<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	
	xmlns:georss="http://www.georss.org/georss"
	xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#"
	>

<channel>
	<title>Arquivos Marguerite Duras &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<atom:link href="http://personaunesp.com.br/tag/marguerite-duras/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/marguerite-duras/</link>
	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
	<lastBuildDate>Thu, 01 Jun 2023 12:56:24 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=7.0.2</generator>

<image>
	<url>http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/cropped-icon-certo-cristo-32x32.png</url>
	<title>Arquivos Marguerite Duras &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/marguerite-duras/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
<site xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">119746480</site>	<item>
		<title>Estante do Persona &#8211; Abril de 2023</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-abril-de-2023/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-abril-de-2023/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 31 May 2023 20:42:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Alfaguara]]></category>
		<category><![CDATA[Assassinos da Lua das Flores]]></category>
		<category><![CDATA[Autobiografia]]></category>
		<category><![CDATA[Biografia]]></category>
		<category><![CDATA[Bruno Andrade]]></category>
		<category><![CDATA[C.J. Tudor]]></category>
		<category><![CDATA[Cinderela está morta]]></category>
		<category><![CDATA[Clube do Livro]]></category>
		<category><![CDATA[Clube do Livro Abril 2023]]></category>
		<category><![CDATA[Companhia das Letras]]></category>
		<category><![CDATA[David Grann]]></category>
		<category><![CDATA[Emmanuel Carrère]]></category>
		<category><![CDATA[Enzo Caramori]]></category>
		<category><![CDATA[Estante do Persona]]></category>
		<category><![CDATA[Estrela solitária]]></category>
		<category><![CDATA[Gabrielli Natividade]]></category>
		<category><![CDATA[Galera]]></category>
		<category><![CDATA[Globo Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Guilherme Veiga]]></category>
		<category><![CDATA[Intrínseca]]></category>
		<category><![CDATA[Ioga]]></category>
		<category><![CDATA[Jamily Rigonatto]]></category>
		<category><![CDATA[Kalynn Bayron]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Marguerite Duras]]></category>
		<category><![CDATA[Moderato Cantabile]]></category>
		<category><![CDATA[Nathalia Tetzner]]></category>
		<category><![CDATA[O Homem de Giz]]></category>
		<category><![CDATA[Prêmio Jabuti]]></category>
		<category><![CDATA[Relicário]]></category>
		<category><![CDATA[Rita Lee]]></category>
		<category><![CDATA[Rita Lee: uma autobiografia]]></category>
		<category><![CDATA[Ruy Castro]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=31012</guid>

					<description><![CDATA[<p>A edição do Clube do Livro de Abril marca o vigésimo encontro do grupo de leitores do Persona. Depois de caminharem por autores e, principalmente, autoras, que expandiram todos os limites das perspectivas, foi a vez de dar de cara com a marcante figura do rock brasileiro, Rita Lee, em Rita Lee: uma autobiografia. Falecida &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-abril-de-2023/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona &#8211; Abril de 2023"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-abril-de-2023/">Estante do Persona &#8211; Abril de 2023</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31019" aria-describedby="caption-attachment-31019" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-31019" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/capawp_estantepersona-800x420.jpg" alt="Imagem retangular de fundo verde. Do lado direito está o livro Rita Lee: uma autobiografia, ele tem capa laranja, com um RG da artista no centro e o nome Rita Lee em cima. Do lado esquerdo há três livros empilhados nas cores preto, vermelho e violeta, o texto Estante do Persona Abril de 2023 aparece nas lombadas. " width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/capawp_estantepersona-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/capawp_estantepersona-768x404.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/capawp_estantepersona.jpg 1024w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31019" class="wp-caption-text">Caminhando pela singularidade subversiva de uma das maiores artistas do Brasil, o Clube do Livro de Abril contemplou Rita Lee: uma autobiografia (Foto: Globo Livros/ Arte: Raíra Tiengo/ Texto de abertura: Jamily Rigonatto)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A edição do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/clube-do-livro/"><span style="font-weight: 400;">Clube do Livro</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Abril marca o vigésimo encontro do grupo de leitores do </span><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;">. Depois de caminharem por autores e, principalmente, autoras, que expandiram todos os limites das perspectivas, foi a vez de dar de cara com a marcante figura do </span><i><span style="font-weight: 400;">rock brasileiro,</span></i><span style="font-weight: 400;"> Rita Lee, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Rita Lee: uma autobiografia</span></i><span style="font-weight: 400;">. Falecida no dia 8 de Maio de 2023, a contemplação da obra da artista se formata em tons de saudosismo e admiração. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em pequenos relatos que caminham desde a infância até a vida adulta agitada, o texto encara a distinção das fases em períodos curtos, palavras estrangeiras e gírias paulistanas. Através da óptica completamente única, a autoria de cada termo quase grita </span><a href="https://personaunesp.com.br/rita-lee-40-anos/"><span style="font-weight: 400;">Rita Lee</span></a><span style="font-weight: 400;">. Direta e reta como sempre, seus afetos, vivências, tristezas e o que mais houver cantam em notas vibrantes e extremamente características. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além da voz da </span><a href="https://f5.folha.uol.com.br/celebridades/2022/11/rita-lee-gosto-mais-de-ser-chamada-de-padroeira-da-liberdade-do-que-rainha-do-rock.shtml"><span style="font-weight: 400;">“padroeira da liberdade”</span></a><span style="font-weight: 400;"> – apelido pelo qual gostava de ser chamada –, o escrito conta com os pitacos do jornalista Guilherme Samora, representado pela aparição de um fantasma chamado Phantom. A figura aparece em determinados trechos para indicar algum detalhe ou data esquecidos pela artista, e contribui para aumentar a sensação de autenticidade dos capítulos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Publicada em 2016, a obra foi consagrada no mesmo ano com o título de Melhor Biografia do Prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes), a artista também foi lembrada por suas contribuições no universo musical durante a cerimônia. Em 2017, o livro apareceu entre os indicados da categoria de Melhor Biografia da estatueta oferecida pela Academia Brasileira de Letras (ABL), o </span><a href="https://www.instagram.com/p/Clmi7GXu-Og/?igshid=MmJiY2I4NDBkZg=="><span style="font-weight: 400;">Prêmio Jabuti</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O relato é o primogênito da segunda autobiografia de Rita, intitulada </span><a href="https://www.publishnews.com.br/materias/2023/05/26/rita-lee-outra-autobiografia-estreia-na-lista-de-mais-vendidos-do-publishnews-antes-do-lancamento-oficial"><i><span style="font-weight: 400;">Rita Lee: outra autobiografia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A caçula chegou ao mundo em Maio, pouco tempo depois da morte da autora, e carrega em 192 páginas memórias que contemplam os momentos da cantora com a descoberta do câncer de pulmão durante o período pandêmico. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo se seu RG não estampasse a capa do livro, o escolhido do mês não poderia ter sua assinatura confundida com a de nenhuma outra literata. Marcado por originalidade e cheio de personalidade, o ato de ler e viver Rita Lee foi e sempre será um presente. Para homenagear as múltiplas sensações provocadas pela eterna Rainha, ficam nossas dicas literárias especialmente para os que têm cor de </span><a href="https://www.youtube.com/channel/UCyFDNBI2AJaqILTR_3dn9aA"><span style="font-weight: 400;">Tutti Frutti </span></a><span style="font-weight: 400;">no <strong>Estante do Persona de Abril de 2023</strong>.</span></p>
<p><span id="more-31012"></span></p>
<h3><strong>Livro do Mês</strong></h3>
<figure id="attachment_31021" aria-describedby="caption-attachment-31021" style="width: 542px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-31021" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Rita-1-542x800.jpg" alt="Capa do livro Rita Lee: uma autobiografia. O RG de Rita Lee esta centralizado em um fundo laranja. Na porção su´perior há o nome da artista em letras bastão verdes. Na porção inferior há o texto &quot; uma autobiografias&quot; em letras cursivas verdes. " width="542" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Rita-1-542x800.jpg 542w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Rita-1.jpg 677w" sizes="(max-width: 542px) 85vw, 542px" /><figcaption id="caption-attachment-31021" class="wp-caption-text">A primeira autobiografia da artista foi um sucesso editorial quando lançada, com mais de 98 mil exemplares vendidos (Foto: Globo Livros)</figcaption></figure>
