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	<title>Arquivos Melhor Direção de Arte &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Há 5 anos, Era Uma Vez em&#8230; Hollywood nos envolvia em um sonho californiano</title>
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		<pubDate>Fri, 20 Sep 2024 17:00:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Bianca Costa Era Uma Vez em… Hollywood, a nona e mais recente obra de Quentin Tarantino, está completando cinco anos de estreia. Com dez indicações ao Oscar 2020, o longa ganhou as estatuetas douradas de Melhor Direção de Arte, assinada por Barbara Ling, e de Melhor Ator Coadjuvante para Brad Pitt. O filme é uma &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/era-uma-vez-em-hollywood-5-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Há 5 anos, Era Uma Vez em&#8230; Hollywood nos envolvia em um sonho californiano"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34034" aria-describedby="caption-attachment-34034" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-34034" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/imagem-1-800x524.jpg" alt="Cena de Era Uma Vez em… Hollywood. Brad Pitt segue Leonardo DiCaprio por sua garagem com dois carros ao fundo enquanto o personagem de DiCaprio gesticula com os braços abertos." width="800" height="524" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/imagem-1-800x524.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/imagem-1-1024x671.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/imagem-1-768x503.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/imagem-1.jpg 1070w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34034" class="wp-caption-text">Segundo <a href="https://oglobo.globo.com/cultura/filmes/brad-pitt-leonardo-dicaprio-falam-de-seus-papeis-em-era-uma-vez-em-hollywood-23687480?versao=amp">Brad Pitt</a>, Tarantino é &#8220;tão purista que não há imagens computadorizadas em suas obras” (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><strong>Bianca Costa</strong></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Era Uma Vez em… Hollywood</span></i><span style="font-weight: 400;">, a nona e mais recente obra de Quentin Tarantino, está completando cinco anos de estreia. Com dez indicações ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> 2020, o longa ganhou as estatuetas douradas de Melhor Direção de Arte, assinada por Barbara Ling, e de Melhor Ator Coadjuvante para Brad Pitt. O filme é uma envolvente viagem no tempo para uma idealizada e ensolarada Califórnia na década de 1960, onde o diretor utiliza calmamente o cotidiano para expressar seu amor pela Sétima Arte, retratando um cenário que respira Cinema.</span></p>
<p><span id="more-34033"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A narrativa passeia pelos pacatos dias do ator em declínio, Rick Dalton, e de seu dublê, Cliff Booth, vividos, respectivamente, pelos grandes nomes da atuação: Leonardo DiCaprio e Brad Pitt. A dupla quebra essa imagem de uma Hollywood que existia mais no imaginário do que na realidade ao viver diretamente os dramas da indústria, acompanhando os personagens por cenas soltas e desritmadas. O diretor brinca com a expectativa do público ao retratar os trágicos eventos do verão de 1969. Os </span><a href="https://aventurasnahistoria.com.br/amp/noticias/almanaque/o-crime-que-abalou-hollywood-5-fatos-sobre-o-brutal-assassinato-de-sharon-tate.phtml"><span style="font-weight: 400;">assassinatos</span></a><span style="font-weight: 400;"> brutais executados pela família Manson não só abalaram a cultura norte-americana como extinguiu, também, a atmosfera ensolarada e esperançosa de Los Angeles, marcada pelos ideais </span><i><span style="font-weight: 400;">hippies</span></i><span style="font-weight: 400;"> da época.</span></p>
<figure id="attachment_34035" aria-describedby="caption-attachment-34035" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-34035" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/imagem-2.jpg" alt="Cena de Era Uma Vez em… Hollywood. O personagem de Brad Pitt, homem branco e loiro que veste uma calça jeans, camiseta branca com detalhes vermelhos e uma camisa aberta amarela com detalhes florais e uma bota marrom, anda ao lado de um Cadillac creme, carro de 1966, com árvores ao fundo." width="768" height="512" /><figcaption id="caption-attachment-34035" class="wp-caption-text">Cliff Booth dirige um Karmann Ghia azul, mesmo veículo que Beatrix Kiddo em Kill Bill (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A dualidade retratada cria uma dança das cadeiras que Tarantino adora trazer em suas obras, alternando entre ficção e realidade, e utilizando a Arte para reescrever a história daqueles que foram injustiçados. Essa característica do diretor aparece também em </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/bastardos-inglorios"><i><span style="font-weight: 400;">Bastardos Inglórios</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2009), que reconta a história dos judeus no contexto da Segunda Guerra Mundial, e</span> <span style="font-weight: 400;">em</span> <a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/django-livre-critica"><i><span style="font-weight: 400;">Django Livre</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2012), onde a escravidão também tem direito a uma ‘revanche histórica’. Ambos contam com cenas regadas a muito sangue e apresentam uma violência exacerbada que beira o cômico – uma vingança </span><i><span style="font-weight: 400;">à la </span></i><span style="font-weight: 400;">Quentin Tarantino. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa pede por um contexto prévio sobre a noite do dia 9 de agosto de 1969 e o culto liderado por </span><a href="https://g1.globo.com/google/amp/mundo/noticia/2023/07/12/quem-foram-charles-manson-e-sua-familia-e-como-foi-a-serie-de-crimes-brutais-cometidos-por-eles.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Charles Manson</span></a><span style="font-weight: 400;">, responsável por assassinar a sangue frio Sharon Tate, grávida do diretor Roman Polanski, além de outros quatro amigos da atriz dentro de sua casa em Los Angeles. A seita da família Manson é retratada aos poucos em </span><i><span style="font-weight: 400;">Era Uma Vez em… Hollywood, </span></i><span style="font-weight: 400;">perseguindo lentamente a trama até cruzar as narrativas de Cliff com Pussycat</span> <span style="font-weight: 400;">(Margaret Qualley), que leva o coadjuvante até o </span><a href="https://aventurasnahistoria.com.br/amp/noticias/almanaque/o-que-aconteceu-com-o-polemico-rancho-spahn.phtml"><span style="font-weight: 400;">Rancho Spahn</span></a><span style="font-weight: 400;">, onde a família vivia no período. A longa e descompassada cena do rancho chega às telas de forma despretensiosa até alcançar uma tensão inesperada, angustiante e quase palpável pelo público.</span></p>
<figure id="attachment_34036" aria-describedby="caption-attachment-34036" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-34036" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/imagem-3-1-800x538.jpg" alt="Cena de Era Uma Vez em… Hollywood. A atriz Margot Robbie, mulher branca e loira dança sorridente com os braços para cima, centralizada ao centro de uma pista de dança iluminada e rodeada de outras pessoas, vestindo um conjunto amarelo e botas pretas." width="800" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/imagem-3-1-800x538.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/imagem-3-1-1024x689.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/imagem-3-1-768x517.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/imagem-3-1.jpg 1070w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34036" class="wp-caption-text">&#8220;Queria que vocês vissem muito de Sharon vivendo sua vida e não apenas seguindo uma história, queria ver ela vivendo, sendo quem é&#8221;, diz <a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/streaming/explicamos-o-controverso-papel-de-margot-robbie-em-era-uma-vez-em-hollywood/amp/">Tarantino</a> em entrevista (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Margot Robbie reviveu lindamente </span><a href="https://aventurasnahistoria.com.br/amp/noticias/reportagem/historia-quem-foi-sharon-tate-vida-morte.phtml"><span style="font-weight: 400;">Sharon Tate</span></a><span style="font-weight: 400;">, com uma pureza e inocência que transcende a tela e envolve o espectador pelas possibilidades que contornavam o futuro da artista em ascensão. A atriz soube como homenagear a estrela e seu bebê de forma melancólica e otimista ao mesmo tempo, comovendo o público com cenas sensíveis que contrastam com o cinismo e pessimismo de Dalton e Cliff. Tarantino, por sua vez, ensina novamente o verdadeiro poder da ficção ao reescrever a narrativa daqueles que jamais escaparam de um desfecho cruel, utilizando o Cinema para fugir de uma realidade injusta e brutal.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quem acompanha as produções do diretor sabe muito bem que as </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2021/08/09/de-briga-com-a-mae-a-ameaca-de-morte-tarantino-acumula-polemicas-e-tretas.amp.htm"><span style="font-weight: 400;">polêmicas</span></a><span style="font-weight: 400;"> sempre cercam suas obras, e em </span><i><span style="font-weight: 400;">Era Uma Vez em… Hollywood </span></i><span style="font-weight: 400;">não seria diferente. O diretor e roteirista foi criticado por uma cena em que o ator Mike Moh interpreta </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/era-uma-vez-em-hollywood-polemica-tarantino-bruce-lee-entenda#:~:text=Quentin%20Tarantino%20respondeu%20%C3%A0%20pol%C3%AAmica,ele%20falar%20coisas%20como%20essas."><span style="font-weight: 400;">Bruce Lee</span></a><span style="font-weight: 400;"> de uma forma estereotipada e escrachada, que ridiculariza a imagem do lutador e todos os seus feitos. Apesar da repercussão, o diretor não admite seu erro. Além disso, outra ‘bola fora’ foi não citar e problematizar em nenhum momento as inúmeras acusações contra Roman Polanski, marido de Sharon Tate, por abuso sexual.</span></p>
