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	<title>Arquivos Marcell Rév &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Do esgoto de Hollywood a suas telas: The Idol prova que polêmicas não trazem um hit e qualidade</title>
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		<pubDate>Fri, 24 Nov 2023 12:17:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Talita Cardoso Abusos da mídia, dores físicas e psicológicas de artistas, transtornos desencadeados pelo meio e todos os bastidores podres da indústria musical de forma nunca antes vista. Foi o que The Idol prometeu explorar ao narrar a perspectiva de Jocelyn (Lily-Rose Depp), uma cantora mentalmente instável e fisicamente ferida pela profissão, que tem sua &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/the-idol-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Do esgoto de Hollywood a suas telas: The Idol prova que polêmicas não trazem um hit e qualidade"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31937" aria-describedby="caption-attachment-31937" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-31937" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image6.jpg" alt="Cena da série The Idol. Na imagem há Lily-Rose Depp, uma mulher branca e loira à frente, com a cabeça levemente virada para a direita e uma camiseta regata branca com decote, ela é abraçada por trás por Tedros, The Weeknd, um homem negro, com barba, óculos escuros e camisa branca com alguns detalhes triangulares em preto. Ambos estão sorrindo. Ao fundo, é possível enxergar algumas pessoas dançando. A fotografia foi tirada em uma balada." width="1999" height="756" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image6.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image6-800x303.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image6-1024x387.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image6-768x290.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image6-1536x581.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image6-1200x454.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31937" class="wp-caption-text">No Festival de Cannes, o diretor Sam Levinson afirmou que as controvérsias fariam de The Idol a maior série do verão (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><b>Talita Cardoso</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Abusos da mídia, dores físicas e psicológicas de artistas, transtornos desencadeados pelo meio e todos os bastidores podres da indústria musical de forma nunca antes vista. Foi o que </span><i><span style="font-weight: 400;">The Idol</span></i><span style="font-weight: 400;"> prometeu explorar ao narrar a perspectiva de Jocelyn (Lily-Rose Depp), uma cantora mentalmente instável e fisicamente ferida pela profissão, que tem sua vida e a forma como enxerga a arte alterada ao conhecer um problemático produtor musical, Tedros (The Weeknd).</span></p>
<p><span id="more-31931"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de abordar muitos dos temas os quais se propõem, a qualidade na forma como eles são retratados é desprezível, mas o que o público poderia esperar de uma série que antes mesmo de estrear já estava banhada de polêmicas e, após uma exibição prévia no </span><a href="https://www.festival-cannes.com/"><span style="font-weight: 400;">Festival de Cannes</span></a><span style="font-weight: 400;">, foi massacrada pela crítica especializada. Isso fez com que a obra, dirigida e roteirizada por Sam Levinson, </span><a href="https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/269083-the-idol-serie-polemica-hbo-the-weeknd-cancelada.htm"><span style="font-weight: 400;">fosse cancelada</span></a><span style="font-weight: 400;"> após a recepção negativa do público, por mais que, previamente, a segunda temporada estivesse sendo cotada pela produtora.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A promessa de problematizar um meio por si só problemático ficou só em sonho e, apesar do elenco e a produção terem dado as caras em Cannes sorridentes e orgulhosos, com Sam Levinson chorando e fazendo declarações ousadas de que </span><i><span style="font-weight: 400;">The Idol</span></i><span style="font-weight: 400;"> iria hitar, a aceitação do público não foi a das melhores. Já no primeiro episódio, </span><i><span style="font-weight: 400;">Cara Melada e Contos do Malandro</span></i><span style="font-weight: 400;">, a audiência ficou atrás de outro sucesso da </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO</span></i><span style="font-weight: 400;">, também dirigida por Levinson, </span><a href="https://personaunesp.com.br/euphoria-part-1-rue-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Euphoria</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_31934" aria-describedby="caption-attachment-31934" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-31934" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-8.jpg" alt="Cena da série The Idol. Lily-Rose Depp, uma mulher branca e loira, com cabelos longos e The Weeknd, homem negro, de barba, que está usando um óculos escuros, se abraçam olhando para a esquerda da imagem. A imagem é escura, quase preta, com uma luz vermelha destacando ambos. Ao fundo há uma mulher desfocada e sorrindo." width="1999" height="756" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-8.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-8-800x303.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-8-1024x387.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-8-768x290.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-8-1536x581.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-8-1200x454.