<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	
	xmlns:georss="http://www.georss.org/georss"
	xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#"
	>

<channel>
	<title>Arquivos Nhô Lau &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<atom:link href="http://personaunesp.com.br/tag/nho-lau/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/nho-lau/</link>
	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
	<lastBuildDate>Sat, 13 Mar 2021 16:28:36 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9.4</generator>

<image>
	<url>http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/cropped-icon-certo-cristo-32x32.png</url>
	<title>Arquivos Nhô Lau &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/nho-lau/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
<site xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">119746480</site>	<item>
		<title>Os 60 anos de Chico Bento e a religiosidade do Brasil profundo</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/chico-bento-60-anos/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/chico-bento-60-anos/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 13 Mar 2021 16:28:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Quadrinhos]]></category>
		<category><![CDATA[1961]]></category>
		<category><![CDATA[60 anos]]></category>
		<category><![CDATA[Aniversário]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil profundo]]></category>
		<category><![CDATA[Carol Dalla Vecchia]]></category>
		<category><![CDATA[Chico Bento]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Dona Cotinha]]></category>
		<category><![CDATA[Editora Panini]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Mateus Conte]]></category>
		<category><![CDATA[Mauricio de Sousa]]></category>
		<category><![CDATA[Mauricio de Sousa Produções]]></category>
		<category><![CDATA[MSP]]></category>
		<category><![CDATA[Nhá Belarmina]]></category>
		<category><![CDATA[Nhô Bento]]></category>
		<category><![CDATA[Nhô Lau]]></category>
		<category><![CDATA[Nobu Chinen]]></category>
		<category><![CDATA[Padre Lino]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://personaunesp.com.br/?p=18873</guid>

					<description><![CDATA[<p>Carol Dalla Vecchia e Mateus Conte A década de 60 no Brasil foi tortuosa. Naquela época, o país vivia uma crise política sem precedentes: a posse e repentina renúncia de Jânio Quadros abalava as bases democráticas da nação. Enquanto isso, a mil quilômetros do centro do planalto vazio, um ex-repórter policial iniciava uma das suas &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/chico-bento-60-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os 60 anos de Chico Bento e a religiosidade do Brasil profundo"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/chico-bento-60-anos/">Os 60 anos de Chico Bento e a religiosidade do Brasil profundo</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_18874" aria-describedby="caption-attachment-18874" style="width: 1197px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-18874" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-1.png" alt="Desenho de um quadro das histórias do Chico Bento. A personagem Chico Bento ajoelha-se, rezando e chorando, enquanto seus pais olham preocupados." width="1197" height="452" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-1.png 1197w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-1-300x113.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-1-1024x387.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-1-768x290.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18874" class="wp-caption-text">Desolado pela maldade humana, Chico (ch)orou (Foto: Chico Bento, 144ª Edição, Editora Globo, 1992)</figcaption></figure>
<p><b>Carol Dalla Vecchia e Mateus Conte</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A década de 60 no Brasil foi tortuosa. Naquela época, o país vivia uma crise política sem precedentes: a posse e repentina renúncia de </span><a href="https://www.historiadomundo.com.br/idade-contemporanea/governo-janio-quadros.htm"><span style="font-weight: 400;">Jânio Quadros</span></a><span style="font-weight: 400;"> abalava as bases democráticas da nação. Enquanto isso, a mil quilômetros do centro do planalto vazio, um ex-repórter policial iniciava uma das suas criações mais memoráveis.