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	<title>Arquivos Melhor Roteiro Adaptado &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Timothée Chalamet prova que Bob Dylan é um estado de espírito em Um Completo Desconhecido</title>
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		<pubDate>Sun, 02 Mar 2025 20:24:58 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathalia Tetzner Um menino circense, uma sensação do folk ou um andarilho? Com mais de seis décadas de carreira e inúmeras transições de gênero musical, Bob Dylan sempre foi e permanecerá um enigma. Sob a perspectiva de que o compositor, dono de um Nobel da Literatura, se trate de algo além do que uma ideia &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/um-completo-desconhecido-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Timothée Chalamet prova que Bob Dylan é um estado de espírito em Um Completo Desconhecido"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34872" aria-describedby="caption-attachment-34872" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-34872" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Imagem-1.jpg" alt="Cena do filme Um Completo Desconhecido. Na cena, há uma silhueta de um músico em um palco, iluminado por uma luz em foco, tocando guitarra. A composição da imagem é simples e focada, com o músico no centro, em destaque. O artista está posicionado em um palco, possivelmente numa apresentação. A iluminação, direcionada ao músico, cria um contraste forte entre a figura escura e o fundo levemente iluminado. As linhas do corpo do músico, bem como a guitarra e o microfone, ficam bem definidas, sem detalhes excessivos. A posição do músico sugere movimento e ação, como de uma apresentação musical." width="2048" height="1325" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Imagem-1.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Imagem-1-800x518.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Imagem-1-1024x663.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Imagem-1-768x497.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Imagem-1-1536x994.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Imagem-1-1200x776.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34872" class="wp-caption-text">A Complete Unknown recebeu oito indicações ao Oscar 2025, incluindo a de Melhor Filme, Melhor Direção e Melhor Som (Foto: Searchlight Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Nathalia Tetzner</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um menino circense, uma sensação do </span><i><span style="font-weight: 400;">folk</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou um andarilho? Com mais de seis décadas de carreira e inúmeras transições de gênero musical, </span><a href="https://www.theatlantic.com/magazine/archive/2025/01/a-complete-unknown-bob-dylan-biopic/680761/"><span style="font-weight: 400;">Bob Dylan</span></a><span style="font-weight: 400;"> sempre foi e permanecerá um enigma. Sob a perspectiva de que o compositor, dono de um Nobel da Literatura, se trate de algo além do que uma ideia performática, </span><i><span style="font-weight: 400;">Um Completo Desconhecido</span></i><span style="font-weight: 400;"> traz Timothée Chalamet em um papel que prova como o Dylan é, na verdade, um estado de espírito. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O cineasta James Mangold, que também dirigiu a biografia do astro do </span><i><span style="font-weight: 400;">country</span></i><span style="font-weight: 400;"> Johnny Cash, </span><i><span style="font-weight: 400;">Johnny &amp; June</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2006), repete a aclamação da crítica especializada com oito indicações ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2025/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2025</span></a><span style="font-weight: 400;"> para a obra que acompanha Robert Allen Zimmerman até sua ascensão e primeira grande mudança de sonoridade. Uma vez símbolo político de uma era que clamava por liberdade, o público se depara com a paranoia da fama e o desejo de uma metamorfose interna.</span></p>
<p><span id="more-34871"></span></p>
<blockquote><p><i><span style="font-weight: 400;">“Todo mundo pergunta de onde vêm essas músicas, Sylvie. Mas, então, você observa seus rostos e eles não estão perguntando de onde vêm as músicas. Eles estão perguntando por que as músicas não chegaram até eles.”</span></i></p>
<p style="text-align: right;"><span style="font-weight: 400;">-Um Completo Desconhecido (2025)</span></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Na disputa pela estatueta de Melhor Roteiro Adaptado da premiação mais tradicional do Cinema, Mangold e Jay Cocks escreveram </span><i><span style="font-weight: 400;">A Complete Unknown </span></i><span style="font-weight: 400;">(no original) a partir do livro </span><i><span style="font-weight: 400;">Dylan Goes Electric! </span></i><span style="font-weight: 400;">de Elijah Wald, que retrata o caos no universo </span><i><span style="font-weight: 400;">folk</span></i><span style="font-weight: 400;"> quando o intérprete de </span><i><span style="font-weight: 400;">Blowin’ In The Wind</span></i><span style="font-weight: 400;"> passou a compor com guitarras elétricas, o que resultou no lendário disco </span><i><span style="font-weight: 400;">Highway 61 Revisited </span></i><span style="font-weight: 400;">(1965). A partir desse momento, nada mais o prenderia em uma </span><a href="https://rollingstone.com.br/cinema/timothee-chalamet-comemora-vitoria-no-sag-awards-nao-consigo-acreditar/"><span style="font-weight: 400;">zona de conforto</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, para segurar toda essa carga dramática que não pode ser revelada no semblante de uma figura notoriamente inexpressiva, nada melhor do que um certo ator franco-americano. Exatamente como afirmou, em entrevista ao </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=qj5MvD1bpMU"><i><span style="font-weight: 400;">60 Minutes</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que provavelmente tentaria ‘</span><i><span style="font-weight: 400;">out-Bob</span></i><span style="font-weight: 400;">’ o lendário músico se o encontrasse, Timothée Chalamet traz para as telas aquele Bob Dylan que todo mundo esperava ver, mas com um toque especial, que faz parecer que nem mesmo o próprio pode ser uma pessoa assim, tão peculiar.</span></p>
<figure id="attachment_34873" aria-describedby="caption-attachment-34873" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-34873" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Imagem-2.jpg" alt="Cena do filme Um Completo Desconhecido. Na cena, uma mulher com um casaco marrom e uma saia branca toca violão em um palco ao ar livre, em meio à vegetação exuberante. A composição da imagem mostra uma mulher de pé em um palco, aparentemente tocando violão. Ela está centralizada na imagem, e o palco está rodeado por árvores. O fundo é composto por uma ampla área verde de árvores e galhos. A mulher está em primeiro plano, ocupando a maior parte do espaço central." width="2048" height="1365" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Imagem-2.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Imagem-2-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Imagem-2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Imagem-2-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Imagem-2-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Imagem-2-1200x800.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34873" class="wp-caption-text">“Outras meninas dedilham, Tito, elas sorriem. Joanie, olha para os sapatos dela. Age deprimida. Deixa os homens loucos” (Foto: Searchlight Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao lado de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/timothee-chalamet/"><span style="font-weight: 400;">Chalamet</span></a><span style="font-weight: 400;">, que tem chances consideráveis de sair premiado como Melhor Ator pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, Monica Barbaro, por vezes, rouba completamente a cena como Joan Baez. Em um longa-metragem biográfico que não tem medo de mostrar o seu protagonista brincando com os sentimentos de duas mulheres, Barbaro e Elle Fanning oferecem performances incríveis, ainda que apenas a primeira concorra ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Atriz Coadjuvante.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Embora apresente uma linha de raciocínio </span><a href="https://www.otempo.com.br/entretenimento/2025/2/26/um-completo-desconhecido-cinebiografia-de-bob-dylan-acerta-ao-preservar-sua-aura-enigmatica"><span style="font-weight: 400;">muito coesa</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Um Completo Desconhecido</span></i><span style="font-weight: 400;"> obviamente se alonga em sequências musicais e, acidentalmente, proporciona uma tensão quase sexual entre Bob Dylan e Johnny Cash, vivido por Boyd Holbrook. O ator, também indicado como Melhor Ator Coadjuvante na premiação, é tão ótimo que deixa tanto os espectadores quanto o próprio Dylan extremamente fascinados pelo carisma – mesmo que faça aparições de forma muito aleatória na trama.</span></p>
<figure id="attachment_34874" aria-describedby="caption-attachment-34874" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-34874" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Imagem-3.jpg" alt="Cena do filme Um Completo Desconhecido. Na cena, uma rua noturna movimentada, com edifícios de tijolos vermelhos e letreiros luminosos em vermelho, ilustra um momento de uma cidade movimentada à noite. O foco principal é um homem que caminha na rua. Ele está vestido com roupas escuras e parece estar caminhando com uma expressão neutra. Os carros estacionados ao longo da rua são de vários modelos e estão em diferentes pontos de estacionamento." width="2048" height="1441" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Imagem-3.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Imagem-3-800x563.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Imagem-3-1024x721.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Imagem-3-768x540.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Imagem-3-1536x1081.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Imagem-3-1200x844.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34874" class="wp-caption-text">O time de produção musical trabalhou com a Gibson para ter acesso a instrumentos de arquivo (Foto: Searchlight Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Fato é que a obra também diz muito sobre a relação entre </span><a href="https://rollingstone.com.br/cinema/bob-dylan-esteve-envolvido-com-um-completo-desconhecido-descubra/"><span style="font-weight: 400;">artista e inspiração</span></a><span style="font-weight: 400;">. Afinal, é graças a uma faixa composta em homenagem a Woody Guthrie (Scoot Mcnairy), músico engajado politicamente e um dos maiores ídolos de Bob Dylan, que Pete Seeger (Edward Norton) decide introduzir o jovem ao cenário </span><i><span style="font-weight: 400;">folk</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Nova Iorque na década de 1960. Por sinal, toda a composição visual de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Complete Unknown</span></i><span style="font-weight: 400;"> é formidável, o que justifica a nomeação como Melhor Figurino para Arianne Phillips.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para além das chances de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a biografia mostra ser uma verdadeira força tarefa. Desde a direção sob medida de James Mangold até as interpretações do elenco; Timothée Chalamet, Monica Barbaro, Edward Norton e Boyd Holbrook cantaram e tocaram os próprios instrumentos. De fato, </span><i><span style="font-weight: 400;">Um Completo Desconhecido</span></i><span style="font-weight: 400;"> valoriza uma lenda da Música ainda em vida e, com a ajuda principal de Chalamet, busca um Bob Dylan desmaterializado com o tempo para mostrá-lo como um estado de espírito. </span></p>
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		<title>Ficção Americana traz drama familiar com uma comédia crítica e ácida</title>
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		<pubDate>Fri, 08 Mar 2024 19:43:46 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32689" aria-describedby="caption-attachment-32689" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-32689 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/jeffrey-wright-as-thelonious-monk-ellison-from-american-fiction.jpg" alt="Cena do filme Ficção Americana. Na imagem, o personagem Monk aparece no centro, segurando livros coloridos de sua autoria. Ele usa uma camiseta polo preta, e óculos de grau marrons. Ele está em uma livraria, cercado por prateleiras cheias de livros." width="750" height="375" /><figcaption id="caption-attachment-32689" class="wp-caption-text">Uma das surpresas do Oscar 2024, Ficção Americana marca o primeiro trabalho de Cord Jefferson na grande tela (Foto: Amazon MGM Studios)</figcaption></figure>
<p><b>Rafael Gomes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ficção</span><i><span style="font-weight: 400;"> Americana</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a história de Thelonious Ellison – também conhecido como Monk –, um escritor que não lança um livro há anos e que está cansado de como histórias de pessoas negras são tratadas na cultura americana. O filme se divide em dois: a primeira metade é sobre sua família excêntrica e disfuncional, que conta com uma irmã afetuosa (</span><span style="font-weight: 400;">Tracee Ellis Ross</span><span style="font-weight: 400;">), um irmão rebelde (</span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/sterling-k-brown/"><span style="font-weight: 400;">Sterling K.Brown</span></a><span style="font-weight: 400;">, que rouba a cena) e sua mãe adoecida (Leslie Uggams), que ele visita em Boston. A segunda parte é sobre o livro fictício <em>My Pafology</em>, uma história sobre traficantes armados, tráfico de drogas e pais ausentes, escrito sob a alcunha de Stagg R Leigh e enviado ao seu agente. Monk esperava que a Indústria entendesse a sátira e os estereótipos colocados sobre autores negros, ao forçá-los cada vez mais a escreverem esse tipo de história. Porém, o efeito foi o contrário: o livro se tornou um </span><i><span style="font-weight: 400;">best-seller</span></i><span style="font-weight: 400;"> e vira o maior sucesso do protagonista.</span></p>
<p><span id="more-32670"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa traz a estreia de </span><span style="font-weight: 400;">Cord Jefferson</span><span style="font-weight: 400;"> no Cinema, após grandes sucessos na TV como </span><a href="https://www.adorocinema.com/series/serie-19583/"><i><span style="font-weight: 400;">Master of None</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-good-place-5-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">The Good Place</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Watchmen</span></i><span style="font-weight: 400;">. Outro destaque é a atuação de </span><span style="font-weight: 400;">Jeffrey Wright</span><span style="font-weight: 400;">, conhecido por papéis em </span><a href="https://personaunesp.com.br/westworld-3-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Westworld</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://personaunesp.com.br/batman-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Batman</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Wright traz um Monk carrancudo e irritado com tudo por meio de uma representação sutil, mas espetacular. Com desempenhos fantásticos, o maior destaque vai para Sterling K. Brown – famoso pela série </span><em><a href="https://personaunesp.com.br/this-is-us-5a-temporada-critica/"><span style="font-weight: 400;">This is Us</span></a></em><span style="font-weight: 400;"> – que interpreta Cliff e rouba o destaque das poucas cenas em que aparece, com uma pitada cômica e ao mesmo tempo trágica, ao trazer um personagem que apenas quer ser reconhecido e ao adicionar drama à trama.</span></p>
<figure id="attachment_32690" aria-describedby="caption-attachment-32690" style="width: 630px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-32690" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/sterling-k-brown-as-clifford-ellison-from-american-fiction.jpg" alt="Cena do filme Ficção Americana. Ao fundo da cena, é possível ver uma casa de cor branca, com uma iluminação noturna. Ao centro da imagem está Clifford, homem de pele negra, com cabelo e um cavanhaque, está utilizando uma corrente e está usando uma camisa de botão de cor amarela. Sua expressão é de reflexão." width="630" height="315" /><figcaption id="caption-attachment-32690" class="wp-caption-text">Indicado ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante, Sterling K. Brown pode ser uma surpresa para faturar o prêmio (Foto: Amazon MGM Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O núcleo familiar de Monk é único e bem diferente dos retratados nos </span><i><span style="font-weight: 400;">best-sellers</span></i><span style="font-weight: 400;"> que o protagonista é contra. Ainda com cicatrizes abertas por conta do suicídio do pai, tendo que lidar com uma outra morte próxima à família e com as crises de </span><a href="https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/a/alzheimer#:~:text=A%20Doen%C3%A7a%20de%20Alzheimer%20(DA,neuropsiqui%C3%A1tricos%20e%20de%20altera%C3%A7%C3%B5es%20comportamentais."><span style="font-weight: 400;">Alzheimer</span></a><span style="font-weight: 400;"> da mãe, além de seu irmão “rebelde”, o protagonista tem sua própria tragédia familiar. Esse drama doméstico é uma construção importante para entendermos as motivações do personagem, ao enxergamos neles a pluralidade de gostos, as histórias e as experiências que o autor busca em personagens negros da literatura. Essa jornada familiar é o coração do filme, enquanto a crítica do livro seria a cabeça. </span></p>
<p><a href="https://www.adorocinema.com/filmes/filme-316372/"><i><span style="font-weight: 400;">Ficção Americana</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> brilha como uma sátira incisiva, sendo ao mesmo tempo provocativa e extremamente acessível. Seu grande trunfo está em criticar quem clama pela diversidade, mas a quer apenas para ganhar mais dinheiro ou para reforçar estereótipos étnico-raciais. Em sua maioria, os criticados são todos brancos, mas também há espaço para quem se aproveita do sistema, em que mesmo atacando um mercado que só pensa no monetário, ajuda a difundir obras que amplificam o pensamento de que as minorias devem ter histórias determinadas pelo sofrimento. O filme defende uma gama maior de narrativas negras, mas não somos levados a acreditar que Monk está 100% correto no descarte da comunidade, das ruas e da violência, pois essa é a realidade da vida de muitos.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa recebeu cinco indicações ao </span><em><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></a></em> 2024<span style="font-weight: 400;"> nas categorias de Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Ator Coadjuvante e Melhor Trilha Sonora. O roteiro, escrito por Cord, foi premiado no </span><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA</span></i><span style="font-weight: 400;"> e representa a melhor chance de premiação. Porém, isso não é garantia de vitória, por causa das concorrências de peso como </span><a href="https://personaunesp.com.br/oppenheimer-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Oppenheimer</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/pobres-criaturas-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Pobres Criaturas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/barbie-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Barbie</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/zona-de-interesse-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Zona de Interesse</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure id="attachment_32680" aria-describedby="caption-attachment-32680" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-32680 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/27123715802103-800x451.png" alt="Cena do filme Ficção Americana. No fundo da imagem está uma casa grande, próxima à praia, cheia de escadas com a bandeira americana hasteada à esquerda do personagem principal Munk, que está no centro da imagem, com uma expressão preocupada. Monk é uma pessoa de pele negra, careca e barbuda. Está utilizando uma camisa social de cor branca. " width="800" height="451" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/27123715802103-800x451.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/27123715802103-1024x577.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/27123715802103-768x433.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/27123715802103-1200x676.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/27123715802103.png 1296w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32680" class="wp-caption-text">Ficção Americana não teve lançamento nos cinemas do Brasil e chegou diretamente no Prime Video (Foto: Amazon MGM Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O ponto mais fraco do filme está em seu final. Com uma conclusão metalinguística, que admite a dificuldade de finalizá-lo, mesmo sendo curiosa e diferente, ela decepciona, por falhar na hora de oferecer resolução ou de se apoiar na falta dela. Com atuações espetaculares e direção e roteiro precisos, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_vR1BPaVvLo"><i><span style="font-weight: 400;">Ficção Americana</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um duro golpe para quem acredita que a diversidade é apenas uma discussão rasa para preencher cotas. Ao negar a problemática de uma indústria que tem pouco interesse em aprofundar pautas importantes, o longa as leva para o grande público de maneira instigadora, cutucando na ferida através do humor.</span></p>
