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	<title>Arquivos Machado de Assis &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Estante do Persona &#8211; Outubro de 2023</title>
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		<pubDate>Tue, 31 Oct 2023 19:49:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>“(&#8230;) Às vezes, me assusta pensar que os problemas cotidianos podem ser para mim um pouco mais terríveis do que para o resto das pessoas.”  — Samanta Schweblin O que mais assombra é o desconhecido. A aproximação do indivíduo a algo nebuloso, que remete ao comum, mas, de certa forma, possui uma aura em desalinho. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-outubro-de-2023/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona &#8211; Outubro de 2023"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31735" aria-describedby="caption-attachment-31735" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-31735" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/estanteoctwp-800x420.jpg" alt="O fundo é roxo. No canto superior direito e no canto inferior esquerdo, há duas teias de aranha pretas em menor opacidade. No centro, acima, está o logo do persona, um olho com íris vermelha e um pupila no formato de um play. Abaixo está um livro laranja, apoiado sobre três livros; o primeiro diz “estante do”, o segundo “persona” e o terceiro está o mês, Outubro de 2023. Apoiados ao lado do livro laranja, há um pequeno gatinho de olhos amarelos arregalados e um abóbora decorada na temática de Halloween." width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/estanteoctwp-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/estanteoctwp-768x404.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/estanteoctwp.jpg 1024w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31735" class="wp-caption-text">Em clima de mês do horror, o Estante do Persona de Outubro brinca de assombração (Arte: Raíra Tiengo/ Texto de abertura: Enzo Caramori e Marcela Lavorato)</figcaption></figure>
<blockquote>
<p style="text-align: left;"><span style="font-weight: 400;">“(&#8230;) Às vezes, me assusta pensar que os problemas cotidianos podem ser para mim um pouco mais terríveis do que para o resto das pessoas.”</span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="font-weight: 400;"> — <em>Samanta Schweblin</em></span></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">O que mais assombra é o desconhecido. A aproximação do indivíduo a algo nebuloso, que remete ao comum, mas, de certa forma, possui uma aura em desalinho. Algo no fundo do horizonte, coberto de escuridão e fumaça se faz presente, mesmo que não se possa ver com olhos ainda humanos. O terror e o horror, que nasce não somente de grandes escritores e realizadores do gênero, mas do desenterrar das sensibilidades do inconsciente, e da explicitação do desconhecido não somente enquanto o outro, mas o que não sabemos de nós mesmos. No mês de Outubro de 2023, o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/estante-do-persona/"><span style="font-weight: 400;">Estante do Persona</span></a><span style="font-weight: 400;"> permite se adentrar ao colapso do corpo e do cotidiano pelo grotesco e pela violência, explicitada nas discussões do Mês do Horror, que tomou a Literatura da autora Mariana Enriquez como ponto central de reflexão.</span></p>
<p><span id="more-31734"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra da escritora, jornalista e professora argentina foi escolhida para o entendimento do que é, em uma perspectiva que constrói, do horror social das desigualdades e violências das </span><a href="https://www.quatrocincoum.com.br/br/resenhas/l/espectros-no-rio-da-prata"><span style="font-weight: 400;">ditaduras</span></a><span style="font-weight: 400;"> latino-americanas, da misoginia e do preconceito racial, o Terror enquanto um gênero literário contemporâneo. O gótico moderno e político de Enriquez, também explorado por autoras como Samanta Schweblin, Selva Almada e Monica Ojeda, é a sua maneira de transformar o que abisma em um percurso narrativo de deslumbramentos e mistérios, além de, socialmente, explorar a opressão e subverter protagonismos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Seu diálogo do terror com o realismo cria riscos à </span><a href="https://www.fg2021.eventos.dype.com.br/trabalho/view?ID_TRABALHO=5306"><span style="font-weight: 400;">unidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> da matéria ontológica dos corpos de suas personagens, tornando os sujeitos, com suas próprias individualidades, em uma massa de seres supérfluos, amorfos e apenas aterrorizados pelo temor e pelo trauma social. Nisso, Enriquez denuncia as violências dos corpos sobre outros corpos como alegorias políticas, construindo uma literatura que, além de subverter o padrão canônico e </span><a href="https://www.revistas.usp.br/novosolhares/article/view/204052/196852"><span style="font-weight: 400;">racista</span></a><span style="font-weight: 400;"> de H.P Lovecraft, não se faz por figuras irreais e sobrenaturais, mas pela indicação de algo anti-natural e em incongruência com o real.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, </span><a href="https://intrinseca.com.br/livro/os-perigos-de-fumar-na-cama/#:~:text=Um%20homem%20marginalizado%20semeia%20desgra%C3%A7as,um%20sacrif%C3%ADcio%20em%20um%20balne%C3%A1rio."><i><span style="font-weight: 400;">Os perigos de fumar na cama</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> se traduz em todo esse horror social que é explorado pela autora argentina. O livro, lançado em 2023 pela Intrínseca, nos guia pelos 12 contos de uma maneira bem descritivista e esse ponto é essencial para entender o que Enriquez quer nos fazer sentir: raiva, angústia, melancolia, ódio e tristeza. Ao relatar acontecimentos tão palpáveis, mas ao mesmo tempo construídos de formas fantasiosas, percebemos que as sequelas e as próprias violências sociais e os preconceitos se materializam em um texto brutal. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É digno dizer que Mariana Enriquez traz para a obra algo muito visceral em todos os sentidos, seja nos conteúdos das histórias, nos seus desenvolvimentos ou nas histórias sem um final definido – o que leva o leitor a utilizar a imaginação para dar continuidade ao horror. Com isso, </span><i><span style="font-weight: 400;">Os perigos de fumar na cama, </span></i><span style="font-weight: 400;">cujo título</span> <span style="font-weight: 400;">inspirado em um </span><a href="https://www.em.com.br/app/noticia/pensar/2023/10/07/interna_pensar,1572859/mariana-enriquez-e-as-primeiras-licoes-de-pavor.shtml"><span style="font-weight: 400;">cancioneiro estadunidense</span></a><span style="font-weight: 400;">, anuncia suas maldições de quem se atrever aos seus apuros dá abertura ao Estante do Persona de Outubro 2023 e as suas aterrorizantes indicações para o mês mais macabro do ano.  </span></p>
