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	<title>Arquivos Moses Ingram &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>A Tragédia de Macbeth: a culpa pesa mais do que a coroa</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Mar 2022 21:08:57 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Gatti William Shakespeare foi um grande dramaturgo nascido no século XVI, e chegou a publicar cerca de 40 obras, que acabaram sendo amplamente revisitadas ao longo dos séculos. Como é o caso de Macbeth, uma tragédia medieval sobre ganância e culpa que rendeu uma série de adaptações cinematográficas. Dentro dessa ampla gama de subprodutos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-tragedia-de-macbeth-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Tragédia de Macbeth: a culpa pesa mais do que a coroa"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26261" aria-describedby="caption-attachment-26261" style="width: 611px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-26261 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-1.jpg" alt="Cena em branco e preto do filme a tragédia de macbeth apresenta Macbeth, um homem negro de meia idade, vestindo uma camisa clara, uma calça e uma bota, sentado na cama e olhando pra cima. Os únicos objetos da imagem são a cama e uma cortina branca no canto direito. A imagem é escura e a única fonte de luz vem da lateral direita." width="611" height="458" /><figcaption id="caption-attachment-26261" class="wp-caption-text">A Tragédia de Macbeth apresenta uma trama repleta de bruxaria, ganância e vingança e chega concorrendo a três categorias no Oscar 2022 (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Gatti</b></p>
<p><a href="https://www.todamateria.com.br/william-shakespeare/"><span style="font-weight: 400;">William Shakespeare</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi um grande dramaturgo nascido no século XVI, e chegou a publicar cerca de 40 obras, que acabaram sendo amplamente revisitadas ao longo dos séculos. Como é o caso de Macbeth, uma tragédia medieval sobre ganância e culpa que rendeu uma série de adaptações cinematográficas. Dentro dessa ampla gama de subprodutos derivados do acervo literário </span><i><span style="font-weight: 400;">shakespeariano </span></i><span style="font-weight: 400;">parece quase improvável produzir algo com características originais, porém foi exatamente isso que o diretor Joel Coen fez em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Tragédia de Macbeth</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma produção da </span><i><span style="font-weight: 400;">A24</span></i><span style="font-weight: 400;"> em parceria com a </span><i><span style="font-weight: 400;">Apple TV+</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-26260"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao primeiro contato, o longa parece bem distante do estilo comumente desenvolvido pelo diretor em conjunto com seu irmão, Ethan Coen. Juntos, os </span><a href="https://revistacinecafe.com/article/uma-odisseia-americana-o-cinema-dos-irmaos-coen/"><span style="font-weight: 400;">irmãos Coen</span></a><span style="font-weight: 400;"> produziram diversos filmes que utilizam do humor sarcástico para questionar certos padrões normalizados dentro da sociedade estadunidense. Porém, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Tragédia de Macbeth</span></i><span style="font-weight: 400;"> o coloca sozinho na cadeira de direção em frente a uma das peças mais dramáticas de Shakespeare. Para essa produção, Joel se arriscou em uma película minimalista, em que até as cores não foram bem-vindas para recontar essa grande tragédia, um formato inusitado para a obra.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro ponto importante para adentrar a narrativa é compreender o estilo do autor original. Shakespeare teve seu trabalho dividido ao longo de três fases, sendo a primeira </span><span style="font-weight: 400;">(1590-1602) </span><span style="font-weight: 400;">delas dominada por peças históricas e tragédias em </span><a href="https://www.todamateria.com.br/renascimento-caracteristicas-e-contexto-historico/#:~:text=Renascimento%20liter%C3%A1rio,conselhos%20aos%20governadores%20da%20%C3%A9poca."><span style="font-weight: 400;">estilo renascentista</span></a><span style="font-weight: 400;">, a segunda </span><span style="font-weight: 400;">(1602-1610)</span><span style="font-weight: 400;"> caracterizada por tragédias e comédias e a terceira </span><span style="font-weight: 400;">(1610-1616)</span><span style="font-weight: 400;"> ocupada por peças de caráter conciliatório. <em>Macbeth</em>, especificamente, foi lançada em 1623, mas acredita-se que tenha sido escrita entre os anos de 1603 e 1607. Sua trama dramática com a sede de poder como peça central enquadram a narrativa como sendo parte da segunda fase das obras </span><i><span style="font-weight: 400;">shakespearianas</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_26262" aria-describedby="caption-attachment-26262" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-26262" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-2-1.jpg" alt="Cena