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	<title>Arquivos Neil Druckmann &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>A segunda temporada de The Last of Us é um apocalipse estarrecedor, mas que tem medo de fogo</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Jun 2025 16:00:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Isabela Pitta Mesmo que o tempo ande a passos lentos ou corra com avidez, a vingança nasce e renasce no coração humano. A cada ciclo vingativo fechado, ao menos um novo é aberto e a humanidade se perde em desesperança. Apesar de a violência já ser esperada em um mundo apocalíptico, no fundo, as próprias &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/the-last-of-us-2a-temp-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A segunda temporada de The Last of Us é um apocalipse estarrecedor, mas que tem medo de fogo"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_35367" aria-describedby="caption-attachment-35367" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-35367" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image4-1-800x575.jpg" alt="Ellie é uma mulher branca de 19 anos com os cabelos morenos parcialmente presos em um coque. A mulher, localizada na extremidade direita da foto, utiliza uma blusa de frio preta e carrega, na mão esquerda, uma fonte de luz em formato de cano, que se assemelha a uma lanterna, apontada para o lado esquerdo do quadro. Ao lado esquerdo, fungos em formatos cilíndricos “agarram” um cadáver destruído e tomado pelo mesmo ser vivo, que é iluminado pela lanterna da personagem à direita. " width="800" height="575" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image4-1-800x575.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image4-1-1024x736.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image4-1-768x552.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image4-1.jpg 1080w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35367" class="wp-caption-text">A segunda temporada de The Last of Us diminui o ritmo do seriado (Foto: MAX )</figcaption></figure>
<p><b>Isabela Pitta</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo que o tempo ande a passos lentos ou corra com avidez, a vingança nasce e renasce no coração humano. A cada ciclo vingativo fechado, ao menos um novo é aberto e a humanidade se perde em desesperança. Apesar de a violência já ser esperada em um mundo apocalíptico, no fundo, as próprias pessoas são a principal fonte das atrocidades consideradas, desumanas. Porém, sem o ódio e o amor, o que sobra na essência humana? A segunda temporada de </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-last-of-us-1a-temp-critica/#google_vignette"><i><span style="font-weight: 400;">The Last Of Us</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> chegou, em abril deste ano, às telas dos assinantes da </span><i><span style="font-weight: 400;">MAX </span></i><span style="font-weight: 400;">com medo de mergulhar de cabeça na essência dual e complexa de Ellie. </span><span id="more-35365"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entretanto, os corações ansiosos dos fãs do universo distópico adaptado por Craig Mazin  tiveram que esperar mais de um mês para poder assistir à obra em sua completude, já que os poucos sete episódios foram lançados semanalmente aos domingos. Embora a franquia tenha prendido o público para um segundo ano, a audiência na estreia do primeiro episódio demonstra queda significativa até o capítulo final, mesmo que tenha registrado recordes na TV a cabo. O despencamento observado nos números se expande para os índices de </span><a href="https://www.rottentomatoes.com/tv/the_last_of_us/s02"><span style="font-weight: 400;">aprovação do público</span></a><span style="font-weight: 400;"> e não passa do reflexo de um roteiro que se depara com a própria ruína com o andar da história.</span></p>
<figure id="attachment_35370" aria-describedby="caption-attachment-35370" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-35370" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-2-640x800.jpg" alt="Ao lado esquerdo da imagem, existe uma claquete entreaberta com os números das tomadas que são gravadas no momento da foto e possui, na parte inferior do objeto, o nome do seriado, “The Last of Us” e “temporada 2”, escrito em inglês. Ao fundo, no lado direito da fotografia, Pedro Pascal, um homem chileno-americano com cabelos curtos, caracterizado de Joel, com um óculos no rosto, agasalhado com jaqueta de couro e cabelos grisalhos, interpreta o personagem da produção da MAX, que permanece sentado diante de uma mesa enquanto parece consertar algo com as mãos apoiadas sob a mesa. Atrás dele, há uma janela grande, iluminada por uma luz ensolarada." width="640" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-2-640x800.jpg 640w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-2-819x1024.jpg 819w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-2-768x960.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-2.jpg 1024w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35370" class="wp-caption-text">Pedro Pascal passa o protagonismo para Bella Ramsey na segunda temporada de The Last of Us (Foto: MAX )</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda que a pandemia global do fungo </span><i><span style="font-weight: 400;">Cordyceps </span></i><span style="font-weight: 400;">assole a realidade e sejam travadas eternas batalhas humanas em busca de poder, uma coisa é capaz de fazer a realidade ainda valer a pena: o amor. Os protagonistas, Joel (Pedro Pascal) e Ellie, no decorrer do primeiro arco do enredo, encontram, um no outro, a razão de viver após terem perdido tudo que os mantinha vivos. A garota, que ganha vida pela crua e intensa atuação de </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2025/04/23/bella-ramsey-desativou-redes-sociais.htm#:~:text=A%20atriz%20decidiu%20desativar%20as,ent%C3%A3o%20est%C3%A1%20tudo%20perfeitamente%20bem.%22"><span style="font-weight: 400;">Bella Ramsey</span></a><span style="font-weight: 400;">, após uma passagem de tempo entre as temporadas, é uma jovem adulta de 19 anos que se afasta cada vez mais do pai adotivo. Sem um motivo aparente, o relacionamento entre os personagens principais é intensamente cheio de mágoa e, ainda assim, marcado pelo silêncio. Nada é dito, mas tudo é sentido. Com rapidez, as desavenças tomam forma e ganham origem em um ato de brutalidade, seguido por uma afirmação desonesta. Há 5 anos, antes de firmarem as raízes na comunidade de Jackson, Joel massacrava sem piedade 19 pessoas em um hospital para salvar a menina que havia se tornado seu mundo. Cego pelo amor e pelo ódio, o protagonista do primeiro ano da série carrega um segredo, guardado a sete chaves: as atrocidades que cometeu. E se pudesse, &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">faria tudo de novo</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8220;. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com um </span><a href="https://rollingstone.com.br/entretenimento/the-last-of-us-o-que-significa-o-relogio-quebrado-de-joel/#google_vignette"><span style="font-weight: 400;">relógio quebrado</span></a><span style="font-weight: 400;"> no pulso, cabelos grisalhos, dores nas juntas e um óculos na ponta do nariz, Joel sente o tempo correr diante de seus olhos. Já que não pode consertar o relacionamento desgastado com a filha, parece buscar arrumar tudo ao redor, como disjuntores, uma janela ou um violão. Porém, no fim do dia, aguarda calmamente, vendo o tempo passar da varanda de casa, a única coisa que importa na vida: ver a filha regressar a salvo. A velhice o alcança rápido demais e as mágoas perduram até o tempo chegar ao fim. Os protagonistas se estranham e, ao mesmo tempo, vivem diante de espelhos. São iguais, faces de uma mesma moeda, mas com abismos de julgamentos e rancores que os distanciam física e emocionalmente. Quando cegos pela rotina, pela calmaria da vida ou por sentimentos repulsivos, os seres humanos esquecem que o tempo passa sem piedade e que, além disso, as consequências de cada escolha chegam na porta mais rápido do que imaginam. </span></p>