<h3>Dicas do Mês</h3>
<figure id="attachment_31740" aria-describedby="caption-attachment-31740" style="width: 348px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-31740" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Misery-1.png" alt="A capa é do livro Misery: Louca Obsessão. O seu plano de fundo é uma floresta ao entardecer. O chão é coberto de neve e o primeiro plano é uma máquina de escrever antiga e enferrujada com neve em cima. Na parte superior central da imagem, temos o nome do autor Stephen King em letras brancas e finas. Abaixo, o título “Misery” em uma letra blocada vermelha e na folha saindo da máquina de escrever, a outra parte do título: “Louca Obsessão.”" width="348" height="500" /><figcaption id="caption-attachment-31740" class="wp-caption-text">A adaptação rendeu à Kathy Bates uma indicação ao Oscar na categoria Melhor Atriz (Foto: Editora Suma)</figcaption></figure>
<p><b>Stephen King &#8211; Misery: Louca Obsessão (328 páginas, Editora Suma) </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pode estourar o </span><i><span style="font-weight: 400;">Chandon</span></i><span style="font-weight: 400;">, você acabou de escrever o último livro de uma longa série que, no fundo, sempre odiou um pouquinho. Com o manuscrito em mãos, segue com seus planos de comemorar e respira, finalmente, os ares da liberdade. No entanto, não contava com a previsão do tempo e um acidente acontece. A boa notícia: você é salvo. A má notícia é por Annie Wilkes. Ao acordar depois de dez dias, as primeiras informações que Paul Sheldon recebe são péssimas: ele não sente seus pés e está preso com sua fã número 1. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Misery: Louca Obsessão</span></i><span style="font-weight: 400;">, um dos </span><i><span style="font-weight: 400;">best-sellers</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Stephen King, prende pela completa agonia, que chega a ser paralisante. Nos sentimos na pele do protagonista, vivendo as angústias que apenas um prisioneiro consegue sentir. A ansiedade de ser pego, a desesperança de uma salvação e os planos de fuga que embalam a narrativa, além da assombrosa Annie, nos acompanham pelas páginas muito bem construídas de King &#8211; tão bem construídas que foram adaptadas para as telas pelo diretor Rob Neider. No cinema ou na literatura. Cuidado: há risco de você enlouquecer junto com Paul Sheldon.</span><b> &#8211;</b> <b>Clara Sganzerla</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_31736" aria-describedby="caption-attachment-31736" style="width: 533px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-31736" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/A-causa-secreta-1-533x800.jpg" alt="Capa do livro A causa secreta. A capa possui um preto com bolinhas brancas. Ao centro superior, há o título do livro A Causa Secreta na cor laranja. Logo abaixo, como se fosse um rasgo no meio da capa, uma pessoa, em preto e branco, aparece ao fundo do rasgo em um plano branco. A continuação da pessoa, por cima do rasgo, é um esqueleto. Sua mão tenta sair pelo rasgo. No centro do crânio da caveira aparece o nome do autor, Machado de Assis, em laranja. No canto inferior direito, há a logo da Editora Itapura." width="533" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/A-causa-secreta-1-533x800.jpg 533w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/A-causa-secreta-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/A-causa-secreta-1-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/A-causa-secreta-1.jpg 1000w" sizes="(max-width: 533px) 85vw, 533px" /><figcaption id="caption-attachment-31736" class="wp-caption-text">Todas as obras de Machado de Assis estão em domínio público (Foto: Editora Itapuca)</figcaption></figure>
<p><b>Machado de Assis &#8211; A Causa Secreta (8 páginas, Domínio Público)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como um ótimo romancista, Machado de Assis também era um brilhante contista. Ao ler </span><i><span style="font-weight: 400;">A Causa Secreta</span></i><span style="font-weight: 400;"> não espere um terror fantasmagórico, porque está longe disso. Muitos dos contos do autor trabalham o terror a partir do real e, nesse conto, não seria diferente. Na obra, são expostos os terrores presentes no mundo material, sendo eles, muitas das vezes, ocasionados pelo próprio ser humano. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Construindo o texto através de uma escrita com bastante detalhes dos acontecimentos,  a história nos apresenta três personagens principais: Garcia, Fortunato e Maria Luísa, que já começam mortos. A partir disso, Machado de Assis nos leva pela narrativa para sabermos o porquê isso aconteceu, como aconteceu e qual seria a ligação entre os três e o terror que assombra cada um deles.</span><b> &#8211; Marcela Lavorato</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_31739" aria-describedby="caption-attachment-31739" style="width: 527px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31739" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Dracula1-527x800.jpg" alt="Reprodução da capa original da primeira versão do livro Drácula. Capa amarela, com uma linha vermelha fina que acompanha a borda do livro. O nome da obra no topo, em uma fonte grande o suficiente para ocupar toda a horizontal, logo acima do nome do autor, ambos em letras vermelhas, no mesmo tom da linha" width="527" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Dracula1-527x800.jpg 527w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Dracula1-675x1024.jpg 675w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Dracula1-768x1165.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Dracula1.jpg 989w" sizes="auto, (max-width: 527px) 85vw, 527px" /><figcaption id="caption-attachment-31739" class="wp-caption-text">O romance já foi adaptado para o cinema mais de 30 vezes (Foto: Editora DarkSide)</figcaption></figure>