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Começos raramente são pomposos. Não foi diferente com o interiorano </span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Cultura/noticia/2018/05/mauricio-de-sousa-conheca-trajetoria-do-criador-da-turma-da-monica.html"><span style="font-weight: 400;">Mauricio Araújo de Sousa</span></a><span style="font-weight: 400;">, convidado pela conhecida </span><i><span style="font-weight: 400;">Cooperativa Agrícola de Cotia</span></i><span style="font-weight: 400;"> para desenvolver uma nova obra dos quadrinhos: os caipiras </span><a href="http://plantproject.com.br/novo/2020/10/roca-em-quadrinhos/"><span style="font-weight: 400;">Zezinho e Hiroshi</span></a><span style="font-weight: 400;">. Hiro, como é conhecido, representava os funcionários e familiares da </span><i><span style="font-weight: 400;">CooperCotia</span></i><span style="font-weight: 400;">, formada quase exclusivamente por </span><a href="https://skdesu.com/significado-nissei-sansei-yonsei-nikkei-issei/"><i><span style="font-weight: 400;">isseis</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">nisseis</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></a><span style="font-weight: 400;"> Dois anos depois, surgia o hoje famoso </span><a href="https://revistaogrito.com/papodequadrinho/2013/09/01/critica-um-chico-dois-universos/"><span style="font-weight: 400;">Chico Bento</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ou seja, ainda que Francisco Antônio Bento tenha surgido apenas em 1963, sua turma nasceu há exatos 60 anos. </span></p>
<p><span id="more-18873"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao contrário dos outros dois personagens, ele falava o linguajar típico da roça, talvez a </span><a href="https://www.normaculta.com.br/variacoes-linguisticas/#:~:text=Varia%C3%A7%C3%A3o%20lingu%C3%ADstica%20regional%20(diat%C3%B3pica),os%20falantes%2C%20sofrendo%20sua%20influ%C3%AAncia."><span style="font-weight: 400;">variante diatópica</span></a><span style="font-weight: 400;"> mais comum do nosso português, e rapidamente conquistou a identificação daquele público. Mauricio, cujos personagens figuravam apenas em páginas de jornais, retratava sempre o ambiente urbano em suas criações. No entanto, esse era o momento do quadrinista retomar suas próprias origens em Santa Isabel, Mogi das Cruzes e a bauruense Rua Araújo Leite, já conhecida de muitos de nós.</span></p>
<figure id="attachment_18875" aria-describedby="caption-attachment-18875" style="width: 2060px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-18875" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-2.png" alt="Desenho de Mauricio de Sousa diz: “É com essas coisas todas, tão humanas e brasileiras, que vamos fazer uma beleza de revista, gostosa de ler e de guardar! Que fale do lado simples do nosso povo, das minhas e das suas origens!”" width="2060" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-2.png 2060w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-2-300x105.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-2-1024x358.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-2-768x268.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-2-1536x537.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-2-2048x716.png 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-2-1200x419.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18875" class="wp-caption-text">Apenas em 1982 o caipirinha ganharia sua revista própria; assim, nascia não somente um novo personagem, mas um verdadeiro retrato do Brasil profundo (Foto: Chico Bento, 1ª Edição, Editora Abril, 1982)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Não foi apenas o cenário do Chico Bento que foi inspirado na infância do cartunista, mas também todas as suas temáticas: uma das principais é a valorização da família, representada por seus pais Nhô Bento e a Dona Cotinha. Ambos são muito trabalhadores e exigentes com a </span><a href="https://dialnet.unirioja.es/descarga/articulo/3201239.pdf"><span style="font-weight: 400;">educação</span></a><span style="font-weight: 400;"> de seu filho. Outro ponto importante é a </span><a href="https://sistemas.furg.br/sistemas/sab/arquivos/bdtd/0000010880.pdf"><span style="font-weight: 400;">preservação do meio ambiente</span></a><span style="font-weight: 400;">: mesmo que ele pesque, cace e roube goiabas do Nhô Lau, tudo é feito visando a subsistência. Temas como pesca predatória e desmatamento, por exemplo, são sempre abordados de forma negativa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por fim, o último ponto fulcral da obra caipira de Mauricio é a religiosidade da Vila Abobrinha e do próprio Chico, com destaque para o sacerdote católico Padre Lino. O frade, que por suas vestes e tonsura aparenta ser </span><a href="https://ofs-sp.org.br/2018/10/18/o-habito-marrom-franciscano/"><span style="font-weight: 400;">franciscano</span></a><span style="font-weight: 400;">, é o principal símbolo religioso dentro das histórias. Juntamente com os pais de Chico, </span><a href="https://personaunesp.com.br/dois-papas-critica/"><span style="font-weight: 400;">Pe. Lino</span></a><span style="font-weight: 400;"> representa a figura paterna da infância, isto é, a personagem procura estabelecer às crianças o que é correto e o que é errado, construindo os conceitos morais de cada um deles.