<figure id="attachment_35372" aria-describedby="caption-attachment-35372" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-35372" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image3-640x800.jpg" alt="Ao lado esquerdo da imagem, Isabela Merced, uma mulher peruana-americana com cabelos morenos presos em um coque e olhos castanhos, veste uma blusa de lã vermelha enquanto coloca os braços ao redor do pescoço de uma mulher branca, de maneira sensível e delicada, e estampa uma expressão de felicidade, acompanhada dos lábios cerrados em um sorriso largo. Já ao lado direito da composição, há Bella Ramsey que, com os braços de Isabela Merced ao redor do pescoço como em um abraço, olha para a parceira com um sorriso pequeno no rosto. A atriz de Ellie veste uma camisa xadrez azul e branca e permanece com os cabelos presos em um coque baixo. " width="640" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image3-640x800.jpg 640w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image3-819x1024.jpg 819w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image3-768x960.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image3.jpg 1080w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35372" class="wp-caption-text">Isabela Merced dá vida a Dina, o par romântico de Ellie durante a segunda parte da série (Foto: MAX)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A segunda temporada de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Last of U</span></i><span style="font-weight: 400;">s trata de temas profundos e complicados, tais como luto, vingança, violência e tempo. Entretanto, um roteiro amedrontado é o que guia o enredo para um desenvolvimento maçante e apressado. Com uma escolha tortuosa e difícil, </span><a href="https://personaunesp.com.br/cineclube-persona-junho-2019/"><span style="font-weight: 400;">Craig Mazin</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Neil Druckmann tiveram que contar o segundo momento da história de Joel e Ellie em apenas sete episódios. Os capítulos apresentam durações que variam entre 34 e 58 minutos e, apesar de enriquecer a trama com nuances e detalhes, a narrativa entra em encruzilhadas que desvalorizam a linha principal a ser contada. Novos nomes importantes são apresentados aos telespectadores, como Dina (</span><a href="https://personaunesp.com.br/alien-romulus-critica/"><span style="font-weight: 400;">Isabela Merced</span></a><span style="font-weight: 400;">), Jesse (Young Mazino) e Isaac (Jeffrey Wright), porém tudo soa fora de ordem e sem propósito, já que deixam a protagonista de Bella Ramsey de escanteio. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma garota que perdeu tudo, bem antes do que muitos considerariam justo e que reencontrou as graças da vida novamente em uma jornada que tinha como objetivo final o seu destino, seu propósito e sua morte. Ellie é imune e pagou preços altos por isso na própria trajetória. Ver pessoas morrerem por algo que não é capaz de lhe atingir e que, mesmo assim, seu sangue não é suficiente para salvar, da infecção, as pessoas que ama. A personagem principal perdeu a mãe durante o parto, assistiu a melhor amiga e primeira paixão se tornar um monstro, presenciou a morte de dois companheiros, fugiu habilidosamente de um homem </span><a href="https://auniao.pb.gov.br/noticias/colunistas/gi-com-tonica/the-last-of-us-exibe-episodio-visceral"><span style="font-weight: 400;">canibal pedófilo</span></a><span style="font-weight: 400;"> e salvou a vida do ‘pai’ mais de uma vez. No segundo ano, agora adulta, a protagonista perde a essência furtiva, violenta e sagaz para se tornar um fardo nos planos esquematizados por outros indivíduos. Em plena luz do dia ou na calada da noite, quem deveria ser a estrela do seriado precisa ser orientada e salva por coadjuvantes e pelo acaso. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As coincidências enfraquecem a adaptação, que conta com um enredo original minuciosamente pensado. Os </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=k6rPf_t1rv8&amp;pp=0gcJCdgAo7VqN5tD"><span style="font-weight: 400;">clichês</span></a><span style="font-weight: 400;"> entram em ação e os personagens andam à deriva e encontram, sem querer, seus objetivos; são derrubados por uma onda gigante e aparecem em uma ilha ao lado do barco que haviam perdido; dão tiros no escuro por impulso e acertam alvos que nem imaginavam. Não são pequenas eventualidades comuns e inofensivas, mas sim acontecimentos improváveis e inexplicáveis que tomam forma para que a trama prossiga. </span></p>
<figure id="attachment_35375" aria-describedby="caption-attachment-35375" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35375" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image6-640x800.jpg" alt="Ao lado esquerdo da imagem, Isabela Merced, interpreta Dina. Ela possui cabelos morenos soltos e uma touca nas cores azul vivo e laranja queimado. Ao lado esquerdo, com os cabelos grisalhos e jaqueta de frio com pelos no gorro, Pedro Pascal interpreta Joel. Ambos os personagens estampam feições preocupadas, com sobrancelhas franzidas e bocas entreabertas tensas. " width="640" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image6-640x800.jpg 640w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image6-819x1024.jpg 819w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image6-768x960.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image6.jpg 1080w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35375" class="wp-caption-text">A segunda temporada conquistou, de maneira geral, o coração da crítica e deixou a audiência decepcionada (Foto: MAX)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo que, em certos momentos, fique cega pela vingança, Ellie, com suporte das casualidades do roteiro, torna-se uma heroína injustiçada que comete atrocidades acidentalmente. Apesar da atriz dar vida com primor ao sentimento de angústia diante das atitudes da protagonista, a trama coloca panos quentes em momentos de tensão e violência. Com medo do fogo, os escritores tornam a segunda temporada de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Last of Us</span></i><span style="font-weight: 400;"> morna e, no fundo, distante de sensações vívidas e inquietantes, como a </span><a href="https://forbes.com.br/forbeslife/2023/02/quanto-custou-the-last-of-us-hbo-aposta-alto-na-serie/"><span style="font-weight: 400;">primeira produção</span></a><span style="font-weight: 400;"> entregou ao público. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se apenas o acaso fosse o responsável por defender a narrativa e a protagonista, o remédio seria menos pior de engolir. Contudo, em uma trama que deveria ser sobre </span><a href="https://personaunesp.com.br/adoraveis-mulheres-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">mulheres</span></a><span style="font-weight: 400;">, a história precisa que os homens salvem o dia. Uma personagem feminina que, originalmente, se apaixona pela melhor amiga, deixa o conforto de casa para executar uma vingança, assassina a sangue-frio quem cruza seu caminho, planeja, minuciosamente, suas ações e enfrenta uma missão suicida para aquietar a revolta e o vazio dentro do peito. A heroína que deveria carregar, na maior parte do tempo, a narrativa nas costas, precisa que homens viajem atrás dela para defendê-la dos monstros que enfrenta ao lado da amada. Além de vulnerável e indefesa, os criadores buscam reforçar, em todos os momentos, a incapacidade da protagonista, que leva broncas, é tratada como criança e tem atitudes desconexas com a personalidade e com a trama em si.</span></p>