<p><b>Bram Stoker &#8211; Drácula (580 páginas, Editora DarkSide)</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Drácula </span></i><span style="font-weight: 400;">é o clássico dos clássicos quando se fala em terror. Em 1897, o autor irlandês Bram Stoker se inspirou nas histórias do folclore da Transilvânia e imortalizou o personagem do Conde Drácula, que vive isolado em seu castelo na terra romena. Após mais de um século desde a sua publicação, o romance ainda se sustenta como uma das histórias mais assustadoras e eficazes do gênero, e está entre as que consolidaram a estética do horror gótico. Além disso, se mantém fresca enquanto retrato da era vitoriana e suas ansiedades, servindo como objeto de análise para os dias de hoje. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É por esses e outros motivos que, ao entrar em qualquer loja de fantasias ou festa de Halloween, as chances de você esbarrar com um Drácula são muito altas. Isso além de suas aparições em filmes e nas mais diversas obras culturais, tendo suas incontáveis versões, sejam eróticas ou grotescas, aproveitando das muitas facetas que coexistem na versão original. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dos clássicos do cinema mudo, com Nosferatu, ao universo infantil, com Hotel Transilvânia, o vampiro se tornou um dos personagens mais replicados de todos os tempos. Mas, não é só o protagonista que ganhou o </span><i><span style="font-weight: 400;">status </span></i><span style="font-weight: 400;">de ícone do terror, outros personagens também se tornaram inesquecíveis, como Van Helsing, o mais famoso caçador de vampiros, com suas flores de alho e estaca de madeira. </span><b>&#8211; Giovanna Freisinger</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_31737" aria-describedby="caption-attachment-31737" style="width: 553px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31737" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/contos-de-amor-553x800.jpg" alt="Capa do livro “Contos de amor, de loucura e de morte”, do escritor uruguaio Horacio Quiroga e publicado pela Editora Iluminuras. Sobre um fundo bege claro, há os escritos em caixa alta e com serifa “Contos de amor, de loucura e de morte” em letras pretas, e “Horacio Quiroga” em vermelho. Abaixo, há o desenho de uma mão, em preto e branco, e do topo de um vidro, tampado por uma rolha." width="553" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/contos-de-amor-553x800.jpg 553w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/contos-de-amor.jpg 691w" sizes="auto, (max-width: 553px) 85vw, 553px" /><figcaption id="caption-attachment-31737" class="wp-caption-text">O que um travesseiro de plumas, uma galinha degolada e um solitário têm em comum? As palavras sangrentas de Horacio Quiroga! (Foto: Editora Iluminuras)</figcaption></figure>
<p><b>Horacio Quiroga &#8211; Contos de amor, de loucura e de morte (192 páginas, Editora Iluminuras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Andando em uma linha tênue entre a realidade e a imaginação, o uruguaio Horácio Quiroga mostra como o amor, a loucura e a morte se conectam. Passional e sangrenta, a coletânea possui histórias que beiram o delírio, o trauma e a dor. Regados pela angústia e pela inquietude, os contos são aterrorizantes, e trazem detalhes perturbadores, que assustam qualquer leitor. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No livro, Quiroga escancara a violência, a instabilidade e o sofrimento presentes na vida humana, e apresenta – de forma nua, crua e descritiva – os mais insanos atos de paixão e de perecimento. Publicado originalmente em 1917, </span><i><span style="font-weight: 400;">Contos de amor, de loucura e de morte</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Horacio Quiroga é um retrato do Horror e do Terror latino-americano, que – por meio de seus finais inesperados, e detalhes ditos e não ditos – consegue desestabilizar e amedrontar quem quer que esteja lendo. </span><b>&#8211; Laura Hirata-Vale</b></p>
<hr />
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-31738" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/salem-1-558x800.jpg" alt="" width="558" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/salem-1-558x800.jpg 558w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/salem-1.jpg 697w" sizes="auto, (max-width: 558px) 85vw, 558px" /></p>
<p><b>Stephen King &#8211; Salem (464 páginas, Editora Suma)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nada como vampiros para animar um Dia das Bruxas &#8211; e disso Stephen King sabe bem. Para esconder o mistério, a versão brasileira do segundo romance da carreira do Rei do Horror mudou de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Hora do Vampiro </span></i><span style="font-weight: 400;">para </span><i><span style="font-weight: 400;">Salem</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas a fama que persegue o autor e o imaginário popular não o deixam esconder do que se trata. Isso porque uma casa misteriosa, pessoas doentes do dia para a noite com marcas no pescoço e corpos sumindo na calada da madrugada só podem indicar uma coisa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, King homenageia o </span><i><span style="font-weight: 400;">Drácula </span></i><span style="font-weight: 400;">de Bram Stoker como o mestre que é, unindo elementos comuns de história desse subgênero para criar um livro denso, mas que em nenhum momento deixa o leitor relaxar diante do mistério não confirmado. A aura cinzenta e sobrenatural da cidade de Jerusalem’s Lot &#8211; a Salem do título &#8211; se une à mitologia assombrosa da Casa Marsden e do quarteto diverso de personagens principais: um vampiro centenário, um padre atormentado, um escritor traumatizado pela infância na cidade e uma criança com uma mente fértil e mais coragem que os outros três juntos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 464 páginas, Stephen King &#8211; na época, ainda no começo da carreira &#8211; mostra o porquê se tornou a lenda do terror que é hoje, prendendo a atenção do início ao fim no suspense do desconhecido e no apego por personagens cativantes. </span><i><span style="font-weight: 400;">Salem </span></i><span style="font-weight: 400;">virou um clássico por um motivo, mas leia de dia, com as janelas fechadas e um crucifixo a tiracolo. </span><b>&#8211; Vitória Gomez</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_31742" aria-describedby="caption-attachment-31742" style="width: 416px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31742" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/killers-1.jpg" alt=" Capa do livro Lady Killers. A obra possui uma capa de fundo cor-de-rosa pink com o título “Lady Killers” em grandes letras brancas no centro. Abaixo, há o texto “Assassinas em série” no mesmo tom de branco em letras menores e inscrito em um fundo oval preto. Nos quatro cantos da capa há ilustrações de cobras na cor preta e ,na parte central inferior, uma tesoura aberta sobre o logo da editora. Na porção superior, há o desenho de um olho dentro de um círculo branco, ele derrama uma lágrima preta. Acima da ilustração está o texto “Entre na mente das psicopatas”. O nome da autora está acima do título. " width="416" height="598" /><figcaption id="caption-attachment-31742" class="wp-caption-text">Entrando no mundo do true crime, o terror de Lady Killers é absolutamente real (Foto: Editora Darkiside)</figcaption></figure>
<p><b>Lady Killers &#8211; Assassinas em série (384 páginas, Editora Darkside) </b></p>
<p>Violência e sede de sangue sempre foram tônicas ligadas ao masculino e, se desde os primórdios da sociedade a mulher é traduzida pela delicadeza, esperar que elas também sejam autoras de assassinatos cruéis parece fora dos trilhos. É aí que <em>Lady Killers &#8211; Assassinas em série</em> entra para provar, em relatos reais, que a lembrança popular não contempla como os maiores crimes da história vem assinados pelas <em>ladys</em>.</p>
