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	<title>Arquivos Milly Shapiro &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Hereditário e a quebra de expectativa do terror</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Jul 2018 00:06:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitor Evangelista  A onda dos filmes de gênero com baixo orçamento e bilheteria astronômica tomou fôlego no ano passado, com dois longas extremamente baratos e retorno inimaginável: It – A Coisa e Corra!, esse segundo inclusive ganhando o Oscar de Melhor Roteiro Original. A produtora estadunidense A24 apostou no formato e na mente perturbada do diretor &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-hereditario/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Hereditário e a quebra de expectativa do terror"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure style="width: 649px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" src="http://cinema.wtf.pt/static/uploads/movie_previews/27810e1e58cc9afbbb4aba123982366b10e7e3e4.jpg" alt="" width="649" height="414" /><figcaption class="wp-caption-text">Dirigido por Ari Aster, o terror Hereditário alegoriza problemas familiares macabros (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitor Evangelista </strong></p>
<p>A onda dos filmes de gênero com baixo orçamento e bilheteria astronômica tomou fôlego no ano passado, com dois longas extremamente baratos e retorno inimaginável: <em>It – A Coisa</em> e <em><a href="http://personaunesp.com.br/corra-filme-critica/">Corra!</a></em>, esse segundo inclusive ganhando o <em>Oscar</em> de Melhor Roteiro Original. A produtora estadunidense <em>A24</em> apostou no formato e na mente perturbada do diretor Ari Aster para lançar às telonas a euforia de <em>Hereditário</em>.<br />
<span id="more-10463"></span></p>
<p>Centrado no declínio de uma família americana de classe média alta, o longa passeia de forma angustiante pela loucura pessoal de cada uma das figuras do clã dos Graham. Annie (Toni Collette) é profissional de miniaturas, mãe de dois filhos recheados de ressentimento materno, atua num relacionamento frio e distante com o marido e leva um baque quando recebe a notícia da morte da mãe, Ellie, já demente e que passou os últimos dias vivendo sob seu teto.</p>
<p><figure style="width: 774px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="" src="http://duastorres.com.br/wp-content/uploads/2018/04/Heredita%CC%81rio.jpg" width="774" height="387" /><figcaption class="wp-caption-text"><em>Hereditário toma como principal inspiração a trama familiar de O Bebê de Rosemary (1968), de Roman Polanski [Foto: Reprodução]</em></figcaption></figure>O principal trunfo do roteiro e da direção de estreia de Aster foi a paciência para dar o devido gosto da atração para o espectador. É quase como se as reações fossem colocadas em banho-maria para o sabor ser extraído por completo, sabor esse que constantemente se torna amargo. <em>Hereditário</em> incomoda.</p>
<p>O diretor filma estaticamente os ambientes, quase como se o ponto de vista fosse uma das maquetes de Annie. A música acompanha a ação das personagens, a partir do momento que a figura do ocultismo cresce, o mesmo ocorre com a trilha. O terceiro ato ensurdece. O diretor também se demora ao adentrar a psique de suas figuras centrais.</p>
<p>Encontra-se em Annie uma personalidade oca e cavoucada, ao passo que Toni Collette aceita mais e mais o sobrenatural ao seu redor. O absurdo dos gritos e caras que a atriz veste para a caracterização da personagem carimbam o talento de Collette e pavimentam esta como uma das melhores atuações do ano até então. A produção não funcionaria tão bem sem a presença ímpar de sua personalidade central.</p>
<figure style="width: 662px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="" src="https://i2.wp.com/www.ahoradomedo.com.br/wp-content/uploads/2018/02/screen-shot-2018-01-29-at-1-28-03-pm.png?fit=780%2C428&amp;ssl=1" width="662" height="363" /><figcaption class="wp-caption-text"><em>Toni Collette já foi indicado ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante, pelo filme O Sexto Sentido, outro longa com a presença do sobrenatural (Foto: Reprodução)</em></figcaption></figure>
<p>Passando para os filhos da família, Peter (Alex Wolff) trabalha muito bem no limiar da sanidade humana em meio a todos os ocorridos ao longo das mais de duas horas de filme. O pai, Steve (Gabriel Byrne), é a figura pé no chão do filme, sempre calculando as possíveis variáveis e falhando sempre na tentativa de acalmar o restante da casa.</p>
<p>O estrelato cai mesmo na sinistra figura de Charlie (Milly Shapiro), a caçula, que atua com os olhos frios e os estalares da boca, sempre cabisbaixa. Charlie representa o clássico ser afetado nas produções de terror conhecidas: a garotinha Regan de <em>O Exorcista</em> <em>(1974)</em> e a figura infantil do anticristo em <em>A Profecia</em> <em>(1977)</em> são exemplos do arquétipo.</p>
<p>Mesmo que seja Charlie quem abre as portas do oculto e convida o terror para dentro da casa, o roteiro de Ari Aster subverte expectativas e constrói uma atmosfera bem semelhante a construída em <em>A Bruxa</em> (2015), paciência é a palavra-chave aqui. Tomadas longas que sucedem sequências alucinantes executam a função da espera, da aceitação. Entretanto, no momento que a tensão chega, o diretor abre mão da subjetividade e explicita tudo que maquinava em sua mente obscura.</p>
<figure id="attachment_10474" aria-describedby="caption-attachment-10474" style="width: 751px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-10474" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/07/imagem-4-2-300x169.jpg" alt="" width="751" height="423" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/07/imagem-4-2-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/07/imagem-4-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/07/imagem-4-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/07/imagem-4-2-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/07/imagem-4-2.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-10474" class="wp-caption-text"><em>O filme teve recepção ótima da crítica estrangeira, chegando a somar 89% de aprovação no site Rotten Tomatoes (Foto: Reprodução)</em></figcaption></figure>
<p>Com uma estética minimalista, <em>Hereditário</em> transita como uma farsa digna da era de ouro da Grécia, não atoa o personagem de Peter estuda Medeia nas cenas das aulas de Literatura. Ari Aster remonta os épicos ancestrais num formato atual, estiloso e cheio de vigor. O diretor opta por posicionar sua câmera não só no interior de ambientes quadrados e fechados, como também no âmago de suas personagens, cada qual perdendo a lucidez a sua maneira.</p>
<p>O longa peca, porém, na excessiva auto explicação. A certa altura, já tendo se explanado duas vezes, o roteiro faz uma curva em retrocesso e torna a verbalizar os motivos do sobrenatural se prostrar firma ali. Quiçá por exigência de estúdio, quiçá por perfeccionismo do diretor; a certeza que fica é que o longa se beneficiaria mais se melhor apostasse na subjetividade das ações de suas personagens. Digno de ser dissecado e reinterpretado, <em>Hereditário</em> assusta e firma Ari Aster como uma das promessas do <a href="http://personaunesp.com.br/um-lugar-silencioso-critica/">terror</a> que está sendo produzido em terras estadunidenses.</p>
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