<figure id="attachment_35371" aria-describedby="caption-attachment-35371" style="width: 618px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-35371" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image2-4.png" alt="Pedro Pascal, um homem chileno-americano com cabelos curtos, caracterizado de Joel, veste uma camiseta preta e usa um relógio no pulso esquerdo. Na mão esquerda, segura uma fita cassete pequena preta com adesivo branco e detalhes de arco-íris. O personagem se encontra deitado em um assento enquanto olha para o lado direito e oferece o objeto. O cenário é metálico, como uma cápsula." width="618" height="668" /><figcaption id="caption-attachment-35371" class="wp-caption-text">The Last of Us é um apocalipse que recorre a artistas de músicas das décadas de 1980 e 1990, como Pearl Jam e A-Ha (Foto: MAX)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os cenários da mega produção são vivos e carregam parte da história, seja de uma civilização morta que lutava por direitos de minorias e escutava músicas controversas, ou de duas garotas que enfrentam uma missão suicida para concretizar a solidão que encaram dentro de si. Enquanto caminham no cenário do fim do mundo, a dupla se encontra com o passado anacrônico e vislumbra momentos que, quando guardados na memória, dão sentido à vida e ao futuro. Mergulhar em uma nova paixão, andar em ruas desertas de uma remota vivência urbana agora tomada pelo tempo e pela natureza, ouvir melodias antigas saírem dos acordes de um instrumento conservado em meio ao caos, acordar ao lado de quem sabe seus piores segredos e, mesmo assim, não quer viver sem você. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nas sutilezas, a beleza da humanidade entra em conflito com os demônios que acometem o planeta. O </span><a href="https://butantan.gov.br/noticias/fungo-de-the-last-of-us-nao-e-perigoso-na-vida-real-e-alguns-do-mesmo-genero-sao-remedios"><span style="font-weight: 400;">Cordyceps</span></a><span style="font-weight: 400;">, com certeza, revela faces maléficas com uma maquiagem horripilantemente realista, mas as trombetas do apocalipse soam quando </span><a href="https://personaunesp.com.br/twd-10a-temporada-critica/"><span style="font-weight: 400;">comunidades humanas</span></a><span style="font-weight: 400;"> diferentes ocupam o mesmo espaço e, no dilema do ovo e da galinha, digladiam-se em um ciclo eterno de brutalidades. No contexto de uma pandemia fúngica e de um caos generalizado, a vivacidade de sentimentos traz à tona o melhor e o pior do ser humano. Entretanto, a série, se entrega aos momentos felizes e reluta em mergulhar de cabeça na depressão, no luto, no ódio e na vingança. Além do receio de concretizar uma protagonista brutal, vingativa e, em certos momentos, desumana, os mecanismos de aprofundamento da trama são mal aproveitados. Com uma primeira temporada louvável e tantas brechas temporais deixadas fora do alcance dos olhos do público, os </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=lqgceEqINPo"><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">são elementos poderosos para a segunda temporada.</span></p>
<figure id="attachment_35376" aria-describedby="caption-attachment-35376" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-35376 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/the-last-of-us-episodio-6-o-preco-2-temporada-800x451.webp" alt="Ellie, que ganha vida pela atuação de Bella Ramsey, está no lado esquerdo da imagem. Com os cabelos presos, uma camiseta listrada off white e vermelho queimado e uma expressão de dor estampada, enquanto mantém os olhos fechados e encosta a cabeça no ombro de Joel. Ele, ao lado direito da foto, veste uma camisa azul claro e usa o ombro como apoio e consolo para o sofrimento de Ellie. " width="800" height="451" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/the-last-of-us-episodio-6-o-preco-2-temporada-800x451.webp 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/the-last-of-us-episodio-6-o-preco-2-temporada-1024x578.webp 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/the-last-of-us-episodio-6-o-preco-2-temporada-768x433.webp 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/the-last-of-us-episodio-6-o-preco-2-temporada.webp 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35376" class="wp-caption-text">A segunda temporada de The Last of Us gerou polêmica nas redes sociais e Bella Ramsey, que foi alvo de ataques, desativou as redes sociais para não receber o ódio (Foto: MAX)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, com um roteiro apressado e preguiçoso, o encaixe das memórias permanece integralmente concentrado em um único episódio. Apesar das inúmeras referências subentendidas às lembranças de Ellie, as cenas retroativas não são encontradas em paralelo ao enredo como uma maneira explicativa e desenvolvida de adentrar a psiquê da garota, mas sim apenas como uma pausa narrativa para os telespectadores assistirem a trechos do passado em cores quentes por quase uma hora. Por melhor que sejam as atuações em dueto de Bella Ramsey e </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-mandalorian-3a-temporada-critica/"><span style="font-weight: 400;">Pedro Pascal</span></a><span style="font-weight: 400;">, o ritmo narrativo, que já enfrenta oscilações, simplesmente permanece estagnado para que uma sequência de recordações seja apresentada. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com poucos episódios, a dupla de escritores decide alternar entre calmaria e ansiedade para o desenvolvimento da história. Entretanto, a escolha de produzir apenas sete capítulos ganha tom controverso quando, em </span><a href="https://collider.com/the-last-of-us-series-length-season-3-showrunner-craig-mazin/"><span style="font-weight: 400;">entrevista</span></a><span style="font-weight: 400;">, o criador da narrativa afirma a necessidade de uma possível 4ª temporada. Além da história principal ter pouco tempo de tela, o enredo, muitas vezes, depara-se com construções desinteressantes e irrelevantes para a trama. Talvez com um controle de console nas mãos, as pequenas “</span><i><span style="font-weight: 400;">tasks</span></i><span style="font-weight: 400;">” façam sentido na lógica de jogo, porém, em uma constituição quase cinematográfica, construções paralelas de cinco minutos com começo, meio e fim são desgastantes e tiram o foco do que realmente importa. Novamente, os acontecimentos são desordenados e sem propósito, enquanto Ellie continua sem o devido palco para poder tocar os acordes estridentes de uma caminhada tortuosa que parece nunca ter fim. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A segunda temporada de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Last of Us</span></i><span style="font-weight: 400;">, apesar de contar com uma mega produção digna das grandes telonas, apresentar grandes atuações e tratar de temas densos e complexos, entrega, aos assinantes da </span><i><span style="font-weight: 400;">MAX</span></i><span style="font-weight: 400;">, um arco mediano e morno. A narrativa é sobre vingança, mas tudo é feito sem intenções. Os personagens são profundos e intensos, porém, os desenvolvimentos são soltos e sem propósito aparente. A história é cheia de referências e mensagens subliminares, contudo depende do acaso em situações decisivas. Ao som de Pearl Jam, a trama caminha aos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pxPbZ-dogT8"><span style="font-weight: 400;">dias futuros</span></a><span style="font-weight: 400;"> com medo de estabelecer Ellie como um ser dúbio que carrega dentro de si a perda daquilo que um dia foi o único motivo de querer estar viva. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="The Last Of Us - Temporada 2 | Trailer Dublado Oficial | Max" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/0vB2lHQim3Q?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Em The Last of Us, nós continuamos pela família</title>
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		<pubDate>Fri, 19 May 2023 19:20:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Oliveira F. Arruda e Nathália Mendes Ecoando sua celebrada minissérie Chernobyl, Craig Mazin nos inicia em The Last of Us com um prólogo: em um talk show dos anos 1960, acompanhamos um biólogo carismático (John Hannah) que avisa tanto o entrevistador (Josh Brener) quanto a plateia que o verdadeiro perigo para a extinção da &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/the-last-of-us-1a-temp-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em The Last of Us, nós continuamos pela família"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30909" aria-describedby="caption-attachment-30909" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30909" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/1-3.jpg" alt="Cena da primeira temporada de The Last of Us. Joel (Pedro Pascal) e Ellie (Bella Ramsey) estão no alto de um edifício em ruínas, olhando na direção da câmera para o nascer do Sol. Joel, à esquerda da tela, é um homem latino de meia idade, com cabelos curtos e barba preta, já com vários fios grisalhos. Ele usa uma jaqueta verde clara por cima de uma camisa cinzenta. Podemos ver as alças de uma mochila passando por seus ombros, além de uma alça transversal que vai de seu ombro esquerdo até sua cintura. Joel segura essa alça com sua mão esquerda, deixando exposto um relógio analógico preso em seu pulso. Ellie, à direita da tela, é uma menina caucasiana de cabelos negros presos em um rabo de cavalo. Ela usa uma jaqueta encapuzada aberta por cima de uma camiseta cinza-clara. Em seu ombro esquerdo, já uma lanterna tubular presa na alça de sua mochila, apontada para frente. A câmera os captura da cintura para cima, e atrás deles podemos ver edifícios arruinados, tomados por vegetação e caindo aos pedaços, e uma massa de água ainda mais ao fundo do horizonte." width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/1-3.