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	<title>Arquivos Matteus Corti &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos Matteus Corti &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>Revenge: a história certa nas mãos erradas</title>
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		<pubDate>Mon, 06 Jun 2016 23:01:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Séries]]></category>
		<category><![CDATA[Matteus Corti]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A concepção de vingança na série e a conexão com a obra O Conde de Monte Cristo Matteus Corti [Esta crítica contém spoilers!] William Shakespeare já em sua mais célebre frase buscava distinguir as diferenças entre justiça e vingança, explicando a tênue linha que divide a prática a justiça e da vingança: o amor. Nas &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/revenge-historia-certa-maos-erradas/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Revenge: a história certa nas mãos erradas"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><b></b><i><span style="font-weight: 400;">A concepção de vingança na série e a conexão com a obra O Conde de Monte Cristo</span></i></p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-2488" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/06/revenge-01.jpg" alt="Revenge 01" width="1191" height="670" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/06/revenge-01.jpg 1191w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/06/revenge-01-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/06/revenge-01-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/06/revenge-01-1024x576.jpg 1024w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /></p>
<p><strong>Matteus Corti</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">[</span><i><span style="font-weight: 400;">Esta crítica contém spoilers!</span></i><span style="font-weight: 400;">]</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">William Shakespeare já em sua mais célebre frase buscava distinguir as diferenças entre justiça e vingança, explicando a tênue linha que divide a prática a justiça e da vingança: o amor. Nas produções pós-modernas que retratam a temática da vingança, temos a construção básica de uma série de fatores de injustiça e sofrimento que justificam a atenuação de crimes e a consequente sede de fazer justiça com as próprias mãos.</span></p>
<p><span id="more-2466"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Injustiça essa que, segundo Aristóteles não deve ser aceita por qualquer homem que tenha em si o mínimo de virtude. O sábio jamais deveria se aquietar quando exposto à injustiça e daí sentimentos como ira, ódio e rancor passam a ser mais presentes na vida de personagens de produções com a vingança em sua linha central. Revenge apresenta-nos um mundo propício para a discussão das relações entre vingança e justiça, devendo ser analisada com a profundidade temática que se propõe a enfrentar.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Os meandros de Revenge</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Amanda Clarke ainda criança viu seu pai David Clarke sendo julgado por terrorismo, acusado de ser responsável por conspirar para a derrubada de um avião e a morte de centenas de pessoas e depois de preso pelo crime,  ser assassinado na cadeia. Após alguns anos de internação em um reformatório, Amanda Clarke volta ao aos Hamptons, bairro nobre e local de sua infância sob a identidade secreta de Emily Thorne. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A personagem recebe de um antigo amigo de seu pai uma caixa com as principais pistas que a levariam às pessoas responsáveis por sua condenação e assassinato e desenvolve um plano de vingança a partir daí. O foco principal é a família vizinha e dona da empresa na qual David era funcionário: os Grayson. Tendo como alvo a ex-amante de seu pai e matriarca da família, Victoria Grayson. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O primeiro episódio de Revenge foi ao ar em setembro de 2011 e devido ao sucesso do piloto, a ABC encomendou mais uma temporada inteira. Após quatro temporadas de exibição, a série foi cancelada e seu episódio final foi ao ar em 10 de maio de 2015, com uma alta audiência nos Estados Unidos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Revenge nunca foi a série mais perfeita produzida pela TV americana. Longe de ser classificada entre as que levam diversos Emmy’s ou as que possuem louros das críticas especializadas em tramas televisivas, a série está mais entre as nossas tão desastrosas mas não menos queridas listas de “guilty pleasure”. As falhas de roteiro, de direção e de atuação fizeram com que a história se tornasse apenas mais um “novelão” da TV americana sem potencial nenhum para aprofundar conceitos humanos mais específicos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Arrisco dizer que o criador Mike Kelley projetou uma temporada ou, no máximo duas para um bom desenvolvimento da trama. Isso porque a primeira temporada é estranhamente boa. As motivações de Emily Thorne são bem apresentadas e construídas. O arco da personagem aponta para uma grande variedade de emoções durante a temporada, e entrega o que promete.