em branco e preto do filme a tragédia de macbeth mostra Lady Macbeth, uma mulher branca de meia idade, com os cabelos presos, usando um vestido medieval longo e florido, e Macbeth, um homem negro de meia idade, vestindo uma camisa clara, uma calça e uma bota. Ele está sentado na janela olhando para ela que está em pé. Os únicos elementos presentes no cenário são as duas grandes janelas chanfradas." width="800" height="600" /><figcaption id="caption-attachment-26262" class="wp-caption-text">“A vida é uma história contada por um idiota, cheia de som e fúria, significando nada” (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Desse modo, a trama se inicia na Escócia durante o século XI com o retorno dos generais Macbeth (</span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2022/01/13/em-a-tragedia-de-macbeth-denzel-washington-deixa-supersticoes-de-lado-para-encarnar-protagonista.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Denzel Washington</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Banquo (</span><span style="font-weight: 400;">Bertie Carvel</span><span style="font-weight: 400;">) de uma batalha em que saíram vitoriosos. No caminho de volta para casa, eles são surpreendidos com três bruxas (</span><span style="font-weight: 400;">Kathryn Hunter</span><span style="font-weight: 400;">) que declamam a profecia de que Macbeth se tornará barão e, depois, rei. Assim que o primeiro presságio se concretiza, o protagonista da trama se sente motivado a matar o monarca vigente para assumir o trono, apesar de se mostrar apreensivo com a ideia em certos momentos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, sua esposa, Lady Macbeth (</span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2018/02/20/eps/1519142326_346679.html"><span style="font-weight: 400;">Frances McDormand</span></a><span style="font-weight: 400;">), demonstra seu lado maquiavélico ao insistir para que o marido cometa o crime. Sendo assim, após apunhalar durante a noite o Rei Duncan (</span><span style="font-weight: 400;">Brendan Gleeson</span><span style="font-weight: 400;">), a quem Macbeth era próximo, a profecia anunciada pelas bruxas se concretiza e o assassino se torna o soberano. Após conquistar a sonhada coroa, o peso da culpa passa a atormentar Macbeth, que começa a sofrer com terríveis ataques de consciência beirando a loucura.</span></p>
<figure id="attachment_26263" aria-describedby="caption-attachment-26263" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-26263" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-3-2.jpg" alt="Cena em branco e preto do filme a tragédia de macbeth exibe três bruxas encapusadas com um longo manto negro sentadas em vigas. A imagem está enquadrada de baixo para cima e recebe pouca iluminação da noite." width="1200" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-3-2.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-3-2-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-3-2-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-3-2-768x576.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26263" class="wp-caption-text">Sob a luz do luar, a faceta das três bruxas fica ainda mais macabra (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para dar vida a narrativa, Joel Coen escalou </span><span style="font-weight: 400;">Denzel Washington e Frances McDormand para viver o casal Macbeth, que entregaram a dramaticidade necessária para o papel. Além da dupla já amplamente conhecida, outro grande destaque de atuação no longa foi o das bruxas, encarnado por Kathryn Hunter. A personagem da atriz se apresenta como um indivíduo, mas sua sombra se fragmenta em três, servindo como uma releitura original das personagens criadas por Shakespeare. Além disso, a atuação de Hunter, que já era uma artista muito conceituada no teatro, se assemelha em partes ao Gollum de </span><a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/filmes/2022/02/tudo-o-que-sabemos-sobre-o-novo-filme-de-o-senhor-dos-aneis"><i><span style="font-weight: 400;">O Senhor dos Anéis</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> devido sua entonação vocal e os movimentos corporais de contorção. Essa encenação apresentou o tom macabro logo no início do filme, que perdura até sua conclusão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outros elementos discretos dispostos ao longo de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Tragédia de Macbeth</span></i><span style="font-weight: 400;"> acentuam o lado sombrio da película e, ainda, se aproximam da obra do dramaturgo inglês. Em suas narrativas literárias, Shakespeare cita </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-57305097#:~:text=Gralhas%2C%20corvos%2C%20corvos%2Dmarinhos,inspiraram%20os%20amantes%20das%20aves.&amp;text=Schieffelin%20amava%20p%C3%A1ssaros%20e%20tamb%C3%A9m%20amava%20a%20obra%20de%20Shakespeare."