<p><b>Rita Lee &#8211; Rita Lee: uma autobiografia (296 páginas, Globo Livros)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No dia 8 de maio de </span><span style="font-weight: 400;">2023, </span><span style="font-weight: 400;">noites alienígenas ganharam, para a eternidade, um disco voador meio biruta – com um quê de estrela do rock – para sua imensidão de UFOs e objetos luminosos estranhos. A escolha do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/clube-do-livro/"><span style="font-weight: 400;">Clube do Livro</span></a><span style="font-weight: 400;"> do Persona convergiu, numa coincidência que só poderia acontecer a essa figura, com a </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2023/05/09/em-autobiografia-rita-lee-deixou-profecia-sobre-repercussao-de-sua-morte.ghtml#trecho"><span style="font-weight: 400;">partida intergalática</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Rita Lee, depois de uma luta vencida contra o câncer, relatada em </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2023/05/23/rita-lee-escapa-com-vida-ao-narrar-com-sagacidade-os-dias-de-luta-contra-o-cancer-em-outra-autobiografia.ghtml"><span style="font-weight: 400;">outra autobiografia</span></a><span style="font-weight: 400;">. O </span><a href="https://forbes.com.br/colunas/2018/02/rita-lee-e-a-autora-brasileira-que-mais-vendeu-livros-de-nao-ficcao-em-2017/"><span style="font-weight: 400;">primeiro relato</span></a><span style="font-weight: 400;"> que a artista compõe de si mesma, afastando de si um tanto da personagem ‘</span><i><span style="font-weight: 400;">‘ritalee</span></i><span style="font-weight: 400;">’’ dos grandes palcos e telas para expor a intimidade de sua infância e dos bastidores de sua carreira musical, é um enquadramento mais explícito e retrospectivo de si mesma. Da infância na Vila Mariana – tecendo ao leitor uma experiência imersiva de uma São Paulo nos anos 1960 – à caminhada ao estrelato, Lee Jones é modesta com sua própria história, um espaço garantido no cânone de revolucionários e agitadores dos costumes. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pisando no terreno das escritas de si, Rita Lee, como sempre, deixa os panos caírem e inverte o jogo. Em </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/vitrine/rita-lee-conheca-as-duas-biografias-escritas-pela-cantora/"><i><span style="font-weight: 400;">Rita Lee: uma autobiografia</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">a centralidade de tudo é a sua própria história, onde o si tem mais importância e mais corpo que o valor literário de tudo, que também é imenso. O ímpeto cômico e ultrajado que atravessa sua música é, também, um registro de sua escrita. Em seu característico humor ácido, cheio de sacadas inteligentíssimas, a artista se estabelece como canhota por escolha, alienígena de nascença e ovelha negra tingida. </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/augusto-nunes/8216-poema-de-sete-faces-8217-de-carlos-drummond-de-andrade#:~:text=Quando%20nasci%2C%20um%20anjo%20torto%0Adesses%20que%20vivem%20na%20sombra%0Adisse%3A%20Vai%2C%20Carlos!%20ser%20gauche%20na%20vida."><i><span style="font-weight: 400;">Gauche </span></i><span style="font-weight: 400;">na vida</span></a><span style="font-weight: 400;">, a artista relata sua experiência andando contra os sentidos pré-estabelecidos; seja do mundo da música – hibridizando o </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> estadunidense à </span><i><span style="font-weight: 400;">bossa nova</span></i><span style="font-weight: 400;"> e ao psicodélico da </span><i><span style="font-weight: 400;">tropicália</span></i><span style="font-weight: 400;"> – ou no papel instituído às mulheres nesse cenário, que, por sinal, toma o centro da narrativa em seu relato dos bastidores do </span><a href="https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/verso/rita-lee-foi-expulsa-dos-mutantes-por-ex-marido-historia-e-contada-em-autobiografia-1.3366830"><span style="font-weight: 400;">término</span></a><span style="font-weight: 400;"> de sua trajetória com </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Mutantes</span></i><span style="font-weight: 400;">. Uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wU4gpw3gYiw"><span style="font-weight: 400;">Maria Mole</span></a><span style="font-weight: 400;"> de uma revolução feita aos berros e aos acordes de guitarra, Lee Jones foi transeunte entre estilos, ideias e gerações: entre </span><a href="https://novabrasilfm.com.br/notas-musicais/curiosidades/historia-da-musica-pagu-de-rita-lee-e-zelia-duncan/"><span style="font-weight: 400;">Pagu</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://artsandculture.google.com/story/KQWBBi19jjt_yg?hl=pt-BR"><span style="font-weight: 400;">Gil</span></a><span style="font-weight: 400;">, nunca houve uma revolução como a de Rita.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Rita Lee: uma autobiografia - Clube do Livro Abril de 2023" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/7dG2PQeCnozOP7wlOS3RNZ?si=f53c25eb2ea14406&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
<hr />
<h3><strong>Dicas do Mês </strong></h3>
<figure id="attachment_31037" aria-describedby="caption-attachment-31037" style="width: 554px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-31037" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/0fa060f691528fbf2e81379d8ad73906-e1685560813811-554x800.jpeg" alt="Capa do livro O Homem de Giz. O fundo da imagem é preto, e o título é escrito em branco, em letras de forma semelhante a giz. Abaixo do título há um desenho de giz de um homem palito enforcado. Na parte central inferior está o nome da autora em vermelho, também semelhante a giz. No canto inferior direito está o nome da editora." width="554" height="800" data-wp-editing="1" /><figcaption id="caption-attachment-31037" class="wp-caption-text">Em O Homem de Giz, não dá para confiar em ninguém (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><b>C. J. Tudor &#8211; O Homem de Giz (334 páginas, Intrínseca)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Guiadas por desenhos de giz, quatro crianças encontram um corpo mutilado no bosque e suas vidas mudam para sempre. </span><a href="https://www.amorporlivros.com.br/livros-cj-tudor/"><span style="font-weight: 400;">C. J. Tudor</span></a><span style="font-weight: 400;"> é um grande nome da literatura do gênero de mistério e </span><i><span style="font-weight: 400;">O Homem de Giz</span></i><span style="font-weight: 400;"> é, com razão, um de seus títulos mais famosos. O primeiro livro da autora narra as dúvidas e as consequências que envolvem um assassinato que chocou a cidade de Anderbury. Ao longo da história, fica claro que qualquer pessoa guarda os seus segredos, alguns maiores e mais nocivos do que outros.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama é contada por Eddie Adams, um dos responsáveis por encontrar o corpo. Na sua narrativa, os fatos são contados em duas linhas temporais: uma em 1986 e outra em 2016. Esse é um recurso interessante capaz de prender a atenção do leitor até o final, além de explicitar como escolhas e acontecimentos do passado podem afetar o presente. Para quem é fã dos mistérios de Stephen King ou de </span><a href="https://personaunesp.com.br/stranger-things-4-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Stranger Things</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Homem de Giz</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma ótima pedida. </span><b>&#8211; Gabrielli Natividade<br />
</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_31026" aria-describedby="caption-attachment-31026" style="width: 534px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31026" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Assassinos-da-Lua-das-Flores-1-534x800.jpg" alt="Capa do livro Assassinos da Lua das Flores. A capa, que é em um branco envelhecido, onde tem uma torre antiga de extração de petróleo, toda na cor vermelha ao fundo, um carro antigo de luxo, onde há um nativo americano homem dirigindo e uma nativa americana no banco de trás, na cor preta. Ao centro, em letra maiúscula preta, o título “ASSASSINOS DA LUA DAS FLORES” e logo abaixo,em letras minúsculas pretas “Petróleo, morte e a criação do FBI”. Um pouco mais abaixo, em maiúsculas pretas,há o nome do autor “DAVID GRANN”. No canto superior esquerdo, também em letras pretas, está com aspas &quot;PERTURBADOR E ENVOLVENTE” e logo abaixo “Dave Eggers, New York Times Book Review”. No canto superior direito, há a logo da editora, composta de uma moto e um sidecar, onde um homem, com roupas antigas de motoqueiro dirige, e um menino que está no sidecar, que é seguido abaixo por uma linha e o nome “COMPANHIA DAS LETRAS”, todos na cor preta" width="534" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Assassinos-da-Lua-das-Flores-1-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Assassinos-da-Lua-das-Flores-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Assassinos-da-Lua-das-Flores-1-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Assassinos-da-Lua-das-Flores-1-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Assassinos-da-Lua-das-Flores-1-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Assassinos-da-Lua-das-Flores-1-1200x1799.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Assassinos-da-Lua-das-Flores-1.jpg 1654w" sizes="auto, (max-width: 534px) 85vw, 534px" /><figcaption id="caption-attachment-31026" class="wp-caption-text">A aclamada obra literária se prepara também para se tornar uma aclamada obra cinematográfica (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>David Grann &#8211; Assassinos da Lua das Flores: Petróleo, morte e a criação do FBI (392 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O jornalista e redator da </span><i><span style="font-weight: 400;">The New Yorker</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.newyorker.com/contributors/david-grann"><span style="font-weight: 400;">David Grann</span></a><span style="font-weight: 400;">, já tem uma certa lista de obras que são aclamadas e migraram para a Sétima Arte. Porém, uma de suas maiores joias estava intocada até 2023: </span><i><span style="font-weight: 400;">Assassino da Lua das Flores</span></i><span style="font-weight: 400;">. A obra é uma incursão sobre a primeira grande investigação do que seria o FBI: uma série de assassinatos em 1920 no condado de Osage, Oklahoma. Dois pontos deixam o mistério ainda mais interessante: Osage, na época, abrigava as pessoas com maior renda per capita do mundo, devido à descoberta de petróleo na região; e essas pessoas eram nativos americanos, pois o nome da região remete ao nome da etnia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Grann consegue atribuir uma linguagem </span><i><span style="font-weight: 400;">western</span></i><span style="font-weight: 400;"> para o livro, ao mesmo tempo que o desmistifica e 0 mescla com um <a href="https://personaunesp.com.br/todo-dia-a-mesma-noite-critica/">livro-reportagem</a> – fruto de muita pesquisa. Aqui, o </span><i><span