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	<title>Arquivos Luigi Rigoni &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos Luigi Rigoni &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>Mãe! é uma polêmica alegoria crítica ao egocentrismo divino</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Oct 2017 23:03:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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		<category><![CDATA[Luigi Rigoni]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Luigi Rigoni Polarizando opiniões tanto de crítica como público, o novo filme de Darren Aronofsky, é indiscutivelmente uma obra cinematográfica peculiar. A narrativa, carregada de metáforas e de simbolismos, insere o espectador em uma atmosfera sufocante, despertando um sentimento de impotência diante do cenário surrealista. A falta de nomes dos personagens, monótonas sequências do início &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/mae-filme-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Mãe! é uma polêmica alegoria crítica ao egocentrismo divino"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-large wp-image-8640" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/10/mother-mãe-poster-filme-polêmica-pablo-villaça-684x1024.jpg" alt="" width="684" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/10/mother-mãe-poster-filme-polêmica-pablo-villaça-684x1024.jpg 684w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/10/mother-mãe-poster-filme-polêmica-pablo-villaça-201x300.jpg 201w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/10/mother-mãe-poster-filme-polêmica-pablo-villaça.jpg 750w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /></p>
<p><strong>Luigi Rigoni</strong></p>
<p>Polarizando opiniões tanto de crítica como público, o novo filme de Darren Aronofsky, é indiscutivelmente uma obra cinematográfica peculiar. A narrativa, carregada de metáforas e de simbolismos, insere o espectador em uma atmosfera sufocante, despertando um sentimento de impotência diante do cenário surrealista. A falta de nomes dos personagens, monótonas sequências do início do longa e, principalmente, as alusões bíblicas, o confirmam como uma obra pretensiosa, que não almeja, em momento algum, ser facilmente digerida pelo grande público.<span id="more-8638"></span></p>
<p>Vendido erroneamente como um filme de terror, <em>Mãe!</em> decepcionará espectadores ansiosos por <em>jump scares</em> e outros clichês do gênero. Esse fato se deve a forma como a divulgação do filme foi feita, com um trailer cheio de paredes ensanguentadas e rosto assustados, uma obra que não condiz com a realidade do longa. Logo nos primeiros momentos podemos perceber que o filme irá transitar entre o drama e o suspense psicológico, oferecendo aos espectadores uma obra híbrida, que comporta sequências dramáticas em oposição ao ritmo frenético e sufocante do longa.</p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe title="Mãe! | Trailer | LEG | Paramount Pictures Brasil" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/ugn1gqGl7rs?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>Darren Aronofsky frequentemente explora a subjetividade humana em suas produções, que buscam submergir o espectador em clima de tensão. <em>Pi</em> (1998), <em>Requiem for a Dream</em> (2000) e o blockbuster <em>Noé</em> (2014), são alguns dos títulos concebidos pelo diretor, que também é o responsável por<em> Cisne Negro</em> (2010), indicado a cinco categorias do Oscar, incluindo a de melhor filme. Nesta última, a insanidade da protagonista é destrinchada em uma narrativa com final surpreendente e, nesse aspecto, podemos ver convergência com a nova produção de Aronofsky.</p>
<p>Entretanto, a abordagem dada à figura da protagonista que tem a lucidez questionada é distinta nas duas obras. Em <em>Cisne Negro</em> a mensagem é muito mais clara, não deixando possíveis interpretações em aberto. Já no caso de <em>Mãe!</em>, o uso de alegorias permite que o espectador reflita sobre o filme de diferentes formas, podendo ou não chegar a interpretação de cunho bíblico arquitetada pelo diretor ao longo da trama.</p>