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É preciso destacar o ponto alto de toda a trama: os figurinos. Sim, os figurinos. De alta classe e com cores sempre chamativas, elegantes e que remetem à burguesia norte-americana, as roupas dos personagens são sempre destaque nas análises semióticas da série. No núcleo principal, em Hampton’s, as mulheres estão frequentemente vestidas de vestidos e saias da mais alta costura, de salto alto e cabelo perfeito, enquanto em locais mais afastados e periféricos a vestimenta costuma seguir a ordem do mundo natural.</span></p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-2485" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/06/revenge-04.jpg" alt="Revenge 04" width="3000" height="1996" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/06/revenge-04.jpg 3000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/06/revenge-04-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/06/revenge-04-768x511.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/06/revenge-04-1024x681.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/06/revenge-04-1200x798.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Victoria Grayson, por exemplo, raramente é vista sem os impecáveis vestidos e os saltos elevados, demonstrando as características de poder e superioridade que a personagem sempre procura transmitir. Nolan Ross, o melhor amigo de Emily, prefere tons chamativos e cortes extravagantes, mostrando o lado ousado e alternativo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A morte precoce de alguns personagens entre a primeira e a segunda temporadas prometia fazer da série uma produção qualificada no sentido de desapego e construção de uma narrativa forte e independente de carismas e simpatia do público com os personagens. Na primeira temporada, a produção promete entregar uma história compacta, objetiva e interessante, tendo sempre um ponto de virada no final dos episódios e um mistério a ser resolvido durante os próximos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A partir da segunda, há uma clara intervenção político-econômica da produtora e transmissora da obra para alongar uma trama que não tinha mais para onde correr. Uma história que foi criada para ser contada em no máximo duas temporadas foi estendida para quatro, gerando falhas de roteiro, de direção e colocando o elemento artístico-narrativo de lado, em detrimento das escolhas comerciais que até ali estavam rendendo.</span></p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-2486" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/06/revenge-03.jpg" alt="Revenge 03" width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/06/revenge-03.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/06/revenge-03-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/06/revenge-03-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/06/revenge-03-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/06/revenge-03-1200x675.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os diretores trouxeram à tona personagens que não tinham como contribuir para a modificação do enredo, acrescentar elementos surpresa que causavam desconforto ao público mais aficionado e mudar elementos centrais para a consolidação da narrativa, como as motivações iniciais apresentadas e a justificação de determinadas atitudes da protagonista.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Todas essas escolhas da produção culminaram no empobrecimento da trama do ponto de vista lógico e narrativo, ficando diversos pontos a serem resolvidos e diversos personagens esquecidos. Cenas desnecessárias passaram a se tornar regra e o que deveria ser uma nobre narração da história de busca da vingança de uma filha que perdeu o pai por interesses político-econômicos numa sociedade hipócrita tornou-se a narrativa da “birra” de uma criança órfã de motivações maleáveis e inconstantes.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>As relações com a obra O Conde de Monte Cristo</b></p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-2484" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/06/o-conde-de-monte-cristo-02.jpg" alt="O conde de monte cristo 02" width="1600" height="1071" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/06/o-conde-de-monte-cristo-02.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/06/o-conde-de-monte-cristo-02-300x201.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/06/o-conde-de-monte-cristo-02-768x514.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/06/o-conde-de-monte-cristo-02-1024x685.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/06/o-conde-de-monte-cristo-02-1200x803.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama é declaradamente baseada no romance homônimo francês “O Conde de Monte Cristo” escrito por Alexandre Dumas com colaboração de Auguste Maquet e publicado em formato folhetim entre 1844 e 1846. A obra de Dumas ganhou cerca de dez versões cinematográficas, sendo a mais recente com lançamento no ano de 2002, com direção de </span><span style="font-weight: 400;">Kevin Reynolds</span> <span style="font-weight: 400;">e estrelado por Jim Caviezel, Guy Pearce, Dagmara Dominczyk e Richard Harris</span><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história de Dumas é referência quando o assunto é vingança, um dos conceitos mais presentes nas situações cotidianas da humanidade. Em ambas as obras, a personagem principal é apresentada como inocente e livre de amarras, dócil, amorosa e essencialmente boa até que alguma espécie de traição, injustiça ou tragédia as muda completamente e as faz embarcar numa jornada de duas covas, como diria Confúcio.