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		<title>Zona de Interesse: o mal mora ao lado</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Mar 2024 13:42:12 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Gomez Uma tela preta com um som grave ao fundo inicia e encerra Zona de Interesse. A introdução subversiva dá o tom provocante da obra de Jonathan Glazer, que, ao invés de filmar os horrores dos campos de concentração da Segunda Guerra Mundial, aposta no senso ético dos espectadores para interpretar a dissonância entre &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/zona-de-interesse-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Zona de Interesse: o mal mora ao lado"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32630" aria-describedby="caption-attachment-32630" style="width: 860px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32630" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/zona-de-interesse-1.webp" alt="Cena de Zona de Interesse." width="860" height="526" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/zona-de-interesse-1.webp 860w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/zona-de-interesse-1-800x489.webp 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/zona-de-interesse-1-768x470.webp 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32630" class="wp-caption-text">Além da indicação à Palma de Ouro, Zona de Interesse saiu vencedor do Grande Prêmio no Festival de Cannes (Foto: Diamond Films)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Gomez</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma tela preta com um som grave ao fundo inicia e encerra </span><i><span style="font-weight: 400;">Zona de Interesse</span></i><span style="font-weight: 400;">. A introdução subversiva dá o tom provocante da obra de Jonathan Glazer, que, ao invés de filmar os horrores dos campos de concentração da Segunda Guerra Mundial, aposta no senso ético dos espectadores para interpretar a dissonância entre o que se vê e o que se escuta. Curiosamente, a </span><a href="https://www.termometrooscar.com/melhor-ediccedilatildeo-de-som.html"><span style="font-weight: 400;">melhor aposta</span></a><span style="font-weight: 400;"> para o longa-metragem no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, no qual foi indicado em cinco categorias, não é Melhor Som.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse ponto, a aparição de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Zone of Interest</span></i><span style="font-weight: 400;"> escancara algo ainda mais perturbador. Junto de outras produções nomeadas este ano, como o iminente vencedor </span><a href="https://personaunesp.com.br/oppenheimer-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Oppenheimer</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (também sobre a Segunda Guerra) e o merecedor </span><i><span style="font-weight: 400;">Assassinos da Lua das Flores</span></i><span style="font-weight: 400;">, a premiação parece ter uma predileção por passar a limpo tragédias movidas pelo dedo humano (coincidentemente, em que o dedo é estadunidense). No entanto, a preferência é seletiva: enquanto homenageia documentários propagandísticos, como aconteceu no ano passado com </span><a href="https://personaunesp.com.br/navalny-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Navalny</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e pode se repetir esse ano com o manipulador </span><i><span style="font-weight: 400;">20 Dias em Mariupol </span></i><span style="font-weight: 400;">(sobre a guerra na Ucrânia), o país berço do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">não só nega um genocídio em andamento, como </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/senado-dos-eua-aprova-pacote-de-ajuda-de-us-95-bilhoes-para-ucrania-e-israel/#:~:text=Israel%20%7C%20CNN%20Brasil-,Senado%20dos%20EUA%20aprova%20pacote%20de%20ajuda%20de%20US,bilh%C3%B5es%20para%20Ucr%C3%A2nia%20e%20Israel&amp;text=O%20Senado%20dos%20Estados%20Unidos,um%20confronto%20com%20a%20C%C3%A2mara."><span style="font-weight: 400;">o financia</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-32629"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É diante de tamanha hostilidade que </span><i><span style="font-weight: 400;">Zona de Interesse </span></i><span style="font-weight: 400;">cresce. A reflexão sobre a conivência com uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/assassinos-da-lua-das-flores-critica/"><span style="font-weight: 400;">limpeza étnica</span></a><span style="font-weight: 400;">, ignorando os gritos e tiros do outro lado do muro em prol de um suposto bem-estar social, tem o potencial para cutucar a ferida daqueles que permanecem omissos e, sem mau-caratismo, veem para além do que o filme opta por mostrar.</span></p>
<figure id="attachment_32631" aria-describedby="caption-attachment-32631" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32631" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/zona-de-interesse-4.webp" alt="Cena de Zona de Interesse." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/zona-de-interesse-4.webp 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/zona-de-interesse-4-800x450.webp 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/zona-de-interesse-4-1024x576.webp 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/zona-de-interesse-4-768x432.webp 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/zona-de-interesse-4-1536x864.webp 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/zona-de-interesse-4-1200x675.webp 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32631" class="wp-caption-text">Steven Spielberg comparou Zona de Interesse com A Lista de Schindler, mas, ao contrário do segundo, o primeiro pressupõe que o espectador tenha conhecimento prévio do que foi o Holocausto (Foto: Diamond Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na </span><a href="https://letterboxd.com/kmf/film/the-zone-of-interest/"><span style="font-weight: 400;">obra</span></a><span style="font-weight: 400;">, adaptada livremente do livro homônimo de Martin Amis, de 2014, uma família alemã vive ao lado do campo de concentração Auschwitz. O patriarca é Rudolf Höss (Christian Friedel), que encabeça a administração do campo em sua fase inicial e, na vida real, o tornou uma máquina de ceifar vidas. Ele passa a maior parte do tempo se dedicando ao regime nazista e às ordens de Adolf Hitler, mas a esposa Hedwig (Sandra Hüller) e os filhos vivem uma vida tranquila e pacata no casarão, aproveitando os jardins e a horta, os amplos quartos e salas, estufa e a piscina. O </span><a href="https://www.vanityfair.com/hollywood/2023/11/sandra-huller-steps-cautiously-into-the-spotlight"><span style="font-weight: 400;">cachorro</span></a><span style="font-weight: 400;"> corre pelo quintal enquanto os mais novos brincam, a mulher caminha com o bebê no colo e sente o aroma das flores, o filho mais velho dá possivelmente seu primeiro beijo nos fundos da casa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O cotidiano seria pacífico e até normal de se assistir, se não fosse o que mora ao lado. O </span><a href="https://www.polygon.com/24055667/zone-of-interest-sound-design-interview-oscar-home-release"><span style="font-weight: 400;">trabalho de som</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Johnie Burn e Tarn Willers faz soar tiros, sirenes, gritos de pessoas amedrontadas e de militares raivosos do outro lado do muro. Algumas noites, as crianças imitam os ruídos que alcançam sua vida tranquila e as tiram o sono. O cachorro nem se incomoda com os estrondos, tamanho o costume. A mãe de Hedwig (Imogen Kogge), que visita a residência, reforça o quanto a filha venceu na vida, mas é a única que se incomoda e deixa o lugar depois de ver as labaredas de fogo vindas do quintal vizinho. Para a família, a crueldade e o desprezo pela vida humana é algo rotineiro, beirando a cegueira. Para quem assiste, um lembrete de que o preço a pagar pela resistência é muito maior do que pela ignorância.</span></p>
<figure id="attachment_32634" aria-describedby="caption-attachment-32634" style="width: 2500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32634" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/zona-de-interesse.jpg" alt="Cena de Zona de Interesse." width="2500" height="1340" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/zona-de-interesse.jpg 2500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/zona-de-interesse-800x429.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/zona-de-interesse-1024x549.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/zona-de-interesse-768x412.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/zona-de-interesse-1536x823.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/zona-de-interesse-2048x1098.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/zona-de-interesse-1200x643.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32634" class="wp-caption-text">A experiência de escutar Zona de Interesse nos cinemas é perturbadora, mas, felizmente, o design de som fez adaptações para as TVs caseiras (Foto: Diamond Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de retratar o descaso, Glazer não cede a ele. O diretor e roteirista mantém seus personagens longe das câmeras e, se por um lado evita aproximações e uma possível romantização, por outro se afasta o suficiente dos seus objetos a ponto de quase eximi-los de responsabilidade pela apatia frente à sombra da morte. O conceito da “</span><a href="https://www.vox.com/culture/23733985/zone-interest-arendt-banality-review-canes-jonathan-glazer"><span style="font-weight: 400;">banalidade do mal</span></a><span style="font-weight: 400;">” que virou jargão para definir as intenções por trás de </span><i><span style="font-weight: 400;">Zona de Interesse </span></i><span style="font-weight: 400;">não chega a esvaziar o tema, mas corre o risco de negligenciar que, por trás da tragédia, há pessoas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É no retrato dessas pessoas que o longa-metragem opõem a realidade proposta pelo som. A esposa vivida por Sandra Hüller, em sua segunda </span><a href="https://personaunesp.com.br/anatomia-de-uma-queda-critica/"><span style="font-weight: 400;">aparição grandiosa</span></a><span style="font-weight: 400;"> nessa temporada de premiação, se ocupa de criar os filhos enquanto o marido está no trabalho sujo, visto por ela como algo honroso, e se vangloria da vida perfeita que construiu. Ela cuida das crianças e da horta, recebe as amigas para um café da tarde e sofre com a possível mudança de lar. Em alguns dos momentos mais simbólicos para mostrar o que há por trás de tanta paz, Hedwig prova roupas novas que vieram diretamente de judeus aprisionados vivendo ao lado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já o marido interpretado por Christian Friedel se mantém distante e frio. Assim como a esposa, ele exemplifica o conflito do </span><a href="https://tesouracomponta.com/zona-de-interesse-prioriza-sua-forma-e-mostra-dualidade-do-horror/"><span style="font-weight: 400;">filme</span></a><span style="font-weight: 400;">: o mal não dá gargalhadas, mas vive ao lado de forma comum. Ele recebe companheiros de trabalho, tem ambições profissionais, se frustra com planos que dão errado e igualmente têm seus dilemas em deixar a família. Ainda assim, a rigidez do regime nazista está ali: ele não treme quando revela estar pensando em como matar todos no ambiente e sua única demonstração de carinho é um “eu te amo” para o cavalo de estimação. Mesmo as falas mais cruéis não se comparam à indiferença da família Höss.</span></p>
<figure id="attachment_32632" aria-describedby="caption-attachment-32632" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32632" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/zona-de-interesse-2.jpg" alt="" width="1000" height="563" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/zona-de-interesse-2.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/zona-de-interesse-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/zona-de-interesse-2-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32632" class="wp-caption-text">Zona de Interesse foi indicado nas categorias de Trilha Sonora, Melhor Filme e Melhor Filme em Língua Não Inglesa no Globo de Ouro, e venceu como Melhor Filme Britânico e Melhor Filme em Língua Não Inglesa no BAFTA (Foto: Diamond Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na lista de Melhor Filme no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Zona de Interesse </span></i><span style="font-weight: 400;">pode ficar atrás dos seus concorrentes, mas é uma vitória quase certeira em Melhor Filme Internacional para o </span><a href="https://variety.com/2023/film/awards/zone-of-interest-country-oscars-international-feature-1235624029/"><span style="font-weight: 400;">Reino Unido</span></a><span style="font-weight: 400;"> (já que a </span><a href="https://variety.com/2024/film/global/france-dysfunctional-oscar-committee-anatomy-of-a-fall-1235880857/"><span style="font-weight: 400;">França desistiu de submeter</span></a><span style="font-weight: 400;"> seu </span><i><span style="font-weight: 400;">Anatomia de Uma Queda</span></i><span style="font-weight: 400;">). O longa ainda trava certa concorrência em Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Direção, ambos para Jonathan Glazer. No </span><i><span style="font-weight: 400;">line-up </span></i><span style="font-weight: 400;">da premiação, a mensagem que fica é que, enquanto reflete sobre tragédias passadas, o</span> <a href="https://www.poder360.com.br/internacional/guerra-em-gaza-e-pior-do-que-o-holocausto-diz-embaixador-palestino/"><span style="font-weight: 400;">genocídio em andamento</span></a><span style="font-weight: 400;"> ainda não é digno da mesma comoção norte-americana.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não por isso o longa deixa de refletir sobre si mesmo. Em uma das cenas finais mais impactantes da categoria principal, o comandante de Auschwitz fica enjoado e </span><a href="https://www.vulture.com/article/the-zone-of-interests-vomit-inducing-ending-explained.html"><span style="font-weight: 400;">vomita</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao descer as escadas, saindo de uma reunião da organização nazista. A ruptura é temática, violando a perspectiva e rigidez proposta até ali, mas também é na forma estilística. A montagem de Paul Watts viaja no tempo para depois do </span><a href="https://screenrant.com/zone-of-interest-steven-spielberg-review/"><span style="font-weight: 400;">Holocausto</span></a><span style="font-weight: 400;">, mostrando o saldo do que se tornou o campo de concentração, um lembrete da crueldade humana que ceifou milhões de vidas. Também abre possibilidades para interpretação – há um resquício de humanidade, uma luz no fim do túnel da brutalidade? A história tomou seu próprio rumo, mas se repete e </span><i><span style="font-weight: 400;">Zona de Interesse </span></i><span style="font-weight: 400;">tem o potencial para oferecer um momento de reflexão.</span></p>
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		<title>Açúcar e violência: Pobres Criaturas é sobre devorar o mundo para experimentá-lo</title>
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		<pubDate>Fri, 01 Mar 2024 18:11:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Giovanna Freisinger “Eu me aventurei e não encontrei nada além de açúcar e violência”. Essas são as palavras de Bella Baxter em Pobres Criaturas após andar pelas ruas de Lisboa sozinha, vendo o mundo com os próprios olhos pela primeira vez. Adaptado do romance vitoriano Pobres Criaturas de Alasdair Gray, com o roteiro assinado por &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/pobres-criaturas-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Açúcar e violência: Pobres Criaturas é sobre devorar o mundo para experimentá-lo"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32555" aria-describedby="caption-attachment-32555" style="width: 980px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32555" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4.png" alt="Cena do filme Pobres Criaturas. A personagem Bella Baxter (branca e com os cabelos pretos e compridos até o quadril e as sobrancelhas cheias) está vestindo ombreiras grandes em azul claro sobre a blusa branca, combinadas com um shorts alto amarelo claro. A personagem olha para cima com um olhar curioso. Atrás dela, a cidade é decorada com o comércio de pães e outros alimentos na rua" width="980" height="653" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4.png 980w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4-768x512.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32555" class="wp-caption-text">Pobres Criaturas prova que histórias livres para imaginar, ousar e ser um pouco estranhas ainda movimentam audiências (Foto: Searchlight Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Giovanna Freisinger</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu me aventurei e não encontrei nada além de açúcar e violência</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Essas são as palavras de Bella Baxter em </span><i><span style="font-weight: 400;">Pobres Criaturas </span></i><span style="font-weight: 400;">após andar pelas ruas de Lisboa sozinha, vendo o mundo com os próprios olhos pela primeira vez. Adaptado do romance vitoriano </span><a href="https://www.nytimes.com/2024/02/21/books/review/poor-things-alasdair-gray-novel.html"><i><span style="font-weight: 400;">Pobres Criaturas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Alasdair Gray, com o roteiro assinado por </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-great-3a-temporada-critica/"><span style="font-weight: 400;">Tony McNamara</span></a><span style="font-weight: 400;">, a nova obra de </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-sacrificio-do-cervo-sagrado-critica/"><span style="font-weight: 400;">Yorgos Lanthimos</span></a><span style="font-weight: 400;"> é um banquete sensorial. </span></p>
<p><span id="more-32551"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com cores vibrantes, arranjos musicais provocantes, caracterizações exageradas e elementos surrealistas de ficção científica, o longa é uma experiência audiovisual como nenhuma outra, principalmente diferente de qualquer coisa que vemos nas salas de cinema há tempos. Não à toa, está concorrendo ao troféu de Melhor Filme no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> 2024, junto a outras 10 indicações, que também incluem Lanthimos em Melhor Direção e McNamara em Melhor Roteiro Adaptado. </span></p>
