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	<title>Arquivos Marcelo Gomes &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos Marcelo Gomes &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>Persona Entrevista: Ariane Aparecida</title>
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		<pubDate>Fri, 14 Nov 2025 13:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Atriz e protagonista de Dolores comenta sobre representatividade e importância do Cinema brasileiro Victor Hugo Aguila As relações familiares e os princípios que as circundam ganham uma nova face em Dolores, novo longa-metragem dirigido e escrito por Marcelo Gomes e Maria Clara Escobar, que compõem a seção Mostra Brasil na 49ª Mostra Internacional de Cinema &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/persona-entrevista-ariane-aparecida/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Persona Entrevista: Ariane Aparecida"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><span style="font-weight: 400;">Atriz e protagonista de </span><i><span style="font-weight: 400;">Dolores</span></i><span style="font-weight: 400;"> comenta sobre representatividade e importância do Cinema brasileiro</span></p>
<figure id="attachment_36310" aria-describedby="caption-attachment-36310" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-36310" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-9-800x450.png" alt="IlustraçãoNa imagem, há uma arte nas cores preta e verde, que cria ondulações e detalhes fluídos ao fundo. Ao lado direito, há os dizeres “Persona Entrevista: Ariane Aparecida – 49ª Mostra Internacional de Cinema São Paulo”. Ao lado esquerdo, há a imagem da atriz entrevistada. Ela é uma mulher negra, com cabelos longos e soltos, e está utilizando um top na cor marrom, além de brincos dourados. À sua frente e ao fundo, há folhagens verdes. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-9-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-9-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-9-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-9-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-9-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-9.png 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36310" class="wp-caption-text">A atriz, nascida em São Paulo e formada pela Universidade Estadual Paulista (UNESP), se mostra como uma das novas faces do Cinema nacional (Arte: Arthur Caires/Foto: Bruna Sussekind)</figcaption></figure>
<p><b>Victor Hugo Aguila</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As relações familiares e os princípios que as circundam ganham uma nova face em </span><i><span style="font-weight: 400;">Dolores</span></i><span style="font-weight: 400;">, novo longa-metragem dirigido e escrito por Marcelo Gomes e Maria Clara Escobar, que compõem a seção Mostra Brasil na </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/49a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Com fortes elementos da cultura brasileira, o filme é um expoente do protagonismo feminino e seu impacto diante e fora das câmeras. Antes mesmo da sua primeira exibição, a presença forte do elenco e da produção já antecipava o agridoce da obra que o espectador estava prestes a presenciar.</span><span id="more-36309"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um domingo gélido, característico da realidade paulistana, o Espaço Petrobras de Cinema obteve a grata presença dos amantes da Arte cinematográfica. A sessão lotada foi um indicativo não apenas do volume daqueles que se entregam e mergulham ao assistir qualquer produto audiovisual, mas também dos que reconhecem o valor de uma das nossas maiores preciosidades: o </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-agente-secreto-critica/"><span style="font-weight: 400;">Cinema nacional</span></a><span style="font-weight: 400;">. Contudo, o sentimento de gratidão não permeia apenas os fãs, como também a própria produção do longa. Sara Silveira, produtora, reiterou seus agradecimentos ao espaço. </span><i><span style="font-weight: 400;">“</span></i><b><i>Eu queria agradecer à Mostra. É sempre uma oportunidade para o nosso filme estar aqui. Sempre digo que os festivais servem de plataforma para dizer coisas, principalmente para nós, produtoras, que estamos sempre atrás das câmeras, e, para nos ouvir, temos que gritar muito alto</i></b><i><span style="font-weight: 400;">”</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na ansiedade do que as retinas iriam presenciar, as conversas e risadas que pairavam na sala antes da exibição contrastavam com o enredo forte – e até angustiante – que seguiria. Na trama, Dolores (Carla Ribas), no seu aniversário de 65 anos, decide abrir um cassino – ainda que lute contra o vício em apostas. Sua filha, Deborah (Naruna Costa), lida com a agonia de esperar pela liberdade do namorado, confinado em uma penitenciária da cidade de São Paulo. Já a neta, Duda (Ariane Aparecida), deixa a ingenuidade falar mais alto ao acreditar nas falsas promessas de ir morar nos Estados Unidos, feitas por seu patrão. Neste </span><a href="https://personaunesp.com.br/persona-entrevista-noa-bonoba/"><span style="font-weight: 400;">Persona Entrevista</span></a><span style="font-weight: 400;">, a atriz Ariane Aparecida comenta sua visão sobre Cinema, representatividade e as expectativas de seu novo trabalho. </span></p>
<figure id="attachment_36314" aria-describedby="caption-attachment-36314" style="width: 532px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36314" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image4-2-532x800.png" alt="Cena do filme Dolores.Na imagem, há uma mulher negra de tranças. Ela está vestindo um casaco colorido, com partes em rosa e outras em azul marinho feitas de lantejoulas. Ela está apoiada em uma moto. No seu colo, há uma mala grande na cor laranja. Em seu rosto, há lágrimas escorrendo e expressões que remetem a tristeza.
