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	<title>Arquivos Maria Callas &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos Maria Callas &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>Maria Callas faz do comum uma estrela</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Oct 2024 19:00:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Davi Marcelgo Ao longo de quatro anos, Pablo Larraín dedicou seu trabalho de cineasta à Ditadura Militar chilena, com Tony Manero (2008), Post Mortem (2010) e No (2012). Desde 2016, o diretor agarrou outro gênero, parecido com o drama de época, a cinebiografia, com os filmes Jackie (2016) e Spencer (2021). Em 2024, sua visão &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/maria-callas-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Maria Callas faz do comum uma estrela"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34191" aria-describedby="caption-attachment-34191" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-34191" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/imagem-1-2-800x500.png" alt="Cena do filme Maria Callas. Na imagem, Maria está entre cortinas, segurando seu rosto com as duas mãos, uma em cada lado da face. Ela olha de canto com expressão séria. Usa um óculos grande, cabelo repartido ao meio e uma blusa de crochê na cor branca. Ela é uma mulher branca, de olhos claros, na faixa dos 50 anos." width="800" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/imagem-1-2-800x500.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/imagem-1-2-1024x640.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/imagem-1-2-768x480.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/imagem-1-2.png 1070w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34191" class="wp-caption-text">O filme estreou no Festival de Veneza em Agosto de 2024 (Foto: The Apartment Pictures)</figcaption></figure>
<p><strong>Davi Marcelgo</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo de quatro anos, Pablo Larraín dedicou seu trabalho de cineasta à Ditadura Militar chilena, com </span><i><span style="font-weight: 400;">Tony Manero</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2008), </span><i><span style="font-weight: 400;">Post Mortem</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2010) e </span><i><span style="font-weight: 400;">No</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2012). Desde 2016, o diretor agarrou outro gênero, parecido com o drama de época, a cinebiografia, com os filmes </span><i><span style="font-weight: 400;">Jackie</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2016) e </span><a href="https://personaunesp.com.br/spencer-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Spencer</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2021). Em 2024, sua visão sobre mulheres históricas do século XX adentra os palcos do Teatro Scala de Milão e registra os últimos dias de vida de Maria Callas (Angelina Jolie). </span><i><span style="font-weight: 400;">Maria Callas </span></i><span style="font-weight: 400;">foi selecionada para a </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/48a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;"> e faz parte da seção Perspectiva Internacional. </span></p>
<p><span id="more-34190"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como no filme de Lady Di, Callas é uma protagonista em profunda tristeza e com seus símbolos sólidos desmoronando: a Música, a fama e a orientação. Larraín, que já tinha acertado anteriormente, prefere destacar um período da história de sua musa ao invés de apanhar uma vida toda em 120 minutos. Ao fazer isso, há mais espaço para aprofundar a protagonista e menos para entender a carreira: Maria é maior que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=s-TwMfgaDC8"><span style="font-weight: 400;">La Callas</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa abordagem reflete a condição da personagem, que não se encontra mais no panteão de uma diva – a última apresentação dela foi em 1974. O mesmo não se pode dizer de Angelina Jolie, que com carões, voz e postura faz uma excelente atuação; às vezes hipnotizados, adormecemos a ideia de que conhecemos esse rosto de outros carnavais e de capas de revista: ela não é Jolie, é Callas. Em biografias, é muito fácil cair no </span><a href="https://personaunesp.com.br/bohemian-rapsody-aniversario-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">caricato</span></a><span style="font-weight: 400;"> (quando não intencionado) ou na imitação, mas a ‘Malévola’ atribui humanidade ao seu trabalho.</span></p>