<figure id="attachment_34037" aria-describedby="caption-attachment-34037" style="width: 715px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34037" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/imagem-4.jpg" alt="Cena de Era Uma Vez em… Hollywood. Bruce Lee (interpretado por Jason Scott Lee), homem de traços orientais vestindo uma regata branca e uma calça preta, faz movimentos de artes marciais enfrentando o personagem de Brad Pitt, homem branco que veste uma camisa branca de botões com uma calça preta e um colete preto." width="715" height="429" /><figcaption id="caption-attachment-34037" class="wp-caption-text">A China proibiu o lançamento do filme na data planejada em boicote à cena em que Bruce Lee luta com o personagem de Brad Pitt (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O conjunto de referências, a fotografia de Robert Richardson e a escolha da </span><a href="https://www.itapemafm.com.br/trilha-sonora-de-era-uma-vez-em-hollywood-e-uma-viagem-aos-anos-1960"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora</span></a><span style="font-weight: 400;">, feita pelo diretor do filme, contribuem para a experiência de um sonho hollywoodiano embriagado, vivenciado nos anos dourados. Uma época onde o corriqueiro ganha estrelato até que aconteça o hiperbólico desfecho do longa, fugindo da triste realidade do crime e fazendo com que os assassinos da família Manson tivessem um </span><a href="https://cinebuzz.com.br/amp/noticias/cinema/relembre-as-10-cenas-mais-sangrentas-de-quentin-tarantino.phtml"><span style="font-weight: 400;">sangrento fim</span></a><span style="font-weight: 400;">. O acontecimento guia o público até a doce ilusão de que o dia 15 de agosto de 1969 se manteve como um dia ordinário em Los Angeles, cidade onde os sonhos ainda se tornam realidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quentin Tarantino, que promete se </span><a href="https://rollingstone.com.br/amp/noticia/quentin-tarantino-confirma-aposentadoria-apos-seu-decimo-filme/"><span style="font-weight: 400;">aposentar</span></a><span style="font-weight: 400;"> após produzir a décima obra de sua carreira, entrega uma verdadeira declaração de amor ao Cinema em seu nono filme. Seguindo uma linha mais madura e, ao mesmo tempo, divertida, são 160 minutos de muita paixão pela Sétima Arte, mostrando seu poder de transportar o espectador para um século e uma realidade idealizada aos mínimos detalhes. </span><i><span style="font-weight: 400;">Once Upon a Time… in Hollywood</span></i><span style="font-weight: 400;"> (no original) se mantém relevante por ser uma experiência completa guiada pelo excepcional diretor. Com um elenco de grande peso, composto por nomes que souberam trabalhar os personagens perfeitamente, Tarantino mostra, mais uma vez, que o Cinema é uma ferramenta para segundas chances.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Era Uma Vez Em Hollywood | Trailer Final Dublado | 15 de agosto nos cinemas" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/Bbk_ZSh5BWQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Açúcar e violência: Pobres Criaturas é sobre devorar o mundo para experimentá-lo</title>
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		<pubDate>Fri, 01 Mar 2024 18:11:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Giovanna Freisinger “Eu me aventurei e não encontrei nada além de açúcar e violência”. Essas são as palavras de Bella Baxter em Pobres Criaturas após andar pelas ruas de Lisboa sozinha, vendo o mundo com os próprios olhos pela primeira vez. Adaptado do romance vitoriano Pobres Criaturas de Alasdair Gray, com o roteiro assinado por &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/pobres-criaturas-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Açúcar e violência: Pobres Criaturas é sobre devorar o mundo para experimentá-lo"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32555" aria-describedby="caption-attachment-32555" style="width: 980px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32555" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4.png" alt="Cena do filme Pobres Criaturas. A personagem Bella Baxter (branca e com os cabelos pretos e compridos até o quadril e as sobrancelhas cheias) está vestindo ombreiras grandes em azul claro sobre a blusa branca, combinadas com um shorts alto amarelo claro. A personagem olha para cima com um olhar curioso. Atrás dela, a cidade é decorada com o comércio de pães e outros alimentos na rua" width="980" height="653" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4.png 980w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4-768x512.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32555" class="wp-caption-text">Pobres Criaturas prova que histórias livres para imaginar, ousar e ser um pouco estranhas ainda movimentam audiências (Foto: Searchlight Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Giovanna Freisinger</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu me aventurei e não encontrei nada além de açúcar e violência</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Essas são as palavras de Bella Baxter em </span><i><span style="font-weight: 400;">Pobres Criaturas </span></i><span style="font-weight: 400;">após andar pelas ruas de Lisboa sozinha, vendo o mundo com os próprios olhos pela primeira vez. Adaptado do romance vitoriano </span><a href="https://www.nytimes.com/2024/02/21/books/review/poor-things-alasdair-gray-novel.html"><i><span style="font-weight: 400;">Pobres Criaturas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Alasdair Gray, com o roteiro assinado por </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-great-3a-temporada-critica/"><span style="font-weight: 400;">Tony McNamara</span></a><span style="font-weight: 400;">, a nova obra de </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-sacrificio-do-cervo-sagrado-critica/"><span style="font-weight: 400;">Yorgos Lanthimos</span></a><span style="font-weight: 400;"> é um banquete sensorial. </span></p>
<p><span id="more-32551"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com cores vibrantes, arranjos musicais provocantes, caracterizações exageradas e elementos surrealistas de ficção científica, o longa é uma experiência audiovisual como nenhuma outra, principalmente diferente de qualquer coisa que vemos nas salas de cinema há tempos. Não à toa, está concorrendo ao troféu de Melhor Filme no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> 2024, junto a outras 10 indicações, que também incluem Lanthimos em Melhor Direção e McNamara em Melhor Roteiro Adaptado. </span></p>
<figure id="attachment_32552" aria-describedby="caption-attachment-32552" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32552" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1.png" alt="Cena do filme Pobres Criaturas. Preto e branco. Em meio a nuvens brancas, Bella Baxter caminha com uma mala de mão sobre uma ponte que se forma sustentada por cinco globos oculares gigantes" width="1999" height="1333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1.png 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-1536x1024.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-1200x800.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32552" class="wp-caption-text">O visual surrealista e imersivo do filme te transporta para um universo fantástico durante as suas duas horas e vinte minutos de duração (Foto: Searchlight Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O diretor tem um olho particularmente bom para reconhecer talentos e, mais do que isso, enxergar o potencial de um ator para ir onde ainda não teve a oportunidade de explorar. Essa não é a sua primeira colaboração com Emma Stone, que encarna a protagonista nada comum Bella Baxter. Ela teve um papel importante em </span><a href="https://youtu.be/7U6if0KGvIM?feature=shared"><i><span style="font-weight: 400;">A Favorita</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">em 2018, que também recebeu muita atenção das grandes premiações. Os dois trabalharam juntos novamente no curta-metragem </span><a href="https://www.carocineasta.com.br/2023/10/yorgos-lanthimos-e-emma-stone-sobre-o.html"><i><span style="font-weight: 400;">Bleat</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em 2022. É arrebatador o encontro entre dois criativos que falam a mesma língua e, assim, expandem a sua Arte com a parceria. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Interpretar Baxter garantiu à atriz a sua quarta indicação ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> por atuação, concorrendo como uma das favoritas ao prêmio de </span><a href="https://www.vogue.com/article/2024-oscars-best-actress-race"><span style="font-weight: 400;">Melhor Atriz</span></a><span style="font-weight: 400;">, o que pode significar sua segunda vitória. Stone participou da concepção do longa também como produtora executiva, o que coloca seu nome na corrida pelo troféu de Melhor Filme, sua quinta indicação da carreira.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A personagem é o resultado de um experimento do brilhante cientista Dr. Godwin Baxter, a quem ela se refere apenas como God &#8211; uma simbologia bem escancarada. O especialista, interpretado com maestria por </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-farol-the-lighthouse-critica/"><span style="font-weight: 400;">Willem Dafoe</span></a><span style="font-weight: 400;">, se preocupa muito pouco com as considerações éticas envolvendo os seus projetos. Stone alcança um novo patamar em sua carreira ao desenvolver em detalhe, junto ao diretor, os modos de caminhar, se portar e falar de Bella do zero, para então se desprender deles de maneira tão orgânica que a criatura amadurece como uma nova mulher diante dos nossos olhos, sem percebermos a mudança abrupta. </span></p>
<figure id="attachment_32557" aria-describedby="caption-attachment-32557" style="width: 950px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32557" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image5.png" alt="Cena do filme Pobres Criaturas. Bella Baxter está deitada em uma  maca de metaç, dos ombros para cima, com os olhos abertos e um olhar vazio. Sua cabeça está inserida em um meio globo transparente, conectando a metais e fios a personagem" width="950" height="554" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image5.png 950w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image5-800x467.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image5-768x448.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32557" class="wp-caption-text">Stone compete pelo Oscar de Melhor Atriz com Annette Bening (NYAD), Lily Gladstone (Assassinos da Lua das Flores), Sandra Hüller (Anatomia de Uma Queda) e Carey Mulligan (Maestro) (Foto: Searchlight Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama de </span><i><span style="font-weight: 400;">Poor Things </span></i><span style="font-weight: 400;">(no original) se passa durante o século XIX, mas o compromisso assumido não é com a precisão histórica, e sim com a construção de um mundo através das lentes da visão da Bella, que está o conhecendo pela primeira vez. A distorção dos cenários e os demais efeitos conquistados pela fotografia de </span><a href="https://youtu.be/L-sZZzsVw0A?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">Robbie Ryan</span></a><span style="font-weight: 400;"> através de lentes amplas, com efeito olho de peixe, conversam com o </span><a href="https://www.architecturaldigest.com/story/inside-the-surreal-universe-of-poor-things"><span style="font-weight: 400;">design do set</span></a><span style="font-weight: 400;"> de cores saltadas e elementos futuristas, criado pela direção de arte de James Price, Shona Heath e Zsuzsa Mihalek. Juntos, somam mais duas indicações ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> em suas respectivas categorias: Melhor Fotografia e Melhor Direção de Arte.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Todos os elementos do filme também acompanham a evolução do arco da protagonista, o mais evidente sendo a transição do preto e branco da sua criação para o colorido vibrante das novas descobertas. Os figurinos extravagantes e cativantes de </span><a href="https://www.nytimes.com/2024/01/02/movies/emma-stone-bella-baxter-costumes-poor-things.html"><span style="font-weight: 400;">Holly Waddington</span></a><span style="font-weight: 400;">, que trazem uma leitura moderna à moda da época, e as maquiagens e penteados de </span><a href="https://www.wallpaper.com/fashion-beauty/poor-things-hair-and-make-up-yorgos-lanthimos-film"><span style="font-weight: 400;">Nadia Stacey</span></a><span style="font-weight: 400;">, Mark Coulier e Josh Weston são ferramentas para a expressão vibrante da personalidade e estado mental dos personagens ao longo do enredo. A trilha sonora de Jerskin Fendrix não é diferente: as composições se transformam e se expandem em complexidade conforme Bella amadurece e encontra o seu lugar no mundo como mulher. Todas essas categorias também foram notadas pela Academia e concorrem à premiação. </span></p>