<p>Jennifer Lawrence atua como a dedicada esposa de um renomado poeta, interpretado por Javier Bardem, que passa seus dias buscando inspiração para novos poemas. Eles vivem em uma isolada casa de campo, mantida de forma impecável por Jennifer, que constantemente efetua reformas na residência, sempre prezando pelo bem-estar do marido. Apesar disso, percebemos, logo nos primeiros momentos do filme, que a relação do casal beira o tédio. Contudo, esse cenário blasé é abalado com a chegada de um casal de hóspedes fãs da obra do poeta. Os novos moradores, interpretados por Michelle Pfeiffer e Ed Harris, possuem hábitos peculiares, tornando-se a cada cena mais inconvenientes: quebram copos, sujam a cozinha e fumam em ambientes fechados.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-large wp-image-8644" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/10/mother-mae-pablo-villaça-crítica-jennifer-lawrence-javier-bardem-1024x577.jpg" alt="" width="840" height="473" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/10/mother-mae-pablo-villaça-crítica-jennifer-lawrence-javier-bardem-1024x577.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/10/mother-mae-pablo-villaça-crítica-jennifer-lawrence-javier-bardem-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/10/mother-mae-pablo-villaça-crítica-jennifer-lawrence-javier-bardem-768x433.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/10/mother-mae-pablo-villaça-crítica-jennifer-lawrence-javier-bardem-1200x676.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/10/mother-mae-pablo-villaça-crítica-jennifer-lawrence-javier-bardem.jpg 2000w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /></p>
<p>A partir da chegada dos irritantes visitantes, percebemos a perda gradativa do suposto controle que a protagonista mantinha sobre sua realidade. Sua casa, símbolo de estabilidade e autocontrole, passa a ser profanada pelos novos hóspedes, que parecem ser protegidos pela necessidade de Javier em manter admiradores por perto. O ego do marido submete Jennifer à atitudes extremamente degradantes, que intensificam suas crises de ansiedade e aumentam a frequência com que a personagem busca acalmar seus ânimos com o uso de remédios, reafirmando a situação delicada a qual a protagonista se encontra.</p>
<p>Para compor o sufocante cenário no qual a personagem de Jennifer Lawrence está inserida, o diretor abusa  dos  movimentos de câmera, que em ritmo frenético, acompanham incessantemente a perspectiva da protagonista, sem perder um movimento da atriz. Outro importante elemento que ajuda a compor a atmosfera obscura do filme é a falta de trilha sonora, contribuindo para a aparência melancólica do longa. Entretanto, esse recurso pode dispersar espectadores relapsos, que dificilmente conseguirão manter a atenção nas longas e monótonas cenas do início do filme.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-8641" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/10/mother-mae-jennifer-lawrence-pablo-villaça.jpg" alt="" width="900" height="506" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/10/mother-mae-jennifer-lawrence-pablo-villaça.jpg 900w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/10/mother-mae-jennifer-lawrence-pablo-villaça-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/10/mother-mae-jennifer-lawrence-pablo-villaça-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /></p>
<p>Embora o diretor pretenda em grande parte de <em>Mãe!</em> causar estranheza no público, o longa conta com belíssimas cenas compostas por uma fotografia em tons de oliva. Com o desenrolar da trama, a luz difusa que ambienta o longa torna-se mais escassa, dando lugar a sequências sombrias e pouco iluminadas. O desempenho de Jennifer Lawrence também se transforma na segunda parte, oferecendo uma atuação muito mais satisfatória e cheia de grandes momentos. Michelle Pfeiffer também brilha em seu papel, sendo desprezivelmente inconveniente.</p>
<p>Outro aspecto que precisa ser debatido é a alegoria construída por Darren, que debate assuntos delicados como religião, idolatria e maternidade. O uso de metáforas permite que o diretor explore esses temas de forma menos explícita, tornando o filme mais interessante e desafiador. Em uma das passagens do longa, vemos o inconveniente hóspede interpretado por Ed Harris ferido na costela, logo em seguida, sua esposa, Michelle Pfeiffer, adentra a trama. Essa, uma clara referência ao mito da criação, confirma a intenção do diretor em usar seus personagens como peças de uma alegoria religiosa.</p>
