Os Últimos Dias de Laura Palmer: uma outra Twin Peaks

O filme foi mal recebido em 1992, mas hoje recebe uma nova apreciação. Diferente o bastante da série para incomodar alguns fãs, David Lynch apresenta uma outra perspectiva do universo Twin Peaks.

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Lucas Marques

O longa-metragem Twin Peaks: Os Últimos Dias de Laura Palmer, de 1992, era, até este ano, o último vislumbre do universo da série de David Lynch e Mark Frost. Um último gole nada fácil de digerir: Lynch frustra a espera por respostas aos questionamentos deixados em 1991, situando o filme antes da narrativa da série. A obra possui uma estranha relação interna, pois tanto depende que o expectador conheça o material de origem, quanto pede que nós o tratemos como um produto único, quase que desvinculado do seriado. David Lynch, ao quebrar expectativas, reafirma a posição de autor na época mais popular de sua carreira.

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Os melhores filmes de 2016

Melhores filmes de 2016

O senso comum diz que 2016 teve uma escassez de bons filmes. Realmente, muitos dos hollywoodianos tiveram uma recepção morna, mas a lista de melhores do ano do Persona mostra que tivemos sim grandes marcos no cinema. Desde modos inteligentes de se fazer películas comerciais até a surpreendente ascensão de nosso continente. Aqui estão os cinco destaques escolhidos por nós:

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As melhores séries de 2016

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Se 2015 foi marcado pela consolidação dos serviços de streaming impulsionados por boas séries, este ano coloca ainda mais abaixo o conceito de “séries televisivas”. São produções grandes, extremamente competentes, que impactam e pautam nossas conversas virtuais como poucas coisas conseguem.

Outra tendência das séries de 2016 é um olhar crítico e criativo sobre o passado recente – que vai desde os divertidos filmes dos anos 80 até os conflitos raciais. Eis as cinco melhores de 2016 do Persona UNESP: Continue lendo “As melhores séries de 2016”

Alan Moore e seu “suspense sofisticado” de Monstro do Pântano

O britânico Alan Moore entrou no mercado norte-americano em 1983, em um título deixado de escanteio pela DC Comics, para desestabilizar de vez a indústria dos quadrinhos.

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Além do escritor Alan Moore, muito da concepção da personagem se deve aos artistas Stephen Bissette e John Totleben/ DC Comics

Lucas Marques

A chamada “Sophisticated Suspense” (Suspense Sofisticado) presente na maioria das capas de A Saga do Monstro do Pântano não traduz nas histórias o que os editores da DC Comics queriam indicar por ela: algo nos moldes da literatura de H. P. Lovecraft ou mesmo de Stephen King, que nesses meados dos anos 80 vinha de sucesso após sucesso. Mas essa sofisticação é verdadeira, não se engane, concretizada em uma miscelânea inédita nos quadrinhos. Ao longo de mais de 40 edições, Alan Moore reuniu em um mesmo espaço religião e filmes trash, Freud e Aleister Crowley, biologia e erotismo, movimentos sociais e cinema pastelão, o racional e o irracional. Continue lendo “Alan Moore e seu “suspense sofisticado” de Monstro do Pântano”

Todos os Fogos o Fogo: a escrita abrasadora de Cortázar

Julio Cortázar publicou há 50 anos Todos os Fogos o Fogo, um dos principais livros de contos de sua carreira e da literatura argentina.

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Créditos: Ulf Andersen / Getty Images

Lucas Marques

Quando da publicação de Todos os Fogos o Fogo, em 1966, Julio Cortázar era o escritor sul-americano de mais prestígio além-mar: três anos antes O Jogo da Amarelinha abalara a própria concepção de romance – já que os capítulos do livro poderiam ser lidos em múltiplas ordens-, e em 1966 o diretor cinematográfico Micheangelo Antonioni adaptara o conto As Babas do Diabo para a produção do clássico Blow-Up.

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O Segredo de Joe Gould: Sobre a força de um texto

Livro reúne os dois perfis que Joseph Mitchell escreveu para a New Yorker sobre o mendigo culto Joe Gould

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Joe Gould chamava a atenção por suas duas personas extremas: a de escritor culto e emprenhado e a de bêbado exibicionista. Créditos: Culver Pictures.

Lucas Marques

As páginas de O Segredo de Joe Gould (Companhia das Letras) revelam um ilustre conto real sobre a passagem do tempo e a memória. O livro reúne dois perfis jornalísticos escritos por Joseph Mitchell, para a revista New Yorker, sobre o mendigo boêmio Joe Gould – um de 1942 e outro em 1964, após a morte do perfilado. Gould perambulava as ruas de Nova York escrevendo “A História Oral de Nosso Tempo”, o livro que contaria a história contemporânea através de conversas mundanas escutadas pelo autor. Tal empenho chamou a atenção de diversos intelectuais e na escrita de Mitchell se tornou um trabalho jornalístico irretocável. Continue lendo “O Segredo de Joe Gould: Sobre a força de um texto”

Batman – O Cavaleiro das Trevas III: mais um retrato da paranoia de Frank Miller

Continuação do quadrinho clássico começa bem, mas é logo barrado pela cruzada antiterrorista do autor.

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Após uma sequência ruim de obras, Miller retorna a sua série mais conhecida. (Créditos: DC Comics)

Lucas Marques dos Santos

O primeiro Cavaleiro das Trevas de Frank Miller, lançado em 1986, é um inegável marco nas histórias de quadrinhos ao situar os super-heróis em um ambiente político, de violência explicita e midiatizado. Junto com Watchmen, de Alan Moore, os quadrinhos de super-heróis começaram um movimento de conquista de um público que ia além do infanto-juvenil masculino já estabelecido. Hoje, 40 anos depois do original, O Cavaleiro das Trevas III está sendo publicado – por enquanto somente nos EUA com o título Dark Knight III: The Master Race. Entretanto muita coisa se passou e Frank Miller não é o mesmo. Continue lendo “Batman – O Cavaleiro das Trevas III: mais um retrato da paranoia de Frank Miller”