<figure id="attachment_32553" aria-describedby="caption-attachment-32553" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32553" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2.png" alt="Cena do filme Pobres Criaturas. Visão de baixo para cima da cidade de Lisboa no filme. Prédios altos e amarelados. Um transporte passa ao alto suspenso por fios entre os prédios. O céu azul claro é coberto por nuvens rosas" width="1600" height="966" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2.png 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-800x483.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-1024x618.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-768x464.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-1536x927.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-1200x725.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32553" class="wp-caption-text">Ryan e Lanthimos compartilharam em entrevista à Variety que construir Lisboa foi um de seus maiores desafios (Foto: Searchlight Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Lanthimos definiu, em </span><a href="https://vogue.globo.com/cultura/noticia/2024/02/pobres-criaturas-de-yorgos-lanthimos-e-um-convite-a-experimentacao-da-vida.ghtml"><span style="font-weight: 400;">entrevista</span></a><span style="font-weight: 400;"> à Vogue Brasil, </span><i><span style="font-weight: 400;">Pobres Criaturas</span></i><span style="font-weight: 400;"> como &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">um filme sobre o que um ser humano é capaz de fazer em um novo começo, com uma tela em branco, e o que experimenta a partir daí de uma maneira diferente do que já foi feito</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Bella Baxter é uma personagem extremamente interessante de assistir por ser completamente livre de quaisquer convenções sociais ou morais. Por questionar tudo, ela expõe ao ridículo regras fúteis da sociedade ao seu redor, como as de etiqueta, e nos faz olhar para o modus operandi em que vivemos. A mulher-criança decide o que quer a partir do que lhe dá prazer e, fazendo isso, planta a pergunta em nós: o que está nos impedindo de fazer o mesmo?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse processo, a protagonista esbarra em uma de suas descobertas mais fascinantes: </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2024/jan/30/poor-things-sex-scenes-intimacy-coordinator-elle-mcalpine-yorgos-lanthimos"><span style="font-weight: 400;">o orgasmo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Começa como uma curiosidade sensorial, de revelação do próprio corpo e suas sensações de prazer, como uma jovem na puberdade com a inocência de acreditar que é a primeira a descobrir isso. Eventualmente, a sua busca se estende a outros corpos e as possibilidades ao se relacionar com eles, não só restritas ao desejo, mas também à vontade de conhecer de perto as inúmeras formas de relações interpessoais. </span></p>
<figure id="attachment_32554" aria-describedby="caption-attachment-32554" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32554" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3.png" alt="Cena do filme Pobres Criaturas. Ao centro de um salão de festas, Bella Baxter dança com os braços para cima. A personagem está usando uma regata branca e uma saia longa rosa. Ao fundo, dois casais dançam e pessoas assistem sentadas em mesas de jantar" width="1999" height="1208" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3.png 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3-800x483.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3-1024x619.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3-768x464.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3-1536x928.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3-1200x725.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32554" class="wp-caption-text">Bella Baxter arranca risadas falando sem filtro coisas que todos pensamos e não temos coragem de falar (Foto: Searchlight Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Duncan Wedderburn, personagem de </span><a href="https://personaunesp.com.br/i-know-this-much-is-true-critica/#google_vignette"><span style="font-weight: 400;">Mark Ruffalo</span></a><span style="font-weight: 400;">, aparece como uma porta para o mundo afora e seus deslumbres. Bella se deixa ser guiada pelo advogado arrogante em seus primeiros passos em direção à independência, mas não permite que ele determine o caminho. O horizonte de sua curiosidade se expande para além de sensações e momentos, através de livros e pessoas que, assim como ela, questionam o que é estabelecido. O relacionamento dos dois desmorona conforme ela aprende a andar com os seus próprios pés.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É aí que, de repente, a criança é Duncan: birrento e perdido, representação de um homem que não só não está acostumado com frustrações, mas que também não consegue conceber em sua mente a noção de uma mulher que talvez queira experimentar o mundo, muito como o próprio, e não tenha interesse em se restringir às suas promessas, não importa o quão sinceras. O que Ruffalo conquista em cena é espetacular. A performance charmosa e hilária de um sedutor dramático é um dos pontos mais altos do filme, o que o levou ao reconhecimento muito merecido com a indicação ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://variety.com/feature/2024-oscars-best-supporting-actor-predictions-1235678122/"><span style="font-weight: 400;">Melhor Ator Coadjuvante</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em defesa do galã desiludido, não é só Wedderburn que demonstra não saber como reagir a uma mulher como Bella. Quase todos ao redor da protagonista querem encontrar formas de controlá-la e moldá-la de acordo com suas crenças e interesses pessoais. Uma eventual exceção é o seu criador, God, que passa a abrir mão do controle sobre o seu experimento para deixá-la seguir sua própria caminhada. Com isso, ele se torna um pai ao qual ela retorna, como uma redenção de </span><a href="https://time.com/6344025/poor-things-frankenstein-mary-shelley-feminist/"><span style="font-weight: 400;">Frankenstein</span></a><span style="font-weight: 400;"> com o seu monstro. </span></p>
<figure id="attachment_32556" aria-describedby="caption-attachment-32556" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32556" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image6.png" alt="Cena do filme Pobres Criaturas. Bella Baxter, vestida com camadas de tule rosa sobre os ombros, está sentada escrevendo algo sobre o colo. Duncan Wedderburn abraça a personagem de lado, olhando para ela enquanto ela não desvia o olhar para encará-lo de volta" width="1500" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image6.png 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image6-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image6-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image6-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image6-1200x800.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32556" class="wp-caption-text">“Eu estou tão cansado de ser tão bem comportado”: Ruffalo falou sobre sair da caixinha de bom moço para Deadline (Foto: Searchlight Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O cerne de</span><i><span style="font-weight: 400;"> Pobres Criaturas </span></i><span style="font-weight: 400;">é a quebra da ilusão, a saída da caverna para Bella. A vida é, sim, sobre doces deliciosos, viagens, dança e sexo, mas também é sobre violência, injustiça e miséria. Quando o amigo que ela conhece no cruzeiro, interpretado por </span><a href="https://www.newyorker.com/culture/on-television/rothaniel-reviewed-jerrod-carmichaels-vital-coming-out"><span style="font-weight: 400;">Jerrod Carmichael</span></a><span style="font-weight: 400;">, se revolta com a sua ingenuidade e decide a expor ao mundo real, ela experimenta a culpa. Até então ignorante a essa realidade, ela é colocada diante da parte feia do que torna o seu estilo de vida possível. Esse é um ponto crucial no seu desenvolvimento, o impulso necessário para começar a perceber as estruturas sobre as quais a sociedade se apoia e entender que conhecer a verdade pode ser doloroso, mas é o único caminho para a liberdade. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Pobres Criaturas | Trailer Oficial" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/9DEOJkmZLd8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Oppenheimer: a explosão e os destroços de uma mente brilhante</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Feb 2024 15:51:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Pâmela Palma  O novo filme de Christopher Nolan (Tenet) estreou de um jeito diferente de tudo produzido pelo cineasta até hoje. Oppenheimer chegou às telas com um teor crítico e extremamente didático, algo raramente produzido por outros grandes nomes da atualidade. De forma densa, realista e rica em detalhes, a obra nasce com a intenção &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/oppenheimer-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Oppenheimer: a explosão e os destroços de uma mente brilhante"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32520" aria-describedby="caption-attachment-32520" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32520" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image3-3.jpg" alt="" width="1000" height="562" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image3-3.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image3-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image3-3-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32520" class="wp-caption-text">Herói ou vilão? Algumas pessoas riram, outras choraram, mas a maioria ficou em silêncio (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Pâmela Palma </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O novo filme de</span><span style="font-weight: 400;"> Christopher</span><span style="font-weight: 400;"> Nolan (</span><a href="https://personaunesp.com.br/tenet-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Tenet</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) estreou de um jeito diferente de tudo produzido pelo cineasta até hoje. </span><i><span style="font-weight: 400;">Oppenheimer</span></i><span style="font-weight: 400;"> chegou às telas com um teor crítico e extremamente didático, algo raramente produzido por outros grandes nomes da atualidade. De forma densa, realista e rica em detalhes, a obra nasce com a intenção de retratar biograficamente a vida do físico e cientista J. Robert Oppenheimer, responsável pelo Projeto Manhattan e pelas duas grandes bombas atômicas utilizadas pelos Estados Unidos nas cidades de Hiroshima e Nagasaki como ultimato para cessar a Segunda Guerra Mundial em 1945.</span></p>