style="font-weight: 400;">big-bang</span></i><span style="font-weight: 400;"> não é frenético e aventuresco, mas sim friamente calculado e vil. Abusando do grafismo, o autor retira o filtro que a América colocou em seu processo de formação e escancara como o dinheiro e o capitalismo estadunidense corromperam seu próprio território. </span><b>&#8211; Guilherme Veiga</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_31024" aria-describedby="caption-attachment-31024" style="width: 558px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31024" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Estrela-Solitaria-1-558x800.jpg" alt="Capa do livro Estrela Solitária: Um Brasileiro Chamado Garrincha do autor Ruy Castro. Na imagem, o jogador de futebol aparece sentado no braço de uma cadeira de repouso. A câmera o captura por inteiro e com uma das mãos apoiada na cabeça. Há um filtro sobre a fotografia que a deixa em tons amarronzados em meio ao preto e branco. Na parte superior direita, o nome do autor “Ruy Castro” está escrito em tom marrom. Abaixo, segue o nome da obra “Estrela Solitária: Um Brasileiro Chamado Garrincha” em tom branco e marrom. Na parte inferior direita, o logo da Companhia das Letras aparece em branco." width="558" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Estrela-Solitaria-1-558x800.jpg 558w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Estrela-Solitaria-1.jpg 698w" sizes="auto, (max-width: 558px) 85vw, 558px" /><figcaption id="caption-attachment-31024" class="wp-caption-text">O livro ganhou o Prêmio Jabuti de Melhor Ensaio e Biografia em 1996 (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Ruy Castro &#8211; Estrela Solitária: Um Brasileiro Chamado Garrincha (536 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Responsável por grandes contribuições ao jornalismo biográfico e literário, </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2023/03/conheca-obra-de-ruy-castro-que-toma-posse-na-academia-brasileira-de-letras.shtml"><span style="font-weight: 400;">Ruy Castro</span></a><span style="font-weight: 400;"> reúne a mitologia e o drama particular que cercam o jogador de futebol Garrincha, uma das figuras mais </span><a href="https://www.lance.com.br/botafogo/saudades-garrincha-faz-anos-seu-futebol-segue-driblando-tempo.html"><span style="font-weight: 400;">idolatradas</span></a><span style="font-weight: 400;"> pelo Brasil durante a década de 60. Para realizar esse feito, o imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL) cruzou informações de centenas de entrevistas que proporcionam uma imersão extremamente realista, capaz de unificar todos os cinco sentidos do leitor em uma única experiência.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Das vielas estreitas do município de Magé até os grandes palcos do esporte mundial, Castro segue os rastros deixados por um talento nato que, por ser fruto de um país historicamente quebrado, teve a sua própria </span><a href="https://globoesporte.globo.com/bau-do-esporte/noticia/2013/01/alcool-e-bola-30-anos-apos-morte-de-mane-bebida-ainda-estraga-carreiras.html"><span style="font-weight: 400;">tragédia pessoal</span></a><span style="font-weight: 400;">. Através de sentenças que ecoam, </span><i><span style="font-weight: 400;">Estrela Solitária: Um Brasileiro Chamado Garrincha</span></i><span style="font-weight: 400;"> expõe o fato de que “anjo das pernas tortas” é um apelido digno apenas dentro das quatro linhas, uma vez que, fora delas, nada impediu o seu </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/revista-da-tv/elza-soares-conta-sua-versao-sobre-relacionamento-com-mane-garrincha-em-documentario-do-globoplay-25418157"><span style="font-weight: 400;">tormento</span></a><span style="font-weight: 400;"> e de quem esteve a sua volta. </span><b>&#8211; Nathalia Tetzner</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_31033" aria-describedby="caption-attachment-31033" style="width: 544px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31033" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/moderato2_v1_Ba-544x800.jpg" alt="" width="544" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/moderato2_v1_Ba-544x800.jpg 544w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/moderato2_v1_Ba-696x1024.jpg 696w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/moderato2_v1_Ba-768x1130.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/moderato2_v1_Ba.jpg 783w" sizes="auto, (max-width: 544px) 85vw, 544px" /><figcaption id="caption-attachment-31033" class="wp-caption-text">Um dos maiores sucessos editoriais de Marguerite Duras, Moderato Cantabile ganhou vida, em uma adaptação ao Cinema, pelas atuações de Jean-Paul Belmondo e Jeanne Moreau (Foto: Relicário)</figcaption></figure>
<p><b>Marguerite Duras &#8211; Moderato Cantabile (136 páginas, Relicário)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O arrebatamento. Talvez este seja um dos maiores temas que atravessam </span><i><span style="font-weight: 400;">Moderato Cantabile, </span></i><span style="font-weight: 400;">um dos primeiros romances da escritora e cineasta Marguerite Duras antes do roteiro de </span><i><span style="font-weight: 400;">Hiroshima, Meu Amor </span></i><span style="font-weight: 400;">e — seu ponto de virada ao cânone da literatura mundial — </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/veja-recomenda/o-amante-livro-de-marguerite-duras-e-sobretudo-um-desabafo-familiar"><i><span style="font-weight: 400;">O Amante</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">publicado em 1980. Uma história de paixão, incomunicabilidade e pulsão, onde o ato máximo do amor é levado ao máximo das sensibilidades, liderando um texto que beira um </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller </span></i><span style="font-weight: 400;">verborrágico. As tensões comumentes descritas por Duras, reflexiva sobre as relações de exterioridade e interioridade que compõe a complexidade do sentimento humano — numa seara mais radical que inspira, por exemplo, o método autobiográfico de </span><a href="https://personaunesp.com.br/?s=annie+ernaux"><span style="font-weight: 400;">Annie Ernaux</span></a><span style="font-weight: 400;"> —, anunciam, no romance até então esgotado no Brasil, a maior densidade psicológica que estruturam obras como </span><a href="https://revistacult.uol.com.br/home/memorias-da-dor-marguerite-duras/"><i><span style="font-weight: 400;">A Dor</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por seus diálogos incessantes, construídos por personagens que parecem, em suas falas, mais falarem sozinhos que com si mesmos, desenvolve-se uma narrativa estranha. Em </span><a href="https://www.relicarioedicoes.com/livros/moderato-cantabile/"><i><span style="font-weight: 400;">Moderato Cantabile</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">paira uma aura do erótico que precipita a sucumbir para a auto-destruição, personalizada pela paixão da personagem </span><span style="font-weight: 400;">Anne Desbaresdes</span><span style="font-weight: 400;"> a um homem da classe trabalhadora, incitada por uma</span><a href="https://www.jstor.org/stable/1208015"><span style="font-weight: 400;"> imagem específica</span></a><span style="font-weight: 400;">: um assassinato em um café, do lado da sala de um prédio onde seu filho faz aulas de piano, ao som de navios em um porto. O que, inicialmente, é extremamente individual e psicológico efervesce enquanto um drama social, que alcança seu desenlace em um estridente final, como o de uma sinfonia nunca tocada certo; mas ainda sim, potencial em sua expressão. &#8211; <strong>Enzo Caramori</strong></span></p>
<hr />
<figure id="attachment_31027" aria-describedby="caption-attachment-31027" style="width: 539px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31027" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/cinderela-esta-morta-1-1-539x800.jpg" alt="Capa do livro Cinderela está morta. No centro da imagem há uma mulher negra de cabelos crespos na altura dos ombros, ela veste um vestido de princesa azul. Ao fundo há uma floresta com árvores cheias de espinhos roxos. O título aparece em branco em cima da personagem. O nome da autora ocupa a porção inferior. " width="539" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/cinderela-esta-morta-1-1-539x800.jpg 539w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/cinderela-esta-morta-1-1-690x1024.jpg 690w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/cinderela-esta-morta-1-1-768x1140.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/cinderela-esta-morta-1-1-1035x1536.jpg 1035w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/cinderela-esta-morta-1-1-1380x2048.jpg 1380w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/cinderela-esta-morta-1-1-1200x1781.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/cinderela-esta-morta-1-1.jpg 1725w" sizes="auto, (max-width: 539px) 85vw, 539px" /><figcaption id="caption-attachment-31027" class="wp-caption-text">Em Cinderela está morta, o conto de fadas põe os pés na realidade (Foto: Galera)<b> <span style="color: #1a1a1a;"><span style="font-size: 16px;"> </span></span></b></figcaption></figure>
<p><b>Kalynn Bayron &#8211; Cinderela está morta (294 páginas, Galera) </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Todos nós já ouvimos os clássicos dos contos de fadas e conhecemos as histórias de ponta-cabeça, são eles que ditam os famosos clichês e nada de novo pode surgir disso. Determinada a fazer essa afirmação se quebrar, </span><a href="https://roommagazine.com/kalynn-bayron-author-of-cinderella-is-dead/"><span style="font-weight: 400;">Kalynn Bayron</span></a><span style="font-weight: 400;"> trouxe ao mundo </span><i><span style="font-weight: 400;">Cinderela está morta</span></i><span style="font-weight: 400;">. Criando um universo em que a Cinderela não só foi real, como é um parâmetro de comportamento para todas as mulheres, a autora nos apresenta à Sophia, uma protagonista cheia de representatividade e vontade de virar o jogo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Preparada para brigar pelas coisas nas quais acredita, a personagem levanta bandeiras e mostra que muitas vezes o tradicional é ultrapassado. De um jeito leve e encantador, o texto – traduzido por Karine Ribeiro e Érica Imenes – encara as faces do </span><a href="https://personaunesp.com.br/maid-critica/"><span style="font-weight: 400;">machismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> em uma narrativa mais brilhante que um sapatinho de cristal. Estabelecendo a juventude como uma arma engatilhada contra a opressão, Cinderela está morta borda a subversão nos detalhes de um vestido azul. <strong>&#8211; Jamily Rigonatto </strong></span></p>