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31934" class="wp-caption-text">A <a href="https://www.rollingstone.com/tv-movies/tv-movie-features/the-idol-hbo-next-euphoria-torture-porn-the-weeknd-sam-levinson-lily-rose-depp-blackpink-jennie-1234688754/">revista Rolling Stones</a> divulgou que o orçamento da série foi de, no mínimo, US$ 75 milhões de dólares (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O fracasso de público pode ser explicado por uma junção de muitos fatores. O roteiro se assemelha a um </span><a href="https://manasemanos.com.br/soft-porn-virou-sinonimo-de-empoderamento-feminino/"><i><span style="font-weight: 400;">soft porn</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, exatamente o que se espera de algo criado sem a perspectiva feminina: </span><a href="https://comunidadeculturaearte.com/a-sexualizacao-e-objetificacao-de-personagens-femininas-no-cinema-uma-visao/"><span style="font-weight: 400;">sexualização e degradação feminina</span></a><span style="font-weight: 400;"> disfarçada de crítica e arte, pode ser um dos principais. Logo no piloto, tudo é sobre sexo, desde o enredo principal do até os diálogos mais banais. A monotemática de um texto que não se aprofunda em nada se torna mais sutil ao longo da série, mas a trama nunca evolui para algo a mais. Além de misógina, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Idol</span></i><span style="font-weight: 400;"> é rasa e tudo o que era suposto para problematizar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar disso, é perceptível a tentativa de captar a indústria musical. O sofrimento de Jocelyn é palpável para o público, mostrando as dificuldades em controlar suas emoções para parecer perfeita aos olhos dos outros, as dores de ter que fingir que está bem mesmo quando está prestes a desmoronar e de ter que continuar tentando mesmo que seu corpo já não aguente mais e possua demasiadas feridas abertas. Suas dores são físicas e psicológicas, claramente muito </span><a href="https://wwd.com/pop-culture/culture-news/the-idol-britney-spears-selena-gomez-inspiration-1235684986/"><span style="font-weight: 400;">inspiradas em divas </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> verdadeiras</span></a><span style="font-weight: 400;">, que tiveram suas angústias sexualizadas e tiradas de contexto ao longo do programa. </span></p>
<figure id="attachment_31936" aria-describedby="caption-attachment-31936" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-31936" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image5-1.jpg" alt="Cena da série The Idol. Na imagem há Lily-Rose Depp, uma mulher branca e loira, com cabelos longos, olhando para si mesma em um espelho, virada para o lado esquerdo da imagem. Ela está com uma maquiagem preta no olho e um batom neutro. É possível enxergar apenas de seu ombro para cima e da para ver alguns detalhes de sua roupa rosa. Ao fundo, a imagem é quase totalmente preta e desfocada." width="1999" height="756" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image5-1.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image5-1-800x303.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image5-1-1024x387.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image5-1-768x290.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image5-1-1536x581.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image5-1-1200x454.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31936" class="wp-caption-text">Em <a href="https://www.independent.co.uk/arts-entertainment/tv/news/the-idol-episode-5-lily-rose-depp-b2368224.html">entrevista para a Vogue Austrália</a>, Lily-Rose Depp afirmou que The Idol não é uma série para qualquer pessoa e que “toda melhor arte é polarizante” (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de um roteiro preguiçoso, os visuais, os figurinos e as cores não funcionam. Mesmo com a clara tentativa de criar uma </span><a href="https://www.inglesnapontadalingua.com.br/2010/07/o-que-significa-o-termo-it-girl.html"><i><span style="font-weight: 400;">it girl</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> que se torne inspiração, nada é memorável e acaba se tornando esquecível. Ainda sobre a estética, o único ponto alto e que merece destaque são as cenas em que Tedros aparece e as imagens se tornam escuras, com alguns tons em vermelho, trazendo a ideia de corrupção da personagem. Além disso, o jogo de câmera, idealizado por Marcell Rév, se torna mais inquieto e ansioso, sendo interessante em uma primeira análise. Entretanto, essa é uma tática visual que enjoa facilmente e se assemelha a uma mera extensão dos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ORVz_qeKgvg&amp;list=PLPWfqOiEsaWSx3tNonuFZ4CVxSQYaqqFG"><span style="font-weight: 400;">videoclipes de The Weeknd</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já no elenco, Lily-Rose Depp não faz uma atuação terrível e tem seus bons momentos, claramente evoluindo ao longo dos episódios. O cantor é inexpressivo e consegue a proeza de fazer e falar os maiores absurdos sem esboçar nenhuma reação, não se conectando nem ao menos com seus parceiros de cena. </span><a href="https://www.revistalofficiel.com.br/pop-culture/jennie-kim-musa-chanel"><span style="font-weight: 400;">Jennie Kim, interpretando Dyanne</span></a><span style="font-weight: 400;">, rouba a atenção sempre que está na tela. Apesar de aparecer em poucos momentos, a cantora foi dona de uma das únicas, senão única, cena viral da série, a </span><a href="https://www.tiktok.com/@_jenlily_/video/7241197226956000539?