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/1-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/1-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/1-3-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30909" class="wp-caption-text">“Não pode ser em vão” (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Oliveira F. Arruda e Nathália Mendes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ecoando sua celebrada minissérie </span><i><span style="font-weight: 400;">Chernobyl</span></i><span style="font-weight: 400;">, Craig Mazin nos inicia em </span><i><span style="font-weight: 400;">The Last of Us</span></i><span style="font-weight: 400;"> com um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=lA3gaTGT2EY"><span style="font-weight: 400;">prólogo</span></a><span style="font-weight: 400;">: em um </span><i><span style="font-weight: 400;">talk show</span></i><span style="font-weight: 400;"> dos anos 1960, acompanhamos um biólogo carismático (John Hannah) que avisa tanto o entrevistador (Josh Brener) quanto a plateia que o verdadeiro perigo para a extinção da raça humana não são vírus ou bactérias, mas os fungos. Quando questionado sobre o que aconteceria no evento destes organismos evoluírem para nos infectar, ele responde com um simples “</span><i><span style="font-weight: 400;">Nós perderíamos</span></i><span style="font-weight: 400;">”. E, pelas próximas nove semanas, fomos convidados a imaginar como seria um mundo onde é justamente isso o que aconteceu: nós perdemos.</span></p>
<p><span id="more-30908"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Baseada no aclamado </span><i><span style="font-weight: 400;">videogame</span></i><span style="font-weight: 400;"> de 2013, a nova série da </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO </span></i><span style="font-weight: 400;">é apenas a mais recente adição ao cânone de narrativas dedicadas à imaginar o que vem depois que o mundo acaba. Ao longo da última década, com a </span><a href="https://www.omelete.com.br/walking-dead/walking-dead-quebra-recordes-de-audiencia-pela-terceira-vez"><span style="font-weight: 400;">ascensão de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Walking Dead</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">na televisão norte-americana, entre outras produções, tivemos a popularização do </span><a href="https://www.avclub.com/15-best-post-apocalyptic-tv-shows-1850157129"><span style="font-weight: 400;">cenário pós-apocalíptico</span></a><span style="font-weight: 400;"> como um modelo para a formação de questionamentos pertinentes à natureza humana: o que acontece depois que nós “perdemos”? Quem nos tornamos quando não há mais o que salvar, quando as estruturas sociais estão irrevogavelmente arruinadas e agora é cada um por si? O quão mais obcecados podemos ficar pelo ator Pedro Pascal?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">The Last of Us</span></i><span style="font-weight: 400;">, a resposta a essas perguntas está na jornada de Joel (Pascal) e Ellie (Bella Ramsey) por um Estados Unidos devastado pela </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/cx795x3v7q0o"><span style="font-weight: 400;">infecção fúngica</span></a><span style="font-weight: 400;"> que destruiu todo o planeta 20 anos atrás, responsável por transformar a maior parte da população em monstros zumbificados e macabros. Ao longo de nove capítulos, testemunhamos personagens sofrendo perda atrás de perda, tragédias de proporções bíblicas e alegrias tão passageiras que sua mera existência se torna milagrosa. Até o final, somos relembrados repetidamente de que, nesse mundo, não há como vencer.</span></p>
<figure id="attachment_30915" aria-describedby="caption-attachment-30915" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30915" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/2.jpeg" alt="Cena da primeira temporada de The Last of Us. Joel (Pedro Pascal) segura sua filha, Sarah (Nico Parker) em seus braços. Os dois olham para frente, assustados, enquanto a câmera os captura da cintura para cima, em um plano médio. Joel é um homem latino de meia idade, com cabelos e barba pretos e curtos, usando uma camiseta acinzentada. Sarah é uma menina negra de cabelos pretos longos e encaracolados, usando uma camiseta rosa e uma calça jeans clara. Ela segura o ombro direito de Joel com sua mão esquerda, e podemos ver a mão esquerda de Joel, adornada com um relógio, segurando seu torso. A cena se passa à noite e, no plano de fundo, podemos distinguir apenas vagamente um campo aberto. Ambos personagens são iluminados por uma luz branca forte vindo de frente." width="1366" height="767" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/2.jpeg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/2-800x449.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/2-1024x575.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/2-768x431.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/2-1200x674.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30915" class="wp-caption-text">“Pode até não ser pai dela, mas foi pai de alguém” (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Após esse prólogo arrepiante, saltamos para 2003 e somos apresentados à família Miller, composta por Joel, sua filha Sarah (Nico Parker) e seu irmão Tommy (Gabriel Luna). Dirigido por Mazin, produtor executivo e co-</span><i><span style="font-weight: 400;">showrunner</span></i><span style="font-weight: 400;"> do seriado,</span> <span style="font-weight: 400;">o primeiro capítulo da temporada, </span><i><span style="font-weight: 400;">Quando Estiver Perdido na Escuridão</span></i><span style="font-weight: 400;">, é uma introdução não apenas ao apocalipse pessoal de seu protagonista, mas à característica fundamental da tragédia que parece perseguir todos aqueles que sobreviveram ao surto do fungo </span><a href="https://br.ign.com/the-last-of-us-the-series/105158/feature/the-last-of-us-quais-sao-os-estagios-dos-infectados"><i><span style="font-weight: 400;">Cordyceps</span></i></a><span style="font-weight: 400;">: a memória.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No decorrer dos episódios, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Last of Us </span></i><span style="font-weight: 400;">constrói uma linguagem de </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks</span></i><span style="font-weight: 400;"> que expandem a dimensão do luto da narrativa, originalmente restrita apenas à </span><a href="https://www.naughtydog.com/blog/the_last_of_us_ellie_and_joe_story_game_show"><span style="font-weight: 400;">perspectiva de Joel</span></a><span style="font-weight: 400;">, um sobrevivente marcado por um passado trágico e violento, e Ellie, uma garota  que aparenta ser imune à infecção. Juntos, eles atravessam os Estados Unidos à procura dos Vagalumes, um grupo rebelde que ainda procura pela cura e luta contra a tirania imposta pela </span><i><span style="font-weight: 400;">FEDRA</span></i><span style="font-weight: 400;"> (Agência Federal de Resposta à Desastres, em tradução livre), uma organização militar composta pelos remanescentes do governo norte-americano.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas essa expansão não ocasiona perda da </span><a href="https://canaltech.com.br/series/como-serie-de-the-last-of-us-expande-o-que-vimos-no-jogo-242956/"><span style="font-weight: 400;">perspectiva original</span></a><span style="font-weight: 400;">, e sim a direciona para outros formatos através da condução genial de Mazin. A câmera, por exemplo, quase sempre está junto de seus personagens, levada conforme os próprios descobrem o desenrolar da narrativa. Aqui, a direção é notável de duas maneiras: a primeira por criar uma imersão profunda no drama e a outra pelo paralelo com a posição dos jogadores de </span><i><span style="font-weight: 400;">videogame</span></i><span style="font-weight: 400;">, no qual se é ativamente o protagonista. Tais características contribuem fortemente para que a série seja uma experiência completa, mesmo aos antigos fãs da franquia.