" width="532" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image4-2-532x800.png 532w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image4-2-681x1024.png 681w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image4-2-768x1154.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image4-2.png 770w" sizes="(max-width: 532px) 85vw, 532px" /><figcaption id="caption-attachment-36314" class="wp-caption-text">Ariane Aparecida atesta sua genialidade enquanto atriz ao interpretar Duda (Foto: Dezenove Som e Imagens)</figcaption></figure>
<p><b>A gente viu agora a linda exibição do filme Dolores. O que significa para você, enquanto atriz, alguém que faz parte dessa obra, tê-la sendo exibida na Mostra?</b></p>
<p><b>Ariane Aparecida</b><span style="font-weight: 400;">: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Eu gosto muito da Mostra porque é um lugar muito acessível de assistir filmes, principalmente para as pessoas que vêm de favela, como eu, e que são apaixonadas por Cinema. </span></i><a href="https://personaunesp.com.br/dolores-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Dolores</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> estar aqui é muito especial pra mim, porque é o maior longa-metragem que já fiz até então. Estar na minha cidade, com as pessoas que eu amo, com a minha família e meus amigos, é uma das coisas mais emocionantes que eu já vivi na vida. Tô muito feliz”.</span></i><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto discorria sobre esse fato, o sorriso de </span><a href="https://www.mgm-models.de/women/mainboard/27-ariane-aparecida"><span style="font-weight: 400;">Ariane</span></a><span style="font-weight: 400;"> abarcava toda a atmosfera do saguão do Espaço Petrobras: gratidão e entusiasmo estavam emoldurados nas paredes. Antes da entrevista, a atriz estava conversando com as amigas que vieram prestigiá-la, além de celebrar com suas colegas de elenco. Durante o filme, ela permaneceu sentada nas poltronas da frente, ao lado de sua equipe e distante do restante da audiência. Naquele momento, a atenção de todas as pessoas estava voltada a se concentrar no seu trabalho, e não na sua presença, o que tornava esse distanciamento uma ponte encantadora entre uma emoção e outra. Tudo era genuíno e palpável. </span></p>
<figure id="attachment_36315" aria-describedby="caption-attachment-36315" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36315" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-12-800x400.png" alt="Cena do filme Dolores.Na imagem, há três mulheres de frente a uma janela. A primeira mulher possui pele negra e cabelos cacheados presos. A segunda mulher possui pele branca e cabelos grisalhos. A terceira mulher possui pele negra e cabelos cacheados longos. Todas estão contemplando o horizonte. 