<p><span id="more-32517"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para facilitar a compreensão das três horas densas, Nolan constrói uma versão dupla, dividindo as cenas em duas partes: as coloridas, que representam a visão de Oppenheimer (Cillian Murphy), e as que possuem tratamento preto e branco, que, ao invés de relatarem fatos passados, teletransportam o público para o presente, em uma visão externa dos acontecimentos, fazendo com que o filme ganhe um caráter </span><a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/filmes/oppenheimer-tem-algo-inedito-na-historia-do-cinema/"><span style="font-weight: 400;">inédito</span></a><span style="font-weight: 400;"> e uma construção visual impecável. Apesar disso, em alguns momentos, o diretor parece ter dificuldade para encaixar os contextos em suas respectivas linhas do tempo, já que o longa aborda diversos personagens para seguir com a história.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O secreto Projeto Manhattan deu origem a Los Alamos, cidade financiada pelo governo americano que foi usada como berço para a bomba atômica. A arma, responsável por aniquilar cerca de</span><a href="https://br.ign.com/oppenheimer/111528/news/quantas-pessoas-morreram-pela-invencao-de-oppenheimer"><span style="font-weight: 400;"> 265 mil pessoas</span></a><span style="font-weight: 400;">, foi construída em segredo no local, liderada por Oppenheimer com a participação de outros renomados físicos, que também ganharam pequenos momentos na trama. Entretanto, o grande elemento de análise é J. Robert Oppenheimer, vivido de forma impecável por Murphy, concorrendo à estatueta de Melhor Ator no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_32521" aria-describedby="caption-attachment-32521" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32521" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image4-3.jpg" alt="" width="600" height="420" /><figcaption id="caption-attachment-32521" class="wp-caption-text">O físico testemunhou com seus próprios olhos o poder dilacerador de sua invenção (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Polêmico, ambicioso, confuso e covarde (quando não se tratava de física) são palavras que resumem bem a personalidade do cientista. Embora dono de uma mente genial, ele já possuía comportamentos problemáticos desde a academia. No que diz respeito à construção pessoal do personagem, a trama entrega ótimos resultados, principalmente nos primeiros momentos, ao abordar o fascínio de Oppenheimer pelos elementos químicos, em uma jornada para provar a si mesmo que ele pode fazer mais. É nítido que </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/cillian-murphy-comeu-apenas-uma-amendoa-por-dia-para-fazer-oppenheimer-diz-atriz/"><span style="font-weight: 400;">Cillian Murphy</span></a><span style="font-weight: 400;"> dá a vida e todo o charme necessário para trazer todas as nuances esperadas para o papel. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Muito da obra gira em torno do caos político que pairava sobre a época. Neste contexto, Oppenheimer se afeiçoa </span><a href="https://pipocasclub.com.br/2023/07/24/oppenheimer-era-um-espiao-ele-era-comunista-entenda/"><span style="font-weight: 400;">pelo comunismo</span></a><span style="font-weight: 400;">, logo quando se torna um professor renomado. Sua família não faz diferente: o irmão, Frank (Dylan Arnold), era membro ativo do Partido Comunista, e para a cereja do bolo, o protagonista se casa com Katherine (Emily Blunt), também alinhada ao movimento. Mesmo deixando a organização após se casar, por saber das complicações que causaria na trajetória do marido, os rastros desse passado os perseguem para sempre, se tornando o grande estopim para a carreira brilhante do físico ir ladeira abaixo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um ponto alto que merece o devido reconhecimento é o papel que Emily Blunt interpreta durante o desenrolar da história, crucial tanto para a trama, quanto para o descanso dos telespectadores e também reconhecida com uma nomeação da Academia, como Melhor Atriz Coadjuvante. É ela quem traz os principais momentos de emoção, já que a história conta com atuações totalmente racionais e frias. Por outro lado, Florence Pugh, que vive Jean, a amante do protagonista, não teve a mesma sorte e fez o melhor que pôde com seus </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/cinema/oppenheimer-nolan-pediu-desculpas-a-florence-pugh-por-papel-pequeno-no-filme/#:~:text=Florence%20Pugh%20interpretou%20Jean%20Tatlock%20em%20Oppenheimer%20-,de%20tela%20Reda%C3%A7%C3%A3o%20Publicado%20em%2023%2F08%2F2023%2C%20%C3%A0s%2011h00"><span style="font-weight: 400;">poucos minutos</span></a><span style="font-weight: 400;"> de tela, que, na maioria, são apenas cenas de cunho sexual. Entre os saltos dessas relações, é nítido quão confusa é a mente de Oppenheimer, vivendo em uma relação morna com ambas as mulheres de sua vida, sem transparecer a sensação de um amor profundo. A morte de Jean surge apenas para tentar trazer uma entonação emocional para o personagem, mas acaba sendo irrelevante. Cillian Murphy e papéis sentimentais na mesma frase são coisas quase impossíveis.</span></p>
<figure id="attachment_32519" aria-describedby="caption-attachment-32519" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32519" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image2-2.jpg" alt="" width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image2-2.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image2-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image2-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image2-2-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32519" class="wp-caption-text">Mais um arrependimento para Oppenheimer acompanhar aos outros que já existem na sua estante (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">À medida que o projeto se desenvolve e a tão esperada data do grande teste chega, nota-se a evolução do quadro perturbador do pai da bomba atômica. Além disso, algo muito importante vem à tona: o início das movimentações de Lewis Strauss (Robert Downey Jr.) para fazer com que Oppenheimer perca seus acessos confidenciais logo após a entrega da arma. Essa virada de chave é o primeiro passo de Nolan para a tentativa de segurar a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4LGGdHiEaaM"><span style="font-weight: 400;">curiosidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> do espectador para o restante da trama.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Trinity, o momento que todos aguardavam ansiosamente, chega com um apoio gigantesco da trilha sonora de </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/0rwbMKjNkp4ehQTwf9V2Jk"><span style="font-weight: 400;">Ludwig Goransson</span></a><span style="font-weight: 400;">. Composta por pianos, violinos e harpas, ela sustenta o suspense nos minutos antes da explosão, quando surge a grande reviravolta: o silêncio interminável, ao invés do barulho estrondoso de uma bomba, tudo que se pode ouvir é a respiração profunda de Oppenheimer. Nolan faz questão de projetar a cena desta maneira para lembrar que o filme é sobre a visão do personagem e não mais uma história sobre o ataque como outras mil que já existem. É o silêncio que permite captar as emoções de medo e ansiedade do físico, que seguem pelo momento em que os caminhões levam as verdadeiras bombas ao campo de batalha, no qual o vemos desmanchar em arrependimento.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com um sucesso monstruoso, </span><i><span style="font-weight: 400;">Oppenheimer</span></i><span style="font-weight: 400;"> acumulou estimados US$ 700 milhões nas bilheterias pelo mundo. O favorito da crítica lidera a lista de filmes indicados ao</span> <a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">com 13 indicações, superando </span><i><span style="font-weight: 400;">Pobres Criaturas</span></i><span style="font-weight: 400;">, que possui 11 indicações na premiação mais aguardada do ano. Além deste grande êxito, o filme ainda levou várias estatuetas de premiações renomadas do cinema, como Globo de Ouro, </span><i><span style="font-weight: 400;">SAG Awards</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA</span></i><span style="font-weight: 400;"> (o </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">britânico) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Critic’s Choice Awards</span></i><span style="font-weight: 400;">. No </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, consolida sua corrida com Melhor Diretor, para Christopher Nolan, Melhor Filme e Melhor Som, entre outras nomeações.</span></p>