><span style="font-weight: 400;">diversas aves</span></a><span style="font-weight: 400;"> que deixam sua marca na trama. No caso de Macbeth esse cenário não foi diferente. Os corvos estão muito presentes no desenrolar do plano macabro do cavaleiro que almeja ser rei, o que insere ainda mais o telespectador no clima tenso do longa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar da trama destoante do que o diretor está habituado a apresentar, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Tragédia de Macbeth</span></i><span style="font-weight: 400;"> toma certos rumos que guiam a narrativa para o lado tragicômico, já tão conhecido na cinematográfica de Joel Coen. Dessa forma, o cineasta busca formas de se arriscar por novos caminhos, mas sem abrir mão totalmente da zona de conforto. Nesse sentido, a construção da narrativa se dá sob um roteiro </span><i><span style="font-weight: 400;">shakespeariano </span></i><span style="font-weight: 400;">que serve de coluna espinhal para o longa, e uma </span><a href="https://laart.art.br/blog/arquitetura-medieval/"><span style="font-weight: 400;">estética medieval</span></a><span style="font-weight: 400;"> construída a partir de um cenário meticulosamente planejado para criar uma atmosfera teatral.</span></p>
<figure id="attachment_26264" aria-describedby="caption-attachment-26264" style="width: 929px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26264" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4-2.jpg" alt="Cena em branco e preto do filme a tragédia de macbeth apresenta Lady Macbeth, uma mulher branca de meia idade, com os cabelos presos, usando um vestido medieval longo, de costas para a imagem enquanto caminha em direção a janela, que está centralizada bem no meio da foto. A única fonte de luz vem dessa janela e as laterais da imagem estão cobertas por cortinas brancas." width="929" height="697" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4-2.jpg 929w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4-2-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4-2-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26264" class="wp-caption-text">As linhas retas e o contraste de luz e sombra sintetizam o drama da narrativa (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A construção do castelo, em que se passa a maior parte da história, foi um ponto chave para o filme. A estética do prédio destoa em certos pontos da arquitetura medieval e a aproxima do </span><i><span style="font-weight: 400;">design </span></i><span style="font-weight: 400;">apresentado no </span><a href="https://www.aicinema.com.br/expressionismo-alemao-movimentos-cinematograficos/"><span style="font-weight: 400;">Expressionismo Alemão</span></a><span style="font-weight: 400;">, com porta e janelas compridas, escadarias altíssimas e a ausência de mobília. Esse lado cru dos cenários trouxe um lado que remete a um palco de teatro e as falas dos atores como se estivessem recitando uma poesia, se assemelhando às atuações cênicas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa construção de um plano cinematográfico quase chapado serviu como uma tela em branco para que o diretor de fotografia Bruno Delbonnel fizesse o seu </span><i><span style="font-weight: 400;">show </span></i><span style="font-weight: 400;">de luz e sombra. A técnica tão empregada nas </span><a href="https://arteref.com/artigos-academicos/luz-e-sombra-na-pintura-figurativa/#:~:text=Na%20pintura%20Figurativa%20a%20luz,verdade%20e%20a%20irrealidade%20etc."><span style="font-weight: 400;">pinturas</span></a><span style="font-weight: 400;"> renascentistas e barrocas deram o toque artístico necessário para o longa, que ainda foi enquadrada no padrão 4&#215;3. Como resultado, a estética da película se assemelha muito ao filme </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=17-abDcJUlY"><i><span style="font-weight: 400;">O Sétimo Selo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Ingmar Bergman, que por um acaso também é narrada durante o período do medievo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, o minimalismo presente em toda a caracterização de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Tragédia de Macbeth</span></i><span style="font-weight: 400;"> se estende também à sua trilha sonora solene, assinada por </span><a href="http://www.carterburwell.com/main/carter_burwell.shtml"><span style="font-weight: 400;">Carter Burwell</span></a><span style="font-weight: 400;">. Durante boa parte dos diálogos do filme, o único som capaz de ser ouvido é a fala dos personagens e os ecos de fundo que transcendem a atmosfera caótica, porém o trabalho sutil do compositor na obra completa as arestas de silêncio que permeiam a narrativa. </span></p>