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As tramas são igualmente envolventes e embora Revenge possua seus altos e baixos principalmente entre a terceira e quarta temporadas, a série consegue prender o espectador que não se atém tanto a questões técnico-estruturais, mas em algum momento se identifica com os anseios dos protagonistas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tanto Emily Thorne quanto o Conde de Monte Cristo se utilizam de disfarces aristocráticos para atingirem seus anseios. Ambos passam por um período turbulento e complexo de humilhação e agressões tanto físicas quanto psicológicas que criam nos personagens e, consequentemente nos espectadores, uma espécie de “casca” imune a qualquer possível arrependimento que tenham em relação aos atos que deverão se seguir no decorrer da história.</span></p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-2487" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/06/revenge-02.jpg" alt="Revenge 02" width="1224" height="690" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/06/revenge-02.jpg 1224w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/06/revenge-02-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/06/revenge-02-768x433.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/06/revenge-02-1024x577.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/06/revenge-02-1200x676.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Emily é treinada por um samurai japonês nas artes marciais. Sabe lutar, se defender, atirar e desarmar. Sabe como se portar perante a burguesia do Hamptons e aprendeu bem a usar o vocabulário. O Conde foi igualmente treinado. Antes pobre e dependente, agora ele conhece a esgrima e a luta de espadas, a história, a geografia e a economia, ensinadas pelo velho padre companheiro de prisão. A infiltração no território do inimigo através da caracterização de elementos visuais e comportamentais é um elemento recorrente em tramas que possuem a vingança como teor central. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nessas tramas, também é necessária a utilização do artifício de roteiro que humaniza os protagonistas que muitas vezes tem atitudes impopulares demais para o grande público. O principal artifício é a construção de companheiros próximos aos protagonistas que conhecem seus dilemas e que partilham de suas dores, neles são concentrados os erros, os defeitos, as perdas e, muitas vezes, as mortes. Em Revenge, Nolan Ross e Aiden Mathis cumprem esse papel, enquanto em O Conde de Monte Cristo, o ex-escravo salvo por Edmond fica com essa função.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após voltarem para o “território do inimigo” e conseguirem jogar com os demais personagens e finalmente alcançarem a sua tão procurada vingança, há a reconciliação com a moral absoluta e a redenção dos protagonistas. Geralmente do meio para o fim das produções ocorre o período de vingança propriamente dita e a consequente absolvição dos crimes por eles cometidos por um chamado “bem maior”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nota-se que em nenhum dos casos os protagonistas são apresentados como heróis perfeitos, moralmente íntegros e com caráter impecável e não passível de erros. Muito pelo contrário, nas duas tramas os protagonistas assumem o papel de criminosos e justiceiros, buscando fazer seus inimigos pagarem pelo que contra eles foi cometido através de prisões, assassinatos, crimes cibernéticos ou falsidade ideológica e espionagem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se em O Conde de Monte Cristo, Edmond Dantès finalmente fica com sua amada Mercedès e assume e conhece seu filho, em Revenge, Emily Thorne é reconhecida como uma filha machucada e injustiçada que só buscava esclarecer a verdade sobre seu pai e provar sua inocência. Emily descobre que seu pai continuava vivo o tempo todo e consegue se livrar dos Grayson e de todo o monopólio que estes articularam contra as informações.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No momento da absolvição, os produtores e diretores das obras devem, então, provar ao público o porquê de todos aqueles acontecimentos terem se desenrolado e se tornado realidade. É aí que vemos a justificação legal para os crimes então cometidos e o espectador se vê diante de um quadro em que deve simpatizar com um dos dois lados: o que praticou o mal por praticar ou o lado que praticou atos ruins em decorrência de seu sofrimento e opressão. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A segunda opção é obviamente a mais escolhida e justifica o sucesso de produções do gênero.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Todas as temporadas de Revenge estão disponíveis na Netflix.</span></i></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Game of Thrones &#8211; Quinta Temporada: A briga pelo trono é um pormenor a ser superado</title>
