400.jpeg" alt="Cena do filme Babystar. Três pessoas estão à beira de uma piscina azul, que está rodeada por uma área verde. Luca, uma adolescente branca e loira, está em pé, olhando para a mãe, uma mulher branca e loira, que está sentada na cadeira de praia olhando para o celular, ambas estão de biquíni, rosa e laranja, respectivamente. O pai, homem branco e loiro, está usando um calção laranja e segura um laptop." width="800" height="400" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Image-11-800x400.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Image-11-1024x512.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Image-11-768x384.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Image-11.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36256" class="wp-caption-text">Ao longo do filme, Luca passa a entender que, muito antes da ideia de ter um irmão, ela já competia intensamente pela atenção de seus pais (Foto: Lise Lotte Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A partir desse momento, a garota sai de casa, sem que haja um arco de redenção ou algo nesse sentido. Mesmo que distante, ela continua a viver dos privilégios da vida que seus pais criaram antes mesmo de seu nascimento – um aspecto que eles insistem em reforçar. Além disso, o distanciamento da família permite a ampliação de seus relacionamentos, como com a sua namorada ou com o recepcionista do hotel em que se hospeda, com o qual tenta criar, artificialmente, uma relação sexual e amorosa. Apesar de adquirir mais liberdade, essas conexões não se aprofundam em si, apenas esclarecem a dependência emocional de Luca e o pouco crescimento pessoal que ela teve diante da grande preocupação de seus pais, que eram outros tantos milhões de </span><a href="https://blog.amarelosaudemental.com.br/a-ilus%C3%A3o-das-redes-sociais"><span style="font-weight: 400;">seguidores</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A fragilidade da protagonista é pontualmente exposta, principalmente, quando o tema ’Inteligência Artificial’ é introduzido no longa. A figura de Luca passa a ser uma assistente virtual criada para ser amiga de seus seguidores. Cada um deles tem uma experiência personalizada, que varia de acordo com as interações com a IA. O ponto chave é que Luca parece ser a pessoa mais necessitada dessa amizade, e passa a se </span><a href="https://super.abril.com.br/sociedade/terapia-nos-tempos-de-ia/"><span style="font-weight: 400;">aconselhar</span></a><span style="font-weight: 400;"> consigo mesma através dessa tecnologia. É como se ela mesma fosse um corpo estranho, dissociado. </span></p>
<figure id="attachment_36257" aria-describedby="caption-attachment-36257" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36257" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Image-12.jpeg" alt="Trecho do filme em que Luca, uma adolescente branca, de cabelos loiros e olhos castanhos, está deitada no colo de uma mulher também branca e loira cujo rosto não aparece na imagem. Ambas estão vestindo um conjunto verde marinho de academia." width="640" height="360" /><figcaption id="caption-attachment-36257" class="wp-caption-text">“O problema das redes sociais é que o trabalho é 24 horas por dia, 7 dias por semana” &#8211; Joscha Bongard para o Persona (Foto: Lise Lotte Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em meio a tantos sentimentos perturbadores, Luca volta para casa e a recepção calorosa de seu pai parece ser um dos primeiros momentos felizes do filme a não ser capturado por uma lente armada. A câmera e os filtros desabam por poucos segundos, revelando o amor que vive entre eles. </span><span style="font-weight: 400;">Para o diretor, era importante que a história partisse do núcleo familiar, uma vez que ele costuma ser o pilar das conexões humanas.</span><span style="font-weight: 400;"> No entanto, logo tudo volta a ser como antes. O parto do irmão de Luca é transmitido ao vivo, assim como o seu foi, e acontece rodeado de propagandas, um reflexo do mundo do qual sua irmã começava a entender como uma </span><a href="https://www.camara.leg.br/noticias/1191275-SAIBA-MAIS-SOBRE-O-PROJETO-DE-COMBATE-A-EXPLORACAO-DE-CRIANCAS-EM-REDES-SOCIAIS"><span style="font-weight: 400;">problemática</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Segundo Joscha Bongard, a ideia de </span><i><span style="font-weight: 400;">Babystar</span></i><span style="font-weight: 400;"> surgiu a partir de sua experiência anterior com o documentário </span><i><span style="font-weight: 400;">Pornfluencer</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2024), no qual acompanhou a vida de um casal de influenciadores. Assim, o que os criadores realizaram não foi puramente sensacionalista, e sim realista, como toda sátira deve ser. Parece absurdo, contudo, é importante que o absurdo também seja dito e escancarado. </span><i><span style="font-weight: 400;">Babystar</span></i><span style="font-weight: 400;"> não fala apenas sobre uma família em particular, mas sobre uma </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/saude/brasileiros-que-passam-mais-tempo-nas-redes-sociais-sao-os-que-tem-ansiedade/"><span style="font-weight: 400;">sociedade</span></a><span style="font-weight: 400;"> inteira. Nesse sentido, quando Luca escapa com seu irmão – mesmo que incerta do futuro –, subentende-se que todos têm uma chance de fazê-lo também.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="BABYSTAR Trailer | TIFF 2025" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/91VQzLK2wAU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/babystar-critica/">Babystar convida a rir do absurdo e implora para que ele não seja o novo normal</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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