" width="800" height="400" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-12-800x400.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-12-1024x512.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-12-768x384.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-12-1200x600.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-12.png 1300w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36315" class="wp-caption-text">O longa é um dos 85 títulos nacionais a integrar a 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Dezenove Som e Imagens)</figcaption></figure>
<p><b>Falando um pouco sobre a representatividade do filme, a gente viu a história de diversas mulheres e diversas formas de exercer essa mulheridade. Como você acha que esse filme pode impactar as famílias que são majoritariamente constituídas por mulheres e as visões que se têm das relações entre elas?</b><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><b>Ariane Aparecida</b><span style="font-weight: 400;">: </span><i><span style="font-weight: 400;">“O Brasil tem uma energia feminina muito forte, né? As nossas famílias são famílias femininas. Acho que tem essa coisa de ser uma </span></i><a href="https://personaunesp.com.br/critica-e-mais-alguem/"><i><span style="font-weight: 400;">família</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> composta por mulheres na periferia de São Paulo. A Duda é um retrato muito bonito, porque muitas vezes a gente é um pouco injusto com as imagens que a gente cria das jovens periféricas dentro do Cinema e do audiovisual. Acho que é realmente um grito de meninas pretas e faveladas. É um retrato muito justo, fiel e cuidadoso em relação ao que nós somos, o que nós pensamos e o que nós queremos. A Duda é humana, intensa e verdadeira. Ela é real”.</span></i><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao analisarmos, de fato, Duda é uma personagem real. Apesar de sua força – evidenciada pela atuação brilhante de Ariane – é possível perceber a ingenuidade presente na fase em que se encontra. A jovem adulta, na busca compreensível de </span><a href="https://personaunesp.com.br/nuvens-passageiras-obscurecem-o-sol/"><span style="font-weight: 400;">mudar sua realidade</span></a><span style="font-weight: 400;">, acaba sendo vítima de uma narrativa cruel que permeia a vida de tantas mulheres da periferia de São Paulo. Apesar dessa transcrição do imaginário social ocorrer de maneira potente, há também delicadeza no roteiro, expressa tanto pelos olhares da atriz quanto da personagem. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://super.abril.com.br/mundo-estranho/se-o-cinema-e-a-setima-arte-quais-sao-as-outras/"><span style="font-weight: 400;">Sétima Arte</span></a><span style="font-weight: 400;">, vista muitas vezes enquanto um campo de disputas, onde várias abordagens podem se confrontar ao tentar serem ouvidas, nesse cenário, se forma um tabuleiro de alianças. Em uma conjuntura social ainda patriarcal, </span><i><span style="font-weight: 400;">Dolores </span></i><span style="font-weight: 400;">representa o sucesso presente na história de mulheres contada por outras mulheres. Ao colocar a personagem-título em uma posição de sensualidade – como quando ela beija um homem mais novo no banheiro do cassino – a produção e direção do longa, dentre diversas outras cenas, acerta e comprova como o olhar feminino é primordial para tais projetos. </span></p>
<figure id="attachment_36316" aria-describedby="caption-attachment-36316" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36316" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-10-800x600.png" alt="Cena do filme Dolores.Na imagem, há uma mulher negra de tranças. Ela está vestindo uma blusa regata preta e um colar dourado. Em sua orelha, há um brinco brilhante e suas unhas estão pintadas de rosa. Ao fundo, é possível enxergar elementos de um ateliê de costura, com um manequim preto e um suporte para roupas onde há calcinhas penduradas. No chão, há um ventilador.
" width="800" height="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-10-800x600.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-10-768x576.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-10.png 900w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36316" class="wp-caption-text">Ambição é um forte princípio que ronda as três gerações de mulheres do filme (Foto: Dezenove Som e Imagens)</figcaption></figure>
<p><b>Além da representatividade feminina diante das câmeras, há também por trás das câmeras, com a produção e a direção do filme também sendo feitas por mulheres. Como você acha que isso pode impactar futuras produções e a vida de futuras mulheres que estão nessa carreira?</b></p>