_r=1&amp;_t=8e4WCfKQAMw"><span style="font-weight: 400;">coreografia de </span><i><span style="font-weight: 400;">World Class Sinner</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_31933" aria-describedby="caption-attachment-31933" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31933" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-8.jpg" alt="Cena da série The Idol. Jennie é uma mulher coreana de cabelos pretos e longos, com alguns fios amarrados em um coque e o resto solto. Ela está sentada e olhando para a direita de forma fixa. Suas roupas são completamente pretas, sendo uma camiseta com manga de um lado só e uma calça. A imagem é bem escura e tem tons amarelados nas partes iluminadas. O fundo possui luzes e uma cortina." width="1999" height="756" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-8.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-8-800x303.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-8-1024x387.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-8-768x290.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-8-1536x581.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-8-1200x454.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31933" class="wp-caption-text">Jennie foi um dos <a href="https://revistaquem.globo.com/entretenimento/k-pop/noticia/2023/05/jennie-kim-do-blackpink-rouba-a-cena-em-cannes.ghtml">destaques em Cannes</a> quando apareceu com o restante do elenco de The Idol no tapete vermelho (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Há claras tentativas falidas e ridículas de inserir um suposto </span><a href="https://www.institutoalgar.org.br/o-empoderamento-feminino/"><span style="font-weight: 400;">empoderamento feminino</span></a><span style="font-weight: 400;"> na protagonista, que evidenciam ainda mais um roteiro em que nenhuma mulher colocou os dedos. O feminismo liberal representado não traz pauta relevante, se limitando à ideia de um movimento aliado ao capitalismo, ambos incentivando Jocelyn a lucrar com seu corpo, mesmo que a própria cantora se mostre descontente em se expor nua visando lucros. Todos a tratam como inocente e a julgam por não querer fazer isso consigo mesma. No fim, isso apenas reforçou o ideal machista do</span><i><span style="font-weight: 400;"> script</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span><i><span style="font-weight: 400;"> </span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, o ‘relacionamento’ representado entre Jocelyn e Tedros é repugnante e desnecessariamente romantizado. De início, o homem a utiliza como bem entende, o que gerou </span><a href="https://www.omelete.com.br/hbo-max/the-idol-reacoes-critica-cannes"><span style="font-weight: 400;">severas críticas à série</span></a><span style="font-weight: 400;">. Assim, houve uma tentativa de amenizar todo o abuso mostrado ao longo dos episódios, trazendo um </span><i><span style="font-weight: 400;">plot twist</span></i><span style="font-weight: 400;"> sem noção e mal construído para a personagem de Lily-Rose Depp. Repentinamente, um roteiro que foi todo construído na ideia do abuso de uma mulher claramente quebrada psicologicamente faz com que ela se torne uma vilã e o abusador, um coitado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É fácil relacionar o final da série a uma tentativa de uma </span><i><span style="font-weight: 400;">girl boss</span></i><span style="font-weight: 400;">, um </span><a href="https://frenezirevista.com/2022/08/24/female-rage-conheca-a-furia-feminina-na-literatura/"><i><span style="font-weight: 400;">female rage</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> ou um ‘</span><a href="https://pixelnerd.com.br/literalmente-eu-saiba-quais-personagens-da-cultura-pop-constantemente-sao-associadas-a-personalidades-de-pessoas/"><span style="font-weight: 400;">literalmente eu</span></a><span style="font-weight: 400;">’ para conquistar o público e viralizar no </span><i><span style="font-weight: 400;">TikTok</span></i><span style="font-weight: 400;">. Claramente, não funciona. Personagens assim, atualmente, só conquistam o público feminino quando não são construídas sob o </span><a href="https://claudemirpereira.com.br/2022/03/o-olhar-masculino-por-elen-biguelini/"><span style="font-weight: 400;">olhar masculino</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ao contrário do que parece ter sido desejado, o final só tornou tudo mais misógino e inconsequente. Além disso, muitos dos abusos cometidos são tidos como ‘método de trabalho’ por Tedros e em nenhum momento há uma reflexão sobre isso. Uma produção que se propõe a fazer análises sobre a toxicidade de uma indústria parece, na verdade, normalizar abusos inaceitáveis e deixar passar claras problemáticas.</span></p>
<figure id="attachment_31935" aria-describedby="caption-attachment-31935" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31935" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image4-5.jpg" alt="Cena da série The Idol. The Weeknd, como Tedros. Ele é um homem negro, de barba e cabelo preto curto que está sentado e apoiando seu braço direito no sofá enquanto olha para a direita da imagem. Ele usa uma camisa branca com alguns detalhes em rosa que está aberta e é possível ver uma camiseta preta por dentro. Ele também usa um colar. Ao fundo, é possível ver algumas luzes." width="1999" height="756" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image4-5.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image4-5-800x303.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image4-5-1024x387.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image4-5-768x290.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image4-5-1536x581.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image4-5-1200x454.