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="The Last of Us Episode 1: TV Show vs Game Comparison" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/Me0EadJQPvQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Neil Druckmann, criador da franquia e co-</span><i><span style="font-weight: 400;">showrunner </span></i><span style="font-weight: 400;">ao lado de Mazin, tira proveito do formato serializado ao transformar as maneiras com que encaramos suas personagens. Joel, que antes tinha sua capacidade física atrelada a habilidade do jogador que o comanda, agora recebe permissão para falhar. Acabaram as hordas de inimigos interpostas como obstáculos entre o jogador e seu objetivo: o uso da violência na série é clínico, humanizando tanto os infectados quanto os sobreviventes que antagonizam o </span><i><span style="font-weight: 400;">duo </span></i><span style="font-weight: 400;">ao longo da viagem, ecoando algumas das sensibilidades e temas que só veríamos na sequência de 2020, </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-last-of-us-ii-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Last of Us Part II</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A maioria das </span><a href="https://jovemnerd.com.br/nerdbunker/the-last-of-us-diferencas-entre-serie-e-jogo/"><span style="font-weight: 400;">adições às tramas</span></a><span style="font-weight: 400;"> são breves e servem para ampliar a história de personagens já conhecidos. </span><i><span style="font-weight: 400;">The Last of Us</span></i><span style="font-weight: 400;"> não esconde sua devoção ao material original, recriando algumas das cenas mais famosas do jogo quadro a quadro, em um exercício de fidelidade que poderia até ser banal ou uma mera tentativa de manter laços firmes com sua obra precursora, não fosse a paixão com que cada um dos </span><i><span style="font-weight: 400;">beats</span></i><span style="font-weight: 400;"> é performado por seus novos intérpretes. Tanto Pascal quanto Ramsey preenchem belamente seus arquétipos e os inferem com suas próprias vulnerabilidades, criando entre si uma sintonia que carrega a narrativa adiante.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto o Joel de Pascal parece ser mais frágil que o dos jogos, a Ellie de Ramsey (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=aOGz1YDuOvg"><span style="font-weight: 400;">Bellie</span></a><span style="font-weight: 400;">, para os íntimos) desenvolve sua própria relação com a violência nesse mundo sem lei, e um dos arcos narrativos mais claros é a perda de sua inocência: ela nasceu nesse mundo condenado e, portanto, ainda não sabe o que é perder da mesma maneira que seu companheiro. Joel, em contrapartida, é obrigado a reaprender a agonia da esperança.</span></p>
<figure id="attachment_30919" aria-describedby="caption-attachment-30919" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30919 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/3-1-scaled.jpg" alt="Cena da primeira temporada de The Last of Us. Frank (Murray Bartlett) e Bill (Nick Offerman) ceiam em sua casa. Os dois se sentam em lados adjacentes de uma mesa de madeira longa. Frank, à esquerda, está virado de perfil, olhando para Bill, à direita, que está de frente para a câmera, em um plano médio. Bill e Frank são ambos homens caucasianos mais velhos, com cabelos e barbas grisalhos. Frank é mais esguio, usando um paletó preto por cima de uma camisa branca, enquanto Bill usa um paletó cinza por cima de uma camisa bege, abotoada até o pescoço. Frank segura a mão direita de Bill com a sua esquerda, sobre a mesa. Os dois tem pratos vazios com guardanapos em cima, com duas taças vazias de vinho à seus lados. Na extremidade direita do plano, uma garrafa de vinho está ao lado esquerdo de Bill, iluminada por uma vela acesa. Atrás deles, podemos ver uma parede azul clara. À esquerda, uma janela entreaberta deixa aparecer o escuro da noite, adornada em ambos os lados por uma cortina de tecido florido, enquanto à direita vemos um vaso com uma planta verde repousando sobre a moldura de uma lareira. A cena é iluminada por uma luz branca vinda do canto superior direito da tela, acima da lareira." width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/3-1-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/3-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/3-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/3-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/3-1-1536x1024.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30919" class="wp-caption-text">“Eu odiava o mundo e adorei quando todos morreram. Mas me enganei. Tinha uma pessoa que valia a pena ser salva” (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Após feitas as apresentações, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Last of Us</span></i><span style="font-weight: 400;"> rapidamente estabelece o padrão intermitente de sua narrativa, introduzindo em cada episódio novos personagens que cruzam física e emocionalmente com a jornada dos protagonistas, mas que nunca permanecem por mais de um capítulo. Joel e Ellie são repetidamente confrontados com uma </span><a href="https://fugitives.com/the-last-of-us-season-1-love-as-major-driving-force-2023-sci-fi-series/"><span style="font-weight: 400;">nova versão do amor</span></a><span style="font-weight: 400;"> que sentimos uns pelos outros e suas terríveis e maravilhosas consequências. Mazin faz questão de examiná-lo não como a salvação ou a perdição da humanidade, mas como algo tão intrínseco, essencial e humano que é praticamente impossível separá-lo de nós mesmos. Amamos, independente das consequências, até no fim do mundo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E talvez nenhum episódio capture tão bem esse conflito primordial quanto o terceiro, intitulado </span><i><span style="font-weight: 400;">Por Muito, Muito Tempo</span></i><span style="font-weight: 400;">. Apesar de começar nas alças do episódio anterior, o roteiro de Mazin rapidamente salta no tempo para 20 anos no passado, quando acompanhamos Bill (Nick Offerman, em uma das grandes performances de sua carreira), um “</span><a href="https://www.ecycle.com.br/sobrevivencialismo/"><span style="font-weight: 400;">sobrevivencialista</span></a><span style="font-weight: 400;">” que já se preparava para o fim do mundo bem antes dos fungos começarem à nos perseguir. Após alguns anos sozinho, ele conhece Frank (Murray Bartlett), um homem gentil à procura de abrigo que, mesmo após uma introdução nada amistosa, consegue se conectar com Bill em um nível íntimo e sensível.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dirigido por </span><a href="https://www.metfilmschool.ac.uk/articles/blogs/meet-industry-peter-hoar-director-david-katznelson-cinematographer/"><span style="font-weight: 400;">Peter Hoar</span></a><span style="font-weight: 400;">, vencedor do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/bafta/"><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">por seu trabalho na minissérie </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=tumQJ4qrJrg&amp;pp=ygUSaXQncyBhIHNpbiB0cmFpbGVy"><i><span style="font-weight: 400;">It’s a Sin</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o capítulo marca o maior desvio do material original até o momento, e é uma lição de adaptação por si só. Ao se debruçar tão fixamente sobre a vida de dois personagens coadjuvantes, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Last of Us</span></i><span style="font-weight: 400;"> revela sua própria sensibilidade e nos conta, com rigor absoluto, uma das histórias de amor mais comoventes entre as obras recentes da televisão. Apesar de se desviar do caminho original da narrativa, o texto ainda funciona para espelhar a jornada dos protagonistas, fazendo uma ponte com a dificuldade de Joel em se abrir com Ellie e ecoando o luto que ainda permeia seu personagem. </span></p>
