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	<title>Arquivos Livro reportagem &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Os sonhos arruinados dos Garotos do Ninho são o norte de Longe do Ninho</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Sep 2024 14:37:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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		<category><![CDATA[Análise]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Marcela Lavorato Lançado cinco anos depois do incêndio no CT do Flamengo, que matou dez jogadores da base em Fevereiro de 2019, Longe do ninho: Uma investigação do incêndio que deu fim ao sonho de dez jovens promessas do Flamengo de se tornarem ídolos no país do futebol é um livro que honra as memórias &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/longe-do-ninho-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os sonhos arruinados dos Garotos do Ninho são o norte de Longe do Ninho"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_33933" aria-describedby="caption-attachment-33933" style="width: 249px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-33933" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/Capa-Longe-do-Ninho.jpg" alt=" Capa do livro Longe do Ninho, de Daniela Arbex. O fundo da capa é preto. Nesse fundo, há brilhos vermelhos representando estrelas. No centro da capa, em vermelho, há o nome da escritora Daniela Arbex. Logo abaixo, no centro, vem o título: Longe do Ninho. Por fim, ainda no centro: há a continuação do título: Uma investigação do incêndio que deu fim ao sonho de dez jovens promessas do Flamengo de se tornarem ídolos no país do futebol. Em torno desses dizeres há os bustos das dez vítimas: acima, da esquerda para direita, aparece Pablo Henrique (menino negro de , Vitor Isaías e Jorge Eduardo. Do lado direito, de cima para baixo, há Samuel Rosa e Rykelmo. No lado inferior, da esquerda para a direita, encontram-se Athila, Bernardo e Christian. Do lado esquerdo, de cima para baixo, há Gedson e Arthur. No centro superior direito aparece a logo da Intrínseca em vermelho." width="249" height="365" /><figcaption id="caption-attachment-33933" class="wp-caption-text">Longe do ninho é um livro triste, mas necessário (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><b>Marcela Lavorato</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançado cinco anos depois do incêndio no CT do Flamengo, que matou dez jogadores da base em Fevereiro de 2019, </span><i><span style="font-weight: 400;">Longe do ninho: Uma investigação do incêndio que deu fim ao sonho de dez jovens promessas do Flamengo de se tornarem ídolos no país do futebol </span></i><span style="font-weight: 400;">é um livro que honra as memórias daqueles se foram e dos dezesseis jovens que sobreviveram. </span><a href="https://personaunesp.com.br/?s=daniela+arbex"><span style="font-weight: 400;">Daniela Arbex</span></a><span style="font-weight: 400;">, jornalista investigativa, não falha em trazer – assim como em  </span><a href="http://personaunesp.com.br/colonia-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Holocausto Brasileiro</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2013), </span><i><span style="font-weight: 400;">Cova 312</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2015) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Todo dia a mesma noite</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2018) – o desrespeito dos responsáveis pelo </span><span style="font-weight: 400;">incêndio</span><span style="font-weight: 400;"> que vitimou Arthur Vinícius, Athila Paixão, Gedson Santos, Pablo Henrique de Souza, Vitor Isaías, Bernardo Pisetta, Christian Esmério, Jorge Eduardo dos Santos, Samuel Rosa, Rykelmo de Souza e seus sonhos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com uma escrita impactante, a autora se debruça em dez mil folhas de arquivos sobre o caso para trazer à tona a imprudência da instituição do Flamengo e seus dirigentes. Durante as 266 paginas, acompanhamos a reconstituição do caso e nos é revelado que o local de ‘moradia’ – contêineres totalmente inadequados nunca deveriam ser chamados pelo termo –, localizado no centro de treinamento do Flamengo, Ninho do Urubu, não tinha </span><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/radioagencia-nacional/esportes/audio/2024-02/historia-hoje-cinco-anos-da-tragedia-do-ninho-do-urubu#:~:text=Uma%20trag%C3%A9dia%20acabou%20com%20o,8%20de%20fevereiro%20de%202019"><span style="font-weight: 400;">alvará</span></a><span style="font-weight: 400;"> como alojamento. Determinado como estacionamento em um dos documentos, as famílias confiaram seus filhos à instituição, pensando que a mesma iria tratá-los com respeito e decência, mas o que é mostrado indica o contrário. </span></p>