<p>Fugindo do lado comum do terror e suas criaturas fantásticas, a obra de Tori Telfer – traduzida no Brasil por Marcus Santana e Daniel Alvez da Cruz – é cruelmente verdadeira. Com uma escrita perspicaz e páginas recheadas de ilustrações feitas cirurgicamente por Jennifer Dahbura, a obra nos dá uma nova perspectiva da mente de grandes assassinas. Assustador em sua própria interpretação,<em> Lady Killers</em> vai pegar você também. <strong>&#8211; Jamily Rigonatto</strong></p>
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		<title>Capitu e o Capítulo: Júlio Bressane não trai Machado de Assis e exalta o romance Dom Casmurro</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Aug 2023 15:28:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Davi Marcelgo  Das discussões de sala de aula às do Twitter, Capitu traiu ou não Bentinho? Narrado pelo protagonista, a ausência de veredito provoca o clássico embate da obra de Machado de Assis. Em Capitu e o Capítulo, adaptação de Dom Casmurro, o diretor Júlio Bressane mantém o olhar subjetivo do narrador enquanto passeia entre &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/capitu-e-o-capitulo-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Capitu e o Capítulo: Júlio Bressane não trai Machado de Assis e exalta o romance Dom Casmurro"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31347" aria-describedby="caption-attachment-31347" style="width: 1992px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31347" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image3-1.jpg" alt="Cena do filme Capitu e o Capítulo. Capitu, interpretada por Mariana Ximenes, está no centro da imagem. Os olhos lacrimejados, ela está séria, encostada em uma parede branca de aspecto áspero. Mariana Ximenes é uma mulher branca, de olhos verdes e cabelos loiros. " width="1992" height="1184" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image3-1.jpg 1992w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image3-1-800x476.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image3-1-1024x609.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image3-1-768x456.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image3-1-1536x913.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image3-1-1200x713.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31347" class="wp-caption-text">Capitu e o Capítulo foi exibido no Festival do Rio em 2021, mas só chegou aos cinemas em 2023 devido à pandemia e às janelas de filmes brasileiros, que precisam dividir espaço com produções americanas (Foto: Pandora Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Davi Marcelgo </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Das discussões de sala de aula às do </span><i><span style="font-weight: 400;">Twitter</span></i><span style="font-weight: 400;">, Capitu traiu ou não Bentinho? Narrado pelo protagonista, a ausência de veredito provoca o clássico embate da obra de Machado de Assis. Em </span><a href="https://youtu.be/Jre3293igmA"><i><span style="font-weight: 400;">Capitu e o Capítulo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, adaptação de </span><i><span style="font-weight: 400;">Dom Casmurro</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">o diretor Júlio Bressane mantém o olhar subjetivo do narrador enquanto passeia entre a dúvida e a ilusão. Na trama, Bentinho (Vladimir Brichta) acredita que sua esposa Capitu (Mariana Ximenes) o traiu com Escobar (Saulo Rodrigues), seu melhor amigo. </span></p>
<p><span id="more-31346"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes de ajustar a história do maior adultério do país para a linguagem visual, Bressane já havia feito sua própria versão de outro romance machadiano, </span><a href="https://youtu.be/CnAUE4j0TOU"><i><span style="font-weight: 400;">Brás Cubas</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1985), releitura de </span><i><span style="font-weight: 400;">Memórias Póstumas de Brás Cubas</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span> <span style="font-weight: 400;">Narrando através de imagens de mares, esqueletos e lapsos da infância do protagonista, o diretor criou sua versão com autoria. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Capitu e o Capítulo</span></i><span style="font-weight: 400;">, ele mantém seu estilo e cria uma unidade para as adaptações do escritor brasileiro. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como na obra original, as memórias são contadas pelo protagonista em sua versão mais velha, agora chamado de Dom Casmurro (</span><a href="https://www.museudatv.com.br/biografia/enrique-diaz/"><span style="font-weight: 400;">Enrique Díaz</span></a><span style="font-weight: 400;">), que inicia seu relato com a seguinte frase: “</span><i><span style="font-weight: 400;">nesse livro que aqui escrevo, eu confessarei tudo que importar à minha história</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Só entra na confissão aquilo que ele acha relevante. O enredo segue a versão contada por Bento e também a conjuntura de Machado de Assis em como realizar a grande questão de traidora ou vítima. </span></p>
<figure id="attachment_31350" aria-describedby="caption-attachment-31350" style="width: 1979px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31350" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image4.jpg" alt="Cena do filme Capitu e o Capítulo. As personagens Capitu (Mariana Ximenes) e Bentinho (Vladimir Brichta) estão de perfil. Ela (à esquerda) com os olhos semicerrados, desafia-o. Ele (à direita) a encara com olhar piedade. Capitu veste um vestido azul claro, estampado com flores laranjas. Bentinho usa terno preto com gravata borboleta. Mariana Ximenes é uma mulher branca, de cabelos loiros e olhos verdes. Vladimir Brichta é um homem branco, alto, de cabelos lisos de cor castanha e possui muita barba ao redor do rosto. Entre eles há uma pintura de retrato, que pode ser de Capitu pela semelhança nas aparências, a mulher do quadro é branca, cabelos loiros, olhos claros e usa uma vestimenta de cor azul. " width="1979" height="1189" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image4.jpg 1979w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image4-800x481.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image4-1024x615.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image4-768x461.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image4-1536x923.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image4-1200x721.