<figure id="attachment_30910" aria-describedby="caption-attachment-30910" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30910" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/4-2.png" alt="Cena da primeira temporada de The Last of Us. Sam (Keivon Montreal), à esquerda, é um menino preto de cabelos curtos crespos e corte moicano, veste moletom mostarda e está sentado olhando atentamente para seu irmão. Henry (Lamar Johnson), à direita, é um homem preto de cabelos crespos, veste jaqueta cinza escuro com estofamento e calças jeans, e está de lado, na direção de Sam. O fundo é um sótão de tijolos marrons claros com diversos desenhos coloridos de super-herói pelas paredes." width="1920" height="1280" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/4-2.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/4-2-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/4-2-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/4-2-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/4-2-1536x1024.png 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30910" class="wp-caption-text">“Existia um grande homem. Ele nunca sentia medo, não era egoísta e sempre perdoava. Já viu alguém assim?” (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois do casal, Joel e Ellie se deparam com uma dupla de narrativa completamente oposta em seus meios e fins, mas semelhante na intensidade de seu amor. Se o destino de Sam (Keivonn Montreal) e Henry (Lamar Johnson), dois irmãos sobrevivendo na Zona de Quarentena do Kansas sob uma organização de Estado diferente da </span><i><span style="font-weight: 400;">FEDRA,</span></i><span style="font-weight: 400;"> já era avassalador no </span><i><span style="font-weight: 400;">videogame</span></i><span style="font-weight: 400;">, ele ganha uma nova perspectiva ao ser contada após um romance. Para além da adição inclusiva de colocar Sam como uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=8R7IiUvpKG4&amp;t=2s"><span style="font-weight: 400;">criança surda</span></a><span style="font-weight: 400;"> e o conflito moral que levou Henry a ser um dedo duro, o mais importante é o contraste de ambos com Bill e Frank. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As histórias paralelas de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Last of Us</span></i><span style="font-weight: 400;"> irão, mais de uma vez, modelar a visão que nós espectadores teremos ao acompanhar o desenrolar dos protagonistas, mas a função principal delas, no entanto, é transformar como Joel compreende o amor e a esperança. Por amor, tanto Bill quanto Henry não encontraram </span><a href="https://www.esquire.com/uk/culture/tv/a42856228/the-last-of-us-henry-and-sam/"><span style="font-weight: 400;">saída para continuar</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ainda que suas ações finais tenham sido semelhantes, o motivador para suas escolhas e as situações em que se encontravam eram completamente diferentes. Aos poucos, Joel passa a questionar se há contexto em que seu futuro seja outro, e por isso foi de extrema importância encontrar Tommy em sua vila comunista na sequência.</span></p>
<figure id="attachment_30914" aria-describedby="caption-attachment-30914" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30914" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/5-2.jpg" alt="Cena da primeira temporada de The Last of Us. Joel (Pedro Pascal) olha suplicante para a esquerda. Joel é um homem latino puxando para o lado mais velho, com grande parte dos cabelos escuros e barba já grisalhos. Ele usa uma camisa xadrez verde com listras vermelhas, captado pela câmera da cintura para cima. Atrás dele, fora de foco, podemos discernir o que parece ser uma marcenaria, com várias ferramentas espalhadas em mesas e paredes. A cena é iluminada por uma luz branca vinda da parte superior da tela." width="2560" height="1439" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/5-2.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/5-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/5-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/5-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/5-2-1536x863.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/5-2-2048x1151.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/5-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30914" class="wp-caption-text">“Ao acordar, sinto que perdi algo. Eu fracasso até dormindo. É o que faço. É o que sempre fiz: falhar com ela, vez após vez” (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Joel enxerga na comunidade em que seu irmão vive muito mais do que a mera possibilidade de segurança em meio ao apocalipse. </span><a href="https://variety.com/2023/tv/news/the-last-of-us-jackson-part-2-explained-1235524398/"><span style="font-weight: 400;">Jackson</span></a><span style="font-weight: 400;"> apresenta uma  sociedade alternativa onde a vida deixa de ser sobrevivência, a cura para o </span><i><span style="font-weight: 400;">Cordyceps</span></i><span style="font-weight: 400;"> é dispensável e a luta contra novas organizações de Estado está distante. Ali, Joel vê uma chance. Não para ele, à princípio, não para um homem que havia fracassado inúmeras vezes, alguém transformado pela crueldade da tragédia em seu entorno. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após uma jornada de conflito interno, nosso protagonista atinge o ápice ao fim do sexto episódio, </span><a href="https://youtu.be/-wzCvVfr2Kk"><i><span style="font-weight: 400;">Parentesco</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Ele resiste à esperança e ao sentimento de amor paterno intrínseco em cada músculo de seu corpo, mas é impossível abandonar aquilo que o define em essência, mesmo que a memória de Sarah ainda o paralise por completo. Na performance de Pascal, contemplamos um Joel que revive o trauma da perda toda vez que olha para Ellie, </span><a href="https://youtu.be/vNiptUg78OY?t=420"><span style="font-weight: 400;">tão vulnerável</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao ponto de nos sufocar com a intensidade da dor e frustração que carrega.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entendemos o significado de “</span><i><span style="font-weight: 400;">continuar pela família</span></i><span style="font-weight: 400;">” em um mundo onde a perda é inevitável neste momento crucial da história. Quando Joel assume que não pode desistir da esperança que acaba de tomá-lo por completo, ele também permite que Ellie tenha a chance de explicitar sua vontade. Para ouvidos atentos, seu querer por Joel já estava declarado ao final do primeiro episódio, nas linhas musicais de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=snILjFUkk_A"><i><span style="font-weight: 400;">Never Let Me Down Again</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> do Depeche Mode, quando a garota deu seus primeiros passos para fora da quarentena de Boston. Agora, o gesto de escolhê-lo sentencia a separação entre Ellie e Sarah como indivíduos. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="The Last of Us | Abertura | HBO Max" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/S2O7xQMdRZM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como era no </span><i><span style="font-weight: 400;">game</span></i><span style="font-weight: 400;">, a trilha sonora do compositor argentino Gustavo Santaolalla (</span><a href="https://personaunesp.com.br/o-segredo-de-brokeback-mountain-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Segredo de Brokeback Mountain</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Babel</span></i><span style="font-weight: 400;">) não preenche os espaços silenciosos da série, mas reflete as emoções das personagens quando palavras não são mais suficientes. O icônico tema da franquia, tocado num </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7Z0TPseiuss&amp;pp=ygUbZ3VzdGF2byBzYW50YW9sYWxsYSByb25yb2Nv"><span style="font-weight: 400;">ronroco</span></a><span style="font-weight: 400;">, faz presença na abertura e nos prepara para a fragilidade potente do mundo de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Last of Us</span></i><span style="font-weight: 400;">. Puxando algumas faixas e inspirações da trilha do segundo jogo, Santaolalla parece querer fazer uma ponte temática entre o presente e o futuro, o que não havia sido possível em 2013, quando a primeira iteração da narrativa foi apresentada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para intensificar essa ponte, Mazin e Druckmann fazem uso deliberado e criativo das faixas licenciadas, especialmente com </span><a href="https://open.spotify.com/track/1khA4hwhZD4HMecyE1e9U1?si=43fe0b4270204447"><i><span style="font-weight: 400;">Long Long Time</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a balada melancólica