<hr />
<figure id="attachment_31035" aria-describedby="caption-attachment-31035" style="width: 656px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-31035 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/ioga-1-1-656x1024.jpeg" alt="" width="656" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/ioga-1-1-656x1024.jpeg 656w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/ioga-1-1-513x800.jpeg 513w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/ioga-1-1-768x1198.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/ioga-1-1-985x1536.jpeg 985w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/ioga-1-1.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31035" class="wp-caption-text">Lançado na França em 2020, Ioga chegou ao Brasil em Fevereiro de 2023 sob tradução de Mariana Delfini (Foto: Alfagura)</figcaption></figure>
<p><b>Emmanuel Carrère &#8211; Ioga (272 páginas, Alfaguara)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em vários trechos de </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788556521613/ioga"><i><span style="font-weight: 400;">Ioga</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a mais recente obra publicada por </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/colunas/mariosergioconti/2023/02/emmanuel-carrere-atinge-o-nirvana-em-ioga-e-ai-se-enterra-na-baixaria.shtml"><span style="font-weight: 400;">Emmanuel Carrère</span></a><span style="font-weight: 400;">, há a explanação, principalmente no primeiro capítulo, de seu desejo antigo de fazer &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">um livrinho simpático e perspicaz</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8221; sobre o ioga. Embora a primeira parte pareça realmente seguir essa receita, mesmo que alguns trechos viagem pelo interior do escritor-narrador, não demora para percebermos que o projeto precisou ser abortado. Isso porque, entre o final de 2014 e início de 2015, quando o escritor </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-acontecimento-livro-critica/"><span style="font-weight: 400;">francês</span></a><span style="font-weight: 400;"> partiu para um retiro de meditação vipassana, um de seus amigos foi assassinado no trabalho – no escritório da revista </span><i><span style="font-weight: 400;">Charlie Hebdo,</span></i><span style="font-weight: 400;"> em Paris –, interrompendo seu percurso espiritual. Soma-se a isso seu processo de divórcio e a morte de seu, até então, único editor literário, que ajudam Carrère a transformar o ioga em uma grande metáfora de suas próprias mudanças.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, a obra híbrida de ficção e não ficção – como outros trabalhos do autor – não deixa de ser uma descida ao inferno. Principalmente na parte dois, denominada </span><i><span style="font-weight: 400;">1825 dias</span></i><span style="font-weight: 400;">, Carrère fala abertamente sobre sua depressão melancólica, quando precisou ser internado por quatro meses em um hospital psiquiátrico. De forma pessoal e reflexiva, </span><i><span style="font-weight: 400;">Ioga </span></i><span style="font-weight: 400;">não deixa de ser um trabalho de contemplação sobre o corpo e a mente, confrontados pelos medos e inseguranças de Emmanuel Carrère. </span><span style="font-weight: 400;">Nas entrelinhas, trata-se de um livro que investiga o possível equilíbrio em um mundo agitado, frenético e francamente caótico. Longe de ser </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788579622496/limonov"><span style="font-weight: 400;">seu melhor trabalho</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Ioga </span></i><span style="font-weight: 400;">compartilha o </span><i><span style="font-weight: 400;">modus operandi</span></i><span style="font-weight: 400;"> típico do escritor: mistura de reportagem, texto autobiográfico, pesquisa histórica e prospecções filosóficas, ligados pela linha condutora de uma escrita brilhante. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-abril-de-2023/">Estante do Persona &#8211; Abril de 2023</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-abril-de-2023/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">31012</post-id>	</item>
		<item>
		<title>A individuação de Annie Ernaux é O Acontecimento de todas nós</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/o-acontecimento-livro-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/o-acontecimento-livro-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Sep 2022 20:01:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Annie Ernaux]]></category>
		<category><![CDATA[Audrey Diwan]]></category>
		<category><![CDATA[Autosociobiografia]]></category>
		<category><![CDATA[Classe operária]]></category>
		<category><![CDATA[Clube do Livro]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Desamparo]]></category>
		<category><![CDATA[Direito fundamental]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Feminismo]]></category>
		<category><![CDATA[Festival de Veneza]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia do acontecimento]]></category>
		<category><![CDATA[Fósforo]]></category>
		<category><![CDATA[França]]></category>
		<category><![CDATA[Gilles Deleuze]]></category>
		<category><![CDATA[Individuação]]></category>
		<category><![CDATA[Leão de Ouro]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura francesa]]></category>
		<category><![CDATA[Marguerite Duras]]></category>
		<category><![CDATA[Metalinguagem]]></category>
		<category><![CDATA[O Acontecimento]]></category>
		<category><![CDATA[Raquel Dutra]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Solidão]]></category>
		<category><![CDATA[Vozes feministas]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=28766</guid>

					<description><![CDATA[<p>“Simplesmente isso não se vê. (&#8230;) Nos tomamos por pessoas, mas não somos pessoas. Somos, à nossa maneira, pequenos acontecimentos.” &#8211; Gilles Deleuze em aula ministrada no ano de 1980 no Centro Universitário de Vincennes, em Paris, na França. Raquel Dutra Quando, em 2000, Annie Ernaux intitulou o livro que abriria pela primeira vez ao &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-acontecimento-livro-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A individuação de Annie Ernaux é O Acontecimento de todas nós"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/o-acontecimento-livro-critica/">A individuação de Annie Ernaux é O Acontecimento de todas nós</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28782" aria-describedby="caption-attachment-28782" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-28782" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/clubelivrowordpressaaaaaaa-800x420.jpg" alt="" width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/clubelivrowordpressaaaaaaa-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/clubelivrowordpressaaaaaaa-768x404.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/clubelivrowordpressaaaaaaa.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28782" class="wp-caption-text">O mês de Julho foi marcado pela discussão acerca dos direitos reprodutivos das mulheres no Brasil e no mundo, e o Clube do Livro do Persona acompanhou o movimento com a escolha de leitura de O Acontecimento, de Annie Ernaux (Foto: Fósforo/Arte: Ana Clara Abbate)</figcaption></figure>
<blockquote>
<p style="text-align: right;"><span style="font-weight: 400;">“</span><span style="font-weight: 400;">Simplesmente isso não se vê. (&#8230;) Nos tomamos por pessoas, mas não somos pessoas. Somos, à nossa maneira, pequenos acontecimentos.</span><span style="font-weight: 400;">”</span></p>
<p style="text-align: right;"><em><span style="font-weight: 400;">&#8211; Gilles Deleuze em aula ministrada no ano de 1980 no Centro Universitário de Vincennes, em Paris, na França.</span></em></p>
</blockquote>
<p><b>Raquel Dutra</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando, em 2000, Annie Ernaux intitulou o livro que abriria pela primeira vez ao mundo a sua experiência com uma gravidez indesejada e um aborto clandestino na França de 1960, ela com certeza estava ciente da referência filosófica que marcaria a sua obra, mas não imaginava com a mesma intensidade a dimensão da sua representação – e, por consequência, o rompimento que </span><i><span style="font-weight: 400;">O Acontecimento</span></i><span style="font-weight: 400;"> provocaria com suas próprias conceituações. É que, enquanto o termo do título evoca a ideia de uma experiência de individuação (como o próprio detentor da “<a href="http://periodicoseletronicos.ufma.br/index.php/ricultsociedade/article/view/12998">filosofia do acontecimento</a>”definiu</span><span style="font-weight: 400;">), todo o desenvolvimento do livro trata de uma história particular vivida a nível universal (mais precisamente, presente em </span><a href="https://www.dw.com/pt-br/quase-metade-das-gravidezes-no-mundo-%C3%A9-indesejada-aponta-onu/a-61322325#:~:text=A%20cada%20ano%2C%20cerca%20de,de%20acordo%20com%20o%20UNFPA."><span style="font-weight: 400;">quase metade</span></a><span style="font-weight: 400;"> das vivências em questão do mundo).</span></p>