<figure id="attachment_26265" aria-describedby="caption-attachment-26265" style="width: 1405px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26265" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-5.jpg" alt="Cena em branco e preto do filme a tragédia de macbeth apresenta quatro homens. O mais ao fundo e na extrema esquerda da imagem tem cabelos curtos, barba longa. Ao lado dele, mais a frente, está um homem branco, jovem, de cabelos pretos e enrolados. Bem à frente da foto está o rei, um homem branco de meia idade, com cabelos e barba brancos. No canto direito há um homem branco de cabelos pretos, médios e lisos e barba branca. Os quatro olham para frente com um olhar de tensão e estão vestindo trajes medievais. Ao fundo há uma cabana branca e o vulto de outros homens." width="1405" height="1054" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-5.jpg 1405w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-5-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-5-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-5-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-5-1200x900.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26265" class="wp-caption-text">A vingança é um prato que se com frio em A Tragédia de Macbeth (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Como resultado desse meticuloso trabalho exibido no longa, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Tragedy of Macbeth </span></i><span style="font-weight: 400;">foi amplamente elogiada pela crítica especializada, chegando a receber uma aprovação de 94% no site do </span><a href="https://www.rottentomatoes.com/m/the_tragedy_of_macbeth_2021"><i><span style="font-weight: 400;">Rotten Tomatoes</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Seu elenco super renomado já garantiu diversos troféus por sua atuação. O protagonista Denzel Washington já levou para casa duas estatuetas do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, além de já ter vencido outros prêmios, como o Globo de Ouro e o Urso de Prata no Festival de Berlim. O mesmo cenário de premiação acontece com Frances McDormand, que é dona de três </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscars</span></i><span style="font-weight: 400;"> pela pela categoria de Melhor Atriz. O diretor do longa </span><i><span style="font-weight: 400;">shakespeariano </span></i><span style="font-weight: 400;">também não fica de fora das condecorações, ostentando prêmios do Festival de </span><i><span style="font-weight: 400;">Cannes</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span><i><span style="font-weight: 400;"> Critics Choice Awards</span></i><span style="font-weight: 400;">, entre outros.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O mesmo quadro de premiações se repetiu com o </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2022, com exceção de McDormand que, vindo da vitória dupla por </span><a href="https://personaunesp.com.br/nomadland-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Nomadland</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">em 2021, não recebeu nenhuma indicação este ano. </span><i><span style="font-weight: 400;">A Tragédia de Macbeth</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi contemplada em três categorias, sendo elas a de Melhor Ator para </span><span style="font-weight: 400;">Denzel Washington, </span><span style="font-weight: 400;">de Melhor Fotografia para Bruno Delbonnel e de Melhor </span><i><span style="font-weight: 400;">Design </span></i><span style="font-weight: 400;">de Produção para Stefan Dechant e Nancy Haigh. Todos já colecionam um histórico grande de indicações a prêmios por seus desempenhos estonteantes no ramo cinematográfico.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sendo assim, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Tragédia de Macbeth</span></i><span style="font-weight: 400;"> se mostra como uma das melhores produções de Joel Coen, que, pela primeira vez, assumiu a direção sem Ethan e, ainda, se distanciou de seu estilo cinematográfico previsível ao se envolver em uma atmosfera sóbria e artística. Toda a personalidade empregada pelo diretor no filme o tornam único dentro de um universo de outras adaptações da mesma obra e, ainda assim, mantém a trajetória de Macbeth tão próxima da narrativa que nasceu do imaginário de William Shakespeare.</span></p>
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		<title>O Gambito da Rainha: até o jogo da velha pode ser interessante se quem joga é a Anya Taylor-Joy</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Dec 2020 16:07:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Isabella Siqueira Não é surpresa para ninguém que Anya Taylor-Joy é uma das atrizes mais promissoras da nossa época desde que estrelou A Bruxa. Uma das séries queridinhas de 2020, O Gambito da Rainha reafirma o talento da jovem que conquistou o público e a crítica, assim, a semelhança entre a protagonista da minissérie e &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-gambito-da-rainha-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Gambito da Rainha: até o jogo da velha pode ser interessante se quem joga é a Anya Taylor-Joy"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_16901" aria-describedby="caption-attachment-16901" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16901" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/queens-gambit-1.jpg" alt="Beth Harmon, possui cabelo curto e laranja e veste um casaco azul, encara a câmera." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/queens-gambit-1.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/queens-gambit-1-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/queens-gambit-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/queens-gambit-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/queens-gambit-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16901" class="wp-caption-text">Criada pelo roteirista escocês Allan Scott, a série conta a história fictícia da talentosa enxadrista Beth Harmon (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><strong>Isabella Siqueira</strong></p>