<figure id="attachment_32552" aria-describedby="caption-attachment-32552" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32552" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1.png" alt="Cena do filme Pobres Criaturas. Preto e branco. Em meio a nuvens brancas, Bella Baxter caminha com uma mala de mão sobre uma ponte que se forma sustentada por cinco globos oculares gigantes" width="1999" height="1333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1.png 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-1536x1024.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-1200x800.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32552" class="wp-caption-text">O visual surrealista e imersivo do filme te transporta para um universo fantástico durante as suas duas horas e vinte minutos de duração (Foto: Searchlight Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O diretor tem um olho particularmente bom para reconhecer talentos e, mais do que isso, enxergar o potencial de um ator para ir onde ainda não teve a oportunidade de explorar. Essa não é a sua primeira colaboração com Emma Stone, que encarna a protagonista nada comum Bella Baxter. Ela teve um papel importante em </span><a href="https://youtu.be/7U6if0KGvIM?feature=shared"><i><span style="font-weight: 400;">A Favorita</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">em 2018, que também recebeu muita atenção das grandes premiações. Os dois trabalharam juntos novamente no curta-metragem </span><a href="https://www.carocineasta.com.br/2023/10/yorgos-lanthimos-e-emma-stone-sobre-o.html"><i><span style="font-weight: 400;">Bleat</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em 2022. É arrebatador o encontro entre dois criativos que falam a mesma língua e, assim, expandem a sua Arte com a parceria. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Interpretar Baxter garantiu à atriz a sua quarta indicação ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> por atuação, concorrendo como uma das favoritas ao prêmio de </span><a href="https://www.vogue.com/article/2024-oscars-best-actress-race"><span style="font-weight: 400;">Melhor Atriz</span></a><span style="font-weight: 400;">, o que pode significar sua segunda vitória. Stone participou da concepção do longa também como produtora executiva, o que coloca seu nome na corrida pelo troféu de Melhor Filme, sua quinta indicação da carreira.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A personagem é o resultado de um experimento do brilhante cientista Dr. Godwin Baxter, a quem ela se refere apenas como God &#8211; uma simbologia bem escancarada. O especialista, interpretado com maestria por </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-farol-the-lighthouse-critica/"><span style="font-weight: 400;">Willem Dafoe</span></a><span style="font-weight: 400;">, se preocupa muito pouco com as considerações éticas envolvendo os seus projetos. Stone alcança um novo patamar em sua carreira ao desenvolver em detalhe, junto ao diretor, os modos de caminhar, se portar e falar de Bella do zero, para então se desprender deles de maneira tão orgânica que a criatura amadurece como uma nova mulher diante dos nossos olhos, sem percebermos a mudança abrupta. </span></p>
<figure id="attachment_32557" aria-describedby="caption-attachment-32557" style="width: 950px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32557" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image5.png" alt="Cena do filme Pobres Criaturas. Bella Baxter está deitada em uma  maca de metaç, dos ombros para cima, com os olhos abertos e um olhar vazio. Sua cabeça está inserida em um meio globo transparente, conectando a metais e fios a personagem" width="950" height="554" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image5.png 950w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image5-800x467.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image5-768x448.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32557" class="wp-caption-text">Stone compete pelo Oscar de Melhor Atriz com Annette Bening (NYAD), Lily Gladstone (Assassinos da Lua das Flores), Sandra Hüller (Anatomia de Uma Queda) e Carey Mulligan (Maestro) (Foto: Searchlight Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama de </span><i><span style="font-weight: 400;">Poor Things </span></i><span style="font-weight: 400;">(no original) se passa durante o século XIX, mas o compromisso assumido não é com a precisão histórica, e sim com a construção de um mundo através das lentes da visão da Bella, que está o conhecendo pela primeira vez. A distorção dos cenários e os demais efeitos conquistados pela fotografia de </span><a href="https://youtu.be/L-sZZzsVw0A?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">Robbie Ryan</span></a><span style="font-weight: 400;"> através de lentes amplas, com efeito olho de peixe, conversam com o </span><a href="https://www.architecturaldigest.com/story/inside-the-surreal-universe-of-poor-things"><span style="font-weight: 400;">design do set</span></a><span style="font-weight: 400;"> de cores saltadas e elementos futuristas, criado pela direção de arte de James Price, Shona Heath e Zsuzsa Mihalek. Juntos, somam mais duas indicações ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> em suas respectivas categorias: Melhor Fotografia e Melhor Direção de Arte.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Todos os elementos do filme também acompanham a evolução do arco da protagonista, o mais evidente sendo a transição do preto e branco da sua criação para o colorido vibrante das novas descobertas. Os figurinos extravagantes e cativantes de </span><a href="https://www.nytimes.com/2024/01/02/movies/emma-stone-bella-baxter-costumes-poor-things.html"><span style="font-weight: 400;">Holly Waddington</span></a><span style="font-weight: 400;">, que trazem uma leitura moderna à moda da época, e as maquiagens e penteados de </span><a href="https://www.wallpaper.com/fashion-beauty/poor-things-hair-and-make-up-yorgos-lanthimos-film"><span style="font-weight: 400;">Nadia Stacey</span></a><span style="font-weight: 400;">, Mark Coulier e Josh Weston são ferramentas para a expressão vibrante da personalidade e estado mental dos personagens ao longo do enredo. A trilha sonora de Jerskin Fendrix não é diferente: as composições se transformam e se expandem em complexidade conforme Bella amadurece e encontra o seu lugar no mundo como mulher. Todas essas categorias também foram notadas pela Academia e concorrem à premiação. </span></p>
<figure id="attachment_32553" aria-describedby="caption-attachment-32553" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32553" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2.png" alt="Cena do filme Pobres Criaturas. Visão de baixo para cima da cidade de Lisboa no filme. Prédios altos e amarelados. Um transporte passa ao alto suspenso por fios entre os prédios. O céu azul claro é coberto por nuvens rosas" width="1600" height="966" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2.png 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-800x483.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-1024x618.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-768x464.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-1536x927.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-1200x725.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32553" class="wp-caption-text">Ryan e Lanthimos compartilharam em entrevista à Variety que construir Lisboa foi um de seus maiores desafios (Foto: Searchlight Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Lanthimos definiu, em </span><a href="https://vogue.globo.com/cultura/noticia/2024/02/pobres-criaturas-de-yorgos-lanthimos-e-um-convite-a-experimentacao-da-vida.ghtml"><span style="font-weight: 400;">entrevista</span></a><span style="font-weight: 400;"> à Vogue Brasil, </span><i><span style="font-weight: 400;">Pobres Criaturas</span></i><span style="font-weight: 400;"> como &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">um filme sobre o que um ser humano é capaz de fazer em um novo começo, com uma tela em branco, e o que experimenta a partir daí de uma maneira diferente do que já foi feito</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Bella Baxter é uma personagem extremamente interessante de assistir por ser completamente livre de quaisquer convenções sociais ou morais. Por questionar tudo, ela expõe ao ridículo regras fúteis da sociedade ao seu redor, como as de etiqueta, e nos faz olhar para o modus operandi em que vivemos. A mulher-criança decide o que quer a partir do que lhe dá prazer e, fazendo isso, planta a pergunta em nós: o que está nos impedindo de fazer o mesmo?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse processo, a protagonista esbarra em uma de suas descobertas mais fascinantes: </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2024/jan/30/poor-things-sex-scenes-intimacy-coordinator-elle-mcalpine-yorgos-lanthimos"><span style="font-weight: 400;">o orgasmo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Começa como uma curiosidade sensorial, de revelação do próprio corpo e suas sensações de prazer, como uma jovem na puberdade com a inocência de acreditar que é a primeira a descobrir isso. Eventualmente, a sua busca se estende a outros corpos e as possibilidades ao se relacionar com eles, não só restritas ao desejo, mas também à vontade de conhecer de perto as inúmeras formas de relações interpessoais. </span></p>
<figure id="attachment_32554" aria-describedby="caption-attachment-32554" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32554" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3.png" alt="Cena do filme Pobres Criaturas. Ao centro de um salão de festas, Bella Baxter dança com os braços para cima. A personagem está usando uma regata branca e uma saia longa rosa. Ao fundo, dois casais dançam e pessoas assistem sentadas em mesas de jantar" width="1999" height="1208" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3.png 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3-800x483.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3-1024x619.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3-768x464.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3-1536x928.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3-1200x725.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32554" class="wp-caption-text">Bella Baxter arranca risadas falando sem filtro coisas que todos pensamos e não temos coragem de falar (Foto: Searchlight Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Duncan Wedderburn, personagem de </span><a href="https://personaunesp.com.br/i-know-this-much-is-true-critica/#google_vignette"><span style="font-weight: 400;">Mark Ruffalo</span></a><span style="font-weight: 400;">, aparece como uma porta para o mundo afora e seus deslumbres. Bella se deixa ser guiada pelo advogado arrogante em seus primeiros passos em direção à independência, mas não permite que ele determine o caminho. O horizonte de sua curiosidade se expande para além de sensações e momentos, através de livros e pessoas que, assim como ela, questionam o que é estabelecido. O relacionamento dos dois desmorona conforme ela aprende a andar com os seus próprios pés.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É aí que, de repente, a criança é Duncan: birrento e perdido, representação de um homem que não só não está acostumado com frustrações, mas que também não consegue conceber em sua mente a noção de uma mulher que talvez queira experimentar o mundo, muito como o próprio, e não tenha interesse em se restringir às suas promessas, não importa o quão sinceras. O que Ruffalo conquista em cena é espetacular. A performance charmosa e hilária de um sedutor dramático é um dos pontos mais altos do filme, o que o levou ao reconhecimento muito merecido com a indicação ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://variety.com/feature/2024-oscars-best-supporting-actor-predictions-1235678122/"><span style="font-weight: 400;">Melhor Ator Coadjuvante</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em defesa do galã desiludido, não é só Wedderburn que demonstra não saber como reagir a uma mulher como Bella. Quase todos ao redor da protagonista querem encontrar formas de controlá-la e moldá-la de acordo com suas crenças e interesses pessoais. Uma eventual exceção é o seu criador, God, que passa a abrir mão do controle sobre o seu experimento para deixá-la seguir sua própria caminhada. Com isso, ele se torna um pai ao qual ela retorna, como uma redenção de </span><a href="https://time.com/6344025/poor-things-frankenstein-mary-shelley-feminist/"><span style="font-weight: 400;">Frankenstein</span></a><span style="font-weight: 400;"> com o seu monstro. </span></p>
<figure id="attachment_32556" aria-describedby="caption-attachment-32556" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32556" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image6.png" alt="Cena do filme Pobres Criaturas. Bella Baxter, vestida com camadas de tule rosa sobre os ombros, está sentada escrevendo algo sobre o colo. Duncan Wedderburn abraça a personagem de lado, olhando para ela enquanto ela não desvia o olhar para encará-lo de volta" width="1500" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image6.png 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image6-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image6-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image6-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image6-1200x800.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32556" class="wp-caption-text">“Eu estou tão cansado de ser tão bem comportado”: Ruffalo falou sobre sair da caixinha de bom moço para Deadline (Foto: Searchlight Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O cerne de</span><i><span style="font-weight: 400;"> Pobres Criaturas </span></i><span style="font-weight: 400;">é a quebra da ilusão, a saída da caverna para Bella. A vida é, sim, sobre doces deliciosos, viagens, dança e sexo, mas também é sobre violência, injustiça e miséria. Quando o amigo que ela conhece no cruzeiro, interpretado por </span><a href="https://www.newyorker.com/culture/on-television/rothaniel-reviewed-jerrod-carmichaels-vital-coming-out"><span style="font-weight: 400;">Jerrod Carmichael</span></a><span style="font-weight: 400;">, se revolta com a sua ingenuidade e decide a expor ao mundo real, ela experimenta a culpa. Até então ignorante a essa realidade, ela é colocada diante da parte feia do que torna o seu estilo de vida possível. Esse é um ponto crucial no seu desenvolvimento, o impulso necessário para começar a perceber as estruturas sobre as quais a sociedade se apoia e entender que conhecer a verdade pode ser doloroso, mas é o único caminho para a liberdade. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Pobres Criaturas | Trailer Oficial" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/9DEOJkmZLd8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Oppenheimer: a explosão e os destroços de uma mente brilhante</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Feb 2024 15:51:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Pâmela Palma  O novo filme de Christopher Nolan (Tenet) estreou de um jeito diferente de tudo produzido pelo cineasta até hoje. Oppenheimer chegou às telas com um teor crítico e extremamente didático, algo raramente produzido por outros grandes nomes da atualidade. De forma densa, realista e rica em detalhes, a obra nasce com a intenção &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/oppenheimer-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Oppenheimer: a explosão e os destroços de uma mente brilhante"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32520" aria-describedby="caption-attachment-32520" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32520" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image3-3.jpg" alt="" width="1000" height="562" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image3-3.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image3-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image3-3-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32520" class="wp-caption-text">Herói ou vilão? Algumas pessoas riram, outras choraram, mas a maioria ficou em silêncio (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Pâmela Palma </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O novo filme de</span><span style="font-weight: 400;"> Christopher</span><span style="font-weight: 400;"> Nolan (</span><a href="https://personaunesp.com.br/tenet-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Tenet</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) estreou de um jeito diferente de tudo produzido pelo cineasta até hoje. </span><i><span style="font-weight: 400;">Oppenheimer</span></i><span style="font-weight: 400;"> chegou às telas com um teor crítico e extremamente didático, algo raramente produzido por outros grandes nomes da atualidade. De forma densa, realista e rica em detalhes, a obra nasce com a intenção de retratar biograficamente a vida do físico e cientista J. Robert Oppenheimer, responsável pelo Projeto Manhattan e pelas duas grandes bombas atômicas utilizadas pelos Estados Unidos nas cidades de Hiroshima e Nagasaki como ultimato para cessar a Segunda Guerra Mundial em 1945.</span></p>
<p><span id="more-32517"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para facilitar a compreensão das três horas densas, Nolan constrói uma versão dupla, dividindo as cenas em duas partes: as coloridas, que representam a visão de Oppenheimer (Cillian Murphy), e as que possuem tratamento preto e branco, que, ao invés de relatarem fatos passados, teletransportam o público para o presente, em uma visão externa dos acontecimentos, fazendo com que o filme ganhe um caráter </span><a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/filmes/oppenheimer-tem-algo-inedito-na-historia-do-cinema/"><span style="font-weight: 400;">inédito</span></a><span style="font-weight: 400;"> e uma construção visual impecável. Apesar disso, em alguns momentos, o diretor parece ter dificuldade para encaixar os contextos em suas respectivas linhas do tempo, já que o longa aborda diversos personagens para seguir com a história.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O secreto Projeto Manhattan deu origem a Los Alamos, cidade financiada pelo governo americano que foi usada como berço para a bomba atômica. A arma, responsável por aniquilar cerca de</span><a href="https://br.ign.com/oppenheimer/111528/news/quantas-pessoas-morreram-pela-invencao-de-oppenheimer"><span style="font-weight: 400;"> 265 mil pessoas</span></a><span style="font-weight: 400;">, foi construída em segredo no local, liderada por Oppenheimer com a participação de outros renomados físicos, que também ganharam pequenos momentos na trama. Entretanto, o grande elemento de análise é J. Robert Oppenheimer, vivido de forma impecável por Murphy, concorrendo à estatueta de Melhor Ator no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_32521" aria-describedby="caption-attachment-32521" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32521" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image4-3.jpg" alt="" width="600" height="420" /><figcaption id="caption-attachment-32521" class="wp-caption-text">O físico testemunhou com seus próprios olhos o poder dilacerador de sua invenção (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Polêmico, ambicioso, confuso e covarde (quando não se tratava de física) são palavras que resumem bem a personalidade do cientista. Embora dono de uma mente genial, ele já possuía comportamentos problemáticos desde a academia. No que diz respeito à construção pessoal do personagem, a trama entrega ótimos resultados, principalmente nos primeiros momentos, ao abordar o fascínio de Oppenheimer pelos elementos químicos, em uma jornada para provar a si mesmo que ele pode fazer mais. É nítido que </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/cillian-murphy-comeu-apenas-uma-amendoa-por-dia-para-fazer-oppenheimer-diz-atriz/"><span style="font-weight: 400;">Cillian Murphy</span></a><span style="font-weight: 400;"> dá a vida e todo o charme necessário para trazer todas as nuances esperadas para o papel. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Muito da obra gira em torno do caos político que pairava sobre a época. Neste contexto, Oppenheimer se afeiçoa </span><a href="https://pipocasclub.com.br/2023/07/24/oppenheimer-era-um-espiao-ele-era-comunista-entenda/"><span style="font-weight: 400;">pelo comunismo</span></a><span style="font-weight: 400;">, logo quando se torna um professor renomado. Sua família não faz diferente: o irmão, Frank (Dylan Arnold), era membro ativo do Partido Comunista, e para a cereja do bolo, o protagonista se casa com Katherine (Emily Blunt), também alinhada ao movimento. Mesmo deixando a organização após se casar, por saber das complicações que causaria na trajetória do marido, os rastros desse passado os perseguem para sempre, se tornando o grande estopim para a carreira brilhante do físico ir ladeira abaixo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um ponto alto que merece o devido reconhecimento é o papel que Emily Blunt interpreta durante o desenrolar da história, crucial tanto para a trama, quanto para o descanso dos telespectadores e também reconhecida com uma nomeação da Academia, como Melhor Atriz Coadjuvante. É ela quem traz os principais momentos de emoção, já que a história conta com atuações totalmente racionais e frias. Por outro lado, Florence Pugh, que vive Jean, a amante do protagonista, não teve a mesma sorte e fez o melhor que pôde com seus </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/cinema/oppenheimer-nolan-pediu-desculpas-a-florence-pugh-por-papel-pequeno-no-filme/#:~:text=Florence%20Pugh%20interpretou%20Jean%20Tatlock%20em%20Oppenheimer%20-,de%20tela%20Reda%C3%A7%C3%A3o%20Publicado%20em%2023%2F08%2F2023%2C%20%C3%A0s%2011h00"><span style="font-weight: 400;">poucos minutos</span></a><span style="font-weight: 400;"> de tela, que, na maioria, são apenas cenas de cunho sexual. Entre os saltos dessas relações, é nítido quão confusa é a mente de Oppenheimer, vivendo em uma relação morna com ambas as mulheres de sua vida, sem transparecer a sensação de um amor profundo. A morte de Jean surge apenas para tentar trazer uma entonação emocional para o personagem, mas acaba sendo irrelevante. Cillian Murphy e papéis sentimentais na mesma frase são coisas quase impossíveis.</span></p>