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31935" class="wp-caption-text">The Weeknd negou, em entrevista, que Tredos tenha sido criado para seduzir a audiência, mas o define como portador de uma “vibração sinistra” e “aesthetic” (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O único aspecto genuinamente competente da série é sua trilha sonora. Afinal, The Weeknd como roteirista e ator é um ótimo músico. Quase todas as melodias que compõem o enredo têm seu dedo nas produções e composições, o que não é ruim, já que ele entrega qualidade. Merecem destaque </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/7CyPwkp0oE8Ro9Dd5CUDjW?si=83061f188f18422f"><i><span style="font-weight: 400;">One Of The Girls</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, uma das mais ouvidas no </span><i><span style="font-weight: 400;">Spotify</span></i><span style="font-weight: 400;">, com seus vocais e ritmo marcantes, e </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/6WzRpISELf3YglGAh7TXcG?si=73da166e89794e16"><i><span style="font-weight: 400;">Popular</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, com uma batida notável e a participação especial da lendária </span><a href="https://personaunesp.com.br/madonna-ray-of-light-critica/"><span style="font-weight: 400;">Madonna</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que poucos sabem é que </span><i><span style="font-weight: 400;">The Idol</span></i><span style="font-weight: 400;"> se tornou um conjunto de desastres após a demissão da </span><a href="https://musicaecinema.com/a-polemica-demissao-de-amy-seimetz-de-serie-da-hbo/"><span style="font-weight: 400;">diretora inicial, Amy Seimetz</span></a><span style="font-weight: 400;">, que saiu repentinamente quando quase todos os episódios da série já estavam finalizados. </span><a href="https://uproxx.com/music/the-weeknd-the-idol-overhaul-female-perspective/"><span style="font-weight: 400;">Burburinhos disseram</span></a><span style="font-weight: 400;"> que The Weeknd, co-criador, acreditava que o </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;"> tinha uma perspectiva feminista muito forte e por isso substituiu Seimetz por Levinson, que reescreveu e regravou praticamente tudo.</span></p>
<figure id="attachment_31932" aria-describedby="caption-attachment-31932" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31932" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-7.jpg" alt="Na imagem há Lily-Rose Depp, uma mulher branca e loira à frente, com a cabeça levemente inclinada para esquerda, repousando-a sobre o braço de um homem atrás dela. Ela usa um óculos escuro. O homem atrás dela é The Weeknd, um homem negro, que está com o braço direito levantado, óculos escuros e um palito entre os dentes. Ambos têm suas cabeças viradas em direção a foto e estão dentro de um carro conversível com estofado vermelho e, ao fundo, é possível enxergar o céu azul e algumas palmeiras" width="1999" height="756" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-7.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-7-800x303.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-7-1024x387.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-7-768x290.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-7-1536x581.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-7-1200x454.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31932" class="wp-caption-text">Fotos dos bastidores da <a href="https://www.filmfare.com/news/hollywood/bts-pics-from-the-first-version-of-the-idol-reveal-a-shockingly-different-show-59651.html">antiga versão de The Idol</a> vazaram, revelando Jocelyn como uma artista pop estilo anos 2000, muitas cores e uma série completamente diferente da entregue por Sam Levinson e The Weeknd (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com tanta coisa negativa, não tinha um ser humano para avisar que </span><i><span style="font-weight: 400;">The Idol</span></i><span style="font-weight: 400;"> era uma péssima ideia? Na verdade, tinha sim. Com a clara mudança de perspectiva, vários membros da produção foram contra a produção e, em </span><a href="https://www.rollingstone.com/tv-movies/tv-movie-features/the-idol-hbo-next-euphoria-torture-porn-the-weeknd-sam-levinson-lily-rose-depp-blackpink-jennie-1234688754/"><span style="font-weight: 400;">entrevista para a </span><i><span style="font-weight: 400;">Rolling Stones</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, contaram sobre as polêmicas no </span><i><span style="font-weight: 400;">set</span></i><span style="font-weight: 400;">. Um deles ressaltou que a série saiu de uma sátira para se tornar exatamente o que eles queriam satirizar; já outro problematizou as cenas romantizadas de abuso, mas mesmo com diversos avisos, o seriado saiu do papel e ganhou vida.</span><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com uma enxurrada de controvérsias e uma baixa qualidade, a obra foi </span><a href="https://www.nationalworld.com/culture/television/the-idol-cancelled-the-weeknd-lily-rose-depp-sam-levinson-hbo-4202455"><span style="font-weight: 400;">encerrada com um episódio a menos</span></a><span style="font-weight: 400;"> do que a ideia inicial da antiga diretora. Com cinco atos de 50 minutos cada, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Idol</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma tortura de 275 minutos legalizada pela </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO</span></i><span style="font-weight: 400;"> e  um drama angustiante de se assistir. Não há história, não é artístico. Por mais que Sam Levinson considere o acúmulo de comentários negativos uma forma de</span><i><span style="font-weight: 400;"> marketing</span></i><span style="font-weight: 400;">, a série continua podre e não precisava nem ao menos ter passado do primeiro episódio.