<p>Não é surpresa para ninguém que Anya Taylor-Joy é uma das atrizes mais promissoras da nossa época desde que estrelou <a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/the-witch-critica"><i>A Bruxa</i></a>. Uma das séries queridinhas de 2020, <i>O Gambito da Rainha </i>reafirma o talento da jovem que conquistou o público e a crítica, assim, a semelhança entre a protagonista da minissérie e de sua intérprete está justamente na característica de prodígio que ambas possuem. Com a implacável Beth Harmon nos mostrando como os jogos de xadrez podem ser tão interessantes quanto as lutas em <a href="https://www.planocritico.com/critica-rocky-um-lutador/"><i>Rocky</i></a> (1976) ou <a href="https://personaunesp.com.br/cobra-kai-netflix-critica/"><i>Karate Kid</i></a> (1984).</p>
<p><span id="more-16903"></span></p>
<p>A <a href="https://www.omelete.com.br/netflix/criticas/o-gambito-da-rainha">produção</a> da Netflix, que estreou no final de outubro, já é umas das mais assistidas de toda a plataforma, e não é por menos. Visto que, a jornada da protagonista leva ação e emoção para o que imaginamos serem partidas chatas de xadrez, sendo impossível não torcer para a jovem que prova seu talento contra todas as expectativas que atuam contra ela.</p>
<figure id="attachment_16906" aria-describedby="caption-attachment-16906" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16906" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/ElJIJiLU0AA_CDi.jpg" alt="Beth Harmon ao lado de Benny Watts, que utiliza um casaco preto e um chapéu" width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/ElJIJiLU0AA_CDi.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/ElJIJiLU0AA_CDi-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/ElJIJiLU0AA_CDi-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/ElJIJiLU0AA_CDi-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16906" class="wp-caption-text">Ao lado da atriz principal, os personagens secundários também se destacam na história, a exemplo do jogador Benny Watts (Thomas Brodie-Sangster) (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p>Logo no primeiro episódio já fica claro o inimigo da trama e de Beth: ela mesma. A prodígio de alguma forma consegue ser o empecilho em sua carreira, mas ainda sim o buraco é mais embaixo. Após o que parece uma cena da jovem de ressaca e atrasada para uma importante partida em Paris, somos levados ao passado conturbado da menina, que após a morte da mãe é enviada para um orfanato em meados de 1950. Sendo apenas mais uma entre várias meninas que esperam uma adoção, Beth logo começa a se esgueirar para praticar xadrez no porão do lugar.</p>
<p>Após essa primeira fase da série, a protagonista adentra mais um espaço familiar desestruturado, mas que ao mesmo tempo a permite ter liberdade para explorar seu talento nato. Adotada por um pai calado e que desaparece rapidamente, a protagonista estabelece uma relação de cumplicidade com sua mãe adotiva e aspirante a empresária, Alma Wheatley (Marielle Heller). A relação entre Anya e Heller é, inclusive, um dos pontos mais agradáveis da obra, mesmo que inicialmente reunidas por conveniência, com a junção desses indivíduos que enfrentam a solidão e o abandono comovendo pela sensibilidade.</p>
<figure id="attachment_16907" aria-describedby="caption-attachment-16907" style="width: 550px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16907" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/TQG_107_Unit_00897RC-550x367-1.jpg" alt="Cenário marrom e escuro de uma partida de xadrez, com Beth senteda de costas com um tabuleiro na frente" width="550" height="367" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/TQG_107_Unit_00897RC-550x367-1.jpg 550w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/TQG_107_Unit_00897RC-550x367-1-300x200.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 550px) 85vw, 550px" /><figcaption id="caption-attachment-16907" class="wp-caption-text">Escrita e dirigida por Scott Frank, a produção constrói bem a atmosfera tensa e emocionante das partidas de xadrez (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p>Com muitas vitórias e uma certa arrogância, essa bem justificada, a trama acompanha Beth em uma jornada onde ela derrota e contesta todos que duvidam dela. E mesmo que a personagem recuse ser retratada pelo diferencial de ser mulher, o machismo clássico dos anos 60 se encontra em cada olhar dos que debocham da prodígio. Logo que começa uma <i>tour </i>por campeonatos pelo país todo, ela concorda em abrir mão de sua juventude e da realidade comum do colegial.</p>
<p>Ao longo dessas partidas e com a descoberta do desejo de derrotar o clássico inimigo russo, considerando claro o contexto da Guerra Fria, alguns nomes bem carismáticos vão ganhando caminho na vida da enxadrista. A exemplos dos jogadores Harry Beltik (Harry Melling) e Benny Watts (Thomas Brodie-Sangster), que apesar de tentarem entrar no mundo e coração fechado da moça, acabam frustrados pela verdadeira obsessão dela: o xadrez.</p>
