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	<title>Arquivos Mateus Conte &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos Mateus Conte &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>NÃO! rompe as amarras do sim irrestrito com Adriana Birolli</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Jun 2023 19:15:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Teatro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Mateus Conte A atriz curitibana Adriana Birolli, conhecida por seus trabalhos nas novelas globais Viver a Vida, Fina Estampa, Império e Totalmente Demais, estreou no interior de São Paulo seu novo espetáculo, NÃO!. A primeira exibição ocorreu na cidade de Barra Bonita, seguida por Botucatu e Lençóis Paulista, sempre com casa cheia. Sem dúvidas, é &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/nao-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "NÃO! rompe as amarras do sim irrestrito com Adriana Birolli"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31146" aria-describedby="caption-attachment-31146" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-31146" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/1-800x450.png" alt="Cena da peça teatral Não!. A atriz Adriana Birolli está em primeiro plano, vestindo uma camisa preta e uma saia vermelha cortada na diagonal, além de um elegante par de sapatos de salto alto vermelhos, destacados pela luz vermelha que o refletor incide sobre a atriz. Atrás da atriz, no chão de tacos do teatro, é visível a sombra da profissional. No fundo do palco, um quadro de fios pretos emaranhados está à frente de uma enorme cortina branca, com a palavra &quot;NÃO&quot; incidindo sobre ela" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/1.png 1080w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31146" class="wp-caption-text">Em NÃO!, o advérbio que dá nome ao espetáculo nunca sai de cena (Foto: Ivan Zettel)</figcaption></figure>
<p><b>Mateus Conte</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A atriz curitibana Adriana Birolli, conhecida por seus trabalhos nas novelas globais </span><i><span style="font-weight: 400;">Viver a Vida</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Fina Estampa</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Império</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Totalmente Demais</span></i><span style="font-weight: 400;">, estreou no interior de São Paulo seu novo espetáculo, </span><i><span style="font-weight: 400;">NÃO!</span></i><span style="font-weight: 400;">. A primeira exibição ocorreu na cidade de Barra Bonita, seguida por Botucatu e Lençóis Paulista, sempre com casa cheia. Sem dúvidas, é uma grande honra para os interioranos receber as primeiras apresentações da peça de uma profissional conhecida em todo o país. O monólogo também representa uma realização pessoal para a atriz, que conta com a parceria dos irmãos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=SrMf-fHUsE4&amp;pp=ygUPQ2FybGl0byBCaXJvbGxp"><span style="font-weight: 400;">Carlito Birolli</span></a><span style="font-weight: 400;">, na trilha sonora original, e Letícia Birolli, no figurino, além do namorado, o fotógrafo Ivan Zettel.</span></p>
<p><span id="more-31145"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao adentrar o teatro, é possível ver projetado ao fundo do palco o monossilábico título do espetáculo, “NÃO”, em letras garrafais. A luz vermelha que emana dos refletores dá a tônica que a obra adota: um texto sobre proibições – neste caso, autoinfligidas –, performando um ótimo uso da psicologia das cores na dramaturgia. Também figura no cenário uma tela de fios pretos emaranhados, tal qual a da brincadeira infantil ‘</span><a href="https://museugrandesnovidades.com/brincadeira-cama-de-gato/"><span style="font-weight: 400;">Cama de Gato</span></a><span style="font-weight: 400;">’, representando a desordem na vida da protagonista. Completam a cena uma pequena banqueta, uma mesinha e uma tigela repleta de gelo com uma garrafa de champanhe.</span></p>
<figure id="attachment_31148" aria-describedby="caption-attachment-31148" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-31148" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/2-800x450.jpg" alt="Cena da peça teatral Não!.A atriz Adriana Birolli está em primeiro plano, descalça, sentada sobre suas próprias pernas e vestindo uma camisa preta com uma saia vermelha. No fundo do palco, um quadro de fios pretos emaranhados guarda diversos quadros com fotos editadas que contam a história. Este quadro está à frente de uma enorme cortina branca, que toma as cores roxas com o auxílio dos refletores. No canto da imagem, há uma tigela cheia de gelo e uma garrafa de champanhe sobre uma banqueta preta." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/2.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31148" class="wp-caption-text">Cada quadro, um sonho (não) realizado (Foto: Ivan Zettel)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A protagonista, interpretada por Birolli, é pressionada por sua família a comemorar seu </span><a href="https://personaunesp.com.br/parabens-senhor-presidente-critica/"><span style="font-weight: 400;">aniversário</span></a><span style="font-weight: 400;">, cerimônia que não lhe agrada. Este é o ponto de partida para uma história sobre as dificuldades que muitas pessoas enfrentam ao dizer “não” às mais diversas propostas ao longo da vida, ainda que esta recusa as prejudique de alguma forma. A atriz inicia a peça entrando pelos fundos do teatro e interagindo com a plateia, imediatamente causando uma maior sensação de proximidade com o público – além, é claro, da temática abordada que é comum a todos nós.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Afinal, a carga dramática em torno do primeiro “não” não dito nos leva a uma sequência de “sins” que nos afastam, cada vez mais, dos planos que buscamos realizar ao longo da vida; sonhos estes representados por quadros pendurados na &#8216;Cama de Gato&#8217; citada anteriormente. &#8220;Não&#8221; para o amor, para o trabalho, para a família, para os amigos… são muitas as ocasiões em que o medo de desagradar sobrepõe o nosso bem-estar. Estas reflexões são trazidas pela protagonista ao longo da obra, que se torna uma espécie de </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-pior-de-mim-critica/"><span style="font-weight: 400;">terapia</span></a><span style="font-weight: 400;"> em grupo com toda a plateia.</span></p>
<figure id="attachment_31147" aria-describedby="caption-attachment-31147" style="width: 774px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-31147" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/3.png" alt="Cena da peça teatral Não!. A atriz Adriana Birolli está em primeiro plano, de pé, vestindo uma camisa preta com uma saia vermelha. No fundo do palco, há um quadro de fios pretos emaranhados em frente a uma enorme cortina branca, que ganha a cor azul através dos refletores" width="774" height="575" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/3.png 774w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/3-768x571.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31147" class="wp-caption-text">Ao final, o público percebe a importância de saber dizer &#8220;não&#8221; (Foto: Diário do Rio)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma importante frase proferida pela protagonista, que vale a menção e de certa forma resume a ideia do roteiro, é </span><i><span style="font-weight: 400;">“Não é nossa responsabilidade a forma que as pessoas recebem o nosso não”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Apesar das aflições causadas pela indecisão entre escolher o “sim” ou o “não” fazerem parecer se tratar de um espetáculo angustiante e amargurado, a obra é uma deliciosa </span><a href="https://personaunesp.com.br/quem-e-quem-teatro-critica/"><span style="font-weight: 400;">comédia</span></a><span style="font-weight: 400;"> que permite a própria libertação ao representar os fatos corriqueiros de nosso cotidiano de forma facilmente identificável pelo público.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ato final retoma o diálogo com a plateia ao sugerir uma enquete, aos moldes do global “Você Decide”, sobre qual atitude a protagonista deveria tomar: o “sim” contrariado ou o primeiro “não” determinado? A peça se encerra sem um final estabelecido, delegando ao espectador a função de se imaginar na cena e tomar sua própria decisão – como bem cantava </span><a href="https://personaunesp.com.br/abalando-a-sua-fabrica-20-anos/"><span style="font-weight: 400;">Chorão</span></a><span style="font-weight: 400;">, líder da banda de </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> Charlie Brown Jr., “</span><i><span style="font-weight: 400;">Cada escolha, uma renúncia</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