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: The Idol Official Playlist" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/37i9dQZF1DX6JvB1I8cgKT?si=da5519034cd94df8&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>O Radical de Euphoria e a Revolução de Rue</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Aug 2021 23:58:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Raquel Dutra O termo que significa um estado transcendental de alegria é usado para nomear uma obra que existe no nível mais profundo das dores de uma juventude autodestrutiva para nos avisar sobre algo: desde seu início, aclamado e conturbado lá em 2019, Euphoria não quer saber de nada além do radical ao construir seu &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/euphoria-part-1-rue-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Radical de Euphoria e a Revolução de Rue"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><figure id="attachment_22433" aria-describedby="caption-attachment-22433" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-22433 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Euphoria-1x00-1-1-1200-1200-675-675-crop-000000.jpg" alt="Cena de Part 1: Rue, o Episódio Especial de Euphoria. A imagem mostra a protagonista Rue sentada à mesa de uma lanchonete num bando estofado, de perfil, durante a noite. Rue é interpretada por Zendaya, uma jovem negra de cabelos castanhos cacheados volumosos. Rue está sentada, de frente para a mesa, com os pés em cima do banco, segurando as pernas, e descansa a cabeça nas costas do banco, olhando para cima. Ela veste uma blusa de moletom vermelha escura e uma calça de moletom azul marinho. Atrás dela, do lado da mesa, existe uma grande janela de vidro, através da qual pode-se observar o estacionamento do estabelecimento. Na frente de Rue, está uma mesa com um copo de suco de laranja e um prato de panquecas. " width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Euphoria-1x00-1-1-1200-1200-675-675-crop-000000.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Euphoria-1x00-1-1-1200-1200-675-675-crop-000000-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Euphoria-1x00-1-1-1200-1200-675-675-crop-000000-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Euphoria-1x00-1-1-1200-1200-675-675-crop-000000-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22433" class="wp-caption-text">Os episódios especiais de Euphoria encontraram seu lugar no Emmy 2021, e a Parte 1: Rue foi indicada na categoria de Melhor Fotografia para Série de Câmera Única (Uma Hora) [Foto: HBO]</figcaption></figure><b>Raquel Dutra</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O termo que significa um estado transcendental de alegria é usado para nomear uma obra que existe no nível mais profundo das dores de uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/euphoria-hbo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">juventude autodestrutiva</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> para nos avisar sobre algo: desde seu início, </span><a href="https://blogs.correiobraziliense.com.br/proximocapitulo/euphoria-da-hbo-polemica/"><span style="font-weight: 400;">aclamado e conturbado</span></a><span style="font-weight: 400;"> lá em 2019, </span><i><span style="font-weight: 400;">Euphoria</span></i><span style="font-weight: 400;"> não quer saber de nada além do radical ao construir seu caminho na companhia de jovens que lidam com muitas, muitas, mas muitas questões. A máxima se consolidou ao fim visceral daqueles 8 primeiros episódios que colocaram o drama adolescente da </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO</span></i><span style="font-weight: 400;"> numa </span><a href="https://www.metropoles.com/entretenimento/televisao/sucesso-de-euphoria-mantem-hbo-relevante-no-atual-mundo-do-streaming"><span style="font-weight: 400;">evidência maior que qualquer nicho</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ali, nossas protagonistas, responsáveis por engatilhar o desenrolar dos arcos da narrativa e toda sinceridade e todos problemas que os acompanham, se encontravam num lugar perfeito de completa ausência de resolução.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A complexidade que o diretor e roteirista Sam Levinson criou ao fim do primeiro ano de </span><i><span style="font-weight: 400;">Euphoria</span></i><span style="font-weight: 400;"> só seria compreendida mais tarde, quando os ganchos de 2019 ameaçavam se perder no meio da </span><a href="https://cultura.estadao.com.br/noticias/televisao,a-producao-de-tv-se-adaptou-a-pandemia-e-agora,70003699528"><span style="font-weight: 400;">fenda temporal aberta pela pandemia de covid-19</span></a><span style="font-weight: 400;">. Então, o criador correu para os transformar em dois episódios especiais, dedicados exclusivamente ao centro da história &#8211; </span><a href="https://www.vulture.com/article/zendaya-euphoria-special-christmas-episode-performance.html"><span style="font-weight: 400;">Rue (Zendaya)</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.latimes.com/entertainment-arts/tv/story/2021-01-22/euphoria-hunter-schafer-jules-special-hbo-interview"><span style="font-weight: 400;">Jules (Hunter Schafer)</span></a><span style="font-weight: 400;"> -, e quando <em>Part 1: Rue </em>foi ao ar em dezembro de 2020, o poder da narrativa se mostraria ainda maior. Sob o título de </span><a href="https://www.facebook.com/watch/?v=382733453174040"><i><span style="font-weight: 400;">Trouble Don’t Last Always</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, aconteceu o primeiro contato da produção com o mundo depois de sua estreia, e também o primeiro encontro do apreciador da série com a profundidade emocional daquela que foi o fio narrativo de tudo o que </span><i><span style="font-weight: 400;">Euphoria</span></i><span style="font-weight: 400;"> nos apresentou.</span></p>