<p>Contudo, apesar do caminho brilhante que traça em cada partida, <i>O Gambito da Rainha </i>mostra que a derrocada da personagem é inevitável. Os vícios que a acompanham também são o que garantem, na cabeça dela, suas vitórias. Para a protagonista, é impossível vencer sem a bebida ou as pílulas verdes, uma espécie de calmante que surge logo na infância como uma rotina para ela. Mas, o que ela não percebe é o quanto a situação vai se tornando insustentável ao passar do tempo, e como o preço da genialidade não é justo ou gentil.</p>
<figure id="attachment_16908" aria-describedby="caption-attachment-16908" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16908" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/beth-e-sua-mae-Alma-1024x576-1.jpg" alt="" width="1024" height="576" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/beth-e-sua-mae-Alma-1024x576-1.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/beth-e-sua-mae-Alma-1024x576-1-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/beth-e-sua-mae-Alma-1024x576-1-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16908" class="wp-caption-text">Ao lado da atriz e diretora Marielle Heller (The Diary of Teenage Girl), Anya integra uma adorável relação de cumplicidade (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p>A solidão da personagem se acentua pela negação em pedir ajuda e se conectar com outros, apesar dela superar as questões da adolescência como as crises de autoestima e a descoberta do sexo, as barreiras emocionais continuam sendo o demônio de Beth Harmon. Contudo, apesar da impressão de estar sempre sozinha, algumas figuras amigáveis adentram carinhosamente sua vida, como o Sr. Schaibel (Bill Camp), que foi quem lhe ensinou xadrez e por sua vez apostou em seu futuro, e Jolene (Moses Ingram), amiga do orfanato, que ressurge justo no fundo do poço em que a moça se encontrava.</p>
<p>Apesar da trama em si ser muito interessante e vitoriosa em prender quem assiste, a maestria de Anya Taylor-Joy é impecável. A atriz encara uma personagem muito peculiar, com jeitos e maneirismos característicos nas partidas e também momentos dançantes que exalam charme. Ao mesmo tempo chama a atenção a caracterização convincente dos <a href="https://www.instagram.com/p/CHQcSgjHUZB/?utm_source=ig_web_copy_link">anos 60</a>, desde as roupas mais simples até os <a href="https://www.cosmopolitan.com/uk/fashion/style/g34687342/the-queens-gambit-fashion/">vestidos</a> elegantes que ela ostenta na Europa, o amadurecimento da personagem é visível e claro, muito estiloso.</p>
<figure id="attachment_16909" aria-describedby="caption-attachment-16909" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16909" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/4421446.jpg" alt="" width="2000" height="1333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/4421446.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/4421446-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/4421446-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/4421446-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/4421446-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/4421446-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16909" class="wp-caption-text">Ao longo de oito episódios, a elegância da protagonista se mistura com desestabilidade ocasionada pelos vícios (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p>Por mais que <i>O</i> <i>Gambito da Rainha</i> se passe em suma nos Estados Unidos, curiosamente as <a href="https://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/series/o-gambito-da-rainha-conheca-os-locais-reais-usados-na-serie-da-netflix-45519">gravações</a> aconteceram em Berlim e no Canadá. O cenário deprimente do orfanato e as imponentes salas que abrigam as tensas partidas de xadrez também não passam despercebidas. Baseada na obra homônima de Walter Davis lançada em 1983, a adaptação da <i>Netflix </i>acerta também na fotografia e direção, realizada por Scott Frank e Allan Scott, que se complementam bem com o roteiro afiado e figurino belíssimo da produção.</p>
<p>Até para quem não entende nada de xadrez e desse mundo complicado de regras e estratégias, <a href="https://www.nytimes.com/2020/10/21/arts/television/queens-gambit-review-netlix.html"><i>The Queen’s Gambit</i></a> torna emocionante assistir cada partida. Os olhos da focada Beth Harmon são o destaque em diversas cenas, mesmo que não intencionalmente, e a expressão da atriz é um deleite para o público, que vibra a cada movimento, suspiro e por fim, vitória. Histórias sobre amadurecimento nunca saem de moda, e se tiverem a presença de Anya Taylor-Joy elas ficam melhores ainda.</p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/o-gambito-da-rainha-critica/">O Gambito da Rainha: até o jogo da velha pode ser interessante se quem joga é a Anya Taylor-Joy</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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