<p><span id="more-28766"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O exercício de desenvolver as referências filosóficas e leituras sociais de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Acontecimento</span></i><span style="font-weight: 400;">, no entanto, são ocorrências restritas ao lugar do leitor. Na linguagem da escritora e professora francesa nascida em 1940 e vista como uma das </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/05/conheca-annie-ernaux-que-escreveu-para-apagar-uma-traicao-e-se-tornou-best-seller.shtml"><span style="font-weight: 400;">principais vozes feministas</span></a><span style="font-weight: 400;"> da contemporaneidade, não existe nenhuma pretensão. Seu instrumento como literata é a palavra direta e substantiva (como bem traduzem os títulos de seus livros), cujo objetivo é “</span><i><span style="font-weight: 400;">resistir ao lirismo da cólera ou da dor”</span></i><span style="font-weight: 400;"> a fim de construir a verossimilhança da sua experiência, que ela transforma em livro quarenta anos depois. A partir de suas memórias do período registradas em seus diários, Ernaux retorna aos seus 23 anos, quando, depois de deixar um contexto familiar marcado pelo cotidiano interiorano da classe operária francesa do século XX, engravidou contra a sua vontade em meio aos seus estudos sobre Literatura Moderna na Universidade de Rouen, no auge de sua juventude. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nas palavras da autora, uma das mais importantes da França na atualidade, a história cria o pano de fundo para um texto que se aproxima de um ensaio, tratando sobre a onipresença da lei e os imperativos que regem o corpo das mulheres ao longo dos anos. Essa prática singular em analisar as relações que existem entre o público e o privado, o concreto e o abstrato, é só o primeiro dos muitos méritos do décimo livro de Annie, que como característica principal da sua Literatura, agraciada com o </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2019/06/annie-ernaux-faz-da-memoria-um-admiravel-prazer-literario.shtml"><span style="font-weight: 400;">Prêmio Marguerite Duras</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 2008, já tem até o seu nome próprio cunhado pelos estudiosos de sua obra: </span><a href="https://www.fosforoeditora.com.br/catalogo/o-lugar-annie-ernaux/"><i><span style="font-weight: 400;">autosociobiografia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Em julho de 2022, cinco meses depois da publicação do livro no Brasil pela tradução de Isadora de Araújo Pontes, e quando o Clube do Livro Persona o escolheu como a sua décima leitura, nada se mostrou tão socialmente atual quanto as experiências de Ernaux em 1963.</span></p>
<p><figure id="attachment_28767" aria-describedby="caption-attachment-28767" style="width: 1640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28767 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/imagem-1-2.jpg" alt="Fotografia em preto e branco da autora Annie Ernaux. Ela é uma mulher de meia idade, branca, tem cabelos lisos claros. Annie está alinhada à esquerda e olha para a câmera. Sua mão direita está apoiada no rosto e ela veste uma camisa em tom médio. Ao fundo, existe uma sala desfocada." width="1640" height="1100" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/imagem-1-2.jpg 1640w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/imagem-1-2-800x537.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/imagem-1-2-1024x687.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/imagem-1-2-768x515.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/imagem-1-2-1536x1030.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/imagem-1-2-1200x805.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28767" class="wp-caption-text">“(&#8230;) A única escrita correta me pareceu ser a recusa de toda ficção, mais tarde chamada de ‘autosociobiografia’, porque quase sempre me baseio numa relação de mim mesma com a realidade sócio-histórica”, refletiu Annie sobre seu quarto livro, O Lugar [Foto: Babelio]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">No dia 24 de Junho, a Suprema Corte dos Estados Unidos votou de maneira contrária à manutenção do entendimento do aborto como </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2022/06/entenda-o-que-muda-apos-a-decisao-da-suprema-corte-dos-eua-sobre-aborto.shtml"><span style="font-weight: 400;">direito fundamental</span></a><span style="font-weight: 400;">, até então definido pela lei nacional desde 1973. Na prática, isso quer dizer que o país não tem mais o compromisso de fornecer o método como serviço de saúde pública de maneira universal, o que significa que cada estado fica livre para criar sua própria legislação e entendimento para a questão – e segundo estudos, pelo menos metade deles deve retroceder no que diz respeito à legalização do aborto. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É fato que as decisões na chamada “</span><i><span style="font-weight: 400;">Terra da Liberdade”</span></i><span style="font-weight: 400;"> impactam os debates dos demais países do globo, mas no Brasil o assunto surgiu de maneira ainda mais urgente: por meio do jornal </span><a href="https://theintercept.com/2022/06/20/video-juiza-sc-menina-11-anos-estupro-aborto/"><i><span style="font-weight: 400;">The Intercept Brasil</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, tornou-se público um caso de uma menina grávida em decorrência de um estupro aos 11 anos, que foi não só impedida de realizar um aborto legal (embora a atual legislação do país esteja sempre ameaçada), como também orientada pela juíza de seu próprio processo a desistir do procedimento.</span></p>
<p><figure id="attachment_28768" aria-describedby="caption-attachment-28768" style="width: 984px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28768 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/imagem-2-4.jpg" alt="Fotografia de um protesto pela legalização do aborto na Colômbia. A imagem mostra uma mulher em segundo plano segurando uma bandeira verde, que em espanhol, diz “poder decidir”" width="984" height="656" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/imagem-2-4.jpg 984w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/imagem-2-4-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/imagem-2-4-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28768" class="wp-caption-text">Na América Latina, o debate se amplia, com destaque para a recente descriminalização do aborto até a 24ª semana de gestação na Colômbia, em Janeiro deste ano, além das legislações já consolidadas da Argentina (2020) e Uruguai (2012) [Foto: Luisa Gonzalez/Reuters]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Desta forma, quando a obra da autora foi colocada em foco diante do mundo novamente, especialmente por conta do sucesso da </span><a href="https://mulhernocinema.com/especiais/premiado-em-veneza-o-acontecimento-retrata-solidao-do-aborto/"><span style="font-weight: 400;">adaptação cinematográfica</span></a><span style="font-weight: 400;"> dirigida por Audrey Diwan, o intervalo de tempo e espaço entre a experiência particular de Ernaux e o aqui e agora não apresentava diferença. Mas antes de qualquer ocorrência de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Acontecimento</span></i><span style="font-weight: 400;"> se reproduzir na vida real, a voz do livro já identificava o tal fenômeno da atemporalidade através da permanência de suas próprias palavras.</span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: left;"><span style="font-weight: 400;">“</span><span style="font-weight: 400;">Acabo de achar entre meus papéis essa cena, escrita há vários meses. Percebo que eu tinha usado as mesmas palavras (&#8230;). Essa impossibilidade de dizer as coisas com palavras diferentes, essa união definitiva da realidade passada e de uma imagem que exclui qualquer outra, me parecem a prova de que realmente vivi assim o acontecimento.</span><span style="font-weight: 400;">”</span></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Como evidência da importância que a experiência tem para a história e obra autosociobiográfica de Annie Ernaux, existe a própria </span><a href="https://www.livrariamegafauna.com.br/colunistas/rita-palmeira/um-peso-no-ventre/"><span style="font-weight: 400;">presença do assunto</span></a><span style="font-weight: 400;">, que é debatido desde a primeira vez que a autora assinou um livro. </span><i><span style="font-weight: 400;">Les Armoires Vides</span></i><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">Os Armários Vazios</span></i><span style="font-weight: 400;">, numa tradução livre), seu romance de estreia publicado na França em 1974, já trazia uma narrativa autobiográfica que introduziu os temas de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Acontecimento</span></i><span style="font-weight: 400;"> com uma conjuração temporal impressionante: um ano antes da interrupção voluntária da gravidez ser legalizada no país.</span></p>
<figure id="attachment_28769" aria-describedby="caption-attachment-28769" style="width: 1881px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28769 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/imagem-3-1-scaled-e1663607239820.jpg" alt="Cena do filme O Acontecimento. A imagem mostra a personagem principal esterilizando uma longa agulha com o fogo de um isqueiro. Está de noite e a chama ilumina a foto, capturada por cima do ombro da personagem. O cenário é um quarto." width="1881" height="1382" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/imagem-3-1-scaled-e1663607239820.jpg 1881w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/imagem-3-1-scaled-e1663607239820-800x588.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/imagem-3-1-scaled-e1663607239820-1024x752.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/imagem-3-1-scaled-e1663607239820-768x564.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/imagem-3-1-scaled-e1663607239820-1536x1129.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/imagem-3-1-scaled-e1663607239820-1200x882.