<figure id="attachment_32519" aria-describedby="caption-attachment-32519" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32519" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image2-2.jpg" alt="" width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image2-2.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image2-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image2-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image2-2-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32519" class="wp-caption-text">Mais um arrependimento para Oppenheimer acompanhar aos outros que já existem na sua estante (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">À medida que o projeto se desenvolve e a tão esperada data do grande teste chega, nota-se a evolução do quadro perturbador do pai da bomba atômica. Além disso, algo muito importante vem à tona: o início das movimentações de Lewis Strauss (Robert Downey Jr.) para fazer com que Oppenheimer perca seus acessos confidenciais logo após a entrega da arma. Essa virada de chave é o primeiro passo de Nolan para a tentativa de segurar a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4LGGdHiEaaM"><span style="font-weight: 400;">curiosidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> do espectador para o restante da trama.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Trinity, o momento que todos aguardavam ansiosamente, chega com um apoio gigantesco da trilha sonora de </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/0rwbMKjNkp4ehQTwf9V2Jk"><span style="font-weight: 400;">Ludwig Goransson</span></a><span style="font-weight: 400;">. Composta por pianos, violinos e harpas, ela sustenta o suspense nos minutos antes da explosão, quando surge a grande reviravolta: o silêncio interminável, ao invés do barulho estrondoso de uma bomba, tudo que se pode ouvir é a respiração profunda de Oppenheimer. Nolan faz questão de projetar a cena desta maneira para lembrar que o filme é sobre a visão do personagem e não mais uma história sobre o ataque como outras mil que já existem. É o silêncio que permite captar as emoções de medo e ansiedade do físico, que seguem pelo momento em que os caminhões levam as verdadeiras bombas ao campo de batalha, no qual o vemos desmanchar em arrependimento.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com um sucesso monstruoso, </span><i><span style="font-weight: 400;">Oppenheimer</span></i><span style="font-weight: 400;"> acumulou estimados US$ 700 milhões nas bilheterias pelo mundo. O favorito da crítica lidera a lista de filmes indicados ao</span> <a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">com 13 indicações, superando </span><i><span style="font-weight: 400;">Pobres Criaturas</span></i><span style="font-weight: 400;">, que possui 11 indicações na premiação mais aguardada do ano. Além deste grande êxito, o filme ainda levou várias estatuetas de premiações renomadas do cinema, como Globo de Ouro, </span><i><span style="font-weight: 400;">SAG Awards</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA</span></i><span style="font-weight: 400;"> (o </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">britânico) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Critic’s Choice Awards</span></i><span style="font-weight: 400;">. No </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, consolida sua corrida com Melhor Diretor, para Christopher Nolan, Melhor Filme e Melhor Som, entre outras nomeações.</span></p>
<figure id="attachment_32518" aria-describedby="caption-attachment-32518" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32518" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image1-3.jpg" alt="" width="1600" height="1067" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image1-3.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image1-3-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image1-3-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image1-3-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image1-3-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image1-3-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32518" class="wp-caption-text">Quem tem um amigo como Lewis Strauss, não precisa de um inimigo (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Seguindo com as explosões. Quando o projeto final é entregue nas mãos das autoridades americanas, as suspeitas de Oppenheimer ser um espião soviético já estão no auge, já que uma operação comandada por um comitê forjado tem investigado a fundo seu passado. Vem a tona que tudo isso é armado por seu até então colega </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-1000033990/"><span style="font-weight: 400;">Lewis Strauss</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Robert Downey Jr.). A atuação de </span><span style="font-weight: 400;">Downey Jr. </span><span style="font-weight: 400;">entrega uma performance avassaladora, talvez a melhor de sua carreira, digna de um</span><i><span style="font-weight: 400;"> Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">de Melhor Ator Coadjuvante.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como nem tudo na vida é perfeito</span><span style="font-weight: 400;">, ainda faltando cerca de uma hora de </span><i><span style="font-weight: 400;">Oppenheimer</span></i><span style="font-weight: 400;">, após o ponto alto que foi o teste Trinity, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=fez7X_oevNs"><span style="font-weight: 400;">Christopher</span><span style="font-weight: 400;"> Nolan</span></a><span style="font-weight: 400;"> assume o desafio de terminar de contar o restante da história de maneira que prenda a atenção do público. O que sobrou foi um emaranhado de questões políticas que decidiram o destino da carreira de J. Robert Oppenheimer. Os momentos de julgamento parecem intermináveis, contudo, necessários para a finalização do longa, que termina relatando nada mais e nada menos do que a realidade de uma mente brilhante que foi usada pelas autoridades da época e praticamente esquecida depois, reduzido a um homem comum colecionando medalhas.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="OPPENHEIMER - Novo Trailer (Universal Studios) – HD" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/F3OxA9Cz17A?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Trazendo todos os elementos importantes para que possamos chamá-lo de um ‘‘super filme&#8221;, </span><i><span style="font-weight: 400;">Oppenheimer</span></i><span style="font-weight: 400;"> não é para amadores. Longo, denso e detalhista, é uma obra-prima quando se trata de estrutura, uma vez que todos os elementos visuais e sonoros são excepcionalmente bem empregados. Ainda que o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JLkpxRXJ1_8"><span style="font-weight: 400;">elenco</span></a><span style="font-weight: 400;"> possua grandes nomes para tentar suavizar a densidade, a história exige atenção máxima nas três horas de duração e ainda não superou outras grandes produções de Christopher Nolan, como</span><i><span style="font-weight: 400;"> A Origem </span></i><span style="font-weight: 400;">e</span><i><span style="font-weight: 400;"> Interestelar</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ainda assim, é evidente que é um dos </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-melhores-filmes-de-2022/"><span style="font-weight: 400;">maiores lançamentos</span></a><span style="font-weight: 400;"> de 2023.</span></p>
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		<title>Circuito Cineclube Sesc &#8211; Infiltrado na Klan e as veias abertas da América racista</title>
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		<pubDate>Mon, 03 Apr 2023 15:47:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Veiga Em 2017, quando aconteceu a passeata de Charlottesville, Infiltrado na Klan provavelmente estava finalizando seu processo de pesquisa e escrita ou começando suas filmagens. Talvez Spike Lee não esperasse que sua história, apesar de latente na sociedade contemporânea, se manteria tão atual. Muito além de apenas tocar na ferida do racismo, a obra &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/infiltrado-na-klan-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Circuito Cineclube Sesc &#8211; Infiltrado na Klan e as veias abertas da América racista"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30631" aria-describedby="caption-attachment-30631" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30631 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-1.jpg" alt="Cena de Infiltrado na Klan. Nela vemos os personagens Ron, um homem negro de cabelo black power e barba cheia e Patrice, uma mulher negra de cabelo black power. Ron veste uma camisa vermelha e um relógio na mão direita. Patrice veste uma espécie de poncho, com algumas pedrarias em seus dois punhos. Os dois apontam uma arma para a câmera. Eles estão em um corredor de apartamentos e a fotografia está granulada." width="1200" height="503" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-1-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-1-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-1-768x322.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30631" class="wp-caption-text">A exibição do longa no Sesc Bauru encerrou a Mostra “Cinema é Direito”, e contou com a participação do Prof. Dr. Juarez Xavier, referência no ativismo antirracista, no debate após a apresentação do filme (Foto: Focus Features)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Veiga</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2017, quando aconteceu a </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/brasil-40913908"><span style="font-weight: 400;">passeata de Charlottesville</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Infiltrado na Klan</span></i><span style="font-weight: 400;"> provavelmente estava finalizando seu processo de pesquisa e escrita ou começando suas filmagens. Talvez Spike Lee não esperasse que sua história, apesar de latente na sociedade contemporânea, se manteria tão atual. Muito além de apenas tocar na ferida do racismo, a obra também assumiu o papel de estancar um sangramento que, em sua esmagadora maioria, continua derramando sangue negro. De acordo com a mensagem que antecede o logo do filme, “</span><i><span style="font-weight: 400;">essa parada é baseada em merdas reais pra caralho</span></i><span style="font-weight: 400;">”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa, que no seu aniversário de cinco anos encerrou a Mostra </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-cinema-e-direito/"><i><span style="font-weight: 400;">Cinema é Direito</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> do </span><a href="https://www.instagram.com/p/CpN2Cb7uTur/"><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;"> no Sesc Bauru</span></a><span style="font-weight: 400;">, conta a história de </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/historia-ron-stallworth-o-policial-negro-se-que-infiltrou-na-ku-klux-klan.phtml"><span style="font-weight: 400;">Ron Stallworth</span></a><span style="font-weight: 400;"> (John David Washington), um policial negro da extremamente branca cidade de Colorado Springs. No local, em um momento de ebulição social americana, ele descobre uma célula da Ku Klux Klan ativa na cidade e decide se infiltrar na organização, dividindo sua identidade com o detetive branco ‘Flip’ Zimmerman (Adam Driver). Mas é no teor dessa mesma mensagem que está escondida a intenção de </span><a href="https://mubi.com/pt/cast/spike-lee"><span style="font-weight: 400;">Spike Lee</span></a><span style="font-weight: 400;"> de, na verdade, trazer um meio termo entre fato e ficção para transmitir a ótica do diretor para o público. Tal aspecto transforma </span><i><span style="font-weight: 400;">Infiltrado na Klan</span></i><span style="font-weight: 400;"> em uma das obras mais conscientes e contundentes da extensa carreira do cineasta.</span></p>
<p><span id="more-30628"></span></p>
<figure id="attachment_30632" aria-describedby="caption-attachment-30632" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30632 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-2.jpg" alt="Cena de Infiltrado na Klan. Nela vemos um discurso feito em uma associação de estudantes negros. Nela temos o personagem Stokely Carmichael, um homem negro de cabelo curto. Ele veste um terno preto uma camisa branca e um óculos preto. Ao seu lado direito, está Patrice, uma mulher negra de cabelo black power. Ela veste uma jaqueta de couro preta, um vestido preto e um óculos. Ao lado dos dois, há mais duas pessoas negras, mas somente uma é visível: um homem que veste uma jaqueta verde e uma camiseta preta. No palco, há um púlpito com os dizeres “POWER” e ao fundo, um cartaz escrito “COLORADO COLLEGE BLACK STUDENT UNION”. Todos estão com o punho erguido." width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-2.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-2-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30632" class="wp-caption-text">“Todo o poder para todas as pessoas” (Foto: Focus Features)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra, ao mesmo tempo que retoma as raízes do idealizador, que levou referências do Cinema </span><a href="https://darkside.blog.br/o-que-e-blaxploitation-veja-5-exemplos-de-filmes-do-genero/"><i><span style="font-weight: 400;">blaxploitation</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">para Hollywood com </span><a href="https://ultraverso.com.br/garimpo-faca-a-coisa-certa/"><i><span style="font-weight: 400;">Faça a Coisa Certa</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1989), revitaliza o diretor. A ideia é de Jordan Peele, que um ano antes despontava como o novo e excelente nome do Cinema negro, mas que, diante de uma absurda história real, repleta de meandros factíveis com a atualidade, só via um nome capaz de traduzir essa crítica para as telas: Spike Lee.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Stallworth, de fato, existiu, assim como o execrável </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/brasil-45874344"><span style="font-weight: 400;">simpatizante de certos políticos</span></a><span style="font-weight: 400;"> brasileiros, David Duke. ‘Flip’ Zimmerman, detetive parceiro de Ron nas telas, na verdade é Chuck. Não se tem noção se ele realmente era judeu, mas nessa história fazia total sentido atribuir ao personagem cético de Adam Driver à parcela étnico-religiosa que também era odiada pelo grupo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história também tem um choque de datas: Ron só se infiltrou na organização seis anos após se tornar policial, em 1978, diferente de </span><i><span style="font-weight: 400;">Infiltrado na Klan </span></i><span style="font-weight: 400;">(<em>BlacKkKlansman</em>, no original)</span><span style="font-weight: 400;">, em que toda a narrativa se passa em 1972. Porém, era essencial atribuir um período que tanto a Ku Klux Klan como o Movimento Negro Americano estavam marginalizados, para, assim, traçar um paralelo de origem e suas ressonâncias atualmente. Por tais aspectos, a obra é uma pérola de adaptação, que não a toa rendeu o </span><a href="https://personaunesp.com.br/?s=oscar"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">de Melhor Roteiro Adaptado, sendo também um respiro de esperança na lamentável edição da premiação em 2019, que premiou o &#8211; antirracista até a página dois &#8211; </span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Cultura/noticia/2019/02/por-que-green-book-e-criticado-por-ativistas-e-familiares-de-don-shirley.html"><i><span style="font-weight: 400;">Green Book</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> como Melhor Filme.</span></p>
<figure id="attachment_30629" aria-describedby="caption-attachment-30629" style="width: 1400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30629 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-3.jpg" alt="Cena de Infiltrado na Klan. Nela vemos Ron Stallworth, interpretado por John David Washington, um homem negro,d e cabelo black power e barba cheia. Ele veste uma jaqueta marrom em couro e uma camisa listrada branca. Ao seu fundo,há uma parede de madeira e um mapas cidade de Colorado Springs" width="1400" height="787" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-3.jpg 1400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30629" class="wp-caption-text">O longa venceu o Prêmio do Júri no Festival de Cannes de 2018 (Foto: Focus Features)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Parece que a sensação que </span><i><span style="font-weight: 400;">Infiltrado na Klan</span></i><span style="font-weight: 400;"> quer provocar é aquela de quando rimos de algo questionável e o riso, a princípio de alegria, se transforma em nervosismo. Ele começa flertando com a comédia sarcástica e termina na crítica, justamente para evidenciar que esses formatos de ódio, assim como as fantasias brancas e pontudas, são tão repugnantes que passam por períodos em disfarces. Quando os indivíduos ali sentirem-se seguros, se exibem sem pudor. E com o cineasta tendo mesclado esses dois gêneros durante toda sua filmografia, nesse longa, mais uma vez ele se sente em casa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A genialidade tanto do diretor como do roteiro, encabeçado por Lee e acompanhado de Kevin Willmott, David Rabinowitz e Charlie Wachtel, são traduzidos em tela através de uma montagem espetacular, guiadas por </span><a href="https://www.instagram.com/barryalexanderbrown/"><span style="font-weight: 400;">Barry Alexander Brown</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ela abusa do </span><i><span style="font-weight: 400;">blaxploitation</span></i><span style="font-weight: 400;"> para dar vida à ideia das mentes criadoras e desenvolver um ritmo delicioso de se acompanhar, intercalando passagens mais calmas com o desenvolvimento dos personagens, de cortes rápidos e cheios de invencionismos como telas divididas ou inserção de pôsteres. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esses aspectos nos presenteiam com cenas lindas, como a da Associação de Estudantes Negro do Colorado, na qual o discurso sobre a beleza negra é sobreposto com </span><i><span style="font-weight: 400;">closes</span></i><span style="font-weight: 400;"> da plateia atenta acompanhando. Mas a passagem que resume o primor da montagem é o momento em que Jerome, interpretado por Harry Belafonte (</span><a href="https://personaunesp.com.br/destacamento-blood-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Destacamento Blood</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) conta a história do </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-51657141"><span style="font-weight: 400;">Linchamento de Waco</span></a><span style="font-weight: 400;">, em 1916. Nesse momento, a cena é divida com a Ku Klux Klan se preparando para assistir uma sessão de </span><a href="https://incinerrante.com/textos/o-nascimento-de-uma-nacao-estetica-ideologia-mascaras/"><i><span style="font-weight: 400;">O Nascimento de uma Nação</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, filme de 1915 (um ano antes da tragédia) que é uma das bases simbólicas da KKK e do movimento supremacista americano.</span></p>
