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	<title>Arquivos Narrativa feminina &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Pequena coreografia do adeus e o que fazemos com nossos corações destroçados</title>
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		<pubDate>Fri, 02 Jul 2021 10:46:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Caroline Campos para todos aquele que procuram uma  Casa dentro de casa em especial aos que procuram desesperadamente. Absorver Pequena coreografia do adeus não é um trabalho fácil. Publicado pela Companhia das Letras em 2021, o novo livro de Aline Bei é como voar bem alto, bater no teto da existência e espiar o que &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/pequena-coreografia-do-adeus-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Pequena coreografia do adeus e o que fazemos com nossos corações destroçados"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_21399" aria-describedby="caption-attachment-21399" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-21399 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Design-sem-nome-11.png" alt="Arte com a capa do livro &quot;Pequena coreografia do adeus&quot;. No centro, está a capa do livro, O fundo é rosa e roxo com pétalas rosas. No canto superior esquerdo, está o olho do Persona. No canto inferior direito, está o símbolo azul da Cia das Letras." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Design-sem-nome-11.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Design-sem-nome-11-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Design-sem-nome-11-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Design-sem-nome-11-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Design-sem-nome-11-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Design-sem-nome-11-1200x675.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21399" class="wp-caption-text">A figura que ilustra capa é &#8220;Etats modifiés&#8221;, de autoria de Louise Bourgeois (Foto: Companhia das Letras/Arte: Caroline Campos)</figcaption></figure>
<p><b>Caroline Campos</b></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">para todos aquele que procuram uma </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Casa dentro de casa</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">em especial aos que procuram</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">desesperadamente.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Absorver </span><a href="https://brasil.elpais.com/cultura/2021-06-11/aline-bei-faz-do-abandono-uma-danca-poetica-em-pequena-coreografia-do-adeus.html"><i><span style="font-weight: 400;">Pequena coreografia do adeus</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não é um trabalho fácil. Publicado pela </span><a href="https://personaunesp.com.br/apague-a-luz-se-for-chorar-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em 2021, o novo livro de </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/05/como-aline-bei-virou-autora-best-seller-vendendo-seus-livros-no-instagram.shtml"><span style="font-weight: 400;">Aline Bei</span></a><span style="font-weight: 400;"> é como voar bem alto, bater no teto da existência e espiar o que há além. Mais um </span><a href="https://personaunesp.com.br/depois-stephen-king-critica/"><span style="font-weight: 400;">fruto</span></a><span style="font-weight: 400;"> da </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/parceria-cia-das-letras/"><span style="font-weight: 400;">parceria</span></a><span style="font-weight: 400;"> do </span><b>Persona </b><span style="font-weight: 400;">com o grupo editorial, a autora vencedora do Prêmio São Paulo de Literatura derrama sua ternura e seu carinho pelas próprias criaturas, se transmutando a cada página a fim de se tornar algo tão único que só o leitor perfeitamente quebrado é capaz de dançar em sua companhia.</span></p>
<p><span id="more-21397"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/05/aline-bei-faz-da-literatura-um-instrumento-a-servico-das-mulheres.shtml"><span style="font-weight: 400;">palavras de Bei</span></a><span style="font-weight: 400;"> dão voz a Júlia Terra, uma jovem escritora nascida do solo rachado que um dia foi amor entre Vera e Sérgio. Em três ciclos de vida, Júlia despeja suas cicatrizes e devaneios de forma tão íntima que nos sentimos invasores, roubando confidências que não possuem esperanças de florescer na infertilidade de sua casa. No entanto, a história da personagem não carrega o desprazer da espetacularização da dor, já que Bei respeita, acima de tudo, a Júlia que se construiu em meio a tanta demolição – não apenas apesar da dor, como também em razão dela.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">Querido diário,</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Eu me chamo Júlia Manjuba Terra e não acredito no amor. Se eu pudesse escolher, gostaria de me transformar em uma música, porque além de bonita ela desaparece quando alguém desliga o rádio. (&#8230;)</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 282 páginas que correm tão rápido como se estivessem em fuga de sua plateia, a prosa em ondas da autora de </span><a href="https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2021/02/16/aline-bei-autora-de-o-peso-do-passaro-morto-dor-da-mulher-e-maior.htm"><i><span style="font-weight: 400;">O peso do pássaro morto</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é o que garante que os manifestos da jovem sejam tão intensos. Assim como sua criadora, Júlia também se descobre uma domadora das palavras, na tentativa de exorcizar a violência a que foi exposta desde cedo. Sua mãe, Vera, uma mulher amargurada pelo abandono, a surrava constantemente, como </span><i><span style="font-weight: 400;">uma verdadeira Rainha de um pequeno país em guerra (&#8230;)</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O