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	<title>Arquivos Marcelo Caetano &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Baby sobrevive com a rua e o Cinema</title>
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		<pubDate>Fri, 08 Nov 2024 16:37:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Davi Marcelgo  No momento em que o diretor Marcelo Caetano filmou ‘Baby’ (João Pedro Mariano) – ainda Wellington naquela cena – na FEBEM, um nome ecoava de dentro da cela: Héctor Babenco, seja nas ideias, estilização em cores, Fotografia ou iluminação. Ainda assim, Baby transpira personalidade e dor. Selecionado para a seção Mostra Brasil, o &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/baby-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Baby sobrevive com a rua e o Cinema"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34355" aria-describedby="caption-attachment-34355" style="width: 753px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-34355" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-1.jpg" alt="Cena do filme Baby Na imagem, o personagem Baby faz pose de guarda na luta de Boxe, colocando as duas mãos ao lado do rosto. As mãos estão vestidas com luvas de Boxe na cor vermelha. Baby é um garoto na faixa dos 18 anos, de pele escura e cabelos escuros, bem curtos. Ele está sem camiseta. Ao fundo há uma parede azul. " width="753" height="407" /><figcaption id="caption-attachment-34355" class="wp-caption-text">O filme ganhou o prêmio de Melhor Longa-Metragem de Ficção no Festival do Rio 2024 (Foto: Vitrine Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Davi Marcelgo </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No momento em que o diretor Marcelo Caetano filmou ‘Baby’ (João Pedro Mariano) – ainda Wellington naquela cena – na FEBEM, um nome ecoava de dentro da cela: </span><a href="https://rollingstone.com.br/cinema/hector-babenco-e-homenageado-na-48-mostra-de-cinema-de-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Héctor Babenco</span></a><span style="font-weight: 400;">, seja nas ideias, estilização em cores, Fotografia ou iluminação. Ainda assim, </span><i><span style="font-weight: 400;">Baby </span></i><span style="font-weight: 400;">transpira personalidade e dor. Selecionado para a seção Mostra Brasil, o filme faz parte da programação da </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/48a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span id="more-34354"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Wellington é um garoto de 18 anos recém liberto do centro de detenção juvenil. Sem saber o paradeiro dos pais, ele conhece Ronaldo (Ricardo Teodoro</span><span style="font-weight: 400;">)</span><span style="font-weight: 400;">, adota o nome ‘Baby’ e vai precisar aprender a </span><a href="http://personaunesp.com.br/pixote-a-lei-do-mais-fraco-critica/"><span style="font-weight: 400;">lei do mais forte</span></a><span style="font-weight: 400;">. O texto escrito por Gabriel Domingues e Marcelo Caetano denuncia a violência na estrutura brasileira – do lar à polícia – e enaltece as famílias criadas por afinidade e identificação, sem precisar necessariamente de laços sanguíneos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O centro de todos acontecimentos na vida desse jovem é sobreviver, tal como Pixote, no clássico brasileiro de 1980. Babenco e </span><a href="https://www.metropoles.com/entretenimento/cinema/cannes-2024-diretor-de-baby-fala-de-naos-do-mercado-a-filmes-lgbts"><span style="font-weight: 400;">Caetano</span></a><span style="font-weight: 400;"> também são parecidos, no filtro azulado das noites de São Paulo e no afago que ambos nutrem pelos personagens marginalizados. Não importa se roubam, vendem o corpo, o que fizeram no passado ou porque foram para a detenção, nenhuma atitude feita para ter o mínimo de dignidade é condenável para os artistas.</span></p>
<p><figure id="attachment_34358" aria-describedby="caption-attachment-34358" style="width: 739px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-34358" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-1.jpg" alt="Na imagem, Baby e Ronaldo estão de pé, um ao lado do outro. Baby olha para frente enquanto Ronaldo observa o garoto. Eles estão dentro de um cinema pornô, as paredes são pretas e vermelhas. Baby, à esquerda, é um garoto na faixa dos 18 anos, de pele escura e cabelos escuros, bem curtos. Usa uma camiseta branca e uma jaqueta aberta preta e vermelha. Ronaldo é um homem na faixa dos 40 anos, de pele escura, barba cheia e cabelos escuros, curtos e cacheados. Ele veste uma camisa social de botões na cor preta, está com a fila aberta e mais no bolso. " width="739" height="415" /><figcaption id="caption-attachment-34358" class="wp-caption-text">Ricardo Teodoro (à direita) ganhou o prêmio de Melhor Ator Revelação no Festival de Cannes, na França [Foto: Vitrine Filmes]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2iLTt6sgBPc"><span style="font-weight: 400;">personagem</span></a><span style="font-weight: 400;"> título tem nuances: fala e movimenta os braços de forma diferente quando conversa com adultos do passado, já com os amigos, revela seu verdadeiro ‘eu’. Quando encontra Ronaldo, o jovem se mostra alguém muito ferido, mas a forma como a dupla de roteiristas escolhe fazer isso é atraente e traz maior carga dramática à cena: ao invés de apenas verbalizar situações de agressão com que Wellington teve de lidar, o protagonista mostra as cicatrizes que tem pelo corpo e conta a história de cada uma delas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Todas as lembranças desenhadas na pele do protagonista se transformam em um escudo para conviver com a nova realidade fora de casa e da escola, cabe a Ronaldo a missão de orientar a ele as regras do mundo da prostituição, das drogas e das ruas. Porém, ‘Baby’ também tem de ensinar: através dos movimentos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Vogue</span></i><span style="font-weight: 400;">. Enquanto seu parceiro o ensina a lutar boxe, ele mostra a dança; </span><a href="https://vogue.globo.com/Apresenta/noticia/2022/01/alem-da-pose-como-o-voguing-se-conecta-ao-movimento-pelos-direitos-das-pessoas-trans-e-travestis.html"><span style="font-weight: 400;">símbolos de resistência</span></a><span style="font-weight: 400;"> contra formas de opressão físicas e materiais são passadas entre gerações.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Arte de Marcelo Caetano é humana e de muita fúria. As cores ora quentes, ora frias, combinam com a vivência de estar na pele de um ser que respira, potencializado por ser </span><i><span style="font-weight: 400;">gay</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><span style="font-weight: 400;">Tão humano, que há espaço para sexo, brigas e revolta. Entra em cena uma São Paulo quase nunca vista, de baladas LGBTQIAP+ e </span><a href="https://www.uol.com.br/universa/especiais/cinemas-porno/"><span style="font-weight: 400;">Cinema erótico</span></a><span style="font-weight: 400;">, espaços que possuem mais afeto do que o quintal de uma casa. </span><i><span style="font-weight: 400;">Baby </span></i><span style="font-weight: 400;">é uma combinação de temáticas e influências já vistas antes – o final lembra </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/central-do-brasil-relembre-a-historia-do-filme-brasileiro-indicado-ao-oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Central do Brasil</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1998) –, porém não é menor por isso, assim como o protagonista, ele é um aprendizado de lições anteriores. Você não vai esquecer do jovem com quem saiu por uma noite, vai ficar com o cheiro dele na roupa ou com uma cicatriz que ele te deu. Afinal, viver é uma experiência que deixa marcas, aprendizados, mas dá amigos e uma família. </span></p>
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