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28769" class="wp-caption-text">Em 2021, a adaptação cinematográfica dirigida e roteirizada por Audrey Diwan foi apreciada com o Leão de Ouro, prêmio máximo do Festival de Veneza (Foto: Zeta Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Se a História e a biografia já são esferas inicialmente distintas aproximadas pela Literatura de Ernaux, não é desafio nenhum para a autora mesclar um </span><a href="https://rascunho.com.br/noticias/annie-ernaux-escreve-autobiografia-impessoal-em-os-anos/"><span style="font-weight: 400;">caráter metalinguístico</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao livro a fim de refletir sobre seu ofício. Nesse sentido, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Acontecimento</span></i><span style="font-weight: 400;"> parte de maneira nada linear de um lugar de observação das relações que as mulheres mantêm sobre si mesmas para analisar a dimensão de poder que a escritora constrói com seu próprio texto – pois essa é a identidade singular de Annie Ernaux, muito influenciada pelas suas formadoras francesas: observar a si mesma para melhor observar o mundo ao seu redor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A consciência direta disso vem junto das suas tomadas de conclusão mais profundas. No nível radical que o texto de Ernaux atinge com </span><i><span style="font-weight: 400;">O Acontecimento</span></i><span style="font-weight: 400;">, a autora não só relembra com criticidade a terrível prática da Arte de seguir o hábito da sociedade de não ver valor de representação e legitimidade em determinadas histórias, como coloca toda a relevância de seu ofício justamente nesse lugar. A personagem principal </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2019/06/annie-ernaux-faz-da-memoria-um-admiravel-prazer-literario.shtml"><span style="font-weight: 400;">é ela mesma</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma jovem em um processo de exercício profundo de suas liberdades, que vive em um embate com as restrições impostas a ela no mundo externo. Assim, Annie toma como trabalho o reportar essa vida de uma mulher que não corresponde aos padrões socialmente impostos ao seu gênero, desde suas motivações até seus arrependimentos.  </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“</span><span style="font-weight: 400;">Eliminei a única culpa que senti a respeito desse acontecimento &#8211; que ele tenha acontecido e que eu não tenha feito nada dele. (&#8230;) Pois, para além de todas as razões sociais e psicológicas que pude encontrar naquilo que vivi, existe uma da qual estou mais certa do que tudo: as coisas aconteceram comigo para que eu as conte. E o verdadeiro objetivo da minha vida talvez seja apenas este: que meu corpo, minhas sensações e meus pensamentos se tornem escrita, isto é, algo inteligível e geral, minha existência completamente dissolvida na cabeça e na vida dos outros.</span><span style="font-weight: 400;">”</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_28772" aria-describedby="caption-attachment-28772" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28772 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/imagem-4-1.jpg" alt="Fotografia de Annie Ernaux. A autora está ao centro, num sofá azul. Ela usa uma camisa preta, seus cabelos são claros e lisos. Annie sorri levemente para a foto. Ao fundo, existe uma estante de livros. " width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/imagem-4-1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/imagem-4-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/imagem-4-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/imagem-4-1-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28772" class="wp-caption-text">No Brasil, apenas outras duas obras de Annie Ernaux foram publicadas: Os Anos e O Lugar, ambas de 2021 (Foto: Ulf Andersen/AFP)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É no ínterim de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Acontecimento</span></i><span style="font-weight: 400;"> que Ernaux verbaliza e nomeia de maneira objetiva a sua própria identidade literária, mas foi em seu quarto livro que a autora consolidou sua órbita ao redor de ideais de emancipação e rompimento. </span><a href="https://www.plural.jor.br/colunas/papel-maquina/o-lugar-annie-ernaux/"><i><span style="font-weight: 400;">O Lugar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, obra vencedora do prêmio Renaudot em 1983, que traz sua família para o centro da história, firmou o nome de Annie em seu lugar de relevância para a Literatura contemporânea com uma narrativa firme de distanciamento de suas raízes, um processo realizado em prol de se tornar quem se almeja ser. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, nenhum símbolo pode dizer mais sobre emancipação e liberdade do que o que marca a narrativa de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Acontecimento</span></i><span style="font-weight: 400;"> – não à toa, ele é nomeado assim, de maneira um pouco mais subjetiva do que os títulos costumeiros de Annie Ernaux. Muito mais do que um processo concreto que confere a uma mulher o poder sobre o seu próprio corpo, a autora insere mais uma camada à sua mistura de biografia, história e sociologia, entendo o aborto a partir de uma </span><a href="https://www.revistas.usp.br/nonplus/article/view/149189"><span style="font-weight: 400;">ótica quase filosófica</span></a><span style="font-weight: 400;">: uma experiência plenamente humana, que permite acesso ao ciclo e aos extremos completo da vida, desde seu início, até o seu fim. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“</span><span style="font-weight: 400;">Sei que hoje eu precisava dessa provação e desse sacrifício para desejar ter filhos. Para aceitar essa violência da reprodução no meu corpo e me tornar, por minha vez, lugar de passagem das gerações.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Terminei de pôr em palavras isso que se revela para mim como uma experiência humana total, da vida e da morte, do tempo, da moral e do interdito, da lei, uma experiência vivida de um extremo a outro pelo corpo.</span><span style="font-weight: 400;">”</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre aspirações, significações e conclusões tão amplas sobre a sua experiência, a autora não deixa de sentir o que lhe foi particularmente marcante daquela época: </span><a href="https://revistarosa.com/5/a-dor-da-clandestinidade"><span style="font-weight: 400;">a solidão e o desamparo</span></a><span style="font-weight: 400;">, em nível legal, social, institucional e cultural. O choque vem da simples dificuldade da jovem Annie em enxergar as diferenças de gênero através de seu olhar tão livre e independente, que não vê outro lugar para si mesma se não aquele de completa igualdade com os demais. Nada disso, no entanto, define </span><i><span style="font-weight: 400;">O Acontecimento</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma vez que a obra não existe de maneira a transformar a vida de Annie Ernaux em – literalmente – um livro aberto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inevitavelmente, é o que acontece, mas seus relatos íntimos, reflexões metalinguísticas e críticas sociais estão na obra com um objetivo bem definido: destacar a maneira como, além de tudo, essa experiência universal de desapropriação de si mesma causa uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/never-rarely-sometimes-always-critica/"><span style="font-weight: 400;">uniformização violenta</span></a><span style="font-weight: 400;"> das nossas identidades – o que vai na direção contrária do nosso movimento de emancipação individual e coletivo. No mundo em que vivemos, nenhuma história sobre aborto é só uma história sobre aborto, e nenhuma experiência de violência de gênero </span><a href="https://diplomatique.org.br/quem-sao-elas-o-perfil-das-mulheres-que-abortam-no-brasil/"><span style="font-weight: 400;">é individualizada</span></a><span style="font-weight: 400;"> em seu alvo da vez. E as palavras de Annie Ernaux parecem ser as únicas possíveis para compreender que </span><i><span style="font-weight: 400;">O Acontecimento</span></i><span style="font-weight: 400;"> dela nunca foi – e nunca será – só dela.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/o-acontecimento-livro-critica/">A individuação de Annie Ernaux é O Acontecimento de todas nós</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/o-acontecimento-livro-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">28766</post-id>	</item>
		<item>
		<title>A festa e a fúria travesti no parque das irmãs magníficas</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/o-parque-das-irmas-magnificas-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/o-parque-das-irmas-magnificas-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 12 Aug 2022 20:56:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Camila Sosa Villada]]></category>
		<category><![CDATA[Carson McCullers]]></category>
		<category><![CDATA[Clube do Livro]]></category>
		<category><![CDATA[Córdoba]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Editorial Planeta]]></category>
		<category><![CDATA[Enzo Caramori]]></category>
		<category><![CDATA[La novia de Sandro]]></category>
		<category><![CDATA[LGBTQIA]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura argentina]]></category>
		<category><![CDATA[Marguerite Duras]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Mês do Orgulho LGBTQIA+]]></category>
		<category><![CDATA[O Parque das Irmãs Magníficas]]></category>
		<category><![CDATA[Parque Sarmiento]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Tia Encarna]]></category>
		<category><![CDATA[Trans]]></category>
		<category><![CDATA[Travesti]]></category>
		<category><![CDATA[Tusquets Editores]]></category>
		<category><![CDATA[Violência]]></category>
		<category><![CDATA[Wisława Szymborksa]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=28357</guid>

					<description><![CDATA[<p>Enzo Caramori ‘‘Soy un amasamiento, sou um ato de juntar e unir que não apenas produz uma criatura tanto da luz como da escuridão, mas também uma criatura que questiona as definições de luz e de escuro e dá-lhes novos significados’’ &#8211; Gloria Anzaldúa Um bando de lobas. Uma rota de amazonas de saltos altos, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-parque-das-irmas-magnificas-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A festa e a fúria travesti no parque das irmãs magníficas"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/o-parque-das-irmas-magnificas-critica/">A festa e a fúria travesti no parque das irmãs magníficas</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28364" aria-describedby="caption-attachment-28364" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28364 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/template_clube_do_livro_wordpress_insta.jpg" alt="Arte quadrada com bordas verdes claras. No quadrado interior, há um recorte da capa do livro O Parque das Irmãs Magníficas que mostra duas pernas femininas vestindo calçados pink de pontas finas, meias brancas e saia laranja. Uma mão está arrumando diversas flores coloridas que estão dentro das meias de ambas as pernas. O chão é cinza, o fundo é preto e a saia laranja se mistura com pétalas que voam, saindo das flores. Dentro do quadrado interno, no lado direiro, foi adicionado o logo do Persona, um olho com a íris na mesma cor da borda da arte. No canto inferior esquerdo do quadrado interno foi adicionado o texto &quot;A festa e a fúria travesti no parque das irmãs magníficas” em letras brancas e fundo retangular de cor preta. Logo abaixo foi adicionado o texto &quot;POR ENZO CARAMORI&quot;, em letras brancas e fundo retangular de cor verde clara. No canto superior esquerdo está um quadrado preto em que está escrito &quot;clube do livro persona&quot; com letras vazadas, dando continuidade a imagem do fundo." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/template_clube_do_livro_wordpress_insta.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/template_clube_do_livro_wordpress_insta-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/template_clube_do_livro_wordpress_insta-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28364" class="wp-caption-text">A leitura escolhida para o mês de Junho no Clube do Livro do Persona, em celebração do Mês do Orgulho, é um relato brutal das redefinições de maternidade, amor, violência e vida pelas lentes da identidade travesti (Foto: Editorial Planeta/Arte: Ana Clara Abbate)</figcaption></figure>