<figure id="attachment_30633" aria-describedby="caption-attachment-30633" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30633 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-4.jpg" alt="Cena de Infiltrado na Klan. Nela vemos, da esquerda para a direita, David Duke, um homem branco de cabelos e bigode castanho claro e olhos azuis. Ele veste um terno marrom, um colete preto, uma camisa branca e uma gravata listrada em preto. Ele segura uma taça de espumante. Ron Stallworth, um homem branco de cabelo black power e barba cheia está abraçado em Duke. Ele veste uma camisa jeans e uma camiseta preta. Ao seu lado há um homem branco de cabelos castanhos. Ele veste um suéter preto e uma camisa marrom. Os três posam para uma foto, de forma que os dois brancos estão visivelmente incomodados pelo abraço do homem negro." width="1280" height="536" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-4.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-4-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-4-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-4-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-4-1200x503.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30633" class="wp-caption-text">A cena em que o verdadeiro Ron Stallworth é designado para fazer a segurança de David Duke realmente aconteceu (Foto: Focus Features)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Todo o primor do longa por trás das câmeras consegue ser replicado à frente delas. O grande nome que carregava o longa era do próprio Spike Lee, porém o elenco entrou afiadíssimo no projeto. John David Washington (</span><a href="https://personaunesp.com.br/tenet-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Tenet</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Malcolm &amp; Marie</span></i><span style="font-weight: 400;">), filho de Denzel Washington, emula perfeitamente o deslocamento de uma figura que não é bem-vinda em seus espaços, seja a polícia da época (uma espécie de Klan) ou a Ku Klux Klan. Já Adam Driver, que ganhava relevância com a nova trilogia de </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-despertar-da-forca-5-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Star Wars</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, faz de </span><i><span style="font-weight: 400;">Infiltrado na Klan</span></i><span style="font-weight: 400;"> mais um na sua sequência de escolhas acertadas. Ele é um retrato preciso da branquitude que, por muito tempo, escanteou o problema da propagação de ódio por acreditar não ser afetada, e sutilmente demonstra um ódio genuíno por fazer parte daquele grupo e perceber sua negligência.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Do lado da organização nefasta, Topher Grace (</span><i><span style="font-weight: 400;">That ‘70s Show</span></i><span style="font-weight: 400;">) impressiona pela semelhança com David Duke, desde sua postura assustadoramente serena e até mesmo pela </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6Yx3c0i5Fyk&amp;ab_channel=APArchive"><span style="font-weight: 400;">voz</span></a><span style="font-weight: 400;"> do supremacista ter timbres de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=65p80XAMxhw&amp;ab_channel=That%2770sShow"><span style="font-weight: 400;">Eric Forman</span></a><span style="font-weight: 400;">. Jasper Pääkkönen (</span><a href="https://personaunesp.com.br/vikings-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Vikings</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) e Ryan Eggold (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hjw_QTKr2rc&amp;ab_channel=FocusFeatures"><i><span style="font-weight: 400;">Nunca, Raramente, Às Vezes, Sempre</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) também são extremamente convincentes e cada um atribui uma persona típica desse tipo de grupo: o primeiro, um lunático imprevisível, enquanto o segundo, uma figura “boa pinta” que pontualmente destila ódio.</span></p>
<figure id="attachment_30630" aria-describedby="caption-attachment-30630" style="width: 1440px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30630 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-5.jpg" alt="Cena de Infiltrado na Klan. Nela vemos uma reunião da Ku Kux Klan. Há um certo número de homens sentados com a fantasia do grupo: uma túnica branca e um chapéu branco pontudo. Todos estão sentados e seguram uma vela. No meio deles. de costas para a câmera, há seu líder, com a roupa branca, sem o chapéu e com uma túnica azul nas costas. Há também uma espécie de altar, com velas e cálices dourados." width="1440" height="596" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-5.jpg 1440w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-5-800x331.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-5-1024x424.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-5-768x318.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-5-1200x497.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30630" class="wp-caption-text">No Brasil, grupos neonazistas e simpatizantes da Ku Klux Klan tiveram um crescimento de <a href="https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2022/01/16/grupos-neonazistas-crescem-270percent-no-brasil-em-3-anos-estudiosos-temem-que-presenca-online-transborde-para-ataques-violentos.ghtml">270%</a> nos últimos anos (Foto: Focus Features)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse museu de grandes novidades, </span><i><span style="font-weight: 400;">Infiltrado na Klan</span></i><span style="font-weight: 400;"> constata que, mais uma vez, o futuro está repetindo o passado, sem deixar de explicitar que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=VYOjWnS4cMY&amp;ab_channel=ChildishGambinoVEVO"><span style="font-weight: 400;">essa é a América</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma nação arrebatadora que expropria de qualquer minoria para estabelecer seu conceito de supremacia, nos sentidos mais asquerosos da palavra. Por isso Spike Lee, conhecido pelo Cinema crítico, inverte os papéis, e mesmo assim consegue abordar as dores do povo negro. Mas aqui, a queima de cruzes troca lugar com uma reflexão que cauteriza à força uma ferida que insistimos em deixar aberta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra renova os estudos de </span><a href="https://www.palmares.gov.br/?p=49121"><span style="font-weight: 400;">W. E. B. Du Bois</span></a><span style="font-weight: 400;">, primeiro negro a se tornar PhD em Harvard. Du Bois, através de seu livro </span><i><span style="font-weight: 400;">As Almas da Gente Negra </span></i><span style="font-weight: 400;">(1903), discutiu a dificuldade existencial das minorias, desenvolvendo o conceito de “dupla consciência”, ou a necessidade de entender como tais grupos se enxergam e como o mundo os enxerga; o longa tem êxito ao tratar essa dualidade. Além disso, </span><i><span style="font-weight: 400;">Infiltrado na Klan </span></i><span style="font-weight: 400;">é um grito de ‘não’ e ‘basta’: NÃO podemos aceitar essa formas de ódio, e BASTA de racismo. Mais do que isso, o filme é um lembrete de que somente não ser racista, não basta.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Infiltrado Na Klan - Trailer 1 (Universal Pictures) HD" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/bbOJwWSEUmo?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>70 anos depois de Ikiru, a importância de viver continua a mesma em Living</title>
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		<pubDate>Thu, 09 Mar 2023 22:19:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathan Nunes Em 1952, o cultuado cineasta japonês Akira Kurosawa (Ran) lançou ao mundo Ikiru. 70 anos depois, o pouco conhecido diretor sul-africano Oliver Hermanus (O Rio Sem Fim) se reuniu ao vencedor do prêmio Nobel de Literatura Kazuo Ishiguro, autor de best-sellers como Vestígios do Dia e Não Me Abandone Jamais, para prestar tributo &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/living-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "70 anos depois de Ikiru, a importância de viver continua a mesma em Living"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30341" aria-describedby="caption-attachment-30341" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30341" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1-11-800x541.jpg" alt="" width="800" height="541" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1-11-800x541.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1-11-1024x693.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1-11-768x520.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1-11-1536x1039.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1-11-1200x812.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1-11.jpg 1596w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30341" class="wp-caption-text">Por Living, Bill Nighy recebeu a primeira indicação ao Oscar de sua carreira, ativa há mais de 40 anos (Foto: Number 9 Films)</figcaption></figure>
<p><b>Nathan Nunes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 1952, o cultuado cineasta japonês Akira Kurosawa (</span><i><span style="font-weight: 400;">Ran</span></i><span style="font-weight: 400;">) lançou ao mundo </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2VeLN3IDjzQ"><i><span style="font-weight: 400;">Ikiru</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. 70 anos depois, o pouco conhecido diretor sul-africano </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=97uQo0qTLK0"><span style="font-weight: 400;">Oliver Hermanus</span></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">O Rio Sem Fim</span></i><span style="font-weight: 400;">) se reuniu ao vencedor do prêmio Nobel de Literatura Kazuo Ishiguro, autor de </span><i><span style="font-weight: 400;">best-sellers</span></i><span style="font-weight: 400;"> como </span><i><span style="font-weight: 400;">Vestígios do Dia </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Não Me Abandone Jamais</span></i><span style="font-weight: 400;">, para prestar tributo ao longa original através de um </span><i><span style="font-weight: 400;">remake</span></i><span style="font-weight: 400;"> chamado </span><i><span style="font-weight: 400;">Living</span></i><span style="font-weight: 400;">. O resultado dessa empreitada é sentido nas expressivas indicações do filme ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar 2023 </span></i><span style="font-weight: 400;">de Melhor Roteiro Adaptado para o escritor e Melhor Ator para Bill Nighy (</span><i><span style="font-weight: 400;">Simplesmente Amor, Piratas do Caribe</span></i><span style="font-weight: 400;">) no papel principal. </span></p>
<p><span id="more-30340"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa está longe de ser a primeira vez que um filme de Kurosawa é refeito para uma linguagem ocidental. </span><i><span style="font-weight: 400;">Por Um Punhado de Dólares </span></i><span style="font-weight: 400;">(1964), por exemplo, é um </span><i><span style="font-weight: 400;">remake</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=e4WtoDB6PTs"><i><span style="font-weight: 400;">Yojimbo</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1961), enquanto </span><i><span style="font-weight: 400;">Sete Homens e um Destino </span></i><span style="font-weight: 400;">(1960)</span> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://personaunesp.com.br/vida-de-inseto-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Vida de Inseto</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1998)</span> <span style="font-weight: 400;">ecoam diretamente </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Sete Samurais </span></i><span style="font-weight: 400;">(1954). Até George Lucas diz ter se inspirado em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Fortaleza Escondida </span></i><span style="font-weight: 400;">(1958)</span> <span style="font-weight: 400;">para conceber </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/star-wars/"><i><span style="font-weight: 400;">Uma Nova Esperança</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1977). Contudo, é apenas agora que estamos presenciando o debute de </span><i><span style="font-weight: 400;">Ikiru </span></i><span style="font-weight: 400;">nessa mesma linha, pois a maioria dos realizadores sempre esteve ciente da grande dificuldade de adaptá-lo para uma nova roupagem. Felizmente, o tributo que </span><i><span style="font-weight: 400;">Living </span></i><span style="font-weight: 400;">faz ao clássico mantém a sua essência desde o nome, pois ambas as palavras titulares têm o mesmo significado em tradução: viver. </span></p>
<figure id="attachment_30342" aria-describedby="caption-attachment-30342" style="width: 720px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30342" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-2-6.jpg" alt="" width="720" height="540" /><figcaption id="caption-attachment-30342" class="wp-caption-text">Akira Kurosawa vê a burocracia com ares extremamente pessimistas em Ikiru (Foto: The Criterion Collection)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os cenários e o período histórico são evidentemente diferentes. </span><i><span style="font-weight: 400;">Living </span></i><span style="font-weight: 400;">troca o Japão pós-guerra onde se passa </span><i><span style="font-weight: 400;">Ikiru </span></i><span style="font-weight: 400;">pela Londres de 1953, no entanto, ambos se situam na mesma estafante burocracia do mercado de trabalho. No que tange a sua representação em cena, talvez o primeiro se saia melhor em como integra a cultura local com a sensação de aprisionamento do protagonista, ao se utilizar dos tradicionais costumes britânicos de educação e da finesse dos figurinos de </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-irlandes-critica/"><span style="font-weight: 400;">Sandy Powell</span></a><span style="font-weight: 400;"> para surtir tal efeito. Ainda assim, tanto um quanto o outro recorrem ao mesmo recurso na direção de arte: o ambiente que sufoca os trabalhadores com pilhas gigantes de documentos ao redor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Independente da época de produção, fato é que a história naturalmente começa se voltando para um olhar bastante pessimista da burocracia como uma sugadora de almas. Para ilustrar esse ponto, acompanhamos as diversas tentativas de um grupo de mulheres para conseguir aprovar a construção de um parque infantil numa região desolada de Londres. O que se sucede é uma rápida edição de movimento entre um setor e outro, cujas transições laterais (que também aparecem em </span><i><span style="font-weight: 400;">Star Wars </span></i><span style="font-weight: 400;">até </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=8wnhXORcA9U"><span style="font-weight: 400;">hoje</span></a><span style="font-weight: 400;">), organizadas pelo montador Chris Wyatt em </span><i><span style="font-weight: 400;">Living</span></i><span style="font-weight: 400;">, prestam homenagem as mesmas que Koichi Iwashita organizou em </span><i><span style="font-weight: 400;">Ikiru</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_30343" aria-describedby="caption-attachment-30343" style="width: 720px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30343" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-3-8.jpg" alt="" width="720" height="540" /><figcaption id="caption-attachment-30343" class="wp-caption-text">Takashi Shimura também colaborou com Akira Kurosawa nos aclamados Rashomon e Os Sete Samurais (Foto: The Criterion Collection)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Logo nos primeiros minutos de imersão dentro desse universo, somos introduzidos ao personagem principal, um homem idoso que dedicou grande parte de sua vida aos mecanismos do trabalho e se esqueceu de vivê-la no decorrer dos anos. Essa noção fica clara com o diagnóstico de uma doença terminal, que o condena a poucos meses de vida. A cena da descoberta dessa </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=alC_vQOV9Bs"><span style="font-weight: 400;">fatalidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> funciona como um meio para entendermos a dicotomia entre os filmes. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Ikiru</span></i><span style="font-weight: 400;">, o recebimento dessa notícia pelo burocrata Kanji Watanabe vem acompanhado de uma grande dramaticidade, onde o intérprete </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Nx5M4AkIeTE"><span style="font-weight: 400;">Takashi Shimura</span></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">Rashomon</span></i><span style="font-weight: 400;">) incorpora fortes e notáveis expressões de medo e angústia. Já em </span><i><span style="font-weight: 400;">Living</span></i><span style="font-weight: 400;">, o protagonista, aqui chamado Rodney Williams, reage de maneira melancólica e triste, mas menos intensa. Imediatamente, a câmera de Hermanus o captura quieto nas sombras de sua sala de estar, como se estivesse completamente engolido por esses sentimentos. </span></p>
<figure id="attachment_30344" aria-describedby="caption-attachment-30344" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30344" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-4-7-800x541.jpg" alt="" width="800" height="541" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-4-7-800x541.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-4-7-1024x693.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-4-7-768x520.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-4-7-1536x1039.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-4-7-1200x812.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-4-7.jpg 1596w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30344" class="wp-caption-text">O distanciamento entre pais e filhos é uma temática que Living herda de Ikiru (Foto: Number 9 Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Toda obra artística é produto do seu tempo e, assim sendo, do seu próprio </span><a href="https://personaunesp.com.br/retorno-do-cinema-artigo/"><span style="font-weight: 400;">Cinema</span></a><span style="font-weight: 400;">. O longa de Kurosawa, por exemplo, é carregado de uma teatralidade que remete às raízes do texto na literatura de Tolstói (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EYn9L8P0Uk8"><i><span style="font-weight: 400;">A Morte de Ivan Ilitch</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é a maior referência). Além disso, também toma liberdades mais expressivas. Uma delas é a poética, através do uso da narração para situar o espectador no estado de espírito do protagonista, nos confidenciando a informação de sua iminente morte antes mesmo dele ter conhecimento dela. A outra é a comercial, tendo em vista a sua longa duração com  ritmo lento, que naturalmente afasta as gerações mais novas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><i><span style="font-weight: 400;">remake</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Hermanus</span> <span style="font-weight: 400;">opta por um caminho oposto, apesar de ainda manter essa notável qualidade poética. Ela se faz presente na trilha sonora melódica de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=nOQ_rxdoa-g&amp;list=OLAK5uy_kfZe4Zyrtl5fhYbGbNQxvjsp3KHczhoFg"><span style="font-weight: 400;">Emilie Levienaise-Farrouch</span></a><span style="font-weight: 400;"> e na cinematografia de Jamie D. Ramsay, que transita brilhantemente entre a dor da escuridão, o calor da boemia e o sentimento pitoresco de aproveitar um belo passeio no parque. Por outro lado, existe uma concisão tão forte na forma como os temas são explorados que os impede de ecoar de modo tão complexo quanto o clássico. O melhor representante disso são os minutos de farra de Williams nas noitadas londrinas ao lado do Sr. Sutherland de </span><a href="https://personaunesp.com.br/mank-critica/"><span style="font-weight: 400;">Tom Burke</span></a><span style="font-weight: 400;">, que são comprimidos em breves montagens. </span></p>
<figure id="attachment_30345" aria-describedby="caption-attachment-30345" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30345" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-5-6-800x541.jpg" alt="" width="800" height="541" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-5-6-800x541.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-5-6-1024x693.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-5-6-768x520.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-5-6-1536x1039.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-5-6-1200x812.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-5-6.jpg 1596w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30345" class="wp-caption-text">Living marca a primeira empreitada do cultuado escritor Kazuo Ishiguro na escrita para o Cinema (Foto: Number 9 Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, as aspirações mais sutis de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=zNxC6tc3i6Q"><i><span style="font-weight: 400;">Living</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">não deixam de ter eficiência própria. A cena do jantar entre Williams, seu filho Michael (Barney Fishwick) e sua nora Fiona (Patsy Ferran) é um ótimo exemplo disso. Desde o início, onde vemos Nighy treinando em frente ao espelho para revelar a verdade e falhando, até o desfecho, em que o silêncio prevalece sobre a mesa e o </span><i><span style="font-weight: 400;">design</span></i><span style="font-weight: 400;"> de som faz rugir cada tilintar dos talheres nos pratos, sente-se perfeitamente o desconforto e as tensões entre os três, tão acumuladas que o simples gesto de pegar uma colher de comida fala mais alto que suas vozes. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essas sutilezas são a base da interpretação de Nighy e fazem valer a sua indicação ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O ator britânico trabalha com gestos muito delicados ao longo de toda rodagem, seja em sua fala vagarosa ou em sua hiper postura de cavalheiro inglês. Contudo, há de ser dito que nenhum elemento de sua performance é tão fascinante quanto o seu olhar, principalmente em uma de suas últimas conversas com a amiga Margaret Harris (Aimee Lou Wood), onde ele finalmente se abre sobre o estado de sua saúde. No decorrer da cena, percebemos a transformação orgânica de seu olhar, conforme ele se conforma com a inevitabilidade de seu desfecho e retoma o ânimo para aproveitar o pouco que lhe resta de vida. </span></p>