<p>O filme também busca criticar o egocentrismo divino, colocando Javier Bardem na posição metafórica de Deus, que se mostra indiferente perante as atrocidades cometidas por seus fiéis, aqui representados pelos fãs de sua poesia. A idolatria coletiva pelos poemas de Bardem, que funciona como uma materialização da criação do universo e da humanidade, leva aos momentos mais surreais do longa, resultando em uma cena de canibalismo extremamente polêmica. Outro ponto interessante é a aparência de Jennifer Lawrence em alguns <em>posters</em> de divulgação, que remetem à concepção ocidental das imagens cristãs da Virgem Maria, reforçando a intencionalidade de se estabelecer relações entre o filme e a bíblia.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-8643" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/10/mother-poster-holy-mary-pablo-villaça.jpeg" alt="" width="404" height="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/10/mother-poster-holy-mary-pablo-villaça.jpeg 404w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/10/mother-poster-holy-mary-pablo-villaça-202x300.jpeg 202w" sizes="auto, (max-width: 404px) 85vw, 404px" /></p>
<p><em>Mãe!</em> chegou aos cinemas nacionais como mais um filme de suspense, entretanto, logo ganhou <i>hype</i> na mídia por sua abordagem alegórica de temas polêmicos. Esse fato talvez seja o responsável por dividir o público em dois grandes grupos: os que amaram e os que odiaram, comprovando a intenção do diretor em causar estranheza no espectador. Com isso, Darren Aronofsky consegue, por meio da ajuda de atores renomados e de uma excelente composição imagética, alavancá-lo pretensiosamente à categoria de filme polêmico do ano.</p>
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		<title>Elle: a polêmica análise de Verhoeven dos valores da sociedade contemporânea</title>
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		<pubDate>Sat, 07 Jan 2017 22:14:08 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_7087" aria-describedby="caption-attachment-7087" style="width: 840px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-7087 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/elle-1024x681.jpg" alt="elle" width="840" height="559" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/elle-1024x681.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/elle-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/elle-768x511.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/elle.jpg 1183w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-7087" class="wp-caption-text">Isabelle Huppert em Elle</figcaption></figure>
<p><strong>Luigi da Fonseca Rigoni</strong></p>
<p>O novo filme de Paul Verhoeven, <em>Elle</em>, conta a história de uma mulher que teve sua rotina quebrada pelo ataque de um desconhecido dentro de sua própria casa. O evento, que já parecia ser traumático o suficiente, torna-se ainda pior: o agressor misterioso ainda não desistiu. O longa-metragem transita entre os gêneros suspense e drama, envolvendo o espectador em uma atmosfera pesada, na qual as ações dos personagens, em especial as da protagonista, traçam perfis psicológicos muito mais complexos e problemáticos do que se espera inicialmente.</p>
<p><span id="more-7081"></span></p>
<p><em>Elle</em> não é um filme sobre o trauma do estupro. O terrível evento em questão funciona apenas como plano de fundo para o desenrolar de uma narrativa muito mais profunda, na qual  dramas subjetivos de cunho psicológico são destrinchados sutilmente ao longo do filme. A forma como os personagens interagem com seus sentimentos e estabelecem relações entre si são o ponto forte da narrativa, que se desenvolve ao longo de 130 minutos.</p>
<p>Paul Verhoeven ficou conhecido por produzir filmes com alto teor de violência e conteúdo erótico. Entre as obras mais conhecidas do diretor estão <i>Robocop</i> (1987), <i>Starship Troppers</i> (1997) e <i>Showgirls</i> (1995), que recebeu o Prêmio Framboesa de Ouro, título dado ao pior filme do ano. Ao ser questionado sobre o “prêmio”, Paul disse que era uma crítica construtiva e que devia ser levada em consideração. Hoje, com uma carreira já consolidada, Paul Verhoeven colhe os frutos de seu trabalho. <em>Elle</em> foi considerado uma de suas obras primas, sendo ovacionada pela crítica no festival de Cannes.</p>
<figure id="attachment_7088" aria-describedby="caption-attachment-7088" style="width: 700px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-7088" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/elle2.jpg" alt="Hupert e o diretor Paul Verhoeven" width="700" height="475" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/elle2.jpg 1009w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/elle2-300x204.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/elle2-768x521.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-7088" class="wp-caption-text">Hupert e o diretor Paul Verhoeven</figcaption></figure>
<p>Entretanto, o sucesso do filme não é um mérito exclusivo do diretor. A atriz francesa Isabelle Huppert interpreta Michelle, a protagonista do longa. Sua excepcional atuação garante a carga dramática necessária ao filme, no qual a aparente frieza da personagem fica evidente por meio da atuação da atriz. Isabelle ainda garante de forma brilhante que sua personagem transmita a imagem de uma mulher sarcástica e calculista, fato esse que a tornou uma forte candidata à Palma de Ouro.</p>