de </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/tela-plana/efeito-the-last-of-us-serie-ressuscita-cancao-country-dos-anos-70/"><span style="font-weight: 400;">Linda Ronstadt</span></a><span style="font-weight: 400;"> no terceiro episódio, e a </span><a href="https://mashable.com/article/the-last-of-us-episode-6-ending-song-depeche-mode"><span style="font-weight: 400;">repetição de </span><i><span style="font-weight: 400;">Never Let Me Down Again</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> ao final do sexto capítulo. Jessica Mazin, filha de Craig, faz um </span><a href="https://open.spotify.com/track/2Tw463vi8DMqkr2EiLYfZM?si=1e612e6a189f4cc8"><i><span style="font-weight: 400;">cover</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">sóbrio da música que ecoa não só a narrativa, mas a conexão entre pais e filhas que está no cerne da premissa do seriado. Além dela, canções de </span><a href="https://open.spotify.com/track/4o7SYOv7mNJAPe0tsxgbHc?si=58e93b35eaec421b"><span style="font-weight: 400;">Pearl Jam</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://open.spotify.com/track/2wfpV9gUNaTN1gkct0RUNz?si=1f10923b2c874d1e"><span style="font-weight: 400;">a-ha</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://open.spotify.com/track/6BUJtgTJT9YTDkiB81maFQ?si=6f91449a5210484b"><span style="font-weight: 400;">Lotte Kestner</span></a><span style="font-weight: 400;"> fazem referência à vindoura segunda parte da série, mas que aqui são ressignificadas e retrabalhados para desatar o nó de emoções das personagens.</span></p>
<figure id="attachment_30916" aria-describedby="caption-attachment-30916" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30916" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/6.jpg" alt=" Foto dos bastidores da primeira temporada de The Last of Us. Pedro Pascal e Bella Ramsey, caracterizados como seus respectivos personagens, conversam em meio a um cenário nevado. Pedro, à esquerda, é um homem latino de meia idade, com cabelos e barba escuros e grisalhos, usando um casaco marrom claro fechado e calças azuis escuras. Em seus ombros, podemos ver uma arma longa pendurada por um cinto em seu ombro direito. Bella é uma pessoa jovem de cabelos escuros cobertos por uma touca branca, usando um casaco azul aberto por cima de um moletom encapuzado cinza e calças jeans. Podemos ver uma mochila verde em suas costas, com um saco de dormir azul claro preso na parte inferior. Pedro segura o pulso direito de Bella com sua mão esquerda, ambas enluvadas. Do lado esquerdo da tela, uma claquete segurada por um par de mãos agasalhadas está prestes a bater, exibindo o logo de produção e diversas informações da filmagem." width="2048" height="1152" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/6.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/6-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/6-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/6-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/6-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/6-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30916" class="wp-caption-text">“É interessante como algo tão grande e transformador aconteceu tão cedo na sua vida e tão tarde na minha.” &#8211; Carta de Pedro Pascal para Bella Ramsey (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é de hoje que </span><i><span style="font-weight: 400;">Hollywood </span></i><span style="font-weight: 400;">tem investido em adaptações de </span><i><span style="font-weight: 400;">videogames</span></i><span style="font-weight: 400;"> para o audiovisual: séries animadas como </span><a href="https://personaunesp.com.br/castlevania-4a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Castlevania</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://personaunesp.com.br/arcane-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Arcane</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> tem forjado um novo patamar nos últimos anos, enquanto produções como </span><i><span style="font-weight: 400;">Uncharted: Fora do Mapa</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Halo</span></i><span style="font-weight: 400;"> mostram o quanto os grandes estúdios estão dispostos a gastar nessas ideias. Apesar de à primeira vista não parecer tão grandioso quanto estas produções, realizar o mundo de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Last of Us</span></i><span style="font-weight: 400;"> de maneira crível foi um </span><a href="https://www.newyorker.com/magazine/2023/01/02/can-the-last-of-us-break-the-curse-of-bad-video-game-adaptations"><span style="font-weight: 400;">esforço milionário</span></a><span style="font-weight: 400;"> por parte da </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO </span></i><span style="font-weight: 400;">&#8211; custando quase tanto quanto algumas das últimas temporadas de </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-casa-do-dragao-1a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Game of Thrones</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo com o uso de diversos efeitos práticos (principalmente na maquiagem e prostéticos dos seres infectados pelo fungo), construir o mundo pós-apocalíptico da desenvolvedora </span><i><span style="font-weight: 400;">Naughty Dog</span></i><span style="font-weight: 400;"> não teria sido possível sem o trabalho dos artistas digitais do estúdio </span><i><span style="font-weight: 400;">DNEG</span></i><span style="font-weight: 400;"> (responsáveis também pelos filmes do cineasta Christopher Nolan). Dispensando sequências de ação bombásticas, o trabalho desses artistas é focado em preencher o mundo idealizado por Druckmann e Bruce Straley, </span><a href="https://www.theenemy.com.br/playstation/tlou-hbo-bruce-straley-nao-creditado"><span style="font-weight: 400;">co-criador do jogo original</span></a><span style="font-weight: 400;">. Quando Ellie encara o mundo fora da Zona de Quarentena pela primeira vez, somos apresentados às ruínas de Boston e aos 20 anos de não-interferência humana em uma grande metrópole: narrativas que, assim como no </span><i><span style="font-weight: 400;">game</span></i><span style="font-weight: 400;">, são contadas puramente através do cenário.</span></p>
<figure id="attachment_30911" aria-describedby="caption-attachment-30911" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30911 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/7.jpg" alt="Cena da primeira temporada de The Last of Us. Riley (Storm Reid) e Ellie (Bella Ramsey) estão sentadas, encostadas em um balcão de loja com vidros. Riley, à esquerda, é uma jovem preta de pele clara, usa camisa de manga curta cinza chumbo e calça jeans, faixa verde escura no cabelo, que está preso para trás, e segura uma arma com as duas mãos entre os joelhos, enquanto chora. Ellie, à direita, é uma jovem branca de cabelos castanhos presos em rabo de cavalo, tem o olho direito ligeiramente roxo e o lábio inferior cortado, com sangue, usa camiseta branca com mangas vermelhas e calças jeans." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/7.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/7-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/7-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/7-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/7-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/7-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30911" class="wp-caption-text">“Você não faz ideia do que é perder” (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O elenco ainda conta com nomes como Anna Torv (</span><a href="https://personaunesp.com.br/mindhunter-2a-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Mindhunter</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Fringe</span></i><span style="font-weight: 400;">), Melanie Lynskey (</span><a href="https://personaunesp.com.br/yellowjackets-1a-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Yellowjackets</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) e Merle Dandridge, que reprisa o papel de Marlene, líder dos Vagalumes. Troy Baker e Ashley Johnson, atores originais de Joel e Ellie, participaram do seriado em novos papéis, novamente demonstrando o apreço de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Last of Us </span></i><span style="font-weight: 400;">por seu material original, uma das características que o separa drasticamente de grande parte das adaptações cinematográficas de </span><i><span style="font-weight: 400;">videogames</span></i><span style="font-weight: 400;"> dos últimos 30 anos. Jogador assumido, Craig Mazin não poupa elogios para o jogo de </span><i><span style="font-weight: 400;">PlayStation</span></i><span style="font-weight: 400;">, orgulhosamente descrevendo-o como a “</span><a href="https://jovemnerd.com.br/nerdbunker/the-last-of-us-melhor-historia-dos-videogames/#:~:text=S%C3%A9ries%20e%20TV-,Craig%20Mazin%20diz%20que%20The%20Last%20of,a%20melhor%20hist%C3%B3ria%20dos%20videogames&amp;text=Craig%20Mazin%20(Chernobyl)%2C%20co,a%20melhor%20hist%C3%B3ria%20dos%20videogames."