<figure id="attachment_32518" aria-describedby="caption-attachment-32518" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32518" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image1-3.jpg" alt="" width="1600" height="1067" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image1-3.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image1-3-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image1-3-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image1-3-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image1-3-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image1-3-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32518" class="wp-caption-text">Quem tem um amigo como Lewis Strauss, não precisa de um inimigo (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Seguindo com as explosões. Quando o projeto final é entregue nas mãos das autoridades americanas, as suspeitas de Oppenheimer ser um espião soviético já estão no auge, já que uma operação comandada por um comitê forjado tem investigado a fundo seu passado. Vem a tona que tudo isso é armado por seu até então colega </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-1000033990/"><span style="font-weight: 400;">Lewis Strauss</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Robert Downey Jr.). A atuação de </span><span style="font-weight: 400;">Downey Jr. </span><span style="font-weight: 400;">entrega uma performance avassaladora, talvez a melhor de sua carreira, digna de um</span><i><span style="font-weight: 400;"> Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">de Melhor Ator Coadjuvante.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como nem tudo na vida é perfeito</span><span style="font-weight: 400;">, ainda faltando cerca de uma hora de </span><i><span style="font-weight: 400;">Oppenheimer</span></i><span style="font-weight: 400;">, após o ponto alto que foi o teste Trinity, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=fez7X_oevNs"><span style="font-weight: 400;">Christopher</span><span style="font-weight: 400;"> Nolan</span></a><span style="font-weight: 400;"> assume o desafio de terminar de contar o restante da história de maneira que prenda a atenção do público. O que sobrou foi um emaranhado de questões políticas que decidiram o destino da carreira de J. Robert Oppenheimer. Os momentos de julgamento parecem intermináveis, contudo, necessários para a finalização do longa, que termina relatando nada mais e nada menos do que a realidade de uma mente brilhante que foi usada pelas autoridades da época e praticamente esquecida depois, reduzido a um homem comum colecionando medalhas.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="OPPENHEIMER - Novo Trailer (Universal Studios) – HD" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/F3OxA9Cz17A?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Trazendo todos os elementos importantes para que possamos chamá-lo de um ‘‘super filme&#8221;, </span><i><span style="font-weight: 400;">Oppenheimer</span></i><span style="font-weight: 400;"> não é para amadores. Longo, denso e detalhista, é uma obra-prima quando se trata de estrutura, uma vez que todos os elementos visuais e sonoros são excepcionalmente bem empregados. Ainda que o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JLkpxRXJ1_8"><span style="font-weight: 400;">elenco</span></a><span style="font-weight: 400;"> possua grandes nomes para tentar suavizar a densidade, a história exige atenção máxima nas três horas de duração e ainda não superou outras grandes produções de Christopher Nolan, como</span><i><span style="font-weight: 400;"> A Origem </span></i><span style="font-weight: 400;">e</span><i><span style="font-weight: 400;"> Interestelar</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ainda assim, é evidente que é um dos </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-melhores-filmes-de-2022/"><span style="font-weight: 400;">maiores lançamentos</span></a><span style="font-weight: 400;"> de 2023.</span></p>
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		<title>Longe dos altares, Elvis faz seu espetáculo nos conflitos e contrastes</title>
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		<pubDate>Tue, 28 Feb 2023 20:50:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Mariana Nicastro e Vitória Vulcano Como se dá a ascensão de uma estrela? E sua queda? Representar uma figura real respeitando seus contrastes não é uma tarefa simples, nem contar uma história desse calibre com originalidade. Baz Luhrmann poderia facilmente ter encaixado Elvis nos moldes narrativos típicos do gênero: lineares, focados na perspectiva do artista &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/elvis-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Longe dos altares, Elvis faz seu espetáculo nos conflitos e contrastes"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30033" aria-describedby="caption-attachment-30033" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30033" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4667.jpg" alt="Cena do filme Elvis. A imagem é retangular e mostra o cantor Elvis no centro da foto, em um primeiro plano. Ele está representado do quadril para cima, com o corpo inclinado para trás e olha diretamente para a câmera enquanto canta, com a sua mão direita segurando o microfone. Ele usa uma jaqueta preta de couro e sua guitarra vermelha está pendurada no pescoço. Elvis é interpretado por Austin Butler. Ele tem cabelos escuros, lisos e penteados para trás, olhos azuis e uma pele clara, mas bronzeada. Em segundo plano é possível ver a plateia assistindo ao show. A maioria dos presentes é composta por mulheres que observam Evis encantadas." width="1600" height="898" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4667.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4667-800x449.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4667-1024x575.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4667-768x431.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4667-1536x862.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4667-1200x674.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30033" class="wp-caption-text">Retorno de Baz Luhrmann às telonas após um hiato de nove anos, a cinebiografia de Elvis Presley arrematou indicações nas principais premiações dos Sindicatos estadunidenses da Sétima Arte (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Mariana Nicastro e Vitória Vulcano</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como se dá a ascensão de uma estrela? E sua queda? Representar uma figura real respeitando seus contrastes não é uma tarefa simples, nem contar uma história desse calibre com originalidade. </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/baz-luhrmann-por-onde-comecar"><span style="font-weight: 400;">Baz Luhrmann</span></a> <span style="font-weight: 400;">poderia facilmente ter encaixado </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jJJmHcY2TAE"><i><span style="font-weight: 400;">Elvis</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> nos moldes narrativos típicos do gênero: lineares, focados na perspectiva do artista e, como se isso garantisse um selo de aprovação, investindo em uma homenagem. Mas o longa &#8211; que disputa oito estatuetas no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2023</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; se inspira no próprio ídolo ao </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YoXjZlCTSm4"><i><span style="font-weight: 400;">procurar problemas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Revelando conflitos profundos, perspectivas que fogem do unidimensional e muita identidade, a cinebiografia avessa do </span><a href="https://universoretro.com.br/como-elvis-presley-se-tornou-o-rei-do-rock/"><span style="font-weight: 400;">rei do </span><i><span style="font-weight: 400;">Rock n’ Roll</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> constrói seu espetáculo entre linhas dramáticas, sensíveis e indiscutivelmente musicais.</span></p>
<p><span id="more-30031"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançado nos cinemas em Julho do ano passado, o filme empresta o tom extravagante e por vezes teatral de outras criações famosas de Luhrmann, como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CdTN_3kgPaY"><i><span style="font-weight: 400;">O Grande Gatsby</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Romeu + Julieta</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Moulin Rouge &#8211; Amor em Vermelho</span></i><span style="font-weight: 400;">. Entretanto, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Elvis</span></i><span style="font-weight: 400;">, toda a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=DQ1M1EAkaw0"><span style="font-weight: 400;">pompa criativa</span></a><span style="font-weight: 400;"> do diretor permanece atrelada à história inalterável, mas ainda indecifrada em sua totalidade, de Presley, fator que estimula o tato diversificado e a progressão frenética encontrados no texto de Baz, Sam Bromell, Craig Pearce e Jeremy Doner.</span></p>
<figure id="attachment_30032" aria-describedby="caption-attachment-30032" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30032" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4668.jpg" alt="Cena do filme Elvis. A imagem é retangular e foca no personagem Coronel Parker, nela centralizado. Ele é interpretado por Tom Hanks, um homem na casa dos sessenta anos que está com uma maquiagem realista cujo objetivo é engordar o ator. Coronel é um homem branco, com um nariz pontudo e cabelos grisalhos. Ele usa um terno xadrez e apoia-se com as duas mãos em uma bengala, enquanto segura um charuto entre os dedos." width="1600" height="1066" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4668.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4668-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4668-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4668-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4668-1536x1023.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4668-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30032" class="wp-caption-text">Quase duas décadas antes de dar vida a Coronel Parker, Tom Hanks imitou o próprio Presley em Elvis Ainda Não Morreu! (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama por si só foge de convenções documentais ao priorizar a perspectiva do empresário de Elvis, </span><a href="https://www.vanityfair.com/hollywood/2022/06/colonel-tom-parker-elvis-true-story"><span style="font-weight: 400;">Coronel Tom Parker</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Tom Hanks). Visto como manipulador, ambicioso e calculista aos olhos da própria </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/historia-hoje/ex-mulher-de-elvis-diz-que-empresario-tom-parker-tinha-duas-personalidades.phtml"><span style="font-weight: 400;">ex-esposa do agenciado</span></a><span style="font-weight: 400;">, o antagonista assume a narração do longa evocando o leque de emoções que sua “galinha dos ovos de ouro” causava nele mesmo e nos outros habitantes do planeta, desconhecedores do que existia por trás da </span><a href="https://bnldata.com.br/elvis-acerta-ao-oferecer-espetaculo-sobre-elvis-presley-e-show-business/"><span style="font-weight: 400;">magia do </span><i><span style="font-weight: 400;">showbusiness</span></i></a><span style="font-weight: 400;">: um garoto humilde, natural de Memphis, no Tennessee, que descobriu no </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> a oportunidade de extrapolar sua voz e embalar uma </span><a href="https://www.terra.com.br/diversao/musica/ha-50-anos-elvis-presley-dominava-palco-em-show-historico,fa37f2187deda05cd9a0a3f0c0af5dd4whom9umw.html"><span style="font-weight: 400;">presença de palco</span></a><span style="font-weight: 400;"> surreal.