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		<pubDate>Sat, 23 Apr 2016 22:39:18 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Game of Thrones]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Decisiva para dizer qual será o encaminhamento da história no Mundo Conhecido a partir de agora, a quinta temporada foi marcada pela imprevisibilidade Matteus Corti Esta crítica contém spoilers! A última temporada de Game of Thrones exibida na televisão pode ser considerada uma das mais polêmicas, apesar de uma das mais fracas nos quesitos de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/game-of-thrones-quinta-temporada-briga-pelo-trono-pormenor-ser-superado/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Game of Thrones &#8211; Quinta Temporada: A briga pelo trono é um pormenor a ser superado"</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><i><span style="font-weight: 400;">Decisiva para dizer qual será o encaminhamento da história no Mundo Conhecido a partir de agora, a quinta temporada foi marcada pela imprevisibilidade</span></i></p>
<figure id="attachment_1773" aria-describedby="caption-attachment-1773" style="width: 3000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-1773" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/04/gots5.jpg" alt="gots5" width="3000" height="1500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/04/gots5.jpg 3000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/04/gots5-300x150.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/04/gots5-768x384.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/04/gots5-1024x512.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/04/gots5-1200x600.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-1773" class="wp-caption-text">Créditos: HBO</figcaption></figure>
<p><strong>Matteus Corti</strong></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Esta crítica contém </span></i><i>s</i><i>poilers</i><i><span style="font-weight: 400;">!</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A última temporada de Game of Thrones exibida na televisão pode ser considerada uma das mais polêmicas, apesar de uma das mais fracas nos quesitos de roteiro e direção. Os dez capítulos se arrastaram até haver alguma dinâmica de enredo lá por volta dos episódios 8, 9 e 10. Carregando cerca de 6 mortes extremamente relevantes para o Mundo Conhecido, a temporada de mostrou que, a partir de agora, os enredos da série e do livro passam a ser incomparáveis e os arcos de alguns personagens já se mostraram distantes do que foi escrito por George R.R. Martin. </span><span id="more-1770"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há quem acredite que </span><span style="font-weight: 400;">David Benioff e D.B. Weiss</span><span style="font-weight: 400;">, produtores da série, abusaram de alguns artifícios de roteiro, como a condução extrema do destino de determinados personagens e a exposição de alguns deles a situações tidas, muitas vezes, como desnecessárias. Talvez o choque dos arcos literários até então conhecidos e modificados na série tenha sido o ponto de mais difícil digestão para os partidários da adaptação fiel e com antolhos. Em Sansa Stark e Tyrion Lannister temos os exemplos mais claros de descompasso entre as obras originais e a adaptação televisiva.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com abertura para novos meios de retratar o enredo, a quinta temporada abriu espaço para um artifício de roteiro nunca antes utilizado em Game of Thrones: o flashback. Com uma fotografia escurecida e ares de antiguidade, uma experiência de Cersei decisiva para o desenrolar de seu arco foi mostrada na primeira cena da obra. As profecias que ela recebeu na floresta justificam suas atitudes para com a Fé Militante, sua preocupação com a filha Myrcella e o desejo de manter afastadas as manobras político-psíquicas de Margaery sobre seu filho.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O arco de Cersei, no entanto, não foi o mais agradável de ser assistido. A personagem foi sujeita a maus bocados e a todo momento, vemos eu anseio pelo poder se transformando em incapacidade de gestão perante uma sociedade politicamente instável como a de Porto Real. No episódio que levou o nome de “Caminhada da Vergonha” temos a definição de Cersei: uma Lannister em qualquer momento e condição, disposta a manobras mirabolantes para se perpetuar no poder e cuja cabeça nunca se deixará rebaixar. A grande atuação de Lena Headey também foi destaque na temporada e, especialmente nesse episódio, mostrou o porquê de suas duas indicações ao Emmy de melhor atriz coadjuvante em série dramática.</span></p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-1774" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/04/5-temp-imagem-1.jpg" alt="5 temp imagem 1" width="652" height="408" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/04/5-temp-imagem-1.jpg 652w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/04/5-temp-imagem-1-300x188.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /></p>