<p><b>Ariane Aparecida:</b> <i><span style="font-weight: 400;">“Eu acho que a gente pegou as mulheres mais fodas do Cinema nacional e colocou num mesmo projeto. Esse resultado é uma causa disso. No olhar da Joana Luz, nossa diretora de fotografia, você consegue encontrar como retratar mulheres de um jeito que não é muito óbvio dentro do Cinema, que não é um olhar sexualizado ou um lugar subalterno. Todas as mulheres são deslumbrantes, gigantes e fortes. Elas têm vozes muito fortes dentro do filme. Eu acredito que isso não seria possível sem, por exemplo, a Maria Clara, sendo diretora do filme, sem a Joana, sendo diretora de fotografia, sem a Sara na produção. Isso faz com que o filme tenha o resultado que ele tenha. O filme em si tem uma </span></i><a href="https://personaunesp.com.br/adoraveis-mulheres-5-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">presença feminina</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> muito forte, e isso é muito legal”.</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fora a sua exibição em São Paulo, </span><i><span style="font-weight: 400;">Dolores</span></i><span style="font-weight: 400;"> também obteve êxito navegando no mar carioca, sendo apresentado no Festival do Rio deste ano, e nas águas do Mediterrâneo, no Festival de San Sebastián, na Espanha. Ao cruzar fronteiras, o longa atesta seu sucesso e seu protagonismo no cenário cinematográfico contemporâneo. Através da honraria de assistir ao filme em um ambiente tão mágico como as salas de cinema, é possível compreender como </span><a href="https://www.filmeb.com.br/quem-e-quem/diretor-documentarista-roteirista/chico-teixeira"><span style="font-weight: 400;">Chico Teixeira</span></a><span style="font-weight: 400;">, autor do roteiro original da obra, estaria orgulhoso e satisfeito com a forma majestosa que seu trabalho ganhou vida.</span></p>
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<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Em Dolores, a ambição é um princípio que ultrapassa gerações</title>
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		<pubDate>Tue, 28 Oct 2025 13:00:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Victor Hugo Aguila Desejar mudar sua realidade é a aposta mais arriscada – e vantajosa – que alguém pode ter. Na seleção da Mostra Brasil da 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, Dolores apresenta a história de três mulheres da mesma família, em diferentes gerações. Ao abordar o sentimento de ambição compartilhado entre &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/dolores-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Dolores, a ambição é um princípio que ultrapassa gerações"</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36028" aria-describedby="caption-attachment-36028" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36028" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-11-800x400.png" alt="Na imagem, há três mulheres de frente a uma janela. A primeira mulher possui pele negra e cabelos cacheados presos. A segunda mulher possui pele branca e cabelos grisalhos. A terceira mulher possui pele negra e cabelos cacheados longos. Todas estão contemplando o horizonte. " width="800" height="400" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-11-800x400.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-11-1024x512.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-11-768x384.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-11-1200x600.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-11.png 1300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36028" class="wp-caption-text">Dolores é um manifesto cultural da potência do cinema brasileiro. (Foto: Dezenove Som e Imagens)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>Victor Hugo Aguila</strong></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desejar mudar sua realidade é a aposta mais arriscada </span><span style="font-weight: 400;">–</span><span style="font-weight: 400;"> e vantajosa </span><span style="font-weight: 400;">– </span><span style="font-weight: 400;">que alguém pode ter. Na seleção da </span><a href="https://mostra.org/filmes?secao=Mostra%20Brasil"><span style="font-weight: 400;">Mostra Brasil</span></a><span style="font-weight: 400;"> da </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/49a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Dolores </span></i><span style="font-weight: 400;">apresenta a história de três mulheres da mesma família, em diferentes gerações. Ao abordar o sentimento de ambição compartilhado entre neta, mãe e avó, o longa mostra uma nova maneira de enxergar a relação entre mulheres. </span></p>
<p><span id="more-36026"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com a vontade de abrir um cassino prestes a completar 65 anos, a personagem-título, interpretada por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Ay1oYCMmN0U"><span style="font-weight: 400;">Carla Ribas</span></a><span style="font-weight: 400;">, é a representação perfeita do agridoce da impulsividade. Lutando contra o vício em apostas, a protagonista encara ao longo do filme a disputa que é desfrutar de seus desejos sem perder a racionalidade. Ainda que seja fiel a si mesma, a aniversariante peca vorazmente ao ser consumida pela ânsia e pela pressa, frustrando não apenas suas relações interpessoais, como também as expectativas que possui de si mesma. </span></p>