<figure id="attachment_30346" aria-describedby="caption-attachment-30346" style="width: 720px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30346" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-6-2.jpg" alt="" width="720" height="540" /><figcaption id="caption-attachment-30346" class="wp-caption-text">O aclamado diretor Martin Scorsese incluiu Ikiru em sua lista de 39 filmes estrangeiros essenciais para qualquer cineasta (Foto: The Criterion Collection)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O que se segue, a partir daí, é um terço final que esmiúça as memórias de seus companheiros de trabalho sobre sua </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=QgOm-L7TsEQ"><span style="font-weight: 400;">vida</span></a><span style="font-weight: 400;"> e personalidade. Enquanto todos os burocratas sufocados por ternos e gravatas chiques tentam chegar a uma explicação lógica para o legado que o protagonista deixou, somos pouco a pouco apresentados a uma imagem belíssima e contemplativa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ela acontece no parque que tanto Williams em </span><i><span style="font-weight: 400;">Living, </span></i><span style="font-weight: 400;">quanto Watanabe em </span><i><span style="font-weight: 400;">Ikiru </span></i><span style="font-weight: 400;">construíram para as crianças de um bairro carente, conforme os desejos das mulheres que foram apresentadas nos minutos iniciais. Isolados em meio a neve, eles permanecem cantando e sentados em um balanço, num contexto extremamente interessante metaforicamente falando. São homens à beira do fim de suas vidas, que escolheram morrer num local que é símbolo de seus estágios iniciais. A cena encanta na sua versão de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=umLtGRl_WE4"><span style="font-weight: 400;">52</span></a><span style="font-weight: 400;">, e também na atual. Logo, percebemos que, independente do momento histórico, de escolhas estilísticas e de diferentes abordagens cinematográficas, a importância de </span><i><span style="font-weight: 400;">Viver </span></i><span style="font-weight: 400;">continua a mesma. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="LIVING | Official Trailer (2022)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/OVo5kLt_-BU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Entre Mulheres, ninguém nunca está só</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Mar 2023 20:57:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Raquel Freire Uma pequena colônia religiosa isolada. Apenas homens têm o direito de ser alguém. Durante a noite, tranquilizante de vaca. Ao amanhecer, quando o coração ainda bate, uma ferida que não cicatriza. Quem fez isso? Ou melhor, qual deles ainda não fez isso? Dali nove meses, uma vida – se for menino, um aprendiz; &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/entre-mulheres-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Entre Mulheres, ninguém nunca está só"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30082" aria-describedby="caption-attachment-30082" style="width: 1800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30082" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-1-10.jpg" alt="Cena do filme Entre Mulheres. Na imagem, vemos oito mulheres de idades distintas dentro de um celeiro. Quatro delas estão de pé e quatro estão sentadas. Dessas, três estão sentadas em feno e uma delas está sentada no chão. Todas elas vestem vestidos do mesmo estilo: mangas três-quartos ou compridas, em cores escuras e floridos, com exceção de duas idosas, que vestem vestidos de manga comprida preto sem nenhuma estampa. Todas elas estão com os cabelos trançados e algumas usam um lenço preto, de modo a aparecer a parte da frente de seus cabelos" width="1800" height="1201" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-1-10.jpg 1800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-1-10-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-1-10-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-1-10-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-1-10-1536x1025.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-1-10-1200x801.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30082" class="wp-caption-text">Entre Mulheres teve sua estreia no <a href="https://www.telluridefilmfestival.org/">Festival de Cinema de Telluride</a> no dia 2 de Setembro de 2022 e chegou aos cinemas brasileiros exatos seis meses depois (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Raquel Freire</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma pequena colônia religiosa isolada. Apenas homens têm o direito de ser alguém. Durante a noite, tranquilizante de vaca. Ao amanhecer, quando o coração ainda bate, uma ferida que não cicatriza. Quem fez isso? Ou melhor, qual deles ainda não fez isso? Dali nove meses, uma vida – se for menino, um aprendiz; se for menina, uma vítima. Certa noite, um rosto. Enfim, custódia! Todos eles saíram da colônia para ajudar com a fiança (é claro que eles saíram). Isso significou 48 horas </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pD0mFhMqDCE"><i><span style="font-weight: 400;">Entre Mulheres</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Três famílias debateram o futuro de todas as outras. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Não fazer nada. Ficar e lutar. Ou ir embora</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Permanecer na comunidade que as violou? Ou se afastar de tudo o que conhecem, principalmente do Deus em quem ainda depositam sua fé? Ao mesmo tempo, tudo e nada a perder.</span></p>
<p><span id="more-30079"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Imaginar um cenário assim é angustiante, ainda mais sendo mulher. Lamentavelmente, a narrativa que sustenta </span><i><span style="font-weight: 400;">Women Talking </span></i><span style="font-weight: 400;">(no original) não é fruto completo da imaginação. Entre os anos de 2005 e 2009, mulheres eram drogadas e abusadas sexualmente durante a noite em uma colônia menonita na </span><a href="https://www.vice.com/pt/article/vv4b99/os-estupros-fantasma-da-bolivia"><span style="font-weight: 400;">Bolívia</span></a><span style="font-weight: 400;">, independentemente da idade. Miriam Toews, que cresceu em uma dessas comunidades em Manitoba, escreveu um livro que não reconta esse caso, mas passa a ser uma resposta idealizada a ele, uma em que as vítimas realmente possuem a oportunidade de lutar. Com um intelecto feroz, uma força imensa e um senso visionário de como refazer o mundo sob o olhar feminino, </span><a href="https://www.indiewire.com/2023/02/sarah-polley-women-talking-interview-oscars-1234811960/"><span style="font-weight: 400;">Sarah Polley</span></a><span style="font-weight: 400;"> o adapta para a Sétima Arte e o coloca na disputa pela estatueta dourada de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/melhor-filme/"><span style="font-weight: 400;">Melhor Filme</span></a><span style="font-weight: 400;"> – o único dirigido por uma mulher nessa categoria do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2023</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_30080" aria-describedby="caption-attachment-30080" style="width: 2250px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30080" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-2-14.jpg" alt="Cena do filme Entre Mulheres. Claire Foy, que interpreta Salome, é uma mulher branca com cabelos castanhos. Ela veste um vestido com manga três-quartos marrom escuro com flores rosa-claro espalhadas e um lenço preto nos cabelos, de modo a aparecer a parte da frente deles. Ela olha para frente com o olhar duro. Em seu colo, dorme Emily Mitchell, que interpreta Miep, filha de Salome. Ela é uma criança branca com cabelos loiros trançados e veste um vestido marrom claro com flores pretas. Ao seu lado está Rooney Mara, que interpreta Ona, irmã de Salome. Ela é uma mulher branca com cabelos loiros trançados e presos por uma rede para cabelo na cor preta. Ela veste um vestido de manga comprida verde escuro e olha para o lado direito, em direção à sua irmã, apoiando o rosto em sua mão." width="2250" height="1501" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-2-14.jpg 2250w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-2-14-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-2-14-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-2-14-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-2-14-1536x1025.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-2-14-2048x1366.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-2-14-1200x801.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30080" class="wp-caption-text">O longa foi muito bem aclamado pela crítica, com destaque para as atuações, a direção e a trilha sonora (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os filmes são meios visuais e aqueles que possuem muitos diálogos geralmente são considerados como não cinematográficos, mas </span><i><span style="font-weight: 400;">Entre Mulheres</span></i><span style="font-weight: 400;"> foge dessa premissa. A confiança da diretora no material e em seus atores permite que as performances floresçam, e as interpretações impulsionam a história juntamente com a barragem das palavras. Essa é uma obra que faz exatamente o que precisa sem se complicar demais e que permanece integralmente fiel à sua premissa, evitando reviravoltas e subversões que poderiam apenas desvalorizá-la. Pessoas conversando umas com as outras pode ser uma experiência cinematográfica se a interação for boa e a atuação for do interesse do telespectador – Ethan Hawke e Julie Delpy na trilogia </span><a href="https://personaunesp.com.br/antes-do-amanhecer-25-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Before</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> são prova viva disso, e o grupo que dá vida a </span><i><span style="font-weight: 400;">Entre Mulheres</span></i><span style="font-weight: 400;"> também.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Rooney Mara (de </span><i><span style="font-weight: 400;">Carol </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-ghost-story-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Ghost Story</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) é capaz de interpretar uma mulher com um coração bom demais para ser verdade da maneira mais coerente possível, enquanto Jessie Buckley (de </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-filha-perdida-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Filha Perdida</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">)</span></i><span style="font-weight: 400;"> se afasta controladamente da rispidez defensiva de sua personagem com tal precisão que é possível sentir o exato segundo em que ela realmente reconhece o peso de tudo. Claire Foy (de </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-crown-5-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">The Crown</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">)</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem o papel mais vivo e, consequentemente, carrega os momentos mais emocionantes. A atriz é uma das presenças mais poderosas do filme, e a fúria de sua personagem é incandescente. O nível de atuação dessas </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=UkUYRjqfDKw"><span style="font-weight: 400;">mulheres</span></a><span style="font-weight: 400;"> traz um grau incrível de imensidão em cada </span><i><span style="font-weight: 400;">close-up</span></i><span style="font-weight: 400;">, e permite que longas cenas de diálogo se desdobrem com a excitação e a destreza de um filme de ação.</span></p>
<figure id="attachment_30081" aria-describedby="caption-attachment-30081" style="width: 1800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30081" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-3-11.jpg" alt="Cena do filme Entre Mulheres. Jessie Buckley, que interpreta Mariche, é uma mulher branca com cabelos castanhos escuros. Ela veste um vestido verde escuro e usa um lenço preto na cabeça, de modo a aparecer a parte da frente de seus cabelos. Ela olha para o lado direito com a boca entreaberta e com as sobrancelhas levemente franzidas. Ao fundo, desfocada, vemos Judith Ivey, que interpreta Agata." width="1800" height="1201" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-3-11.jpg 1800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-3-11-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-3-11-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-3-11-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-3-11-1536x1025.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-3-11-1200x801.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30081" class="wp-caption-text">Em conversa com o <a href="https://deadline.com/2022/11/women-talking-jessie-buckley-interview-1235178872/">Deadline</a>, Jessie Buckley afirma que o longa ressoou por ser, mais que uma experiência feminina, uma experiência mundana (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Concorrendo com filmes como </span><a href="https://personaunesp.com.br/tudo-em-todo-o-lugar-ao-mesmo-tempo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/nada-de-novo-no-front-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Nada de Novo no Front</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-banshees-de-inisherin-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Os Banshees de Inisherin</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, já era de se esperar que </span><i><span style="font-weight: 400;">Entre Mulheres</span></i><span style="font-weight: 400;"> estivesse longe de ser o favorito ao prêmio de Melhor Filme. Entretanto, não é à toa que o longa se juntou à disputa. A grosso modo, pode-se dizer que uma obra indicada à categoria mais importante da premiação é reconhecida pela excelência de seu conjunto, e </span><i><span style="font-weight: 400;">Entre Mulheres</span></i><span style="font-weight: 400;"> atende isso sem esforços. Com os mesmos produtores de </span><a href="https://personaunesp.com.br/moonlight-kendrick-lamar/"><i><span style="font-weight: 400;">Moonlight</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/nomadland-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Nomadland</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, e com uma trilha sonora criada por Hildur Guðnadóttir, a direção de Sarah Polley possui todos os ingredientes que agradam o paladar da Academia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se as chances de sucesso do longa na categoria mais esperada da noite são baixas, o contrário acontece quando se trata de sua segunda indicação: </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/melhor-roteiro-adaptado/"><span style="font-weight: 400;">Melhor Roteiro Adaptado</span></a><span style="font-weight: 400;">. O ponto mais forte do filme é o seu roteiro, e Sarah Polley teve uma incrível capacidade de dar espaço para que suas personagens se expressem mais profundamente do que se vê em produções hollywoodianas, de modo a tratar questões complexas do universo feminino de maneira contundente e, ainda assim, com delicadeza e respeito. Grandes produções têm chances de saírem vitoriosas nessa categoria, como </span><a href="https://personaunesp.com.br/top-gun-maverick-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Top Gun: Maverick</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/glass-onion-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Glass Onion: Um Mistério Knives Out</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, mas nenhum </span><i><span style="font-weight: 400;">script</span></i><span style="font-weight: 400;"> possui tanta sutileza quanto o de </span><i><span style="font-weight: 400;">Entre Mulheres</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_30083" aria-describedby="caption-attachment-30083" style="width: 2025px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30083" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-4-8.jpg" alt="Cena do filme Entre Mulheres. Judith Ivey, que interpreta Agata, é uma mulher idosa branca com cabelos grisalhos. Ela veste um vestido longo de manga comprida preto e um lenço nos cabelos da mesma cor, que deixa a parte da frente de seus cabelos visível. Ela está inclinada de lado com seu braço esquerdo ao redor dos ombros de Claire Foy, que interpreta Salome, sua filha, consolando-a. Ela está sentada e é uma mulher branca com cabelos castanhos e veste um vestido com manga três-quartos cinza com flores lilás espalhadas e um lenço preto nos cabelos, posto da mesma forma que o da mãe. A mão direita de Agata está segurando uma das mãos de Salome. Ambas estão dentro de um celeiro. É possível ver alguns fenos empilhados ao fundo do lado direito e uma grande janela do lado esquerdo, mostrando que é fim de tarde." width="2025" height="1351" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-4-8.jpg 2025w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-4-8-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-4-8-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-4-8-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-4-8-1536x1025.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-4-8-1200x801.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30083" class="wp-caption-text">Entre Mulheres venceu o prêmio de Melhor Roteiro Adaptado no Critics Choice Awards, mesma categoria em que concorre no Oscar (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo que pareça que a trama é desenrolada em outro século, uma cena específica deixa claro que a história se passa em 2010 e as pautas trazidas pelas mulheres deixa mais claro ainda o quão atemporal elas são. As discussões envolvem a moralidade da violência, a natureza do verdadeiro perdão, a questão da masculinidade, o medo do desconhecido e o ódio ao familiar. Cada pergunta atada se desdobra em outra, e as conclusões a que chegam são de fundamental importância. É o próprio pensamento que as liberta e abre o caminho para o que o texto de abertura do filme descreve como “</span><a href="https://lithub.com/in-women-talking-acts-of-imagination-are-acts-of-resistance/"><i><span style="font-weight: 400;">um ato de imaginação feminina</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sensível e maduro, </span><a href="https://www.womentalkingmovie.ca/home/"><i><span style="font-weight: 400;">Entre Mulheres</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é uma história dramaticamente impactante de mulheres que se unem em corpo e alma por sua liberdade e proteção. Todos os elementos que a compõem criam uma sensação de desolação e isolamento; no entanto, trata-se mais sobre a cura do que sobre a dor que grita por uma mudança, e só uma direção feita sob o olhar feminino poderia entregar isso. Sarah Polley deposita todo o seu talento no longa e retrata com primor o que todas sabem: só uma mulher é capaz de oferecer refúgio para outra.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="WOMEN TALKING | Official Trailer" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/pD0mFhMqDCE?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>As muitas camadas quebradiças e transparentes de Glass Onion</title>