<p><span id="more-33932"></span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“</span>Na prática, em apenas um minuto e 28 segundos, o fogo se alastrou. Além das chamas, a fumaça preta tomou conta do alojamento. Em seguida, ocorreram explosões. Dez dos catorze sobreviventes tiveram apenas 45 segundos para fugir do local pela única porta de acesso da estrutura. Depois disso, nenhum garoto conseguiu chegar até a entrada, embora a maioria tenha tentado encontrar a saída.<span style="font-weight: 400;">”</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Para trazer seus fundamentos e veracidade, a jornalista redobra a atenção ao colocar os diversos registros (institucionais, públicos, jornalísticos, e-mails, entre outros…) acessíveis para o leitor. A apresentação de dados concretos dão substância o suficiente para mostrar que a narrativa quer ser a mais transparente e responsável diante dos fatos. Dividida em 12 partes, a escrita de Daniela Arbex nos monta e desmonta de tristeza ao longo dos capítulos, já que o livro foi constituído com passagens de tempos anteriores, durante e posteriores ao </span><a href="https://memoriaglobo.globo.com/jornalismo/coberturas/incendio-no-ninho-do-urubu/noticia/incendio-no-ninho-do-urubu.ghtml"><span style="font-weight: 400;">incêndio</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois de inúmeros desdobramentos para não adequar a situação do alojamento da categoria de base – pagamentos de multa ao invés da regularização, burlamento de requerimentos do Ministério Público e outras irregularidades –, a terrível consequência desses atos veio na madrugada do fatídico dia de 2019. O livro expõe a irresponsabilidade dos diversos envolvidos, até depois da tragédia, e coloca nos holofotes a necessidade de </span><a href="https://www.lance.com.br/flamengo/quem-foi-punido-pela-tragedia-do-ninho-do-urubu.html"><span style="font-weight: 400;">justiça</span></a><span style="font-weight: 400;"> que, até agora, em 2024, não aconteceu e, que de certa forma, tem que ocorrer pela dignidade das vítimas, sobreviventes e todos os atingidos.  </span></p>
<figure id="attachment_33935" aria-describedby="caption-attachment-33935" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-33935 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/unnamed-800x552.jpg" alt="Jogo Flamengo contra Madureira no Maracanã em 2020, um ano após a tragédia. Em primeiro plano, vemos os jogadores abraçados e organizados em duas fileiras, uma de cada time. Ao fundo, a arquibancada está lotada de torcedores fazendo homenagem com cartazes para os meninos." width="800" height="552" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/unnamed-800x552.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/unnamed-768x530.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/unnamed.jpg 984w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33935" class="wp-caption-text">No livro, vemos a injustiça, que vitimou dez atletas, sendo praticada às escondidas (Foto: André Durão)</figcaption></figure>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=whNocVpKz28"><i><span style="font-weight: 400;">Longe do Ninho</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é uma obra difícil de superar – e que nem devemos –, pois estamos lidando com as mortes de meninos que eram filhos, irmãos, sobrinhos, netos, amigos e namorados; garotos com sonhos. Além de perderem suas vidas, outros padecem por essa tragédia dia após dia. Durante a narrativa, os sentimentos aflorados se misturam de uma maneira muito sincera: angústia, tristeza e dor que antecedem o trágico momento; raiva e ódio nos trechos que tratam sobre os irresponsáveis; e compaixão e luto quando nos é mostrada a relação dos adolescentes sobreviventes, como </span><span style="font-weight: 400;">Cauan, Francisco e Jhonatan,</span><span style="font-weight: 400;"> seus familiares e todo o acontecimento pós-tragédia. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O capítulo mais difícil de ler é o da descrição de como foi a madrugada do incêndio. </span><a href="https://www.publishnews.com.br/materias/2024/03/05/tres-perguntas-do-pn-para-daniela-arbex-autora-de-longe-do-ninho"><span style="font-weight: 400;">Daniela</span></a><span style="font-weight: 400;"> Arbex, de modo sensível, revelou que a maioria dos meninos tentou fugir do desastre, porém, por inúmeras irregularidades do alojamento – à exemplo das grades nas janelas e portas que não abriam para fora –, a fuga foi dificultada ao máximo. O </span><a href="https://intrinseca.com.br/blog/2023/12/novo-livro-da-premiada-jornalista-daniela-arbex-retrata-o-incendio-do-ninho-do-urubu-que-vitimou-dez-jogadores-da-base-do-flamengo-e-permanece-sem-responsabilizacao/"><span style="font-weight: 400;">relato</span></a><span style="font-weight: 400;"> acaba se tornando muito íntimo e necessário, mostrando o que não se pode esquecer para que a história não se repita. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O amor pelo futebol – que vinha muitas vezes da própria família, como a Dona Jô, avó de Vitor Isaías – e a possibilidade de mudar a realidade de suas famílias eram os motivadores para os meninos, com tão pouca idade, saíssem de seus ninhos familiares para um em que almejavam o sucesso: o Ninho do Urubu. Partindo de Minas Gerais, Paraná, Tocantins e do Brasil inteiro, os atletas enfrentavam seus e incertezas para conseguirem viver do esporte. Longe de </span><a href="https://jornaldebrasilia.com.br/noticias/brasil/familias-de-vitimas-do-incendio-no-ninho-do-urubu-reclamam-de-falta-de-sensibilidade-do-flamengo/"><span style="font-weight: 400;">suas famílias</span></a><span style="font-weight: 400;">, a única troca que aliviava a distância eram as ligações e os aplicativos de mensagens. Nesse trecho, é muito arrebatador quando a autora nos apresenta algumas das </span><a href="https://ge.globo.com/google/amp/sp/tem-esporte/futebol/noticia/2023/02/08/pai-de-vitima-do-incendio-no-ninho-convive-com-saudade-diaria-quatro-anos-depois-quase-todo-dia-8-e-ruim-para-nos.ghtml"><span style="font-weight: 400;">últimas mensagens</span></a><span style="font-weight: 400;"> trocadas entre os meninos e seus familiares, além também dos contatos dos sobreviventes com os pais após o incêndio. </span></p>
<figure id="attachment_33936" aria-describedby="caption-attachment-33936" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-33936 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/Mural-Longe-do-Ninho-800x592.jpg" alt=" Foto do Mural do Garotos do Ninho. Tirada em um dia ensolarado, a foto retrata uma parte da homenagem, onde aparece alguns rostos e seus respectivos nomes do lado: Rykelmo, Jorge Eduardo, Bernardo, Athila e Christian. No fundo preto, ao lado da pintura de Christian, há os escritos: logo acima, em vermelho, “Garotos do Ninho”. Abaixo, em branco, a frase “A grandeza do Flamengo está na humanidade da sua torcida.”. Em baixo da frase, há um coração com os nomes, em branco, dos feridos sobreviventes da tragédia: Cauan, Francisco e Jhonatan. Do lado do coração vermelho, encontra-se a identificação, em branco, da rede social do artista Airá OCrespo (@airaocrespo). Abaixo do coração, há a hashtag em vermelho #NaoEsquecemos" width="800" height="592" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/Mural-Longe-do-Ninho-800x592.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/Mural-Longe-do-Ninho-768x568.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/Mural-Longe-do-Ninho.jpg 960w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33936" class="wp-caption-text">“A grandeza do Flamengo está na humanidade da sua torcida” (Foto: Arte Fora do Museu)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A concepção do </span><a href="https://www.metropoles.com/entretenimento/ninho-do-urubu-autora-questiona-silencio-do-flamengo-sobre-tragedia"><span style="font-weight: 400;">livro-reportagem</span></a><span style="font-weight: 400;"> veio após uma mensagem de Leda, mãe de Bernardo Pisetta, que se apresentou como </span><b>“</b><i><span style="font-weight: 400;">mãe de uma das vítimas da tragédia do dia oito</span></i><b><i>”. </i></b><span style="font-weight: 400;">Depois desse contato delicado, Arbex mostra-se, mais uma vez, como uma escritora que resgata a memória daqueles que nunca devem ser esquecidos. Com isso, as histórias dos meninos são contadas não somente pela perspectiva da calamidade, mas também pelas memórias de vida que foram constituídas nestes curtos anos de vida. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por estarem longe do núcleo familiar, os garotos do Ninho constituíram entre si uma outra família. Vivendo o mesmo sonho de serem jogadores de futebol profissional, amizades e trocas sinceras foram cultivadas, o que aliviava, de certa forma, todo o processo desse desejo incerto. Entre eles, eram criados inúmeros momentos divertidos, como uma saída para ir comer em uma lanchonete ou tomar um </span><span style="font-weight: 400;">açaí</span><span style="font-weight: 400;">, jogar uma partida de</span><i><span style="font-weight: 400;"> Free Fire</span></i><span style="font-weight: 400;"> e, claro, jogar uma bola. Essa reciprocidade  relatada durante todo o livro traz melancolia, porque entendemos de uma maneira avassaladora que foi tirado deles o </span><a href="https://www.jusbrasil.com.br/noticias/o-direito-a-vida-e-a-saude-no-eca/592506"><span