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31350" class="wp-caption-text">Além de atuar no Cinema, Mariana Ximenes também dá vida para outras personagens em novelas; em 2023, ela interpretou a vilã Gilda na novela Amor Perfeito (Foto: Pandora Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A partir de arquivos de vídeo, como os da água do mar, o esqueleto e o microfone, o diretor monta novas significações aos acervos usados em </span><i><span style="font-weight: 400;">Brás Cubas </span></i><span style="font-weight: 400;">de 1985. Machado de Assis deu forma a sua </span><a href="https://youtu.be/9_cQ3Nc-U2A"><span style="font-weight: 400;">fluída escrita</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao não priorizar descrições, fazer capítulos curtos e ser inventivo. Assim, o escritor se fez singular no seu tempo, sendo muito difícil de encaixá-lo dentro de uma escola literária. O cineasta também recria a façanha ao não adaptar nos moldes ‘copia e cola’, mas entendendo o autor e o que faz do clássico ser considerado tal, o assimilando ao seu estilo de direção e fazendo um exercício da linguagem cinematográfica. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em meio aos devaneios de Casmurro, ele evita verborragia com vídeos sugestivos que (talvez) possam adentrar no subjetivo do crânio de cada personagem. Bressane também recria o conflito do adultério, ainda que deixe claro sua posição a favor de </span><a href="https://youtu.be/P5_0X72Ocec"><span style="font-weight: 400;">Capitu</span></a><span style="font-weight: 400;"> através das iluminações escuras do rosto de Dom Casmurro, ao carinho que filma Ximenes e às cores que compõem seus </span><i><span style="font-weight: 400;">takes</span></i><span style="font-weight: 400;"> de flores &#8211; tranquilas, frias e ornamentais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como na obra original, a direção permite o espectador tirar sua própria conclusão e o induz a cair na paranoia através de um vestido vermelho que não cobre a região dos trapézios. Isso acontece até mesmo quando Capitu fica entre paredes, oprimida pela bela casa fruto do matrimônio que coloca o homem no cume do guarda-chuva, embora os mesmos cantos também possam encurralar uma </span><a href="https://youtu.be/Fg3XSHMOeto"><span style="font-weight: 400;">adúltera</span></a><span style="font-weight: 400;"> quando descobrem seu maior segredo. </span></p>
<figure id="attachment_31351" aria-describedby="caption-attachment-31351" style="width: 960px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31351" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image5.jpg" alt="Foto da página de número 114 do livro Memórias Póstumas de Brás Cubas. A folha é branca, nela está escrito (à esquerda) na parte do superior Capítulo 55 (LV em números romanos) O velho diálogo de Adão e Eva. O restante da página são as falas dos personagens Brás Cubas e Virgília que se constituem apenas de pontuação, como reticências, exclamações e interrogações." width="960" height="1280" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image5.jpg 960w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image5-600x800.jpg 600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image5-768x1024.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31351" class="wp-caption-text">Forma como Machado de Assis narra o sexo de suas personagens (Foto: Luiz Miguel Masson/Acervo pessoal)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa parece ter sido convencido pelas indagações de Casmurro, ao produzir, através do título, um </span><a href="https://www.todamateria.com.br/paronomasia/"><span style="font-weight: 400;">paronomásia</span></a><span style="font-weight: 400;"> com as palavras “Capitu” e “capítulo”. Aquela é um substantivo próprio, esta possui muitos significados: a divisão de um livro em partes, como também o ato de caracterizar alguém ou até mesmo um artigo acusatório. A primeira definição faz sentido quando se relaciona a um filme que adapta um livro, um trecho de um romance. A escolha do título </span><i><span style="font-weight: 400;">Capitu e o Capítulo</span></i><span style="font-weight: 400;"> é de suma importância para já adentrar o espectador na história, que ora é uma pequena parte da vida sob a ótica de Bentinho, ora um artigo que define e acusa a esposa de ser adúltera, infiel e lasciva. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As personagens femininas, Capitu e Sancha (Djin Sganzerla), estão confortáveis consigo e suas vontades. Elas falam abertamente sobre sexo e querem ser tocadas (e não de uma forma romântica, mas para sentirem os prazeres da carne). Isso a coloca numa dissonância de expressões, principalmente da esposa em comparação à Bentinho, calado e reprimido sexualmente; colocou ilusões na cabeça. Bressane nos permite conhecer personagens para além do que o narrador conta. Não só o diretor faz isso, como também os </span><a href="https://natelinha.uol.com.br/colunas/tvxtv/2023/07/16/atuacao-da-semana-mariana-ximenes-faz-publico-odiar-gilda-com-maestria-199526.php"><span style="font-weight: 400;">atores</span></a><span style="font-weight: 400;">, que conseguem dialogar com o público sobre as partes omitidas por Bentinho. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mariana Ximenes dá vida a esposa de Bentinho: cigana de </span><a href="https://youtu.be/K_Q7COiaDsw"><span style="font-weight: 400;">olhos oblíquos</span></a><span style="font-weight: 400;">, sensual e afrontosa. Porém, a atriz mergulha nos infelizes olhos de cor verde, dentro da vastidão de um mar, mostrando-se incompleta e querendo ser tocada, sentida e viva. Os </span><i><span style="font-weight: 400;">closes </span></i><span style="font-weight: 400;">na paulistana e a transposição de imagens modificam o discurso do paranoico, a distanciando do que seu marido pensa que ela é. Não é à toa que ela não completa o rosto pálido do amado no início do filme.</span></p>
<figure id="attachment_31348" aria-describedby="caption-attachment-31348" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31348" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image1-1.png" alt="Cena do filme Capitu e o Capítulo. No centro da imagem está Bentinho (Vladimir Brichta) junto a um homem tocando violino. Bentinho toca no violino. Os dois homens estão de terno preto. No fundo à esquerda, Capitu (Mariana Ximenes) está sentada observando o violinista. Ela usa um vestido azul marinho estampado com flores. Ao fundo, na parede há o desenho de uma mulher branca. Vladimir é um homem branco, alto, de cabelos lisos e castanhos e tem barba no rosto. O violinista é branco, cabelos loiros, lisos e também usa barba. Mariana é uma mulher branca e loira." width="1280" height="853" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image1-1.png 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image1-1-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image1-1-1024x682.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image1-1-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image1-1-1200x800.