In The Aeroplane Over the Sea: os fantasmas de Jeff Mangum

Álbum do Neutral Milk Hotel faz 20 anos com fama de clássico cult moderno, adorado principalmente em círculos da internet. Se hoje as piadas e o status de intocável podem afastar pessoas do álbum, é interessante lembrar porque a visão do compositor Jeff Mangum repercutiu em primeiro lugar.

Lucas Marques

No livro de Kim Cooper sobre In The Aeroplane Over the Sea há uma anedota que coloca o disco em uma casca de noz: os membros do Neutral Milk Hotel estavam em uma costumeira visita a um museu de penny-arcade (antigas máquinas de entretenimento, que vão desde os primeiros jogos de pinball até cartomantes e bonecos assustadores de tecnologia analógica), quando o soprista Scott Spillane olha para trás e leva um susto, de gelar a espinha. O motivo da surpresa era uma menina de 10 anos, muito parecida com Anne Frank. Spillane então chama o vocalista e compositor Jeff Mangum e ambos ficam atônitos, perguntando se estavam vendo um fantasma. Continue lendo “In The Aeroplane Over the Sea: os fantasmas de Jeff Mangum”

Os melhores álbuns de 2017

Quando decidimos que nossas listas de melhores do ano seriam compostas por escolhas pessoais, em vez de votações e colocações, o objetivo era atingir uma maior multiplicidade de gostos. O que não esperávamos era que alguns dos maiores figurões das listas de toda a imprensa ficassem de fora da nossa. Desculpa, Lorde e Kendrick Lamar.

Mas também, qual a necessidade de bater na tecla dos consensos quando temos outras tantas obras interessantes para ouvir? Do rock ao hip hop, passando pelo eletrônico, esses são nossos destaques de 2017:

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As melhores séries de 2017

Até mesmo depois de ampliarmos as listas de final de ano para 10 itens e deixar a cargo de cada participante escrever sobre o seu destaque pessoal, a lista de séries surpreendeu pela variedade: apenas uma obra permaneceu da lista de 2016.

Muita coisa boa ficou de fora, inclusive a animação que ilustra o post (e que proporcionou um dos melhores memes do ano). Mas nossas escolhas refletem um ano cheio de produções promissoras, ótimas temporadas de séries antigas e fortes traços autorais.

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Os melhores filmes de 2017

Não é exagero dizer que o cinema teve um ano de renovação em 2017. Velhas franquias tiveram coragem de ignorar os fãs mais chatos e propor ideias novas. Os cinemas comerciais receberam com amor e ódio diretores antes relegados a nichos. Até o tão estagnado cinema de terror recebeu um polêmico prefixo “pós”, tamanha a diferença das temáticas abordadas nos filmes.

As escolhas pessoais dos participantes do Persona refletem esse ânimo por discutir cinema nas mais distintas áreas. Continue lendo “Os melhores filmes de 2017”

Liga da Justiça carece de traços autorais e cai no ordinário

Filme relega a visão de Zack Snyder do Universo DC, mas tampouco é atraente como obra cinematográfica.

Lucas Marques

Dentre tantos defeitos que o primeiro longa-metragem da Liga da Justiça poderia ter, ele possui o pior: ser esquecível. Não há nada mais triste do que presenciar filmes eventos exorbitantemente caros serem tímidos e não despertarem fortes emoções. Também dirigido por Zack Snyder, o antecessor Batman v Superman é uma das obras mais esquizofrênicas que o mainstream já viu – objetivamente pior que Liga da Justiça -, mas ao menos se parece com um filme caro, capaz de gerar amor e ódio. Até hoje as pessoas discutem BvS. De Liga da Justiça não podemos esperar o mesmo. Continue lendo “Liga da Justiça carece de traços autorais e cai no ordinário”

Uzumaki e Dylan Dog: dois extremos do quadrinho de horror

Gato de Cazã. Arte popular russa do século XIX, sem autoria.

O japonês Junji Ito e o italiano Tiziano Sclavi produzem quadrinhos de horror de maneiras bem distintas. Enquanto um explora conceitos, o outro se destaca pelas personagens carismáticas. De qualquer forma, ambos são mestres da imagem.

Lucas Marques

Primeiro, um recente causo: na madrugada do último dia 31, Dia das Bruxas, meu vizinho de quarto bateu em minha porta para questionar se era eu que tinha visto um gatinho preto em casa. Respondi que sim e ele falou “então olha isso!”, desocultando das costas um desenho feito com traços grossos em um papel de caderno já empoeirado e rasgado. A imagem me gelou a espinha de primeira vista. Era um gatinho desenhado com giz de cera preto, as formas tão tortas que poderiam ser mesmo de autoria de uma criança, mas com alguns detalhes que só poderiam ser feitos por um jovem ou adulto que sabe o cânone de tal coisa: dentes e orelhas pontiagudas; olhos elípticos com o preto interno também elíptico, mas invertido; calda em espiral. Continue lendo “Uzumaki e Dylan Dog: dois extremos do quadrinho de horror”

Os Últimos Dias de Laura Palmer: uma outra Twin Peaks

O filme foi mal recebido em 1992, mas hoje recebe uma nova apreciação. Diferente o bastante da série para incomodar alguns fãs, David Lynch apresenta uma outra perspectiva do universo Twin Peaks.

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Lucas Marques

O longa-metragem Twin Peaks: Os Últimos Dias de Laura Palmer, de 1992, era, até este ano, o último vislumbre do universo da série de David Lynch e Mark Frost. Um último gole nada fácil de digerir: Lynch frustra a espera por respostas aos questionamentos deixados em 1991, situando o filme antes da narrativa da série. A obra possui uma estranha relação interna, pois tanto depende que o expectador conheça o material de origem, quanto pede que nós o tratemos como um produto único, quase que desvinculado do seriado. David Lynch, ao quebrar expectativas, reafirma a posição de autor na época mais popular de sua carreira.

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