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		<title>Parabéns, Senhor Presidente e a rara sintonia entre contrários</title>
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		<pubDate>Fri, 14 Apr 2023 20:36:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Mateus Conte O Teatro Municipal de Botucatu recebeu, em uma noite de sábado, o drama musical Parabéns, Senhor Presidente &#8211; In Concert. A casa lotou para recepcionar as atrizes globais Claudia Ohana, que interpreta a soprano Maria Callas, e Juliana Knust, que dá vida à sex symbol Marilyn Monroe. Com texto de Fernando Duarte (que &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/parabens-senhor-presidente-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Parabéns, Senhor Presidente e a rara sintonia entre contrários"</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30682" aria-describedby="caption-attachment-30682" style="width: 920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30682" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-1-1.jpg" alt="A foto em preto e branco apresenta as duas atrizes, Juliana Knust e Cláudia Ohana, vestidas como suas personagens. Ambas estão sorrindo e olhando para o lado esquerdo da câmera" width="920" height="738" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-1-1.jpg 920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-1-1-800x642.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-1-1-768x616.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30682" class="wp-caption-text">Marilyn Monroe e Maria Callas foram convidadas ao aniversário do presidente Kennedy; como seria se as duas tivessem se encontrado? (Foto: Pino Gomes/A Crítica)</figcaption></figure>
<p><b>Mateus Conte</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Teatro Municipal de </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-pior-de-mim-critica/"><span style="font-weight: 400;">Botucatu</span></a><span style="font-weight: 400;"> recebeu, em uma noite de sábado, o drama musical </span><i><span style="font-weight: 400;">Parabéns, Senhor Presidente &#8211; In Concert</span></i><span style="font-weight: 400;">. A casa lotou para recepcionar as atrizes globais Claudia Ohana, que interpreta a soprano Maria Callas, e Juliana Knust, que dá vida à </span><i><span style="font-weight: 400;">sex symbol</span></i> <a href="https://personaunesp.com.br/blonde-critica/"><span style="font-weight: 400;">Marilyn Monroe</span></a><span style="font-weight: 400;">. Com texto de Fernando Duarte (que estava presente naquela noite) e Rita Elmôr, a peça é uma adaptação musical para a obra de mesmo nome, encenada em 2019. A apresentação contou com entrada franca e ainda passa por seis municípios do estado, dentro da programação do Edital ProAC Expresso, através da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado de São Paulo.</span></p>
<p><span id="more-30680"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A peça retrata o encontro fictício entre as duas artistas nos bastidores do Madison Square Garden, casa de espetáculos na cidade estadunidense de Nova Iorque, por ocasião do 45º aniversário do então presidente John F. Kennedy, comemorado em 19 de Maio de 1962. O momento ficou marcado na memória coletiva dos anos 1960 com a imagem de Marilyn Monroe usando um sensual vestido coberto de cristais brilhantes, cantando aos sussurros a memorável </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Tr1Faa9cEbo"><i><span style="font-weight: 400;">Happy Birthday</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Nessa mesma noite, a maior estrela da ópera de todos os tempos, Maria Callas, foi protagonista da apresentação mais aplaudida da noite, ao interpretar </span><i><span style="font-weight: 400;">Habanera</span></i><span style="font-weight: 400;">, ária integrante da ópera </span><i><span style="font-weight: 400;">Carmen</span></i><span style="font-weight: 400;">, apresentações cujos vídeos foram exibidos ao fundo do cenário da peça.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Independentes e bem-sucedidas, </span><a href="https://eduerj.com/a-mulher-nos-anos-60-uma-perspectiva-de-genero/"><span style="font-weight: 400;">o que era raro nos anos 1960</span></a><span style="font-weight: 400;">, as icônicas personagens partem de suas próprias histórias para, durante 65 minutos, mergulhar no drama feminino dos tempos modernos, abordando o papel a ser desempenhado pelas mulheres em um mundo ainda governado pelos homens. No entanto, a narrativa da obra não deixa de também envolver o público masculino, pois apresenta as consequências de relações abusivas no trato psicológico das protagonistas.</span></p>
<figure id="attachment_30683" aria-describedby="caption-attachment-30683" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30683" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-2.webp" alt="Juliana Knust, trajada com o sensual vestido de brilhantes utilizado por Monroe na festa de aniversário de Kennedy, está com os braços abertos enquanto olha para o lado esquerdo da câmera. Seu braço esquerdo segura uma blusa branca e felpuda, que se encontra no encosto de uma cadeira branca, com estampa losangular e pernas de madeira marrom-escuro. Outra cadeira idêntica aparece ao lado direito de Monroe. Atrás dela, encoberto por seu corpo, é visível uma garrafa" width="768" height="512" /><figcaption id="caption-attachment-30683" class="wp-caption-text">Marilyn Monroe sofreu com relações abusivas ao longo da vida (Foto: Roberto Filho/Brazil News)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Exemplo disso são os relatos das crises conjugais de Monroe com a lenda do </span><i><span style="font-weight: 400;">baseball</span></i><span style="font-weight: 400;"> Joe DiMaggio, que lhe abusava fisicamente. O momento impactante é muito bem utilizado pelo espetáculo para divulgar a campanha contra a violência doméstica </span><a href="https://www.gov.br/mdh/pt-br/ligue180"><span style="font-weight: 400;">Ligue 180</span></a><span style="font-weight: 400;">, projetado no seu sóbrio cenário, que se passa no camarim da apresentação ao presidente Kennedy. Também choca a ocasião em que a atriz fala sobre os abortos espontâneos que sofreu, em uma carga dramática impressionante.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As personagens viviam momentos distintos em sua vida. Em pleno auge profissional, Marilyn estava cansada de ser vista apenas como um </span><a href="https://yatahaze.medium.com/anatomia-de-um-s%C3%ADmbolo-sexual-9e3c9e151635"><span style="font-weight: 400;">símbolo sexual</span></a><span style="font-weight: 400;">. Amante do presidente JFK, ela sentia-se preterida pela primeira-dama Jacqueline Kennedy –  um dos fatores que supostamente desencadeou seu vício em bebida e calmantes, o que lhe resultou na morte por overdose de barbitúricos, em 1962 (embora a peça aposte na </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2022/08/09/os-misterios-que-ainda-persistem-sobre-a-morte-de-marilyn-monroe-apos-60-anos.ghtml"><span style="font-weight: 400;">hipótese de homicídio</span></a><span style="font-weight: 400;"> por parte de um agente da CIA, a Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Callas, por sua vez, se incomoda com os críticos – inclusive ironizando aqueles que redigem críticas culturais nos jornais – e reconhece que sua voz está se exaurindo aos poucos. Ela ainda sofre por ter priorizado a arte em detrimento de sua vida pessoal, enfrentando problemas no relacionamento com o magnata grego </span><a href="https://revistaquem.globo.com/QUEM-News/noticia/2021/04/biografia-revela-que-maria-callas-foi-drogada-e-abusada-por-aristotle-onassis.html"><span style="font-weight: 400;">Aristóteles Onassis</span></a><span style="font-weight: 400;">. As crises conjugais passadas pelas personagens são os momentos em que o texto mais investe em comédia, incluindo piadas sexuais que levaram o público às gargalhadas, à revelia da classificação indicativa de 14 anos.</span></p>