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31348" class="wp-caption-text">O longa foi premiado nas categorias de Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Ator Coadjuvante para Enrique Díaz, Melhor Figurino e Melhor Filme pelo Júri da Crítica no 16° Fest Aruanda, o festival do audiovisual da Paraíba (Foto: Pandora Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Capitu e o Capítulo</span></i><span style="font-weight: 400;">, Ximenes diz o que não é dito com sua atuação. A intérprete já demonstrou ser uma grande artista versátil, seja no drama de Machado de Assis, como a </span><a href="https://youtu.be/DwLVP7yyccY"><span style="font-weight: 400;">vilã amedrontadora da novela </span><i><span style="font-weight: 400;">Passione</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2010)</span> <span style="font-weight: 400;">ou a pureza que evolui para o rancor de sua </span><a href="https://youtu.be/Ye7YcZ8X6gI"><span style="font-weight: 400;">Aninha em </span><i><span style="font-weight: 400;">Chocolate com Pimenta </span></i></a><span style="font-weight: 400;">(2003). A Capitu da atriz é quase definitiva, impondo na voz a grandiosidade vista por Bento e colocando os holofotes para si em todas as cenas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/bingo-o-rei-das-manhas-critica"><span style="font-weight: 400;">Vladimir</span></a><span style="font-weight: 400;"> Brichta encarna um Bentinho paranoico, com forte linguagem corporal: sempre curvado e com expressões de atrapalhado, até quase ingênuo, como se ainda não fosse adulto. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Capitu e o Capítulo</span></i><span style="font-weight: 400;">, ele se mostra totalmente imaturo, numa </span><a href="https://youtu.be/jHdJQ7AkRec"><span style="font-weight: 400;">representação da elite brasileira</span></a><span style="font-weight: 400;"> que o escritor propôs no século XIX &#8211; e que em 2023, na atemporalidade do texto do escritor carioca, ganha a ideia dos homens do nosso tempo. </span></p>
<figure id="attachment_31349" aria-describedby="caption-attachment-31349" style="width: 1992px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31349" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image2-1.jpg" alt="Cena do filme Capitu e o Capítulo. Capitu (Mariana Ximenes) desenha a silhueta de Bentinho (Vladimir Brichta) através de sua sombra. Ele está à direita, parado com olhar sério. Ela está à esquerda de costas, desenhando numa parede branca. No canto esquerdo há uma planta de cor verde. Mariana veste um vestido azul claro estampado com flores laranjas. Ela é uma mulher branca e loira. Vladimir usa um terno preto com gravata borboleta. Ele é um homem branco, alto de cabelos lisos e castanhos. " width="1992" height="1192" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image2-1.jpg 1992w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image2-1-800x479.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image2-1-1024x613.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image2-1-768x460.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image2-1-1536x919.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image2-1-1200x718.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31349" class="wp-caption-text">Capitu já foi adaptada para a TV pela Rede Globo, série homônima, dirigida por Luiz Fernando Carvalho em 2008 (Foto: Pandora Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Dom Casmurro esconde-se em paredes de livros, lendo poesias que não viveu sob um quarto escuro. Ele fita e admira grandes poetas de outrora que morreram jovens, como Junqueira Freire e Álvares de Azevedo. Estes, exagerados e melancólicos, como define um dos versos da </span><a href="https://objdigital.bn.br/Acervo_Digital/Livros_eletronicos/Lira%20dos%20Vinte%20Anos.pdf"><i><span style="font-weight: 400;">Lira dos vinte anos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Foi poeta &#8211; sonhou &#8211; e amou na vida</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Será que Bentinho também não foi um grande sonhador? </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes de Dom Casmurro começar a enunciar, existe outra história sendo contada por meio de chapéus. Esses acessórios reaparecem em outras cenas e são objetos de foco, indicando &#8211; por uma revelação da trama &#8211; que os donos sejam Escobar e Bentinho. O cineasta conta uma história que o protagonista esconde. Há um jogo de investigação sútil e sugestivo acontecendo em </span><i><span style="font-weight: 400;">Capitu e o Capítulo</span></i><span style="font-weight: 400;">, transgredindo a versão do narrador, executada por toda uma produção e direção que conhece &#8211; e ama &#8211; o material original e, para além disso, que domina muito bem a </span><a href="https://youtu.be/0ZTbplUw_-A"><span style="font-weight: 400;">linguagem do Cinema</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, tudo isso pode ser mera interpretação. O que fica é a proposta de </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2023/06/julio-bressane-sintetiza-seus-quase-60-filmes-em-obra-de-7-horas-com-cenas-ineditas.shtml"><span style="font-weight: 400;">Júlio Bressane</span></a><span style="font-weight: 400;">, que, assim como Machado de Assis, deixou para gerações decidirem se a protagonista do título traiu ou não para patamares não só de conteúdo, como também forma. Muito pode ser discutido da execução do diretor: escolhas de enquadramentos, figurinos, montagem, ângulos ou se alguma personagem no meio disso só é bastante insegura. </span></p>
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		<title>O mergulho subversivo de Lygia Fagundes Telles em A Estrutura da Bolha de Sabão</title>
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		<pubDate>Fri, 10 Jun 2022 19:34:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathalia Tetzner O cenário é um café-da-manhã entre esposa e marido. Ele conta de um amigo físico que mora nas construções góticas de Paris e estuda a estrutura da bolha de sabão. Ela se espanta com a possibilidade de alguém se dedicar em investigar algo que conhece desde seus primeiros anos de vida e que, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-estrutura-da-bolha-de-sabao-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O mergulho subversivo de Lygia Fagundes Telles em A Estrutura da Bolha de Sabão"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27818" aria-describedby="caption-attachment-27818" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27818 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/AESTRUTURADABOLHADESABAO_WORDPRESS.jpg" alt="Arte em rosa claro com a imagem do livro A Estrutura da Bolha de Sabão no centro. Capa do livro A Estrutura da Bolha de Sabão da escritora brasileira Lygia Fagundes Telles. Na imagem, há uma arte com diversas texturas e formatos, entre eles, contornos de flores. A arte vibra nas cores azul, vermelho, verde, marrom, roxo e rosa. No canto inferior esquerdo, um quadro branco com o nome da autora escrito em preto, o nome do livro escrito em roxo e o nome da editora, Companhia das Letras, escrito em azul. No topo à esquerda, vemos o olho do Persona com a íris rosa e no canto inferior direito está o logo do Clube do Livro do Persona." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/AESTRUTURADABOLHADESABAO_WORDPRESS.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/AESTRUTURADABOLHADESABAO_WORDPRESS-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/AESTRUTURADABOLHADESABAO_WORDPRESS-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27818" class="wp-caption-text">A Estrutura da Bolha de Sabão foi a leitura do <a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-abril-de-2022/">Clube do Livro do Persona</a> durante o mês de abril de 2022 (Foto: Companhia das Letras/Arte: Ana Clara Abbate)</figcaption></figure>