><i><span style="font-weight: 400;">melhor estória já contada em um videogame</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo com a </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO </span></i><span style="font-weight: 400;">bancando a produção, havia uma boa dose de ceticismo na recepção do anúncio da série, já que para muitos a narrativa do jogo da </span><i><span style="font-weight: 400;">Naughty Dog</span></i><span style="font-weight: 400;"> representa um dos pináculos absolutos do meio. Após anos de </span><i><span style="font-weight: 400;">fancasts</span></i><span style="font-weight: 400;"> que iam desde Hugh Jackman e Josh Brolin até Maisie Williams e Kaitlyn Dever, a escalação de Pedro Pascal e Bella Ramsey foi recebida num espectro de entusiasmo e absurdo. Apesar de Pascal ter marcado seu nome na cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop </span></i><span style="font-weight: 400;">nos últimos anos com suas participações em </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-mandalorian-2a-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Mandaloriano</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Game of Thrones</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Kingsmen</span></i><span style="font-weight: 400;">, ele não combinava com a ideia que muitos tinham de Joel como o contrabandista texano durão e barbudo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Bella, por outro lado, teve que lidar com uma série de insultos à sua aparência de pessoas clamando que elu (Ramsey se identifica como não-binárie e atende por todos os pronomes) não era “atraente” o suficiente para interpretar Ellie, uma personagem de 14 anos. Mal disfarçado de crítica, esse tipo de comentário misógino foi sendo aos poucos ofuscado pela atuação virtuosa de Ramsey, chegando ao seu auge interpretativo nos episódios finais da temporada. No sétimo capítulo, intitulado </span><i><span style="font-weight: 400;">O Que Deixamos Para Trás</span></i><span style="font-weight: 400;">, elu contracena com a talentosa Storm Reid (</span><a href="https://personaunesp.com.br/euphoria-2a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Euphoria</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) e sintetiza as melhores qualidades do seriado em uma história sobre amor jovem e a perda da inocência que, apesar de trágica, vêm acompanhado do que talvez seja o mote da narrativa:</span></p>
<blockquote><p><i><span style="font-weight: 400;">Todo mundo vai terminar assim, cedo ou tarde, né? Acontece mais rápido pra alguns. Mas nós não desistimos. Sejam dois minutos ou dois dias, nós não abrimos mão disso. Eu não quero abrir mão disso.</span></i></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Com </span><i><span style="font-weight: 400;">Quando Mais Precisamos</span></i><span style="font-weight: 400;">, o oitavo episódio da série, podemos interpretar a premissa da frase a partir de outra ótica. Mazin destaca que o capítulo se trata integralmente sobre depravação humana e é nele que temos o ápice de maturação de Ramsey em </span><i><span style="font-weight: 400;">The Last of Us. </span></i><span style="font-weight: 400;">Sua personagem ainda não havia precisado agir com as próprias mãos, mas elu consegue exprimir de maneira exímia o desespero de Ellie ao precisar sobreviver sozinha. A crueldade do outro obriga a personagem a enxergar </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=W8Mg-P8Jpss"><span style="font-weight: 400;">o que há de obscuro nela própria</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a abrir mão de outras partes de sua inocência para que possa continuar. No fim, vemos uma Ellie completamente transformada por sua própria violência.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sob a direção de Ali Abbasi, o caráter violento da série</span> <span style="font-weight: 400;">assume sua forma mais genuína na brilhante composição do episódio. O diretor prova que sabe as relações profundas e divergentes que os seres humanos possuem com a violência, pois, diferentemente da perspectiva que adotou em </span><a href="https://personaunesp.com.br/holy-spider-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Holy Spider</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, aqui ele amplia o impacto que ações brutais proporcionam nas personagens e não enfoca sua exposição. De fato, Abbasi foi a pessoa certa para criar essa atmosfera, que também funciona como contraponto à perspectiva de jogador do </span><i><span style="font-weight: 400;">videogame</span></i><span style="font-weight: 400;">. Se ao jogarmos, a nossa vontade e habilidade irão medir a proporção da agressividade com que combatemos inimigos, no seriado somos obrigados a assistir os resultados dessas ações.</span></p>
<figure id="attachment_30913" aria-describedby="caption-attachment-30913" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30913 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/8.jpg" alt="Cena da primeira temporada de The Last of Us. Anna (Ashley Johnson) segura sua filha recém-nascida. Anna é uma mulher caucasiana de cabelos castanhos longos. Ela está à direita da tela, olhando para o bebê em seus braços, à esquerda. Ela usa uma jaqueta verde e está encharcada de suor, mas sua expressão é de alívio. O bebê que ela segura está coberto de líquidos orgânicos e com uma das mãos estendida para cima. Ao fundo, fora de foco, podemos ver um quarto abandonado, com paredes brancas descascadas e um móvel azul claro no espaço entre Anna e sua filha. Uma janela aberta na extremidade esquerda da tela deixa a luz do dia entrar e ilumina as personagens." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/8.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/8-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/8-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/8-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/8-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/8-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30913" class="wp-caption-text">“Diz pra eles, Ellie. Você é tão durona” (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Last of Us </span></i><span style="font-weight: 400;">verdadeiramente transcende o material de origem ao respeitá-lo, enquanto busca contar uma história tão querida da melhor maneira possível em outro  meio. A tragédia de Joel e Ellie adquire novos contornos quando vista por uma lente teatral, em que atores de produções anteriores são convidados para reprisar seus papéis ou introduzir novas personagens. Somos convidados não só a acompanhá-los por esse mundo sombrio, mas a entender o porquê de ser assim e, consequentemente, aceitar a escuridão que traz consigo. Perdemos junto com os personagens e voltamos toda semana para vê-los perderem mais um pouco, ao ponto em que a narrativa interroga o próprio espectador: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Porquê seguir em frente se você não tem esperança?</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não há uma resposta simples ou ao menos satisfatória. Continuamos porque, seja nas últimas 10 horas ou nos últimos 10 anos, nos apaixonamos por esses personagens, porque amamos Ellie tanto quanto Joel a ama e, portanto, entendemos o que ele deve fazer para mantê-la viva. Apesar de não controlarmos mais suas ações, ainda sentimos que estamos ao seu lado durante todos os passos da jornada. Compartilhamos as misérias e as risadas com eles de maneira particular e continuamos, apesar de tudo. Não desistimos desses personagens nem quando eles desistem de si mesmos e, quando paramos para pensar no motivo, é realmente difícil elaborar algo além do amor.</span></p>
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