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao mergulhar nesse recorte, Luhrmann abandona o detalhamento de alguns </span><a href="https://gq.globo.com/Cultura/Cinema/noticia/2022/07/elvis-o-que-e-real-e-o-que-e-ficcao-no-filme.html"><span style="font-weight: 400;">aspectos pessoais</span></a><span style="font-weight: 400;"> da vida de Presley, como seu conturbado matrimônio e o uso desenfreado de drogas e remédios &#8211; ainda que esses fatores sejam representados em cena. O foco é na relação codependente, problemática e </span><a href="https://auniao.pb.gov.br/noticias/colunistas/andre-cananea/elvis-e-parker-uma-relacao-toxica"><span style="font-weight: 400;">extremamente destrutiva</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre artista e agente. E em como a mesma pessoa que impulsionou a carreira em questão às alturas pode ser aquela que fez o castelo ruir. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Elvis</span></i><span style="font-weight: 400;"> conduz esse atrito de maneira astuta e até irônica, sem se afetar com a cronologia exata dos fatos e da discografia do cantor. Podemos estar no apartamento colorido de seus pais ou nas noites envolvidas pela poderosa Música da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jlDgRwfSx0k"><i><span style="font-weight: 400;">Beale Street</span></i></a><span style="font-weight: 400;">: não importa. A licença artística fala mais alto, abusando de dúvidas, acessos de raiva e curiosidades depositados pelo trabalho arrojado de Matt Villa e Jonathan Redmond, que garantem espaço nos indicados a </span><a href="https://www.motionpictures.org/2022/07/elvis-editors-on-keeping-the-kings-story-rocking-along/"><span style="font-weight: 400;">Melhor Montagem</span></a><span style="font-weight: 400;">, apesar de terem poucas chances contra o multifavorito </span><a href="https://personaunesp.com.br/tudo-em-todo-o-lugar-ao-mesmo-tempo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_30034" aria-describedby="caption-attachment-30034" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30034" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4669.jpg" alt="Cena do filme Elvis. A imagem é retangular e mostra em primeiro planos os personagens Coronel Parker (à esquerda) e Elvis (à direita) sentados em um banco de roda gigante à noite. Coronel é interpretado por Tom Hanks e é um homem branco, corpulento, com um nariz pontudo e cabelos grisalhos. Ele usa um chapéu, terno e apoia-se em uma bengala. Seu olhar recai sobre Elvis, personagem de Austin Butler. O personagem é branco, tem cabelos escuros penteados para trás e usa uma camiseta preta. Ele olha para baixo e apoia-se com os cotovelos nos joelhos. Ao fundo, em segundo plano, é possível observar os contornos de um parque de diversões desfocado. Há muitas luzes redondas e brancas que contrastam com a imagem mais escura dos personagens." width="1600" height="665" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4669.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4669-800x333.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4669-1024x426.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4669-768x319.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4669-1536x638.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4669-1200x499.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30034" class="wp-caption-text">Lisa Marie Presley, filha única do Rei do Rock, classificou o filme como “nada menos do que espetacular”; ela também era cantora e faleceu em Janeiro (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Aqui, as cenas têm inúmeros cortes dissolvidos, bruscos ou que se dividem em quatro telas simultâneas, chocando informações internas e externas destinadas às </span><a href="https://jornal140.com/2020/04/20/as-fases-da-vida-de-elvis-presley/"><span style="font-weight: 400;">personas</span></a><span style="font-weight: 400;"> que formavam o astro tenessiano. Recurso excessivo no filme e clichê para o diretor, o bombardeamento cinematográfico de </span><i><span style="font-weight: 400;">Elvis</span></i><span style="font-weight: 400;"> sabe reproduzir os </span><a href="https://theconversation.com/how-elvis-permanently-changed-american-pop-culture-81917"><span style="font-weight: 400;">efeitos</span></a><span style="font-weight: 400;"> que Presley tinha sobre os padrões sociais e cidadãos de sua época, período que, na verdade, se estendeu com uma atemporalidade já vista em vida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O rockeiro confeccionou sua carreira &#8211; dos palcos a </span><a href="http://www.elvistriunfal.com/artigos/0026.htm"><span style="font-weight: 400;">Hollywood</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; durante diferentes fases e momentos da história dos Estados Unidos, começando na segregação racial, passando pelo surgimento da Guerra Fria e chegando até a ascensão e morte de várias personalidades públicas, como Sharon Tate, </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/personagem/if-i-can-dream-como-elvis-lidou-com-o-assassinato-de-martin-luther-king.phtml"><span style="font-weight: 400;">Martin Luther King Jr.</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Robert Kennedy. Paralelamente, Luhrmann usa o terreno para escancarar a questionável </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/vert-cul-62009442"><span style="font-weight: 400;">consciência política</span></a><span style="font-weight: 400;"> do ídolo, que quase nunca chegou a se colocar na linha de frente por causas ou ativismos, mesmo propagando um gênero musical enraizado e desenvolvido na </span><a href="https://www.vanityfair.com/hollywood/2022/06/elvis-biopic-black-musicians"><span style="font-weight: 400;">cultura negra</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_30036" aria-describedby="caption-attachment-30036" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30036" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4671.jpg" alt="Cena do filme Elvis. A imagem é retangular, em close, os personagens Elvis e B.B. King lado a lado. Elvis é interpretado por Austin Butler. O personagem é branco, tem olhos claros e cabelos escuros penteados para trás com alguns fios caindo sobre a testa. B. B. King é interpretado por Kelvin Harrison, um homem na casa dos vinte anos, negro, de cabelos bem curtos. Ele usa uma camiseta xadrez vermelha. Ambos olham para baixo, para um mesmo ponto. O fundo está desfocado. " width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4671.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4671-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4671-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4671-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4671-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30036" class="wp-caption-text">Segundo Michael T. Bertrand, autor do livro Race, Rock and Elvis, o cantor não era político, seja por influências de sua gravadora e seu agente, ou pela falta de entendimento sobre seu papel em uma sociedade racista (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Embora o autorretrato seja uma constância, o balanço da trama para além do alter ego de Elvis, brincando com os antagonismos do artista e de Parker, preenche seu elenco geral de motivações cada vez mais escalares. O ex-</span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i> <a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/elvis-apos-desbancar-harry-styles-austin-butler-surpreende-em-filme-sobre-cantor/"><span style="font-weight: 400;">Austin Butler</span></a><span style="font-weight: 400;"> não exita em abraçar a potência necessária para ser Presley, ao fidelizar os trejeitos característicos do Rei de forma emblemática nos palcos, porém, também representar com vulnerabilidade seu </span><i><span style="font-weight: 400;">backstage</span></i><span style="font-weight: 400;">. Buscando humanidade nas provações do universo da fama, o californiano estreia nas nomeações a Melhor Ator, podendo, inclusive, vencer a ilustre concorrência de Colin Farell (</span><a href="https://personaunesp.com.br/os-banshees-de-inisherin-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Os Banshees de Inisherin</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) e </span><a href="https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2023/02/26/fico-feliz-em-ver-que-quando-o-filme-termina-o-publico-reavaliou-algumas-crencas-que-tinha-diz-brendan-fraser-sobre-a-baleia.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Brendan Fraser</span></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">A Baleia</span></i><span style="font-weight: 400;">).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Do outro lado da turnê, Tom Hanks acena à caricatura sem repelir a expressividade que seu papel exige. Constantemente tocado pela aura contagiante do astro, o veterano torna o parasitismo do Coronel um dilema existencial complexo, que seria capaz de estampar qualquer filme de Terror ou florear o melhor dos dramas. Introjetados no meio tóxico ou assistindo suas inervações, Olivia DeJonge (de </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-society-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Society</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), Helen Thomson (de </span><i><span style="font-weight: 400;">Canguru Jack</span></i><span style="font-weight: 400;">), Richard Roxburgh (de </span><a href="https://personaunesp.com.br/ate-o-ultimo-homem/"><i><span style="font-weight: 400;">Até O Último Homem</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) e Kelvin Harrison Jr. (de </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-7-de-chicago-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Os 7 de Chicago</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) incorporam arduamente o amor a Presley e a gastura física e sentimental experimentada pelos mais próximos ao sistema.</span></p>