<p><b>Nathalia Tetzner</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O cenário é um café-da-manhã entre esposa e marido. Ele conta de um amigo </span><a href="https://cultura.estadao.com.br/noticias/artes,jean-oury-fala-sobre-jean-vigo,431566"><span style="font-weight: 400;">físico</span></a><span style="font-weight: 400;"> que mora nas construções góticas de Paris e estuda a estrutura da bolha de sabão. Ela se espanta com a possibilidade de alguém se dedicar em investigar algo que conhece desde seus primeiros anos de vida e que, por isso, sabe que não possui estrutura alguma. O tempo passa e quando o gato do casal sobe na mesa dela, finalmente há uma resposta para sussurrar: </span><i><span style="font-weight: 400;">“a bolha de sabão é o amor”. </span></i><span style="font-weight: 400;">Nascia nesse momento </span><i><span style="font-weight: 400;">A Estrutura da Bolha de Sabão</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma coletânea de contos escrita pela dama da Literatura brasileira, Lygia Fagundes Telles. </span></p>
<p><span id="more-27768"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançada originalmente em 1978 sob o título de </span><i><span style="font-weight: 400;">Filhos Pródigos</span></i><span style="font-weight: 400;">, a obra foi reeditada na década de 90 quando passou a carregar o nome do texto de maior sucesso. Em 2010, ela ganhou uma nova roupagem para uma série especial da editora </span><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras</span></i><span style="font-weight: 400;">. Porém, em meio às infinitas edições disponíveis no mercado, é o conteúdo que destaca a sua singularidade perante toda a bibliografia de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=tgaX90Fo3YU"><span style="font-weight: 400;">Telles</span></a><span style="font-weight: 400;">. Dessa vez, a autora conhecida por banhar os seus romances com o realismo convida o leitor para um mergulho na fantasia onde ele é sempre o último a desvendar as nuances.</span></p>
<blockquote><p>“Inclinou-se para apanhar a bolsa que caiu. Catou vacilante o pente e o espelho, quis ainda alcançar o lápis que rolou no assoalho, desistiu do lápis, Ih!&#8230;Levantou-se apertando a bolsa contra o peito, a outra mão apoiada na maçaneta da porta. Respirou penosamente, a boca aberta.</p>
<p>Encarou a mulher. Tudo bem?</p>
<p>— Tudo bem. Adriana. Tenho é muita pena desse moço. Seu noivo. Casar com uma coisa dessas, imagine.”</p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Repleta de fluxos de consciências e ambientada com uma dose de tensão constante, a leitura de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Estrutura da Bolha de Sabão</span></i><span style="font-weight: 400;"> não é nem um pouco confortável, consequência natural da abordagem esférica da temática feminina, fator sempre presente nos escritos da autora. Banhados por uma atmosfera misteriosa, os oito contos remetem de alguma forma ao </span><a href="https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2022/04/03/lygia-fagundes-telles-4-licoes-da-obra-da-dama-da-literatura-as-mulheres.htm"><span style="font-weight: 400;">papel da mulher</span></a><span style="font-weight: 400;"> na sociedade. Seja na materialização de uma jovem cheia de rebeldia para a sua época ou na subjetividade presente em um diálogo entre dois homens, Lygia Fagundes Telles explora todos os tons da feminilidade com a genialidade de quem está acostumada a ser uma força em sua caminhada pessoal.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A terceira mulher a ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras estudou Direito e Educação Física porque acreditava que não seria capaz de viver da </span><a href="https://www.uol.com.br/universa/colunas/natalia-timerman/2022/04/03/lygia-fagundes-telles-era-uma-mulher-escrevendo-sobre-e-como-mulher.htm"><span style="font-weight: 400;">Literatura</span></a><span style="font-weight: 400;"> e se negava a depender financeiramente de um matrimônio. Ela e todo o seu lirismo foram exceção em relação ao pós-modernismo, movimento literário que se deu início na década de 70, período em que a figura masculina ainda era a maioria entre os autores de grande apelo. Assim como Adriana em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XyIRQJgY3a8"><i><span style="font-weight: 400;">A Medalha</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a filha subversiva à mãe e ao seu tempo farto de conservadorismos, Telles é também dona de uma trajetória transgressora e parece ter bebido da sua própria fonte para retratar com tanta fidelidade a angústia da personagem.</span></p>
<figure id="attachment_27769" aria-describedby="caption-attachment-27769" style="width: 964px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27769" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-1-1.jpeg" alt="Fotografia de Hilda Hilst e Lygia Fagundes Telles em preto e branco. Hilst, à esquerda, segura um cigarro com a mão enquanto sorri olhando para o lado. Telles, à direita, sorri olhando para o lado oposto. As duas são mulheres brancas de cabelos escuros." width="964" height="806" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-1-1.jpeg 964w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-1-1-800x669.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-1-1-768x642.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27769" class="wp-caption-text">Escritora do movimento pós-modernista e amiga pessoal de <a href="https://www.opovo.com.br/vidaearte/2022/04/03/morte-de-lygia-fagundes-telles-lembre-amizade-da-escritora-com-hilda-hilst.html">Hilda Hilst</a>, Telles abordou a feminilidade como tema central de suas obras (Foto: Acervo Instituto Hilda Hilst)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Encarregado de ser o texto mais perturbador da coletânea, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Espartilho</span></i><span style="font-weight: 400;"> faz com que o leitor se sinta sufocado pelo ambiente regrado da década de 40. Ana Luíza é o nome da protagonista que causa uma inquietação digna de filmes de terror como </span><a href="https://personaunesp.com.br/mae-filme-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Mãe!