<figure id="attachment_30681" aria-describedby="caption-attachment-30681" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30681" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-3.webp" alt="Cláudia Ohana, trajada com o clássico vestido vermelho de Maria Callas, sorri enquanto olha para cima, levantando sua mão direita em poética interpretação em frente a um fundo com cortinas brancas reluzentes" width="768" height="512" /><figcaption id="caption-attachment-30681" class="wp-caption-text">Maria Callas passa por tribulações em seu casamento (Foto: Roberto Filho/Brazil News)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A conversa entre Callas, introspectiva e melancólica, e Monroe, extrovertida e sanguínea, resulta em uma rara sintonia entre contrários, também espelhados na destoância entre seus figurinos e suas caracterizações, que refletem suas personalidades distintas. Enquanto os espontâneos desabafos de Marilyn são respondidos pela grega com sua objetividade racional, assemelhando-se a uma terapeuta, as confissões da soprano são devolvidas com espirituosidade e uma certa dose de despudor pela atriz, em oposição ao </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2022/09/29/marilyn-monroe-foi-a-indecifravel-esfinge-que-acabou-devorado-por-hollywood.htm"><span style="font-weight: 400;">momento difícil</span></a><span style="font-weight: 400;"> pelo qual sua vida passava.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A nova adaptação, </span><i><span style="font-weight: 400;">In Concert</span></i><span style="font-weight: 400;">, conta com canções compostas por Maíra Freitas e interpretadas pelas atrizes, tanto em duetos como em solos, tanto em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=KlWPLbVoWfQ"><span style="font-weight: 400;">óperas</span></a><span style="font-weight: 400;"> como em ritmos convencionais. Surpreende a excelência na execução das músicas, tanto por Ohana quanto por Knust, bem como a qualidade do arranjo e das letras, totalmente em português. A cena em que Callas ensina técnicas vocais para Monroe é um dos (muitos!) pontos altos do espetáculo, momentos em que nos perguntamos quais fatos apontados naquele roteiro realmente ocorreram na vida real.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dentre os aspectos técnicos, ressaltam-se a captação de som, realizada por meio de microfones de cabeça que valorizam as </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2HXr2cKNm2M"><span style="font-weight: 400;">vozes das atrizes</span></a><span style="font-weight: 400;">, assim como a iluminação, que variava conforme a intensidade das emoções de cada momento da peça, cujas cenas são divididas por sessões musicais. A última delas é a principal apoteose de<em> Parabéns, Senhor Presidente</em>, fechando-se as cortinas e encerrando-se o espetáculo em grande estilo, combinando aquelas duas figuras tão distintas através de uma de suas poucas paixões em comum: a Arte.</span></p>
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		<title>O Pior de Mim: o palco como divã</title>
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		<pubDate>Thu, 26 May 2022 17:40:40 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Mateus Conte Na noite de 13 de maio, um Teatro Municipal lotado recebeu, em Botucatu, a atriz Maitê Proença em seu monólogo O Pior de Mim. Redigida pela própria atriz e dirigida por Rodrigo Portella, a obra aborda de forma áspera a vida e a carreira da ex-global, que por diversas vezes percorreu os palcos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-pior-de-mim-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Pior de Mim: o palco como divã"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27707" aria-describedby="caption-attachment-27707" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27707 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-1.jpeg" alt="A imagem apresenta um fundo todo preto destacando a atriz Maitê Proença, uma mulher branca e loira, que veste um vestido preto com bolinhas brancas sobre uma blusinha branca e calça vermelha, enquanto sorri e abre os braços olhando para cima" width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-1.jpeg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-1-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-1-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-1-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-1-1536x864.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-1-2048x1152.jpeg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-1-1200x675.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27707" class="wp-caption-text">Maitê Proença transforma sua vida em texto e seu divã em peça (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Mateus Conte</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na noite de 13 de maio, um Teatro Municipal lotado recebeu, em Botucatu, a atriz Maitê Proença em seu monólogo </span><i><span style="font-weight: 400;">O Pior de Mim</span></i><span style="font-weight: 400;">. Redigida pela própria atriz e dirigida por Rodrigo Portella, a obra aborda de forma áspera a vida e a carreira da </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/maite-proenca-conta-como-soube-de-demissao-da-globo/"><span style="font-weight: 400;">ex-global</span></a><span style="font-weight: 400;">, que por diversas vezes percorreu os palcos do interior paulista com suas apresentações.</span></p>
<p><span id="more-27706"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Logo de início, a peça surpreende por sua sobriedade. O figurino aparenta vir diretamente do guarda-roupas da atriz, sendo os mesmos </span><i><span style="font-weight: 400;">looks</span></i><span style="font-weight: 400;"> que vemos nas atentas fotos da Revista </span><i><span style="font-weight: 400;">CARAS</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou nas páginas do finado </span><a href="http://ego.globo.com/famosos/noticia/2017/04/o-ego-se-despede-e-relembra-flagrantes-inesqueciveis-de-famosos.html"><i><span style="font-weight: 400;">Ego</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Seu objetivo é claro: trazer autenticidade aos relatos contados pela protagonista-autora, tornando sua imagem no palco o mais próximo possível da realidade cotidiana de Maitê.</span></p>
<figure id="attachment_27708" aria-describedby="caption-attachment-27708" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27708 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-2.png" alt="A imagem apresenta a atriz Maitê Proença, uma mulher branca e loira, de olhos verdes, que olha para cima enquanto toca um pano preto, mas transparente, que a cobre totalmente" width="840" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-2.png 840w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-2-656x800.png 656w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-2-768x936.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27708" class="wp-caption-text">A interação de Maitê com o tecido transparente no fundo do cenário nos remete ao véu que cobre aquilo que preferimos manter às escuras (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A luz, por sua vez, também é simples: sem muita pompa, a direção sabe o que fazer com o mínimo, apostando em um enfoque básico durante as falas e trocas repentinas de cores em momentos mais impactantes da trama, servindo como marcador temporal para passagem de um bloco narrativo para outro. Mérito de </span><a href="https://gpslifetime.com.br/conteudo/entretenimento/arte/80/diretor-rodrigo-portella-desembarca-em-brasilia-para-bate-papo"><span style="font-weight: 400;">Portella</span></a><span style="font-weight: 400;">, que também coordena a iluminação do espetáculo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas não só de trivialidade vive </span><i><span style="font-weight: 400;">O Pior de Mim</span></i><span style="font-weight: 400;">. Em uma experiência rara no teatro </span><i><span style="font-weight: 400;">mainstream</span></i><span style="font-weight: 400;">, o próprio diretor entra em cena para filmar a protagonista. As imagens – em preto e branco, vale ressaltar – captadas pela câmera são exibidas automaticamente nas cortinas localizadas atrás do palco, em uma inovação narrativa recheada de significado: demonstra como a presença das lentes é constante na carreira da atriz, que </span><a href="http://teledramaturgia.com.br/dinheiro-vivo/"><span style="font-weight: 400;">estreou</span></a><span style="font-weight: 400;"> nas novelas em 1979.</span></p>