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Este conceito é um retrato fiel do que entendemos por </span><a href="https://medium.com/@questtono/brasil-profundo-uma-realidade-distante-dos-grandes-centros-b8eff1546899"><span style="font-weight: 400;">Brasil profundo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Uma família simples, habitantes da zona rural, onde o pai trabalha na roça e a mãe é dona-de-casa; o filho frequenta a escola com seus amigos e namoradinha, mas não antes de passar por um bom caminho a pé. No final da semana, todos se encontram na igreja da vila.</span></p>
<figure id="attachment_18876" aria-describedby="caption-attachment-18876" style="width: 2470px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-18876" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-3.png" alt="História ilustrada em quadrinhos do Chico Bento. A imagem é composta por cinco quadrinhos. No primeiro, padre Lino aparece com as mãos juntas e os olhos fechados, rezando. No segundo, um grupo de fiéis no primeiro banco da igreja fazem o mesmo gesto. No terceiro, o sacerdote continua rezando, mas com foco na imagem atrás dele. No quarto, os fiéis surgem assustados, e no quinto o padre fica surpreso." width="2470" height="1861" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-3.png 2470w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-3-300x226.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-3-1024x772.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-3-768x579.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-3-1536x1157.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-3-2048x1543.png 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-3-1200x904.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18876" class="wp-caption-text">Padre Lino calmamente celebra a missa, mas, como é uma historinha, algo de errado teria de acontecer (Foto: Chico Bento, 57ª Edição, Editora Abril, 1984)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Vale dizer que a </span><a href="https://personaunesp.com.br/ate-o-ultimo-homem/"><span style="font-weight: 400;">religiosidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> é o que coordena as demais áreas da revista: os personagens agem segundo seus princípios; e estes, por sua vez, são formados pelos ensinamentos do padre Lino. Como de costume na </span><a href="https://institucional.ufrrj.br/portalcpda/files/2018/09/dissertacao_2007-Tha%C3%ADs-Coutinho.pdf"><span style="font-weight: 400;">roça daquela época</span></a><span style="font-weight: 400;">, o sacerdote também representa uma autoridade cultural na Vila Abobrinha: isto é perceptível nas histórias onde Frei Lino faz as vezes de professor de canto no coral litúrgico das crianças.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além do Padre Lino, não raramente o </span><a href="http://www.gelne.com.br/arquivos/anais/gelne-2002/artigos/01_teoria_e_analise_linguistica/artigo85.pdf"><span style="font-weight: 400;">próprio Deus</span></a><span style="font-weight: 400;"> aparece nas histórias. Quando isso acontece, ele sempre assume um papel protetor e que, ainda que por vezes pareça rigoroso, busca apenas trazer ensinamentos aos personagens. Do mesmo modo, o Diabo também teve algumas participações nos gibis: porém, de forma diametralmente oposta, ele pretende causar a doença, a desesperança e a morte. E, quando isso acontece, comumente há batalhas entre Deus e o demônio.</span></p>
<figure id="attachment_18877" aria-describedby="caption-attachment-18877" style="width: 1301px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18877" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-4.png" alt="História ilustrada em quadrinhos do Chico Bento. Na imagem, São Pedro aparece empunhando sua característica chave, dizendo frente ao demônio: “Basta, Lúcifer! Você não tem mais nada a fazer aqui!”, enquanto este, desolado, grita: “Nããããoooo...”" width="1301" height="962" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-4.png 1301w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-4-300x222.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-4-1024x757.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-4-768x568.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-4-1200x887.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18877" class="wp-caption-text">Como em toda boa história, no fim o bem sempre vence o mal (Foto: Chico Bento, 55ª Edição, Editora Abril, 1984)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, vale ressaltar que não foi apenas o catolicismo a figurar nas páginas das revistinhas do Chico. Em 1985, a história </span><i><span style="font-weight: 400;">O Rezador</span></i><span style="font-weight: 400;"> apresentou a idosa negra Nhá Belarmina, uma benzedeira que se denominava como Preta Véia. Nela, a senhora ensina a Chico Bento todo o seu conhecimento sobre rezas e benzimentos que ela havia recebido de seus antepassados, continuando a tradição oral de sua cultura.