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	<title>Arquivos Minha História &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Minha História: Documentário sobre Michelle Obama é um ato político e de liberdade</title>
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		<pubDate>Tue, 12 May 2020 20:59:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Documentário]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Michelle Obama]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No site oficial da Casa Branca, Michelle é a única primeira-dama que, ao ser descrita, tem a sua profissão citada antes de ser nomeada como “esposa do 44º presidente dos Estados Unidos” (Foto: Netflix) Natália Santos Depois de levar a estatueta do Oscar de melhor documentário com “Indústria Americana” (2019), a Higher Ground Productions, produtora &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/minha-historia-documentario-sobre-michelle-obama-e-um-ato-politico-e-de-liberdade/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Minha História: Documentário sobre Michelle Obama é um ato político e de liberdade"</span></a></p>
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<figure class="wp-block-image is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" src="https://lh6.googleusercontent.com/1fCn8yUcP3YHis_ZhvDsYQqbEgAxq1eOJ2ncbUCehV7-hFmTXU8bFIJT2b40jnNKcAa0tVoH67tLbS6xJq5oZv1k4g6ViLap9BX3p5ugC41t7I_J_PoeFoTwY506XxH8JEIyc-4" alt="" width="730" height="310"/></figure>



<p style="font-size:12px"><em>No site oficial da Casa Branca, Michelle é a única primeira-dama que, ao ser descrita, tem a sua profissão citada antes de ser nomeada como “esposa do 44º presidente dos Estados Unidos” (Foto: Netflix</em>)</p>



<p></p>



<p><strong>Natália Santos</strong></p>



<p>Depois de levar a estatueta do Oscar de melhor documentário com <a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2020/02/filme-do-casal-obama-faz-cronica-emocional-da-guerra-comercial-eua-china.shtml">“Indústria Americana” (2019)</a>, a <a href="https://tbivision.com/tag/higher-ground-productions/">Higher Ground Productions</a>, produtora do casal 20 Michelle e Barack Obama, retomou a parceria com a Netflix para dar continuidade ao que prometeu ao abrir a empresa: “<a href="https://tbivision.com/2018/05/22/obamas-enter-the-tv-business-via-partnership-with-netflix/">cultivar vozes criativas e auxiliá-las no processo de contar suas histórias</a>”. Dessa vez, a escolhida para compartilhar algo, na nova produção do casal, foi 46ª primeira-dama dos Estados Unidos, conhecida também como Michelle Obama.&nbsp;</p>



<span id="more-13947"></span>



<p>O <a href="https://media.netflix.com/pt_br/press-releases/netflix-higher-ground-productions-announce-original-documentary-becoming">anúncio</a> foi feito no final de abril, exatamente nove dias antes da estreia e distribuição na plataforma da Netflix, gerando grande alvoroço nas redes da ex-primeira-dama. Intitulado “Minha História”, o novo produto da Higher Ground, recebeu a direção de Nadia Hallgren, outra conhecida do streaming pelo curta-metragem <a href="https://www.youtube.com/watch?v=gL3KgfHnJwI">“Após o Furacão Maria” (2019)</a>. Mas, diferente de outros lançamentos da plataforma, a grande propaganda e divulgação ficou em segundo plano. Nem destaque na tela inicial o filme do casal recebeu no dia do lançamento (06/05).</p>



<p>A proposta era simples: um documentário com imagens do backstage da turnê norte-americana de divulgação do livro “Minha História” (Becoming, 2018) de Michelle Obama. Além disso, a produção ainda prometeu um <a href="https://media.netflix.com/pt_br/press-releases/netflix-higher-ground-productions-announce-original-documentary-becoming">olhar íntimo</a> sobre a vida da ex-primeira-dama que, agora, vive um processo de transição pós-Casa Branca. Entretanto, o resultado seguiu um caminho diferente: “Minha História” tornou-se um filme promocional, mas ainda assim político.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Minha História | Trailer oficial| Netflix" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/pXs40bc40fc?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p>Não é novidade que Michelle Obama foi uma primeira-dama diferente para os Estados Unidos e não digo isso restringindo-a somente ao fato de que foi a primeira afro-descendente a ocupar o cargo. Michelle foi uma peça <a href="https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2009/10/546674-parece-que-sou-a-primeira-pessoa-desse-tipo-neste-pais-diz-michelle-obama.shtml">importante e extremamente fundamental nas campanhas</a> de Barack Obama, discursando em comícios e estando cara a cara com os votantes. Posteriormente, durante os oito anos do governo de seu marido, foi <a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2016/10/27/internacional/1477592368_425395.html">ativista</a> em inúmeras causas sociais como em trabalhos com os veteranos de guerra e suas família e na defesa da educação das meninas em todo o mundo.&nbsp;</p>



<p>Entretanto, nem tudo são flores e isso faz questão de ser mostrado no filme. Por meio de uma narrativa em primeira pessoa com <em>inserts</em> da Michelle em entrevistas ou conversando com jovens, também foco de trabalho da advogada, o documentário, até certo ponto intimista, coloca em questão toda a pressão e a ausência de liberdade existente na escolha de ser uma figura pública.&nbsp;</p>