<figure id="attachment_27709" aria-describedby="caption-attachment-27709" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27709 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-3-1.png" alt="A imagem apresenta um fundo todo preto destacando a atriz Maitê Proença, uma mulher branca e loira, que veste um vestido preto com bolinhas brancas sobre uma blusinha branca e sapatos dourados, enquanto senta e olha sorrindo para a plateia" width="1024" height="683" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-3-1.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-3-1-800x534.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-3-1-768x512.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27709" class="wp-caption-text">As tragédias da vida de Maitê Proença propiciam uma rápida identificação com a plateia (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Tratando de artifícios pouco utilizados nas grandes </span><a href="https://personaunesp.com.br/quem-e-quem-teatro-critica/"><span style="font-weight: 400;">peças que vêm ao interior</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma logo chama a atenção dos espectadores: a não-linearidade da narrativa. Cada história se intercala com as outras, sem haver um ponto medular que as organize, trazendo a sensação de uma aparente confusão. Mas isso tem um porquê.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante a peça, Maitê assume que, durante quatro horas por semana, fez terapia pelo período de quatro anos. Não há dúvidas que essa experiência de autoconhecimento foi transportada para o roteiro, transformando o palco em um </span><a href="https://midiamax.uol.com.br/variedades/saude/2018/saiba-porque-o-teatro-terapia-ajuda-a-tratar-timidez-estresse-e-depressao"><span style="font-weight: 400;">divã psicanalítico</span></a><span style="font-weight: 400;">. A intertextualidade com uma sessão de terapia se reflete até mesmo na duração do espetáculo: a peça dura escassos cinquenta minutos, o que não foge do tempo médio de um encontro marcado com um psicólogo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esta psicanálise com a presença do público passa pelas mais trágicas histórias da vida da autora, o que tende a justificar os traumas e bloqueios mais profundos de sua mente ao longo da apresentação. Como nem tudo são espinhos, também há espaço para os </span><a href="https://f5.folha.uol.com.br/colunistas/renatokramer/2015/03/1596585-eu-nunca-fui-infeliz-diz-maite-proenca.shtml"><span style="font-weight: 400;">relatos de superação</span></a><span style="font-weight: 400;"> que Maitê passou para conseguir deixar todos esses obstáculos para trás.</span></p>
<figure id="attachment_27710" aria-describedby="caption-attachment-27710" style="width: 5497px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27710 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-4.png" alt="A imagem apresenta a atriz Maitê Proença, uma mulher branca e loira, que veste um pijama branco com listras azuis. Ela está sentada em um sofá cinza e podem-se ver um quadro indiano e um quadro de uma pequena árvore na parede do fundo" width="5497" height="3665" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-4.png 5497w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-4-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-4-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-4-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-4-1536x1024.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-4-2048x1365.png 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-4-1200x800.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27710" class="wp-caption-text">A peça iniciou sua temporada de forma on-line durante a pandemia de covid-19 (Foto: Dalton Valério)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O teatro não é apenas o que se apresenta no palco, mas também aquilo que  </span><a href="https://www.em.com.br/app/noticia/cultura/2019/11/10/interna_cultura,1099586/artistas-falam-das-razoes-e-dos-perrengues-de-interagir-com-a-plateia.shtml"><span style="font-weight: 400;">impacta na plateia</span></a><span style="font-weight: 400;">; ao vivo, ela acompanha ininterruptamente o espetáculo. Por isso, é impossível não perceber que, ainda que possam ser diferentes, sempre existem momentos nos quais o público se identifica com a atriz que está em cena.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um sentimento específico do público é, ao mesmo tempo, alimentado e escrachado pelo texto: o prazer em bisbilhotar os detalhes mais sórdidos da vida alheia, ainda mais quando se tratam de celebridades. Como diz a própria sinopse da peça, </span><i><span style="font-weight: 400;">“neste </span></i><a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0408200609.htm"><i><span style="font-weight: 400;">voyeurismo</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> desenfreado, nos comparamos, para melhor compreendermos a nós mesmos. Não é assim? Venha espiar, eu deixo”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Esta descrição acompanha o espetáculo desde sua primeira exibição, realizada de forma totalmente </span><i><span style="font-weight: 400;">on-line</span></i><span style="font-weight: 400;">, no pandêmico ano de 2020.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esta exposição das aflições vividas pela atriz, por trás das populares câmeras das inúmeras novelas que estrelou, evidencia o fato de que, antes de ser uma profissional, Maitê Proença é uma pessoa de carne, osso e sentimentos. Sentimentos, esses, que foram atingidos pela </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq0204200807.htm"><span style="font-weight: 400;">exploração massiva</span></a><span style="font-weight: 400;"> e impiedosa de sua vida privada por parte da imprensa e que, nesta peça </span><i><span style="font-weight: 400;">O Pior de Mim</span></i><span style="font-weight: 400;">, resolve escancarar para o mundo – mas, desta vez, a sua versão dos fatos. Maitê Proença, volte sempre!</span></p>
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		<title>Os 60 anos de Chico Bento e a religiosidade do Brasil profundo</title>
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		<pubDate>Sat, 13 Mar 2021 16:28:36 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Carol Dalla Vecchia e Mateus Conte A década de 60 no Brasil foi tortuosa. Naquela época, o país vivia uma crise política sem precedentes: a posse e repentina renúncia de Jânio Quadros abalava as bases democráticas da nação. Enquanto isso, a mil quilômetros do centro do planalto vazio, um ex-repórter policial iniciava uma das suas &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/chico-bento-60-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os 60 anos de Chico Bento e a religiosidade do Brasil profundo"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_18874" aria-describedby="caption-attachment-18874" style="width: 1197px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18874" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-1.png" alt="Desenho de um quadro das histórias do Chico Bento. A personagem Chico Bento ajoelha-se, rezando e chorando, enquanto seus pais olham preocupados." width="1197" height="452" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-1.png 1197w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-1-300x113.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-1-1024x387.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-1-768x290.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18874" class="wp-caption-text">Desolado pela maldade humana, Chico (ch)orou (Foto: Chico Bento, 144ª Edição, Editora Globo, 1992)</figcaption></figure>