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Curioso em descobrir se aquelas preces tinham efeito, Chico resolve testá-las invocando o sobrenatural para amarrar o amor de sua namorada Rosinha. A reza, porém, funciona de forma exagerada e Rosinha age como se estivesse em hipnose. Resolvida a situação, a maior lição de Chico foi entender que todo o poder obtido deve ser usado com sabedoria e responsabilidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esta história demonstra que, embora o catolicismo tenha presença constante nas histórias da Vila Abobrinha, ainda há espaço para </span><a href="https://personaunesp.com.br/racionais-30-anos/"><span style="font-weight: 400;">outras religiões</span></a><span style="font-weight: 400;"> e para aprender valores importantes com elas. Nobu Chinen, doutor em Ciências da Comunicação, explicou no artigo científico </span><a href="https://drive.google.com/file/d/19096Pxdn9lGq4J7Nxt4uWUsPL3YtM13K/view"><i><span style="font-weight: 400;">A religiosidade afro-brasileira nos quadrinhos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> que no momento da publicação dessa história do Chico Bento, as religiões de matriz africana eram sempre representadas de forma negativa, </span><i><span style="font-weight: 400;">“capazes de interferir na realidade cotidiana, normalmente em benefício de interesses pessoais nem sempre louváveis ou como forma de obter poderes sobre-humanos”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_18878" aria-describedby="caption-attachment-18878" style="width: 948px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18878" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-5.png" alt="História ilustrada em quadrinhos do Chico Bento. A benzedeira Nhá Belarmina diz a Chico Bento, que está ajoelhado em sua frente: “Agora nhonhozinho sabe caji tudu das reza qui Preta Véia aprendeu”" width="948" height="638" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-5.png 948w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-5-300x202.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-5-768x517.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18878" class="wp-caption-text">Nhá Belarmina passa sua sabedoria para as gerações futuras (Foto: Chico Bento, 67ª Edição, Editora Abril, 1985)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, podemos dizer que se valer dos princípios religiosos para ensinar valores morais às crianças saiu de moda na </span><i><span style="font-weight: 400;">Mauricio de Sousa Produções</span></i><span style="font-weight: 400;">. Talvez em nome do </span><a href="https://www.significados.com.br/ecumenismo/"><span style="font-weight: 400;">ecumenismo</span></a><span style="font-weight: 400;">, a cada era que se passa menos vemos este tipo de história nos gibis: comum na </span><a href="https://www.abril.com.br/"><span style="font-weight: 400;">editora </span><i><span style="font-weight: 400;">Abril</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, raro na </span><a href="http://editoraglobo.globo.com/index.htm"><span style="font-weight: 400;">editora </span><i><span style="font-weight: 400;">Globo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e praticamente inexistente na </span><a href="http://collectibles.panini.com.br/home.html"><span style="font-weight: 400;">editora </span><i><span style="font-weight: 400;">Panini</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, onde a turminha é publicada até hoje.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Voltemos a onde partimos: nos anos 60, frente a um país em contínua instabilidade financeira, política e econômica, Mauricio se valeu da </span><a href="https://www.dicio.com.br/cosmovisao/"><span style="font-weight: 400;">cosmovisão religiosa</span></a><span style="font-weight: 400;"> para formar personagens verdadeiramente </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=aZ3tj3J__lI"><span style="font-weight: 400;">humanos</span></a><span style="font-weight: 400;">, colaborando para a preservação do imaginário de várias gerações e provendo a milhões de crianças tudo o que elas mais precisam: alegria e esperança.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/chico-bento-60-anos/">Os 60 anos de Chico Bento e a religiosidade do Brasil profundo</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/chico-bento-60-anos/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">18873</post-id>	</item>
	</channel>
</rss>