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		<pubDate>Fri, 24 Feb 2023 23:06:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Laura Hirata-Vale Depois do sucesso de Entre Facas e Segredos (2019), Rian Johnson fez seu retorno às telonas com mais um whodunnit, o longa Glass Onion: Um Mistério Knives Out. A franquia foi adquirida pela Netflix após o triunfo do primeiro filme, o que fez com que a segunda produção fosse esperada ansiosamente pelos fãs. O &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/glass-onion-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "As muitas camadas quebradiças e transparentes de Glass Onion"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29954" aria-describedby="caption-attachment-29954" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-29954" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/AAAAQUaC8VPhHq_gHnmvoUItWUI0jxFJhhQkRiCOEdFFpN25-ZUyE-FHHDAWHaZjzgftKM2YTRBkeGDIMCSNz72aBDU4asgAGLFKGguv0lf8k5LJIdWLZ0VXcLsYp7Ec0LBKtBAk4TEK17aqkUXjOU_pKMtEnE4-800x335.jpg" alt="" width="800" height="335" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/AAAAQUaC8VPhHq_gHnmvoUItWUI0jxFJhhQkRiCOEdFFpN25-ZUyE-FHHDAWHaZjzgftKM2YTRBkeGDIMCSNz72aBDU4asgAGLFKGguv0lf8k5LJIdWLZ0VXcLsYp7Ec0LBKtBAk4TEK17aqkUXjOU_pKMtEnE4-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/AAAAQUaC8VPhHq_gHnmvoUItWUI0jxFJhhQkRiCOEdFFpN25-ZUyE-FHHDAWHaZjzgftKM2YTRBkeGDIMCSNz72aBDU4asgAGLFKGguv0lf8k5LJIdWLZ0VXcLsYp7Ec0LBKtBAk4TEK17aqkUXjOU_pKMtEnE4-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/AAAAQUaC8VPhHq_gHnmvoUItWUI0jxFJhhQkRiCOEdFFpN25-ZUyE-FHHDAWHaZjzgftKM2YTRBkeGDIMCSNz72aBDU4asgAGLFKGguv0lf8k5LJIdWLZ0VXcLsYp7Ec0LBKtBAk4TEK17aqkUXjOU_pKMtEnE4-768x321.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/AAAAQUaC8VPhHq_gHnmvoUItWUI0jxFJhhQkRiCOEdFFpN25-ZUyE-FHHDAWHaZjzgftKM2YTRBkeGDIMCSNz72aBDU4asgAGLFKGguv0lf8k5LJIdWLZ0VXcLsYp7Ec0LBKtBAk4TEK17aqkUXjOU_pKMtEnE4-1536x643.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/AAAAQUaC8VPhHq_gHnmvoUItWUI0jxFJhhQkRiCOEdFFpN25-ZUyE-FHHDAWHaZjzgftKM2YTRBkeGDIMCSNz72aBDU4asgAGLFKGguv0lf8k5LJIdWLZ0VXcLsYp7Ec0LBKtBAk4TEK17aqkUXjOU_pKMtEnE4-1200x502.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/AAAAQUaC8VPhHq_gHnmvoUItWUI0jxFJhhQkRiCOEdFFpN25-ZUyE-FHHDAWHaZjzgftKM2YTRBkeGDIMCSNz72aBDU4asgAGLFKGguv0lf8k5LJIdWLZ0VXcLsYp7Ec0LBKtBAk4TEK17aqkUXjOU_pKMtEnE4.jpg 1792w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29954" class="wp-caption-text">Um fim de semana paradisíaco e misterioso em uma Cebola de Vidro (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Laura Hirata-Vale</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois do sucesso de </span><a href="https://personaunesp.com.br/entre-facas-e-segredos-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Entre Facas e Segredos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2019), Rian Johnson fez seu retorno às telonas com mais um </span><a href="https://jovemnerd.com.br/direto-do-bunker/o-que-e-whodunit-e-como-e-usado-em-grandes-obras-de-ficcao/"><i><span style="font-weight: 400;">whodunnit</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o longa </span><i><span style="font-weight: 400;">Glass Onion: Um Mistério Knives Out</span></i><span style="font-weight: 400;">. A franquia foi adquirida pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> após o triunfo do primeiro filme, o que fez com que a segunda produção fosse esperada ansiosamente pelos fãs. O elenco foi repaginado, mas continua tendo nomes de peso como Kate Hudson, Kathryn Hahn e Janelle Monáe integrando a produção. Em meio às novidades, </span><a href="https://personaunesp.com.br/?s=daniel+craig"><span style="font-weight: 400;">Daniel Craig</span></a><span style="font-weight: 400;"> retorna ao papel do investigador particular Benoit Blanc.</span></p>
<p><span id="more-29946"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história começa em Março de 2020, logo no início da pandemia causada pela covid-19, quando todos estavam tentando entender o período de isolamento. Claire Debella (</span><a href="https://personaunesp.com.br/?s=Kathryn+hahn"><span style="font-weight: 400;">Kathryn Hahn</span></a><span style="font-weight: 400;">), Birdie Jay (Kate Hudson), Lionel Toussaint (Leslie Odom Jr.), Duke Cody (Dave Bautista) e Andi Brand (</span><a href="https://personaunesp.com.br/?s=janelle+monae"><span style="font-weight: 400;">Janelle Monáe</span></a><span style="font-weight: 400;">) recebem, respectivamente, uma caixa misteriosa do bilionário Miles Bron (Edward Norton). Após uma série de desafios e pequenos códigos, um convite para um fim de semana em uma ilha particular é revelado, para jogarem o jogo </span><a href="https://ludopedia.com.br/jogo/detetive"><i><span style="font-weight: 400;">Detetive</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em tamanho real e investigarem a morte </span><i><span style="font-weight: 400;">fake</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Bron. Porém, depois de um apagão, um falecimento realmente acontece e o grupo é obrigado a buscar o culpado. </span></p>
<figure id="attachment_29950" aria-describedby="caption-attachment-29950" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-29950" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Glass-onion-imagem-2-800x533.jpg" alt="" width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Glass-onion-imagem-2-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Glass-onion-imagem-2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Glass-onion-imagem-2-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Glass-onion-imagem-2-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Glass-onion-imagem-2-2048x1366.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Glass-onion-imagem-2-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29950" class="wp-caption-text">Brigas, intrigas, discussões e mistérios fazem as camadas de Glass Onion (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Glass Onion</span></i><span style="font-weight: 400;"> arrisca superar a produção que o antecede, mas acaba falhando na tarefa. É  uma produção cheia de detalhes e pequenas reviravoltas, que fazem o filme ter uma falsa grandiosidade: são muitas minuciosidades, que, ao invés de ajudarem o espectador a entender o longa, só o confunde. É realmente igual uma cebola que possui muitas camadas – porém, todas elas são transparentes e se quebram na virada de chave do longa, deixando claro quem é o culpado. Enquanto </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=w8GBFvqP1cM"><i><span style="font-weight: 400;">Entre Facas e Segredos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> possui </span><i><span style="font-weight: 400;">plot twists</span></i><span style="font-weight: 400;"> na medida certa, </span><i><span style="font-weight: 400;">Glass Onion</span></i><span style="font-weight: 400;"> apresenta muitos e desnecessários, fazendo com que as mais de duas horas de duração se tornem cansativas e maçantes. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, a obra tenta, de uma determinada forma, fazer uma crítica sobre pessoas que desobedeceram a quarentena e o isolamento social. Mas, por causa dos tantos outros pontos trabalhados durante os seus 139 minutos – como as minuciosidades presentes em suas cenas –, acaba fracassando. Quando comparado com seu antecessor, é possível perceber que muitos dos temas tratados continuam os mesmos, como Rian Johnson retornando com suas opiniões sobre riquezas e privilégios. Porém, distingue-se do primeiro ao possuir posições mais fortes, por tratar de </span><a href="https://www.theatlantic.com/entertainment/archive/2019/11/the-unlikely-hero-of-rian-johnsons-knives-out/602701/"><span style="font-weight: 400;">imigração</span></a><span style="font-weight: 400;">, preconceito e desigualdades de forma mais dura. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Rian Johnson Breaks Down the Arrival Scene from &#039;Glass Onion&#039; | Vanity Fair" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/9IM1AEbnGX4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">A série adquiriu um novo tom por causa de sua troca de cenários. </span><i><span style="font-weight: 400;">Entre Facas e Segredos</span></i><span style="font-weight: 400;">, gravado entre os meses de Novembro e Dezembro, tinha como ambiente principal o estado de Massachusetts, nos Estados Unidos, e por isso, havia uma tendência a cores frias e pálidas, junto a iluminações mais sombrias, retratando bem o outono do Hemisfério Norte. Já as filmagens de </span><i><span style="font-weight: 400;">Glass Onion</span></i><span style="font-weight: 400;">, realizadas no </span><a href="https://www.housebeautiful.com/lifestyle/entertainment/a42268845/glass-onion-knives-out-2-filming-locations/"><span style="font-weight: 400;">verão grego</span></a><span style="font-weight: 400;">, fazem com que a fotografia – feita por Steve Yedlin – seja solar, com cores quentes e bem saturadas. Por isso, o filme possui uma energia menos soturna e mais otimista. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como o primeiro, as </span><a href="https://www.townandcountrymag.com/leisure/arts-and-culture/g42087258/knives-out-2-glass-onion-characters/"><span style="font-weight: 400;">personalidades retratadas</span></a><span style="font-weight: 400;"> são extremamente estereotipadas. Indo de Miles Bron, bilionário que não sabe a localização exata de sua ilha particular, passando por Duke Cody, um </span><i><span style="font-weight: 400;">streamer</span></i><span style="font-weight: 400;"> que produz conteúdos sensacionalistas e machistas, até chegar em Birdie Jay, uma </span><i><span style="font-weight: 400;">influencer</span></i><span style="font-weight: 400;"> de falas e ações polêmicas. Os novos nomes do elenco contribuíram para a mudança de ares da franquia, no entanto, mesmo que as atuações sejam boas, as histórias de seus personagens inéditos são rasas, e não se aprofundam tanto quanto as do primeiro filme. Os </span><i><span style="font-weight: 400;">backgrounds</span></i><span style="font-weight: 400;"> possuem vários vai-e-vens, tornando a narrativa difícil de acompanhar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Rian Johnson, no segundo capítulo da franquia, volta a mostrar como é influenciado pela literatura de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/agatha-christie/"><span style="font-weight: 400;">Agatha Christie</span></a><span style="font-weight: 400;">. O filme é como uma grande homenagem à Rainha do Crime, por possuir um roteiro muito parecido com o livro </span><i><span style="font-weight: 400;">Convite para um homicídio</span></i><span style="font-weight: 400;">, lançado em 1972, por causa das invocações misteriosas, apagões repentinos e mortes no escuro. Além disso, uma das propostas das histórias da autora era sempre apresentar um novo núcleo de personagens, sempre com um detetive constante, assim como acontece em </span><i><span style="font-weight: 400;">Knives Out</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure id="attachment_29958" aria-describedby="caption-attachment-29958" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-29958" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/daniel_craig_hd_glass_onion_a_knives_out_mystery-1280x720-1-800x450.jpg" alt="" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/daniel_craig_hd_glass_onion_a_knives_out_mystery-1280x720-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/daniel_craig_hd_glass_onion_a_knives_out_mystery-1280x720-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/daniel_craig_hd_glass_onion_a_knives_out_mystery-1280x720-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/daniel_craig_hd_glass_onion_a_knives_out_mystery-1280x720-1-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/daniel_craig_hd_glass_onion_a_knives_out_mystery-1280x720-1.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29958" class="wp-caption-text">Na franquia Knives Out, Benoit Blanc é um dos detetives particulares mais renomados do mundo (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como o primogênito da franquia </span><i><span style="font-weight: 400;">Knives Out</span></i><span style="font-weight: 400;">, a “</span><i><span style="font-weight: 400;">Cebola de Vidro</span></i><span style="font-weight: 400;">” também concorre a uma estatueta no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">Entre Facas e Segredos</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi indicado, em 2020, à categoria de Melhor Roteiro Original; </span><i><span style="font-weight: 400;">Glass Onion</span></i><span style="font-weight: 400;">, por sua vez, concorre a Melhor Roteiro Adaptado. A razão da mudança de categoria são </span><a href="https://www.cinemaemcena.com.br/coluna/ler/2646/especial-oscar-11-roteiro-adaptado-e-original"><span style="font-weight: 400;">as regras da premiação</span></a><span style="font-weight: 400;"> da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas: quando um filme é derivado, uma sequência ou uma prequela de outro, o roteiro é considerado uma adaptação de uma ideia já existente, e não uma criação original.  O primeiro longa foi vencido pelo grande </span><a href="https://personaunesp.com.br/parasita-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Parasita</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, e, neste ano, o irmão mais novo compete com </span><a href="https://personaunesp.com.br/nada-de-novo-no-front-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Nada de Novo no Front</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/top-gun-maverick-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Top Gun: Maverick</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/results?search_query=rian+johnson+glass+onion"><span style="font-weight: 400;">Rian Johnson</span></a><span style="font-weight: 400;">, repetindo o feito do primeiro filme, ocupa o lugar de diretor e roteirista de </span><i><span style="font-weight: 400;">Glass Onion</span></i><span style="font-weight: 400;">. Outra semelhança com </span><i><span style="font-weight: 400;">Entre Facas e Segredos</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a presença de Nathan Johnson no comando da trilha sonora, que possui notas musicais instigantes, cheias de enigmas e incógnitas; além de incluir músicas famosas, como </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-ziggy-stardust-bowie/"><i><span style="font-weight: 400;">Starman</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de David Bowie, e </span><a href="https://open.spotify.com/track/3k5ycyXX5qsCjLd7R2vphp?si=17c0c38f51704acc"><i><span style="font-weight: 400;">Mona Lisa</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, na voz de Nat King Cole. A fotografia, por sua vez, ficou nas mãos de Steve Yedlin, responsável também por </span><i><span style="font-weight: 400;">Carrie</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2013) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Star Wars: Os Últimos Jedi</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2017).</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Daniel Craig, Kate Hudson &amp; Edward Norton Break Down the Dinner Party Scene | Glass Onion | Netflix" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/eku121ASeLg?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CKia57bMc88"><i><span style="font-weight: 400;">Glass Onion</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um filme denso, e mesmo sendo dinâmico, se torna morno e lento pelo excesso de detalhes. É um longa que tem um complexo de grandeza, tentando – sem êxito – superar o seu irmão mais velho. A produção é misteriosa, é perfeita para quando se precisa de um passatempo em formato de quebra-cabeça. Porém, pode-se dizer que Benoit Blanc, o detetive dos dois casos, não mereceu a decaída de qualidade do crime; e o que merecia mesmo, era ter ficado somente no tempo-espaço do primeiro capítulo da franquia. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Glass Onion: Um Mistério Knives Out | Trailer oficial | Netflix" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/CKia57bMc88?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Top Gun: Maverick prova que ainda queremos voar com Tom Cruise</title>
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		<pubDate>Fri, 10 Feb 2023 21:01:06 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathalia Tetzner 36 anos após tirar o fôlego de uma geração inteira com Top Gun: Ases Indomáveis, Tom Cruise está de volta na direção dos aviões de caça, dessa vez, apontando o alvo da trama diretamente para si na pele do protagonista e dono de um dos codinomes mais conhecidos do Cinema, Maverick. A sequência &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/top-gun-maverick-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Top Gun: Maverick prova que ainda queremos voar com Tom Cruise"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29729" aria-describedby="caption-attachment-29729" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-29729" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-1-800x416.jpg" alt="Cena do filme Top Gun: Maverick. Na imagem, o protagonista Maverick, um homem branco de cabelos e olhos escuros, está pilotando um avião de caça. Ele veste um uniforme militar na cor verde escura e equipamentos de segurança, entre eles, dois cintos, um máscara de oxigênio e um capacete decorado com o seu nome e as cores da bandeira dos Estados Unidos: branco, azul e vermelho. Ao fundo, o cenário é o céu azul em cima das nuvens brancas, onde três outros aviões o perseguem com mísseis." width="800" height="416" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-1-800x416.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-1-1024x533.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-1-768x400.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-1-1536x800.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-1-1200x625.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-1.jpg 1919w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29729" class="wp-caption-text">Dono de uma indicação ao Oscar 2023 de Melhor Filme, Top Gun: Maverick já é a 12ª maior bilheteria da história do Cinema (Foto: Paramount Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Nathalia Tetzner</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">36 anos após </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=fUis9yny_lI"><span style="font-weight: 400;">tirar o fôlego</span></a><span style="font-weight: 400;"> de uma geração inteira com </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2022/05/31/elenco-e-diretor-de-top-gun-maverick-falam-sobre-a-importancia-do-filme-original.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">Top Gun: Ases Indomáveis</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Tom Cruise está de volta na direção dos </span><a href="https://aeromagazine.uol.com.br/artigo/conheca-os-avioes-de-top-gunmaverick-que-estreia-nos-cinemas.html"><span style="font-weight: 400;">aviões de caça</span></a><span style="font-weight: 400;">, dessa vez, apontando o alvo da trama diretamente para si na pele do protagonista e dono de um dos </span><a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/artigos/2020/03/tom-cruise-de-volta-veja-os-segredos-por-tras-dos-codinomes-de-top-gun-2"><span style="font-weight: 400;">codinomes</span></a><span style="font-weight: 400;"> mais conhecidos do Cinema, Maverick. A sequência do clássico coloca nas lentes de </span><span style="font-weight: 400;">Joseph Kosinski </span><span style="font-weight: 400;">a missão de dar continuidade ao legado do falecido diretor </span><span style="font-weight: 400;">Tony Scott. Assim, com quase 1,5 bilhão de dólares arrecadados em bilheteria mundial e </span><a href="https://metropolitanafm.com.br/televisao/series-e-filmes/top-gun-maverick-com-seis-indicacoes-ao-oscar-longa-e-o-mais-assistido-da-paramount"><span style="font-weight: 400;">6 indicações</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> 2023, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=qSqVVswa420"><i><span style="font-weight: 400;">Top Gun: Maverick</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> revive os tempos de glória do audiovisual e prova que ainda queremos voar com Cruise.</span></p>
<p><span id="more-29728"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A fim de novamente “</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=siwpn14IE7E"><i><span style="font-weight: 400;">pilotar para a zona de perigo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”, o longa se destaca na temporada como a principal ode a </span><i><span style="font-weight: 400;">Hollywood</span></i><span style="font-weight: 400;">. Isto mesmo, nem a crítica de </span><a href="https://personaunesp.com.br/nao-nao-olhe-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Não! Não Olhe!</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (Jordan Peele) ou a extravagância de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=binSx3SfsaM"><i><span style="font-weight: 400;">Babilônia</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (Damien Chazelle) conseguem tamanha glória. Incoerentemente, foi necessário alguns truques de enredo batidos, um romance barato, grandes efeitos visuais e um </span><a href="https://www.theatlantic.com/magazine/archive/2021/07/top-gun-infomercial-for-america/619013/"><span style="font-weight: 400;">toque de propaganda militar</span></a><span style="font-weight: 400;"> para o público voltar a buscar o que </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/martin-scorsese-critica-plataformas-de-streaming-arte-e-sistematicamente-desvalorizada/"><span style="font-weight: 400;">Martin Scorsese</span></a><span style="font-weight: 400;"> classifica como a experiência cinematográfica de encher as salas e encarar as grandes telas. Isso, em meio a uma indústria dominada pelo avanço dos </span><i><span style="font-weight: 400;">streamings</span></i><span style="font-weight: 400;">, que se aproveitam do conforto do sofá de casa. </span></p>