<p><b>Carol Dalla Vecchia e Mateus Conte</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A década de 60 no Brasil foi tortuosa. Naquela época, o país vivia uma crise política sem precedentes: a posse e repentina renúncia de </span><a href="https://www.historiadomundo.com.br/idade-contemporanea/governo-janio-quadros.htm"><span style="font-weight: 400;">Jânio Quadros</span></a><span style="font-weight: 400;"> abalava as bases democráticas da nação. Enquanto isso, a mil quilômetros do centro do planalto vazio, um ex-repórter policial iniciava uma das suas criações mais memoráveis.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Começos raramente são pomposos. Não foi diferente com o interiorano </span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Cultura/noticia/2018/05/mauricio-de-sousa-conheca-trajetoria-do-criador-da-turma-da-monica.html"><span style="font-weight: 400;">Mauricio Araújo de Sousa</span></a><span style="font-weight: 400;">, convidado pela conhecida </span><i><span style="font-weight: 400;">Cooperativa Agrícola de Cotia</span></i><span style="font-weight: 400;"> para desenvolver uma nova obra dos quadrinhos: os caipiras </span><a href="http://plantproject.com.br/novo/2020/10/roca-em-quadrinhos/"><span style="font-weight: 400;">Zezinho e Hiroshi</span></a><span style="font-weight: 400;">. Hiro, como é conhecido, representava os funcionários e familiares da </span><i><span style="font-weight: 400;">CooperCotia</span></i><span style="font-weight: 400;">, formada quase exclusivamente por </span><a href="https://skdesu.com/significado-nissei-sansei-yonsei-nikkei-issei/"><i><span style="font-weight: 400;">isseis</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">nisseis</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></a><span style="font-weight: 400;"> Dois anos depois, surgia o hoje famoso </span><a href="https://revistaogrito.com/papodequadrinho/2013/09/01/critica-um-chico-dois-universos/"><span style="font-weight: 400;">Chico Bento</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ou seja, ainda que Francisco Antônio Bento tenha surgido apenas em 1963, sua turma nasceu há exatos 60 anos. </span></p>
<p><span id="more-18873"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao contrário dos outros dois personagens, ele falava o linguajar típico da roça, talvez a </span><a href="https://www.normaculta.com.br/variacoes-linguisticas/#:~:text=Varia%C3%A7%C3%A3o%20lingu%C3%ADstica%20regional%20(diat%C3%B3pica),os%20falantes%2C%20sofrendo%20sua%20influ%C3%AAncia."><span style="font-weight: 400;">variante diatópica</span></a><span style="font-weight: 400;"> mais comum do nosso português, e rapidamente conquistou a identificação daquele público. Mauricio, cujos personagens figuravam apenas em páginas de jornais, retratava sempre o ambiente urbano em suas criações. No entanto, esse era o momento do quadrinista retomar suas próprias origens em Santa Isabel, Mogi das Cruzes e a bauruense Rua Araújo Leite, já conhecida de muitos de nós.</span></p>
<figure id="attachment_18875" aria-describedby="caption-attachment-18875" style="width: 2060px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18875" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-2.png" alt="Desenho de Mauricio de Sousa diz: “É com essas coisas todas, tão humanas e brasileiras, que vamos fazer uma beleza de revista, gostosa de ler e de guardar! Que fale do lado simples do nosso povo, das minhas e das suas origens!”" width="2060" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-2.png 2060w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-2-300x105.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-2-1024x358.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-2-768x268.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-2-1536x537.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-2-2048x716.png 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-2-1200x419.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18875" class="wp-caption-text">Apenas em 1982 o caipirinha ganharia sua revista própria; assim, nascia não somente um novo personagem, mas um verdadeiro retrato do Brasil profundo (Foto: Chico Bento, 1ª Edição, Editora Abril, 1982)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Não foi apenas o cenário do Chico Bento que foi inspirado na infância do cartunista, mas também todas as suas temáticas: uma das principais é a valorização da família, representada por seus pais Nhô Bento e a Dona Cotinha. Ambos são muito trabalhadores e exigentes com a </span><a href="https://dialnet.unirioja.es/descarga/articulo/3201239.pdf"><span style="font-weight: 400;">educação</span></a><span style="font-weight: 400;"> de seu filho. Outro ponto importante é a </span><a href="https://sistemas.furg.br/sistemas/sab/arquivos/bdtd/0000010880.pdf"><span style="font-weight: 400;">preservação do meio ambiente</span></a><span style="font-weight: 400;">: mesmo que ele pesque, cace e roube goiabas do Nhô Lau, tudo é feito visando a subsistência. Temas como pesca predatória e desmatamento, por exemplo, são sempre abordados de forma negativa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por fim, o último ponto fulcral da obra caipira de Mauricio é a religiosidade da Vila Abobrinha e do próprio Chico, com destaque para o sacerdote católico Padre Lino. O frade, que por suas vestes e tonsura aparenta ser </span><a href="https://ofs-sp.org.br/2018/10/18/o-habito-marrom-franciscano/"><span style="font-weight: 400;">franciscano</span></a><span style="font-weight: 400;">, é o principal símbolo religioso dentro das histórias. Juntamente com os pais de Chico, </span><a href="https://personaunesp.com.br/dois-papas-critica/"><span style="font-weight: 400;">Pe. Lino</span></a><span style="font-weight: 400;"> representa a figura paterna da infância, isto é, a personagem procura estabelecer às crianças o que é correto e o que é errado, construindo os conceitos morais de cada um deles.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Este conceito é um retrato fiel do que entendemos por </span><a href="https://medium.com/@questtono/brasil-profundo-uma-realidade-distante-dos-grandes-centros-b8eff1546899"><span style="font-weight: 400;">Brasil profundo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Uma família simples, habitantes da zona rural, onde o pai trabalha na roça e a mãe é dona-de-casa; o filho frequenta a escola com seus amigos e namoradinha, mas não antes de passar por um bom caminho a pé. No final da semana, todos se encontram na igreja da vila.</span></p>
<figure id="attachment_18876" aria-describedby="caption-attachment-18876" style="width: 2470px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18876" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-3.png" alt="História ilustrada em quadrinhos do Chico Bento. A imagem é composta por cinco quadrinhos. No primeiro, padre Lino aparece com as mãos juntas e os olhos fechados, rezando. No segundo, um grupo de fiéis no primeiro banco da igreja fazem o mesmo gesto. No terceiro, o sacerdote continua rezando, mas com foco na imagem atrás dele. No quarto, os fiéis surgem assustados, e no quinto o padre fica surpreso." width="2470" height="1861" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-3.png 2470w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-3-300x226.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-3-1024x772.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-3-768x579.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-3-1536x1157.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-3-2048x1543.png 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-3-1200x904.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18876" class="wp-caption-text">Padre Lino calmamente celebra a missa, mas, como é uma historinha, algo de errado teria de acontecer (Foto: Chico Bento, 57ª Edição, Editora Abril, 1984)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Vale dizer que a </span><a href="https://personaunesp.com.br/ate-o-ultimo-homem/"><span style="font-weight: 400;">religiosidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> é o que coordena as demais áreas da revista: os personagens agem segundo seus princípios; e estes, por sua vez, são formados pelos ensinamentos do padre Lino. Como de costume na </span><a href="https://institucional.ufrrj.br/portalcpda/files/2018/09/dissertacao_2007-Tha%C3%ADs-Coutinho.pdf"><span style="font-weight: 400;">roça daquela época</span></a><span style="font-weight: 400;">, o sacerdote também representa uma autoridade cultural na Vila Abobrinha: isto é perceptível nas histórias onde Frei Lino faz as vezes de professor de canto no coral litúrgico das crianças.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além do Padre Lino, não raramente o </span><a href="http://www.gelne.com.br/arquivos/anais/gelne-2002/artigos/01_teoria_e_analise_linguistica/artigo85.pdf"><span style="font-weight: 400;">próprio Deus</span></a><span style="font-weight: 400;"> aparece nas histórias. Quando isso acontece, ele sempre assume um papel protetor e que, ainda que por vezes pareça rigoroso, busca apenas trazer ensinamentos aos personagens. Do mesmo modo, o Diabo também teve algumas participações nos gibis: porém, de forma diametralmente oposta, ele pretende causar a doença, a desesperança e a morte. E, quando isso acontece, comumente há batalhas entre Deus e o demônio.</span></p>