<figure id="attachment_34192" aria-describedby="caption-attachment-34192" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-34192" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/imagem-2-1-800x467.png" alt="Cena do filme Maria Callas. Na imagem, Maria está se maquiando em frente ao espelho, a imagem que vemos é a refletida. Ela tem um penteado de topete, veste uma jaqueta de crochê na cor branca e segura um pincel. Na mesa em frente ao espelho há perfumes e outros cosméticos. Ao fundo há bustos de figuras gregas, um quadro e roupas. Ela é uma mulher branca, de olhos claros, na faixa dos 50 anos. " width="800" height="467" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/imagem-2-1-800x467.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/imagem-2-1-1024x597.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/imagem-2-1-768x448.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/imagem-2-1.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34192" class="wp-caption-text">Angelina Jolie treinou canto por sete meses (Foto: The Apartment Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A desconstrução de ícone para sujeito já começa no início com uma montagem que apresenta a grandiosidade da voz de Maria Callas e momentos de exaltação em sua vida, que são quebrados pela violenta realidade de não mais cantar em palcos, mas sim para a governanta da casa, que nem presta tanta atenção, pois se ocupa na cozinha. Pablo Larraín conduz a fragmentação de passado e presente através de cortes brutais que intercalam os tempos divergentes. Tal como </span><i><span style="font-weight: 400;">Spencer</span></i><span style="font-weight: 400;">, o cineasta também compõe uma </span><i><span style="font-weight: 400;">mise-en-scène</span></i><span style="font-weight: 400;"> interessante; objetos e figurinos em cena dizem algo sobre a cantora, como as cenas em que está envolta de heróis e </span><a href="https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-787/musas/"><span style="font-weight: 400;">musas</span></a><span style="font-weight: 400;"> da mitologia grega, um reflexo de quem ela é. Os espaços soberbos, em tamanho e importância, deixam-na diminuta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A desilusão e as realidades paralelas que Callas cria também são quebradas por alguém que a chama e a tira do delírio; em corais feitos para endeusar ela, na verdade, há vazio. É um retrato também muito melancólico, a soprano personifica seu remédio favorito em um jornalista que quer saber tudo a respeito dela: são poucos que estão dispostos a ouvir o passado e dores de uma estrela que já não brilha mais. Porém, o próprio Larraín é o Mandrax (Kodi Smit-McPhee), ele está interessado na história da grega, na saudades dos palcos, na relação com os funcionários e nos traumas da juventude. O que o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7r5F5nFNe4g"><span style="font-weight: 400;">diretor</span></a><span style="font-weight: 400;"> chileno propõe é uma provocação de choques entre muitas contradições, que deixam o espectador em uma montanha russa com destino para o abraço ao sujeito Maria.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Maria Callas </span></i><span style="font-weight: 400;">se assemelha com o filme da princesa britânica a partir da composição de espaços e a história de queda, mas é melhor. Um dos melhores filmes da Mostra e do ano, com certeza um forte concorrente para o </span><a href="https://www.termometrooscar.com/melhor-filme.html"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de 2025</span></a><span style="font-weight: 400;">. É um longa que vai durar mais que um </span><i><span style="font-weight: 400;">hype</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou a curiosidade de conhecer uma persona, porque é um projeto que se mantém nos dramas e sentimentos de um personagem humano, não de uma carreira apoteótica.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe title="MARIA | Official Teaser | STUDIOCANAL" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/4l1J14b96d4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Parabéns, Senhor Presidente e a rara sintonia entre contrários</title>
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		<pubDate>Fri, 14 Apr 2023 20:36:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Mateus Conte O Teatro Municipal de Botucatu recebeu, em uma noite de sábado, o drama musical Parabéns, Senhor Presidente &#8211; In Concert. A casa lotou para recepcionar as atrizes globais Claudia Ohana, que interpreta a soprano Maria Callas, e Juliana Knust, que dá vida à sex symbol Marilyn Monroe. Com texto de Fernando Duarte (que &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/parabens-senhor-presidente-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Parabéns, Senhor Presidente e a rara sintonia entre contrários"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30682" aria-describedby="caption-attachment-30682" style="width: 920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30682" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-1-1.jpg" alt="A foto em preto e branco apresenta as duas atrizes, Juliana Knust e Cláudia Ohana, vestidas como suas personagens. Ambas estão sorrindo e olhando para o lado esquerdo da câmera" width="920" height="738" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-1-1.jpg 920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-1-1-800x642.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-1-1-768x616.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30682" class="wp-caption-text">Marilyn Monroe e Maria Callas foram convidadas ao aniversário do presidente Kennedy; como seria se as duas tivessem se encontrado? (Foto: Pino Gomes/A Crítica)</figcaption></figure>