style="font-weight: 400;">direito </span><span style="font-weight: 400;">à vida</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No fim da narrativa, a autora retrata a vida das famílias dentro desses cinco anos e também a trajetória de alguns dos atletas sobreviventes. Além disso, a obra traz também alguns manifestos feitos em homenagem: o </span><a href="https://arteforadomuseu.com.br/memorial-ao-garotos-do-ninho-do-urubu/"><span style="font-weight: 400;">mural</span></a><span style="font-weight: 400;"> com as imagens dos dez garotos produzido pelo artista Airá OCrespo e o movimento </span><a href="https://naoesquecemos.com.br/"><i><span style="font-weight: 400;">Não Esquecemos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, feito pelo Flamengo da Gente, que tem como objetivo enaltecer a memória das dez vítimas e nunca deixar o compromisso de jamais esquecer. Por isso, o livro é pelos que se foram, pelos que ficaram e por aqueles que jamais irão abraçar seus entes queridos novamente: </span><a href="https://twitter.com/hashtag/naoesquecemos?src=hashtag_click"><i><span style="font-weight: 400;">#NãoEsquecemos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<blockquote>
<h3><span style="font-weight: 400;">“Respondi que na verdade não escolho escrever sobre tragédias, mas sobre as omissões que causam tragédias, para que elas não se repitam. Afinal, se uma história não é contada, é como se ela não estivesse existido.”</span></h3>
<h5><span style="font-weight: 400;">&#8211; Longe do Ninho (2024)</span></h5>
</blockquote>
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		<title>O que Ser Jornalista no Brasil tem a ver com a Bienal do Livro?</title>
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		<pubDate>Thu, 28 Jul 2022 21:08:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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		<category><![CDATA[A democracia na armadilha: Crônicas do Desgoverno]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nathália Mendes  No segundo sábado da 26ª Bienal Internacional do Livro, dia 9 de julho de 2022, em São Paulo, três mulheres foram convidadas para falar no painel Ser Jornalista no Brasil. Ainda que Miriam Leitão, Ilze Scamparini e Daniela Arbex sejam notórias escritoras, não parecia ser aquele o objetivo de trazê-las ao debate. Enquanto &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/ser-jornalista-bienal-do-livro-artigo/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O que Ser Jornalista no Brasil tem a ver com a Bienal do Livro?"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28296" aria-describedby="caption-attachment-28296" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28296" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/1-1.png" alt="" width="1366" height="768" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/1-1.png 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/1-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/1-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/1-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/1-1-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28296" class="wp-caption-text">A 26ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo exaltou a democracia brasileira ao possibilitar um painel que discutiu a importância do livre exercício jornalístico (Foto: TV Globo)</figcaption></figure>
<p><b>Nathália Mendes </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No segundo sábado da </span><a href="https://www.instagram.com/p/Cf-CIbUFTOb/"><span style="font-weight: 400;">26ª Bienal Internacional do Livro</span></a><span style="font-weight: 400;">, dia 9 de julho de 2022, em São Paulo, três mulheres foram convidadas para falar no painel </span><i><span style="font-weight: 400;">Ser Jornalista no Brasil</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ainda que Miriam Leitão, Ilze Scamparini e Daniela Arbex sejam notórias escritoras, não parecia ser aquele o objetivo de trazê-las ao debate. Enquanto apresentavam seus formidáveis projetos no mundo dos livros, centenas de olhos e ouvidos aguardavam atentamente por outra discussão: por que diabos suas profissões jornalísticas tinham ganho destaque numa das maiores feiras literárias da América Latina?</span></p>