<figure id="attachment_18877" aria-describedby="caption-attachment-18877" style="width: 1301px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18877" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-4.png" alt="História ilustrada em quadrinhos do Chico Bento. Na imagem, São Pedro aparece empunhando sua característica chave, dizendo frente ao demônio: “Basta, Lúcifer! Você não tem mais nada a fazer aqui!”, enquanto este, desolado, grita: “Nããããoooo...”" width="1301" height="962" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-4.png 1301w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-4-300x222.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-4-1024x757.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-4-768x568.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-4-1200x887.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18877" class="wp-caption-text">Como em toda boa história, no fim o bem sempre vence o mal (Foto: Chico Bento, 55ª Edição, Editora Abril, 1984)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, vale ressaltar que não foi apenas o catolicismo a figurar nas páginas das revistinhas do Chico. Em 1985, a história </span><i><span style="font-weight: 400;">O Rezador</span></i><span style="font-weight: 400;"> apresentou a idosa negra Nhá Belarmina, uma benzedeira que se denominava como Preta Véia. Nela, a senhora ensina a Chico Bento todo o seu conhecimento sobre rezas e benzimentos que ela havia recebido de seus antepassados, continuando a tradição oral de sua cultura.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Curioso em descobrir se aquelas preces tinham efeito, Chico resolve testá-las invocando o sobrenatural para amarrar o amor de sua namorada Rosinha. A reza, porém, funciona de forma exagerada e Rosinha age como se estivesse em hipnose. Resolvida a situação, a maior lição de Chico foi entender que todo o poder obtido deve ser usado com sabedoria e responsabilidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esta história demonstra que, embora o catolicismo tenha presença constante nas histórias da Vila Abobrinha, ainda há espaço para </span><a href="https://personaunesp.com.br/racionais-30-anos/"><span style="font-weight: 400;">outras religiões</span></a><span style="font-weight: 400;"> e para aprender valores importantes com elas. Nobu Chinen, doutor em Ciências da Comunicação, explicou no artigo científico </span><a href="https://drive.google.com/file/d/19096Pxdn9lGq4J7Nxt4uWUsPL3YtM13K/view"><i><span style="font-weight: 400;">A religiosidade afro-brasileira nos quadrinhos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> que no momento da publicação dessa história do Chico Bento, as religiões de matriz africana eram sempre representadas de forma negativa, </span><i><span style="font-weight: 400;">“capazes de interferir na realidade cotidiana, normalmente em benefício de interesses pessoais nem sempre louváveis ou como forma de obter poderes sobre-humanos”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_18878" aria-describedby="caption-attachment-18878" style="width: 948px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18878" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-5.png" alt="História ilustrada em quadrinhos do Chico Bento. A benzedeira Nhá Belarmina diz a Chico Bento, que está ajoelhado em sua frente: “Agora nhonhozinho sabe caji tudu das reza qui Preta Véia aprendeu”" width="948" height="638" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-5.png 948w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-5-300x202.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-5-768x517.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18878" class="wp-caption-text">Nhá Belarmina passa sua sabedoria para as gerações futuras (Foto: Chico Bento, 67ª Edição, Editora Abril, 1985)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, podemos dizer que se valer dos princípios religiosos para ensinar valores morais às crianças saiu de moda na </span><i><span style="font-weight: 400;">Mauricio de Sousa Produções</span></i><span style="font-weight: 400;">. Talvez em nome do </span><a href="https://www.significados.com.br/ecumenismo/"><span style="font-weight: 400;">ecumenismo</span></a><span style="font-weight: 400;">, a cada era que se passa menos vemos este tipo de história nos gibis: comum na </span><a href="https://www.abril.com.br/"><span style="font-weight: 400;">editora </span><i><span style="font-weight: 400;">Abril</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, raro na </span><a href="http://editoraglobo.globo.com/index.htm"><span style="font-weight: 400;">editora </span><i><span style="font-weight: 400;">Globo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e praticamente inexistente na </span><a href="http://collectibles.panini.com.br/home.html"><span style="font-weight: 400;">editora </span><i><span style="font-weight: 400;">Panini</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, onde a turminha é publicada até hoje.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Voltemos a onde partimos: nos anos 60, frente a um país em contínua instabilidade financeira, política e econômica, Mauricio se valeu da </span><a href="https://www.dicio.com.br/cosmovisao/"><span style="font-weight: 400;">cosmovisão religiosa</span></a><span style="font-weight: 400;"> para formar personagens verdadeiramente </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=aZ3tj3J__lI"><span style="font-weight: 400;">humanos</span></a><span style="font-weight: 400;">, colaborando para a preservação do imaginário de várias gerações e provendo a milhões de crianças tudo o que elas mais precisam: alegria e esperança.</span></p>
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		<title>É Preciso Falar de Amor Sem Dizer Eu te Amo, mesmo que não haja amor nenhum</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Mar 2020 21:59:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Teatro]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[É Preciso Falar de Amor Sem Dizer Eu Te Amo]]></category>
		<category><![CDATA[Mateus Conte]]></category>
		<category><![CDATA[Priscilla Fantin]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Pilar e Bento, em um dos momentos descontraídos da peça (Foto: Divulgação) Mateus Conte A peça É Preciso Falar de Amor Sem Dizer Eu te Amo, estrelada pelo casal Priscilla Fantin e Bruno Lopes, foi apresentada no dia 29 do último mês no Teatro Municipal de Bauru. Em sua turnê no interior paulista, a peça &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/e-preciso-falar-de-amor-sem-dizer-eu-te-amo-mesmo-que-nao-haja-amor-nenhum/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "É Preciso Falar de Amor Sem Dizer Eu te Amo, mesmo que não haja amor nenhum"</span></a></p>
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<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="603" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/03/FOTO-1-1-1024x603.jpg" alt="" class="wp-image-13684" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/03/FOTO-1-1-1024x603.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/03/FOTO-1-1-300x177.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/03/FOTO-1-1-768x452.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/03/FOTO-1-1-1536x904.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/03/FOTO-1-1-2048x1206.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/03/FOTO-1-1-1200x706.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:12px"><em>Pilar e Bento, em um dos momentos descontraídos da peça (Foto: Divulgação) </em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Mateus Conte</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A peça<em> É Preciso Falar de Amor Sem Dizer Eu te Amo</em>, estrelada pelo casal Priscilla Fantin e Bruno Lopes, foi apresentada no dia 29 do último mês no Teatro Municipal de Bauru. Em sua turnê no interior paulista, a peça levou ao teatro mais de três mil pessoas, divididas em seis sessões em cinco cidades; na cidade-lanche, foram duas sessões.</p>