<p style="text-align: center;"><em><span style="font-weight: 400;">Apesar de ter concluído a Caminhada da Vergonha, o julgamento de Cersei ainda não foi realizado, sendo um dos momentos mais esperados da 6ª temporada</span></em></p>
<p>Chegamos em Dorne e encontramos ali a maior decepção de toda a produção. Tanto os fãs quanto a crítica são unânimes em afirmar a fragilidade do roteiro envolvendo a casa Martell. Conhecida por seus personagens de personalidade forte, incisiva e revolucionária, o núcleo de Dorne que deveria ser um dos grandes triunfos da série, não passou de um compilado de histórias mal contadas e pessimamente redigidas, acompanhadas de um roteiro fraco e sem qualquer background dos “porquês”, “comos” e “quems” dos personagens da região.</p>
<p><span style="font-weight: 400;">O enredo que deveria se ater a finalmente apresentar os atrevidos pares de Oberyn Martell, se preocupou apenas em montar um refúgio para Jaime Lannister ter o que fazer longe de Porto Real. As Serpentes de Areia pareciam crianças mimadas e Ellaria Sand (ex-esposa de Oberyn) uma rebelde sem causa, articuladora de uma gangue inexplicada. Doran Martell fez as vezes de um justiceiro inigualável que sequer sentiu os efeitos da morte trágica do irmão na temporada passada. O único elemento que se salvou deste núcleo foi a ambientação cenográfica, no mais, a economia nos gastos da HBO prejudicou a qualidade da produção.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda em Westeros, o prêmio de melhor núcleo da temporada vai, definitivamente para o Norte, envolvendo os arcos da Patrulha da Noite, de Jon Snow, dos Selvagens e dos Outros. Mais uma vez vemos que a política é o tema mais recorrente em Game of Thrones. As últimas temporadas tem nos mostrado o quanto o poder pode ser de difícil administração e o quanto é difícil lidar com subordinados insatisfeitos. Com Jon Snow não foi diferente. Desde que assumiu o comando da Patrulha da Noite, o bastardo de Ned Stark tem sofrido com retaliações, desavenças com a equipe e dificuldades em impor suas decisões de maneira incontestável.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O norte dessa vez, nos deixou claro que a briga por quem deverá sentar ou não no trono de ferro é um pormenor a ser superado. O inverno chegou, como esperávamos desde a primeira temporada e com ele os Outros prometem não deixar o Mundo Conhecido em paz até que obtenham o que tanto desejam. Os Outros mostraram sua força em batalha contra membros da Muralha e Selvagens no episódio 8, denominado “Hard Home”. Ali vimos que seu exército cresce a cada morte (pelo seu poder de ressurreição)  e a mortalidade contestável dos Caminhantes Brancos torna ainda mais difícil elaborar uma frente de batalha contra seus planos de perpassar os limites da muralha. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se antes tínhamos alguma dúvida da sobrenaturalidade misteriosa dos Outros, agora podemos afirmar que poucos tem recursos materiais para combatê-los. São resistentes ao fogo, mas não aos raros vidros de dragão e aço valiriano. Entender seus mistérios parece ser uma missão que não deve ser desvendada tão logo, se é que será. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Coube a Jon Snow elaborar alguma espécie de estratégia para impedir o ataque em massa dos Outros sobre Westeros e aliar consigo grupos tradicionalmente discordantes em torno de um objetivo maior. E foi com pequenos golpes de espada, ao som do bordão “pela Patrulha” em múltiplas repetições que Jon Snow deixou a vida para entrar pra história de Westeros. Traído pelos que sempre defendeu. Morreu honrado, embora não reconhecido.</span></p>
<figure id="attachment_1775" aria-describedby="caption-attachment-1775" style="width: 610px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-1775" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/04/5-temporada-imagem-2.jpg" alt="5 temporada imagem 2" width="610" height="360" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/04/5-temporada-imagem-2.jpg 610w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/04/5-temporada-imagem-2-300x177.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-1775" class="wp-caption-text">Logo após a última cena da temporada, teorias e especulações sobre uma possível volta de Jon Snow já circulam entre os fãs da série</figcaption></figure>
<p>Enquanto os conflitos na muralha parecem ser irrevogáveis, Sansa Stark é fruto de mais uma manobra de Mindinho e entregue em casamento para Ramsay da casa Bolton. O arco mais polêmico da temporada tem suas razões por ter recebido as mais severas análises da história da série. Ramsay é o personagem mais odiado da vez e não por menos: estratégias de tortura, manipulação e esfolamento de pessoas vivas fazem parte da sua carteirinha de atividades extra curriculares.