<figure id="attachment_36029" aria-describedby="caption-attachment-36029" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36029" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image3-13-800x400.png" alt="Na imagem, há uma mulher branca de cabelos grisalhos. Ela está com o rosto maquiado e usando um vestido colorido. Em seu pescoço, há um colar dourado. " width="800" height="400" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image3-13-800x400.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image3-13-1024x512.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image3-13-768x384.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image3-13-1200x600.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image3-13.png 1300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36029" class="wp-caption-text">O figurino e a maquiagem desempenham funções importantes no longa ao emoldurar as diversas facetas de Dolores. (Foto: Dezenove Som e Imagens)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para além da individualidade das personagens, a obra expõe brilhantemente o abismo emocional que existe entre a sexagenária e Deborah (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=qyXt5SYBFd0"><span style="font-weight: 400;">Naruna Costa</span></a><span style="font-weight: 400;">), sua filha, e como os vínculos familiares refletem suas identidades. Ao ser abandonada e furtada por seu namorado, após a saída do rapaz da prisão, a primogênita se encontra em uma posição de vulnerabilidade emocional e financeira. Em análise, é perceptível como esse movimento é recorrente em sua vida, uma vez que sua mãe a coloca na mesma posição depois de vender a casa que ambas tinham sem seu consentimento. A partir disso, é destrinchado verdadeiramente o que constrói sua personalidade e como isso afeta </span><span style="font-weight: 400;">–</span><span style="font-weight: 400;"> ou não </span><span style="font-weight: 400;">– </span><span style="font-weight: 400;">sua forma de se ver e se portar no mundo que lhe cerca. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Duda (Ariane Aparecida), por sua vez, tenta se desvencilhar da realidade que a contempla ao acreditar nas falsas promessas de seu patrão, que desperta sua fantasia de ir morar nos Estados Unidos. A neta, com uma postura forte e audaciosa, recai na ingenuidade permeada pela idade ao aceitar fazer parte de um esquema de </span><a href="https://personaunesp.com.br/griselda-critica/"><span style="font-weight: 400;">tráfico</span></a><span style="font-weight: 400;"> de armas. Ainda que a personagem represente fielmente o contexto social de muitas mulheres da periferia de São Paulo, o modo de transcrever o imaginário social ocorre de maneira delicada e potente, combinada a atuação exemplar de Ariane. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além dessa ótica, o enredo representa fielmente a lógica cruel e patriarcal que ainda persiste atualmente: o condicionamento de mulheres a lidar com as consequências de ações cometidas pelos homens. A presença marcante de Dona Ida (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=y74qaJtvCQA"><span style="font-weight: 400;">Teca Pereira</span></a><span style="font-weight: 400;">), por exemplo, corrobora essa perspectiva. Ao narrar para Deborah como deixou a profissão que tanto amava por pressão do marido </span><span style="font-weight: 400;">– </span><span style="font-weight: 400;">que a abandonou durante sua gestação </span><span style="font-weight: 400;">– </span><span style="font-weight: 400;"> é evidenciado o apagamento da sua individualidade e do seus desejos em prol de uma relação. A obra com roteiro original de Chico Teixeira se consagra enquanto forte expoente da poesia cinematográfica a partir da abordagem séria, crítica e sutil. </span></p>
<figure id="attachment_36027" aria-describedby="caption-attachment-36027" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36027" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-13-800x533.png" alt="Na imagem, há três mulheres em um diálogo. Da esquerda para a direita, a primeira mulher possui pele branca e cabelos escuros. Ela está vestindo uma blusa de mangas longas marrom e calça jeans. No meio, há uma mulher branca com cabelos grisalhos, vestindo um vestido preto, branco e amarelo. Ao seu lado, há uma mulher negra com cabelos cacheados. Ela está vestindo uma camiseta regata laranja e calça branca. O ambiente é uma sala de estar, iluminado por uma coloração amarelada. No fundo, é possível ver móveis e objetos de decoração. " width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-13-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-13-1024x682.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-13-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-13-1200x799.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-13.png 1300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36027" class="wp-caption-text">Marlene (Gilda Nomacce) é um alívio cômico e gentil para a tensão presente no filme. (Foto: Dezenove Som e Imagens)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Esteticamente, o filme triunfa na fotografia. Com os tons da cidade de </span><a href="https://personaunesp.com.br/brenda-lee-palacio-princesas-critica/"><span style="font-weight: 400;">São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao seu favor, a direção de arte, feita por Juliana Lobo, e a montagem, de Joana Luz, são os pulmões das cenas, oxigenando o espectador a cada movimento. Além desse aspecto, elementos culturais característicos da brasilidade trazem familiaridade e conforto ao serem desfrutados </span><span style="font-weight: 400;">– </span><span style="font-weight: 400;">como a cena dos brigadeiros sendo decorados para a festa de aniversário de Dolores. O apreço em se identificar afetivamente com determinados momentos do longa demonstra a ternura para além das câmeras. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda, é primordial destacar a produção e direção enquanto algo digno de engrandecimento. Dirigido por Maria Clara Escobar, além de Marcelo Gomes, e produzido por Sara Silveira, Eliane Bandeira e Maria Ionescu, o longa abarca a representatividade feminina para além das câmeras. Ao portar figuras femininas em posições de destaque, e com orientações de outras mulheres, </span><i><span style="font-weight: 400;">Dolores</span></i><span style="font-weight: 400;"> pode ser definido como coerente. Mais que valorizar tais vozes, é efetivada sua proposta inicial e mais importante: enxergar a </span><a href="https://personaunesp.com.br/adoraveis-mulheres-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">mulheridade</span></a><span style="font-weight: 400;"> através de uma perspectiva de sujeito, e não objeto. </span></p>