<span id="more-13680"></span>



<p class="wp-block-paragraph">O entrosamento entre os atores e o seu bem-estar no palco favorece a inserção de piadas e outros elementos fora do roteiro, dificultando uma avaliação fria da peça. Por isso, analisarei a apresentação como um todo, tanto a parte roteirizada quanto as partes improvisadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Logo no começo do espetáculo, é apresentado que os personagens são jovens viúvos que se conheceram em um aplicativo de relacionamento. O alívio que tive ao perceber que este não seria o tema central da peça foi imenso – afinal, esse assunto já está muito (mas não bem) desenvolvido na dramaturgia mainstream nacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O primeiro encontro da agente de trânsito Pilar (Priscilla Fantin) e o “<a href="https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2019/12/13/faria-limers-capa-de-revista-sobre-o-bairro-paulistano-diverte-a-web.htm">ex-faria limer</a>” Bento (Bruno Lopes) é permeado por um certo estranhamento entre eles e dúvidas sobre o que viria a seguir. A conversa vai e vem, com alguns olhares, algumas pequenas discussões e principalmente descobertas sobre o outro, que já conversavam há três meses pelo aplicativo. Os personagens contam histórias sobre si mesmos, que são simples mas bem estruturadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A peripécia no roteiro se dá no final do segundo ato, quando um dos personagens descobre um segredo fúnebre sobre o outro, tornando mais tenso o ambiente da peça. Porém, este problema para os personagens se converte em um problema para nós, espectadores: o fato apresentado não tinha nenhum precedente ou indício que poderia acontecer, causando um <a href="https://www.omelete.com.br/segredos-do-cinema/deus-ex-machina-o-que-e-isso-segredos-do-cinema"><em>deus ex machina</em></a><em> </em>às avessas: em vez de uma solução, o que aparece “do nada” é um problema. </p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/03/FOTO-2-1-1-1024x576.jpg" alt="" class="wp-image-13685" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/03/FOTO-2-1-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/03/FOTO-2-1-1-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/03/FOTO-2-1-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/03/FOTO-2-1-1-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/03/FOTO-2-1-1.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:12px"><em>Um dos momentos de diversão entre Bento e Pilar (Foto: Divulgação)</em> </p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim como as demais peças que assisto, somente no final do espetáculo que compreendo o significado do título e a sua relação com o roteiro. Neste caso, entendi o sentido do nome, mas não entendi o vínculo com o texto; de fato, a frase “eu te amo” não é falada em toda a peça, mas tem um motivo: porque não há amor ali.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não, não me refiro aos atores, que são casados; mas aos personagens, que ainda estavam em seu primeiro encontro. Deixando de lado a fúnebre coincidência do roteiro – que prefiro não “<em>spoilar” </em>– os dois não têm nenhuma relação prévia entre si, e o título pretende forçar que já existe um amor ali mesmo com apenas um encontro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora seja interessante esta proposta de considerar o “amor líquido” como amor real, em contraste com as demais peças que escarnecem desta característica da modernidade, ela não foi tão bem desenvolvida a ponto de considerá-la convincente. No final, é apresentada uma aceitável lição de moral sobre doação de órgãos, mas sem aprofundar nesta problemática.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Depois do fechar das cortinas, os atores explicam como surgiu a peça, a importância da doação de órgãos e suas apresentações no Instituto Hakumana, em Moçambique, que visa atender pacientes com HIV em situação de extrema pobreza, e associa com o valor social do teatro. Este foi o melhor momento da peça: mais que um produto da indústria cultural, foi mostrado que o teatro tem um papel de protagonismo na transformação de seus espectadores, que nunca saem do anfiteatro da mesma forma que entraram.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em suma, um bom adjetivo para descrever a peça é “bacaninha”. Agrada ao público médio que só quer uma diversão para relaxar, com uma dupla de atores entrosada e com uma boa pauta social. Por outro lado, o roteiro bagunçado e a reviravolta sem sustentação no roteiro podem incomodar os espectadores mais exigentes, mas sem atrapalhar a diversão. Nesta peça, aprendemos com Bento que “uma história sempre dá espaço para outra”, e saímos do espetáculo com esperança que os próximos sejam ainda melhores.</p>
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		<title>Quem é Quem: quando o nonsense encontra o riso fácil</title>
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		<pubDate>Fri, 18 Oct 2019 22:07:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Teatro]]></category>
		<category><![CDATA[Bauru]]></category>
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		<category><![CDATA[Mateus Conte]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Mateus Conte A peça Quem é Quem, protagonizada por Eri Johnson e Viviane Araújo e encenada no dia 22 de setembro no Teatro Municipal de Bauru, representa bem as comédias de relacionamento que vemos frequentemente nos palcos brasileiros. A peça retrata o encontro de Luciano, ou Lobo Solitário (Eri Johnson), e Luciana, ou Gata Maluca &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/quem-e-quem-teatro-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Quem é Quem: quando o nonsense encontra o riso fácil"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><figure id="attachment_13068" aria-describedby="caption-attachment-13068" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-13068" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/Foto-1-1024x682.jpg" alt="" width="840" height="559" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/Foto-1-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/Foto-1-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/Foto-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/Foto-1-1200x800.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/Foto-1.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-13068" class="wp-caption-text">Viviane Araújo e Eri Johnston, as estrelas de Quem é Quem (Foto: Assessoria)</figcaption></figure></p>
<p><strong>Mateus Conte</strong></p>
<p>A peça Quem é Quem, protagonizada por Eri Johnson e Viviane Araújo e encenada no dia 22 de setembro no Teatro Municipal de Bauru, representa bem as comédias de relacionamento que vemos frequentemente nos palcos brasileiros.</p>
<p><span id="more-13067"></span></p>
<p>A peça retrata o encontro de Luciano, ou Lobo Solitário (Eri Johnson), e Luciana, ou Gata Maluca (Viviane Araújo), frequentadores de salas de bate-papo. A presença do jurássico Bate-Papo UOL demonstra, inclusive, o atraso do mainstream teatral em captar as tendências do momento.</p>
<p>A peça apresenta a sua peripécia logo nos primeiros dez ou quinze minutos, o que acaba por transmitir uma surpresa incompleta: de nada adianta reverter as nossas impressões das personagens se elas estão ainda muito precoces para possibilitar um verdadeiro “Ooooh” da plateia.</p>
<p>De início, imaginamos que os personagens são apenas dois solteiros querendo se conhecer; pouco tempo depois, descobrimos que “Lobo Solitário” é um assaltante high-tech que marca encontros para roubar seus parceiros – ou vítimas – e “Gata Maluca” é uma ninfomaníaca, que não respeita nem os laços conjugais de seus pretendentes.</p>
<p>Apesar disso, a peça é bem engraçada, cumprindo o seu propósito e atingindo bem o seu público. O roteiro é um tanto nonsense; todas as falas e o andamento do script não buscam a lógica narrativa, mas objetivam apenas o riso fácil. Isso se pode perceber na repetição ilógica das falas e uso de bordões. Já o cenário, por sua vez, é muito bonito e cumpre o seu papel, apesar de não ser explicitado onde exatamente a história se passa.</p>