<p><b>Mateus Conte</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Teatro Municipal de </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-pior-de-mim-critica/"><span style="font-weight: 400;">Botucatu</span></a><span style="font-weight: 400;"> recebeu, em uma noite de sábado, o drama musical </span><i><span style="font-weight: 400;">Parabéns, Senhor Presidente &#8211; In Concert</span></i><span style="font-weight: 400;">. A casa lotou para recepcionar as atrizes globais Claudia Ohana, que interpreta a soprano Maria Callas, e Juliana Knust, que dá vida à </span><i><span style="font-weight: 400;">sex symbol</span></i> <a href="https://personaunesp.com.br/blonde-critica/"><span style="font-weight: 400;">Marilyn Monroe</span></a><span style="font-weight: 400;">. Com texto de Fernando Duarte (que estava presente naquela noite) e Rita Elmôr, a peça é uma adaptação musical para a obra de mesmo nome, encenada em 2019. A apresentação contou com entrada franca e ainda passa por seis municípios do estado, dentro da programação do Edital ProAC Expresso, através da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado de São Paulo.</span></p>
<p><span id="more-30680"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A peça retrata o encontro fictício entre as duas artistas nos bastidores do Madison Square Garden, casa de espetáculos na cidade estadunidense de Nova Iorque, por ocasião do 45º aniversário do então presidente John F. Kennedy, comemorado em 19 de Maio de 1962. O momento ficou marcado na memória coletiva dos anos 1960 com a imagem de Marilyn Monroe usando um sensual vestido coberto de cristais brilhantes, cantando aos sussurros a memorável </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Tr1Faa9cEbo"><i><span style="font-weight: 400;">Happy Birthday</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Nessa mesma noite, a maior estrela da ópera de todos os tempos, Maria Callas, foi protagonista da apresentação mais aplaudida da noite, ao interpretar </span><i><span style="font-weight: 400;">Habanera</span></i><span style="font-weight: 400;">, ária integrante da ópera </span><i><span style="font-weight: 400;">Carmen</span></i><span style="font-weight: 400;">, apresentações cujos vídeos foram exibidos ao fundo do cenário da peça.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Independentes e bem-sucedidas, </span><a href="https://eduerj.com/a-mulher-nos-anos-60-uma-perspectiva-de-genero/"><span style="font-weight: 400;">o que era raro nos anos 1960</span></a><span style="font-weight: 400;">, as icônicas personagens partem de suas próprias histórias para, durante 65 minutos, mergulhar no drama feminino dos tempos modernos, abordando o papel a ser desempenhado pelas mulheres em um mundo ainda governado pelos homens. No entanto, a narrativa da obra não deixa de também envolver o público masculino, pois apresenta as consequências de relações abusivas no trato psicológico das protagonistas.</span></p>
<figure id="attachment_30683" aria-describedby="caption-attachment-30683" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30683" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-2.webp" alt="Juliana Knust, trajada com o sensual vestido de brilhantes utilizado por Monroe na festa de aniversário de Kennedy, está com os braços abertos enquanto olha para o lado esquerdo da câmera. Seu braço esquerdo segura uma blusa branca e felpuda, que se encontra no encosto de uma cadeira branca, com estampa losangular e pernas de madeira marrom-escuro. Outra cadeira idêntica aparece ao lado direito de Monroe. Atrás dela, encoberto por seu corpo, é visível uma garrafa" width="768" height="512" /><figcaption id="caption-attachment-30683" class="wp-caption-text">Marilyn Monroe sofreu com relações abusivas ao longo da vida (Foto: Roberto Filho/Brazil News)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Exemplo disso são os relatos das crises conjugais de Monroe com a lenda do </span><i><span style="font-weight: 400;">baseball</span></i><span style="font-weight: 400;"> Joe DiMaggio, que lhe abusava fisicamente. O momento impactante é muito bem utilizado pelo espetáculo para divulgar a campanha contra a violência doméstica </span><a href="https://www.gov.br/mdh/pt-br/ligue180"><span style="font-weight: 400;">Ligue 180</span></a><span style="font-weight: 400;">, projetado no seu sóbrio cenário, que se passa no camarim da apresentação ao presidente Kennedy. Também choca a ocasião em que a atriz fala sobre os abortos espontâneos que sofreu, em uma carga dramática impressionante.