<p><b>Enzo Caramori</b></p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;"><span style="font-weight: 400;">‘‘Soy un amasamiento, sou um ato de juntar e unir que não apenas produz uma criatura tanto da luz como da escuridão, mas também uma criatura que questiona as definições de luz e de escuro e dá-lhes novos significados’’</span><span style="font-weight: 400;"> &#8211; Gloria Anzaldúa</span></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Um bando de lobas. Uma rota de amazonas de saltos altos, que sobem e descem um afunilado inferno </span><a href="https://www.google.com/search?q=dante%20parque%20sarmiento&amp;rlz=1C1FCXM_pt-PTBR996BR996&amp;oq=dante+parque+sarmiento&amp;aqs=chrome.0.69i59.634j0j7&amp;sourceid=chrome&amp;ie=UTF-8&amp;tbs=lf:1,lf_ui:1&amp;tbm=lcl&amp;rflfq=1&amp;num=10&amp;rldimm=9979109515761142301&amp;lqi=ChZkYW50ZSBwYXJxdWUgc2FybWllbnRvSNSCzISPq4CACFogEAAYABgBGAIiFmRhbnRlIHBhcnF1ZSBzYXJtaWVudG-SAQhtb251bWVudKoBDRABKgkiBWRhbnRlKAw&amp;phdesc=IG5B96qnc-A&amp;ved=2ahUKEwjqscjd47f5AhW0jZUCHWfYCCYQvS56BAgFEAE&amp;sa=X&amp;rlst=f#rlfi=hd:;si:9979109515761142301,l,ChZkYW50ZSBwYXJxdWUgc2FybWllbnRvSNSCzISPq4CACFogEAAYABgBGAIiFmRhbnRlIHBhcnF1ZSBzYXJtaWVudG-SAQhtb251bWVudKoBDRABKgkiBWRhbnRlKAw,y,IG5B96qnc-A;mv:[[-31.428180499999996,-64.170819],[-31.4319884,-64.18584]];tbs:lrf:!1m4!1u3!2m2!3m1!1e1!1m4!1u2!2m2!2m1!1e1!2m1!1e2!2m1!1e3!3sIAE,lf:1,lf_ui:1"><span style="font-weight: 400;">dantesco</span></a><span style="font-weight: 400;">, envolvidas por árvores ao mesmo tempo ferozes e acolhedoras a essas travessias noturnas nos labirintos do Parque Sarmiento. As entidades do mundo </span><a href="https://www.uol/estilo/especiais/amara-moira.htm#frases-3:~:text=Gosto%20de%20usar%20%27travesti%27%20porque%20%C3%A9%20a%20palavra%20que%20menos%20se%20espera.%20E%20eu%20espero%20que%20essa%20palavra%20ocupe%20mais%20espa%C3%A7os%20na%20sociedade"><span style="font-weight: 400;">travesti</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://www.planetadelivros.com.br/livro-o-parque-das-irmas-magnificas/336590"><i><span style="font-weight: 400;">O parque das irmãs magníficas</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2021)</span> <span style="font-weight: 400;">são putas, fadas, mães, demônias, santas e pássaras, numa Córdoba que não está nos mapas nem nos guias turísticos. Tanto nelas quanto no texto coexistem todas as contradições temidas por aqueles que separam o mundo em binarismos: fantasia e realismo; autobiografia e ficção; homem e mulher.</span></p>
<p><span id="more-28357"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nessa ficção, ressonante da própria vida da autora – a escritora e atriz </span><a href="https://www.planetadelivros.com.br/autor/camila-sosa-villada/000050870"><span style="font-weight: 400;">Camila Sosa Villada</span></a><span style="font-weight: 400;"> – se desafiam todas as convenções em que o gênero, social e literário, se funda. Ao referenciar a época em que ela mesma era uma trabalhadora do sexo, enquanto fazia faculdade de Comunicação Social em Córdoba, Sosa Villada busca resgatar os laços que foram deixados para trás ao consolidar-se enquanto uma artista das telas e dos </span><a href="https://lmdiario.com.ar/contenido/3947/putx-madre-la-nueva-obra-de-camila-sosa-villada"><span style="font-weight: 400;">palcos</span></a><span style="font-weight: 400;"> argentinos.</span></p>
<figure id="attachment_28358" aria-describedby="caption-attachment-28358" style="width: 1799px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28358 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/camila01.jpg" alt="foto em preto e branco da escritora Camila Sosa Villada. Ela sorri, usa pulseiras coloridas, traja um vestido curto e brilhante, com uma gola que vai até seu pescoço. Seus cabelos são curtos, até os ombros, e tem as unhas pintadas de uma cor clara, além de usar brincos também claros. Fundo preto." width="1799" height="2400" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/camila01.jpg 1799w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/camila01-600x800.jpg 600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/camila01-768x1025.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/camila01-1151x1536.jpg 1151w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/camila01-1535x2048.jpg 1535w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/camila01-1200x1601.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28358" class="wp-caption-text">Em seu recorte da realidade da prostituição travesti, a escritora argentina consegue achar ternura em meio aos ciclos de violência em que essa comunidade está imersa (Foto: Folha de São Paulo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em seu fluxo de memórias, em que a realidade e a fantasia se </span><a href="https://claudia.abril.com.br/cultura/camila-sosa-villada-livro/"><span style="font-weight: 400;">misturam</span></a><span style="font-weight: 400;"> no registro da </span><a href="https://taketonews.com/camila-sosa-villada-queer-theory-seems-like-a-mess-to-me/#:~:text=No%2C%20actually%20it,like%20Star%20Wars."><span style="font-weight: 400;">natureza</span></a><span style="font-weight: 400;"> mais íntima da travestilidade, se difundem novas éticas de comunidade a essas mulheres. Para elas, viver é habitar esses espaços comuns de cuidado, como na rosa morada de Tia Encarna, a matrona dessa família de laços não sanguíneos, que carrega em seu corpo mais de um centenário de dores, resistências e alegrias. Para </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kCdqDLoDmE4"><span style="font-weight: 400;">sobreviverem</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao </span><a href="http://anccom.sociales.uba.ar/2019/05/16/cada-96-horas-asesinan-a-una-persona-trans/"><span style="font-weight: 400;">massacre</span></a><span style="font-weight: 400;"> de suas existências, as garotas do Parque Sarmiento se defendem com ferocidade, mas, além disso, dispõem dos </span><a href="https://harpersbazaar.uol.com.br/cultura/nao-e-um-romance-realista-afirma-camila-sosa-villada-autora-do-premiado-parque-das-irmas-magnificas/#:~:text=Voc%C3%AA%20traz%20as%20travestis%20de%20C%C3%B3rdoba%20como%20super%2Dhero%C3%ADnas%2C%20com%20rostos%20cobertos%20por%20m%C3%A1scaras%20%E2%80%93%20as%20suas%20maquiagens.%20Qual%20o%20custo%20desses%20poderes%3F%0AVeja%20bem%2C%20quase%20todas%20terminam%20mortas."><span style="font-weight: 400;">poderes</span></a><span style="font-weight: 400;"> da magia contida no </span><i><span style="font-weight: 400;">devir</span></i><span style="font-weight: 400;"> travesti.</span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;"><span style="font-weight: 400;">&#8220;Sou uma prostituta que anda pelas ruas de noite, enquanto as mulheres de minha idade dormem nas suas camas. Caminho pela rua, incluída nos planos da violência, mas também nos planos do desejo.&#8221;</span></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Contando com </span><i><span style="font-weight: 400;">lobiscates</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma personagem que vira um pássaro, homens sem cabeça voltados da guerra e uma casa com vida própria, poderia facilmente se pensar que </span><i><span style="font-weight: 400;">O parque das irmãs magníficas </span></i><span style="font-weight: 400;">é mais um exemplo literário do </span><a href="https://porcoespinho.com.br/livros/as-convidadas-um-pouco-mais-de-silvina-ocampo-nao-faz-mal-a-ninguem/"><span style="font-weight: 400;">realismo fantástico latino-americano</span></a><span style="font-weight: 400;">. No entanto, o romance de Sosa Villada é um registro emblemático que nega ser encaixado nos </span><a href="https://praticamenteteorico.wordpress.com/2014/12/20/ursula-k-le-guin-e-os-realistas-de-uma-realidade-maior/"><span style="font-weight: 400;">nichos</span></a><span style="font-weight: 400;"> da representação realista ou da literatura surreal.</span> <span style="font-weight: 400;">Sua potência em imaginar essas histórias, para além das </span><a href="https://antrabrasil.files.wordpress.com/2022/01/dossieantra2022-web.pdf"><span style="font-weight: 400;">estatísticas</span></a><span style="font-weight: 400;"> que atravessam mulheres travestis, está na restituição de um deslumbramento a identidades tão atravessadas pelos discursos aniquiladores do Estado, que limitaram o direito de pensar o gênero com um misticismo perdido das </span><a href="https://www.newyorker.com/news/daily-comment/a-novel-and-the-fight-for-transgender-rights-in-argentina#:~:text=.