<figure id="attachment_36030" aria-describedby="caption-attachment-36030" style="width: 532px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36030" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image4-5-532x800.png" alt="Na imagem, há uma mulher negra de tranças. Ela está vestindo um casaco colorido e está em cima de uma moto. No seu colo, há uma mala grande na cor laranja. Em seu rosto, há lágrimas escorrendo e expressões que remetem a tristeza. " width="532" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image4-5-532x800.png 532w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image4-5-681x1024.png 681w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image4-5-768x1154.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image4-5.png 770w" sizes="auto, (max-width: 532px) 85vw, 532px" /><figcaption id="caption-attachment-36030" class="wp-caption-text">A ingenuidade e a busca pelo pertencimento materializam em Duda, personagem de Ariane Aparecida. (Foto: Dezenove Som e Imagens)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sob uma perspectiva contemporânea, o filme se mostra relevante ao usar elementos da era vigente para sua composição. A presença de músicas de artistas atuais como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ObuN0kgfqAA"><span style="font-weight: 400;">Afreekassia</span></a><span style="font-weight: 400;"> transmite ao espectador a sensação de lucidez, mostrando a possível atemporalidade da obra e atestando sua permanência. Além da trilha sonora, o próprio roteiro inova ao destacar a sensualidade de Dolores, uma mulher idosa, na cena em que ela beija um homem mais novo no banheiro do cassino. Nessas construções de cena, ceder o protagonismo da sexualidade a uma mulher mais velha é, além de disruptivo, extremamente necessário. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Dolores</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um escopo magnífico e orgulhoso do </span><a href="https://personaunesp.com.br/ainda-estou-aqui-critica/"><span style="font-weight: 400;">cinema nacional</span></a><span style="font-weight: 400;">. De um ponto de vista crítico, questões como vaidade, prazer e coragem ganham um ambiente fértil para desabrochar sem cair num conto raso e estereotipado. A partir de recursos visuais ricos e com uma estética característica e identitária, a obra garante seu prestígio ao ousar para além do texto e do que se espera de histórias contadas por e para mulheres. De maneira inata e já sendo um prodígio, o longa é o exemplo perfeito de que a cinematografia brasileira tem tudo para ser um sucesso.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="&quot;Dolores&quot; - Maria Clara Escobar, Marcelo Gomes TRAILER" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/R8NZQ-MxaAI?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>O deserto coletivo assola Paloma</title>
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		<pubDate>Fri, 28 Oct 2022 20:25:07 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitor Evangelista Paloma trabalha colhendo mamões em uma plantação, faz bico de cabeleireira, namora com Zé e, junto dele, cria a pequena Jenifer no interior do Pernambuco. Ela é espirituosa, bondosa e amada por todos da cidadezinha, e no fundo, tem um desejo próximo ao coração: se casar na igreja, vestida de noiva, com buquê &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/paloma-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O deserto coletivo assola Paloma"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29002" aria-describedby="caption-attachment-29002" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29002" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/01.jpg" alt="Cena do filme Paloma, mostra a protagonista, uma mulher negra, sorrindo com um véu branco na cabeça. " width="2000" height="1048" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/01.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/01-800x419.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/01-1024x537.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/01-768x402.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/01-1536x805.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/01-1200x629.