Legião Urbana XXX anos: Ainda é cedo para dizer adeus

Criticidade, emoção e nostalgia marcaram a passagem da banda por Bauru

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Tão correto e tão bonito: Legião Urbana em ação na cidade de Bauru (Foto: Rogério Avelino/JCNET)

Heloísa Manduca

Um show clássico e atual, foi assim que a banda Legião Urbana marcou presença pela primeira vez na noite bauruense do último  17 de setembro, no Sagae Eventos. O espetáculo faz parte do projeto especial que a banda começou em 2015, com previsão de término para este ano, sendo uma comemoração dos 30 anos do lançamento do seu primeiro disco. Com capa branca e uma foto enegrecida dos integrantes, o álbum homônimo foi lançado em 1985 contendo 11 faixas, tais como: ‘Será’, ‘A Dança’, ‘Geração Coca-Cola’, ‘Soldados’ e ‘Por enquanto’.

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Nirvana: 25 anos depois, o espírito adolescente permanece mais forte que nunca

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Você deveria ter um exemplar desse álbum em casa

Nilo Vieira

Apenas colocar Nevermind como o disco mais importante da década de noventa não apenas é redundante, como se revela um reducionismo. É justamente pelo fato do álbum ter se tornado “vaca sagrada” em tão pouco tempo que reside o grande conflito de ser mais discutido do que, propriamente, ouvido. Os embates nem sempre são prolíficos: existem os detratores sórdidos, que opinam que uma banda citada como influência por um segmento de qualidade questionável no rock (o “pós-grunge”, cujos maiores representantes são os odiados Nickelback e Creed) não pode ter credibilidade, ao mesmo passo em que tem-se os admiradores ferrenhos ou até os pouco críticos (do tipo que opina “eu detesto esse disco, mas ele é sensacional, porque é importante”). Continue lendo “Nirvana: 25 anos depois, o espírito adolescente permanece mais forte que nunca”

Liniker: remontar vai além da maquiagem

Abaixa que é tiro: Liniker (ao centro) e sua trupe
Abaixa que é tiro: Liniker (ao centro) e sua trupe

Nilo Vieira

Liniker é uma figura interessante no Brasil contemporâneo: nasceu homem, mas se veste com roupas femininas, passa batom e pede para ser chamada no feminino. Tem vozeirão de artista maduro, mas seu carisma é tão espontâneo quanto o de uma criança. Seu sucesso com a esquerda, especialmente a universitária, foi instantâneo e compreensível – assuntos como empoderamento, tanto negro como LGBT, e quebra de estereótipos de gênero já são praticamente inerentes à suas falas, bem como a praticamente qualquer texto sobre sua curta carreira.

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Vitor Assis Brasil: entre Berklee e o beco das garrafas

Eli Vagner F. Rodrigues

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No seleto grupo de colecionadores de LPs da música instrumental brasileira, aqueles que possuem o álbum Desenhos, de Vitor Assis Brasil, podem se vangloriar de ter um dos documentos fonográficos mais importantes do jazz brasileiro. A gravação de 1966 completa 50 anos e é uma das primeiras mostras do talento daquele que foi considerado o maior saxofonista brasileiro. O álbum foi gravado pelo quarteto integrado pelo pianista Tenório Júnior, morto pelo regime militar argentino em 76, Edison Lobo, no contrabaixo (com apenas 19 anos) e Chico “Batera”, cujo nome dispensa a menção ao instrumento. Continue lendo “Vitor Assis Brasil: entre Berklee e o beco das garrafas”

Born to be Blue: O Jazz e a Heroína

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Eli Vagner F. Rodrigues

Quando Charlie Parker morreu, em 12 de março de 1955, aos 34 anos, o médico legista testemunhou que seu corpo parecia o de um homem de 65, resultado de sua adição em heroína. Quando Chet Baker caiu da janela de um hotel em Amsterdam em 13 de maio de 1988, aos 58 anos, seu corpo aparentava ser de um homem de 80 anos, efeito da mesma devastação provocada por essa que foi a droga mais associada à história do jazz. Continue lendo “Born to be Blue: O Jazz e a Heroína”

Punk rock não é só pro seu namorado!

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“Quando ela anda, a revolução vem vindo/ Em seus quadris há revolução/ Quando ela fala, eu escuto a revolução/ Em seu beijo, eu sinto o sabor da revolução” Bikini Kill – Rebel Girl

Bárbara Alcântara

All girls to the front! I’m not kidding” (Todas as meninas para frente! Não estou brincando). Foi com esse pedido inusitado que as bandas riot grrrl – movimento que surgiu em meados da década de 90 – foram ganhando notoriedade dentro da cena punk norte-americana. Munidas de guitarras, baixos, baterias e microfones, elas bradavam “we want revolution girl style now!” (Nós queremos a revolução ao estilo das garotas agora!), pedindo visibilidade dentro de um movimento que se mostrava, apesar dos ideais libertários, cada vez mais misógino e distante das pautas políticas femininas. Escreveram fanzines, organizaram festivais, enfim: conseguiram provar que eram capazes de liderar não só suas próprias bandas, mas todo um movimento social. Elas deram uma nova cara ao feminismo.

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Brasil, um país de extremos

Nilo Vieira

Não é novidade alguma afirmar que o Brasil é um país de contrastes. Em contraponto à beleza natural do país, a desigualdade social sempre se fez presente. Ao passo em que a miscigenação nos trouxe tanta riqueza cultural, os mais peçonhentos tipos de preconceitos nunca abandonaram nossa sociedade. O carisma do brasileiro sempre encontrou no oportunismo dos tiranos um grande inimigo; e por aí vão os incontáveis arquétipos intrínsecos à nossa história. Apesar de alguns avanços notáveis, a Terra de Vera Cruz continua não sendo um país de todos e nem para todos.

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