<p><span id="more-22432"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Era, então, o momento de prestar atenção na </span><a href="https://capricho.abril.com.br/entretenimento/ccxp-zendaya-e-sam-levinson-falam-sobre-episodio-especial-de-euphoria/"><span style="font-weight: 400;">individualidade de Rue</span></a><span style="font-weight: 400;">, antes de seguir as tramas de uma história que se propõe a retratar </span><a href="https://www.hbobrasil.com/news/detail/euphoria-new-series"><span style="font-weight: 400;">a juventude de forma radical</span></a><span style="font-weight: 400;">. E quando encontramos a personagem em </span><i><span style="font-weight: 400;">Part 1: Rue</span></i><span style="font-weight: 400;">, topamos com uma sobrevivente do final tempestuoso do primeiro ano de </span><i><span style="font-weight: 400;">Euphoria</span></i><span style="font-weight: 400;">. <a href="https://personaunesp.com.br/euphoria-part-2-jules-critica/">Abandonada por Jules</a>, enfurecida com todos, vulnerável como nunca e machucada como sempre, a personagem é vencida pelo seu vício em drogas e tem uma recaída. A única ajuda que a teimosia envergonhada de Rue aceita é a de </span><a href="https://www.esquire.com/entertainment/tv/a34851579/euphoria-christmas-special-explained-ali-actor-colman-domingo-interview/"><span style="font-weight: 400;">Ali (Colman Domingo)</span></a><span style="font-weight: 400;">, meio amigo e meio mentor, que estabelece uma conexão com ela no grupo de Narcóticos Anônimos. Dramático e radical o suficiente? Não para Sam Levinson, que finaliza a premissa do episódio com os dois solitários em plena véspera de Natal numa lanchonete qualquer da cidade.</span></p>
<figure id="attachment_22435" aria-describedby="caption-attachment-22435" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-22435 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/1606770537_Euphoria-Rue-.jpg" alt="Cena de Part 1: Rue, o Episódio Especial de Euphoria. A imagem é um close no rosto de Rue, que tem uma expressão triste, e olha para o lado direito, fora da imagem. Rue é interpretada por Zendaya, uma jovem negra de cabelos castanhos cacheados e volumosos. Ela veste uma blusa de moletom vermelha escura e apoia as costas das mãos, cobertas pela manga da blusa, no queixo." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/1606770537_Euphoria-Rue-.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/1606770537_Euphoria-Rue--800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/1606770537_Euphoria-Rue--1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/1606770537_Euphoria-Rue--768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/1606770537_Euphoria-Rue--1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/1606770537_Euphoria-Rue--1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22435" class="wp-caption-text"><i><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/euphoria-part-2-jules-critica/">A segunda parte do Especial</a> é outra explosão de significados narrativos, explorando a perspectiva de Jules com participação da própria Hunter Schafer no roteiro </span></i>(Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O encontro desencadeia uma longa e profunda conversa que toma os 60 minutos do episódio. Adentrando a profundidade psicológica de Rue, muitas questões surgem, e a sabedoria de Ali, que já vive longe do vício há sete anos, sabe identificar todas elas, sem se preocupar em solucioná-las. O foco ali é </span><a href="https://www.correiobraziliense.com.br/diversao-e-arte/2020/12/4893477-episodios-especiais-de-euphoria-gravados-na-pandemia-revelam-outro-lado-da-serie.html"><span style="font-weight: 400;">o desabafo</span></a><span style="font-weight: 400;"> da personagem, e a realização da oportunidade que ela precisava para revelar seus sentimentos complexos e delicados, depois do </span><a href="https://observatoriodeseries.uol.com.br/destaque/entenda-o-que-aconteceu-com-rue-no-fim-da-1a-temporada-de-euphoria"><span style="font-weight: 400;">sufocante último episódio</span></a><span style="font-weight: 400;"> da primeira temporada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse efeito é curioso, já que a história não escapa um segundo de sua </span><a href="https://www.purebreak.com.br/midia/-euphoria-e-narrada-do-ponto-de-vista-d-337906.html"><span style="font-weight: 400;">perspectiva</span></a><span style="font-weight: 400;">. Rue é a narradora absoluta &#8211; </span><i><span style="font-weight: 400;">mas <a href="https://culturess.com/2020/12/09/euphoria-rue-jules-relationship/">não totalmente confiável</a></span></i><span style="font-weight: 400;"> &#8211; de todos os eventos da série, e justamente por isso, é difícil adentrar sua intimidade debaixo de toda aquela </span><i><span style="font-weight: 400;">energia caótica</span></i><span style="font-weight: 400;">, como batiza o próprio Ali. Mas entre as digressões de </span><i><span style="font-weight: 400;">Part 1: Rue</span></i><span style="font-weight: 400;">, a personagem finalmente tem a permissão de viver intensamente suas oscilações emocionais, sentir o medo que ela esconde ter de si mesma, e tentar compreender sua relação com Jules, ao mesmo tempo em que revela mais de sua própria personalidade longe de tudo o que acompanha o núcleo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Euphoria</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os