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29002" class="wp-caption-text">Entre grandes títulos nacionais, Paloma faz parte da rica seleção da 46ª Mostra de São Paulo, na seção Mostra Brasil (Foto: Pandora Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Vitor Evangelista</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Paloma trabalha colhendo mamões em uma plantação, faz bico de cabeleireira, namora com Zé e, junto dele, cria a pequena Jenifer no interior do Pernambuco. Ela é espirituosa, bondosa e amada por todos da cidadezinha, e no fundo, tem um desejo próximo ao coração: </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-paloma-2022/"><span style="font-weight: 400;">se casar na igreja</span></a><span style="font-weight: 400;">, vestida de noiva, com buquê e chuva de arroz. Mas, quando enfim toma coragem e chega ao padre com o singelo pedido, ouve um sonoro ‘não’. Por ser uma mulher trans, o sonho de Paloma não pode ser concretizado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na trama, presente na seção Mostra Brasil da 46ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo e inspirada por acontecimentos reais, quem interpreta Paloma é a grandiosa </span><a href="https://mulhernocinema.com/especiais/kika-sena-escreve-sobre-paloma-perspectiva-complexa-da-vida-de-uma-mulher-trans/"><span style="font-weight: 400;">Kika Sena</span></a><span style="font-weight: 400;">. Arte-educadora, diretora teatral, poeta e </span><i><span style="font-weight: 400;">performer</span></i><span style="font-weight: 400;">, graduada em Licenciatura em Artes Cênicas pela Universidade de Brasília (UnB) e mestranda em Teoria em Prática das Artes Cênicas pela Universidade Federal do Acre, Sena é pesquisadora nas áreas de gênero, sexualidade, raça e classe, e autora dos livros </span><i><span style="font-weight: 400;">Marítima</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2016) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Periférica</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2017) e da </span><i><span style="font-weight: 400;">zine</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Subterrânea</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2019).</span></p>
<p><span id="more-29001"></span></p>
<figure id="attachment_29003" aria-describedby="caption-attachment-29003" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29003" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/02.jpg" alt="Cena do filme Paloma, mostra uma mulher negra carregando no colo uma criança de cabelos na altura dos ombros. A mulher usa blusa branca e a criança usa roupas rosas, com a mochila pendurada nas costas da mulher. Ao fundo, vemos muros brancos. " width="1280" height="768" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/02.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/02-800x480.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/02-1024x614.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/02-768x461.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/02-1200x720.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29003" class="wp-caption-text">O diretor Marcelo Gomes já passou pela Mostra de SP com Cinema, Aspirinas e Urubus; Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo; Era Uma Vez Eu, Verônica; e O Homem das Multidões, além de dirigir o elogiado Estou me Guardando para Quando o Carnaval Chegar (Foto: Pandora Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sena fez história no mês de Outubro, quando se tornou a </span><a href="https://gshow.globo.com/tudo-mais/pop/noticia/festival-do-rio-kika-sena-e-a-primeira-artista-trans-a-receber-trofeu-redentor-de-melhor-atriz.ghtml"><span style="font-weight: 400;">primeira pessoa trans</span></a><span style="font-weight: 400;"> a vencer o Troféu Redentor de Melhor Atriz no Festival do Rio 2022, premiação que também agraciou o longa com a honraria máxima da </span><a href="https://cosmonerd.com.br/filmes/noticias/paloma-longa-vencedor-do-festival-do-rio-estara-na-46a-mostra/"><span style="font-weight: 400;">Première Brasil</span></a><span style="font-weight: 400;">. O diretor Marcelo Gomes subiu ao palco e agradeceu, e depois da passagem de </span><i><span style="font-weight: 400;">Paloma </span></i><span style="font-weight: 400;">por Munique e pela Cidade Maravilhosa, a Mostra de São Paulo recebe de braços abertos esse que foi um dos finalistas para </span><a href="https://www.omelete.com.br/oscar/oscar-2023-filmes-pre-selecionados-brasil"><span style="font-weight: 400;">representar o Brasil</span></a><span style="font-weight: 400;"> no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2023.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história, escrita a seis mãos por Gomes, Armando Praça e Gustavo Campos, é um mergulho no </span><a href="https://www.instagram.com/sereiavulcanica/"><span style="font-weight: 400;">cotidiano de Paloma</span></a><span style="font-weight: 400;"> e nas tentativas de revolucionar sua vivência batalhando pelo mínimo de respeito e pelo básico de direitos. Embebidos pelo íntimo da protagonista e de seu amado, o pedreiro Zé (Ridson Reis), de cara somos apresentados à imagem de uma mulher apaixonada pela filha Jenifer (Anita de Souza Macedo), a quem carinhosamente se refere como ‘coração’, e pela vida que construiu ao lado do companheiro.</span></p>