<p><figure id="attachment_13069" aria-describedby="caption-attachment-13069" style="width: 550px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-13069" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/Foto-21.jpg" alt="" width="550" height="366" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/Foto-21.jpg 550w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/Foto-21-300x200.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 550px) 85vw, 550px" /><figcaption id="caption-attachment-13069" class="wp-caption-text">(Foto: Assessoria)</figcaption></figure></p>
<p>A peça se inicia com uma conversa de Eri Johnson com a plateia, falando sobre as diferenças dos tempos antigos para os atuais, especialmente na paquera, com o advento das salas de bate-papo (o uso de apelidos para os personagens é indicativo disso) e aplicativos de namoro. A partir deste momento a produção permite a realização de lives nas redes sociais, mas apenas por poucos minutos.</p>
<p>No meio da peça, Eri trava e diz que o roteirista não terminou o texto. Esta <a href="https://www.teclasap.com.br/gag/">gag</a> metalinguística é o início de uma conversa de Eri Johnson com a plateia, onde contou a história de como o elenco para a peça foi selecionado. Tempo depois, podemos supor que é tudo uma invenção da cabeça do ator.</p>
<p>A exemplo das demais peças do gênero, os diálogos são recheados de referências sexuais (por vezes diretas, por vezes sutis), “guerra dos sexos” e palavrões, especialmente da parte do Eri Johnson. Já um diferencial desta peça para as demais são as referências aos memes populares do momento.</p>
<p>Eri Johnson e Viviane Araújo, voltem sempre!</p>
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		<title>A Verdade: a ironia já começa no título</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Aug 2019 22:51:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Teatro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Mateus Conte A peça &#8220;A Verdade&#8221;, de Florian Zeller, foi apresentada neste sábado (24/08), no Teatro Municipal de Bauru. Dirigida por Marcus Alvisi com tradução de Silvio Albuquerque, a apresentação contou com Diogo Vilela, Bia Nunnes, Paulo Trajano e Carolina Gonzalez, tendo tradução simultânea em Libras (Língua Brasileira de Sinais). Durante seus 80 minutos, o &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-verdade-teatro-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Verdade: a ironia já começa no título"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><figure id="attachment_12655" aria-describedby="caption-attachment-12655" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-12655" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/Foto-1-1024x682.jpeg" alt="" width="840" height="559" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/Foto-1-1024x682.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/Foto-1-300x200.jpeg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/Foto-1-768x512.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/Foto-1-1200x800.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/Foto-1.jpeg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-12655" class="wp-caption-text">Na foto, felizes. Já na encenação… (Foto: Dalton Valério/Divulgação)</figcaption></figure></p>
<p><strong>Mateus Conte</strong></p>
<p>A peça &#8220;A Verdade&#8221;, de Florian Zeller, foi apresentada neste sábado (24/08), no Teatro Municipal de Bauru. Dirigida por Marcus Alvisi com tradução de Silvio Albuquerque, a apresentação contou com Diogo Vilela, Bia Nunnes, Paulo Trajano e Carolina Gonzalez, tendo tradução simultânea em Libras (Língua Brasileira de Sinais).</p>
<p><span id="more-12654"></span></p>
<p>Durante seus 80 minutos, o espetáculo tratou, em suma, da (falta de) confiança no relacionamento conjugal. Em cena participam dois casais,&nbsp; que, em meio a ações e omissões cotidianas, descobrem segredos sórdidos uns dos outros. A história é formada pelo protagonista, Michel (Diogo Vilela), sua esposa Laura (Bia Nunnes), seu melhor amigo Paulo (Paulo Trajano) e sua esposa Alice (Carolina Gonzalez).</p>
<p>Michel é meticuloso em sua arquitetura das mentiras, simulando diversos estados psicológicos para esconder seus segredos e enganar os demais personagens, devido à sua crença que a mentira confortante é melhor que a verdade dolorosa. Ainda mais minucioso é Paulo, que com sua linguagem corporal pouco expressiva acaba tornando-se misterioso, aliado à sua fala tranquila que transmite um ar de autenticidade e, por vezes, consolador. Laura segue na mesma linha, de calmaria e mistério, sendo Alice é mais extrovertida, formando o contraponto a essas personagens. Essa quantidade abissal de mentiras torna o título da peça uma ironia per se.</p>
<p>A peça exige, de certo modo, uma dose de raciocínio para acompanhar as diversas reviravoltas na história, e discernimento para separar o que é verdade e o que é mentira. a cada peça que entra na trama, mais o nó na cabeça se aperta. Porém, devido ao seu desenvolvimento fluente, a peça conta com uma linguagem de fácil entendimento.</p>
<p>Talvez por isso, há tempos não via o público gargalhar tanto em um espetáculo – opinião compartilhada pelo próprio Diogo. O teatro, quase lotado, recebeu bem as piadas do roteiro, especialmente as referentes ao cinismo do personagem de Diogo Vilela, comemorando seus 50 anos de carreira de forma excelente neste espetáculo.</p>
<p><figure id="attachment_12656" aria-describedby="caption-attachment-12656" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-12656" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/Foto-2-1024x446.png" alt="" width="840" height="366" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/Foto-2-1024x446.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/Foto-2-300x131.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/Foto-2-768x334.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/Foto-2-1200x523.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/Foto-2.png 1240w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-12656" class="wp-caption-text">Michel e Alice em uma das cenas mais divertidas e ridículas – no bom sentido – da trama (Foto: Dalton Valério/Divulgação)</figcaption></figure></p>
<p>Honrando a escola francesa de teatro, o proeminente dramaturgo Florian Zeller produz uma obra que muito lembra o <a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1104200607.htm"><em>vaudeville</em></a>: comédia ligeira baseada em intrigas, seguindo os mestres do gênero Eugène Labiche e Georges Feydeau.</p>
<p>Criada em 2011, a peça teve rápido crescimento internacional, sendo sucesso de público e crítica. O texto ganhou o Prêmio Laurence Olivier 2017 de Melhor Comédia Estrangeira em Londres e atualmente tem montagens de sucesso por 13 países.</p>
<p>Seguindo uma tradição das últimas peças que passaram pela região, a peripécia e o reconhecimento encontram-se no final do texto, necessitando de outra apresentação para ser plenamente compreendida, desta vez com outro entendimento. No entanto, a peça teve apenas uma apresentação nas três cidades que passou.</p>
<p>O cenário é simples, mas muito bem planejado, de modo que os mesmos móveis conseguem formar quatro locais diferentes na encenação, mudando poucos elementos entre as cenas. O figurino ficou por conta de Ronald Teixeira e Guilherme Reis, que preferiram transmitir uma imagem formal e elegante, própria da alta classe francesa onde a história se passa. Pouco usa-se o áudio, mas quando teve de ser acionado entrou um pouco atrasado na cena. Entretanto, de nada atrapalhou o andamento da peça, que não pecou em nenhum outro momento. Já a iluminação, trabalho de Maneco Quinderé, é simples e sem mudanças bruscas, com claridade baixa sem perda de compreensão da expressão facial dos atores.</p>
<p><a href="http://diariodeuberlandia.com.br/noticia/21310">Em entrevista ao Diário de Uberlândia</a>, Diogo Vilela conta que a peça não dispôs de recursos de leis de incentivo, necessitando de arrecadação de recursos pelos próprios produtores. “A gente não esperava esse êxito, principalmente por estarmos trabalhando com o texto de um autor novo, que pouca gente conhecia”.</p>
<p>Diogo Vilela e grande elenco, voltem sempre!</p>
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