</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2017)</span></a><span style="font-weight: 400;">, em que o suspense psicológico reina. O olhar de despertencimento dela ao encarar o álbum de fotos de sua família, após finalmente descobrir a verdade brutal por trás das faces pálidas apertadas por espartilhos, é estarrecedor. A experiência é um ponto fora da curva do que a escritora costuma produzir e provoca uma metáfora sensível sobre o uso de cintas modeladoras e a prisão emocional que acarreta a trama.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quase mitológicos, os contos </span><i><span style="font-weight: 400;">A Testemunha</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">A Fuga</span></i><span style="font-weight: 400;"> começam e permanecem um mistério. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=vgMn9NjYYT8"><span style="font-weight: 400;">Lygia Fagundes Telles</span></a><span style="font-weight: 400;"> nitidamente não se importou em deixar explícito o que cada figura de linguagem significa, há de se explorar as páginas para encontrar os sentidos do livro. De fato, a confusão mental de Miguel em busca de respostas e a insistência de Rolf em afirmar não saber de nada é, por si só, uma interessante bagunça de diálogos que acorrentam em um eterno ciclo não só os dois amigos, mas qualquer um que entra em contato com as linhas de Telles. Já no segundo texto, o clima de névoa é descrito com um intenso detalhismo que tem o poder de cegar e confundir Rafael e todo o público leitor.</span></p>
<blockquote><p>“— Não vai me dizer, Rolf?</p>
<p>— Dizer o quê rapaz?</p>
<p>— O que aconteceu ontem.</p>
<p>— Ora, o que aconteceu! Mas então você não sabe?</p>
<p>— Não, não sei. Não me lembro de nada, nada.</p>
<p>— Mas como não se lembra?</p>
<p>— Não me lembro, simplesmente não lembro — repetiu Miguel torcendo as mãos muito brancas. Fechou-as contra o peito.”</p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Não há nada tão hipocritamente perfeito quanto uma coleção de páginas em que a existência de conjuntos geniais diminuem a sagacidade de outros. Esse é o caso de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Missa do Galo </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Gaby</span></i><span style="font-weight: 400;">, a releitura do clássico de Machado de Assis e a incoerente falta de ritmo em uma conversa de bar colocam os dois contos em uma posição menos inspirada em relação aos outros momentos de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Estrutura da Bolha de Sabão</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ambos são um exagero passional e, para o bem e para o mal, somente permitem concluir que não há conclusão. A </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=vVTpCDG7LuY"><span style="font-weight: 400;">dama da Literatura brasileira</span></a><span style="font-weight: 400;"> deixa neles o dito pelo não dito.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em contrapartida, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Confissão de Leontina</span></i><span style="font-weight: 400;"> se consagra como o maior ato da obra. Longo e profundo, a narração em primeira pessoa relata o </span><a href="https://favodomellone.com.br/a-confissao-de-leontina-de-volta-o-conto-de-lygia-fagundes-telles/"><span style="font-weight: 400;">drama</span></a><span style="font-weight: 400;"> vivido por quem deixa uma cidade pequena em busca de oportunidades nas grandes capitais do país. Sempre incompreendida, a personagem principal do conto atrai todos os olhares para o seu infortúnio, o que consequentemente resulta no sentimento de identificação com o leitor. É fácil se emocionar com as palavras certeiras escolhidas pela autora, especialista em captar com excelência os aspectos do cotidiano urbano com o papel e a caneta na mão.</span></p>
<figure id="attachment_27770" aria-describedby="caption-attachment-27770" style="width: 940px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27770" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-2-1.jpg" alt="Fotografia de Lygia Fagundes Telles. Na imagem, os cabelos grisalhos de Telles contam que o tempo passou para a escritora. Ela, uma mulher branca de olhos claros, direciona o seu olhar para a lente de quem a fotografa. Ao fundo, o que parece ser um ambiente aconchegante, mas desfocado" width="940" height="504" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-2-1.jpg 940w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-2-1-800x429.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-2-1-768x412.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27770" class="wp-caption-text">A dama da Literatura nacional vive em seu <a href="https://www.em.com.br/app/noticia/pensar/2022/04/08/interna_pensar,1358573/escritoras-brasileiras-ressaltam-o-legado-de-lygia-fagundes-telles.shtml">legado</a> (Foto: Renato Parada)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">A Estrutura da Bolha de Sabão</span></i><span style="font-weight: 400;"> é, como uma coletânea de contos, a expressão artística de Lygia Fagundes Telles mais complexa e brilhante desde o lançamento de </span><a href="https://istoe.com.br/lygia-fagundes-telles-driblou-a-censura-militar-no-romance-as-meninas/"><i><span style="font-weight: 400;">As meninas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em 1973. Os recursos linguísticos utilizados no romance certamente continuaram a inspirá-la até a criação do conjunto de textos. Já, como um conto, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Estrutura da Bolha de Sabão</span></i><span style="font-weight: 400;"> se tornou maior do que si mesmo. Afinal, a quem interessa estudar a estrutura de uma bolha de sabão? A falta de explicações uma vez questionada ganha sentido com o término pungente da obra de Telles.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A dama da Literatura brasileira descobriu em vida que a bolha de sabão é o amor e estudá-la é fundamental. Ela, incoerentemente gentil e caridosa como as ondas do mar, compartilhou a descoberta com o mundo depois de um mergulho nas profundezas do fantasioso. Lygia Fagundes Telles faleceu em </span><a href="https://jornal.unesp.br/2022/04/04/dona-de-uma-carreira-premiada-lygia-fagundes-telles-deixa-solido-legado-literario-diz-diretor-da-editora-unesp/"><span style="font-weight: 400;">2022</span></a><span style="font-weight: 400;"> e, assim como fez em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Estrutura da Bolha de Sabão</span></i><span style="font-weight: 400;">, a sua partida do mundo material somente pode significar que ela resolveu permanecer de vez ao lado da subjetividade da vida. </span></p>
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