%20%E2%80%9CI%20don%E2%80%99t%20use%20the%20term%20trans%20women%2C%20I%20don%E2%80%99t%20use%20surgical%20vocabulary%2C%20cold%20as%20a%20scalpel%2C%20because%20the%20terminology%20doesn%E2%80%99t%20reflect%20our%20experience%20as%20travestis%20in%20these%20regions%2C%20from%20indigenous%20times%20to%20this%20nonsense%20of%20a%20civilization%2C%E2%80%9D"><span style="font-weight: 400;">tradições locais</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_28360" aria-describedby="caption-attachment-28360" style="width: 667px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28360 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/camila02-667x1024.png" alt="capa alternativa do livro O parque das irmãs magníficas, também ilustrada por Paula Cruz. Nela, uma mulher morena de longos cabelos negros e uma boca rosada tem os olhos e o busto coberto por esparsas flores vermelhas e rosadas, além de galhos verdes. Mãos alaranjadas seguram essas flores, perto de seu peito e acima de sua cabeça. O título está escrito no topo superior, centralizado, em letras pretas. Abaixo, também centralizado, em letras rosas, o nome da autora. O fundo é amarelo" width="667" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/camila02-667x1024.png 667w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/camila02-521x800.png 521w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/camila02-768x1178.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/camila02-1001x1536.png 1001w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/camila02-1335x2048.png 1335w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/camila02-1200x1841.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/camila02.png 1400w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28360" class="wp-caption-text">A narrativa sem fronteiras de Camila Sosa Villada é uma celebração da vida e do desejo travesti (Foto: Paula Cruz/TAG Curadoria)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O livro consegue unir sem esforços a brutalidade ao encanto em um texto caleidoscópico, enquadrando perfeitamente as experiências que, assim como </span><a href="https://www.plural.jor.br/colunas/ordem-caotica/camila-e-as-irmas-travestis/"><span style="font-weight: 400;">suas personagens</span></a><span style="font-weight: 400;"> nas rondas da prostituição, toma os espaços de assalto – tanto da Literatura quanto das ruas escuras da noite de Córdoba. A maneira que esse bárbaro conto de fadas é tecido, com euforia e crueza, busca negar retratos eufemizados da feminilidade. </span><span style="font-weight: 400;">Ao narrar, com imensa poesia, sobre a glória da amamentação trans, sobre as marcas dos corpos construídos por implantes de óleo industrial e sobre a vivência de mulheres grávidas inseridas nos ciclos do trabalho sexual, a escritora faz uma </span><a href="https://www.revistatransas.com/2019/07/11/las_malas_sosa_villada/"><span style="font-weight: 400;">ação direta de combate</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Camila Sosa Villada é uma autodeclarada </span><a href="https://taketonews.com/camila-sosa-villada-queer-theory-seems-like-a-mess-to-me/#:~:text=NEWS%3A%20On%20many,am%20very%20rigorous!"><i><span style="font-weight: 400;">bárbara</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> perante os parâmetros formais da composição literária. No livro, a escrita é uma performance do terror que atravessa a própria biografia da atriz. Assim, em </span><i><span style="font-weight: 400;">O parque das irmãs magníficas, </span></i><span style="font-weight: 400;">a relação com o corpo é intrínseca, já que a composição literária existe, para a autora, como uma forma de tomar de volta a si tudo o que lhe foi arrancado pelas violências em que fora mergulhada desde a infância até a vida adulta. De certa forma, o enredo, ao abranger inúmeros ritos de amadurecimento e as transmutações pelas quais as personagens são acometidas, carrega as nuances do que seria um alucinado </span><a href="https://www.penguinrandomhouse.com/books/692472/bad-girls-by-camila-sosa-villada/"><span style="font-weight: 400;">romance de formação</span></a><span style="font-weight: 400;">, sustentado em saltos altos e cílios postiços.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para contar suas histórias, Camila Sosa Villada clama, ao mesmo tempo, por si mesma e por outras mulheres que também percebem a Arte enquanto uma relação </span><a href="https://latinta.com.ar/2016/09/la-cultura-va-un-paso-adelante/#:~:text=%E2%80%9CMe%20aproximo%20afectivamente%20porque%20as%C3%AD%20me%20aproximo%20a%20todo%2C%20funciono%20a%20un%20nivel%20emocional.%20%C2%A0Creo%20que%20el%20arte%20es%20una%20fe%C2%A0%2C%20lo%20mismo%20que%20debe%20sentir%20un%20musulm%C3%A1n%20cuando%20anda%20perdido%20en%20Nueva%20York%20y%20se%20encuentra%20con%20otro%20musulm%C3%A1n%2C%20y%20saben%20que%20son%20dos%20en%20un%20lugar%20hostil.%E2%80%9D"><span style="font-weight: 400;">preenchida de fé</span></a><span style="font-weight: 400;">. No seu primeiro livro, </span><a href="https://www.planetadelibros.com.ar/libro-la-novia-de-sandro/312999"><i><span style="font-weight: 400;">La novia de Sandro</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">um apanhado de poemas antes publicados em um </span><i><span style="font-weight: 400;">blog</span></i><span style="font-weight: 400;">, ecoa a delicadeza de </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/autor.php?codigo=03018"><span style="font-weight: 400;">Wisława Szymborksa</span></a><span style="font-weight: 400;"> e o erotismo de Marguerite Duras. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">O Parque, </span></i><span style="font-weight: 400;">é </span><a href="https://www.jornalopcao.com.br/opcao-cultural/carson-mccullers-e-a-arte-de-amar-os-excluidos-87444/"><span style="font-weight: 400;">Carson McCullers</span></a><span style="font-weight: 400;"> que se remonta no registro do cotidiano de sujeitos marginalizados, pontuado por momentos breves de beleza. Já no seu mais recente livro de contos, </span><a href="https://www.planetadelibros.com.ar/libro-soy-una-tonta-por-quererte/336082"><i><span style="font-weight: 400;">Soy una tonta por quererte</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><a href="https://www.distractify.com/p/was-billie-holiday-gay"><span style="font-weight: 400;">Billie Holiday</span></a><span style="font-weight: 400;"> é a metáfora perfeita aos modelos de transgressão feminina seguidos por sua expressão, que também reflete o brilho da </span><a href="https://medium.com/revista-rosa-3/manifesto-falo-pela-minha-diferenca-dfb3f8d4f9a"><span style="font-weight: 400;">poesia</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://www.blogletras.com/2015/02/pedro-lemebel.html"><span style="font-weight: 400;">Pedro Lemebel</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_28361" aria-describedby="caption-attachment-28361" style="width: 960px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28361 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/camila03.jpg" alt="foto da escritora e atriz Camila Sosa Villada, tirada em um espelho por uma câmera. Na foto, seu cabelo está preso e com enfeites de flores, além de estar com uma monocelha, em referência à artista Frida Kahlo. Usa um batom e traja um colar. Cobre seu seio com sua mão, trajada de pulseiras e anéis. Um dos seios está coberto por uma flor." width="960" height="960" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/camila03.jpg 960w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/camila03-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/camila03-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/camila03-768x768.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28361" class="wp-caption-text">O fascínio de Sosa Villada por essas figuras femininas, de Frida Kahlo a Billie Holliday, está além de um reconhecimento de biografias também perpassadas por violência e sofrimento: ‘‘Têm em comum talento, magia, encanto, glamour, rebeldia… muita rebeldia’’ (Foto: Camila Sosa Villada)</figcaption></figure>
<blockquote>
<p style="text-align: center;"><span style="font-weight: 400;">&#8220;Com a cara tornada máscara, a mais bela de todas as máscaras, esses traços travestis mais reais que nossos próprios traços, concebidos para outro mundo, um mundo melhor, onde poder ser essa máscara.&#8221;</span></p>
</blockquote>
<p><i><span style="font-weight: 400;">&#8220;A dor de uma era a dor de todas”.</span></i><span style="font-weight: 400;"> Na visão trans/travesti, que é a espinha dorsal de sua liricidade, não existe um </span><i><span style="font-weight: 400;">eu</span></i><span style="font-weight: 400;"> dissociado do </span><i><span style="font-weight: 400;">nós. </span></i><span style="font-weight: 400;">Assim como Duras, que aciona em seus textos uma </span><a href="https://revistacult.uol.com.br/home/memorias-da-dor-marguerite-duras/"><span style="font-weight: 400;">memória-mundo</span></a><span style="font-weight: 400;"> e visualiza o sentimento individual como algo costurado à experiência coletiva, a diluição da fronteira entre o público e o privado abre novas possibilidades de existência nas poucas páginas dessa narrativa. As mulheres de </span><i><span style="font-weight: 400;">Las malas – </span></i><span style="font-weight: 400;">título original de </span><i><span style="font-weight: 400;">O parque – </span></i><span style="font-weight: 400;">são descritas como um único organismo, cada uma como um conjunto de células de um estranho tipo de vida, no qual ecoam as vozes daquelas que não tiveram o direito de gritar.</span></p>
<p><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/06/vida-travesti-ganha-tons-de-fantasia-em-romance-de-camila-sosa-villada.shtml"><i><span style="font-weight: 400;">O parque das irmãs magníficas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não é realista, nem é fantasia. É maleável, em construção, um acelerador de partículas. É uma história que constitui uma nova forma de resistência que reivindica, no espaço da Literatura, vivências sempre catalogadas como não dignas de serem lidas e representadas, mas que </span><a href="https://www.ufrgs.br/arteversa/jota-mombaca-nao-vao-nos-matar-agora/"><span style="font-weight: 400;">sempre persistiram</span></a><span style="font-weight: 400;"> diante de todas as adversidades da violência social. </span><span style="font-weight: 400;">Se a escrita é uma lente usada para se ver o mundo, o livro de Camila Sosa Villada solta um imperativo: o mundo deve ser conhecido pelas lentes travestis.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/o-parque-das-irmas-magnificas-critica/">A festa e a fúria travesti no parque das irmãs magníficas</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/o-parque-das-irmas-magnificas-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">28357</post-id>	</item>
	</channel>
</rss>