<p>Essa oposição entre pressão e liberdade é simbolizada no filme por cenas de público e o privado da vida da autora. Assim, em situações públicas como em entrevistas, é possível encontrar uma mulher que assume um roteiro rígido a ser seguido, segurando uma performance que não pode ter falhas, afinal está sendo vigiada em todos os movimentos. Enquanto, ao se tratar de liberdade, o espectador encontra uma versão leve de Michelle no ambiente privado como, por exemplo, com a família vendo fotos da infância. E é nesse jogo de público e privado, liberdade e pressão, que as críticas suprimidas nos oito anos de Era Obama saem pela boca de Michelle.<br></p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://lh5.googleusercontent.com/iomKpPTAfl7rVCIbeWUdqylftLMIuyk9AwZG61cy5WcIEBgXCLOwqf432ecQRBmNqoA4Lkpqq4gguq23KQetVQRpWTFZNjrkn7mtQda9ITFMYozk_0UAuNj2NPJsQ4Y7rRmHTCE" alt=""/></figure>



<p style="font-size:12px"><em>O livro de memórias de Michelle bateu o recorde de vendas em 15 dias com dois milhões de exemplares, tornando-se o título mais vendido nos Estados Unidos em 2018 (Foto: Ashlee Rezin/Chicago Sun-Times via AP</em>)<br></p>



<p>Ao todo, a tour de divulgação do livro passou por 34 cidades no território norte americano. Michelle foi recebida e entrevistada por grandes nomes da televisão como Oprah Winfrey, Gayle King e Stephen Colbert em grandes arenas lotadas. Nesses momentos, os momentos de pressão no espaço público, a ex-primeira-dama mostra que não foi apenas um rostinho bonito na Casa Branca ao posicionar-se em relação a momentos históricos do país.</p>



<p>Michelle retoma a perseguição que sofreu da imprensa norte-americana durante a primeira campanha de Barack Obama, mostra-se contrária e cética à ideia de que os Estados Unidos estaria vivendo uma era “Pós-Racial” por ter tido um presidente negro, como se todas as problemáticas raciais tivessem sido supridas com esse fato; e, por fim, ainda explana sem constrangimentos que está feliz e liberta em deixar a vida da Casa Branca.</p>



<p>Assim, nessa combinação entre cenas de entrevistas e fotos de família, algo fica claro: Nadia Hallgren, ao assumir o comando do documentário, presumiu que os espectadores já tinham lido as memórias de Michelle, o que transformou o filme em um produto bônus da obra literária. Mas como bônus, algo novo teria que ser oferecido, e esse especial foi uma imagem totalmente nova da, agora, escritora Michelle: uma mulher sem os trajes assinados por grandes estilistas e com os cabelos cacheados, naturais.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://lh3.googleusercontent.com/1FcozPUi0etdpziAMQqb8ILKU0wp_jaCk19VV14QyZAnRHSlJB-3hPkJAnCVo7RcbphnUUGRpXizQH6DFQrjRSCM39o6ymIDTKVDwlAZHcTJoCTH6FWCxdXqob_uwW6ixF9hctw" alt=""/></figure>



<p style="font-size:12px"><em>Para lidar com as pressões da vida política e com falsas informações sobre sua família, Michelle desenvolveu um mantra: “Quando eles caem, nós subimos” (Foto: Reprodução</em>)</p>



<p>Mesmo acabando por passar grande tempo divulgando o livro, o longa busca refletir aquilo existente em Michelle que é capaz de lotar grandes arenas e livrarias com fãs aos prantos. Esse algo é a potencialidade da ex-primeira-dama em inspirar e envolver os seus ouvintes, afinal não é atoa que ela foi considerada a <a href="https://www.independent.co.uk/news/world/americas/michelle-obama-most-admired-woman-gallup-poll-melania-trump-a9265191.html">mulher mais admirada do mundo</a>, passando o casal Trump em popularidade. Assim, claramente, se não tivessem discursos inspiradores, esse não seria um filme sobre as memórias de Michelle LaVaughn Robinson Obama.</p>



<p>A principal mensagem que Michelle deixa é a de que, assim como ela &#8211; uma garota do sul de Chicago, originária da classe trabalhadora e negra &#8211; outros jovens podem seguir seu sonho, independente de tão alto que seja. Ao dizer no microfone “<em>minha história também pode ser a de vocês</em>”, Michelle não recebe apenas uma salva de palmas, mas consegue reacender uma ponta de esperança em cada ouvinte. “<em>Esperança”</em>, a sensação e o termo mais utilizado nos 8 anos de governo Obama.&nbsp;</p>



<p>Por fim, mesmo que sutil e com teor crítico, a ex-primeira-dama levanta uma reflexão: como o processo de votação nos Estados Unidos pode ser uma forma de fazer com que pequenas vozes tomem proporções maiores, contribuindo com a mudança de uma nação que, até pouco tempo, tinha bebedouros diferenciados para pessoas brancas e pessoas pretas. E, assim, o documentário de proposta intimista, transforma-se em um ato político e de libertação, ao oferecer visibilidade midiática aos pensamentos e opiniões que passaram oito anos apenas na cabeça de Michelle Obama.<br></p>
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