resultado desse relacionamento é um jardim de culpas e ódios que se enrola por dentro da protagonista durante grande parte da sua vida. Sérgio, sua distante figura paterna, não demora para abandonar o campo de batalha e se torna um conhecido de visitas semanais e olhares perdidos, arrancando um dos poucos alicerces que mantinham aquela criança violentada de pé. Mesmo com o passar do tempo, Júlia não consegue se desprender dos buracos no peito e continua tropeçando nos próprios cacos, que ganham novos contornos conforme a idade e a independência vão batendo na porta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A performance narrativa de Aline Bei em </span><a href="https://idris.com.br/blog/2021/05/18/resenha-pequena-coreografia-do-adeus-aline-bei/"><i><span style="font-weight: 400;">Pequena coreografia do adeus</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é dolorosamente bela, capaz de nos fazer reinterpretar a forma com que percebemos a realidade ao nosso redor. A Júlia-criança e a Júlia-quase-adulta se deparam com os mesmos becos sem saída nas ruas dos amores da vida, sejam elas possíveis sementes românticas ou futuros laços fraternos – quantas versões de Júlia deterioraram para que essa pudesse se apresentar a nós?</span></p>
<figure id="attachment_21398" aria-describedby="caption-attachment-21398" style="width: 1086px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-21398 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Aline-Bei.jpg" alt="Foto de Alinei Bei, uma mulher branca de 30 anos com cabelos pretos na altura dos ombros. Ela usa um blazer preto e um cropped com listras brancas e vermelhas. Podemos vê-la da cintura para cima, com a mão direita em um corrimão. As sombras do corrimão estão projetadas em toda a imagem. " width="1086" height="652" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Aline-Bei.jpg 1086w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Aline-Bei-800x480.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Aline-Bei-1024x615.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Aline-Bei-768x461.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21398" class="wp-caption-text">O primeiro livro de Aline Bei, &#8220;O peso do pássaro morto&#8221;, foi publicado pela editora independente &#8220;Nós&#8221; (Foto: Edilson Dantas/O Globo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nunca vamos, nem devemos, saber. A </span><a href="https://valor.globo.com/eu-e/noticia/2021/05/14/com-pequena-coreografia-do-adeus-aline-bei-fortalece-discurso-feminista.ghtml"><span style="font-weight: 400;">protagonista de Bei</span></a><span style="font-weight: 400;"> é uma força da natureza embalada na própria tempestade e, apesar de não conseguir compreender o próprio papel nessa jornada em que foi colocada, possui uma profundidade tão latente que nos é impossível visualizar seu fundo. Júlia, privada de se comunicar com os seus, passa a desejar de tudo – ser música, viver o balé, nadar com as palavras. E é no diário que seus gritos um dia silenciados pelas chineladas da mãe passam a transbordar. </span><i><span style="font-weight: 400;">Júlia Terra Escritora</span></i><span style="font-weight: 400;">, dizem os capítulos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não há como Júlia ser Júlia sem a destreza da estrutura textual de </span><a href="https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2021/02/16/aline-bei-autora-de-o-peso-do-passaro-morto-dor-da-mulher-e-maior.htm"><span style="font-weight: 400;">Aline Bei</span></a><span style="font-weight: 400;">. A paulistana brinca com a elaboração de frases e transita entre fontes e parágrafos de forma com que o leitor de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pequena coreografia do adeus</span></i><span style="font-weight: 400;"> acompanhe seus passos vagarosamente, temendo perder alguma nuance mínima de sua narrativa. Depois de concluída, a leitura ainda flutua viva pelo ambiente, desafiando a pobre plateia a esquecê-la, superá-la. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">(&#8230;) já naquela época eu sabia que mentir era um direito</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">básico</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">à fabulação</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">que eu usufruía</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">quase sem</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">culpa</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">pra conseguir ser um pouco mais livre.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Acumulando companheiros de páginas, Júlia colore sua experiência com o abandono e reflete o passado de desamor nos relacionamentos a que é apresentada. Para Vegas, amigo de café, o mistério confortável dos estranhos. Para Maurício, garçom e amante, a paixão falsa dos casamentos. Para Ricardo, parisiense-paulistano, o medo do envolvimento e da ausência. Para Argentina, viúva da pensão, o afeto até então desconhecido. O que sobra para Júlia? Talvez a beleza sofrida da caminhada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com reticências implícitas, </span><a href="https://vogue.globo.com/lifestyle/cultura/noticia/2021/05/saiba-tudo-sobre-o-novo-romance-de-aline-bei-autora-do-premiado-livro-o-peso-do-passaro-morto.html"><i><span style="font-weight: 400;">Pequena coreografia do adeus</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> desenha uma atmosfera agridoce no ar. Nem pessimista nem otimista, Aline Bei reconhece os equilíbrios e os paradoxos da vida, fundamentais para que a redenção, em algum momento, venha em nossa direção. Muito do que nós somos é forjado pela imperfeição da música que nossos corações destroçados produzem e, se for para aceitar por inteira a batida, que seja em uma pequena coreografia.</span></p>
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