</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sansa volta para o lar que não encontrava há cinco temporadas e quando achamos que a personagem finalmente estará desenvolvida e pronta para brigar por seus direitos, defender Winterfell e mostrar porquê é uma Stark e a que veio, é estuprada. Não que não deveríamos esperar que mais uma vez a HBO se utilizasse de estupro como artifício de roteiro para desenvolvimento de personagem. A questão aqui é muito mais profunda: Sansa já não havia passado por situações de abuso e desmoralização suficientes para ter se ligado de como a vida funciona em Game of Thrones? Ramsay já não havia se mostrado grotesco e doentio o suficiente para ganhar o ódio do público e se reafirmar como o grande vilão da vez? Por que, então, construir o arco dessa maneira? A resposta é clara: Theon/Fedor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Theon Geyjoy foi torturado por um bom tempo por Ramsay até não ter mais condições psicológicas de se reconhecer como si mesmo. Tornou-se um serviçal, despido de suas próprias vontades e alheio à sua personalidade. Um escravo que Ramsay apelidou de Fedor. O personagem foi obrigado a assistir o estupro e a cena, com enquadramento fechado, lágrimas de sofrimento e olhares atônitos retrata que tal ato resultou no desenvolvimento de Fedor e seu retorno à realidade, ser novamente uma pessoa independente. Theon havia voltado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que é difícil de engolir é a construção de mais uma cena de estupro gratuita, que pareceu querer chocar por chocar, que se apresentou sem nenhuma justificativa. Usaram o estupro de uma personagem feminina como a Sansa -que convenhamos, já havia sofrido o suficiente-, para desenvolver um personagem masculino que poderia se recuperar com outros artifícios de roteiro. O sexto episódio mostrou que, mais uma vez, a HBO escreveu errado por linhas erradas ao retratar a violência sexual, ao normalizar o estupro se baseando em argumentos histórico-culturais sem justificativa dentro do contexto da obra e da construção dos personagens. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O núcleo de Winterfell se misturou com o arco de Stannis Baratheon, que auto declarado rei do Norte, decide retomar as antigas fortalezas da família Stark agora sob domínio Bolton. Em batalha com pouquíssimo tempo de tela, o exército de Stannis perde a batalha logo após sacrificar sua própria filha ao Deus Vermelho, a mando da feiticeira Melisandre. Stannis mostra como o anseio pelo poder pode corromper uma pessoa e em consequência de suas escolhas para chegar no trono de ferro, é sentenciado à morte pela fiel escudeira de seu irmão: Brienne de Tarth.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em Essos, Arya Stark finalmente chega à casa do Preto e do Branco para iniciar seu treinamento e se tornar um homem sem rosto. O arco de Arya é construído de maneira essencialmente minimalista, precisando ser entendido em seus detalhes. A fotografia das cenas dentro do templo do Deus de Muitas Faces é escura, remetendo a emoções intimistas e a esforços contínuos para o alcance dos resultados. A personagem protagoniza uma das melhores cenas da temporada, quando finalmente consegue riscar mais um nome da sua lista de mortes. Mais um louro para Maisie Williams e sua incrível capacidade de atuação.</span></p>
<figure id="attachment_1776" aria-describedby="caption-attachment-1776" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-1776" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/04/5-temporada-imagem-3.jpg" alt="5 temporada imagem 3" width="1200" height="630" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/04/5-temporada-imagem-3.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/04/5-temporada-imagem-3-300x158.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/04/5-temporada-imagem-3-768x403.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/04/5-temporada-imagem-3-1024x538.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-1776" class="wp-caption-text">Tyrion finalmente chega até Daenerys e deve ajudá-la a entender com mais propriedade a situação política em Porto Real. Assim que ela conseguir voltar, é claro</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para Daenerys Targaryen, a situação se fazia instável no controle de Meereen até a personagem passar a tomar medidas contra sua própria vontade, mas necessárias para a manutenção das condições de gestão política e para a conquista da confiança dos povos nativos da região. Tyrion Lannister, que desde o final da quarta temporada fugiu de Porto Real, chega ao encontro de Daenerys e temos ali os melhores diálogos de toda a série. O anão se mostra útil para a mãe dos dragões e após uma das mais aclamadas cenas da temporada e, finalmente, o voo de Danny em um dos dragões, a personagem deve assumir o lugar de mão da rainha de Meereen até que esta encontre o caminho para casa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Cheia de altos e baixos, a temporada pareceu ter uma constância regular de transmissão de emoções. Os baixos, no entanto, foram extremamente significativos, haja vista a relevância dos personagens prejudicados nas escolhas do roteiro. A quinta definitivamente não é a melhor temporada de Game of Thrones, mas nos deixa ansiosos e perplexos para o que os produtores estão preparando para as próximas produções.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A sexta temporada de Game of Thrones estreia este domingo, 24 de abril, na HBO a partir das 22h. </span></p>
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