<figure id="attachment_30035" aria-describedby="caption-attachment-30035" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30035" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4673.jpg" alt="Cena do filme Elvis. A imagem é retangular e mostra em primeiro plano a cabeça de Coronel Parker vista de trás. Ele está parcialmente desfocado, mas é possível observar por sua silhueta que ele usa um terno com escritas pretas e um chapéu. Coronel é um homem branco, na casa dos sessenta anos, grisalho. Ele é interpretado por Tom Hanks. Em segundo plano, olhando para o Coronel, estão Priscilla (à esquerda) e Elvis Presley, abraçados. Priscilla é interpretada por OIivia DeJonge. Ela é uma mulher branca, de cabelos escuros e lisos. Tem um rosto e nariz finos, usa um penteado alto de época e tem os olhos bem marcados por um lápis preto. Ao seu lado está Elvis, personagem de Austin Butler. O personagem é branco, mas bronzeado, tem olhos claros e cabelos escuros penteados para trás. Ele usa um paletó azul sobre uma camiseta brilhante da mesma cor." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4673.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4673-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4673-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4673-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4673-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30035" class="wp-caption-text">Austin Butler revelou ter pedido conselhos de atuação a Rami Malek, intérprete de Freddie Mercury em <a href="https://personaunesp.com.br/bohemian-rhapsody-critica/">Bohemian Rhapsody</a>, cinebiografia do Queen reconhecida pela Academia dos carecas dourados (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Planejando o cenário adequado para tratar sua gama de conteúdos, o longa acerta em definitivo com as decisões visuais. A cargo de </span><a href="https://ymcinema.com/2022/07/05/elvis-shot-by-cinematographer-mandy-walker-on-panavision-elvis-lenses/"><span style="font-weight: 400;">Mandy Walker</span></a><span style="font-weight: 400;">, a composição traduz a essência particular do cantor estadunidense e, na velocidade crescente, imprime as feridas que as décadas abriram e expuseram. As nuances entre o colorido Elvis, novato no mundo dos acordes, e o homem despedaçado e quase desprovido de perspectivas nos anos 1970 são desenhadas através dos avanços tecnológicos, capturando os impactos gerados pelo som e pela imagem desde os aparelhos analógicos. Notavelmente ancorado no realismo das caracterizações de personagens, o trabalho recebeu merecido destaque na categoria de Melhor Fotografia &#8211; em que bate de frente com </span><i><span style="font-weight: 400;">Tár</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/nada-de-novo-no-front-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Nada de Novo no Front</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; e tem pé quente para levar Melhor Figurino e </span><a href="https://www.thewrap.com/make-up-artists-hair-stylists-guild-awards-winners-2023/"><span style="font-weight: 400;">Melhor Cabelo e Maquiagem</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já os jogos de câmera e luz são lúdicos ao extremo e seguem confundindo a biografia com um eterno </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;">. A estratégia martelada pela direção de arte &#8211; lembrada na disputa pelo careca dourado de </span><a href="https://fredericmagazine.com/2022/07/elvis-movie-set-design/"><span style="font-weight: 400;">Melhor Design de Produção</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; não se perde nos holofotes, deixando os temas corriqueiros segurarem o rojão da fluidez de </span><i><span style="font-weight: 400;">Elvis</span></i><span style="font-weight: 400;">, seja no falecimento da matriarca Presley, nas desilusões do ícone musical no pós-Cinema ou na constatação de que seu casamento acabou.</span></p>
<figure id="attachment_30037" aria-describedby="caption-attachment-30037" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30037" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4672.jpeg" alt="Cena do filme Elvis. A imagem é retangular e mostra o cantor Elvis em primeiro plano, visto da janela de um carro. A janela reflete um letreiro brilhante e colorido em neon, que gera uma luz colorida e arroxeada sobre a imagem. Elvis é interpretado por Austin Butler. O personagem é branco, tem olhos claros sob um óculos escuro, e cabelos pretos penteados para trás. Ele olha para fora da janela e sua expressão é pensativa. " width="1000" height="563" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4672.jpeg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4672-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4672-768x432.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30037" class="wp-caption-text">Inspirado por Rocketman, Elvis utiliza registros documentais do último show do artista como gran finale (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em certa altura do campeonato, fica claro que Elvis não é um herói. Luhrmann está interessado em homenageá-lo, aclamando seu talento e sucesso, mas se preocupa mais ainda em não ultrapassar as restrições que o próprio ídolo impôs a seu legado. Nas lentes do cineasta, Presley contracena com artistas negros sempre entregando que, independentemente de ter trazido o </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> à superfície, o povo fundador do gênero continuou sofrendo no anonimato e sendo cruelmente </span><a href="http://jornalismojunior.com.br/elvis-presley-e-o-apagamento-de-artistas-negros-no-rock/"><span style="font-weight: 400;">apagado da História</span></a><span style="font-weight: 400;">. O longa também não inventa a roda ao ilustrar como era bem mais fácil para um jovem branco vender os mesmo discos que alguém racializado poderia produzir, conseguindo popularizar a Música criada, não para ele, mas como instrumento de fé e resistência.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ponto se repete nas cenas que sucedem a polêmica apresentação de </span><i><span style="font-weight: 400;">Trouble</span></i><span style="font-weight: 400;">, na qual Elvis responde à </span><a href="https://variety.com/2022/music/news/elvis-presley-fake-story-police-crackdown-colonel-parker-1235302646/"><span style="font-weight: 400;">problematização conservadora</span></a><span style="font-weight: 400;"> de seu estilo musical. Conforme os protestos surgem, o longa aproveita para pincelar que as consequências dadas ao cantor sondado por Parker não são nem de longe tão graves quanto as vivenciadas por um artista negro, em semelhantes condições. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Evidenciando a </span><a href="https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2022/07/10/novo-filme-sobre-elvis-presley-mostra-a-influencia-da-musica-negra-no-rei-do-rock.ghtml"><span style="font-weight: 400;">crua verdade</span></a><span style="font-weight: 400;"> do passado, </span><i><span style="font-weight: 400;">Elvis</span></i><span style="font-weight: 400;">, então, repagina canções tomadas por Presley da Música negra, tece novas versões de clássicos e elabora outros feitos pela junção de estilos, a exemplo de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=QZp2biJul1c"><i><span style="font-weight: 400;">Vegas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, performance enérgica de Doja Cat que mistura um</span><i><span style="font-weight: 400;"> jazz</span></i><span style="font-weight: 400;"> tradicional ao proficiente </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;"> atual. Apesar da </span><a href="https://www.ign.com/articles/elvis-movie-black-music"><span style="font-weight: 400;">inclusão de diversidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> exibida, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas não considerou as submissões do carro-chefe do filme nem sua vasta </span><a href="https://open.spotify.com/album/74g0V2gxEA5MCSaivAwZyb?si=Fse3oO0mT_m9GV_9gVTGww"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora</span></a><span style="font-weight: 400;">, por ambos não atenderem aos </span><a href="https://portalpopline.com.br/vegas-doja-cat-elvis-desclassificada-oscar-2023/"><span style="font-weight: 400;">critérios de originalidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> da premiação.</span></p>
<figure id="attachment_30038" aria-describedby="caption-attachment-30038" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30038" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4670.jpeg" alt=" Cena do filme Elvis. A imagem é retangular e mostra o cantor Little Richard cantando com um microfone na mão, sob um ângulo que o engrandece. Ele é interpretado por Alton Mason, um homem negro, jovem e magro, de cabelos escuros, com um penteado alto. Ele canta de olhos fechados e usa um terno cinza. O lugar em que ele está é uma sala fechada, pouco iluminada e as paredes têm pinturas de casas e árvores.Há uma lâmpada atrás de si, que ilumina a imagem." width="1600" height="1065" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4670.jpeg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4670-800x533.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4670-1024x682.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4670-768x511.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4670-1536x1022.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4670-1200x799.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30038" class="wp-caption-text">Em meio a baixas, o longa conseguiu emplacar uma nomeação na categoria de Melhor Som, concorrendo com Nada de Novo no Front, Avatar: O Caminho da Água, <a href="https://personaunesp.com.br/batman-critica/">Batman</a> e <a href="https://personaunesp.com.br/top-gun-maverick-critica/">Top Gun: Maverick</a> (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem guia explicativo para o apelo simbólico de Presley ou teses cegadas pelo fenômeno que o estadunidense significou, </span><i><span style="font-weight: 400;">Elvis</span></i><span style="font-weight: 400;"> parece mais uma compilação de cada elemento artístico, social, político e individual que fez de seu protagonista um ícone unânime, capaz de ser assimilado quase 50 anos após sua morte e retratado como se fosse a primeira vez. Sob essa ótica, é fácil entender porque a captura mais recente aparece na lista de indicados ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://www.cineset.com.br/oscar-2023-qual-o-nivel-da-safra-indicada-a-melhor-filme/"><span style="font-weight: 400;">Melhor Filme</span></a><span style="font-weight: 400;">. Não queremos deixar nossos ídolos se desintegrarem e, de certa forma, nem podemos, se considerarmos a habilidade do Cinema em regenerar as copiosas visões de uma vida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em volta da sede por prestígio e das influências de um empresário controlador e calculista, Presley teve o ápice de sua existência na singularidade contraditória: propensa ao erro, presa ao fantasma da apropriação cultural, deslumbrada por promessas incoerentes e terminantemente apaixonada pelos solos de guitarra. No saldo final, </span><i><span style="font-weight: 400;">Elvis</span></i><span style="font-weight: 400;"> cativa por essa </span><a href="https://cinemacomrapadura.com.br/criticas/614753/critica-elvis-2022-a-energia-caotica-do-rei/"><span style="font-weight: 400;">explosão de circunstâncias</span></a><span style="font-weight: 400;">, embrulhada no espetáculo cinematográfico de uma estrela, que, no frenesi da rotina, muito esbarra nas delícias de amar; o mundo, as pessoas e especialmente a Música.