méritos da Melhor Atriz em Drama do </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy 2020 </span></i><span style="font-weight: 400;">na personagem que a fez </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2020/09/20/zendaya-ganha-emmy-como-melhor-atriz-de-serie-de-drama-por-euphoria.ghtml"><span style="font-weight: 400;">fazer história</span></a><span style="font-weight: 400;"> são sempre louváveis, mas o que se destaca aqui também é, mais uma vez, o trabalho de Sam Levinson. Encarando uma base em suas </span><a href="https://variety.com/2019/scene/news/euphoria-creator-sam-levinson-opens-up-drug-addiction-1203233881/"><span style="font-weight: 400;">experiências pessoais</span></a><span style="font-weight: 400;">, o texto de </span><i><span style="font-weight: 400;">Trouble Don’t Last Always</span></i><span style="font-weight: 400;"> se preocupa de forma quase científica com os diálogos. Tão naturalmente prolixo e propositalmente direcionado, o roteiro do episódio faz Rue e Ali pensarem sobre a vida, sobre a morte, sobre o espiritual e sobre o mundano. E em algum momento da conversa, a situação da jovem diante do mundo toca no tópico indissociável porém ainda ausente na história radical de </span><i><span style="font-weight: 400;">Euphoria</span></i><span style="font-weight: 400;">: revolução.</span></p>
<figure id="attachment_22437" aria-describedby="caption-attachment-22437" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-22437 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/img2-2.jpg" alt="Cena de Part 1: Rue, o Episódio Especial de Euphoria. A imagem mostra a personagem de Ali, de frente para Rue, conversando com ela. Ali é interpretado por Colman Domingo, um homem negro de cabelos raspados. Ele veste uma camisa verde acinzentada e uma touca preta na cabeça. A imagem o mostra de frente, levemente inclinada para a esquerda, enquanto ele faz uma pergunta à Rue, com expressão de dúvida. A imagem mostra somente o contorno cabeça de Rue, coberta pela touca do moletom vermelho, em desfoque, que está à frente dele. Ali está sentado num banco estofado e descansa as mãos uma sobre a outra na mesa de madeira, que contém um copo de suco de laranja e um prato de panquecas." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/img2-2.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/img2-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/img2-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/img2-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/img2-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22437" class="wp-caption-text">&#8220;Como você quer que sua mãe e irmã se lembrem de você?&#8221; &#8220;Como alguém que tentou muito ser o que não pode&#8221; (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A palavra surge na conversa quando o emocional de Rue mostra suas faces mais sombrias. Ela revela sentir-se culpada pela sua própria condição, pelo que trouxe à sua família &#8211; a mãe (Nika King) e a irmã mais nova Gia (Storm Reid) -, e pelos conflitos com Jules, fazendo nascer na adolescente um sentimento de</span><a href="https://vogue.globo.com/lifestyle/cultura/Series/noticia/2020/12/euphoria-sobriedade-e-vicios-de-rue-no-episodio-especial-da-serie.html"><span style="font-weight: 400;"> desistência e conformidade</span></a><span style="font-weight: 400;">. Como alguém que já pensou sobre aqueles dilemas muitas vezes nos momentos difíceis do vício, Rue é sutilmente impaciente, mas também levemente desesperada por novas possibilidades, e ao mesmo tempo, amargamente desesperançosa. Diante da confusão sentimental de <em>Part 1: Rue</em>, Ali, muito provavelmente o maior revolucionário de </span><i><span style="font-weight: 400;">Euphoria</span></i><span style="font-weight: 400;">, responde às constatações de Rue.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">&#8211; As drogas mudam a pessoa que você é.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">&#8211; Mas eu não estava drogada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">&#8211; As drogas mudam a pessoa que você é.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">É a partir daí então que o episódio mostra de vez quem realmente é Rue e qual é a sua real situação. Em meio aos sentimentos da jovem perante ao mundo, </span><i><span style="font-weight: 400;">Trouble Don’t Last Always</span></i><span style="font-weight: 400;"> faz isso através de Ali, que percebe a complexidade da situação e identifica os efeitos da chamada “doença do vício” na sua perspectiva de vida. Mas na </span><a href="https://www.hbo.com/euphoria/season-1/sam-levinson-finale-interview-zendaya-all-for-us"><span style="font-weight: 400;">história de Sam Levinson</span></a><span style="font-weight: 400;">, não existem moralismos nem conclusões rasas. Ainda nas palavras de Ali, existe uma crítica direta ao </span><i><span style="font-weight: 400;">imediatismo das revoluções</span></i><span style="font-weight: 400;">, em meio às referências a Malcolm X e Martin Luther King que o mentor prega para a adolescente. <em>Part 1: Rue</em> aponta para a raiz do problema, e ainda que não exista uma solução, podemos imaginar uma transformação.</span></p>