<p>O longa começa de forma chocante: gritos agonizantes recebem o espectador, que se depara logo nos primeiros instantes com uma cena de estupro. Um evento traumático como esse deixaria marcas profundas na vida da protagonista; entretanto, Michelle reage de forma inesperada e retoma sua rotina por completo, como se nada tivesse acontecido. O ataque, que acontece em sua própria casa, é mantido em segredo por ela, que não comunica a polícia e parece estar alheia ao acontecimento, preocupando-se mais com seu trabalho do que com o ocorrido.</p>
<p>Embora a personagem busque manter-se o mais distante o possível à situação terrível ao qual foi submetida, o responsável pelo estupro não a deixa em paz. Portas arrombadas e mensagens de texto são algumas das formas de intimidação usadas pelo criminoso, o que a leva a tomar medidas drásticas a respeito da situação. A empresária decide investigar por conta própria o caso, tendo como ponto de partida seus próprios funcionários. Entretanto, o foco narrativo da obra não é o desenrolar de uma investigação. <em>Elle</em> não é um filme tipicamente policial, embora o suspense e a tensão característicos do gênero estejam presentes.</p>
<p>A relação que Michelle estabelece com seu emprego também é um ponto importante da obra. Ela dirige com mãos de ferro uma empresa de criação de videogames, um território predominantemente masculino e jovem, no qual os produtos desenvolvidos são baseados na violência, sendo esse um dos pontos intrigantes do filme. Os videogames desenvolvidos pela empresa funcionam como um espelho no qual Michelle projeta seus traumas, que ao longo das duas horas de filme serão destrinchados. Entre os eventos traumáticos de sua vida, pode-se destacar a péssima relação que a empresária mantém com a família, em especial o pai, preso há vários anos por cometer uma chacina.</p>
<figure id="attachment_7085" aria-describedby="caption-attachment-7085" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-7085" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/hupert-1024x697.jpg" alt="Isabelle Huppert como Michelle, a protagonista do filme." width="840" height="572" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/hupert-1024x697.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/hupert-300x204.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/hupert-768x523.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/hupert-1200x816.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/hupert.jpg 1261w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-7085" class="wp-caption-text">Isabelle Huppert como Michelle, a protagonista do filme.</figcaption></figure>
<p>Outro aspecto importante é o tratamento da questão moral, dissecando as estruturas interpessoais contemporâneas. Na obra, o sexo, trabalho e a família estão diretamente relacionados à violência, levantando debates sobre como as relações estão sendo pautadas na atualidade. As atitudes de Michelle, sendo vistas de fora, podem chocar alguns espectadores, já que os ideias de moralidade são colocados em segundo plano pela personagem. Manter relações sexuais com o marido da amiga, subornar os funcionários, manipular o filho e chantagear a mãe não são as atitudes mais bem vistas pela sociedade, porém, são as tomadas pela protagonista, que, além disso, ainda desenvolve certa atração por seu abusador, sendo esse o ponto mais polêmico aqui.</p>
<p><em>Elle</em> é um filme denso, que vai muito além do esperado. A construção da personagem principal é excelente, sendo esse o grande trunfo do filme e que faz valer a pena assistir ao longa. O desenvolvimento psicológico de Michelle, com seus traumas e desejos, torna a película uma intrigante experiência, nos fazendo refletir sobre os anseios humanos e suas causas. A protagonista não é um personagem maniqueísta como costumamos ver nas grandes produções da indústria; mas sim, uma pessoa normal, com seus erros e acertos, sendo esses os responsáveis por mostrar ao espectador que ela, apesar de tudo, é apenas mais um indivíduo como outro qualquer.</p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://www.youtube.com/embed/gM96ne-XiH0?rel=0" width="640" height="360" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p><em>*Texto realizado por Luigi Ringoni para a disciplina de Filosofia, da graduação em Jornalismo da UNESP.</em></p>
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