<figure id="attachment_29004" aria-describedby="caption-attachment-29004" style="width: 1580px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29004" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/03.jpg" alt="Cena do filme Paloma, mostra uma mulher negra sorrindo e olhando para baixo. Ela está à frente de uma parede azul e usa roupas de casamento. Um vestido branco de noiva, com véu e colar na mesma cor." width="1580" height="804" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/03.jpg 1580w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/03-800x407.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/03-1024x521.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/03-768x391.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/03-1536x782.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/03-1200x611.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29004" class="wp-caption-text">Além de Paloma, Kika Sena protagoniza outro filme presente na Mostra de 2022: Noites Alienígenas, grande vencedor do Festival de Gramado (Foto: Pandora Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O sonho de casamento, que estampa tanto a sinopse quanto o </span><a href="https://www.adorocinema.com/filmes/filme-292991/fotos/detalhe/?cmediafile=21929725"><span style="font-weight: 400;">belíssimo</span></a><span style="font-weight: 400;"> e refinado pôster do filme, surge como motivação e agente de consequência na direção de Gomes, cineasta que tem envolvimento nos roteiros dos recentes </span><a href="https://personaunesp.com.br/acqua-movie-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Acqua Movie</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Divino Amor</span></i><span style="font-weight: 400;">. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Paloma</span></i><span style="font-weight: 400;">, a força de Sena se dá no carisma e na primazia de esconder muito de suas verdadeiras emoções e empatias por baixo de um sorriso e uma expressão de entendimento tristonho.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas, quando o pavio está em completo estado de combustão, a artista convence como alguém levada para além do ponto de retorno. Afinal, para alguém </span><a href="https://www.camara.leg.br/tv/571768-a-poesia-critica-de-nicolas-behr-e-kika-sena/"><span style="font-weight: 400;">querida e amada</span></a><span style="font-weight: 400;"> na cidade que habita, de que maneira ela deve encarar o cerceamento de sua individualidade e de seus almejos se não expressando angústia, medo e um bocado de raiva? A dita má fama que recai sobre o local assim que a notícia do matrimônio rompe a grande mídia é o suficiente para que a simpatia dos residentes se transforme no ódio presente na </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2022/01/23/ha-13-anos-no-topo-da-lista-brasil-continua-sendo-o-pais-que-mais-mata-pessoas-trans-no-mundo"><span style="font-weight: 400;">vida brasileira</span></a><span style="font-weight: 400;"> longe da ficção.</span></p>
<figure id="attachment_29005" aria-describedby="caption-attachment-29005" style="width: 984px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29005" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/04.png" alt="Foto da atriz Kika Sena, uma mulher negra, segurando o troféu de Melhor Atriz no Festival do Rio. Ela usa roupas claras com um lenço marrom em volta do pescoço e sorri. O troféu é cor de cobre e tem o formato parecido com o do Cristo Redentor." width="984" height="657" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/04.png 984w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/04-800x534.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/04-768x513.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29005" class="wp-caption-text">Incomparável no papel-título, Kika Sena fez história ao vencer o Prêmio de Melhor Atriz no Festival do Rio (Foto: Fabio Cordeiro/gshow)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Transferindo </span><a href="https://observatoriomorteseviolenciaslgbtibrasil.org/canal-de-denuncia/lgbtfobia/?gclid=Cj0KCQjwteOaBhDuARIsADBqRei064EGmGZ_DCWhqoWg-FjVpMMJx7SnBJ-30Vw9yzyJnK7Lt2LFb1oaAtZSEALw_wcB"><span style="font-weight: 400;">violências</span></a><span style="font-weight: 400;"> para as vidas e os corpos que circulam Paloma, o filme ganha forma na amargura da felicidade, na virada do sorriso para as lágrimas e, principalmente, na descarga de terror que preenche a meia-hora final. Temas de exercício da religião, </span><a href="https://personaunesp.com.br/luana-muniz-filha-da-lua-critica/"><span style="font-weight: 400;">extensão da liberdade</span></a><span style="font-weight: 400;"> e desejo são a trinca que guia a mulher pelos campos de mamoeiros, trajetos esburacados e pelo deserto coletivo em que se localiza, assolada e atingida por todas as frentes, mas nunca em completo estado de devoração, como captura a fotografia de Pierre de Kerchove e ordena a montagem de Rita M. Pestana.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diferente de um específico </span><a href="https://personaunesp.com.br/deserto-particular-critica/"><span style="font-weight: 400;">deserto particular</span></a><span style="font-weight: 400;"> que evoca margem para a existência do outro em estado de independência e permissão, o coletivo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Paloma</span></i><span style="font-weight: 400;"> é espaço para descascar um país imutável, impassível. E ela tem sede nesta seca. Sede de amor, de afeto, de trocas recíprocas e de respeito. Ela começa sua jornada clamando em um silêncio sorridente na estrada doce em que caminha, para logo se sentir literal e figurativamente atravessada pela amargura e pelo azedume, levando consigo todos aqueles que se emocionaram com sua história de feitos e invenções em nome do otimismo. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Paloma | Trailer" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/TnnM7-XZrDk?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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