<figure id="attachment_29730" aria-describedby="caption-attachment-29730" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-29730" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-2-800x332.jpg" alt="Cena do filme Top Gun: Maverick. Na imagem, os personagens Maverick e Iceman se abraçam. A câmera captura as costas de Maverick e a frente de Iceman. O primeiro é um homem branco de cabelos escuros que veste um uniforme esverdeado. O segundo é um homem branco de cabelos claros que veste uma camiseta de manga longa e óculos de grau, ambos na cor preta. Ao fundo, o cenário é um escritório aconchegante com quadros desfocados pendurados nas paredes." width="800" height="332" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-2-800x332.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-2-1024x425.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-2-768x319.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-2-1536x638.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-2-1200x498.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-2.jpg 1919w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29730" class="wp-caption-text">O longa abraça todos os clichês do clássico (Foto: Paramount Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma inversão de papéis, </span><span style="font-weight: 400;">Pete ‘Maverick’ Mitchell passa de um aluno da escola naval Top Gun apaixonado por sua instrutora para o comandante de uma missão quase impossível. Habituado a altas pressões, ele se vê frente a uma classe de pilotos diversificada. Porém, é a presença do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pVcMsjyKlaM"><span style="font-weight: 400;">filho de Goose</span></a><span style="font-weight: 400;">, seu melhor amigo morto durante uma simulação de combate, que cria</span> <span style="font-weight: 400;">o conflito interno de Mav. Teimoso como o pai, Bradley ‘Rooster’ Bradshaw</span> <span style="font-weight: 400;">é o coadjuvante que </span><a href="https://www.slashfilm.com/1177450/the-2023-oscar-nomination-for-top-gun-mavericks-screenplay-recognizes-the-films-strengths/"><span style="font-weight: 400;">perfeitamente auxilia</span></a><span style="font-weight: 400;"> a jornada do herói graças a atuação de </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/cinema/top-gun-3-tom-cruise-e-miles-teller-estao-conversando-sobre-possibilidade/"><span style="font-weight: 400;">Miles Teller</span></a><span style="font-weight: 400;">, responsável pelas cenas mais emocionantes da obra.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fato é que </span><a href="https://www.bbc.com/culture/article/20221201-how-top-gun-maverick-shocked-the-world"><i><span style="font-weight: 400;">Top Gun: Maverick</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> chegou para esgotar a saudade de quem clamava por uma obra sem medo de ser o que é. Com direito a todos os aspectos que caracterizam o gênero de ação, os minutos iniciais simulam a série de créditos da primeira versão e deixam um sentimento de nostalgia tão forte que faz o público questionar se a sessão está certa ou se, por obra do divino, foram transportados para os anos 80; época em que o filme arrebatou 4 indicações ao </span><a href="https://cinepop.com.br/oscar-2023-top-gun-maverick-conquista-seis-indicacoes-a-premiacao-389120/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e levou para casa a estatueta dourada de </span><i><span style="font-weight: 400;">Melhor Canção Original </span></i><span style="font-weight: 400;">pela melodia atemporal de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Bx51eegLTY8"><i><span style="font-weight: 400;">Take My Breath Away</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, entoada pela vocalista Terri Nunn da banda Berlin.</span></p>
<figure id="attachment_29731" aria-describedby="caption-attachment-29731" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-29731" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-3-800x323.png" alt="Cena do filme Top Gun: Maverick. Na imagem, as personagens que integram a escola naval Top Gun se divertem na praia após jogarem uma partida de futebol americano. A câmera captura o tom amarelado dos raios ensolarados. O cenário é composto por uma costa alta ao fundo e um oceano cristalino na frente. Cobertos de areia, a enorme parte do elenco está com as mãos para cima enquanto comemoram. Também é possível distinguir alguns surfistas com pranchas." width="800" height="323" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-3-800x323.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-3-1024x414.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-3-768x310.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-3-1536x621.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-3-1200x485.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-3.png 1913w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29731" class="wp-caption-text">A cena icônica de volêi na praia se transformou em uma partida de futebol americano convidativa (Foto: Paramount Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A diferença essencial entre o primeiro e segundo filme reside na representatividade. Aqui, incorporada pela atriz </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=sN9vgL7nMz0"><span style="font-weight: 400;">Monica Barbaro</span></a><span style="font-weight: 400;">, escalada para viver a pilota pioneira </span><span style="font-weight: 400;">Natasha ‘Phoenix’ Trace</span><span style="font-weight: 400;">. Este ano, a nova estruturação que traz sentido para a aventura pôde ser indicada à categoria de </span><a href="https://www.thegamer.com/top-gun-maverick-best-adapted-screenplay-oscar-nomination-perfect-sense/"><span style="font-weight: 400;">Melhor Roteiro Adaptado</span></a><span style="font-weight: 400;">, por se tratar da sequência de uma produção já existente. Notável, a escrita de Ehren Kruger, Justin Marks e Christopher McQuarrie se une à história precisa de Eric Warren Singer e Peter Craig, mas alcançando poucas chances junto as outras nomeadas: </span><i><span style="font-weight: 400;">Living</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Glass Onion: um Mistério Knives Out</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/nada-de-novo-no-front-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Nada de Novo no Front</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Entre Mulheres</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Indicada a </span><span style="font-weight: 400;">Melhor Canção Original, </span><span style="font-weight: 400;">a belíssima </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=O2CIAKVTOrc"><i><span style="font-weight: 400;">Hold My Hand</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Lady Gaga, toca com esplendor para finalizar a trama. Por isso, a vitória não é óbvia e a concorrência vem forte, com faixas como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Mx_OexsUI2M"><i><span style="font-weight: 400;">Lift Me Up</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, do </span><i><span style="font-weight: 400;">blockbuster</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Pantera Negra: Wakanda Para Sempre</span></i><span style="font-weight: 400;">, e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=SbT3fKt80k8"><i><span style="font-weight: 400;">Naatu Naatu</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, do longa indiano </span><i><span style="font-weight: 400;">RRR (Revolta, Rebelião, Revolução)</span></i><span style="font-weight: 400;">. Já em Melhor Som, Al Nelson é magnífico e se coloca entre os títulos </span><i><span style="font-weight: 400;">Elvis</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Nada de Novo no Front</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/batman-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Batman</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Avatar: O Caminho da Água</span></i><span style="font-weight: 400;">. Entretanto, nada marcou tanto quanto One</span><span style="font-weight: 400;">Republic com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mNEUkkoUoIA"><i><span style="font-weight: 400;">I Ain’t Worried</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, trilha sonora da partida de futebol americano na praia que </span><a href="https://tangerina.uol.com.br/filmes-series/top-gun-maverick-cena-praia-versao/"><span style="font-weight: 400;">viralizou</span></a><span style="font-weight: 400;"> nas redes sociais.  </span></p>
<figure id="attachment_29732" aria-describedby="caption-attachment-29732" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-29732" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-4-800x325.jpg" alt=" Cena do filme Top Gun: Maverick. Na imagem, os pilotos Coyote e Hangman olham para uma fotografia que está atrás das lentes da câmera. Coyote é um homem negro de cabelos e olhos escuros. Hangman é um homem branco de cabelos e olhos claros. Ambos vestem uniformes esverdeados. A câmara captura a dupla a partir do busto. Coyote tem um olhar curioso estampado e Hangman esboça um sorriso malicioso. Ao fundo, o cenário é uma sala branca e ampla, repleta de fotografias penduradas nas paredes." width="800" height="325" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-4-800x325.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-4-1024x416.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-4-768x312.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-4-1536x624.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-4-1200x488.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-4.jpg 1919w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29732" class="wp-caption-text">Top Gun: Maverick tem a maior concentração de galãs no elenco de um longa desde o original (Foto: Paramount Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O loiro antagonista da vez é Jake &#8216;Hangman&#8217; Seresin que, através das expressões de Glen Powell, replica o</span> <span style="font-weight: 400;">frenesi</span> <span style="font-weight: 400;">causado por </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2022/06/01/como-top-gun-2-usa-inteligencia-artificial-para-recriar-voz-de-val-kilmer.htm"><span style="font-weight: 400;">Val Kilmer</span></a><span style="font-weight: 400;"> como o rival de Maverick, </span><span style="font-weight: 400;">Tom ‘Iceman’ Kazansky. Powell traz para a sua interpretação as características centrais do papel, tornando a sua presença não menos tocante que o reencontro entre Kilmer e </span><a href="https://www.metropoles.com/entretenimento/cinema/oscar-2023-tom-cruise-volta-a-ser-indicado-por-maverick-apos-23-anos"><span style="font-weight: 400;">Tom Cruise</span></a><span style="font-weight: 400;">. O ator da primeira exibição do clássico teve a sua voz recriada por inteligência artificial devido às consequências da luta contra um câncer de garganta, e agora assume os postos de almirante e conselheiro de Mav nas horas vagas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, nem só de galãs vive </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2022/05/26/por-que-top-gun-maverick-e-um-grande-filme-de-acao-mas-nao-so-isso-elenco-explica.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">Top Gun: Maverick</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=K7gpFBVH9Xg"><span style="font-weight: 400;">fotografia</span></a><span style="font-weight: 400;">, surpreendentemente esnobada pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, também é irresistível. Assinada por </span><a href="https://www.goldderby.com/article/2023/oscar-snub-claudio-miranda-top-gun-maverick-best-cinematography/"><span style="font-weight: 400;">Claudio Miranda</span></a><span style="font-weight: 400;">, a composição visual é deslumbrante e acaba com a ambiguidade da ambientação construída pelo roteiro com o intuito de suavizar abordagens políticas. Afinal, se a escrita borra as margens, a imagem não deixa dúvida de qual é o país extremamente gelado que a marinha dos Estados Unidos tenta a todo custo derrotar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Parte </span><a href="https://www.indiewire.com/2022/12/top-gun-maverick-cinematography-interview-claudio-miranda-1234794344/"><span style="font-weight: 400;">fundamental</span></a><span style="font-weight: 400;"> do trabalho de Miranda reflete no editor </span><a href="https://www.latimes.com/entertainment-arts/awards/story/2022-11-10/how-the-cinematography-and-editing-of-top-gun-maverick-brought-the-blockbuster-to-new-heights"><span style="font-weight: 400;">Eddie Hamilton</span></a><span style="font-weight: 400;">, peça essencial para a formação da </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2022/05/23/afinal-o-que-e-top-gun-5-curiosidades-sobre-os-bastidores-da-franquia.htm"><span style="font-weight: 400;">sensação de grandiosidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> que o longa transmite. Por isso, ele enfrenta </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Banshees de Inisherin</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Elvis</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/tudo-em-todo-o-lugar-ao-mesmo-tempo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Tár</span></i><span style="font-weight: 400;"> na corrida pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Montagem. Igualmente capazes de abrir a boca do espectador, os profissionais criativos Ryan Tudhope, Seth Hill, Bryan Litson e Scott R. Fisher reúnem toda a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=KMbBh2CxUOw"><span style="font-weight: 400;">magia</span><span style="font-weight: 400;"> da tecnologia</span></a><span style="font-weight: 400;"> para competirem ao lado de </span><i><span style="font-weight: 400;">Nada de Novo no Front</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Avatar: O Caminho da Água</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Batman</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Pantera Negra: Wakanda Para Sempre</span></i> <span style="font-weight: 400;">por Melhores Efeitos Visuais. </span></p>
<figure id="attachment_29733" aria-describedby="caption-attachment-29733" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-29733" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-5-800x322.jpg" alt="Cena do filme Top Gun: Maverick. Na imagem, um garoto aparece de boca aberta ao se surpreender com Maverick em uma cafeteria. Ele é um menino branco de cabelos ruivos e olhos claros. A câmera o captura a partir do busto e de cima para baixo. Ele está com uma das mãos apoiada na mesa e a outra segurando uma colher em um prato de cereal. O garoto veste uma camiseta de botões xadrez nas cores branco e marrom. Ao fundo, o cenário é um balcão com diversos assentos." width="800" height="322" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-5-800x322.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-5-1024x412.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-5-768x309.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-5-1536x619.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-5-1200x483.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-5.jpg 1919w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29733" class="wp-caption-text">Os anos passam e o público-alvo de Top Gun continua o mesmo: meninos estadunidenses (Foto: Paramount Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os anos passam, os tempos mudam, a diversidade chega e, mesmo assim, o público-alvo do filme permanece intacto. A verdade é que ninguém nunca se identificará tanto com </span><span style="font-weight: 400;">Pete ‘Maverick’ Mitchell quanto aqueles meninos estadunidenses que parecem ter saído direto de um comercial de margarina. </span><span style="font-weight: 400;">Mas, eternizado como um clássico, o longa obviamente possui </span><a href="https://www.vanityfair.com/hollywood/2022/12/awards-insider-top-gun-maverick-sequences-made-the-cut"><span style="font-weight: 400;">diferentes aspectos</span></a><span style="font-weight: 400;"> que atraem as demais audiências. Seja pela representação de valores morais, pela nostalgia ou pelo próprio </span><a href="https://www.gqindia.com/entertainment/content/tom-cruises-new-motorcycle-in-top-gun-maverick-was-chosen-for-a-reason"><span style="font-weight: 400;">Tom Cruise</span></a><span style="font-weight: 400;"> trajado como um herói tão ideológico quanto o </span><i><span style="font-weight: 400;">Super-Homem</span></i><span style="font-weight: 400;">, toda geração merece assistir a sua versão de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cxgHCYFeu0A"><i><span style="font-weight: 400;">Top Gun</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ponto no mínimo </span><a href="https://www.olhardireto.com.br/artigos/exibir.asp?id=14073&amp;artigo=como-o-etarismo-afeta-a-sociedade-e-as-mulheres"><span style="font-weight: 400;">questionável</span></a><span style="font-weight: 400;"> da produção é a troca da atriz que se relaciona com o protagonista. </span><span style="font-weight: 400;">Kelly McGillis foi a astrofísica Charlie Blackwood em 1986 e não retorna para o papel. Pelo contrário, é substituída pela </span><i><span style="font-weight: 400;">bartender</span></i><span style="font-weight: 400;"> Penny Benjamin,</span><span style="font-weight: 400;"> que embala </span><span style="font-weight: 400;">o público, movido pelo saudosismo, na falta de algo que eternize o enlace com a personagem interpretada por Jennifer Connelly, 13 e 8 anos mais nova que McGillis e Tom Cruise, respectivamente. Em entrevista para o </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/cinema/top-gun-maverick-por-que-kelly-mcgillis-nao-esta-na-continuacao-atriz-responde/"><i><span style="font-weight: 400;">Entertainment Tonight</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a loira que tirou o chão de Maverick explicou o motivo pelo o que acredita não ter sido convidada para a sequência: </span><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Eles não entraram em contato comigo, e nem achei que iriam. Eu estou velha, estou gorda, e tenho uma aparência apropriada para a minha idade</span></i><span style="font-weight: 400;">.”</span><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<figure id="attachment_29734" aria-describedby="caption-attachment-29734" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-29734" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-6-800x403.jpg" alt="Cena do filme Top Gun: Maverick. Na imagem, o coadjuvante Bradley ‘Rooster’ Bradshaw olha diretamente para a câmera que captura somente a sua face, parcialmente coberta por um capacete de segurança usado por pilotos em missões. Rooster é um homem branco de cabelos e olhos escuros. Ele olha para o horizonte com os olhos marejados e a sobrancelha franzida. No reflexo do vidro em seu capacete, há as lembranças de seu pai, o também piloto de aviões-caça, Goose." width="800" height="403" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-6-800x403.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-6-1024x516.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-6-768x387.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-6-1536x774.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-6-1200x605.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-6.jpg 1919w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29734" class="wp-caption-text">A obra novamente trata Maverick como o piloto que desafia limites, mas agora, ele precisa provar que o fator humano ainda é necessário em meio a tecnologia (Foto: Paramount Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Provando que ainda queremos voar com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=v1iZtBM23bY"><span style="font-weight: 400;">Tom Cruise</span></a><span style="font-weight: 400;">, a sequência faz o seu nome na categoria de Melhor Filme, na qual compete com </span><i><span style="font-weight: 400;">N</span></i><i><span style="font-weight: 400;">ada de Novo no Front</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Avatar: O Caminho da Água</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Banshees de Inisherin</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Elvis</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Fabelmans</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Tár</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/triangulo-da-tristeza-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Triângulo da Tristeza</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Entre Mulheres</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span><span style="font-weight: 400;"> Com ambição e grandiosidade, o diretor </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EvTaqkNnbas"><span style="font-weight: 400;">Joseph Kosinski</span></a><span style="font-weight: 400;"> ficou de fora das indicações ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Direção, contudo, o seu maior desafio se transformou em realidade; as qualidades do clássico de Tony Scott se repetem e </span><a href="https://www.omelete.com.br/festival-de-cannes/tom-cruise-faz-cannes-parar-em-dia-de-exibicao-de-top-gun-maverick"><span style="font-weight: 400;">alçam novos ares</span></a><span style="font-weight: 400;"> em </span><i><span style="font-weight: 400;">Top Gun: Maverick</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Top Gun: Maverick | Novo Trailer Oficial | LEG | Paramount Pictures Brasil" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/9Jgua93Xhcw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>&nbsp;</p>
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