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Baz Luhrmann’s ELVIS | Final Trailer" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/ZbrmBotVIGw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Nada de Novo no Front: um filme de guerra humanista em que falta humanidade</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Nov 2022 20:38:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathan Nunes  Nada de Novo no Front é um livro escrito por Erich Maria Remarque, baseado nas suas próprias experiências como veterano alemão na Primeira Guerra Mundial. Publicado em 1929, o texto não demorou a ser transposto para o Cinema, com a adaptação Sem Novidade no Front sendo lançada um ano depois. Dirigido por Lewis &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/nada-de-novo-no-front-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Nada de Novo no Front: um filme de guerra humanista em que falta humanidade"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29067" aria-describedby="caption-attachment-29067" style="width: 1486px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29067" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-1-Nova-1.jpg" alt="Cena do filme Nada de Novo no Front. No lado direito da imagem, temos um homem branco não identificado, vestindo blusa preta, touca cinza e uma máscara facial branca. Ele está abraçando o ator Felix Kammerer, um homem branco de expressão triste, vestindo um casaco cinza e um capacete preto. Ao fundo, temos algumas estacas e o resto do cenário está desfocado. A cena acontece durante o dia, mas a foto está tratada em preto e branco. " width="1486" height="989" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-1-Nova-1.jpg 1486w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-1-Nova-1-800x532.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-1-Nova-1-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-1-Nova-1-768x511.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-1-Nova-1-1200x799.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29067" class="wp-caption-text">Na 46ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, a nova versão de Nada de Novo no Front, exibida na seção Perspectiva Internacional, mantém a mensagem anti-guerra do material original (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Nathan Nunes </b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Nada de Novo no Front </span></i><span style="font-weight: 400;">é um livro escrito por Erich Maria Remarque, baseado nas suas próprias experiências como veterano alemão na Primeira Guerra Mundial. Publicado em 1929, o texto não demorou a ser transposto para o Cinema, com a adaptação </span><i><span style="font-weight: 400;">Sem Novidade no Front </span></i><span style="font-weight: 400;">sendo lançada um ano depois. Dirigido por Lewis Milestone, o longa fez tanto sucesso que venceu o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Filme em 1931, consagrando-se como a primeira adaptação literária a conquistar essa honraria, bem como a primeira vitória conjunta da categoria principal com o prêmio de Melhor Diretor. Agora, 91 anos depois, o diretor Edward Berger (</span><i><span style="font-weight: 400;">Patrick Melrose</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Your Honor</span></i><span style="font-weight: 400;">), em parceria com a</span><i><span style="font-weight: 400;"> Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">, traz uma nova versão de mesmo nome do material base para o </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;">, exibida na programação da 46ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema de São Paulo na seção Perspectiva Internacional. </span></p>
<p><span id="more-29064"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história começa em 1917, acompanhando o jovem de 17 anos Paul Bäumer (Felix Kammerer), que se alista para lutar no exército alemão sob uma visão idealista da guerra. Chegando na frente de batalha, ele se depara com algo completamente diferente do que esperava, num cenário de caos, mortes e destruição. Logo vamos para 1918, quando Paul e seus amigos continuam lutando, enquanto o oficial Matthias Erzberger (Daniel Bruhl, de </span><i><span style="font-weight: 400;">Rush</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/falcao-e-o-soldado-invernal-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Falcão e o Soldado Invernal</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) tenta negociar um armistício com a França. </span></p>
<figure id="attachment_29069" aria-describedby="caption-attachment-29069" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29069" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-2-6-1-scaled.jpg" alt="Cena do filme Nada de Novo no Front. Ao longo de toda a imagem, temos soldados vestidos de casaco, calças, botas e capacetes todos pretos e cinzas, segurando armas na mão. Na parte de baixo da imagem, podemos ver o cenário de uma trincheira, com escadas de madeira preta e sacos de peso marrom escuro em cima. Ao fundo, podemos ver algumas cercas de madeira preta e vários outros homens correndo na direção à esquerda. A cena acontece durante o dia." width="2560" height="1703" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-2-6-1-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-2-6-1-800x532.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-2-6-1-1024x681.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-2-6-1-768x511.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-2-6-1-1536x1022.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-2-6-1-2048x1363.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-2-6-1-1200x798.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29069" class="wp-caption-text">Co-produção entre Estados Unidos e Alemanha, Nada de Novo no Front é a submissão alemã para o Oscar de Melhor Filme Internacional, e suas chances estão cotadas como altíssimas (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Logo nos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Kyv1Yn2CWeo"><span style="font-weight: 400;">primeiros minutos</span></a><span style="font-weight: 400;"> de rodagem, </span><i><span style="font-weight: 400;">Nada de Novo no Front </span></i><span style="font-weight: 400;">chama atenção imageticamente, com um plano aéreo registrando milhares de corpos espalhados por um terreno coberto de lama e cinzas. Essa imagem tão impactante evidencia a visão da obra como um todo de que a guerra é um desperdício da vida humana. A sequência que a sucede na montagem de Sven Budelmann expande ainda mais esse comentário, pois o que vemos são os uniformes dos soldados mortos sendo lavados, costurados e secados para serem vestidos por novos combatentes, representando o quão descartáveis essas pessoas são diante do conflito. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse sentido, chamam atenção os </span><a href="https://www.ibc.org/features/behind-the-scenes-all-quiet-on-the-western-front-netflix/9266.article"><span style="font-weight: 400;">elementos técnicos</span></a><span style="font-weight: 400;">, sob o comando preciso da câmera de Berger, que situa muito bem o público dentro de tamanho caos bélico. A cinematografia de James Friend se destaca pela natureza fria e a complexidade dos planos de ação, enquanto o </span><i><span style="font-weight: 400;">design</span></i><span style="font-weight: 400;"> de produção de Christian M. Goldbeck reproduz perfeitamente o desgaste das trincheiras; os efeitos práticos ressaltam a periculosidade das armas de fogo e a maquiagem de sangue, machucados, membros decepados e sujeira impressiona pela veracidade. No campo mais abstrato da sonoridade, mixagem e edição de som, sob supervisão de </span><span style="font-weight: 400;">Lars Ginzel, Frank Kruse e Viktor Prášilo, </span><span style="font-weight: 400;">bombardeiam os ouvidos do público por todos os lados, enquanto a trilha de Volker Bertelmann usa texturas eletrônicas no meio de uma orquestração dramática comum para realçar a violência iminente. </span></p>
<figure id="attachment_29072" aria-describedby="caption-attachment-29072" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29072" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-3-2-scaled.jpg" alt="Cena do filme Nada de Novo no Front. No centro da imagem, temos o ator Felix Kammerer, um homem branco, com o rosto sujo de graxa entre os olhos, vestindo um casaco cinza em cima de uma camisa branca e um capacete preto. Ao fundo, vários homens brancos vestindo também casacos cinzas e capacetes pretos. A cena acontece durante o dia." width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-3-2-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-3-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-3-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-3-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-3-2-1536x864.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29072" class="wp-caption-text">Interpretando o protagonista Paul, Felix Kammerer é uma das poucas âncoras de humanidade no longa de Edward Berger (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nota-se, portanto, que tudo está no lugar em </span><i><span style="font-weight: 400;">All Quiet on the Western Front </span></i><span style="font-weight: 400;">(título em inglês da obra, utilizado em sua distribuição internacional), com exceção de uma coisa: a emoção. Isso não se dá por falta de tentativa, pois o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=5TrAdMbWKWM"><span style="font-weight: 400;">roteiro</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Berger, Lesley Paterson e Ian Stokell até tenta estabelecer vínculos significativos entre os soldados, mas falha por não diferenciá-los uns dos outros. Suas falas, modos de agir e até mesmo seus nomes se tornam difíceis de se distinguir entre si, o que gera a falta de nuances dramáticas e conflitos humanos e faz a experiência ser cansativa, por mais que os atores se esforcem para capturar as fortes emoções, como o jovem Kammerer na pele do protagonista. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda que a falta de um aprofundamento emocional no longa de Berger não invalide o seu virtuosismo técnico, influencia muito no seu impacto para com o público. É um tipo de erro que não acomete outras histórias como </span><i><span style="font-weight: 400;">O Resgate do Soldado Ryan </span></i><span style="font-weight: 400;">(1998), de Steven Spielberg, ou </span><i><span style="font-weight: 400;">Até o Último Homem </span></i><span style="font-weight: 400;">(2016), de Mel Gibson, pois estas entendem a importância das </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=LvAIBDGIYE0"><span style="font-weight: 400;">emoções humanas</span></a><span style="font-weight: 400;"> para relacionar a audiência com as dores dos personagens assolados pela guerra. No fim das contas, isso só prova que </span><i><span style="font-weight: 400;">Nada de Novo no Front </span></i><span style="font-weight: 400;">precisa justamente daquilo sobre o que ele mais fala: humanidade. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="All Quiet on the Western Front | Official Trailer | Netflix" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/hf8EYbVxtCY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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