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As personagens viviam momentos distintos em sua vida. Em pleno auge profissional, Marilyn estava cansada de ser vista apenas como um </span><a href="https://yatahaze.medium.com/anatomia-de-um-s%C3%ADmbolo-sexual-9e3c9e151635"><span style="font-weight: 400;">símbolo sexual</span></a><span style="font-weight: 400;">. Amante do presidente JFK, ela sentia-se preterida pela primeira-dama Jacqueline Kennedy –  um dos fatores que supostamente desencadeou seu vício em bebida e calmantes, o que lhe resultou na morte por overdose de barbitúricos, em 1962 (embora a peça aposte na </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2022/08/09/os-misterios-que-ainda-persistem-sobre-a-morte-de-marilyn-monroe-apos-60-anos.ghtml"><span style="font-weight: 400;">hipótese de homicídio</span></a><span style="font-weight: 400;"> por parte de um agente da CIA, a Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Callas, por sua vez, se incomoda com os críticos – inclusive ironizando aqueles que redigem críticas culturais nos jornais – e reconhece que sua voz está se exaurindo aos poucos. Ela ainda sofre por ter priorizado a arte em detrimento de sua vida pessoal, enfrentando problemas no relacionamento com o magnata grego </span><a href="https://revistaquem.globo.com/QUEM-News/noticia/2021/04/biografia-revela-que-maria-callas-foi-drogada-e-abusada-por-aristotle-onassis.html"><span style="font-weight: 400;">Aristóteles Onassis</span></a><span style="font-weight: 400;">. As crises conjugais passadas pelas personagens são os momentos em que o texto mais investe em comédia, incluindo piadas sexuais que levaram o público às gargalhadas, à revelia da classificação indicativa de 14 anos.</span></p>
<figure id="attachment_30681" aria-describedby="caption-attachment-30681" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30681" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-3.webp" alt="Cláudia Ohana, trajada com o clássico vestido vermelho de Maria Callas, sorri enquanto olha para cima, levantando sua mão direita em poética interpretação em frente a um fundo com cortinas brancas reluzentes" width="768" height="512" /><figcaption id="caption-attachment-30681" class="wp-caption-text">Maria Callas passa por tribulações em seu casamento (Foto: Roberto Filho/Brazil News)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A conversa entre Callas, introspectiva e melancólica, e Monroe, extrovertida e sanguínea, resulta em uma rara sintonia entre contrários, também espelhados na destoância entre seus figurinos e suas caracterizações, que refletem suas personalidades distintas. Enquanto os espontâneos desabafos de Marilyn são respondidos pela grega com sua objetividade racional, assemelhando-se a uma terapeuta, as confissões da soprano são devolvidas com espirituosidade e uma certa dose de despudor pela atriz, em oposição ao </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2022/09/29/marilyn-monroe-foi-a-indecifravel-esfinge-que-acabou-devorado-por-hollywood.htm"><span style="font-weight: 400;">momento difícil</span></a><span style="font-weight: 400;"> pelo qual sua vida passava.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A nova adaptação, </span><i><span style="font-weight: 400;">In Concert</span></i><span style="font-weight: 400;">, conta com canções compostas por Maíra Freitas e interpretadas pelas atrizes, tanto em duetos como em solos, tanto em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=KlWPLbVoWfQ"><span style="font-weight: 400;">óperas</span></a><span style="font-weight: 400;"> como em ritmos convencionais. Surpreende a excelência na execução das músicas, tanto por Ohana quanto por Knust, bem como a qualidade do arranjo e das letras, totalmente em português. A cena em que Callas ensina técnicas vocais para Monroe é um dos (muitos!) pontos altos do espetáculo, momentos em que nos perguntamos quais fatos apontados naquele roteiro realmente ocorreram na vida real.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dentre os aspectos técnicos, ressaltam-se a captação de som, realizada por meio de microfones de cabeça que valorizam as </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2HXr2cKNm2M"><span style="font-weight: 400;">vozes das atrizes</span></a><span style="font-weight: 400;">, assim como a iluminação, que variava conforme a intensidade das emoções de cada momento da peça, cujas cenas são divididas por sessões musicais. A última delas é a principal apoteose de<em> Parabéns, Senhor Presidente</em>, fechando-se as cortinas e encerrando-se o espetáculo em grande estilo, combinando aquelas duas figuras tão distintas através de uma de suas poucas paixões em comum: a Arte.</span></p>
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