<p><span id="more-28293"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa não é uma pergunta simples de responder. Muito pelo contrário, é mais fácil, a princípio, conhecer os livros que trouxeram as três jornalistas até a Bienal. Ilze Scamparini veio direto da Itália, onde é correspondente da Globo há mais de 20 anos, para divulgar seu romance </span><a href="https://globoplay.globo.com/v/10108940/"><i><span style="font-weight: 400;">Atirem direto no meu coração</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2021). Segundo ela, a narrativa é “</span><i><span style="font-weight: 400;">livremente inspirada</span></i><span style="font-weight: 400;">” em fatos reais, ou seja, numa outra história que, de fato aconteceu, mas nunca havia recebido o olhar de alguém que quisesse entendê-la e levá-la para o mundo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já Daniela falou do recém-lançado </span><a href="https://www.metropoles.com/entretenimento/literatura/daniela-arbex-narra-em-livro-a-tragedia-humana-ocorrida-em-brumadinho"><i><span style="font-weight: 400;">Arrastados</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2021), que conta o desastre ambiental de Brumadinho. Aproveitou, ainda, para dar um </span><i><span style="font-weight: 400;">spoiler</span></i><span style="font-weight: 400;"> da </span><a href="https://www.terra.com.br/diversao/musica/boate-kiss-netflix-anuncia-serie-ficcional-sobre-a-tragedia-em-2023,85081a5e7a8a2a9d369b0bd815776d5ffswhcndu.html"><span style="font-weight: 400;">futura série</span></a><span style="font-weight: 400;"> na </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix </span></i><span style="font-weight: 400;">inspirada em seu próprio livro </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=gWz9B1XdVs8"><i><span style="font-weight: 400;">Todo Dia a Mesma Noite: A História Não Contada da Boate Kiss</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2018). Enquanto isso, Miriam trouxe justamente o emblemático cenário político brasileiro que ameaça a democracia &#8211; e o Jornalismo. Em </span><a href="https://portalimprensa.com.br/noticias/entrevista+da+semana/84666/miriam+leitao+a+democracia+brasileira+esta+sendo+agredida+e+o+agressor+e+o+presidente"><i><span style="font-weight: 400;">A democracia na armadilha: Crônicas do Desgoverno</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2021), há uma reunião de textos produzidos durante seis anos por ela, formando uma visão histórica a partir do trabalho jornalístico.</span></p>
<figure id="attachment_28297" aria-describedby="caption-attachment-28297" style="width: 1448px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28297" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/3.jpg" alt="" width="1448" height="916" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/3.jpg 1448w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/3-800x506.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/3-1024x648.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/3-768x486.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/3-1200x759.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28297" class="wp-caption-text">Série da Netflix sobre a tragédia da Boate Kiss narrada por Daniela Arbex tem previsão de estreia para 2023 (Foto: Bienal do Livro de São Paulo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">E o que, então, é notável que essas obras têm para merecerem estar na Bienal Internacional do Livro? Respondo: As histórias que contam são difíceis e dolorosas, distantes da pura ficção que parte do misterioso imaginário de um escritor. Para além de abordarem duras realidades, elas próprias falam do que é ser jornalista, e essa característica não é simples de ser notada. Da mesma forma, é difícil enxergar o motivo disso ser tão necessário para a sociedade brasileira neste momento. Mas, a </span><a href="https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2022/07/09/leitores-lotam-a-bienal-do-livro-em-sao-paulo-no-ultimo-fim-de-semana-do-evento.ghtml"><span style="font-weight: 400;">multidão que lotou</span></a><span style="font-weight: 400;"> a Arena Cultural precisava &#8211; com urgência &#8211; de uma resposta. Uma que gritasse ainda mais alto a necessidade desesperadora, angustiante e desconsolada de defender a existência do Jornalismo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> “</span><i><span style="font-weight: 400;">Esquecer é negar a História</span></i><span style="font-weight: 400;">”, respondeu </span><a href="https://personaunesp.com.br/todo-dia-a-mesma-noite-critica/"><span style="font-weight: 400;">Daniela Arbex</span></a><span style="font-weight: 400;"> no painel. E, com isso, apontou duas coisas: a primeira é que nós parecemos sofrer de amnésia instantânea. Isso se dá por termos uma História contada às claras? De jeito nenhum. Ser jornalista no Brasil é enfrentar, justamente, o péssimo hábito que temos &#8211; e cultivamos &#8211; de </span><a href="https://blogfca.pucminas.br/colab/narrativa-em-disputa-estudiosos-criticam-exaltacao-do-golpe-de-64/"><span style="font-weight: 400;">transformar a tragédia em glória ao longo do tempo</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; e esse é um comportamento um tanto quanto complexo, difícil de ser compreendido. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A segunda coisa é que o Jornalismo está em crise &#8211; e isso não é um problema de agora, nem só do Brasil. Ilze definiu a perseverança como algo necessário, quase intrínseco, para atuar na profissão em qualquer lugar do mundo. Mais do que isso, ela exemplificou como a crise democrática está entrelaçada com os desafios do trabalho, até em terras tão desenvolvidas e europeias quanto as italianas. Não só os </span><a href="https://www.nexojornal.com.br/extra/2022/03/22/Ataques-contra-jornalistas-no-Brasil-crescem-22-em-2021"><span style="font-weight: 400;">ataques físicos</span></a><span style="font-weight: 400;"> e cibernéticos aos profissionais aumentaram, mas enfrentamos um movimento que busca desacreditar o trabalho. Por isso é tão importante que se compreenda o que é </span><i><span style="font-weight: 400;">Ser Jornalista no Brasil.</span></i></p>
<figure id="attachment_28298" aria-describedby="caption-attachment-28298" style="width: 1448px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28298" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/2.jpg" alt="" width="1448" height="832" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/2.jpg 1448w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/2-800x460.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/2-1024x588.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/2-768x441.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/2-1200x690.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28298" class="wp-caption-text">Durante o painel, Miriam Leitão falou sobre os ataques que recebe da família do presidente Jair Bolsonaro, destacando que sua luta não é pessoal, e sim de uma mulher jornalista (Foto: Bienal do Livro de São Paulo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A grande diferença entre a obra de um escritor literário e um jornalista é procurar as histórias sempre no outro, naquilo que já existe e deve ser levado a conhecimento. Esse é um trabalho que as três convidadas fazem com excelência, principalmente Daniela Arbex, que </span><a href="https://midianinja.org/news/esquecer-e-negar-a-historia-daniela-arbex-fala-sobre-colocar-evidencia-historias-que-precisam-ser-contadas/"><span style="font-weight: 400;">adota tal função para si mesma</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ela nomeou a construção que tem feito através de seus livros como parte da </span><i><span style="font-weight: 400;">“memória coletiva”</span></i><span style="font-weight: 400;"> que falta ao Brasil. Isto é, tudo aquilo que não foi contado, as pessoas que foram marginalizadas e as histórias que foram ignoradas. Construímos ao longo do tempo um ciclo de catástrofes e destruição que nasceram, foram cultivadas e negadas, enfiadas debaixo dos panos da História. Sem revisitar o passado tenebroso que nos fez chegar ao presente, os repetiremos para sempre. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A construção de uma memória coletiva brasileira se daria, então, como Miriam Leitão pontuou: partindo do primeiro rascunho da História produzido por ele mesmo, o Jornalismo. É uma condição de existência &#8211; mas essa é uma opinião minha. Miriam apontou, ainda, a profissão como responsável por “</span><i><span style="font-weight: 400;">olhar para onde o vento está indo</span></i><span style="font-weight: 400;">”, uma alusão ao seu </span><a href="http://hdl.handle.net/11422/4381"><span style="font-weight: 400;">caráter único de observação</span></a><span style="font-weight: 400;">, de enxergar aquilo e aqueles que mais ninguém consegue. É por isso que as obras dessas mulheres merecem o destaque não só literário, mas por sua função de construção da sociedade ao longo do tempo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Você já se perguntou quais são as histórias escolhidas para serem contadas a nós? Ou, até mesmo, se a sua vida está na caixinha do que vai para as próximas gerações? Não queremos conhecer aquilo que nos arrepia a espinha, mas está lá, justamente no mais indigesto, a pulguinha que nos lembra, e relembra, e lembra. Está tudo entrelaçado. </span><a href="https://abraji.org.br/publicacoes/relatorio-monitoramento-de-ataques-a-jornalistas-no-brasil"><span style="font-weight: 400;">Sem a profissão</span></a><span style="font-weight: 400;"> que visita &#8211; e revisita &#8211; aquilo que se deseja esquecer, é impossível existir democracia e liberdade. E, assim, estaríamos fadados ao esquecimento de nós mesmos.</span></p>
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