<figure id="attachment_22438" aria-describedby="caption-attachment-22438" style="width: 1038px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-22438 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Es7vg0zXEAAFn7b.jpg" alt="Cena de Part 1: Rue, o Episódio Especial de Euphoria. A imagem mostra a personagem Jules de costas deitada numa cama. Jules, interpretada por Hunter Schafer, uma jovem branca loira de olhos azuis, está nua da cintura para cima e dorme virada para uma janela, que está aberta, mostrando a luz da manhã. A imagem é tomada por tons de azul." width="1038" height="562" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Es7vg0zXEAAFn7b.jpg 1038w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Es7vg0zXEAAFn7b-800x433.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Es7vg0zXEAAFn7b-1024x554.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Es7vg0zXEAAFn7b-768x416.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22438" class="wp-caption-text">&#8220;Acho que transformei ela no problema, mas o problema não é ela. O problema sou eu.&#8221; (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas antes de adentrar o espaço da </span><i><span style="font-weight: 400;">Revolução de Rue</span></i><span style="font-weight: 400;">, o Episódio Especial de </span><i><span style="font-weight: 400;">Euphoria</span></i><span style="font-weight: 400;"> imagina como as coisas teriam sido se o final daquela primeira temporada fosse diferente. E se Rue e Jules seguissem seu plano de fuga e construíssem uma nova vida juntas? A primeira cena responde, naquela identidade teatral magnífica, junto das cores quentes que se tomam o lugar dos tons frios à medida em que o amor de </span><a href="https://culturess.com/2021/02/03/euphoria-jules-rue-relationship/"><span style="font-weight: 400;">Rue por Jules</span></a><span style="font-weight: 400;"> preenche o ambiente. Mas não demora muito pro sonho se perder na realidade, e quando a paixão já se diluiu no ressentimento, na culpa, tristeza e dor, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=qzqR8I35RDs"><span style="font-weight: 400;">o visual</span></a><span style="font-weight: 400;">, elemento tão fundamental de </span><i><span style="font-weight: 400;">Euphoria</span></i><span style="font-weight: 400;">, materializa o temperamento da personagem principal.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É exatamente quando Rue volta ao uso de drogas que aquela essência etérea do romance e do sonho que ela vive com Jules se transforma num cenário obscuro, soturno, inóspito e repelente, mas curiosamente e fidedignamente, nunca incômodo. E então, num movimento rápido da câmera de Marcell Rév que colocou </span><i><span style="font-weight: 400;">Trouble Don’t Last Always</span></i><span style="font-weight: 400;"> no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/emmy-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2021</span></a><span style="font-weight: 400;">, estamos naquele momento que vai mudar muita coisa que ela pensa sobre si mesma, sobre o mundo e sobre os outros. E assim também é a <em>Revolução de Rue </em>em nós.</span></p>
<figure id="attachment_22439" aria-describedby="caption-attachment-22439" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-22439 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/euphoria-episodio-especial-1606355091731_v2_1535x1920-e1629416645171.jpg" alt="Imagem do poster promocional de Part 1: Rue, o Episódio Especial de Euphoria. A imagem mostra a personagem Rue deitada numa com as mãos atrás da cabeça, sendo fotografada de cima e de frente. Rue é interpretada por Zendaya, uma jovem negra de cabelos cacheados volumosos, e veste uma blusa de moletom vermelha escura. A cama onde ela está deitada é vestida com um lençol roxo escuro." width="1000" height="829" /><figcaption id="caption-attachment-22439" class="wp-caption-text">&#8220;É imprescindível que você acredite em algo maior do que você mesma (&#8230;) porque tudo na sua vida vai deixar você na mão, inclusive você mesma.&#8221; (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo sozinha e despedaçada, Rue ainda pulsa o desejo latente de ver as coisas sendo diferentes. Ela tenta descobrir o que fazer com isso, enquanto sente a dor dos que sabem que o mundo é um lugar terrível e percebem que todos parecem aceitar isso bem demais. Rue não quer ser parte disso. Rue não quer sequer presenciar isso. Então, a obra, que já revolucionou com </span><a href="https://www.vulture.com/2019/08/euphoria-sam-levinson-filmmaking-influences.html"><span style="font-weight: 400;">a sinceridade, intensidade e profundidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> com que trata seus temas, usa </span><i><span style="font-weight: 400;">Part 1: Rue </span></i><span style="font-weight: 400;">para revolucionar sua protagonista do jeito que pode. No caos emocional de Rue, existe um conselho ousado: </span><i><span style="font-weight: 400;">Problemas não duram para sempre</span></i><span style="font-weight: 400;">, é a mensagem central da voz agridoce de </span><i><span style="font-weight: 400;">Euphoria</span></i><span style="font-weight: 400;"> naqueles 60 minutos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No meio deles, a protagonista da trama desabafa sobre sua vontade de apenas desistir e o desconforto que sente vivendo no mundo que vive. Ali vai desejar um feliz Natal para as filhas pelo telefone, enquanto Rue lê uma mensagem de Jules, que diz que sente saudades junto de uma música. A canção que marca o Episódio Especial de uma produção que leva cada aspecto tão a sério não poderia ficar de fora dos sentidos criados dentro dele</span><span style="font-weight: 400;">. E ao som de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6VFoh5AbpBM"><i><span style="font-weight: 400;">Me In 20 Years</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a radicalidade de </span><i><span style="font-weight: 400;">Euphoria </span></i><span style="font-weight: 400;">aponta que a maior transformação de Rue é encontrar uma forma viver.</span></p>
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